Comprando um Namorado
Desencanto.
Essa vida é mesmo uma piada. A minha vida é uma enorme piada, quem decidiu traçar meu destino devia ter um enorme senso de humor.
Bom, eu ouvi isso em algum lugar...
Mas você já teve a sensação de que tudo conspira contra e à seu favor ao mesmo tempo?Eu vou fazer um pequeno resumo.
Encontro – conversas – doces – e o fim.
O meu fim!
Quando Ginny acordou aquela manhã de sábado não imaginou a reviravolta que sofreria naquele dia. Arrumou-se, com um pouco mais de cuidado do que fazia normalmente, tomou seu café da manhã junto com os outros grifinorios e após escovar os dentes direitinho, seguiu para o saguão ao encontro do seu elfo.
Assim que se posicionou na frente de Draco, com a familiar sensação de borboletas dançarinas em seu estômago, ele a olhou com tanto desanimo, que o sorriso que ela pensava em dar morreu antes mesmo de nascer. A ruiva revirou os olhos e sem dizer mais nada começou a andar, marchando para fora de castelo e sendo seguida por ele.
- E aí, Weasley, você já pensou em uma solução para o meu problema?
- Com esse seu charme transbordando para todos os lados, não vou precisa fazer muita coisa – ironizou, voltando a revirar os olhos. – É só continuar com esse jeito aí indiferente que elas vão vir pra cima de você voando...
Draco deu dois passos, passando a andar lado a lado com ela. Olhou de lado para a garota e arqueou uma sobrancelha levemente curioso.
-Hum, o que você quer dizer com isso? Ainda com a idéia de arranjar uma garota pra mim?
- Pensei que fosse isso que você queria.
- Isso não vai resolver meu problema, Weasley. Não vou deixar de ser elfo assim... você devia fazer que nem eu e se conformar com a situação.
- Você estava em pânico essa semana e agora me diz que está conformado? – parou de andar, virando de lado para poder encará-lo. Não acreditava que Draco tinha se conformado assim tão fácil.
- Coloca uma coisa na sua cabeça – Draco a olhou com um sorriso cínico e falando devagar. – Não vou me apaixonar por nenhuma garota.
Ginny desviou os olhos e crispou os lábios. Como alguém podia ser tão teimoso? Ainda mais quando essa teimosia levava embora sua liberdade?
- E eu não vou aturar você no meu pé pro resto da vida!
- Sério? – ele sorriu e recomeçou a andar. – Bom saber disso...
A ruiva ainda ficou parada durantes alguns segundos, encarando as costas dele. Não havia cinismo naquele sorriso e era impressão sua ou Draco estava agindo como se soubesse de algo?
- Eiiiii! – correu até alcançá-lo. – O que você quis dizer com isso?
- Nada – respondeu com displicência e ignorando o olhar de duvida que era lançado sobre si.
Já tinha decidido que nadar contra a correnteza não iria fazê-lo sair do lugar. Então por que não seguir a favor dela? Talvez, desde o começo tudo estivesse ao seu favor, uma pena ter demorado a admitir isso.
- Temos mesmo que fazer isso, Ron? – Harry perguntou, fazendo uma careta ao olhar para as mãos do seu amigo.
- Estamos fazendo um enorme favor a Ginny, não sei por que você está relutando tanto – resmungou baixo, mas com um estranho brilho de satisfação nos olhos.
- Só que isso é nojento – o moreno voltou a fazer uma careta, ajeitando os óculos e desviando os olhos da mão de Ron.
- E é por isso que vai dar certo!
Assim que chegaram em Hosgmeade Ginny quis ir direto para loja onde havia comprado seu elfo, mas o loiro argumentou que talvez fosse melhor só fazerem isso no final do dia, quando provavelmente a loja estaria mais vazia. Ela concordou meio relutante, achando estranho o fato de Draco continuar passeando pela vila ao lado dela, mas acabou concluindo que devia ser mais um dos 'sintomas' da personalidade de elfo.
No entanto quando se viu em frente a Dedosdemel percebeu a verdadeiras intenções dele.
