Capítulo Quatro: Encontro Duplo

Era visível a mudança no humor e no astral do jovem garoto Uchiha após as portas do elevador se fecharem. "Talvez eu passe a andar mais de elevador de agora em diante". Correu para seu escritório, juntando toda a força que ainda sentia ter, e começou, empolgado, a trabalhar no criptograma que demorara tanto a traduzir até ali. Entretanto, era tamanha sua determinação, que mesmo estando resfriado e se sentindo fraco, sua mente fluía muito mais agora do que nos dias anteriores. Sentia-se bem. Tinha um estranho calor dentro do peito. Não soube o que era, mas qualquer um com certa noção saberia a natureza daquela sensação. Era a paixão transbordando do peito dele.

As horas passavam como minutos, e por mais que estivesse cedo na hora que começara a sua realizar sua atual função, ainda faltava uma parte significativa até o término da tradução. Mas, diferentemente do resto do tempo, naquele dia pareceu não se importar com o fato de o seu trabalho estar durando eternidades, afinal, tinha um encontro com Hinata na hora do almoço e também sabia que ia comer a tão famosa comida caseira que sempre quis provar. Nunca soube cozinhar, na realidade. Sobrevivia comendo fora, já que detinha uma pequena fortuna, fruto de muito trabalho árduo e de nível exemplar, já que nunca na história da vila houve alguém que tivesse concluído o feito de Sasuke: O único a não falhar em missão alguma, seja sozinho, seja em grupo. Era o melhor, e sabia disso.

Faltavam trinta minutos para seu intervalo de almoço, e graças a um esforço divino, "Passei a acreditar em Deus, mas... Quando?", aumentou seu ritmo, o que lhe proporcionou exatamente o que tinha dito a sua superior. Terminara a tradução antes da hora do almoço e já tinha pegado tudo para entregar a Tsunade, quando notou o quão eufórico estava por um fato tão banal em sua vida. Parou um momento, ficando em pé, no meio de seu escritório, a pensar. Estava perplexo em como a mera possibilidade de ver uma pessoa especial o fazia mudar de aspecto e humor tão rapidamente. "Então era assim que a paixão agia no emocional das pessoas", concluiu, ao fechar a porta atrás de si e correr pelas escadas para entregar o resultado do criptograma.

Bateu na porta da sala da Hokage, e foi autorizado logo em seguida a entrar. Abriu a porta um Sasuke completamente diferente do que tinha fechado a mesma porta horas atrás. O espanto da mulher loira atrás da escrivaninha em ver tal alteração de humor só não foi maior do que a surpresa em ver algo que nunca antes na história da vida desse rapaz tão castigado pelo destino alguém viu: Uchiha Sasuke estava sorrindo! Assim que olhou para o rosto do jovem, virou-se de costas para ver se ia chover. O rosto de Tsunade mostrava que algo nele estava a assustando, mas decidiu ignorar e entregar seu trabalho.

- Aqui está, Tsunade-sama – disse o garoto entregando o fruto de seu esforço máximo – Tudo pronto, como eu disse.

- Ah... Certo – o estado de apreensão da Hokage era tamanho que mal podia falar.

- Algo errado? – indagou o rapaz sem resistir.

- Veja você mesmo – respondeu a mulher, entregando-o um espelho.

Agora entendia o motivo de tal espanto. Seu sorriso ia de uma orelha a outra, mostrando seus dentes brancos. Ele estava sorrindo, o que surpreendeu a Hokage, e mais, surpreendeu a ele mesmo também. Nunca pensou que fosse capaz de sorrir dessa forma. Seu rosto emanava felicidade e alegria. Ela o estava mudando, definitivamente. Lentamente, o rapaz apático e frio que todos conheciam aprendia o que é a sensação acolhedora e eufórica do amor, e ao que parecia, estava gostando disso. Começou a se perguntar se tudo poderia melhorar.

Hinata, ao ver o rosto do jovem Uchiha desaparecer frente às portas metálicas do elevador, não pôde evitar, senão corar violentamente. Nunca antes havia sido chamada para almoçar com alguém, salvo sua família e parceiros, e agora, como se fosse por mágica, ia almoçar com o cara mais polêmico, disputado e, obviamente, bonito de toda a vila. O que será que as pessoas pensariam? Seria ela invejada? Começou a ser bombardeada por dúvidas, milhares delas, que enchiam a pobre cabeça da jovem que sempre fora a desprezada. Agora ela tinha um almoço com alguém, e sentia-se feliz por dentro. Novamente as portas metálicas, que antes fizeram Sasuke desaparecer, agora se abriam, revelando o andar onde ficaria.

