Capítulo 10 – Um novo dia...

- Você é uma idiota! – berrou a voz na cabeça de Riza – Como é que pode se oferecer daquele jeito?- ela se jogou sobre a cama e esfregou o rosto com força. Havia feito uma grande besteira que não merecia perdão.

- Ele deve estar pensando que eu sou uma oferecida – ela começou a soluçar baixinho – Eu estraguei tudo, droga!

E então, a imagem da "sardenta" surgiu em sua mente. Como poderia competir com a sardenta do sutiã GG? Não tinha nem chances. Ainda mais agora que, provavelmente o coronel Mustang não olharia mais na sua cara.

- A culpa é toda sua! Dezesseis anos e você não tomou nenhuma atitude e agora, quando decide fazer algo, estraga tudo!

Dezesseis anos estando ao lado dele. Ela nem mesmo se lembrava quando foi que começou a gostar dele de verdade. Já havia se adaptado a esconder o que sentia por ele, porque não era oportuno revelar seus sentimentos. Podia ter se arriscado antes mas não teve coragem e agora, pagava por sua covardia.

Ela se ajeitou melhor na cama – Talvez amanha as coisas estejam melhores – E pensando nisso, adormeceu.


No outro quarto, Roy estava esparramado sobre sua cama, completamente acordado.

As imagens não saiam de sua cabeça e sua consciência ficava cada vez mais pesada, ainda que ele não fosse culpado por nada que acontecera naquele momento. Ou era?

Talvez uma brincadeira, ou alguma insinuação que ele tenha feito; em suma, algo que pudesse confundir a mente da tenente e faze-la agir daquele modo.

Fechou os olhos. Má idéia. O gosto da boca dela ainda estava ali, o cheiro dela, o toque da pele dela. Tudo. Bem ali, na memória. De onde ele não tiraria nunca.

- Droga – ele disse, desanimado, enquanto continuava a olhar o teto. Era obvio que não conseguiria dormir aquela noite.


Laura acordou com uma dor de cabeça filha-da-mãe, na manha seguinte.

- Mas por que raios eu tinha que beber? – ela se perguntou, enquanto lavava o rosto com água gelada e se olhava no espelho – Agora fiquei com essa cara de maracujá de gaveta. Droga.

Tum. Tum. Tum (isso é alguém batendo na porta)

- Será que você pode sair desse banheiro, Laura? – gritou Roy, do outro lado da porta, mal humorado.

- Calma, estressadinho! – ela provocou, só porque era extremamente bom provoca-lo – Já to saindo!

Ela ainda ouviu um murmúrio de reclamação do outro lado e sorriu. Ele nunca deixaria de ser "pavio-curto". Ainda demorou mais alguns minutos, apenas para irritá-lo ainda mais. Mas, assim que saiu, se arrependeu, porque a cara do irmão não estava muito amistosa e ela resolveu não soltar nenhuma piadinha para o bem da sua saúde física.

Desceu as escadas em busca de uma boa xícara de café, ou qualquer coisa que a livrasse daquela ressaca maldita;

- Bom dia – ela sussurrou.

- Bom dia, querida – disse a Sra Mustang – Cadê o seu irmão?

- No banheiro.

- E a Riza?- perguntou, sentando-se a mesa

- Não sei – sentou-se também e pôs um pouco de café em sua xícara, para tomá-lo de um gole só – Ai, minha cabeça...

- Tem aspirina no armário – disse – Deve dar um jeito nessa sua ressaca. Francamente, Laura, não sei porque você teima em beber.

- Porque é divertido – disse, como se isso fosse a coisa mais obvia do planeta.

Nesse momento Roy estava descendo a escada, agora um pouco mais desperto. Ele se sentou ao lado da irmã e se serviu de café.

- Bom dia, querido.

- Bom dia – respondeu, de mal humor, tomando um grande gole de café.

Não demorou muito e a tenente também desceu. Seu humor também não estava muito bom, mas ela não estava de ressaca, nem tivera insônia, parecia estar muito chateada com algo. Ela murmurou um "bom dia" e se sentou do outro lado da mesa, longe de Roy, para que não ficasse tentada a fazer alguma coisa incrivelmente estúpida.

