- Capítulo 5 -
...Amores Atrapalhados..."Eu quero te roubar prá mim
Eu que não sei pedir nada
Meu caminho é meio perdido
Mas que perder seja o melhor destino
(trecho de 'Encostar na tua', by Ana Carolina)
Mais uma vez, Annabelle abriu seus olhos e reconheceu o teto da ala hospitalar.
- Nem parece que eu estava aqui ontem! – exclamou ela irônica.
- Pois é! Você tem que parar de se machucar tanto! – exclamou Lily ao lado da sua cama.
- Ai Lily... – falou ela num suspiro.
- O que houve? – falou a amiga com carinho.
- Quem ganhou? – ansiou Annabelle.
- Você quer mesmo saber?
- Sim! Por favor!
- Nós! – disse Lily sorrindo.
- Pô Li! Você me assustou agora! – disse ela aliviada.
A outra só sorriu e apagou-o no instante em que viu que Tiago Potter entrava na ala hospitalar.
- Ahn... eu vou indo. Depois eu volto.
- Não se preocupe, Evans. Eu não vou ficar muito. Só vim ver minha artilheira e já vou embora.
- Eu preciso mesmo falar com você, Lily. Um assunto sério. – Anna lançou um olhar que realmente significava um assunto sério.
- Ok. Eu espero. – Lílian se sentou num banquinho ao lado da cama de Anna.
- Você está melhor? – perguntou Tiago.
- Claro! Agora me conta o que aconteceu! – disse ela rápida. – Antes que Madame Pomfrey tire vocês daqui.
- Bem, você caiu lá. Almofadinhas meteu outro balaço na Belatrix que deve ter tido um traumatismo craniano. Ela saiu daqui a algumas horas. – Anna reparou que já devia ser umas 9h da noite. – Depois que ela saiu, Almofadinhas quase ficou só rebatendo balaços com o Flint. Aí, não demorou muito, Black avistou o pomo só que eu estava mais perto e cheguei primeiro nele. Simples. Fácil.
- É, mas você se esqueceu que Black quase agarrou sua perna e emparelhou com você até que por alguma razão que não deu para nós, espectadores, vermos ele recuou.
- É é. Deu pra entender, não deu Anna?
Ela riu e Tiago se despediu dela com um beijo no rosto e um sussurro:
- Almofadinhas mandou melhoras também. – depois quase no pé da cama falou normalmente – Mas achamos que a Madame Pomfrey ia nos expulsar.
- Tudo... tudo bem. – gaguejou ela.
Ele saiu e Lílian perguntou o que tinha sido aquilo.
- Bem... – ela não pode continuar, a enfermeira se aproximava.
- Já está ficando tarde! A senhorita Evans, por favor, vá para seu dormitório e deixe minha paciente ter um pouco de paz.
- Ah Madame Pomfrey! Só mais uns minutos! Desde ontem que não falo com ela e tenho assuntos muito importantes pra tratar com a Lílian.
A enfermeira amarrou a cara, mas permitiu, exclamando "Adolescentes!" ao sair.
- Abaffiato! Eu sei que não é nada tão sério assim – disse Anna vendo a cara assustada de Lílian quando ela lançou o feitiço. – Mas não quero que ninguém ouça mesmo.
- Tudo bem. O que é?
- Lily, chuchu. – disse ela suspirando e olhando para o teto.
- O que foi Anninha? – Lílian segurou na mão da amiga que apertou com força.
- Eu... estou apaixonada. – disse ela desabafando.
- Sério?! – disse Lílian mais feliz com a notícia que não tinha nada a ver com drástica. – Por quem?
- O pior ser da face da Terra para se apaixonar. – Anna agora segurava um choro.
- Potter! – Lílian soltou a mão dela rapidamente.
- Não! – falou ela revoltada. – Quando você vai aprender que o Tiago é meu irmão não consangüíneo?
- Desculpa. – disse Lílian reconhecidamente envergonhada.
- Tudo bem. Mas eu estava mesmo falando de Sirius Black!
- Ah não. – disse Lílian encolhendo os ombros. – Um maroto, Anna?
- É! Ta vendo o meu problema!?
Lílian acenou com a cabeça.
- Mas como isso aconteceu? Quando?
