Comprando um Namorado
Desobediência.
A única coisa que eu posso dizer é: a situação é insustentável. Tanto para mim quanto para ele, mas principalmente para ele. Draco não sabe ser elfo, e acredito que isso não seja novidade. Essa atual condição dele de certa maneira está deixando-o sem uma real dimensão da realidade. Será que ele está 'quebrado' ou com algum 'defeito'?Ele não veio com garantia...
Draco não acordou se sentindo bem aquela manhã e dessa vez não tinha nada haver com doces. Há três dias que Ginny vinha evitando-o. No começo não se incomodou, mas um certo mal estar vinha se apoderando dele e algo dizia que tinha haver com o afastamento da ruiva. Não conseguia entender muito bem o que estava se passando com ele e nem porque estava com aquela sensação de que não estava fazendo algo certo.
Sem vontade nenhuma de ir até o salão principal para tomar café da manhã, resolveu que seria melhor ir até a cozinha do castelo e comer por lá mesmo antes de ir para a primeira aula e iria aproveitar para obter algumas informações com um ex-criado. Assim que entrou na cozinha, olhares de desdém foram lançados para ele. Elfos não eram prestativos com outro elfo e ele se viu tendo que arranjar sozinho algo o que comer, aquilo era humilhante!
Quando terminou de pegar algumas fatias de bacon, pães e leite achocolatado, se dirigiu a um canto afastado, onde Dobby estava sentado olhando os outros trabalhar com um sorriso bobo nos lábios.
- Ei, por que você não está trabalhando?
Dobby o encarou, o sorriso morrendo nos lábios. Apertou o abafador que usava na cabeça, nervoso.
- P-pe-pequeno mestre! – esganiçou, mas logo em seguida mudou a expressão de pânico para uma desafiadora. – Dobby, não recebe mais ordens sua!
- Tá, tá eu já sei disso... Perguntei por que você não está trabalhando que nem os outros?
- Hn! Dobby está de folga hoje – respondeu alegre.
- Você tem folga é?
- Aposto que o antigo mestre não tem – Dobby disse esperto.
Draco crispou os lábios.
- Já está sabendo também, né? Então eu vou logo ao ponto. Minha dona anda me evitando ultimamente e eu não venho me sentido muito bem, isso tem haver, não é? - Dobby arregalou os olhos.
- Dobby não sabe. Mas Dobby não se sentia bem quando desobedecia, então Dobby tinha que se castigar, mas agora que sou livre não preciso mais fazer isso. Antigo mestre Malfoyzinho não é livre e tem sempre que fazer tudo que mestre mandar, também não pode tratar mestre mal.
- Disso eu já sei... O que eu não sei é por que ando me sentindo mal! Também não sei o que me deu em vir aqui te perguntar isso, você sempre foi um inútil mesmo – cortou um dos paezinhos ao meio e colocou uma fatia de bacon entre eles. Dobby o olhou concentrado.
- A única coisa que Dobby sabe é que a maldição lançada no antigo mestre Malfoyzinho é muito antiga e tem quem diga que tenha sido ela quem deu origem a nós elfos, como somos hoje.
Draco nem chegou a morde seu pãozinho.
- Você está dizendo que eu vou ficar assim que nem você? – ele se levantou. – NUNCA! Já me basta o que eu estou passando! – depois daquela não tinha nem vontade mais de tomar seu café da manhã. Tinha que dar um jeito na situação o mais urgente possível, talvez o que estivesse sentindo fosse sintomas da sua futura mudança.
Andou depressa até o salão principal, mas nem precisou entrar, Ginny saia com um grupo de garotas do sexto ano. Não disse nada, segurou a mão dela e a puxou em direção a biblioteca.
- Ei! O que deu em você? Quer fazer o favor de me soltar? – ordenou irritada.
