Capítulo XXXVII
Na sala do Diretor
- Preciso ver o Diretor imediatamente – afirmou Snape abandonando a estufa e deixando Firenze ainda mais confuso.
Severo ainda pode ver Elizabeth correndo para o castelo e atravessando as portas do Hall principal. Ele controlou o desejo de ir atrás dela e manteve seu rumo em direção à sala de Dumbledore. Ao chegar lá encontrou o Diretor sentado à mesa, como que a esperá-lo, o mesmo sorriso bondoso de sempre.
- Bom dia, Severo. Senti sua falta no café da ...
Antes que o Diretor pudesse terminar a frase, Snape interrompeu-o.
- Eu vim até aqui pedir a minha demissão. Devo deixar a escola o quanto antes.
Dumbledore olhou demoradamente para Snape, tirou duas balinhas do pote à sua frente oferecendo uma ao Mestre de Poções que a recusou com a cabeça.
- Infelizmente eu não posso aceitar a sua demissão, Severo – disse tranqüilamente o Diretor depois de saborear o doce.
- Diretor, o senhor não compreende. Eu não posso continuar na escola – retrucou Snape.
- Talvez eu compreendesse se você me explicasse o motivo da sua decisão – declarou Dumbledore enquanto conjurava uma cadeira para Severo.
Sem sentar-se, Severo continuou a andar em frente à mesa do Diretor enquanto dizia rapidamente.
- Eu estava na estufa ralando raízes de hellebore para uma poção quando Firenze entrou e derrubou todo o conteúdo que eu preparara espalhando pó de hellebore por todo o lado. O senhor sabe como o hellebore pode ser perigoso e em meio a espirros eu comecei a limpar a bagunça.
- Raízes de hellebore? Engraçado, conheço apenas de uma poção de exige tal ingrediente. Foi a Poppy que pediu para você prepará-la? - interrompeu o Diretor com um olhar divertido.
- Diretor! – exclamou Severo corando ao perceber que Dumbledore sabia que ele usaria o hellebore na Poção do Abrandamento.
- Continue, meu rapaz, continue – insistiu o bruxo mais velho.
- Momentos depois Elizabeth chegou a estufa e se ofereceu para ajudar. Eu aceitei a ajuda, entretanto subestimei os efeitos da raíz sobre mim e acabei envolvendo-a em uma situação completamente imprópria e imoral – terminou Snape desabando sobre a cadeira.
- E que situação imprópria e imoral foi essa? – perguntou o Diretor delicadamente.
- Eu beijei a senhorita John – confessou Severo sem levantar os olhos.
- Compreendo – falou Dumbledore depois de comer mais uma bala. – Você beijou uma aluna enquanto estava sob o efeito alucinógeno do hellebore. Me parece que o caso merece um pedido formal de desculpas, mas não um pedido de demissão.
- O senhor sabe muito bem que isso não teria acontecido se eu não desejasse que acontecesse. A raíz não é culpada pelos meus desejos, apenas pela minha desinibição – desabafou o mestre de poções. – É inevitável que eu deixe a escola.
- Severo, você está sendo rigoroso demais com você. Faremos assim, eu conversarei com a senhorita John e se ela se sentir ofendida fará uma denúncia contra você e eu o demitirei. Pode ir para a sua sala, eu chamarei Elizabeth aqui e o avisarei do desenlace mais tarde – resolveu o Diretor.
- Eu prefiro esperar aqui – respondeu Snape parecendo não confiar no julgamento do Diretor.
- Severo, você vai constranger a aluna – retorquiu Dumbledore.
- Então... – e em meio a uma luz prateada o professor desapareceu.
- Um feitiço de invisibilidade! – sorriu Dumbledore. – Se você prefere assim...
Dumbledore escreveu algumas palavras em um pergaminho, chamou um Elfo doméstico e entregou o papel a ele. Depois de alguns minutos ouviu-se uma batida na porta.
- Pode entrar Elizabeth. Aceita uma bala? – ofereceu o Diretor apontando a cadeira à sua frente para a aluna.
Elizabeth sentou-se timidamente pegando a balinha que Dumbledore estendia a ela. Mais uma vez o Diretor ficou apenas olhando o interlocutor à sua frente sem dizer nada. Elizabeth sentia-se cada vez mais desconfortável imaginando que o motivo da visita só poderia estar relacionado aos acontecimentos na estufa.
- O senhor queria me ver, Diretor? – disse finalmente Elizabeth não suportando mais o silêncio.
- Fui informado que o Professor Snape agiu de forma inadequada na estufa essa manhã e portanto eu devo demití-lo. Preciso apenas que você assine essa declaração acusando-o de conduta imprópria – expôs Dumbledore de forma simples, como se aquele fosse um caso corriqueiro.