- Na noite antes do jogo, eu estava numa torre qualquer e ele veio se encontrar comigo. Não sei como me achou, mas apareceu lá. E daí, simplesmente aconteceu. Ele estava tão perfeito naquele ar frio! Meu Merlin... e daí fizemos um pacto.
- Nossa, que susto! Pensei que você ia dizer que fizeram amor! Mas que pacto?
- Ai Lily! Que viagem! O pacto era que eu iria ao baile com ele, se e somente se, ele conseguisse fazer você e o Tiago irem ao baile juntos.
- O QUE?
Anna riu. – Eu estava só brincando. Não. É muito pior que isso. Muito mais impossível.
- Ha ha. O que é?
- Ele prometeu não sair com nenhuma menina até o dia do baile, quando finalmente sairá comigo, sua recompensa. – falou ela roboticamente.
Lílian levantou as sobrancelhas. – Boa sorte, minha amiga.
- Ok, eu cheguei à conclusão que eles vão pra Atlantis pelo seu poder antigo, quero dizer somente um lugar onde um ritual de magia não poderia dar muito errado com tanta magia que tem naquele lugar. – explicou Remo depois de cansado de ler o mesmo livro varias vezes.
- Ótimo. Já sabemos o porquê. Agora o mais importante: onde? – disse Sirius se esticando numa poltrona ao lado de Remo.
- Pois é. Não tem nada na biblioteca. Já revirei tudo! Até a seção proibida. Só conseguem dizer que a cidade está perdida! Pô, isso eu já sei! – falou Lupin revoltado.
- Vocês não acham que deveríamos contar para o Dumbledore? – perguntou Rabicho.
- Não. – falaram Sirius e Tiago ao mesmo tempo.
- Eu até acho que ele nos ajudaria, num mundo perfeito talvez. – opinou Remo.
- Mas como não é, eu acredito que mesmo que ele acredite em nós, simplesmente não vai deixar a gente correr esses riscos. – explicou Tiago.
Pedro resmungou algo inaudível e virou-se para tentar começar o dever de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Quanto mais próximo o baile se tornava, mais as meninas ficavam nervosas. As conversas se resumiam a vestidos, meninos e sapatos.
- Ei, sabe o que eu ia te perguntar – começou Lily num café da manhã qualquer. – Você não vai, tipo, ficar espionando o Black pra ele não fazer nenhuma cagada?
Anna riu. – Não. – disse ela confiante. – E você sabe por quê?
Lílian balançou a cabeça, então Anna continuou. – Não vou fazer nada, porque ele tem medo que eu descubra de alguma coisa, portanto se ele fizer algo e não me contar, ele vai ficar com remorso e vai me contar. Ou pelo menos eu espero que ele faça isso. – Lílian fez uma cara de desgosto. – Ta eu sei que é muita presunção minha, mas não tem como eu ficar seguindo ele, não é? Eu estou pela primeira vez confiando nele. Se ele vai considerar isso ou não, aí já não é problema meu... quer dizer é, mas...
- Eu já entendi! – interrompeu Lílian.
Agora eles estavam tendo tantos deveres, que os marotos mal tinham tempo de pensar em alguma coisa sobre Atlantis.
- O que é que os professores acham?! Que férias servem para fazer dever? Caramba meu! Acho que ano passado não era esse abuso de deveres antes do Natal! – reclamava Annabelle enquanto nervosamente rabiscava seu trabalho de Transfiguração.
Quando cansara deste, ela pegou o próximo da enorme lista a sua frente. Pensou por um instante lendo as instruções e disse:
- O que você pôs sobre os... Lily?
Lílian estava em outro mundo. Encarava a janela, o céu lá fora, branco e pálido. Perdida em pensamentos, foi interrompida por uma Annabelle estalando dedos na frente do seu rosto.
- O que foi?? – disse ela meio mal-humorada.
- Terra para Lily! Volte para nós querida!
- Ha ha! Eu estou prestando atenção!
- Ah é claro que estava! Só que não era em mim, né? – falou Annabelle sentando-se mais perto de Lílian tentando enxergar exatamente o que a amiga encarava.
