Harry/Draco/Harry/Draco/
Harry evitou Draco o máximo que pôde. Ele seguiu a rotina da melhor maneira que podia. Fazia as refeições e sumia para a biblioteca dos Black. Eventualmente, Harry simplesmente pegaria sua mochila e bateria a porta da frente, indo encarar o mundo lá fora, fugindo da própria confusão que era sua mente.
Por duas vezes aquela semana, Harry fora se refugiar na casa dos Weasley. Era bom ficar perto de algum nível de normalidade. Era um alívio saber que, em acordo com a Suprema Corte, os Weasley tinham conseguido autorização para permitir que os Malfoy permanecessem em sua residência. Eles estavam magicamente impedidos de sair de dentro delas, bem como de perfazer qualquer tipo de magia diferente das autorizadas pelo Ministério. As varinhas de Lucius e Narcissa haviam sido encantadas de modo semelhante à varinha de Draco. E algum membro dos Weasley teria de, semanalmente, checar seus tutelados e enviar um relatório ao Ministério.
Com isso, a vida nA' Toca estava relativamente normal, ou o mais normal que se podia ser dentro das circunstâncias nas quais tinham sido atirados. Ainda assim, era preferível isso a atmosfera depressiva do Largo Grimauld.
De coração mais leve, Harry retornou a casa dos Black depois de passar toda sua tarde de sexta-feira com Rony e Hermione, perambulando por Londres. A cidade parecia fervilhar, viva de cores, pessoas e movimento. Tão diferente do ar do Largo Grimauld, da tristeza que parecia se esconder em cada canto da casa. Feliz por estar fora, Harry se esqueceu por um tempo de que ele tinha responsabilidade sobre alguém de quem não gostava e riu como o jovem adulto que era.
Ao voltar, porém, a realidade cobrou seu preço.
A casa estava silenciosa como sempre. Suspirando a perda dos risos e da alegria, Harry foi se despindo pelo caminho, jogando os sapatos para um lado, o casaco para outro. Ele sabia que depois teria de voltar e ir catando tudo, mas naquele instante, ele apenas queria ter seus cinco minutos de rebeldia sem sentido e extravasar um pouco da frustração que sentia. Quem dera pudesse mandar Draco de volta para os pais! Ele já tinha se informado e isso não era possível. Irritado com a própria falta de sorte, ele subiu as escadas, pensando em que livro leria antes de ir dormir.
Harry escutou um gemido baixo vindo do quarto de Draco. A porta estava entreaberta, algo incomum. Pensando se devia ou não parar para ver o que estava acontecendo, Harry hesitou. E se o loiro estivesse em um momento pessoal? E se ele flagrasse algo que decididamente ele não queria ver?
Engolindo seco, Harry parou a alguns passos da porta, escutando.
Tudo o que ele conseguia ouvir era uma respiração pesada, murmúrios incessantes. Intrigado, Harry espiou pela fresta.
Draco estava deitado na cama, movendo-se inquietamente. Um ar quente vinha do quarto, abafado. Harry bateu na porta e pigarreou, anunciando sua presença, mas o loiro não fez nenhuma menção de percebê-lo ali.
Harry entrou.
Draco estava adormecido. Adormecido e pálido como um cadáver. O quarto estava insuportavelmente quente e escuro e era quase doentia a maneira como o loiro havia se escondido debaixo de camadas e camadas de coberta. Alarmado, Harry se adiantou para tocar a pele do loiro, esquecido de que aquele gesto havia sido objeto de uma discussão desagradável.
Não houve qualquer comentário, porém. Draco estava completamente desacordado. E ardendo em febre.
"Ah, Merlin!", murmurou Harry, puxando a varinha e fazendo um rápido feitiço de diagnóstico básico, algo que qualquer aluno primeiranista sabia fazer. O feitiço apontou para a temperatura de Draco: quarenta graus.
Harry guardou a varinha no bolso e tentou acordar Draco, alarmado com o quão doente ele parecia. Como ele havia ficado daquele jeito? Ele não tinha notado que a condição do ex-sonserino era tão grave.
"Draco. Draco, acorde. Draco?", disse Harry. Nenhuma resposta de Draco, exceto murmúrios febris e uma fraca tentativa de se cobrir de novo.
"Draco, vamos, eu preciso que você acorde. Draco, anda."
