Harry ainda ficou mais um tempo na parte debaixo da casa, limpando a pouca louça que tinha sobrado do encontro com Hermione, arrumando um pouco a bagunça do armário de mantimentos. Arrumar era um exercício para organizar a mente, assim como voar era ou estudar para os testes de autor até cair no sono sem saber ao certo como. Apenas mecanismos para fugir de uma realidade enquanto alguma alternativa ou solução não surgia.
Quando o sono se tornou mais forte que a confusão, Harry resolveu ir checar Draco. Ele estava prolongando o encontro, fingindo para si mesmo que estava sozinho. Mas a mentira nunca dura o suficiente ou o necessário, então Harry decidiu ir olhá-lo rapidamente antes de dormir.
A porta do quarto estava fechada como Harry deixara e estava silencioso lá dentro. O moreno quase considerou ir dormir e abandonar a idéia de ir ver Draco, mas ele sabia bem o suficiente que isso seria uma negligência sem tamanho. E se ele estivesse precisando de algo? E se ele tivesse tentado algo ruim de novo?
O mais silenciosamente que podia, Harry entreabriu a porta. Estava escuro l, como era de se esperar. Ele forçou a visão a se acostumar com o negrume e a conseguir ver com a pouca luz que entrava pela janela do ambiente. Ele conseguia divisar mais ou menos a figura na cama, mas mais que isso, era difícil.
"Ou você entra ou você sai.", disse uma voz dentro do quarto. Harry se assustou. Não demorou nem meio segundo para identificar o dono. De fato, só podia ser uma pessoa.
Abrindo a porta por completo, Harry entrou, usando a varinha para acender o candelabro que ficava na mesa de cabeceira.
Draco estava deitado, as cobertas puxadas até o queixo. Ele estava mais pálido do que Harry se lembrava e a pele brilhava de suor.
"Achei que você estivesse dormindo.", disse enquanto se aproximava da cama.
"Perdi o sono.", respondeu o loiro, os olhos seguindo os movimentos de Harry.
O aprendiz de auror sentou-se a beirada da cama, longe o suficiente de Draco para deixá-lo confortável.
"Como está se sentindo?"
Draco fez uma expressão de desprezo.
"Ótimo.", disse com azedume.
Harry revirou os olhos e estendeu a mão para tocar a testa de Draco. O loiro esquivou a cabeça com violência, olhando Harry com raiva.
"Pára de ser criança e deixa ver sua temperatura."
"Eu estou ótimo, já disse.", respondeu Draco, apoiando-se no colchão e sentando-se.
"Claro. Tão bem que você está coberto até o queixo e suando."
"Estava calor."
"Aham. E as cobertas?"
"Estava frio."
Harry quase riu da infantilidade de Draco. A língua afiada do outro até que era engraçada. Era difícil se irritar com ele quando ele estava tão obviamente frágil.
"Bom, está calor ou frio?"
"Não enche, quatro-olhos.", retrucou Draco, tirando o cabelo suado da testa e puxando a coberta para cima.
"Oh, estamos de volta às ofensas?", disse Harry com um tom zombeteiro.
"Alguma vez saímos delas?", respondeu o outro, empurrando descaradamente Harry da cama com os pés.
"Não sei. Me diga você.", Harry ignorou o pé de Draco cutucando o quadril dele..
Draco bufou e fez um esforço redobrado para expulsar Harry da cama. Ele parecia inabalado pelas tentativas infantis de Draco de tentar desalojá-lo.
"Olha, eu preciso ver se sua febre cedeu, ok? Não quero acordar de manhã e descobrir que você morreu.", disse Harry se ajeitando de volta na cama, quando os pés de Draco quase conseguiram seu intento de jogá-lo no chão.
"Não seja ridículo, eu não vou morrer por causa de uma gripe estúpida.", reagiu Draco, dando um tranco mais violento com os pés.
"Ow. Pára com isso, está doendo.", reclamou Harry, segurando a canela de Draco por cima das cobertas com as mãos. O ex-sonserino bufou. "Não. Você acha mais eficiente se jogar da escada."
"O quê? Eu não me joguei da escada.", disse Draco, puxando a perna para longe dele.
Harry lançou um olhar desconfiado ao outro.
"Não seja estúpido, eu não me joguei. Eu perdi os sentidos temporariamente."
"Está dizendo que desmaiou?"
"Estou dizendo que eu perdi os sentidos. Eu não desmaio."
Harry sorriu maldosamente. Draco o encarou, desafiando-o a fazer algum comentário.
"Bom, eu sabia que você era um tanto quanto frágil."