De repente se deu conta que os marotos estavam em sua linha de visão. Fez várias caretas para satirizar antes de começar:
- Você estava olhando tão fixamente para lá? – falou ela apontando na direção da roda dos quatro.
- Sim, por quê?
- Como assim por quê?! Você estava encarando os marotos?! Ou seria melhor dizer um maroto?
- Cala a boca, Anna. Eu estava olhando lá fora. Nada a ver! – infelizmente por mais que isso fosse verdade, Lílian começara a ficar corada.
- Você está ficando vermelha!!
- Por favor, vamos mudar de assunto!
- Está bem. Por que eu estou cheia de trabalhos e você está enrolando no mesmo há uma hora e aparente não tem mais nada pra fazer?
- Porque eu não deixo acumular, oras bolas!
- Simples assim?
- Simples assim! Agora você precisava de ajuda?
- Ok. Eu odeio isso! – falou Anna encarando Lílian.
- Isso o quê? – perguntou Lily confusa.
- Eu estou definitivamente trocando de assunto outra vez!
- Ok... – disse Lily meio assustada.
- Eu quero romance! Quem eles pensam que são? Você não acha que os homens são uns grosseirões, Li?
- Ah! Isso! Bem...
- Você é feliz? Quer dizer, você vê Gideão pouquíssimo e mesmo assim ele faz coisas legais quando vocês se encontram, né?
- Claro que sim! Ele é muito... – Lílian não continuou a frase.
- Mas... ele faz você sorrir só porque ele está sorrindo? Quero dizer, o sorriso dele é tão lindo que você simplesmente sorri também... – falou Annabelle apaixonadamente.
- Ahn... – Lily não sabia o que responder.
- E depois, ele faz os pêlos do seu pescoço ficarem arrepiados? E você fica vermelha quando ele te elogia? E quando ele te toca... você simplesmente se perde num abraço dele?
Lily abria e fechava a boca sem sair nenhum som. Nada disso acontecia com ela. Será que tinha algo de errado? Há algum tempo que vinha sentindo isso... esse vazio relacionado a Gideão.
- Por que você está com Gideão? – perguntou Anna pressionando.
- Porque... eu me sinto segura! – disse Lily meio surpresa de estar respondendo - Eu não acredito que ele possa alguma vez machucar meus sentimentos... – as palavras saíam tão sinceras...
- Mas Lily... – disse Anna cuidadosamente para não assustar muito a guria – Esse medo, essa agonia de sentir que seu par pode te deixar e isso te sufoca e você não pode nem imaginar ele partir... bem... isso é que é a paixão!
Lílian piscava meio perplexa. Perguntas como "Será?" passavam por sua cabeça.
Teria eu me deixado levar só por segurança? Ou seria simplesmente para poder responder ao Potter que não precisava dele? Esses pensamentos fervilhavam na cabeça da ruiva.
- Por que de todas essas perguntas afinal? – disse ela meio brava.
- Nada, Lily querida. Foi meio que um desabafo mesmo. Sabe? Eu não acho que ficar perdendo tanto tempo com as pessoas erradas seja o caminho. É claro que você tem que errar antes de acertar, mas vai perceber logo de cara se é o certo ou não, não acha?
Porém, Lily já havia deixado de escutá-la muito antes de terminar o desabafo.
- Eu vou sair, pra pensar. Já volto! – falou ela sucintamente.
- Claro, Lily! Vai lá. – disse Anna com um sorrisinho. E depois que Lily já havia partido e ela continuava a encarar o quadro da mulher-gorda fechado continuou: - Vai, vai perceber que o seu homem está muito mais perto do que você imagina!
Lily correu até o lago quase sem tomar fôlego.
Por que se enganara a tanto tempo? Por que achara que seria mais fácil viver sua vida sem amar ninguém? Sim... não amava Gideão. Não podia! Começou a chorar e soluçar. Não podia continuar com aquilo. Estava enganando não só a ela... Coitado. Ela queria poder chorar, mas também não era isso. Não conseguia nem ter vontade de chorar.
Como posso estar prestes a terminar um relacionamento e nem pesar o que estou sentindo? Eu sou mesmo tão frívola?
Pegou um pedaço de papel e escreveu um recado rápido. Correu até o corujal num trote desesperado, seu coração enlouquecido...