- Demití-lo? – perguntou Elizabeth perplexa.
O Diretor não respondeu nada, apenas balançou a cabeça afirmativamente.
- Mas o senhor não pode fazer isso. Eu fui a culpada – declarou Elizabeth levantando-se.
- Culpada? Você gostaria de me contar o que aconteceu? – pediu Dumbledore.
- Eu estava na estufa ajudando o professor Snape a recolher um monte de pó de hellebore que havia se esparramado por todo lado. O professor estava agindo de forma estranha e logo percebi que o motivo era ele ter aspirado o pó da raíz – dizia Elizabeth quando foi interrompida por Dumbledore.
- Agindo de forma estranha?
- Sim, ele estava simpático, perguntando como eu tinha passado o Natal, coisas assim. Até me ofereceu um buquê de flores como agradecimento pela ajuda – respondeu a aluna.
- Sem dúvida esse não é o comportamento usual do professor Snape – afirmou o Diretor contendo um sorrisinho. – E o que mais aconteceu?
- Bem, ele me ofereceu um figo, e... foi ...e então eu o beijei – declarou Elizabeth enrubescendo completamente. – Ele não teve culpa.
- Já que nenhuma das partes se sente ofendida podemos considerar então que o hellebore foi o responsável por toda a situação. Caso encerrado – enunciou o Diretor com um sorriso apontando a varinha para o papel a sua frente e fazendo-o desaparecer antes de levantar-se para acompanhar a aluna até a porta.
- Mas Diretor... – interrompeu Elizabeth em uma voz miúda.
- Sim? – continuou o bruxo virando-se para ela.
- Eu usei luvas e máscara todo o tempo que manipulei o produto. Eu sabia exatamente o que estava fazendo – afirmou Elizabeth baixando os olhos.
- Bem. Nesse caso não podemos dizer que a raíz tenha sido a única culpada – Dumbledore sentou-se novamente com um olhar pensativo. – Qual você acha que deveria ser sua punição?
- Bem, - Elizabeth estava atordoada, no fundo ela esperava que o Diretor não fosse tão rigoroso – me parece que a punição adequada seria a expulsão.
- Sem dúvida, a senhorita poderia ser expulsa – afirmou o Diretor ainda absorto em seus pensamentos.
Elizabeth engoliu em seco.
- Entretanto, se você me der sua palavra que isso não voltará a acontecer enquanto você for aluna dessa escola eu acho que podemos relevar esse incidente – declarou Dumbledore.
- O senhor tem a minha palavra – respondeu a jovem aliviada.
O Diretor então abriu a porta e ofereceu à aluna um sorriso de despedida. Voltando-se ao interior da sala Dumbledore virou-se para onde o professor Snape havia desaparecido e disse para o vazio:
- Severo, o seu pedido de demissão não será aceito e eu acho que você deveria ter uma conversa com a sua aluna.
Não houve resposta, apenas o barulho da porta da sala se abrindo e fechando.
Comentário da autora:
Desculpem, mas eu não resisti. Assumir toda a culpa sozinha, se sacrificar por amor, parece tema de novelão mexicano do SBT. Esse capítulo está tão "Mary Sue" que fiquei com vergonha de postá-lo, mas fazer o que? Não dá para negar: a Elizabeth é uma verdadeira "Mary Sue".
Respostas aos leitores:
Juliana Snape e Mary-Snape-Lupin -vocês tem razão...parar bem nos figos foi maldade minha!
Tina Granger e Priscila Marvolo - vocês acham que eu exagerei, é? Mas eu achei que aquilo já estava Lockhart demais, precisava de uma saída Snapeana para voltar ao tom. Vai ver que o efeito do hellebore acabou BEM na hora que o Firenza chegou... E Priscila, a Ana Cláudia (de Destino Solidão e o Retorno) me mandou uma mensagem dizendo que começou fic nova. Assim que eu descobrir onde ela postou eu te aviso.
Lux - na verdade esse capítulo estava na minha cabeça desde o início da fic. O difícil foi colocar no papel. Mas enfim, eles se beijaram!
Lele Potter Black - Bem, foi meio esquisito, mas eles ficaram.
Sheyla Snape - minha leitora número 1. Obrigada por mais esse apoio. A fic que me inspirou na cena do figo foi a "Falling Further in" escrita pela Kaz2 e publicada aqui no fanfiction net. Pena que ela nunca acabou de escrevê-la, mas os capítulos iniciais (que são muitos), já valem a pena.
Beijos para todas, o 38 já está na cabeça mas ainda não no papel. Eta, fanfiqueira preguiçosa!
