Capítulo XXXIV
Neville Longbottom
As férias haviam começado a três semanas e desde então Elizabeth estava no Beco Diagonal trabalhando com Marge McFly na Potes e Caldeirões. A amizade entre as duas se reestabeleceu de forma tranqüila, tão logo Elizabeth chegou e foi recepcionada por uma Marge ávida por companhia. A antiga rotina que elas compartilharam no ano anterior foi naturalmente retomada com os longos jantares e conversas ao pé da lareira.
Elizabeth vinha evitando o assunto preferido da velha bruxa: Severo Snape. Por várias vezes Marge, percebendo haver algum problema entre eles, tentou descobrir a causa, mas a jovem sempre desviava a questão.
Era uma tarde modorrenta quando Elizabeth ouviu o ranger da porta da loja se abrindo e virou-se para atender o cliente que entrava. Ela teve uma surpresa ao ver Neville Longbottom parado à porta, olhando diretamente para ela.
- Por que você desapareceu? – ele perguntou sem nem ao menos cumprimentá-la.
Elizabeth sentiu o rosto corar de vergonha. Ela havia abandonado o baile depois da cena com Snape e nem ao menos se despedira do seu par. Ele merecia um pedido de desculpas.
- Eu tive uma discussão com o Professor Snape que arruinou minha noite. Eu não seria boa companhia. Desculpe não ter te avisado – pediu Elizabeth embaraçada.
O garoto pareceu aceitar a desculpa muito bem, porque a tensão do seu rosto desapareceu.
- Então foi só isso? Eu pensei que meus pisões tinham feito você desistir – afirmou o rapaz sorrindo e continuando. - O Snape está te aborrecendo? A Gina me contou que ele vive pegando no teu pé. Ele te obrigou a ser assistente dele? Como você aguenta?
- Não é nada demais – cortou Elizabeth, não querendo continuar a falar do professor. – Você está aqui procurando ingredientes?
Neville pareceu ficar constrangido, mas olhou para Elizabeth e disse:
- Não, eu só queria falar com você.
Um silêncio se criou entre eles.
- Você quer tomar um sorvete depois que fechar a loja? – Neville despejou as palavras tão rapidamente que a jovem precisou de algum tempo para perceber que aquilo era um convite.
Elizabeth sorriu e concordou. E assim Elizabeth John e Neville Longbottom tiveram seu primeiro encontro, em uma mesa da Florean Fortescue enquanto saboreavam um sorvete de nozes.
Elizabeth estava em seu quarto olhando o vestido lilás sobre a cama. O rosto da jovem revelava sua contrariedade. Insatisfeita com o trabalho ela apontou a varinha novamente e fez com que o vestido ficasse rosa.
- Não, não – pensou ela. – Isso parece infantil demais.
Era a sexta vez que Elizabeth transfigurava o vestido desde que o comprara em uma lojinha perto da Potes e Caldeirões. A cada novo encontro com Neville ela usara uma versão um pouquinho diferente do mesmo traje, sempre agradecendo aos ensinamentos de Minerva McGonagall.
Essa noite a sessão de transfiguração era mais difícil, porque depois de tomar sorvete duas vezes com Longbotton, jantar outras três vezes com ele e ir a um concerto, o rapaz a havia convidado para jantar em sua casa e conhecer a avó.
Elizabeth tentou mais uma vez sem convicção. Olhou para o vestido e com uma ponta de tristeza falou baixinho:
- Verde por Sonserina.
Rapidamente ela desfez o feitiço.
Enquanto Elizabeth se arrumava, Marge McFly estava sentada na sua cadeira preferida em frente à lareira. A velha bruxa mantinha os olhos fechados, mas não dormia. Essa era a forma que ela melhor se concentrava em um problema. E o problema no momento era a senhorita John. Apesar das duas continuarem amigas, Marge sentia que Elizabeth agora tinha uma reserva com ela, que não existira no verão anterior. A jovem evitava falar da escola, sempre mudava de assunto quanto a madrinha citava o nome do afilhado e na noite em que Marge pedira a Elizabeth detalhes sobre o baile a moça ficou tão perturbada que derrubou o copo que tinha nas mãos.
Neville Longbottom era companhia constante de Elizabeth nas últimas semanas e isso era um bom sinal, refletia a bruxa. Entretanto Elizabeth nunca se referia a ele com particular entusiasmo. Pelos longos olhares que Neville emitia na direção de Elizabeth, era evidente que o rapaz estava apaixonado. Mas parecia que Elizabeth não se dava conta do fato e continuava a tratá-lo como um colega de escola.
Interrompendo as divagações de Marge, Elizabeth desceu a escada em um vestido floral.
- Você está linda querida – afirmou a senhora McFly.
- Obrigada Marge. Neville pediu permissão para usar sua lareira essa noite. Eu disse que você não se importaria – falou Elizabeth.
- Claro que não – respondeu a bruxa erguendo a varinha em direção a lareira e emitindo uma luz branca que permitiria ao jovem usá-la.
- Vocês vão jantar com a Sra. Longbotton? – continuou Marge.
Elizabeth apenas balançou a cabeça em afirmação.
- Eu não quero parecer intrometida. Mas acho que deveria lembrá-la que nós somos responsáveis por aqueles que nos querem bem. Os sentimentos de Neville parecem bem evidentes. Você sabe o que sente por ele? – perguntou Marge.
Elizabeth olhou para o chão, sem coragem de enfrentar os olhos penetrantes de Marge.
- Eu não... bem, - enquanto Elizabeth tentava dar uma explicação, chamas esverdeadas apareceram na lareira e em segundos Neville emergiu dela, impedindo que a moça terminasse a frase.
- Boa noite, Neville – disse Marge. E virando-se para beijar Elizabeth, continuou.