- Vó, cheguei! – a voz escandalosa ecoou pela cozinha, fazendo a cabeça de Laura latejar. Então o garoto apareceu correndo e se jogou nos braços da avó – Bom dia, vovó! Bom dia, vovô!

- Bom dia, David – respondeu, beijando-lhe a bochecha.

- Bom dia, tia Laura! Bom dia, tio Roy! Bom dia, tia Riza!

- Bom dia – os três responderam num coro desanimado, que o menino não entendeu muito bem, mas não ligou. Clarisse apareceu logo depois, trazendo a filha pela mão. Ela cumprimentou a todos e se sentou à mesa.

- Tio Roooooy – chamou a menina, de modo meloso – Leva a gente pra passear!

- É, tio. Leva a gente na cachoeira.

O moreno não respondeu de imediato. Ele encarou os rostos pidões dos sobrinhos e suspirou alto – Hoje não, Marin!

- Ah, tio! Por favor! – reclamou a menina. Ela se agarrou ao braço dele e começou a fazer aquela típica manha de criança – Eu quero ir na cachoeira! Vai, tio Roy! Leva a gente lá!

- Ta bom! Ta bom! Mas me deixem em paz por um momento, certo!

- Ê! – gritaram as crianças, em coro – Nós vamos na cachoeira!!!

- Você vai com a gente, né tia Riza?

- Diga que não! Diga que não! Diga que não! – repetia a voz em sua cabeça – Nem pense em aceitar.

Esse era o problema. Ultimamente Riza não costumava pensar muito.

- Ah...não vai dar!

- Ah, tia Riza...não seja malvada! – disse David , fazendo uma carinha de manha extremamente agradável.

- Por que você não quer ir, tia? Você não gosta da gente? – perguntou Marin

- É claro que gosto de vocês!

- Não gosta nada! – ela respondeu, emburrada – Se você gostasse da gente você ia levar a gente na cachoeira!

- Marin. Pare de tentar chantagear a Riza! – reclamou a mãe – Desculpe, Riza, mas quando essa pestinha põe uma idéia na cabeça, é difícil de tirar.

- Esta tudo bem – respondeu a loira, então ela se virou para a menina e sorriu – Então eu vou com vocês na cachoeira, certo?

Marin sorriu e correu para abraçar a tenente – Te amo, tia Riza!

David sorriu pra ela, numa copia infantil e mais fofa do sorriso sedutor de Roy. Com certeza David Mustang seria a copia do tio, quando crescesse. - São parecidos, a não ser pelos olhos. Os olhos dele são verdes e os do Roy são pretos


- Vamos! – as crianças estavam impacientes. Corriam pelo caminho, deixando os dois adultos pra trás.

Na noite anterior, Roy estivera ansioso para falar com ela e agora, toda aquela ansiedade dera lugar a uma insegurança desconhecida.

Ela também não estava muito cômoda caminhando ao lado dele. Fizera isso tantas vezes, tinha que controlar-se. Abriu a boca para tentar falar algo, mas acabou fechando-a sem nada dizer. Repetiu esse gesto algumas vezes e ficou impaciente por não saber o que falar. Estava tão absorta em si mesma, que se surpreendeu ao sentir que lhe tomaram a mão.

David Mustang a estava puxando pela mão enquanto sorria – Vem, tia Riza. Se você não andar mais rápido, não vamos chegar nunca!

Ela ainda olhou discretamente para Roy, que estava sendo puxado pela sobrinha, antes de se deixar levar e começar a andar mais rápido.


- Vamos mergulhar da pedra! – gritou Marin.

- Nem pensem nisso! – reclamou Roy, sentando-se no chão.

Mas de onde essas criaturas tiram tanta energia? Era o que Roy estava se perguntando. Vieram correndo por praticamente todo o caminho, subiram algumas pedras e ainda tinham energia para correr, mergulhar e apostar para ver quem nadava mais rápido. Enquanto ele estava completamente esgotado. Olhou discretamente para Riza e esfregou o rosto com força.- Pare de olhar pra ela, idiota! – aconselhou uma voz dentro da sua cabeça.