- Não acredito que você está querendo que eu banque seus doces... – deu meia volta querendo ir pra bem longe da loja, mas viu seu braço sendo agarrado por Draco.
- E o que você costuma fazer em Hosgmeade? Nada mais natural do que vir aqui – arrastou a garota para dentro da loja abarrotada de alunos.
- Céus! Isso aqui está parecendo um forno de tão quente. Devíamos ter vindo na hora do almoço, Malfoy, aí não estaria tão lotado. Ai! – sentiu alguém pisar no seu pé. Draco sorriu maroto e a abraçou por trás, fazendo com que ela virasse o rosto para encará-lo chocada.
- Assim fica mais difícil alguém pisar nos seus pés e facilita pra pegar os doces – deu de ombros, ignorando por completo a feição nada convencida de Ginny. – Oras, Weasley, já fizemos coisas muito mais íntimas.
- Mas não somos namorados pra andarmos agarradinhos desse jeito – se soltou dos braços dele, abaixando o rosto ao sentir as bochechas queimarem.
- Deixa disso... fica mais fácil esconder se você tiver de costas pra mim.
- Olha, Malfoy, se você está agindo assim porque pensa que vai conseguir mais doces, pode esquecer. Eu não vou gastar todo o dinheiro que...
- Sabe o que eu acho, Weasley – ele a interrompeu, cruzando os braços e sorrindo com desdém. – Que você anda meio frustrada esses dias, por isso essa desconfiança toda.
- E por que eu estaria frustrada? Por você ser inútil?
- Hm, eu não colocaria assim. Foi você que decretou nada de sexo lembra?
Ginny arregalou os olhos e voltou a corar ao notar algumas pessoas ao redor que os olhavam.
- Shhiiii, seu idiota – trincou os dentes ao ver que Draco sorria mais ainda, se divertindo com a situação. Ele segurou o pulso dela a levando até os fundos da loja, próximo a prateleira onde ficava os cupcakes e a única área mais vazia da loja. – Ei, eu ordeno que você me solte!
- Dessa vez não vai funcionar – ele a virou de frente para si, o rosto próximo ao da ruiva.
- O-o que? Ei, lembra do que eu disse nada de... – não chegou a terminar a frase, quando se deu conta os lábios dele já estavam colados aos seus. Qualquer possível pensamento de que não deviam fazer aquilo fugiu de sua mente assim que sentiu a língua de Draco massagear a sua com avidez. Por que mesmo que tinha determinado aquela regra estúpida de não se relacionarem daquela forma?
Não se importava mais com qualquer que fosse o motivo, enlaçou os braços ao redor do pescoço dele o trazendo para mais perto. Ele era seu elfo, que se danasse o fato daquela idéia ser descabida. Qualquer garota com o mínimo de juízo que fosse dona daquele elfo loiro e de olhos azuis, já teria feito ele de escravo sexual há muito tempo. Por que ela tinha que se conter e achar que só poderia estar com Draco se fosse algo escolhido pelos dois de maneira livre?
E ao se dar conta disso, ela se afastou bruscamente. Não queria Draco daquela forma.
- O que foi? – Draco ficou confuso durante alguns segundos, mas sorriu em seguida, achando que devia ser mais uma das crises de consciência que a ruiva decidia ter vez ou outra.
- Não desse jeito. Não mais! – murmurou para ele, com os braços esticados pra frente numa intenção de impedir que o loiro se aproximasse. – Não quero você só por que te comprei na droga daquela loja, nem quero você me obedecendo por que é um elfo. Ninguém devia passar por isso.
- Achei que você já tinha evoluído e deixado de pensar isso – comentou sarcástico. – Importa tanto assim essa condição de elfo?
- Você tem todo direito de ser livre e... Que? O que foi que você disse? – Ginny o olhou incrédula, Draco mesmo que parecesse conformado, jamais aceitaria aquela condição.
- Eu perguntei se importa tanto assim eu ser um elfo?
- É claro que importa! – falou um pouco histérica chamando atenção de alguns estudantes. – Você não queria ser um elfo e...
Ele se aproximou, segurando os braços dela.
- Você chama muita atenção, Weasley – repreendeu. – Compre logo os meus doces e vamos resolver essa historia de uma vez.