"Não...", gemeu Draco, tentando tirar as mãos de Harry do ombro dele. Elas estavam quentes e suadas.
"Anda, acorde, eu preciso de você acordado."
"Me... Deixa... Não... Dói...", gemeu Draco, as íris acinzentadas aparecendo por de trás das pálpebras avermelhadas, sem realmente focalizar nada.
Harry desistiu de tentar trazê-lo de volta. Ele obviamente estava sentindo frio demais, se a maneira como o corpo inteiro dele tremia era alguma indicativa. Fazendo um rápido feitiço para diminuir o peso de Draco, Harry o pegou no colo e o levou para o banheiro.
Harry sabia basicamente nada sobre feitiços curativos. Apesar de serem parte do treinamento de aurores, eles ainda estavam bem a frente do nível de Harry. Tirando feitiços básicos para fechar cortes e coisas do gênero, Harry não tinha a menor idéia de como abaixar uma frebre de um modo mágico.
Então ele recorreu ao modo trouxa.
Harry abriu as torneiras da banheira e a esperou encher. O corpo de Draco estava apoiado contra o seu próprio e o rapaz não parava de murmurar, gemer e choramingar. Ele tentava fugir do frio dos ladrinhos, se aninhando como podia contra o peito de Harry, tentando ganhar algum calor. Harry sentiu pena do outro. Ele parecia péssimo, os lábios rachados e vermelhos demais. O moreno tirou os cabelos do rosto suado do outro, observando como a respiração dele estava difícil.
Lamentando o que iria fazer, Harry fechou as torneiras e voltou a erguer o rapaz no colo. Devagar, ele molhou a nuca e os pulsos do loiro.
Draco gritou de dor.
Harry puxou os pulsos, apenas para encontrar os vergões vermelhos e com pontos de inflamação sob as algemas.
"Meu bom Merlin, o que é isso?", perguntou Harry para ninguém em particular. Draco agora tinha algumas lágrimas escapando pelos olhos fechados, ainda delirante, mas capaz de sentir dor.
"Por favor, por favor, não, dói, por favor, por favor...", murmurava Draco incessantemente. O coração de Harry se apertou. O que ele podia fazer? Ele precisava baixar a febre.
´Mordendo os lábios, indeciso, Harry pensou em levar o loiro para St. Mungus. Pensando nisso, Harry fez mais um esforço para acordar Draco.
Demorou um pouco, mas os olhos se abriram, desfocados. Harry quase suspirou em alívio.
"Draco, você pode me ouvir?"
"Dormir...", disse o outro, encolhendo-se contra Harry.
"Responde, você pode ou não me ouvir?"
"Hmmm...", gemeu Draco, assentindo com a cabeça, ainda tentando se aninhar contra o corpo do moreno.
"Draco, você acha que suporta uma viagem de Flu? Para St. Mungus?"
O loiro pareceu ficar um pouco mais acordado ao ouvir o nome do hospital. Encarando Harry, ele murmurou baixinho.
"St. Mungus não."
"Mas você..."
"Não. Por favor.", disse o outro fechando os olhos e caindo da inconsciência de novo.
Harry quase urrou de frustração. Ele não sabia o que fazer. Ele nunca tinha cuidado de alguém doente antes, não tinha a mínima noção que que ação ter. Ele achava que a melhor chance do loiro era ir para St. Mungus e receber tratamento especializado. Mas ele parecia fraco demais para suportar uma viagem de Flu e Harry tinha medo que a situação ficasse pior. Era sabido por todos que nenhum tipo de Transporte Mágico – fosse Flu, Chave de Portal ou aparatação – devia ser usado em uma pessoa doente, sob o risco de agravar qualquer condição. A magia utilizada geralmente interferia de maneira negativa no organismo sensibilizado de um convalescente.
E Harry não sabia direito o que Draco tinha.
Preferindo não arriscar, Harry molhou mais uma vez a nuca e pulsos de Draco, ignorando o choro desesperado do loiro e os gemidos, murmurando que estava tudo bem baixinho no ouvido do outro.