Plof!
- Ai! – gritou Lily.
Entrara tão afobadamente no corujal que trombou com a pessoa que estava saindo. Ela caiu no chão e a pessoa que ela bateu lhe estendeu a mão para ajuda-la a levantar. Aceitou ainda confusa com o acontecido. Então ela ouviu:
- Eita, Evans! Não olha por onde anda não?
- Tiago!
- O que houve com você? Acho que a batida foi mais forte do que eu imaginava... ta até me chamando pelo primeiro nome.
- Ai... quer dizer, Potter! O que você está fazendo aqui? Um instante atrás você estava na sala comunal!
- Anda reparando em mim, é? – disse ele com um sorriso maroto no canto da boca.
- Não! – se adiantou Lílian ficando de bochechas rosadas. – Claro que não!
- Sei, sei. Bom, eu estou no meu direito de vir até o corujal, sabe? – disse Tiago com cara de óbvio.
- Ok, ok. Agora me dá licença. Preciso mandar minha carta!
Tiago lhe deu passagem como os cavalheiros de antigamente, estendendo as mãos e fazendo uma reverência. Lílian ficou púrpura de novo, mas ficou séria e passou reto. Estendeu seu braço e sua corujinha azul petróleo pousou nele. Ela fez um carinho em sua cabeça e ela piou baixinho.
- Vai Sami! Boa sorte! – falou encorajando a coruja. Piou um agradecimento e voou pela janela próxima.
- Que lindo nome! – Tiago continuava ali, apoiado no batente da porta.
- Por que você ainda está aqui? – disse Lily começando a ficar nervosa.
- A cartinha é pro seu "namorado"? – falou Tiago ironizando a última parte. Lílian respirou e revirou os olhos.
- Sabe... não é mesmo da sua conta.
- O que aconteceu? Ele não é mais seu namorado? – disse Tiago se segurando pra não parecer ansioso.
- Se liga, Potter. Isso não é da sua conta!
Tiago, contendo um sorriso nos lábios, levantou a sobrancelha e disse:
- Você ta terminando com ele por carta?
Como é que ele adivinha tanta coisa? Será que ele é Legilimente? Nãããooo... pensou Lily.
Ela saiu de lá o mais rápido que pode, antes que ele dissesse mais qualquer coisa que a fizesse entregar o que era realmente aquela carta, apesar dele já ter descoberto.
Lílian havia plantado uma sementinha não muito bem vinda na cabeça de Annabelle: "Como você terá certeza que ele não vai te trair até o baile?". Em sua cabeça, ela achava que não ia ter problema nenhum, quando o que ela oferecera a ele era sua máxima confiança, sendo assim, não poderia ser quebrada. Mas, ainda, considerando-o, será que ele tinha tanta força de vontade assim?
Aquilo estava, definitivamente, consumindo-a. Por isso, na quinta-feira, quando ela não conseguia mais resistir o impulso de simplesmente lançar o Feitiço das Pernas Presas em Sirius para poder prevenir qualquer que fosse a situação, ela resolveu grudar nele mais que qualquer goma de mascar da Zonko's.
Mas obviamente ele não poderia perceber que algo assim estava acontecendo. E a espionagem de Annabelle era uma das piores. Não dava nem pra disfarçar um pouquinho. Ela o seguia num raio de dez metros e escondia o próprio rosto atrás de livros e revistas.
Quando ela tinha sua amiga Lílian para ajudar, e não rir da cara dela como ela sempre começava, as coisas ficavam mais interessantes, pois as duas conseguiam tirar conclusões fantásticas sobre o que as conversas de Sirius com qualquer pessoa que fosse poderia significar.
- Explica para mim, de novo, por que a conversa que ele está tendo agora com aquela vaca sem alma não pode ser nada mais do que um simples papo inocente?
- Primeiro de tudo, aquela não é uma vaca sem alma e sim a sua companheira de classe Candice. Segundo porque eu a vi com um menino da Lufa-lufa, ontem mesmo.
- Isso então quer dizer que ela não é uma reque?
- Não. Na verdade, não quer dizer nada.
Lílian ultimamente estava dizendo muitas coisas incoerentes.
- Então voltando aquele assunto de sempre...
