Comprando um Namorado

A crise de personalidade.

Elfo ou bruxo?


Porcaria de enfermaria! Porcaria de enfermeira fajuta! E porcaria de maldição! Ah, e não posso esquecer: porcaria de doces do Potter! Tenho certeza que tinha algo de errado com aqueles doces bombons, até porque eu sei muito bem qual o meu limite e dessa vez eu não passei dele. Doces nunca mais!


Ginny suspirou pela centésima vez e Draco já estava agoniado com aquilo. Por que ao invés dela ficar ali suspirando não dizia logo o que estava acontecendo? Soltou um muxoxo baixo, se recriminando antecipadamente pelo o que ia perguntar.

- Qual o problema, Weasley? – tentou soar o menos preocupado possível, dando um falso tom irritado como se estivesse tão impaciente quanto ela.

- Nada. Só estou entediada – respondeu e o encarou.

- Você não precisa ficar aqui.

- Ah, não, eu tenho que tomar conta do que é meu... – falou com se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo e Draco ficou sem saber o que dizer, chocado demais com o que tinha ouvido.

- Não sou seu, Weasley! – disse rispidamente. "Mas era só o que me faltava".

- Sou sua dona, lembra? Você é um elfo e eu comprei... Os doces afetaram seu cérebro? – perguntou divertida.

- Humpf! – foi o que respondeu, afundando a cabeça no travesseiro. – Não sei por que ainda tenho que ficar aqui? Estaria muito melhor no meu quarto – comentou baixinho.

- Malfoy? – chamou um pouco sem jeito.

- Hum?

- Posso perguntar uma coisa? – mas não esperou por uma resposta. – Esse lance todo da sua maldição tem me deixado bastante confusa, não só isso, mas essa nossa relação elfo e dona... Na verdade o que eu quero perguntar é... bem, é que eu não me sinto muito bem como sua dona, sabe? E realmente não acho que seja essa o tipo de relação que temos, então eu queria saber...

- Não, Weasley, nós não somos namorados – cortou logo de uma vez aquela embromação.

Ginny ficou sem reação. Como alguém podia ser tão insensível daquela maneira?

- Não era isso que eu ia perguntar, seu estúpido! – levantou-se da cadeira ao lado da cama. – Até parece que essa idéia passou pela minha cabeça.

- Sei...

- E quer saber mais? Nunca mais me peça doces, entendeu? Dane-se as suas crises de mau humor – e saiu pisando duro de um jeito para lá de infantil.

Draco quis rir com a cena, mas Madame Pomfrey apareceu vindo da sua salinha.

- Sem doces por um bom tempo, viu Sr. Malfoy? Sua taxa de açúcar está bem alta e vai ter que passar duas semanas tomando essa poção aqui – mostrou um frasco vermelho. – Seu mal estar já passou? – Draco fez que sim com a cabeça. – Então já pode ir.

Levantou-se e saiu da enfermaria. Iria voltar para o seu quarto, era um elfo esperto e sabia que a sua dona não o queria por perto naquela hora.

"Weasley besta! Acha que é minha namorada. Pode? Só estou cumprindo meus deveres de elfo. Droga! Virei um gigolô ou algo do tipo?" Fez uma careta, sem querer mais pensar naquilo.


Ginny sentou isolada em uma poltrona da sala comunal, pensando o quanto Malfoy era insuportável. Estava realmente confusa com aquela situação. Ele ainda não tinha explicado toda aquela história de elfo e não estava sabendo lidar com aquilo. Quando resolveu comprá-lo não imaginava que chegariam ao ponto de se envolver, só queria se divertir um pouquinho, mas eles tinham ido muito além do que ela imaginava.

Só havia um jeito de resolver aquela situação e era isso que iria fazer. Não aturaria mais os ataques de mau humor do loiro, daria roupas para ele e tudo acabaria ali. Sem pensar duas vezes tirou os sapatos e em seguida as meias. Hermione e Ron, que estavam chegando naquele momento para falar com ela, viram a cena, ficando intrigados.

- Por que você está tirando as meias, Ginny? – Hermione perguntou.

- Um presente pro Malfoy.

- Como é? – Ron ficou escarlate de raiva ao ouvir aquilo. – Você vai dar as suas meias pro idiota do Malfoy? Que absurdo é esse, Ginny? Primeiro você sai procurando doces e agora você vai dar as suas meias para ele. Qual o próximo passo? Tirar a roupa...?

- Ronald Bilius Weasley! Cale a merda dessa boca! – Ginny tentou se controlar, o rosto mais vermelho do que o do irmão. – Ele virou um elfo, você se esqueceu? Vou dar meias pra me livrar dele – a expressão no rosto de Ron mudou no mesmo instante.

- Eu sabia, Ginny! Sabia que você ia fazer a coisa certa! – exclamou feliz, enquanto ela voltava a calçar os sapatos agora sem meias.

