Título: Second Mind
Autor: Tachibana (Rikku)
Contagem de Palavras: 1.685
Estilo: Redação
Gênero: Aventura/Romance
Tipo: Capítulos (Em Desenvolvimento)
Rating: T (palavras de baixo calão, insinuações sexuais, sangue, violência)
Data de Postagem: 17/09/07
Disclaimer: Bomberman, seu nome, logotipo e relacionados pertencem a Hudson Soft, e não são usados de maneira alguma para fins lucrativos.
Sumário: Quando uma empresa é tão famosa a ponto de interferir na política, problemas estão fadados a acontecer. E quando crianças que não querem ser heróis acabam envolvidas, só lhes resta encontrar uma saída, e tentar sobreviver.
Batalha I
No momento em que seu corpo foi transportado para o campo de batalha, Shiro sentiu algo muito estranho. Percebeu que parte do seu traje estava se expandindo e se modificando, embora mantivesse a aparência básica original, e viu que seu corpo ficava mais e mais pesado a cada etapa desta transformação. No cume de sua cabeça, sentiu um calor estranho, que em seguida se dissipou e a envolveu, formando um capacete largo, e então de repente ele tinha uma visão muito melhor de onde estava, como se o próprio lugar tivesse sido ampliado de alguma maneira -- e conseguia ver mais longe...!
Um pouco tonto e surpreso com tudo aquilo, decidiu fazer algo no que não era muito bom: analisar a situação. Bom, primeiro, onde estava. Era um lugar muito estreito, com altos pilares de ferro que eram separados por paredes feitas de uma espécie de tijolo acinzentado, quase como concreto, e um chão de madeira verde e muito lisa. De onde estava, ele podia ver dezenas de corredores onde não caberiam mais que uma pessoa, e Shiro imaginou que isso também fosse válido para bombas. As bombas! Olhou para si mesmo a procura delas, notando no processo o quão legal havia ficado a sua roupa, antes muito estranha, protegendo seu tronco como uma armadura azul de um grande guerreiro. E suas mãos também estavam maiores, como um tipo de luva que parecia ser a mão de um robô gigante, mas que por algum motivo ainda o deixava sentir as coisas como se estivessem tocando sua própria pele. Até as botas haviam mudado, ficando bem maiores que seus pés, mas servindo de apoio para agüentar todo aquele recém-ganho peso. Estava tão estiloso que nem se importava mais com as cores. De qualquer forma, não viu sinal de bomba alguma. Nisso, acabou mudando sua atenção para um som estranho que cercava aquele lugar. Parecia até... o som que a cobra faz. Faíscas.
"É melhor prestar mais atenção, pirralho!"
Por reflexo, visto que gostava muito de jogar queimada, Shiro se atirou entre um dos corredores, escapando por pouco da explosão de uma bomba bem ao seu lado, só então se virando para trás de forma que pudesse ver quem era o inimigo. Nesse caso, um cara muito alto, com olhos mais puxados do que o normal, mesmo para um japonês, e uma armadura completa, de traços robustos, feita totalmente de ouro, que o deixava muito mais gordo do que ele realmente deveria ser. Estranhamente, ao lado de sua cabeça havia uma linha esverdeada, que ia um pouco para o lado e mostrava o nome do jogador, Kinshi Juubaku.
Era uma figura imponente para qualquer novato.
Shiro, contudo, encontrou uma nova preocupação ao notar, tarde demais, que o espaço atrás de si era um beco sem saída, e com duas bombas que o tal cara trazia em suas mãos, acesas e prestes a explodir, corria o risco de ser eliminado antes mesmo de poder jogar, e isso o deixava tanto atordoado quanto zangado por perder assim tão fácil, sem sequer chegar aos dez minutos de jogo, e por isso não prestou atenção em uma sensação estranha que começava a surgir na palma de sua mão. Não sabia o que era, não se importava e nem pretendia checar, mas, como um pedaço de gelatina muito quente, aquilo se mexia e se esgueirava pelos espaços vazios de seu punho fechado, crescendo e crescendo cada vez mais. Uma luz forte, amarelada, começou então a irradiar de sua mão, urgindo para tê-la aberta, e logo ele não conseguiu mais segurar. Ao abrir, uma surpresa: uma bomba negra, grande e redonda havia se materializado, mas, com o susto, o garoto a deixou cair. O objeto pôs-se a rolar para frente, enquanto o próprio Kinshi ria pelo fato do novato que estava prestes a derrotar mal saber invocar uma bomba. Ela continuou rolando. Como podiam deixar gente idiota assim jogar, ele se perguntava, ainda rindo, junto aos veteranos! Deviam ter um espaço só para eles, onde pudessem cometer suas idiotices sem interferir nas batalhas dos outros, afinal estava perdendo seu precioso tempo ali.
Então sentiu algo batendo em seu pé, e Shiro sorriu.
