Capítulo XXXVIII

Onde está Elizabeth?

Elizabeth voltou correndo para a torre de Grifinória. Lágrimas quentes cobriam seu rosto e ela não precisava mais contê-las. Felizmente não havia ninguém para vê-las. Ao entrar em seu quarto olhou as outras três camas vazias. Se Gina ou as outras estivessem ali talvez ela sentisse algum conforto. Mas os dosséis estavam cerrados, detonando que suas ocupantes ainda não haviam retornado do feriado de Natal.

A bruxa se sentia absolutamente sozinha. Ela pensava que a solidão já fazia parte da sua personalidade, mas naquele momento ela precisava desesperadamente de alguém com quem conversar.

Elizabeth abriu o diário.

Hogwarts, 27 de dezembro de 19...

Querido Diário,

hoje foi...

O diário foi fechado com frustração, era impossível escrever. As palavras não faziam sentido quando escondidas dentro de um caderno.

Elizabeth pegou uma mochila, dentro dela jogou o diário, algumas roupas e a escova de dente. Vestiu roupas quentes e botas de inverno. Desceu as escadas e se dirigiu ao Hall principal. Ela percebeu que Firenze estava lá e que tentava lhe dizer alguma coisa, entretanto ela não parou para escutá-lo.

Do lado de fora do castelo seus pés deixavam pegadas profundas na neve. Assim que passou pelos portões da escola Elizabeth desaparatou.

***

Severo havia retornado às masmorras, de onde ele nunca devia ter saído, conforme ruminava no momento.

O Diretor tinha razão, ele precisava falar com Elizabeth. Ela era sua aluna e ele lhe devia uma explicação. Hellebore ou não hellebore, ele tinha agido como um animal. Cada minuto adiado, só faria com que aquilo ficasse mais difícil. Ele tirou um pergaminho da gaveta e rabiscou algumas palavras nele. Com um punhado de pó jogado na lareira ele chamou um Elfo doméstico.

- Entregue essa mensagem a senhorita John, na torre de Grifinória. Urgente!

Enquanto o elfo cumpria a missão Severo repassava todos os acontecimentos da manhã. Eram tantos os erros que ele não conseguia catalogá-los todos. Ele tinha sido descuidado com o hellebore, seu comportamento fora indecente e suas últimas palavras tinham sido desnecessariamente cruéis.

Apesar de todos os erros era impossível esquecer o sabor dos lábios de Elizabeth ou a maciez do corpo dela. O tremor de desejo voltou a percorrer o corpo do professor. Seu olfato sensível ainda podia sentir o perfume da jovem impregnado em sua camisa.

- Eu vou precisar de mais do que uma simples Poção de Abrandamento para me livrar disso – pensou o Mestre de Poções.

Severo ainda estava perdido nessas considerações quando o Elfo voltou avisando que não encontrara Elizabeth na torre de Grifinória ou em nenhum outro lugar do castelo.

- A sua incompetência é incomensurável – vociferou Snape.

E dizendo isso o Mestre de Poções deixou seus aposentos indo ele mesmo procurar a aluna.

***

A tarde já terminava quando Snape tentou procurar Elizabeth em um último lugar. Ele havia vasculhado cada canto da Torre de Grifinória sem sucesso, depois partiu para Lufa-Lufa e Corvinal. Em desespero chegou mesmo a descer até os aposentos de sua própria Casa, onde sabia que ela não conseguiria entrar. Ele havia chegado mesmo a tentar a Sala Precisa, pedindo: "Preciso de um lugar onde uma jovem magoada se esconderia para chorar", porque era exatamente isso que ele sabia que ela estaria fazendo. Snape estivera ao redor do lago, na cabana de Hagrid e no campo de Quadribol. Só restava um lugar para procurá-la nos domínios de Hogwarts.

Talvez ela tivesse voltado à cena do crime, e sua última esperança residia em encontrá-la na estufa. Chegando lá encontrou apenas um lugar vazio, mas sobre a mesa repousava a prova do seu delito: a caixa de figos aberta. Ele pegou a fruta que ainda restava na caixa, aspirou o seu aroma e a esmagou entre os dedos.

Severo sentou-se e afundou a cabeça entre as mãos, sem perceber que seus dedos sujos com o sumo da fruta lambuzavam sua fronte, dando-lhe uma aparência sinistra.

- Severo, você está bem? – perguntou a mesma voz que interrompera o desvario daquela manhã.

- Vá embora Firenze. Deixe-me em paz – pediu Snape sem conseguir usar toda a convicção que desejara.

- Perdoe-me Severo, não quero me intrometer em seus assuntos pessoais, mas desde que vi a senhorita John deixar o Castelo fiquei preocupado com ela e queria falar com você – desculpou-se o centauro.

- Você viu Elizabeth deixar o Castelo? Quando foi isso? – questionou o Mestre de Poções subitamente interessado.

- Um pouco depois do almoço – respondeu Firenze.

- E para onde ela foi – Snape continuava seu interrogatório.

- Não sei. Eu a chamei, mas ela não me deu ouvidos – a resposta era pausada, como se Firenze tentasse lembrar todos os detalhes. - Só pude ver que usava pesadas roupas de inverno e levava uma mochila.

Severo levantou-se apressadamente, agora ele sabia exatamente para onde ela tinha ido. Ele lembrou-se de agradecer antes de partir, mas não teve tempo de ouvir as últimas palavras do outro professor.

Firenze mais uma vez ficou parado à porta da estufa, aturdido, enquanto seus lábios balbuciavam:

- Não há de que, Severo.