- Ah! Olha só a hora! Temos que correr que a aula é de poções!
Anna amarrou a cara. Daria tempo suficiente para chegar lá em 5 minutos.
Fugindo da pergunta mais uma vez, hein Lílian Evans?
- Eu ainda não acredito que você está seguindo com isso! – falou Tiago num sussurro para Sirius para que ninguém mais ouvisse.
- Eu sei, cara. O problema é que eu não estou mais agüentando! Sabe quem está dando em cima de mim agora?
- Quem?
- Aquela gostosona do sétimo ano da Corvinal!
- Wow! – disse Tiago paralisado.
- Eu sei!
- E o que você vai fazer?
- Eu não tenho a mínima idéia... Ei professor! – cumprimentou Sirius alegre ao ver que ele estava muito perto da bancada deles agora.
- Vocês dois parem de falar e façam o que está na lousa!
Ambos acenaram as cabeças e começar a pegar os ingredientes da mochila.
Tiago avistou Lílian pelo corredor e se lembrou de dois anos atrás quando fazia exatamente a mesma coisa que ia fazer agora:
- Oi Lily!
- É Evans, Potter. – disse ela calmamente.
- Está bem, Evans! – disse ele rendido. – Você quer ir no próximo final de semana a Hogsmead comigo?
- Ahn, deixa eu ver... – disse ela, por um momento, pensando. – Não.
- Ah Vamos!! Vai ser legal!
- Não, Potter. – disse impaciente.
- Vai, Evans! É só uma vez e pronto.
- Ta bom então! – falou ela com rosto de anjo.
Tiago levou um puta susto. – Sério?
- Não! – falou ela dando uma risada escrachada.
- Ah, Lílian Evans. Você é realmente má. – disse ele apertando os olhos.
- Não, não sou. Você que não aceita um não como resposta.
- Mas por que não? Eu não sou um cara legal? – disse ele chateado.
É claro que não é! Pensou ela.
- Não! – falou ela brava.
- Ah Lily, um dia você vai descobrir que você me ama.
Lílian ficou vermelha de vergonha e o fez levitar e o pendurou no lustre da sala de aula.
- Li... quer dizer Evans! – disse Tiago alcançando Lílian no corredor.
- O que é, Potter?
- Eu queria saber se você já tem companhia para o baile? – disse Tiago conversando normalmente como se estivesse perguntando ingredientes de uma poção.
- Não, não tenho. – disse ela pragmática.
- Então, você... – disse Tiago fazendo uma pausa dramática pra ver se ia ter coragem de falar. – gostaria de ir ao baile comigo?
- Não, Potter.
- Por que não?
- Porque não vou ao baile. – disse ela continuando a andar e pensando que se fosse sincera ele largaria do pé dela mais rápido.
- Por quê? – disse Tiago assustando.
- Porque não vou poder ir. Tenho outro compromisso.
- Como você marca um compromisso bem no dia do baile de inverno?
- Não posso fazer nada ta! – disse ela virando-se para ele enfurecida.
- Evans, explica essa história direito. – disse ele segurando o braço dela.
- Potter, me solta. – disse ela falando calmamente.
Tiago a soltou e ficou esperando uma resposta. Ela voltou a andar, mas esperou que ele a acompanhasse.
- Pra você ver que eu não sou essa menina má que todo mundo acha que eu sou e já que você foi, eu diria, normal me convidando e não agressivo e ansioso, então eu vou te dar uma explicação.
Tiago ouvia tudo muito atento e ficou contente que ela percebera isso.
- Então, não vou poder ir ao baile, porque só consegui marcar para ver Gideão essa noite. Preciso conversar com ele, e como não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo...
- Mas, espera. Deixa eu ver se eu entendi, você não vai ao baile com ninguém, nem com ele?
- Não. – respondeu ela concisa.
- Mas você vai ficar conversando com ele a noite inteira?
- Não sei... – disse ela impaciente.
- Não... nem me fala não quero ouvir o que vocês ficar fazendo! – disse Tiago pensando no fato.
- Ai, Potter...
- Então está bem. Obrigado por me explicar. – disse Tiago reconhecendo.
Lílian deu um meio sorriso para ele e os dois se distanciaram.