- Espero que vocês tenham uma ótima noite.
Em meio a agradecimentos e despedidas os dois desapareceram nas chamas verdes do pó de Flu.
A velha bruxa sentou-se novamente na sua cadeira e ficou olhando para a lareira vazia, como se ela pudesse aquietar seus temores.
Hogwarts registrava uma das noites mais quentes em anos. Severo Snape estava em seus aposentos nas masmorras e nada o tranqüilizava. Tentou ler um pouco e desistiu, partindo para a preparação de uma poção. Essa não deu o resultado que ele esperava, deixando-o ainda mais irritado. A cabeça latejava, devia ser o calor, pensou ele. Snape juntou alguns ingredientes e preparou uma poção simples para cefaléia. O líquido âmbar devia descansar por 15 minutos antes de ser ingerido. Enquanto esperava Severo fazia círculos pela sala.
- Maldito calor – esbravejou ele.
O calor podia ter tornado a dor mais intensa, entretanto ele não era o motivo principal. Há semanas o professor vinha remoendo seu erro cada vez que lembrava do olhar de desapontamento de Elizabeth na noite do baile. Um convite às vezes era apenas um convite, dissera o diretor. A paranóia dele estragara tudo.
Ele sabia que Elizabeth estava com sua madrinha, trabalhando na Potes e Caldeirões e faltavam apenas duas semanas para o reinício das aulas. Ele precisava vê-la e desculpar-se.
- Diabos, eu não vou pedir desculpas a ninguém – gritou ele para as paredes de pedra.
Snape saiu de seus aposentos batendo a porta atrás de si. Assim que ele deixou o castelo o lago o atraiu, sugerindo algum alívio para o calor. Com a escola praticamente vazia ele podia circular livremente pelos jardins sem ser perturbado. Ao chegar ao lago a ilusão de frescor se desfez. Ele sentiu outra vez a pressão sobre as têmporas. Lembrou-se então que esquecera de tomar a poção que preparara.
O professor sentou-se à beira do lago tentando recuperar a tranqüilidade. Se aquele turbilhão de emoções tivesse acontecido nos seus dias de espião ele não teria sobrevivido muito tempo. E parecia que ele não sobreviveria agora também. Intempestivamente o bruxo se levantou, dirigiu-se aos portões da escola e assim que passou por eles, desaparatou.
Batidas fortes acordaram Marge de seu cochilo na cadeira. A bruxa levantou-se e olhou para o relógio na parede.
- Aqueles dois devem ter passado no Caldeirão Furado antes de virem para casa – pensou a senhora McFly enquanto se arrastava até a porta.
Para sua surpresa, ao invés do casal, Marge encontrou Severo Snape à sua soleira. O bruxo parecia cansado, suas vestes estavam amarrotadas e seu cabelo em desalinho. Escondendo qualquer preocupação Marge abriu um enorme sorriso e o abraçou.
- Querido, que bom vê-lo. Eu estava com saudades. Sente aqui enquanto eu pego uma bebida para você – continuou a bruxa dando um beijo na face do afilhado.
- Eu preciso falar com Elizabeth – afirmou Severo ainda de pé, sem nem ao menos agradecer o oferecimento da madrinha.
Marge continuou evitando demonstrar o quanto o comportamento dele parecia incomum, ela mesma sentando-se no lugar que indicara a ele.
- Elizabeth não está em casa – afirmou a bruxa evitando, sem saber exatamente porque, contar detalhes sobre o encontro da sua protegida.
- E onde ela está? – quis saber o professor.
- Ela foi jantar fora – respondeu Marge laconicamente.
- Com quem? – continuou o mestre de poções no mesmo tom que usava com seus alunos.
- Severo, por favor! Isso parece um interrogatório. Você vem visitar a sua madrinha depois de meses sem aparecer e nem ao menos pergunta como estou – reclamou a bruxa evitando mais uma vez dar explicações detalhadas.
- Desculpe, Marge. É esse calor que está me deixando louco – justificou-se Severo ao sentar-se ao lado da velha e aceitar o copo de cerveja amanteigada que ela acabara de conjurar.
- Como vão as coisas na loja? – continuou o sobrinho, entabulando afinal a conversa leve adequada a visitas daquele tipo.
Enquanto Marge respondia mecanicamente às perguntas corretas que Severo fazia, ela pensava em uma forma de fazê-lo despedir-se antes do retorno de Elizabeth. Por alguma razão não parecia apropriado Severo ver os jovens juntos.
Antes que Marge pudesse pensar em alguma coisa, chamas verdes apareceram na lareira e dela surgiram Elizabeth e Neville, ambos rindo como se tivessem acabado de compartilhar uma estória engraçada. O riso ficou congelado em seus lábios quando eles viram o convidado sentado ao lado da senhora McFly.
O rosto de Elizabeth ficou completamente vermelho e Neville estremeceu.
Imediatamente Severo Snape levantou-se, despediu-se da tia e acrescentou sarcasticamente antes de sair:
- Querida Marge, se eu fosse você, manteria seus ingredientes longe desse casal. Separados eles sempre foram impossíveis, juntos serão explosivos.
Pedido aos leitores:
Será que vocês poderiam me perdoar por ter parado de postar novos capítulos? Desculpas eu não tenho, só mesmo a promessa de que a estória continua pulando na minha cabeça e que de alguma forma eu serei obrigada a colocá-la no papel. Que tal uma segunda chance? O capítulo 36, que já está escrito, é o meu preferido eirá ao ar daqui a alguns dias.
Mayara, Renata, Mary Snape Lupin, Sheyla Snape, Light Angel Malfoy, Hermiohknee e Lilibeth - Obrigada pelos comentários e pela força.