- Agora não, Weasley. Preciso que você me ajude em algo – ela parou de andar e Draco tentou arrastá-la. – É algo muito sério, ok? E eu preciso que você me ajude – ele soou tão desesperado que ela achou melhor tentar saber o que estava se passando.
- Certo, eu te ajudo, mas primeiro você tem que me dizer o que está havendo.
Draco respirou fundo e tentou se acalmar.
- Nós precisamos pesquisar sobre a minha maldição. Eu tenho que me livrar dela o mais rápido possível – voltou a puxá-la e recomeçaram andar.
- Pensei que você já soubesse como se livrar dela – disse, mas ele achou melhor ignorar. – Olha, tenho certeza que Madame Pince não vai permitir que a gente fiquei na biblioteca no horário de aulas.
Draco parou ao ouvir isso.
- Droga! Droga! Droga!
- Calma aí, Malfoy! Sei que você não suporta mais isso, mas também não precisa esse desespero todo. Depois das aulas a gente vai à biblioteca e pesquisa sobre a sua maldição.
- Você não entende? Eu preciso saber disso agora!
- E por que essa urgência toda?
Ele cruzou os braços sem saber o que responder
- Não é dá sua conta!
Ginny riu sarcástica.
- É claro que é. Você acabou de me pedir ajuda e eu não preciso lembrar que mando em você, então me conte logo o que está havendo.
- Não vou contar.
- Vai sim.
- Não vou não!
- É uma ordem, Malfoy!
- Não!
- Me conte logo!
- NÃO! – Draco começou a sentir uma sensação desconfortável.
- É uma ordem!
Ele se viu quase falando, mas crispou os lábios para conter as palavras.
- Tô mandando você me contar – ela ordenou impaciente.
- Não! – Draco choramingou, o desconforto aumentando, já podia prever o que aconteceria caso não obedecesse, iria acabar se punindo.
- Me conte de uma... – ela parou ao ver Draco ir em direção a parede, ele não ia fazer o que ela estava pensando, ia? Ele espalmou as mãos na parede fria e... É ele ia fazer o que ela estava pensando. Antes que o loiro batesse a cabeça contra a parede, Ginny o segurou tentando impedir.
- Não, Malfoy, não faça isso! – abraçou ele por trás, tentando afastá-lo da parede. – Tudo bem, você não precisa me contar, eu retiro a ordem – disse assustada. Que porcaria era aquela que estava acontecendo?
Draco estava dividido em entrar em pânico ou se esconder no primeiro lugar escuro que encontrasse e nunca mais aparecer em público. Continuou com os braços de Ginny ao redor do seu corpo, tentando regularizar a respiração, o desconforto começando a passar.
Ginny o soltou um pouco hesitante e fez com que ele virasse de frente para ela.
- Você está melhor? – ele fez que sim. – Nunca mais faça isso. Você me assustou. Se quiser arrebentar sua cabeça faça isso longe de mim – disse um pouco irritada. Tinha achado a atitude de Draco assustadora.
- Você entende agora porque tenho que resolver isso?
- Acho que sim. Você está cada vez mais agindo como um elfo.
"Não só agindo, eu posso me transforma em um." Pensou ainda apavorado.
- Ainda sim não vamos poder ir para a biblioteca. Vá assistir a suas aulas, Malfoy. Na hora do almoço me encontre na lá. Se você irritar Madame Pince agora ela vai acabar te proibindo de aparecer na biblioteca, seja um pouco sensato.
Ele concordou silenciosamente e seguiu para o andar de cima. Ginny o observou se afastar, extremamente preocupada com a situação. Realmente tinham que dar um jeito naquilo ou Malfoy acabaria surtando.
Como tinha dito, Ginny encontrou Draco na biblioteca na hora do almoço. Ele parecia mais calmo e não havia falado nada, apenas folheava os livros procurando por alguma informação.
- Talvez se você me contasse exatamente como essa maldição foi posta em você ficasse mais fácil pra gente descobrir algo.
Draco tirou os olhos do livro e a encarou sem esconder aborrecimento.
