Título: Second Mind

Autor: Tachibana (Rikku)

Contagem de Palavras: 1.502

Estilo: Redação

Gênero: Aventura/Romance

Tipo: Capítulos (Em Desenvolvimento)

Rating: T (palavras de baixo calão, insinuações sexuais, sangue, violência)

Data de Postagem: 17/09/07

Disclaimer: Bomberman, seu nome, logotipo e relacionados pertencem a Hudson Soft, e não são usados de maneira alguma para fins lucrativos.

Sumário: Quando uma empresa é tão famosa a ponto de interferir na política, problemas estão fadados a acontecer. E quando crianças que não querem ser heróis acabam envolvidas, só lhes resta encontrar uma saída, e tentar sobreviver.


Interlúdio

No momento em que se materializou, Shiro caiu de joelhos no chão, abrindo os olhos assustados logo em seguida. Seu corpo tremia tanto que ele parecia estar tendo uma convulsão, e a expressão de horror em seu rosto era óbvia. Ele tentava se mover, mas era inútil: estava em pânico. Gotas de suor escorriam junto às lágrimas em seu rosto, e sua respiração era instável e acelerada. Eu infelizmente já previa aquela reação, apesar de ter alguma esperança louca de que ela não ocorresse, e o abracei com toda a força que consegui juntar, e assim permaneci até ele se acalmar. Dizem que a primeira conexão de SND, para uma criança, é uma das coisas mais assustadoras do mundo moderno. A dor sentida quando a sua mente passa para um sistema totalmente diferente da realidade que conhecemos é uma das poucas que podem ser lembradas com perfeição, ainda que muitos estudiosos acreditem que tal sensação não é uma dor propriamente dita, mas sim uma ilusão causada pela sobrecarga de impulsos eletromagnéticos durante a primeira conexão, visto que o cérebro não estaria acostumado com tamanha quantidade de informação. Eles, é claro, são adultos e nunca poderiam sentir a dita ilusão. A sensação de que seu corpo está se partindo ao meio sem realmente estar é inexplicável, porém compreendida. As crianças são mais propensas aos efeitos da conexão por não terem uma longa experiência de vida, e assim muito provavelmente não terem sentido nada parecido antes. Por esse motivo, toda pessoa com menos de treze anos deveria ter um ou mais acompanhantes para evitar que traumas ou similares acontecessem, e também deveriam explicar toda a situação, por mais complicado que pudesse parecer. Eu naturalmente concordo com a maioria desses termos, mas não vejo diferença entre uma criança de doze e uma de treze anos. De qualquer forma, a empresa tinha funcionários especializados para acompanhar os jogadores de primeira viagem, ainda que fosse recomendado um membro da família ou amigo próximo.

"Shiro... Está melhor?" perguntei, quando senti seu corpo parar de tremer.

"Eu... Eu..." ele falava entre soluços, continuava muito abalado. Demorou alguns minutos até que Shiro voltasse a formar frases coerentes, sua primeira sendo uma pergunta:

"Por que você não me contou sobre isso, Mido?" ainda soluçava um pouco.

Na verdade, eu havia dito que a primeira conexão não era nada agradável, e que poderia haver alguns efeitos colaterais, mas na ocasião ele não me levou a sério; estava muito empolgado com o jogo em si e com o que poderia fazer nele. Eu havia pensado que, quando chegasse a hora, poderia dar um pequeno sermão sobre como ele deveria me escutar com mais atenção, mas chegado aquele momento, percebi finalmente o meu enorme egoísmo e idiotice, pois via meu melhor amigo, meu único amigo, irromper em lágrimas de medo e desespero. Shiro segurava as minhas mãos com força, e não queria que eu as largasse de jeito nenhum: quando tentei, ele disse um não baixinho. Fiquei algum tempo tentando me desculpar, pensando em como podia ter feito aquilo com ele, mas as palavras simplesmente não saíam. Com toda a coragem que consegui reunir, pude dizer um mero "sinto muito", que não foi nem a metade do que ele realmente merecia.

Nossos papéis então se inverteram, e era eu quem tremia, com medo da resposta e porque sabia que, no fundo, no fundo, não havia contado por medo de que ele não jogasse.

"Tudo bem... Mas o que aconteceu?" e foi só o que ele disse, não deixando de me surpreender uma única vez na vida. "Bem..." tentei esconder minha felicidade e também as lágrimas que começavam a se formar, começando a falar de imediato. Eu havia me comportado como um idiota, mas ele não se importou. Talvez porque não entendesse, ou talvez porque soubesse como eu me sentia, não sei, mas acho que era isso que nos fazia melhores amigos, afinal. Sem pensamentos negativos, expliquei sobre a primeira conexão e seus males, mas quando eu estava descrevendo a sensação ele me interrompeu para perguntar se era aquilo que eu havia sentido. Respondi com um olhar distante, sem interromper a explicação, pois minha sessão de jogo havia sido bem peculiar, e não era algo que eu gostava de comentar. "Entendeu?" perguntei, me levantando. Shiro estava mais calmo agora, mas continuava segurando a minha mão com força.

Decidiu, então, finalmente olhar o ambiente do jogo.