Tiago correu para a sala comunal, onde sabia que Annabelle estava estudando.
- Você é muito esperta mesmo! – chegou ele falando do lado dela.
- Oi, Tiago! Ahn... obrigada? – disse ela confusa.
- Você sabia que ela não iria ao baile.
- De quem você está falando?
- De quem mais pode ser?
- Ah ta. Bem eu não sabia, mas imaginei o que ela pretendia fazer.
- Pois é. Mas muito além disso, você sabia o que eu ia fazer!
- Como assim, Tiago? Eu não sei o que você vai fazer! – disse ela obviamente.
- É, mas eu tenho uma idéia! – disse ele balançando a cabeça positivamente.
- Tiago, você não está fazendo nenhum sentido. – disse ela balançando a cabeça negativamente.
- Não tem problema. Você vai descobrir... depois. Não, talvez eu até precise da sua ajuda... é você será de grande ajuda! – disse ele vagamente.
- Você pode explicar?
- Hoje à noite. Quando todo mundo já terá ido dormir.
- Está bem. Agora, coisas mais importantes, você fez o dever de Transfiguração?
- Ahn... não! – disse ele encolhendo os ombros.
- Ninguém me ajuda também viu!
- Vai ver o Sirius fez! – ela levantou uma sobrancelha para ele. – Ta, isso é totalmente improvável. Mas talvez o Remo...
Tiago chegou cansado da última aula do dia e foi se jogar na primeira poltrona vazia e mais afastada do salão comunal.
- Eu fiquei pensando o dia inteiro. – começou ele quando os marotos se juntaram a eles.
- Nossa – brincou Sirius. – É melhor anotar que você fez isso senão pode esquecer como se faz.
- Está escutando isso? Eu to rindo muito por dentro. – disse ele sarcástico. – Voltando ao que realmente importa, você tem certeza que quer fazer isso? – falou ele se virando para Sirius.
- Do que você está falando? – perguntou Pedro.
- Pontas está falando de Almofadinhas ficar um mês sem ficar com nenhuma garota só para ficar com a Anna.
- Eu só quero dizer que, você realmente acha que ela é tão valiosa? Perder o entusiasmo da Janet é muita coisa! – disse Tiago.
- Eu sei que é. Mas do que você está falando? A conta final do seu mês também não está em superávit que eu saiba!
- Eu tenho uma guerra a ser vencida! Eu preciso me concentrar! – falou ele radiante.
- É só isso que a "Guerra dos Cem Anos contra a Evans" significa pra você? – disse Sirius muito sério agora.
O sorriso no rosto de Tiago desapareceu.
- Eu acho que ele, e eu me incluo nisso, só queremos saber se você está fazendo isso somente para Annabelle ser finalmente uma conquista, ou se você realmente tem sentimentos, entende? – falou Remo tentando acalmar as coisas.
- Ah, você também senhor Remo Aluado! – falou Sirius na defensiva. – Certo. Com quem o senhor vai ao baile? Sabe que até agora você nem deu um pito sobre isso?
Remo ficou escarlate. – Eu vou com a Fletwock.
- Quem? – perguntou Sirius.
- Ah... – suspirou Tiago. – Eu amo a tia dela. – ele falava com voz de sonhador.
- De quem vocês estão falando? – Sirius disse ainda perdido.
- Lisa Fletwock. Lufa- lufa. Quintanista. – descreveu Rabicho. – Sua tia é a famosa amazona dos cavalos invisíveis, Laurentia Fletwock. Gostosa. Esportista, portanto flexível. Odeia vassouras.
- O que? – exclamou Sirius. – Gostosa? Aluado vai sair com uma gostosa? O mundo está mesmo acabando!
- Muito bem, Aluado. Nós estamos mesmo orgulhosos de você! Mas agora você tem que nos contar como isso aconteceu!
- Eu estava na biblioteca...
- Na biblioteca? – falou Sirius chocado. – Eu acho que tenho que começar a ler...
Os outros riram e Remo continuou.
- Aí ela foi me pedir o livro que eu estava usando. E foi quando a gente começou a conversar e viu que tinha algumas coisas muito em comuns.
- O que? Ela também é lobisomem? – despertou Pedro.
