Não acredito, mas saiu uma continuação, inusitada, pra essa fic.


II – Prelúdio a loucura.

Ela acordou... Sozinha, mais uma vez. Tirou de si os lençóis escarlates que ele lhe dera de presente, há semanas... Quem sabe há anos. Fustigou os olhos por todo o cômodo. Tão vazio... Tão sombrio.

- Mais uma noite sem dormir... – ainda era madrugada, e a lua alta não mais entrava pela janela.

Fechara a casa... Fazia frio.

Gelado demais sem ele ali, lado a lado, pra aquecer o coração, fazer suar o corpo e pintar cores na cama, que contrastavam com o vermelho tão fosco. Faltava-lhe Neji, em todos os momentos. Tudo era triste sem ele.

"Siga em frente... Ele morreu Tenten!" – As vozes ecoavam dos amigos. Daqueles que a queriam ver bem. Neji morrera em combate, há muito tempo.

Tenten, simplesmente, não acreditava naquele corpo inerte, sangrando em cortes... Sorrindo.

- Pra me proteger... Que infame! Por que entrou na frente daquele golpe Neji?! – discutia com os lençóis, deixando os chocolates mancharem com lágrimas.

Como sempre fazia.

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Pra mudar a minha vida

Esperava... Ainda sonhava com o dia que ele voltaria, escancarando a porta, a tomando pelos braços e suspirando "okaeris", como se ele já estivesse em casa, e ela que estivesse chegando, respondendo-lhe com beijos, com cheiro... Com toques. Tudo nela, era de Neji... Era pra Neji.

- Você prometeu... – chorava ainda deitada, apertando os escarlates no corpo descoberto. – Que voltaria... Que tudo daria certo! Por que mentiu pra mim Neji? Responda... Por que fez isso? – em vão.

Vem, "vambora"
Que o que você demora
É o que o tempo leva...

Aquelas discussões eram sempre em vão. Desejava socar o peito forte, com a palma das mãos... Com a boca, com o corpo todo. Sonhava com o dia que tomaria o coração dele, e poria numa bandeja, pra devorá-lo, pra fazê-lo sofrer com a mentira. Ele jamais voltaria.

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando vem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...

Como num rito, levantou-se nua e se vestiu com a camisola... Parecia uma noiva, uma esposa, uma mulher sem amor... Aquela que esperava, exatas, todas as noites. Andou até sala, passeando os olhos inchados por todos os lugares... Tudo ali tinha o cheiro dele. Tinha o gosto de Neji. Tudo que era dela, também era dele. E a casa parecia tragar Tenten, pra dentro das paredes, dos livros, das armas, dos retratos deles dois... A kunoichi desejava, todas as noites, ser tomada pelo frio do gesso.

O que era sua vida, sem Neji lado a lado?

Por que resistia tanto, sem ele?

Por que ainda o esperava?

Era amor... A jounnin de elite não era nada sem seu homem. O amava com tudo em si. Há quanto tempo não saia em missão? Há quantos dias não sentia a brisa de Konoha, balançarem os cabelos soltos, que ele tanto amava? Cruzou a porta, descalça... Queria sentir a terra aos pés. A mesma terra que um dia ele sonhara tragá-la, e que todos diziam guardá-lo.

Neve... Por todos os lados.

Maldita terra... Maldita casa... Maldita lua, que parecia tanto com os olhos dele! Olhos da noite. Neji, torturantemente, estava em tudo.

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas...

Mas as horas não passavam... Nem cinzas, nem brancas... Nem de cor alguma. Tudo parecia estar suspenso, inerte, sem gosto. Nem o verde daquele carvalho, no quintal de casa, parecia tão vivo.

E ela, mais uma vez, chorou. Cansada de se sentir vazia, Tenten caminhou pra longe. Dentro na noite, a kunoichi rumara pro Clã Hyuuga. Nunca o tinha feito antes... Visitaria o repouso dele. Aquele lugar, de onde Neji nunca mais sairia. Era uma prisão... Preso pela terra.

Caminhou lentamente, avançando os limites do Distrito. Os ninjas que antes ficavam nos portões de tal lugar, não a puderam ver. Parecia um anjo... Quem sabe um shinigami. Parecia tudo, menos ela.

Menos Tenten.

Encontrou o epitáfio... Tocou-o com a ponta dos dedos, que ele tantas vezes tocara – brincando, mordendo, sugando. Estranho... Havia calor no concreto. Havia calor demais ali. Fechou os olhos, sentou-se ao lado de quem amava, e sentiu o suor de homem tocar-lhe o rosto... Beijar-lhe os cabelos... Deixou que a brisa reconfortante a tocasse mais que o devido.

Mais que o desejado.

Entregou-se aquelas sensações fúnebres e tão... Tão... Amorosas. Seria memória? Seria lembrança dos toques dele? De tudo que foram juntos?

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Pra mudar a minha vida

Aos poucos, suspendia-se nas horas que lhe abrandavam a alma... Escorregava na lápide, lembrando quando os corpos molhados escorregavam um pra dentro do outro, como amor, com desejo... Quando ele lhe invadia a casa e a boca, em beijos urgentes, onde as línguas se entrelaçavam sem juízo... Sem sentido... Apenas com amor.

Vem, "vambora"
Que o que você demora
É o que o tempo leva...