Parar de olha-la? Ta bom, como se isso fosse possível! – Humpf!

- O que foi? – Roy virou a cabeça para olha-la. Ela não havia se mexido, embora estivesse falando com ele.

- Nada – ele fixou sua atenção nos sobrinhos, ainda agitados, jogando água um no outro e gargalhando.

- Tio, entra na água! – gritou Marin – Brinca com a gente!

- Depois.

- Ah, depois não! – disse a menina. Ela parecia disposta a fazer de tudo para conseguir o que queria, e o que queria era brincar com o tio.

- Viu?Todos os Mustangs são iguais. Nascem com a mesma essência. – disse a voz na cabeça de Riza, e esta sorriu. Eram encantadores e determinados por natureza. Ela observou a menina convencer o tio a brincar com eles. Então o viu despir-se e ficou vermelha ao perceber que o olhava com desejo. Céus. Estava ficando cada vez mais tonta.

Ela os observou, em silencio, enquanto tentava manter-se raciocinando normalmente.

Que tipo de idiotice estava fazendo? Estando tão vulnerável e exposta a ele. Ao que ele provocava nela. Mas, droga, não podia deixar de admira-lo.

- Está tão apaixonada, que começa a ficar patética!- repetia a voz, ainda que Riza não desse importância ao que ela dizia.

Um pouco afastado dela, o pequeno Mustang a olhava intrigado – Tio Roy, você brigou com a tia Riza?

- Por que esta perguntando isso?

- Porque ela esta triste. Por que você brigou com ela, tio?

- Nós não brigamos, David – respondeu o moreno – A tia Riza só está um pouco chateada.

- Já sei! Por que você não da uma flor pra ela, tio? – sugeriu o pequeno – O papai sempre da uma flor pra mamãe quando ela está triste e ai eles se abraçam e ele diz que ama a mamãe e ela volta a ficar feliz. Faz isso também! Ai a tia Riza vai ficar feliz e vai vim brincar com agente!

Flores? Pra Riza? Certo, não parecia uma idéia tão ruim assim mas...o que ela acharia disso?

- Outra hora.


- Cansei! – exclamou Marin, jogando-se ao lado da tenente – Tia Riza, posso fazer uma pergunta?

- Pode.

- Você vai casar com o meu tio Roy?

Riza olhou perplexa para a menina. Aquela pergunta a pegara totalmente desprevenida. E agora? O que ela ia responder?

- Que...quem te disse isso? – gaguejou ela.

- Ninguém. Mas eu pensei que você ia casar com o meu tio, porque ai eu ia poder ir na sua casa pra brincar com você!

Riza não pode evitar um sorriso. Aquela menina era tão encantadora – Não. Eu não vou me casar com o seu tio.

- Por que, tia? Você não gosta do meu tio Roy?

- Não é isso. É claro que eu gosto do seu tio Roy. Mas eu não vou me casar com ele.

- Mas a minha mamãe disse que quando duas pessoas gostam uma da outra, elas se casam. O meu tio não gosta de você?

- Eu não sei, Marin.

- Eu acho que ele gosta de você sim. E eu também gosto de você. E ai, quando você casar com o meu tio e quando você tiver bebes ai eu vou te ajudar a cuidar deles, ta bom?

Riza soltou uma gargalhada – Ta bom.


N/A: Okay, Okay. Veeeeeeeja. Demorei mas atualizei...e então, nao rolou barraco, ninguem morreu afogado na cachoeira e...Roy e Riza? Nao se acertaram ainda...mas do capítulo que vem nao passa! Juro!

Eu queria muiiito responder as reviews uma por uma, mas eu estou atrasadérrima pra ir pro colégio. (São 13:30 e eu entro as 13:00) Juro que na próxima atualização eu respondo voces direitinho, como manda o figurino.

Muito obrigado a todos que estão lendo, perdoem se tiver alguns errinhos e, deixem reviews por favor!!!

Beijao pra todos vocês,

Nos vemos na próxima atualização, que, queira Deus, saia antes do mes que vem!

Lika Nightmare.

PS: Feliz Dia das Crianças. E Feliz Dia do Professor (Ps2 Colocou isso só porque é professora...U.u)