"Frágil vai ficar sua cara se você não me deixar dormir em paz, mas que inferno!", reclamou Draco, jogando-se de costas na cama e puxando a coberta até o topo da cabeça, escondendo-se sob ela.
Harry riu.
"Vamos fazer o seguinte: você me deixa tirar sua temperatura e eu deixo você dormir."
"Que tal você cair fora e me deixar em paz?"
"Não é uma opção válida."
Draco urrou de raiva contra o travesseiro. Harry gargalhou.
"Do que você tanto ri, seu idiota?"
"De você. Eu não sabia que você podia se comportar como uma criança de cinco anos tão bem."
Draco descobriu a cabeça e encarou Harry.
"Vamos lá, tire logo a porcaria da temperatura e me deixe em paz."
Harry sorriu enviesado para Draco, que apenas olhou com mais raiva. Ele se esticou para tocar a testa do outro, mas Draco se esquivou.
"Você tem uma varinha, idiota. Eu sei que você ainda não sabe bem o que fazer com ela, mas eu tenho certeza que tirar uma temperatura não é algo assim tão complexo, mesmo pra sua mente mestiça estúpida."
Harry franziu o cenho para Draco, visivelmente contrariado.
"Sem essa palhaçada de superioridade, Draco. Eu não quero ouvir isso aqui."
"Oh, se não o quê? O mestre vai me punir?"
"Pára com isso, inferno!"
"Então me deixa em paz!"
"Eu só queria ajudar. Se quer morrer aí, problema seu!"
"Que seja, cai fora!"
"ÓTIMO!", gritou Harry , levantando-se da cama.
"ÓTIMO!", respondeu Draco no mesmo tom de voz, arremessando um travesseiro contra a parede.
Harry saiu do quarto, batendo a porta com força.
Harry/Draco/Harry/Draco/
Draco não conseguiu pegar mais no sono. No início, ele achou que fosse por conta da raiva que estava sentindo. Harry Potter era decididamente a pessoa mais insuportável da face da Terra.
Ele não entendia qual era a porcaria do problema do outro. Por que ele simplesmente não o deixava em paz no canto dele e cada um vivia sua vida sem maiores problemas? Mas não, ele tinha que ir atrás e encher o saco de Draco.
Depois de a raiva ceder um pouco, Draco teve de dar o braço a torcer que a preocupação de Harry era genuína. Ele sabia disso através do estranho elo emocional construído pelo feitiço e ele sabia que ele estava sendo sincero em seus cuidados. Mas isso não diminuía o fato de que Draco detestava toda aquela situação e não conseguia aceitar qualquer coisa além do estritamente necessário de Harry. Ele não queria a piedade dele. Ele queria apenas que ele o deixasse em paz para poder lamentar eternamente a própria má sorte e ponto.
Era verdade que Harry dificilmente estava sentindo pena de Draco e ele sabia bem disso. Mas era igualmente verdade que o loiro não estava interessado em ser alvo do senso de proteção super desenvolvido do ex-grifinório. Era absurdamente incômodo como tudo aquilo parecia simples demais para Harry.
E, além disso, havia o fato de que Draco sabia que alguém tinha aparecido ali pouco tempo atrás. Ele tinha sentido a euforia de Harry, a alegria por alguma coisa que ele não soube direito o que e uma ponta de preocupação, logo aplacada. Por algum motivo, aquilo o havia irritado imensamente. Ele não devia se sentir feliz. Todo o mundo deveria estar triste e cinza, porque Draco era um escravo e não estava feliz.
Ou pelo menos era isso que ele repetia diariamente a si mesmo.
As horas foram passando tão devagar para Draco que ele achou que fosse enlouquecer. Ele sabia que ainda estava com febre por causa das ondas súbitas de frio e calor que sentia e do suor que insistia em escorrer pela sua pele. Era extremamente incômodo se sentir assim e depois do terceiro feitiço de limpeza, Draco resolveu que apenas um banho poderia salvá-lo de ficar cheirando pelo resto da vida a suor.
Com algum esforço, ele fez o caminho até o banheiro, que ficava próximo ao final do corredor onde estava o seu quarto. O aposento estava frio e Draco se arrepiou, lamentou-se por não ter calçado um sapato para perambular pela casa. Sem perder tempo, despiu-se e enfiou-se embaixo do jato quente de água. Arrepiando-se de frio, Draco fez um feitiço rápido para deixar a água mais quente. Ele sabia que provavelmente se arrependeria disso depois, mas ele estava com frio demais para se preocupar com esse detalhe naquele instante.