- Eu não sei muito bem o que houve. Eu só sei que um trágico dia uma bruxa ridícula achou de se divertir com o único herdeiro da família Malfoy e resolveu que eu deveria ser um elfo. Logo em seguida meus pais me mandaram direto para aquela loja onde você me comprou.
- Por que aquela loja especificamente, teve alguma razão?
- Acho que não – Draco pareceu um pouco confuso. – Acho que mandaram pra lá porque ficava em Hogsmeade, até onde eu sei a intenção era que eu fosse comprado por alguém que fosse de Hogwarts pra que não atrapalhasse meus estudos.
- Exigência dos seus pais?
- Não. Depois que fui amaldiçoado meus pais perderam os direitos sobre mim. A bruxa que me amaldiçoou disse que não queria que meus estudos fossem prejudicados – ele deixou o livro de lado. – Não sei por que ela se preocupou com isso, uma pessoa que lança uma maldição assim com certeza não tem o menor bom senso.
Ginny riu. Claro que para ele era mais importante que a bruxa pensasse em todo o luxo e conforto que ele desfrutava antes ao invés dos seus estudos.
- Acho que a loja e o fato de você ter sido vendido lá a preço de liquidação em pleno dia dos namorados estão interligados com a bruxa que te amaldiçoou.
Ele a olhou interrogativo. Ginny passou o livro que ela estava lendo para ele. Draco viu o nome do livro escrito no canto de cima da página em que estava aberto: "Maldições Bizarras"
Maldição 4.747: A maldição do bruxo-elfo
"Extremamente rara a maldição do bruxo-elfo é mais vista como uma espécie de travessura mágica, do que necessariamente uma maldição. Bruxos acometidos por essa maldição, diferente de elfos normais, apenas obedecem a um mestre, e não a uma família. Alguns relatos dizem que eram lançadas por bruxas com complexo de cupido, já que só bruxos que juravam nunca se apaixonar é que eram amaldiçoados e só quando quebrassem o juramento estariam livre da maldição."
Draco terminou de ler e a olhou desanimado.
- Disso eu já sabia.
- E você não acha estranho a bruxa que te amaldiçoou ter facilitado as coisas para você te colocando a venda no dia dos namorados?
- Deve fazer parte do complexo de cupido dela – ele deu de ombros.
- Justamente! Talvez ela tenha intenção que você se livre da maldição. A gente devia ir lá à loja que eu te comprei e tentar obter informações do vendedor. Aquele seu amigo também virou elfo, né? Deve ter sido a mesma bruxa.
- É, pode ser. Mas isso não nos leva a nada, Weasley.
Ginny soltou um muxoxo, realmente isso não ajudaria muito a fazer com que Malfoy se livrasse da maldição. A única coisa que o ajudaria seria se ele se apaixonasse. Voltou a folhear outro livro e minutos depois achou algo que esclarecia um pequeno detalhe.
"...alguns diziam que era apenas uma travessura. Bruxos amaldiçoados pela maldição bruxo-elfo, não poderiam mudar de donos ou sua maldição não seria retirada, por essa razão era preferível que seu mestre fosse do sexo que lhe atraísse..."
Agora ela entendia porque do desespero dele em não querer que ela desse roupas. Com certeza ele sabia daquela informação, mas achou melhor omitir para ela.
- Sabe, Malfoy, acho que o seu maior azar foi se comprado por uma Weasley. Afinal você nunca vai se apaixonar por mim e nem eu por você – disse sorrindo.
O loiro a olhou um pouco confuso, mas respondeu.
- É, tem razão – disse baixo. – Mas você fala como se o que impedisse fosse os nossos sobrenomes.
Ginny fingiu que não ouviu a última parte.
- Então nós devíamos arranjar alguma garota pra você – concluiu séria e fechou o livro. – Tenho que voltar pra aulas. Amanhã tem visita a Hogsmeade e ainda acho que a gente deveria ir a loja tentar obter mais informações.