Ginny saiu bufando irritada com as meias na mão indo à enfermaria. Quando chegou lá, Madame Pomfrey disse que já tinha liberado Malfoy, então ela seguiu direto para o quarto de monitor dele. Nem bateu na porta, disse a senha e entrou encontrando-o deitado na cama, com as mãos pousadas na barriga e os olhos fixos no teto.

- Malfoy! – praticamente gritou o nome dele, mas Draco nem se mexeu. – Tenho uma coisa pra você – só ai ele se deu ao trabalho de sentar e olhá-la. Quando viu as meias na mão dela entendeu no mesmo instante e se levantou rápido.

- Ei, Weasley! Pra que essas meias?

- Um presentinho pra você - disse sorrindo falsamente.

- Não, espera, eu já disse que você não pode fazer isso comigo. Mesmo que eu não goste da idéia de ser elfo é bem pior ser um elfo 'demitido'.

- Problema seu – ela se aproximou, balançando as meias perigosamente.

- Mas eu não quero trabalhar na cozinha do castelo - ele quase choramingou ao dizer isso. – Você tá chateada com o que eu disse na enfermaria? Olha, eu posso explicar!

- Não tô nem ai, Malfoy. Pega logo essas meias e me deixa em paz.

Draco correu para o lado oposto ao dela.

- Você tem que me escutar primeiro. Ser renegado assim é pior do que virar elfo. Eu não vou ter nem pra onde ir!

- Ué, você não ia ficar na cozinha do castelo? – ela sorriu marota. Draco a fuzilou.

- Não posso ficar na cozinha a vida toda! – se controlava para não xingá-la, nem acreditou que estava cogitando a possibilidade de trabalhar na cozinha.

- E por que não? Ou você acha que eu vou te levar pra morar lá na Toca?

Draco a olhou intrigado. Claro que isso ainda não tinha passado pela mente dele.

- N-não... - ele parou pra se imaginar morando no meio de uma ninhada de Weasley. – De jeito nenhum!

- Então eu estou te fazendo até um favor, porque assim que você pisasse lá em casa meus seis irmãos iriam acabar com você – falou divertida, vislumbrando o pânico se espalhar nas feições de Draco.

Ele se jogou na poltrona vendo o quanto sua condição de elfo era miserável. E pela primeira vez parou para pensar em sua nova vida. Por conta de uma maldição ele tinha sido rejeitado pela família, foi posto a venda, tinha sido comprado por uma Weasley e deveria obedecer a ela. Seria assim pro resto da sua vida? Teria que andar com trapinhos e se castigar quando desobedecesse a sua mestra? Olhou para a roupa que vestia. Seus pais tinham deixado-o levar boa parte dos seus pertences, mas e depois quando suas roupas já estivessem velhas e gastas?

E enquanto ele divagava Ginny o observava. Sentia-se desconfortável com sua atitude vendo o garoto parecer tão perdido, no entanto aquela situação estava insustentável. Além de estar confusa sobre o fato dele ser um elfo, estava sem entender o que se passava com eles. Tinham se beijado e até dormiram juntos, mas não tinham de fato uma relação. E pra evitar mais confusão era melhor se desfazer de Malfoy, antes que algo saísse muito errado ali.

- Certo, você me dá as meias e eu vou morar na droga dessa escola pro resto da vida, trabalhando no meio de um bando de elfos irritantes e submissos. Sinceramente, acho que ser morto pelos seus seis irmãos não seria tão desagradável assim.

Ginny não pode deixar de sentir uma pontinha de pena. Sentou-se na ponta da cama dizendo logo em seguida:

- Talvez seja melhor você deixar de ser meu elfo, você pode pedir pra alguma garota ser sua nova dona.

Draco riu sarcástico.

- Tenho certeza que nenhuma iria recusar, mas você acha que a família de uma dessas garotas vai permitir algo assim?

- E você acha que a minha família iria permitir algo assim? – ela perguntou cruzando os braços.

- Você me comprou, eles terão que aceitar. Você não sabe de nada da relação elfo e dono, né? Claro que não, sua família nunca deve ter tido um – Draco apoiou os cotovelos nas coxas e inclinou o corpo pra frente. – Um elfo é de toda responsabilidade de quem o adquiri e ninguém pode fazer isso há não ser o próprio dono dando roupas. Mas quando ele é dispensado, dificilmente ele consegue arranjar outro dono porque passa a ser um elfo desonrado. Nenhuma família bruxa decente iria aceitar um elfo desonrado.

- Eu já disse que isso não é problema meu, Malfoy – já estava ficando nervosa com aquilo, não queria aquele tipo de responsabilidade. - Eu até tentei aceitar essa história, mas ter você como elfo não é lá uma coisa muito fácil.

- Ah, e você acha que é fácil ter virado um elfo? Eu nem sei realmente o que eu sou, Weasley! – ele se levantou nervoso. – Eu ainda nem entendi o que aconteceu comigo. Eu sou um bruxo que virou um elfo, mas ainda sim sou um bruxo. Eu que sempre tive tudo nas minhas mãos, agora tenho que receber ordens – de uma Weasley, acrescentou mentalmente – e ser completamente submisso – avançou na direção da ruiva. – Vamos, Weasley, me dê a droga dessas meias e faça minha vida piorar ainda mais.

