Capítulo XXXIII
Elizabeth tem um par

As portas do Grande Salão ainda estavam fechadas. Os alunos começaram a chegar ao Hall, procurando por seus pares e fazendo uma balbúrdia ensurdecedora.

Snape estava na escada lateral, discretamente observando os alunos do alto, aparentemente cumprindo seu papel de "chaperon". Seus olhos percorriam toda a sala procurando por um aluno em específico.

Por fim Severo encontrou o que buscava. O primeiro pensamento que veio a mente do professor quando ele avistou Elizabeth foi: "Ela está usando verde por Sonserina".

Ela estava linda. Os cabelos castanhos que começavam a crescer estavam penteados para trás e presos por duas pequenas fivelas de strass que reluziam à luz das velas dos candelabros. O tecido do vestido ondulava a cada passo, dando a ilusão de que ela flutuava.

Da posição onde estava ele podia observá-la circular pelo aposento à procura de alguém. À sua procura, ele desejava. Quando ela virou-se ele ficou fascinado pela visão de suas costas nuas que traziam a lembrança pungente daquela tarde na enfermaria.

O devaneio do professor foi interrompido quando Elizabeth encontrou Gina Weasley. A ruiva estava entre Neville Longbottom e Harry Potter e os quatro ficaram conversando.

Nesse momento as portas do Grande Salão se abriram e rapidamente os alunos começaram a entrar. Snape perdeu Elizabeth de vista por alguns instantes e quando a encontrou outra vez ela estava ao lado da escadaria, sozinha com Neville. Assim que a correria inicial diminuiu, o rapaz tomou a mão direita de Elizabeth e ambos entraram no salão de braços dados.

Neville Longbottom e Elizabeth John eram um par.

Dentro do Grande Salão os pares estavam de pé esperando o Diretor começar seu discurso. Neville ainda segurava a mão de Elizabeth e ambos olhavam para o palco montado no canto do Salão. O discurso de Dumbledore foi curto e logo o ar foi preenchido pelos acordes das Esquisitonas.

Para tristeza de Elizabeth, o aviso de Gina fora correto: Neville era um péssimo dançarino. Enquanto dançavam a terceira música seguida ela pensava nos ingredientes necessários para a poção que prepararia no dia seguinte para diminuir a dor nos pés que certamente sentiria. Foi nesse instante que ela avistou Severo Snape no canto do Salão, olhando diretamente em sua direção. Ela então se lembrou: ele havia prometido dançar com ela. Foi a vez de Elizabeth tropeçar e pedir desculpas por pisar no pé de Neville.

Quando a música terminou Elizabeth procurou outra vez pelo professor, mas não mais o encontrou. A jovem deu uma desculpa a Neville e foi em direção ao lugar onde tinha visto Snape pela última vez. Ao chegar ao canto do Salão, viu o vulto negro que acabava de sair pela porta principal.

Elizabeth o seguiu, quase correndo, e o alcançou quando ele começava a descer as escadas.

- Professor, o senhor prometeu que... – Elizabeth não conseguiu terminar a frase porque os olhos que a encaravam eram aterrorizantes. Se fosse possível matar com um olhar, Elizabeth teria morrido naquele mesmo instante. Nem mesmo durante as mais terríveis crises de mau-humor ela o vira tão furioso.

Snape olhou para a bruxa à sua frente, tão despreocupada, tão confiante, tão bela. A vontade de Severo era esbofeteá-la. Ele se sentia humilhado, ultrajado, enganado.

- Então você quer dançar com seu Mestre de Poções?

A voz de Snape era tão fria que Elizabeth sentiu medo. Tanto medo que se virou para deixá-lo. O professor a segurou pelo braço, obrigando-a a encará-lo.

- Onde eles estão? Atrás da coluna, esperando para ver o Comensal da Morte tirar a mocinha para dançar? E o que você vai fazer? Me deixar sozinho no meio do salão enquanto volta para os braços do Longbottom? Era esse o plano? – a cada palavra os dedos de Severo se fechavam com mais força em volta do braço de Elizabeth.

- Severo – exclamou a voz clara do Diretor, fazendo Snape soltar o braço de Elizabeth imediatamente. As marcas ao redor do pulso da jovem eram muito parecidas com aquelas provocadas por Lúcio Malfoy.

A presença de Dumbledore fez Severo ter consciência do seu comportamento desprezível. Ele olhou para Elizabeth que esfregava o braço dolorido e viu nela uma expressão que só os inocentes são capazes, uma mistura de incompreensão e desapontamento.

Ele recuperou um pouco o controle de si e virou-se para continuar sua descida para as masmorras sem nenhuma explicação. Ele estava no meio da escadaria quando ouviu a voz de Dumbledore.

- As vezes um convite é apenas um convite.

Snape não parou. Apenas a solitude do seu quarto seria capaz de aplacar a dor e a vergonha da noite.