Capítulo XIII

Bisbilhotice

Ser solitária trazia algumas vantagens. As pessoas frequentemente não percebiam a sua presença e ela prestava muito mais atenção nas conversas do que os outros imaginavam. Durante semanas ela tentou ouvir mais alguma menção vinda de Gina ou Hermione, mas as duas não repetiram o erro. Foi Neville quem deu novas esperanças a ela de desvendar o enigma.

Ao entrar na sala do Professor Snape para mais uma aula de poções, os alunos do quinto ano precisaram esperar que os alunos do sexto ano arrumassem seus caldeirões. Encostada a parede, Elizabeth podia ver Neville Longbottom claramente transtornado. Lágrimas discretas corriam de seus olhos. Provavelmente o professor havia tirado pontos de Grifinória e passado uma descompostura no rapaz. Rony Weasley se aproximou dele e tentou animá-lo.

- Esquece ele, Neville. Ele não vai mudar nunca.

- Eu já devia estar acostumado. Não consigo acreditar que ele pertença a Ordem da Fênix– desabafou Longbottom num suspiro.

- É o que eu sempre digo ao Harry. Eu acho que o Snape é um espião de Você-Sabe-Quem. Ele pode enganar Dumbledore, mas a mim não engana – afirmou Weasley.

Os dois rapazes saíram da sala conversando. Elizabeth estava perplexa. Se Dumbledore e Snape faziam parte da Ordem da Fênix, então ela era algo sério. Retirou do bolso o pergaminho onde estavam suas anotações e acrescentou:

6. Snape e Dumbledore também fazem parte.

A jovem não prestou atenção em nada do que o professor de poções ensinava tão agitada estava com a descoberta. Quando Snape lhe endereçou uma questão Elizabeth não sabia respondê-la. Ela perdeu cinco pontos para Grifinória e recebeu uma detenção. Pela primeira vez ela não estava aborrecida por passar a noite nas masmorras. Aquela seria a oportunidade de pesquisar mais sobre a Ordem da Fênix.

Ao final das aulas Elizabeth se dirigiu a sala do professor de poções para cumprir sua detenção. Logo avistou a pilha de trabalhos dos segundo anistas que teria de corrigir. Não conseguia se concentrar no trabalho porque a todo momento olhava para a mesa do professor esperando que ele deixasse a sala por alguns minutos, como fazia tantas vezes.

Não demorou muito para um dos monitores de Sonserina aparecer à porta chamando o professor para resolver um problema com um aluno do primeiro ano que havia tentado transfigurar um sapo em dragão e agora o pobre sapo estava cuspindo fogo e pondo em risco o salão comunal.

Essa era a oportunidade que Elizabeth estava esperando. Asim que o professor saiu da sala ela correu até a mesa dele e começou a bisbilhotar as gavetas com cuidado. Não encontrou nada que parecesse suspeito. Enquanto voltava para a mesa no canto na sala tirou do bolso o pergaminho com as anotações tentanto ter alguma idéia de onde poderia encontrar mais informações. Foi nesse momento que o professor voltou, muito antes do que ela esperava, e a encontrou de pé, no meio da sala com um pedaço de pergaminho na mão.

- Bem John, posso saber porque você está circulando pela minha sala? - perguntou o professor na sua voz fria.

Elizabeth sentiu a cor fugir de seu rosto e usou a primeira desculpa que encontrou.

- Esse pergaminho caiu da minha mesa e eu fui apanhá-lo.

- Dê-me ele aqui – ordenou Snape, pegando o pergaminho mesmo sem a permissão de Elizabeth.

Ao ler o que estava escrito Snape olhou enfurecido para a aluna enquanto rasgava o papel.

- A sua bisbilhotice pode custar a vida de muitos.

- Mas eu só queria saber o que é a Ordem da Fênix – respondeu a jovem quase chorando.

- Você irá esquecer esse assunto e nunca repetirá o que acabou de dizer sob pena de ser expulsa da escola – declarou o professor jogando os pedaços de papel na lareira acesa.

- Eu prometo – afirmou Elizabeth esperando seu castigo.

Para sua surpresa o professor saiu da sala e a deixou sozinha em meio aos trabalhos a serem corrigidos.