Sem a menor pressa em terminar o banho, ele deixou a água escorrer pelo corpo, apreciando o calor gostoso dela pela pele febril. Depois de vários minutos parado em baixo do jato abundante e já sentindo a pele ficando sensível pelo excesso de calor, ele começou a se lavar metodicamente. Cada pedaço do corpo fora milimetricamente ensaboado e limpo.
Cantarolando alguma canção sem letra, Draco pôs um pouco de xampu na mão.
E parou completamente estarrecido quando a porta do banheiro se abriu com um estrondo.
Harry/Draco/Harry/Draco/
Estava quieto, remoendo a raiva dentro de si. Ele não entendia como alguém podia ser tão absolutamente insuportável como Draco era. Devia ser algum tipo de defeito genético, alguma herança da família Malfoy, algo que apenas Draco era capaz de despertar em Harry. Porque ninguém, no mundo inteiro, conseguia ser tão absolutamente irritante como Draco era.
Harry era uma pessoa compreensiva. Ou pelo menos acreditava que era. Ele entendia que devia ser difícil ser escravo e tudo mais, mas também era difícil para Harry. Não era simples ter de carregar o fardo de que ele era obrigado a zelar pelo bem-estar de uma pessoa que ele nem ao menos gostava. Mas ele tinha mesmo assim. E ele estava tentando, de verdade. Ele estava sendo o mais decente possível com Draco, fazendo tudo ao seu alcance para tornar a convivência mais simples, mas o loiro simplesmente não colaborava. Quando ele simplesmente não se trancava no mundinho particular dele deixando Harry morto de preocupação e culpa, ele o atacava a torto e a direito, fazendo com que Harry quisesse apertar o pescoço dele até que ele não estivesse mais respirando.
E agora, para completar, ele ainda estava doente. E não estava colaborando.
Preocupado, Harry se pôs a ler alguma coisa. Depois da Guerra, ele se tornara basicamente uma pessoa noturna e dormia anormalmente pouco. De vez em quando ele seria capaz de dormir mais de doze, treze horas consecutivas, mas isso era muito raro. O comum era apenas dormir umas quatro horas e acordar completamente disposto. Ele não sabia bem porquê isso acontecia, mas não era algo que o incomodasse realmente, então Harry suportava tranquilamente.
O livro que Harry lia era a coisa mais entediante desde Hogwarts – Uma história. Jogando o livro para longe, Harry foi observar a paisagem lá fora.
Mesmo distraído com seus pensamentos, Harry ouviu quando a porta do banheiro bateu e o chuveiro foi aberto. Draco, claro. Harry ignorou e continuou olhando para fora.
Um casal se beijava na penumbra. Harry nunca fora um voyeur, mas mesmo assim, na falta do que olhar, ele observou o casal, vendo como o cara parecia decido a provar que dois corpos podiam ocupar o mesmo lugar no espaço. Da maneira como ele estava amassando a menina contra a parede, era um milagre que ela ainda estivesse com todas as costelas inteiras.
Passado um tempo, o casal se soltou. Harry ficou surpreso em perceber que estava interessado demais neles. Ainda olhando descaradamente, ele viu a menina ficar na ponta dos pés e dar um beijo quente no rapaz.
Eles inverteram as posições, o rapaz encostando-se à parede, enquanto a menina se agachava.
A respiração de Harry ficou presa na garganta quando ele olhou melhor.
Não era uma menina. Era um rapaz. Menor e mais novo e com um cabelo comprido que definitivamente era o motivo da confusão de Harry. Mas um rapaz. Um homem.
Eram dois homens.
Ainda era incapaz de desgrudar os olhos da cena se desenrolando a sua frente. A maneira como o outro parecia não estar se importando muito com o fato de estar em via pública conforme lentamente colocava a o membro do outro na boca, lambendo, chupando, fazendo com que o rapaz maior segurasse o cabelo comprido entre os dedos com força, os olhos fechados, o rosto contorcido numa óbvia expressão de prazer.
Harry ofegou, hipnotizado com a maneira como a cabeça do rapaz ajoelhado ia e vinha, a forma como o pau do outro simplesmente desaparecia dentro da boca do outro e voltava a reaparecer quando ele recuava. Engolindo seco, Harry imaginou que poderia ser ele ali, encostado contra a parede de uma rua qualquer sendo chupado daquele jeito. Só imaginar isso, fazia seu coração acelerar de modo desconcertante. Mordendo os lábios, ainda observando tudo, Harry escorregou as mãos por dentro do cós da calça, pensando o tempo todo como seria bom.
