Capítulo XXII

Acidente nas masmorras

Elizabeth logo percebeu que as atribuições de uma assistente eram muito mais burocráticas do que ela desejaria. A maior parte do tempo ela corrigia provas ou acompanhava alunos mais novos em suas detenções. Não sobrava muito tempo para dedicar a outras matérias e cada vez dormia menos para fazer todos os trabalhos que os professores exigiam. Mas quando Severo Snape pedia para que ela juntasse os ingredientes para alguma poção o cansaço era esquecido e o trabalho se transformava em aventura.

A tarefa preferida de Elizabeth era preparar pré-poções que os alunos dos primeiros anos usariam durante as aulas. E sempre que uma das aulas desses alunos coincidia com um tempo livre de Elizabeth o professor permitia que ela ficasse com eles, na sala, como monitora do grupo. Ela podia circular entre os alunos e aconselhá-los sobre suas poções enquanto o professor se entretinha com algum outro assunto em sua mesa. No momento em que Snape levantava Elizabeth desaparecia para o fundo da sala.

Numa dessas aulas, com alunos do primeiro ano, Elizabeth ajudava um estudante mais distraído a manter a temperatura certa do fogo sob o caldeirão. Elizabeth pediu para o aluno diminuir a chama e ele ao invés de usar o feitiço Deminuere Focus usou Multiplicatum Focus, produzindo labaredas que atingiram a assistente. Os alunos próximos começaram a gritar enquanto o cabelo de Elizabeth e suas vestes ardiam.

Severo correu para a aluna e jogou sua capa sobre ela abafando as chamas. O rosto de Elizabeth estava coberto de fuligem e a jovem estava paralisada com as mãos afastadas do corpo e uma expressão de horror. O professor não pode avaliar a extensão dos danos causados pelo fogo e carregou Elizabeth para fora das masmorras em direção a enfermaria.

Madame Pomfrey não precisou de explicações para perceber o que havia acontecido, removeu rapidamente as vestes de Elizabeth e examinou a paciente.

- Professor, por favor, me ajude com esses ungüentos. Quanto mais rápido aplicarmos, menor será o dano – pediu a enfermeira estendendo um frasco lilás em direção ao mestre de poçoes e mostrando a ele como deveria aplicar o emplastro.

Severo olhou para as costas despidas de Elizabeth e sentiu-se constrangido. Suas mãos encharcadas com o remédio ficaram paralisadas por instantes antes que ele pudesse esquecer a visão da pele nua e concentrar-se no tratamento.

- Felizmente a capa a protegeu de maiores queimaduras – afirmou Madame Pomfrey. – Essa vermelhidão nas costas irá desaparecer até o fim o dia com a aplicação do ungüento.

Elizabeth vestiu um avental e automaticamente levou as mãos aos cabelos.

- O que aconteceu com meu cabelo? Eu estou horrível – exclamou a jovem correndo até um espelho e percebendo que grande parte de seu longo cabelo castanho havia sido consumido pelas chamas.

- Não seja tola, John, você não conseguiria ficar feia mesmo que estivesse careca.

Apesar de ter usado o tom grave de sempre o professor percebeu que acabara de fazer um elogio involuntário e tentou corrigir-se.

- Se a vaidade já a dominou vejo que não existe risco para a sua saúde e minha presença não é mais necessária. Boa tarde.

E dizendo isso o professor deixou a enfermaria sob os olhares aturdidos das duas mulheres.