Com algum trabalho, ele conseguiu despir o loiro de seu suéter. Draco tremia contra o peito de Harry, mas o moreno continuou passando a mão molhada contra o tórax suado do outro, sem parar por um segundo de dizer que estava tudo bem, que logo ia acabar. Draco parecia ouvir e algumas vezes respondia de maneira coerente, mas em geral, ele apenas choramingava de dor e de frio, algumas lágrimas ainda escorrendo pela bochecha. Harry as limpou com as mãos, pedindo desculpas. Draco tentava fugir do toque gelado, mas Harry o tinha bem seguro contra si.
Por fim, Harry tirou as calças de Draco, deixando, porém a roupa debaixo, achando que seria um pouco de atrevimento demais retirar a última peça.
Quando o corpo de Draco tocou a água gelada, ele quase gritou, os olhos se abrindo, se debatendo tentando fugir. Ele não parecia nem um pouco mais acordado do que antes, mas ainda assim, ele estava consciente o suficiente para tentar escapar.
"Não, por favor, nããoo..."
"Calma, já vai acabar, shhhs, calma..."
"Não, Harry, por favor, não..."
Demorou até Draco se acalmar dentro d'água. Quando ele finalmente parou de tentar fugir, resumindo seus protestos a soluços e gemidos, Harry já estava quase tão encharcado quanto o loiro, assim como o chão do banheiro.
Draco acordou pouco tempo depois, o que Harry tomou como um sinal de que a febre estava baixando o suficiente para ele parar de delirar. Ele parecia cansado e confuso, mas calmo.
"Frio...", murmurou Draco, abraçando o corpo com os braços magros, fazendo careta ao sentir as algemas encostarem nos machucados.
"Como você está se sentindo?"
"Péssimo.", disse Draco com uma voz fraca, fechando os olhos. Harry quase temeu que ele voltasse a delirar, mas os olhos se abriram de novo. "O que aconteceu?"
"Você estava ardendo em febre, delirando. Eu não sabia o que fazer então... Bem, minha tia costumava me enfiar embaixo de um chuveiro frio quando eu ficava com febre e, apesar de não ser nada agradável, funciona, então..."
Draco não respondeu nada, apenas continuou encarando Harry com olhos exaustos. Sentindo-se um pouco estúpido, Harry continuou a falar.
"Bom, eu quis levar você para St. Mungus, mas você disse que não e eu fiquei com medo que o Flu piorasse tudo e, sei lá.", suspirou Harry, passando uma mão nos cabelos, deixando-os molhados. "Eu não sabia o que fazer. Me desculpe."
Draco ficou em silêncio por vários segundos.
"Posso sair daqui?", perguntou com a voz trêmula, por fim. Harry assentiu.
Harry o ajudou a se levantar da banheira e foi buscar uma toalha. Draco não conseguiu ficar de pé por mais de quinze segundos, antes de ter de se apoiar em alguma coisa para não cair. Por sorte, Harry já tinha pegado uma toalha no gabinete debaixo da pia e ajudou Draco a se sentar na tampa fechada da privada. O loiro respirava com alguma dificuldade ainda, mas sua pele pelo menos não ardia mais.
Draco pegou a toalha e começou a se secar, mas pouco tempo depois a toalha escorregou dos dedos do rapaz, os braços caindo fracos sob o colo dele. Draco trincou os dentes, irritado.
"O que houve?", perguntou Harry, pegando a toalha do chão.
"Cansado.", resumiu Draco, ainda de dentes trincados.
Harry podia entender a irritação do outro. Devia ser imensamente difícil para o sempre orgulhoso Draco se ver em uma situação de fraqueza tão óbvia, tão exposto. Harry tentou se por no lugar de Draco e falhou. E dificilmente conseguia imaginar como seria ser escravo de Draco, cuidado por ele. Era surreal demais para ele.
Mas então, não seria igualmente surreal para Draco?
"Posso, então?", disse Harry estendendo a toalha, tentando não tornar mais complicado o que já era quase impossível.
Draco o olhou de esguelha, como se tivesse algum comentário rascante na língua, mas nada disse, apenas assentindo de modo brusco com a cabeça.
Harry começou secando os cabelos de Draco. Molhados, eles tinham um tom mais escuro do que quando secos, o platinado se tornando um tom mais puxado para dourado. Harry observou, mesmerizado, como a cor não era uniforme, como algumas mechas de cabelo pareciam mais escuras do que outras. Tentativamente, Harry deixou os dedos passarem pelos fios, testando para ver se eles eram tão macios quanto aparentavam ser. Draco pareceu não perceber a manobra e Harry quase sorriu da própria esperteza. Não era diferente de qualquer outro cabelo molhado que Harry tivesse tocado na vida, mas mesmo assim ainda parecia especial.