- É, Rabicho. Claro! – falou Sirius descartando a opinião do menino. – Então... conta! Já rolou uns amassinhos?
- Almofadinhas! – revoltou-se Remo ainda mais vermelho. – Isso não importa...
- Ai meu Deus! Aconteceu! – riu Tiago. – Na biblioteca mesmo? Aquela Madame Pince consegue ser uma filha-da-puta as vezes. Nunca consegui nada naquela biblioteca!
- Não vou nem comentar. – falou Remo pondo um ponto final ao assunto. – Afinal, você vai mesmo continuar com essa história da Anna sem sacanagem?
- Ai gente! Como vocês são insistentes!
- Falou o maior deles!
- Rabicho, cala a boca. Senhor Fofoqueiro!
- Vocês dois, por favor!
- Aluado, o civilizado.
- Pontas, vai ver se eu estou na esquina!
- Ai, Almofadinhas! A gente só quer saber os seus planos! Temos amigos envolvidos, só isso.
- Está bem. Estou fazendo mesmo o meu possível sabe? Parece que quando você não quer, a tentação simplesmente é muito mais intensa! Garotas que fingiam não ligar pra mim, agora vem me xavecar. Dá pra entender?
- Sério? O que aconteceu Black? Duas semanas de "cinco contra um" já foram muito pra você? - Nisso Annabelle passava pelos marotos para ir ao seu dormitório e escutou a última frase de Sirius. Ela não estava nada sensibilizada pela sentença dele.
- Da onde ela saiu? – disse Sirius após vê-la subir as escadas brava.
- O que é "cinco contra um"?
- Ai Rabicho! Quantos anos você tem mesmo? É o mesmo de dizer que você está socando uma. – respondeu Tiago.
Ele fez que não com a cabeça.
- Pontas, desculpe o nosso inculto amigo. – e Sirius fez o gesto de se masturbar.
- Quem ele pensa que é? – disse Annabelle ao bater a porta do quarto.
- O que aconteceu, Anna? – perguntou Lílian.
- Adivinha? O Sirius imbecil é muito idiota!
- Ahn... – disse ela concordando com a cabeça. Lílian continuava a arrumar seu material para o dia seguinte sem realmente dar muita importância a super descoberta de Annabelle.
- Eu não sei o que eu faço... agora eu estou realmente com medo que a minha idéia saia pela culatra.
- Ahn, com licença. – disse uma menina loira de pijama rosa que dormia ao lado esquerdo da cama de Lílian. – Posso dar minha opinião?
- Claro, Alice! – disse Anna sentando-se em sua própria cama.
- Por que você não faz um ciúme bobo nele?
- Como assim? – perguntou Lílian.
- Saia com outro garoto. Você vai ver o quanto ele vai ficar nervoso.
- Faz sentido, Anna! Boa Alice!
- E se ele simplesmente sair com alguém só pra se vingar do que eu fiz?
- Então você espera ele atingir a idade mental correspondente a você, porque isso seria bem infantil da parte dele. – falou Lílian.
Annabelle concordava com as duas. Mas aquilo a deixava mais insegura do que jamais havia estado antes. Praga de menino bobo que só faz meu coração pular umas batidas.
Cinco dias haviam se passado muito tranqüilos. Annabelle ignorando a mera presença de Sirius bastava para reinar a paz.
Lílian achava tudo muito divertido. Numa tarde se juntou com Remo para caminhar lá fora. A neve estava fofa, mas dava para andar.
- Então, não querendo ser indiscreta, mas já sendo...
- Ah Lily! Você é quase tão ruim quanto os marotos!
- Ei! Não vale ofender!
- Não sei... é estranho porque ela as vezes parece afim e depois simplesmente não está.
- Não seria um freio seu?
Remo olhou sério para Lílian. – Você é definitivamente pior que os marotos!
- Eu estou falando sério!
Annabelle vinha logo atrás correndo para alcança-los.
- Oi! – chegou ela ofegante.
- Ainda fugindo do Black? – perguntou Lílian.
- Claro!
Remo riu. – Vocês são ridículos, sabia?
- Olha quem fala!
- O que você sabe que eu não sei, senhorita Lílian?
- Nada. Assuntos de Remo Lupin.