Harry congelou antes de realmente chegar lá. Ele realmente não estava pretendendo se masturbar enquanto observava um casal gay desconhecido transando no meio da rua, estava?
Fechando a janela com força, Harry ficou envergonhado. Primeiro porque ele estava observando o que não era da conta dele.
Segundo porque ele estava decididamente excitado.
Zangado e constrangido consigo mesmo, Harry parou para ver se Draco já tinha saído do banho. Ele precisava de um banho agora mesmo. Para apagar. Para esquecer.
Mas ele não tinha saído.
Harry olhou no relógio. Quarenta minutos e nada. Ele sabia que algumas pessoas demoravam horrores no banho, mas quarenta minutos era muito tempo. Mesmo que o loiro estivesse usando o banho para outras finalidades, ainda assim era um tempo absurdo. Pelo menos para Harry era.
A princípio, Harry ficou irritado com a falta de consciência do rapaz. Como ele podia ser tão idiota a ponto de tomar um banho tão longo como aquele? E se Harry estivesse muito apertado? Ele não queria usar o lavatório do andar de cima. Ele queria usar aquele banheiro e ponto final.
Depois Harry ficou curioso. O que ele tanto fazia lá dentro que demorava tanto tempo?
Mesmo que ele precisasse se aliviar, como Harry decididamente precisava, se o desconforto entre as pernas era algum indicativo, quarenta minutos eram mais do que suficientes. Não eram?
E por último ele ficou preocupado. E se ele tivesse desmaiado lá dentro? E se ele estivesse usando a banheira e desmaiado dentro dela? E se ele estivesse se afogando? E se ele estivesse cortando os pulsos com os cacos de vidro do espelho? E se...
Sem pensar duas vezes, Harry catou a varinha e foi até o banheiro. Ele bateu na porta e esperou.
Nada. Apenas o som do chuveiro correndo.
Bateu novamente, dessa vez com mais força. A impaciência o estava corroendo por dentro e ele mal podia evitar quicar na sola dos pés, nervoso.
Por último, Harry desistiu de bater. Draco obviamente estava morrendo lá dentro e precisando de ajuda.
Varinha em riste, Harry arrombou a porta.
Apenas para encontrar Draco molhado, nu e com alguma coisa branca na mão.
Harry/Draco/Harry/Draco/
Draco já havia passado por muita coisa na vida. Já havia hospedado o Lorde das Trevas em sua casa, já havia visto o pai perder a varinha para o dito Lorde, já havia quase matado o maior bruxo da história e agora era escravo. Mas nunca, em todos os seus anos de vida, Draco tivera o banheiro invadido.
Olhando chocado para Harry, ele tentou entender o que se passava. Bom, se o outro estava assim tão desesperado para usar o banheiro, ele podia ter usado o do andar de cima.
"Puta que pariu, qual o seu problema, Harry?", Draco sentiu uma raiva extrema de não poder chamar o mestre pelo sobrenome, mas se conteve. Ele conseguia dizer Harry com quase o mesmo desprezo com o qual dizia Potter. Perdia um pouco do efeito, mas ele sobreviveria.
"E-eu queria usar e...", gaguejou Harry, olhando para Draco ainda boquiaberto. Ele estava tão desconfortável que Draco nem precisava se esforçar para sentir isso através do elo.
"Você nunca ouviu falar em bater na porta, por Morgana!", exclamou Draco. Ele estava plenamente consciente de que estava nu na frente do seu arquiinimigo, mas a cara de pateta do outro valia o constrangimento.
Draco deu um sorriso maldoso.
"Ei. Vai ficar olhando ou o que?"
"Eu bati. Na porta.", acrescentou Harry, corando sem qualquer motivo aparente. "Digo, por que você está demorando tanto?"
Draco ergueu uma sobrancelha, jogando o xampu no cabelo e massageando. Era incômodo ter o quatro-olhos olhando com aquela cara de pateta, mas o desconforto do outro era nítido. E deixar Harry Potter desconfortável era o esporte favorito de Draco.
"Porque algumas pessoas gostam de tomar um banho completo, só por isso. Eu não sabia que eu tinha tempo para usar o chuveiro, mestre."
"Eu já falei para você parar com isso."
"Que seja. Será que eu posso terminar o meu banho sem platéia?", perguntou Draco enxaguando o cabelo e enchendo a mão com creme. Quando Harry não respondeu e o desconforto dele se tornou mais pronunciado, juntamente com algo que Draco não soube bem identificar, ele resolveu provocar. "Talvez você queira se juntar a mim, hm?", disse, sorrindo maldosamente para o moreno.