Harry continuou secando, descendo para os ombros, observando os contornos agudos dos quais Draco era formado. Ele era bem mais magro que Harry, ossos despontando das costas, clavícula. Ainda assim, não era desagradável aos olhos, mas dificilmente Harry, ou qualquer outra pessoa, poderia classificar de bonito. A pele era branca demais, quase translúcida, as veias azuladas visíveis na jugular do outro rapaz, pulsando e pulsando.
O processo de secar e observar continuou. Harry se ajoelhou ao lado de Draco, que estava com os olhos fechados, a respiração tranqüila, enquanto secava cuidadosamente o tórax do outro, notando como as costelas pareciam visíveis debaixo da pele clara, marcada de um lado a outro por uma fina linha, quase invisível.
Sectumsempra.
Harry quase não conseguiu se impedir de passar o indicador sobre a cicatriz. A pele de Draco não era completamente imaculada, Harry já tinha notado uma ou outra pequena cicatriz quase invisível na pele dele. Mas aquela cicatriz significava algo. Algo que era apenas de Harry.
O moreno continuou olhando, hipnotizado, o lábio inferior seguro entre os dentes. Era bom, num sentido completamente deturpado da palavra, saber que havia uma marca em Draco que fora Harry que causara. Algo do qual ele dificilmente poderia se livrar durante a vida. Talvez ele pudesse esconder com um glamour ou talvez houvesse alguma poção para fazer a cicatriz sair, mas Harry duvidava que fosse possível. Cada vez que Draco se visse no espelho, ele se lembraria de Harry. E aquilo causava quase um contentamento. Como se aquilo completasse algo dentro de Harry, uma parte dele que sentia necessidade de ser lembrada, de marcar, de não se deixar ser esquecida. De impedir que Draco algum dia saísse dali e fingisse que nada, nunca, tinha acontecido. Era doentio, mas não era como se ele se importasse com isso.
Harry estava tão entretido com sua exploração visual que ele não percebeu quando os olhos de Draco se abriram e se fixaram nele.
Com algum desconcerto, Harry devolveu o olhar, rapidamente desviando do cinza intenso sobre si. Não era tanto a vergonha por ser pego olhando, tampouco pelo que ele sentia. Era mais. Como se a vergonha viesse de algo que ele quisesse ter e não tivesse a coragem de esticar os dedos e pegar para si.
Mas afinal, quem poderia ter quando não se sabe ao certo o que se quer?
Em silêncio, Harry continuou a secar Draco, consciente de que nem por um segundo os olhos do outro vacilaram sobre si e que nem por um momento, Harry teve coragem de cruzar os olhares.
Harry/Draco/Harry/Draco/
Draco se deixou ser posto na cama vestido por Harry, no final das contas. Mesmo os olhares atravessados que estava dando ao rapaz não surtiam o efeito desejado, não quando Draco não conseguia enfiar os braços na parte de cima do pijama de modo decente. Então ele deixou que Harry o vestisse, apenas batendo pé quanto às roupas debaixo, que ele mesmo trocou, com algum esforço. Harry continuou a trocá-lo com o mesmo esmero com o qual ele o tinha secado.
Ele observou em silêncio enquanto o ex-grifinório o ajudava a passar as pernas pela calça e o ajudava a ficar de pé para subir toda a roupa. Draco quase pediu para fazer isso sozinho, mas Harry tivera o cuidado de evitar qualquer conta to extra e Draco era grato por isso. Ou tentava ser.
Por fim, Harry colocou Draco na cama, cobrindo-o como uma mãe fazia com o filho, prendendo as cobertas embaixo do corpo do loiro. Draco suspirou contente ao sentir o conforto da cama.
"Melhor?", perguntou Harry, desenrolando as mangas da camisa. Elas estavam molhadas ainda, reparou Draco.
"Suas mangas estão molhadas."
"Oh, é, estão."
Harry secou-as com um acenar de varinha. Guardou-a no bolso e hesitou.
Draco quase riu da indecisão dele.
"Você precisa de mais alguma coisa? Está com fome?"
Draco sacudiu a cabeça que não e afundou nos travesseiros. Ele não queria conversar. Na verdade, ele queria qualquer coisa menos olhar para Harry.