Annabelle se sentiu super excluída. Fazia tempo que os três dividiam todos os tipos de segredos, mas ultimamente estava meio por fora. Ela não continuou insistindo. Sabia que deveria ser um tanto quanto importante que ela não soubesse ou já teriam lhe contado. Mas então:
- Tem algo a ver com a sua avó, Remo? – disse ela preocupada.
Remo se sentiu muito mal com o que disse, mas sabia que era para o melhor. – Tem. Na verdade, ela está bem, mas está meio que fugindo do país por causa do Lorde Voldemort.
- Ai meu Merlin! Que horror! Droga, ele vem aí! Eu vou pras estufas falar com a Sprout e vejo vocês depois.
Ela se foi antes que Sirius chegasse perto.
- Ei! Aluado! – disse Sirius um pouco zangado.
- O que foi, Almofadinhas?
- Você e Lílian! Vocês estão sabendo alguma coisa se a Anna vai sair hoje com o McLaggen?
Remo fez que não com a cabeça, mas Lílian desviou o olhar.
- Diga-me o que você sabe! – exigiu Sirius.
- Eu não vou te falar nada, Black.
- Nossa! Quanta hostilidade!
- Como você é bobo. Pelo que eu sei da aposta de vocês, nada impede que ela saia com alguém.
Lílian se retirou para o castelo, deixando um Sirius boquiaberto e um Remo risonho.
- Você pediu por isso, você sabe né?
- É, eu sei.
Anna jantou ao lado do artilheiro e conversavam animadamente. Sirius olhava tudo com fúria de cão.
- Ei, Almofadinhas! Cuidado com esse garfo aí! – gritou Tiago. – Você vai furar o Rabicho!
Sirius percebeu que estava balançando o garfo violentamente muito perto de Pedro.
- Foi mal, Rabicho. Eu sou muito idiota mesmo, não é? – falou ele deprimido.
- Sai dessa, cara! Até parece que ela não está fazendo isso só pra te deixar com ciúmes!
- É, eu sei meu caro Pontas, mas o problema é que está dando certo!
- Se eu fosse você, na melhor das hipóteses, eu ficaria totalmente calmo quanto a isso, e fingiria que ela tem toda razão.
- Quem é você e o que você fez com o Aluado? – perguntou Sirius atônito.
- O que? Não precisa fazer essa cara também né? – disse Remo amarrando a cara.
- Desculpa, Aluado. Mas você dando conselhos amorosos é simplesmente... raro. – falou Tiago jogando as mãos para o alto.
Anna voltava para o salão comunal quando avistou Sirius ao pé da escada.
- Ei!
- Ola, Black. – disse ela com a voz cansada.
- Voltando do encontro?
- Sim. – disse ela com um sorriso. – Está com ciúmes?
- Não. – disse ele levantando a cabeça. – Quer dar uma volta?
- Claro, mas tem que ser rápido, já está quase na hora de recolher-se.
- Ah! Não se preocupe tanto! A gente tem isso! – ele tirou a capa de invisibilidade do bolso.
- Ok, então.
Eles andaram até o pátio e se sentaram no segundo banco mais perto do átrio.
- Então?
- Então o quê, Black?
- Como foi o seu encontro, oras bolas!
- Ah... foi legal.
Sirius levantou as sobrancelhas. – Anna, só legal? Fala logo! Quero saber como é estar num encontro com Annabelle Bittencourt!
- Ah meu! Normal... assim, ele não tinha muito papo sabe... a gente ficou falando de... ahn... quadribol e... quadribol! É foi isso! Se algum dia eu não quiser mais falar disso, por mais que isso seja difícil vai ser impossível escutar aquele menino.
- Que droga hein!
- Ah... – ponderou Anna. – Na verdade não! Tipo eu adoro discussões de Quadribol! Tipo ele ficou insistindo que o Holyhead Harpies tinha ganhado o Mundial de 66 e não o Chudlley Cannons. Daí eu disse que isso era impossível e ele falou que não!! Enfim...
- Tá então foi praticamente um "BateBalaço" com Annabelle Bitencourt e Mclaggen.
Anna riu.
N.A: Esse capitulo teve um finalzinho bem chulo, mas o proximo está sendo preparado com muito carinho viu? Espero que gostem...