Harry sacudiu a cabeça e fechou a porta do banheiro tão rápido e com tanta força que as dobradiças rangeram.
Harry/Draco/Harry/Draco/
Harry estava respirando com tanta força que o peito doía. Ele tinha visto. Draco. Nu.
Passando a mão nos cabelos com violência, ele entrou no quarto e bateu a porta, ainda completamente surpreso. Ele devia ter previsto aquilo. Era um banheiro. Um lugar onde se toma banho. E pessoas tomam banhos sem roupas.
Ah, Merlin, eu vi Draco pelado!, pensou Harry ainda de olhos arregalados.
Ele não tinha a menor idéia do que o chocava mais: a idéia de que ele tinha invadido um banheiro por algum motivo que ele não conseguia mais ao certo identificar ou o fato de que ele não conseguia desgrudar os olhos do outro.
Harry sabia que algumas vezes ele tinha alguns impulsos estranhos. Não era a primeira vez que ele se via incapaz de desviar o olhar de algum rapaz nu. Ele sempre atribuiu o fato à infância reprimida com os tios, a falta de contato com outras crianças. Era por isso que ele ficava olhando os outros meninos meio abobado. Nada mais que isso. Mera curiosidade infantil.
É claro que na idade de Harry dizer que era mera curiosidade era uma bobagem. Ainda mais depois do fato de que ele tinha visto dois caras no meio da rua fazendo, bem, coisas e tinha ficado excitado.
É mais você não sabia que eram dois caras, disse uma vozinha razoável dentro da mente dele.
Harry concordou rapidamente com ela.
Claro que não. Mas você não ficou nem um pouquinho menos excitado com isso quando viu, ficou?, respondeu outra vozinha extremamente desagradável na opinião de Harry e que ele rapidamente calou.
Harry teria dado um tapa na própria cabeça, se isso servisse de alguma coisa para calar sua mente. Irritado, ele se jogou na cama, repassando o que tinha visto pela janela. Ele se odiou por perceber que as imagens pareciam gravadas na memória a ferro quente e que elas tinham um efeito imediato em partes mais baixas de seu corpo.
Harry grunhiu irritado, soltando uma profusão de palavrões, cada um pontuado com um soco no travesseiro. Decidido a provar a si mesmo que estava apenas impressionado e que todo seu problema se resolvia a uma falta crônica de sexo, Harry puxou as cobertas e fechou os olhos, forçando-se a dormir.
Harry/Draco/Harry/Draco/
A febre de Draco não baixou, mesmo depois de repousar o máximo possível. Ele mal dormia algumas noites e geralmente acordaria de manhã fraco demais para se levantar para tomar café ou para fazer qualquer coisa. Ele só ficaria lá, quieto, sentindo frio demais para se mexer até que, em algum momento, ele simplesmente desmaiaria de exaustão. E acordaria de novo, cansado e sentindo-se pior do que antes.
Depois da briga e do lamentável episódio do banheiro, Harry não fizera muito mais do que educadamente se oferecer para ajudá-lo. O que Draco prontamente recusou. Não houve qualquer insistência por parte de Harry que em geral sumia por horas e horas durante o dia. Não muito diferente do que era antes de Draco cair doente. Mas agora, apesar de dizer a si mesmo que não, Draco no fundo queria um pouco de atenção.
O silêncio dos dias era insuportável em condições normais, mas doente, algumas vezes Draco tinha que levantar e caminhar pelo quarto para ter certeza que não tinha morrido. Ter apenas o frio nos ossos e o desconforto como provas de que ainda pertencia ao mundo dos vivos não era o mais animador dos cenários. Pouco a pouco, ele estava caindo numa espiral de apatia que estava ameaçando enlouquecê-lo.
E ainda havia o feitiço.
Quase uma semana depois de cair doente, Draco já podia claramente ver os vergões vermelhos que maculavam sua pele na altura das algemas. A demora a ceder aos impulsos do feitiço estavam marcando sua presença física nos pulsos e tornozelos, deixando a pele em volta das algemas em carne viva. Ele mal podia tocar a área sem gemer de dor e ficar de pé ou segurar algo se tornava um desafio crescente.
Draco se perguntava quando a tortura terminaria.
Cansado, o loiro tentou se ajeitar melhor na cama, esperando pacientemente o momento em que a inconsciência o viria buscar.
Passando ultra super mega rápido só para atualizar! Faculdade evil!
Thx a todos pelas reviews, respondo no próximo post, palavra de escoteira!
Alis