Olhar para ele o fazia lembrar-se das coisas que o moreno sentia. E isso só fazia a cabeça de Draco doer.
"Certo. Eu estarei logo aqui do lado. Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, é só me chamar."
Ainda hesitando, Harry pôs a mão na maçaneta. Draco o assistiu morder os lábios, indeciso e por fim, sair, encostando a porta delicadamente.
Draco suspirou, dessa vez não porque estava feliz com o conforto que a cama lhe proporcionava. Ele não entendia como alguém podia ser tão absolutamente nobre como Harry era. Era ridículo, absurdo. No lugar de Harry, Draco tinha certeza que estaria transformando a vida do aprendiz de auror num verdadeiro inferno ou, no mínimo, ignorando-o o máximo possível. Mas Harry não. Ele alternava momentos de distância com momentos como aquele, em que ele tinha sido perfeito.
Draco bufou. Ele detestava aquilo. Como alguém podia ser tão idiota a ponto de fingir perfeição dentro da própria casa? O que ele ganhava fingindo para Draco ser uma boa pessoa?
Draco grunhiu, jogando a cabeça do travesseiro com alguma força, mas não muita. A quem ele estava querendo enganar, ele sabia que Harry não estava fingindo. E era claro como o dia que tudo o que o Menino de Ouro de Hogwarts fazia era por pura índole. Draco sentia isso. Cada coisa que ele dizia ou fazia era por vontade. Por algum sentimento superior iluminado que estava acima da capacidade de compreensão de Draco. Pela maldita nobreza grifinória que dava a Draco uma vontade insana de quebrar alguma coisa.
Fechando os olhos, decidido a bloquear a raiva sem sentido que subia pela garganta, Draco admitiu que talvez houvesse mais. Por trás de toda a generosidade inapropriada, havia mais. Algo que Draco sabia o que era. Ele vira o modo como Harry olhava para a cicatriz em seu peito e ele sentira o que ele sentira. Contentamento. Mas não o tipo de contentamento vindo da alegria de ter quase rachado Draco em dois. Era algo mais sutil, mas etéreo, difícil de colocar as mãos. Era como se ele não aceitasse o que levara aquela cicatriz a estar ali, mas gostasse da idéia de que ela estava, de fato, marcada para sempre na pele de Draco. Como uma lembrança. Algo que Draco nunca poderia apagar ou fingir para si mesmo que não aconteceu. Simplesmente esquecer.
Como se Draco precisasse de mais uma lembrança de Harry Potter. Levaria mais de uma vida inteira para esquecer o maldito quatro-olhos e tudo o que ele fizera. E levaria mais de uma vida para aceitar que isso não incomodava assim tanto. Principalmente quando parte das lembranças que Draco tinha de Harry estavam sendo tão fortemente pintadas com o novo Harry que ele conhecera nesses últimos tempos. Sete anos de inimizade escolar. Ou melhor, seis anos de inimizade escolar e uma guerra. Tudo substituído por alguns dias com o idiota de bom coração. Tão patético.
Irritado, Draco se ajeitou na cama e esperou o sono chegar, mesmo sabendo que ele não viria.
Notas e um pouquinho de falação
Wazzaaaap! Alis in da hood! \o/
XD Ok, ok, parei com a loucura.
Mais um cap! Que eu não sei ao certo se eu dividi igual ao do Livejournal, mas deixa quieto (tão grande quanto está, há!).
Como prometido, SPECIAL THX PARA:
GirlOfAvalon (;), Hinaxchan, gota gelada, Malu Chan, Tere Black, Ayami e Inu!
Vou fazer o mesmo sistema de Loveless – vou responder as reviews pelo reply do ff dot net ou por e-mail. Por que? Porque assim eu poupo espaço e consigo até dar uma resposta mais completa e legal para vocês. Então não deixem de fazer reviews logados ou deixar um e-mailzinho pra contato que eu respondo as reviews. ;D
Muito obrigada a todos pelos elogios e obrigada àqueles que leram, mesmo não deixando review (mas tentem deixar, snif) e continuem comigo que agora falta pouquinho pro fim! Ohohoho!
Como sempre, faça uma ficwriter carente feliz, deixe review! É só um cliquezinho e você faz meu dia mais bonito!
Alis