Deitada sobre o túmulo de Hyuuga Neji, Tenten abraçou, de olhos fechados, o próprio corpo, sentindo o toque dele por toda a parte. Ofegava... Insana.

Aquilo era loucura... Senti-lo tão vivo em si, num lugar tão lúgubre. Era impensado... Mas era...

- Tão bom... Ah Neji... Senti tanto sua falta... – e as lágrimas escorriam, talvez por emoção... Talvez pela razão gritar-lhe "Onde está tua sanidade mulher?".

Estava cansada de pensar demais... De sofrer demais. Aquele toque pelo vento intensificava a cada minuto. Tenten jurava poder sentir as mãos firmes de seu homem lhe tocar. Invadir-lhe espaços que eram só dele. Dar-lhe amor e dar-lhe prazer. A kunoichi torcia as pernas, sentido o gosto daquelas mãos, correrem pra dentro das coxas, em sofreguidão, quente... Neji era quente demais. O peso do shinobi sob si, a protegia da neve que queimava a pele... Não mais que aquelas mãos generosas, lhe tomando um dos seios, por dentro da camisola, brincado com os mamilos rijos, enquanto ela só fazia gemer, rodeando os dedos nos músculos das costas fortes dele.

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando vem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...

E o cheiro alcançou-a... Eram mais que toques de vento, era ele! O Hyuuga estava ali! Mas o medo a consumiu... Temia abrir os olhos e perdê-lo, como na outra vez. Perder aqueles lábios que pousavam tão discretos sob os seus, sugando-lhe a alma e o desejo, que fervia o sexo... Acalmava e enlouquecia o coração.

O queria, nem que fosse por uma última vez... Nem que fosse sob a lápide que grafava: "Hyuuga Neji". Ele estava vivo.

E ela enlouquecera...

- Neji-kun... Senti tanto sua falta...

"E eu a sua, minha Tenten".

A voz cálida e rude lhe estampou os pensamentos em resposta. Mais que isso... Ela ouvia gemidos... De homem... De Neji. Ele estava em toda parte naquele memorial do clã Hyuuga. Tocava-lhe os braços fortes... Ele não mudara nada. O mesmo peito desnudo, as mesmas pernas torneadas, os mesmos cabelos, o mesmo membro, que pulsava roçando em sua intimidade, tencionando a invadir, como nos jogos a dois... Ah! Faria amor com ele, sob o próprio túmulo.

"Você é minha Ten...

- Ten!..." – outra voz ecoou. Parecia real demais, pra quem estava entregue em sensações tão mágicas.

- Tenten! – insistiu... – O que faz aqui criança?

Ela não abriu os olhos... O calor e a presença de Neji, dissipara-se no mesmo ato, que o outro homem a suspendeu pelos braços, tomando-a no colo, e rumando mansão adentro da Souke.

Aquele não era o lugar de Neji... Neji estava lá fora... "Me deixe voltar... Me deixe voltar pra ele!!"

Fraca e obsessiva, a kunoichi abriu lentamente os chocolates, que brilhavam molhados, como os lábios rubros, marcados pelos beijos do homem morto... A figura grandiosa lhe apaziguou os sonhos, a trazendo pra realidade tão cruel:

- Hiashi-sama...

Então ela adormeceu... Nos braços de outro homem. O líder subiu com a morena presa em si; quente, linda e entregue; pro quarto, escadas acima... Qualquer homem de juízo se apaixonaria pela imagem tão pura, tão viva, e tão menina dela. Tenten era linda aos olhos daquele velho homem. Linda... Sozinha... Que sofria por um amor perdido.

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas...

A depositou, como uma noiva, numa cama que não era sua... Nem das filhas... De ninguém mais. Deixou-a no quarto que um dia fora de Neji, cobrindo-a com um lençol nada convencional, pro gosto do falecido sobrinho... Vermelho. O mesmo que tingia o quarto, no dia que ele saiu de casa pela última vez. Tudo estava como era da última vez.

Tirou os cabelos castanhos dos olhos da menina, espantando os flocos de neve que insistiam em lhe roubar a cor sensual. Suspirou pesaroso por ver tão jovem e tão triste, uma mulher tão linda.

Fazia frio... Mas ela era... Quente.

Antes de deixá-la a sós com o quarto que também a pertencia, pode ouvir o marulhar daquela língua, dançando nos lábios:

- Durma comigo Neji... Ao menos essa noite... Durma comigo.

Devia estar enlouquecendo... Ele não era Neji... Mas as mãos firmes, de olhos fechados – sonhando – o prendendo pela manga do kimono, fez Hiashi ficar. Sentou-se na cama, e velou o sono de Tenten, mais que o esperado... A pequena menina sem razão – tirava agora – a do velho homem, quando se mexia na cama deixando exposta a tez que o sobrinho – um dia – amara tanto.

Era fácil demais se apaixonar por Tenten...

Continua...

Música: "Vambora" – Adriana Calcanhoto.


Agora é com vocês... Escolham: Neji ou Hiashi? Os dois juntos? kkk

Não me perguntem como farei isso... Apenas escolham, sim!!

Adorei dar uma continuação fúnebre pra essa fic... Os três finais, digamos, estão prontos, postarei qual??

bjOs coisas mais lindas!!