Ginny revirou os olhos e jogou a meia no chão.

- Credo! Você precisa fazer esse drama todo? – virou o rosto pro lado, evitando olhá-lo – Tudo bem que não deve estar sendo fácil pra você...

- Você não tem idéia do quanto – Draco não escondeu o sorriso ao ver que ela tinha jogado as meias pra longe. Nada que um pouquinho de drama Malfoy não resolvesse.

- Eu posso tentar achar alguma outra garota que... – ele revirou os olhos e antes que ela concluísse a frase a puxou pelos pulsos e colou os lábios nos dela.

- Esquece isso, garota – murmurou ainda com os lábios colados, antes de realmente beijá-la.

Não podia deixar ela dispensá-lo. Apesar do drama, tudo o que tinha dito não deixava de ser verdade, e bem lá no fundo da sua consciência tinha que admitir que estar com Ginny não era tão terrível assim. Na verdade a sensação que sentia ao estar ao lado dela era extremamente agradável. Claro, que preferia não admitir isso e dizia pra si mesmo que era apenas uma questão de conveniência.

Forçou um pouco o peso do seu corpo sobre o da ruiva, fazendo com que ela deitasse na cama. Desceu os beijos pelo queixo dela devagar, até chegar ao pescoço, apreciando o perfume suave. Ginny alisou as costas dele, fechando os olhos em uma vã tentativa de não se render.

- Ei... – tentou falar. – Espera... eu ainda não... – Draco apertou a cintura dela e começou a desabotoar sua blusa. – Espera, Malfoy! – Ginny o empurrou para que saísse de cima dela. Sentou na cama e olhou um pouco corada. – Tudo bem, você continua sendo meu elfo, mas com algumas condições. – Draco revirou os olhos.

- Eu não tenho outra escolha mesmo...

- Não posso ficar comprando doces pra você, mas também não quero aturar seu mau humor crônico então é melhor você aprender a controlar isso. E a partir de agora nós não vamos mais... mais... – ela começou a ficar vermelha. - Hum, não vamos mais, sabe, nos beijar ou fazer aquelas coisas...

Draco levantou uma sobrancelha sem entender.

- Aquelas coisas? – viu ela desviar os olhos e ficar mais vermelha. – Ah, sim... você quer dizer sexo? Como você é boba, Weasley – ele riu – Quando a gente está fazendo aquelas coisas você não fica assim desse jeito - ela tentou se recompor e o encarou séria. – Não pensa muito nisso não, deixa como está – Draco se deitou na cama, com os braços cruzados atrás da cabeça.

Ginny balançou a cabeça fazendo sinal de negação.

- Você não entende, não é?

- Entender o que?

Ela deu de ombros.

- Deixa pra lá. Eu vou indo, ainda tenho umas lições pra fazer – pegou suas meias largadas no chão, saindo do quarto e deixando Draco um pouco confuso.

Que é que aquela Weasley tinha na cabeça? Primeiro veio com aquele papo estranho sobre o que eles tinham e agora vinha com essa deles não se beijarem, nem transarem. Apesar da situação, essa parte entre eles parecia dar muito certo.

- Talvez seja melhor assim, você mesmo disse que estava parecendo um gigolô – murmurou pra si mesmo. Mas sabia que não era bem sim. Quando beijava Ginny, mexia nos seus cabelos e sentia o perfume dela não fazia aquilo como uma obrigação. Fazia porque gostava. Ela mexia com ele de alguma forma que ainda não conseguia entender, mas sabia que não era ruim. – É, acho que eu tenho uma chance...

Quem sabe ele iria acabar deixando de ser um elfo. Mas será que estava pronto para as conseqüências que viriam?


Acho que cansei dessa brincadeira de dona e elfo. Mas por que é tão difícil me livrar dele? Malfoy parece não ter noção nenhuma do que pode acontecer quando isso deixar de ser uma brincadeira e se tornar sério. Com certeza com toda aquela pretensão dele, deve estar achando que quando se apaixonar e se livrar da maldição vai poder ter sua vida normal de volta. Será que ele não percebe que é ai que as confusões vão começar?
N.A: Olá, pessoas!!! Nem acredito que esse capítulo ficou pronto. E acabei achando ele meio bobinho, mas ao mesmo tempo fundamental com o rumo que eu quero dar pra essa fic.

Obrigada pelas reviews e desculpem não respondê-las, meu tempo anda escasso. Não vou abandonar essa fic, ok, essa nem nenhuma outra, mas é que anda difícil mesmo escrever.

Bjus e té mais!

Nah.

N.B: Aha, se eu fosse vocês comentavam muitoo, assim teremos em breve mais um capítulo maravilhoso de Comprando um Namorado!

Bjossss

Cah