Capítulo XXIII

A Poção do Abrandamento

Quando Elizabeth entrou na sala para a primeira aula de poções depois do acidente não foi o cabelo curto que ela usava que chamou a atenção do professor, mas a linha elegante de seu pescoço agora descoberto. A lembrança de um dorso nu na enfermaria caiu sobre ele. Esse não era o tipo de pensamento que o mestre de poções se permitia e foi necessário algum esforço para mantê-lo afastado.

A noite, quando Elizabeth foi procurá-lo nas masmorras para cumprir suas tarefas o professor a dispensou alegando precisar de paz para trabalhar em uma nova descoberta.

Severo precisava de tranqüilidade mas o motivo não era trabalho. Ele queria se concentrar na Srta. John. Sentou-se em uma poltrona e deixou sua mente se ocupar apenas com lembranças agradáveis. Lembrou o sorriso triste de Elizabeth e os seus olhos castanhos e profundos. Reviveu o jantar na casa da madrinha e de como ela parecera adorável à luz de velas. Pensou em cada curva de seu corpo e no arrepio de prazer que sentiu ao tocar suas costas nuas.

Muito tempo deixou-se ficar nessas divagações antes de levantar-se, abrir o armário e retirar um frasco. Nele podia-se ler "Poção de Abrandamento". Severo despejou uma dose em um cálice e bebeu. Aos poucos sentiu seu corpo relaxar e o desejo abandoná-lo.

Ele sabia que aquele não era o remédio adequado para estancar a paixão que sentia, mas não tinha coragem de matá-la, queria apenas mantê-la sob controle.

Ele não tinha direito a esses sentimentos, mas os momentos em que se entregava a seus devaneios e fantasias eram seu ópio.