- Certo, vamos juntos então, te espero as nove no saguão – Draco disse casualmente. – Vou continuar aqui tentando achar algo.
- Tá – levantou sem dizer mais nada e deixou o loiro ali sozinho entre os livros.
Draco suspirou e abaixou a cabeça na mesa. Estava completamente perdido. Weasley nunca se apaixonaria por ele. Mas não tinha por que ligar pra isso. Ele também não se apaixonaria por ela, certo?
Praticamente foi expulso da biblioteca por Madame Pince. Tinha conseguido passar a tarde inteira ali, escondido da bibliotecária, e ela só o tinha visto na hora de fechar a enorme sala. Levava dois livros consigo que tratavam de maldição e que ainda não tinha visto e quando estava chegando perto do seu quarto foi parado por Blaise.
- Hey, Draco! Como vai?
Draco revirou os olhos
- Considerando que eu sou um bruxo amaldiçoado acho que não preciso responder – Blaise riu.
- Você ainda continua amaldiçoado? Eu já estou livre.
- Como assim está livre? – perguntou incrédulo.
- Bom, eu me apaixonei, então estou livre, mas confesso que quase nada mudou.
- Se apaixonou por quem?
- Pela minha dona – disse como se aquilo fosse o obvio. - Quer dizer, minha ex-dona, agora ela é minha namorada. Achei que você também estivesse livre. Vou indo nessa, Lou está me esperando na sala precisa, sabe – ele piscou e continuou a andar.
Draco continuou parado olhando-o se afastar. Maldito Blaise, só apareceu ali para contar que estava livre e de certo modo fazer inveja. Já ele, tinha certeza que não se livraria nunca da sua maldição. Estaria preso a Weasley até o fim da sua vida e talvez até acabasse virando um elfo completo. Estava completamente perdido!
Paixão. Por que mesmo que eu quis renegar isso antes mesmo de sentir? Acho que nem sei. Eu não estava falando sério quando jurei na frente de Blaise, Pansy, Crabbe e Goyle que nunca iria me apaixonar, e a bruxa maluca que me ouvi jurando isso não devia ter dado credito a algo dito assim. Eu só falei que não me apaixonaria porque não quero me apegar a ninguém. Pelo menos não agora. Não é que eu não acredite nisso. Meus pais se amam, eu sei que sim, apesar deles serem extremamente contidos. Então eu sabia que iria amar a noiva que eles escolhessem pra mim. Meus pais são o exemplo de que amor nasce de convivência e era isso que eu esperava pra mim, alguém que eu aprenderia a amar com um tempo.
Eu iria pular a parte da paixão, é um direito que eu tenho, ou tinha.
Mas agora eu sou obrigado a me apaixonar e não precisa ser muito esperto pra saber que ninguém pode ser obrigado a algo assim. Se eu tivesse que me apaixonar não teria que ser naturalmente? Sem que eu me desse conta?
Mas isso nunca vai acontecer. Estou condenado a virar um elfo completo!
N.A: Estranha a conversa do Dobby e do Draco né? É nessas horas que eu ressalto: essa fic é non sense u.u! E acho que esse foi o capítulo mais non sense até agora. Boas noticias: eu já sei direitinho o que você fazer nessa fic e como vou resolver tudo, então posso dizer que estamos quase (olha que eu frisei) chegando na reta final. Próximo capítulo: não percam um passeio (quase) romântico em Hogs. Será mesmo?
Bjus e não esqueçam de comentar!
N/B: Ah! Cap. fofo!!! Viu, pessoal? Fic comentada é fic atualizada! Vejam só, menos de um mês e outro cap! E não é qualquer cap. Não! É um dos mais fofos do mundo! Mas claro, como eu sempre falo, não se empolguem, o Draco está ali dormindo, na minha caminha, isso mesmo, queridas, ele já tem dona, e sou eu :P Morram de inveja!