"Acho que não vai ser dessa vez, moço!" e kaboom, houve a explosão. Embora ela tenha sido extremamente curta e de pouco alcance, foi o suficiente para desintegrar, em um efeito que Shiro achou muito legal, o corpo do aclamado Gold Bomber, que soltou um grito inconsciente ao ser eliminado daquela partida do modo mais idiota possível, deixando para trás três pequenas placas de metal que continham desenhos. Shiro sabia muito bem o que eram: power-ups. Um desenho era de patins azuis, que representavam velocidade, algo que ele achou muito estranho dado o tamanho e aparência de quem os trazia, e os outros dois eram de bombas. Shiro as pegou primeiro, passando a mão através das placas como se fossem feitas de geléia, algo que lhe proporcionou uma sensação muito curiosa, como tinha sido instruído de fazer. Depois, pegou os patins, e esse foi seu primeiro grande acerto naquela batalha. Ele havia pensado que ganharia os patins do desenho, mas ao invés disso sentiu seu corpo ficar mais leve de uma maneira incrível. Então era por isso que eles ficavam tão pesados no começo, ele raciocinou, saindo daquele lugar em busca de outras pessoas para enfrentar e invocando uma bomba ou outra no caminho para se certificar do que podia fazer. Era só ter força de vontade! E fazendo isso, acabou descobrindo que as paredes de concreto eram derrubadas muito facilmente pelas bombas. Imaginou se era aquilo que ele deveria fazer quando estivesse trancado. Notou também que não era tão fácil andar por aqueles corredores, já que eles eram realmente estreitos, e acabou por se perguntar como um cara grande como Kinshi o fazia. Depois de um tempo sem ver ninguém, apenas ouvindo explosões ao longe, e quando estava ficando cansado, chegou a uma área mais aberta.
Parecia o centro do lugar, ou ao menos a parte mais ativa, pois todas as paredes estavam destruídas, restando apenas pilares, que por algum motivo não pareciam deixar espaços tão estreitos quanto no resto da arena (um mero efeito de ótica, ele viria a descobrir mais tarde). Não demorou muito para ouvir faíscas e vozes, por isso deixou uma bomba onde estava, notando que ela crescia um pouco ao ser colocada no chão, e permaneceu abaixado enquanto percorria o lugar. Estava um pouco assustado com aquilo, por ser sua primeira vez, mas não se deixou abalar. Depois de colocar discretamente duas bombas entre dois pilares opostos, o que acabaria com qualquer um que passasse no meio deles, decidiu esperar escondido, e, para a sua sorte, três novatos engajados em uma perseguição se aproximavam dali, todos caindo como coelhinhos na armadilha e deixando seus power-ups para trás, e Shiro ficou feliz ao ver que três patins estavam entre os poucos deixados por eles, juntamente com um que tinha o desenho de uma chama, e servia para aumentar o alcance da bomba, que naqueles corredores estreitos explodia na forma de diversas linhas que os preenchiam por completo, de forma que era bastante difícil (ou fácil, dependendo da habilidade do jogador) de escapar. Pegou os patins primeiro, antes que alguém chegasse, pois considerando que um dos seus maiores talentos atléticos era a velocidade, era o item que lhe seria mais útil, e sentiu-se muito surpreso ao constatar que estava muito leve, muito mais leve do que era antes de sua armadura aparecer, e imaginou que se ficasse mais leve do que aquilo começaria a flutuar. De fato, ao pegar o terceiro, seu peso não diminuiu, o que o fez pensar por alguns segundos o que aconteceria ou se havia chegado ao limite, até que sentiu uma brisa nos seus pés -- neles, haviam surgido pequenas argolas luminosas, como rodinhas, que giravam continuamente. Agora, eram patins de verdade.
"Isso!" berrou, empolgado. Sua nova velocidade era assombrosa, tão alta que o cenário parecia ficar borrado, ainda que ele conseguisse fazer curvas com uma facilidade incrível, não esbarrando nas paredes uma única vez. Aquilo era o tipo de coisa que tornava o jogo divertido, o tipo de coisa que seria impossível de fazer na vida real, e, para ele, correr naquela velocidade era como realizar o sonho de poder voar. Mas mesmo com tanta empolgação, não se deparou com ninguém no caminho, o que provavelmente significava que o número de jogadores estava diminuindo e que quase todos os novatos haviam sido eliminados. Ele não pensou, contudo, em para onde os jogadores iam depois de mortos.
Uma explosão saltou de um dos corredores, o fazendo dar uma parada tão brusca que suas pernas chegaram a tremer, e ficando cara a cara com o fogo a três palmos de seu rosto. Não teve tempo de contemplar aquilo, pois uma bomba havia surgido bem atrás de si, muito provavelmente colocada por alguém enquanto ele estava distraído, e muito embora tenha conseguido escapar, percebeu que seus problemas estavam aumentando, pois logo ele estava vendo diversas explosões não muito longe de si, causadas por bombas que pareciam estar vindo de cima, e se assustou ao ver que sobre as paredes que serviam de bordas -- e ele infelizmente estava em uma agora -- para aquela arena havia diversos veículos, muito parecidos com naves, cada um com um jogador sobre si. Ao menos quatro delas estavam decididamente mirando em Shiro, e ele acabou por perceber que Kinshi estava nesse meio.
Não poderia parar a agora, ou uma explosão vinda de trás o mataria, mas para continuar teria que passar através do fogo, e isso era impossível! Em um momento de puro instinto e medo, ele saltou para o lado, tentando desesperadamente escapar, e teve outra grande surpresa quando seu corpo foi literalmente puxado em direção à parede, de onde continuou sua corrida sem um único arranhão. E ao olhar para ver quando poderia voltar ao chão, percebeu alguém. Ele vestia uma armadura verde, usava um par de óculos grandes por cima do visor, e parecia estar muito surpreso. Sobre sua cabeça, novamente, um nome.
Midoru Kudo.
Continua...
Nota do Autor: Não posso expressar o quão satisfeito fiquei com esse capítulo. Foi minha primeira tentativa em escrever ação, sabem, e eu me esforcei bastante para que ficasse bom, já que os dois capítulos anteriores foram saturados de informação e mais informação. Irei avisar-lhes que esse capítulo tem três partes, e talvez a próxima não seja tão boa quanto essa. Mesmo assim, espero que gostem!
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Reviews e comentários são bem vindos, obrigado.
--Rikku (Tachibana)