Todos os novatos e também uma grande parcela dos demais jogadores eram mandados para um lugar só, um lugar recheado com a cultura de vários lugares do mundo onde japonês e turco poderiam ser ouvidos com facilidade. Uma gigantesca sala oval, do tamanho de um pequeno país, tinha suas paredes preenchidas por arquibancadas, e era completamente branco, embora trouxesse alguns painéis igualmente colossais com mensagens da empresa e horário dos jogos, que eram realizados a cada trinta minutos. Embora Shiro a princípio tivesse ficado decepcionado, poucos minutos depois sua percepção da grandeza daquele sistema iria mudar. Foi quando alguém passou ao seu lado:

"Состязаниесобираетсяначинатьсяскоро!" disseram.

"Ah... Mido, temos que correr! Parece que a partida vai começar!" ele já estava iniciando sua corrida através da enorme escadaria que levava ao centro do lugar, onde eram realizados os jogos, quando percebeu o que tinha acabado de fazer. Fonemas desconhecidos haviam atingido os seus ouvidos, fonemas de uma língua que ele nem sonhava em aprender, tampouco conhecia. No entanto, havia compreendido a mensagem com uma facilidade incrível. Ele olhou para mim, com um olhar muito surpreso no rosto.

"Como eu...?" perguntou, atônito.

"Bem, essa é uma das coisas que você não me deixou explicar." e disse como aquele lugar, por abrigar jogadores de todo o mundo, e também por interagir diretamente com o cérebro, necessitava de harmonia, e assim havia sido criado um sistema especial de tradução. Shiro já se imaginou falando russo na rua, para se exibir, mas não era bem assim: o sistema fazia a tradução e mandava as mensagens diretamente para o cérebro do jogador, e considerando o número deles, era uma coisa de dar medo. É claro que a pessoa teria mais facilidade no aprendizado, mas não era nada automático, pois era impossível para o cérebro processar tanta informação ao mesmo tempo. Ao menos, essa era a teoria.

"Ah, que chato! Achei que ia me dar bem nas provas de inglês..." ele disse, continuando então a descer a escadaria, e apesar de parecer desinteressado, era óbvio que sua admiração pelo jogo havia começado a crescer. Fomos descendo, passando por algumas figuras bastante estranhas no caminho. Shiro ficava cada vez mais elétrico, e não podia deixar de notar as roupas tão diferentes dali: passamos por um garoto muito alto e muito gordo, que parecia vestir uma armadura de metal, por um outro que parecia um jamaicano e também por um de roupas e atitudes tão negras que só lhe faltava uma capa e dentes postiços. Eu já o conhecia, mas nem olhamos um para o outro.

E de repente, Shiro parou.

Olhou interrogativamente para si mesmo, e em seguida para mim. Trazia uma expressão confusa em seu rosto, e devia estar se perguntando quando nós trocamos de roupa ou algo desse tipo. Eu quase abrir a boca para explicar, mas ele foi mais rápido.

"O que estamos vestindo, Mido?" disse, apontando um traje de cor azul com linhas brancas em um aspecto de borracha que se entendia como um macacão, parando um pouco acima dos joelhos e dividido por um cinto, e para estranhos sapatos e luvas cor-de-rosa que por algum motivo pareciam combinar com eles. Ele disse que não achou feio, mas não era a roupa mais agradável de vestir. Eu disse para nós continuarmos andando e expliquei essa questão no caminho. Todo novato em sua primeira vez usa o mesmo traje: por baixo de tudo, uma roupa branca, extremamente justa, que cobre o corpo inteiro. Então, o tal traje azul, preso por um cinto preto e luvas e botas cor-de-rosa. Os motivos para isso eram dois, o primeiro sendo que era a roupa do Bomberman original, aquele que esteve presente em todos os jogos da série e que era a mascote da empresa, e o segundo era para incentivar os novatos a jogarem mais de modo que conseguissem um traje mais apropriado ou que combinasse mais suas personalidades. Na maioria das vezes, funcionava. Foi assim com Shiro, que imediatamente apertou o passo em direção ao lugar onde aconteciam os jogos, esquecendo-se de notar a grandeza do local. Era branco, como tudo ali, mas parecia um estádio de futebol, e a diversidade de pessoas ali era ainda maior. Por muito pouco conseguimos nos inscrever na partida atual, que começaria em dois minutos, e corremos para dentro. A sala de espera, que não tinha nada de especial, estava completamente lotada de pessoas. Depois de mais alguns minutos conversando, e de alguns olhares curiosos para saber quem era aquele novato barulhento, todos foram transportados para o campo de batalha, onde Shiro teria a primeira de tantas experiências inesquecíveis.


Continua...

Nota do Autor: Desculpem a demora, meus leitores inexistentes! Eu empaquei no assunto, mas finalmente terminei esse capítulo de interlúdio, feito para não saturar o próximo com descrições assim como no primeiro capítulo e deixar um pouco de espaço para a ação, visto que vocês já devem ter percebido que há muito a explicar nessa fic. Sobre a sensação: espero ter descrito bem a dor que o Shiro sentiu, e também a dor do Mido ao perceber que não contar foi a decisão errada.

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Reviews e comentários são bem vindos, obrigado.

--Rikku (Tachibana)