Observações: só posso pedir desculpas pela demora em postar um novo capítulo. Como a Sheyla Snape graciosamente me lembrou, já faz 70 dias que eu não escrevo nada. Os motivos são os de sempre: festas de fim de ano, férias das crianças e uma tremenda crise de... "preguicite aguda".
Capítulo XXXI
A Vida Volta ao Normal
Hogwarts, 3 de junho de 19..
Querido diário,
quando abri a janela essa manhã esperava que alguma coisa de extraordinária tivesse acontecido. Mas o sol continuava a brilhar entre nuvens. Nada havia mudado. Voldemort está morto, mas a natureza não tomou conhecimento.
No café da manhã havia uma agitação anormal no salão. Na mesa de Grifinória junto aos lugares de Harry e seus amigos vários alunos se amontoavam buscando as últimas notícias. Passei por eles e me sentei em minha cadeira habitual. Várias cópias do Profeta Diário estavam espalhadas pela mesa e eu peguei uma para ler depois. Alguns colegas sorriam para mim, denotando que a história incluía meu nome.
Estamos no intervalo do almoço e fugi até meu quarto. Não conseguiria mesmo comer nada depois de ter lido o jornal. Toda a edição do Profeta Diário é dedicada a derrota de Voldemort. Meu nome realmente é citado, mas sou apenas uma coadjuvante. Nas palavras do periódico: "Elizabeth Jones (sic), aluna do sexto ano que também estava no local, foi atacada por Lúcio Malfoy mas passa bem". Minha preocupação é com o professor Snape. Ora ele é tratado como o herói que ajudou Harry Potter, ora é chamado de "o Comensal da Morte que trabalhava como agente duplo". O que as pessoas vão pensar dele?
Meu estômago está dando pulos cada vez que penso na aula de poções que terei essa tarde. Como poderei agir normalmente? Tudo mudou!
Elizabeth fechou o diário e desceu para as masmorras. Quando entrava na sala de Poções sentiu uma mão em seu ombro.
- Procurei por você no almoço. Queria te agradecer.
- Não há o que agradecer, Neville. Foi você que me livrou daquele feitiço do Draco – respondeu Elizabeth oferecendo um sorriso ao rapaz.
- Só queria que você soubesse que eu achei você muito corajosa – e dizendo isso Neville se virou e subiu a escadaria para o Grande Salão.
Quando Elizabeth finalmente entrou na sala todos os lugares já estavam tomados, exceto a cadeira que ela ocupava a seis anos, bem em frente à mesa do professor. Assim que se sentou ela ouviu o farfalhar de vestes característico de seu dono. Ela não precisou se virar para imaginar a figura de Severo Snape que ainda intimidava os alunos depois de tantos anos. Ao olhar para o professor Elizabeth não conteve um sorriso cúmplice que não foi retribuído.
- Abram seus livros à página 432. A poção revitalizadora que vocês irão preparar exige concentração total, o que para alguns de vocês será um desafio – afirmou o professor sarcasticamente e olhando diretamente para Elizabeth.
Alguns sonserinos deram risadinhas e Elizabeth sentiu os olhos se encherem de lágrimas enquanto separava os ingredientes necessários. Provavelmente a cena da noite anterior na enfermaria havia sido apenas um delírio.
A poção não era assim tão difícil. Elizabeth engoliu as lágrimas e mergulhou no trabalho. Snape passou quase toda a aula sentado à sua mesa evitando olhar para a aluna na primeira fila, mas não deixou de perceber que ela havia ficado magoada com sua insinuação maldosa. Saber que as palavras dele tinham poder sobre ela o fez sentir-se bem.
O professor levantou-se e começou a inspeção dos caldeirões distribuindo a corriqueira cota de reprimendas e tirando pontos dos alunos de Grifinória que não tinham completado a tarefa. Snape deixou a mesa de Elizabeth por último e ficou olhando sobre o ombro da jovem sem falar nada. Percebeu um leve tremor percorrer o corpo de Elizabeth e chegar as suas mãos, fazendo o frasco em que ela armazenava a poção chocar-se contra o caldeirão. Mais uma vez um sentimento poderoso o dominou. A proximidade dele a afetava. Ele chegou um pouco mais perto sob o pretexto de observar o conteúdo do caldeirão, mas desejando avaliar a extensão do seu domínio sobre ela. Foi então que ele viu a marca, uma leve mancha roxa ao redor do pescoço de Elizabeth que o fez lembrar dos acontecimentos da véspera. Ainda ontem essa mesma jovem havia lhe dado um voto de confiança que fora responsável pela vitória contra Voldemort.
- Nada mal, Srta. John – afirmou o professor, voltando para sua mesa.
No encerramento da aula Snape foi até Elizabeth carregando uma caixa.
- Srta. John, suas tarefas como assistente estão muito atrasadas – e entregando a caixa cheia de pergaminhos para Elizabeth o professor continuou. – Você tem dezenas de trabalhos para corrigir e o armário de pré-poções está quase vazio.
Dizendo isso o professor deixou a sala.
Hogwarts, noite de 3 de junho de 19..
Querido diário,
tenho uma pilha de trabalhos de alunos do primeiro ano para corrigir, mas não pude evitar passar por aqui para contar como as minhas preocupações da manhã terminaram.
O Professor Snape começou a aula de Poções fazendo uma referência sarcástica a minha "reconhecida" incapacidade de concentração. Eu estava tão certa de que nosso relacionamento havia evoluído para a amizade ontem a noite que o escárnio me feriu mais do que o normal e foi difícil conter as lágrimas.
Ao final da aula, entretanto, ele se aproximou do meu caldeirão e me pareceu que ele queria dizer alguma coisa importante. Ele chegou tão perto de mim que pude sentir sua respiração. Mas de repente ele mudou de idéia e se afastou.
O importante é que ele me aceitou novamente como sua assistente e me deu um monte de trabalho. Nada mudou. A vida voltou ao normal.
Boa Noite.
