Pray for me cause I have lost my faith in holy wars
Is paradise denied to me cause I can't take no more"

"Ore por mim porque eu perdi minha fé em guerras santas
O paraíso me foi negado porque não posso suportar mais"

Igual a você

Nem sempre 'queimar no inferno' é metáfora.

Dor, ardor, agonia.

Castigo divino.

O inferno dos suicidas. Ninguém ouvia seus gritos, ninguém fazia parar. Não havia nada além da escuridão e o fogo divino queimando seu corpo num ardor que não cessava nem diminuía. Sua vida passava diante de seus olhos enquanto as lembranças amargas a corroíam.

Não conseguia lembrar o rosto de sua filhinha.

Apenas as lembranças ruins pareciam aflorar de sua mente delirante. O inferno era cruel. Quente, maldito, eterno e muito cruel.

Carlisle segurou a mão de Esme desejando poder livrá-la da dor. Mordeu o lábio preocupado. Ajeitou os lençóis da cama sem nenhuma necessidade e se inclinou para beijar-lhe o rosto. Deixou seus lábios roçarem pela face dela carinhosamente enquanto ela gemia em sua agonia íntima.

Era bom ter uma mulher na sua cama. Não que ele pensasse nisso com malícia... de jeito nenhum! Mas quando chegara do hospital trazendo Esme nos braços, lhe pareceu o lugar mais lógico para deixá-la confortável. Claro que quando transformara Edward ele não colocou o rapaz para repousar em sua cama, mas esse foi um pensamento que ele tratou de afastar.

O roçar de seus lábios no rosto dela lhe parecia imensamente agradável!

Desceu os lábios um pouco mais, podia sentir o canto da boca dela... tão convidativa. Sentiu um calor se espalhar pelo seu corpo devagar, fazendo-o relaxar. Estava tão próxima a ele. Seus lábios deslizaram sobre os dela, tocando-os, mas não em um beijo. Um toque apenas, nada demais. Nada que devesse se envergonhar.

O doutor levantou da cama em um salto quando ouviu a porta se abrir atrás dele. Edward o olhava parado na entrada do quarto com uma expressão estranha, dividida entre constrangimento, curiosidade e até mesmo um pouco de malícia.

- Eu só estava... – Carlisle gesticulou tentando achar uma explicação decente para a situação, mas seus pensamentos estavam confusos.

Não era fácil mentir para um leitor de mentes... não que ele fosse mentir. Não, nunca. E além do mais ele não estava fazendo nada de errado, nada do qual devesse se arrepender ou se envergonhar. Só que era estranho Edward tê-lo encontrado daquela forma, mas havia uma explicação para isso. Aliais, nem precisava haver. Não era como se estivesse 'abusando' dela ou algo assim. Estava só...

Carlisle virou um pouco o rosto olhando para o outro lado do quarto. Ainda não havia se acostumado a lidar com Edward. Era muito incomodo ter seus pensamentos invadidos. Na maior parte do tempo não se preocupava tanto, ou pelo menos tentava não se importar. Sabia que não era algo que seu filho fizesse por querer ou pudesse controlar. Mas sempre havia pensamentos que não queria dividir, que eram só seus, íntimos.

Esme era um deles agora.

Estava envergonhado na frente de Edward e nem sequer a tinha beijado. Como seria quando a possuísse? Nunca pensara nisso antes, mas agora se perguntava como seria encarar seu filho na manhã seguinte a uma boa noite de luxúria que tanto estava ansiando.

O doutor fez uma careta e massageou os olhos com uma mão, de forma cansada. Não acreditava que havia tido aquele pensamento em frente a seu filho. Era incrível como a ordem mental de "não pense nisso" faziam surgir imagens extremamente constrangedoras em sua mente, íntimas ao extremo. Românticas, carinhosas, quentes e maliciosas. Fechou os olhos com força, mais envergonhado do que jamais estivera diante de Edwad.

- Humm... eh... – o jovem vampiro falou – bem, eu vou sair um pouco... – seus olhos vagaram de Carlisle ainda de olhos fechados para Esme sobre a cama. Voltou a olhar o pai – Caçar...

Carlisle agradeceu mentalmente por Edward ter arrumado uma desculpa para se afastar um pouco. Seu filho sabia o quanto estava sendo difícil para ele ter a mente invadida quando não conseguia controlar pensamentos tão pessoais. Vulgares até.

- Aham... – respondeu ainda de olhos fechados.

Quando ouviu a porta do quarto bater, abriu os olhos e respirou fundo. Teria que se acostumar com isso. Ser um homem casado exigia sacrifícios e esforços...

OoooooooooooooooooO

N.A.:

Estava sem fazer nada, resolvi escrever... (ok, o fato de ter achado a música super Carlisle ajudou). Não é bem um capítulo... está mais para bônus, ou qualquer coisa assim.

u.u

A citação é da música The Truth Beneath The Rose de Within Temptation.

p.s.: sim, vou fazer uma continuação pequena para esse capítulo/bônus ou seja lá o que ele for.

p.s.2: Agradeço aos que comentaram. Valeu!

D