E automaticamente ela se viu fazendo o que ele disse, pegou alguns doces e chocolates, pagou e saiu da loja sendo seguida por ele. Fosse pelo tom autoritário dele ou pela forma como seus olhos a encaram, mas Ginny sabia que havia dado a resposta errada para Draco. Entregou os doces e seguiram em silêncio para loja onde ele havia sido comprado.
Ao chegarem em frente a loja, ambos pararam, Draco ainda comia um doce e olhou de lado para ruiva, que parecia interessada em algum ponto do chão. Fez menção de entrar, mas assim que deu um passo sua blusa foi puxada e ele se virou para olhá-la.
- Quando você perguntou se importava ser um elfo o que exatamente você quis dizer com isso? – perguntou, soltando a blusa dele e comprimindo os lábios.
- Não quis dizer nada e se você quiser me passar pra outra garota não tem importância, talvez seja melhor mesmo.
- Mas se eu te passar pra outra garota a maldição nunca será quebrada.
- Você sabia disso? – cruzou os braços, sério.
- Eu li naquele livro ontem.
- Então você sabe que a maldição só é quebrada se a pessoa se apaixonar por quem a comprou.
- O que significa que você sempre vai ser elfo – ela concluiu, desviando o olhar. Ele devia ter se conformado por isso, por saber que nunca se apaixonaria por ela.
Draco deu um ínfimo sorriso e descruzou os braços.
- Talvez não – falou um pouco baixo, mas o suficiente pra ser ouvido.
- Como? – Ginny arregalou os olhos e apertou as mãos nervosa, Draco não devia estar falando sério.
- O que eu to tentando dizer, Weasley, é que...
Em frações de segundo, Draco viu sua liberdade ir embora. Enquanto terminava de concluir sua frase uma meia roxa e extremamente nojenta, cheirando muito mal, surgiu do nada nas mãos da ruiva. Não foi surpresa nenhuma quando ela enojada jogou na direção de Draco fazendo com que ele instintivamente a pegasse.
Ele não tirou os olhos da meia que estava em suas mãos, não se importando com o odor desagradável que exalava dela. A única coisa que importava era que Ginny não era mais sua dona.
Ai, meu Merlin! Dei meias pro Draco! Mas o que eu podia fazer? Elas caíram do céu e... e quando eu vi eu já tinha jogado pra frente de tanto nojo. E enquanto limpava minhas mãos na minha saia foi que me dei conta da besteira que tinha feito. Ao levantar o rosto e olhar pra Draco, a expressão que vi no resto fez meu coração doer.
Não segurei a vontade de chorar.
N.A: Como eu sou cruel! Tadinho do Draco...
Em relação a minha demora, acho que eu tenho muito o que explicar, mas na verdade muito pouco a dizer no final das contas. Esse capítulo estava quase pronto desde Outubro. Só faltava esse trechinho final ai de quando a meia nojenta aparece. Pasmem! Eu demorei três meses pra concluir isso.
Não é por má vontade que demoro a atualizar, mas dois fatores precisam coincidir para que isso aconteça: tempo e criatividade. E nesse ano que passou esses dois fatores dificilmente estavam em sintonia. Em relação a cobrança de capítulo, eu não fico chateada. Eu entendo o lado de vocês, afinal eu também leio fics e odeio esperar, então na verdade eu me sinto culpada, mas atualizações não dependem só da minha culpa. E apesar disso, vocês podem ter certeza que eu pretendo terminar todas as minhas fics D/G. Comprando um Namorado, Crazy Love e Delicate são especiais pra mim e cada uma significa algo muito importante. Sinto um prazer imenso em escrevê-las e extremamente feliz com as reviews que vocês deixam.
A fic provavelmente terá mais três capítulos e dessa vez eu vou tentar atualizar com uma maior freqüência.
Ah, e obrigada pelas reviews e desculpem por não poder respondê-las.
N. B: Certo, como vocês eu estou com uma put de uma vontade de matar a autora! Rsrsrs... Mas se lançarmos alguma maldição nela ... Não teremos o fim, então, sejamos pacientes, ok?
rsrsrs