Chegou em seu escritório, e olhou para o relógio na parede. Ainda faltavam algumas horas até que chegasse o momento em que reencontraria o jovem gentil e carinhoso que apenas ela conhecia. O Uchiha Sasuke que nunca se revelou, talvez por medo, talvez por vergonha. Só sabia que hoje, que tinha tudo para ser um dia como outro qualquer na vida daqueles dois, seria diferente. Talvez estivesse imaginando muito, indo além das verdadeiras intenções do rapaz. Nunca teve interesse por nenhuma garota, a probabilidade de não estar interessada nela era muito alta. Mas isso não a impediu de sonhar durante toda a manhã.

Como não houve muito que fazer até o momento, a jovem Hyuuga apenas se deixou voar livremente dentro de sua cabeça, despertando a curiosidade de seus dois parceiros, Shino e Kiba. Shino era um rapaz enigmático, sempre trajando longos casacos, e ocultava seus olhos por meio de óculos escuros sempre que possível. Kiba era o contrário de Shino, pensava pouco, agia mais. Tinha cabelos castanhos, curtos e pele queimada de praia, que era um de seus hobbies. Sempre vestido de forma simples, normalmente calça jeans, camisa e tênis, naquele dia não era exceção. Na verdade só não se vestia assim quando saía em missão.

- Ei, Shino – cochichou Kiba para seu parceiro ao notar que mais uma vez Hinata estava parada olhando para o nada – O que será que a Hinata tem? Ela ta muito estranha hoje.

- Ainda bem que não dependemos do seu cérebro pra que esse time sobreviva – disse Shino, seriamente. Ele nunca brincava, e nem sorria – Isso é mais do que óbvio. Ela ta apaixonada. Finalmente esqueceu o Naruto, mas nos resta descobrir...

- O que?! – exclamou Kiba, tão alto que tirou Hinata de seus sonhos.

- Imbecil... – murmurou Shino ao notar a expressão confusa no rosto da jovem.

- O que houve, Kiba-kun? – indagou Hinata, pegando o garoto de surpresa.

- Ah... Nada não. O Shino que me contou uma piada – respondeu Kiba, com um sorriso amarelo. Sua sorte era que Hinata estava tão desatenta naquele dia que se esqueceu do fato que Shino nunca brincava, ria, ou expressava qualquer tipo de bom humor. Suando frio enquanto olhava para a garota a sua frente, torcia para que engolisse sua desculpa e voltasse a sonhar. Hinata murmurou algo do tipo "Certo, então", e voltou a olhar para o nada, concentrando-se em seus pensamentos.

- A sua sorte – cochichou novamente Shino – é que ela ta completamente perdida hoje.

- Por que diz isso? Foi uma desculpa bem convincente – respondeu o jovem de cabelos castanhos com a mão atrás da nuca.

- Na verdade você sabe que eu nunca brinco, Kiba – e ao ouvir as palavras de seu amigo que Kiba deu-se conta de que tinha sido uma tremenda sorte Hinata não ter percebido nada.

- Certo, Shino, você venceu. Mas continuando – o garoto fez um gesto com as mãos como se dissesse "vamos, prossiga".

- Bem, falta apenas nós descobrirmos de quem se trata toda essa distração – e juntos resolveram averiguar.

Faltavam trinta minutos para o almoço, mas o estômago de Hinata estava embrulhado. Não era fome, e sabia disso. Estava ansiosa. Contava os segundos para o término de seu primeiro período do expediente. Sem suportar mais a espera em sua sala, levantou de sua cadeira, indo até a porta.

- Meninos, eu vou sair mais cedo pro almoço, tudo bem por vocês? – perguntou a jovem com um sorriso no rosto. Não era natural vê-la sorrindo assim.

- Bem, o dia hoje ta calmo, acho que nós vamos também, ne, Kiba? – disse Shino.

- Verdade! Que acha de almoçarmos juntos? – sugeriu Kiba.

- Sinto muito, meninos – respondeu Hinata – tenho um compromisso hoje. Inadiável. – e saiu, fechando a porta atrás de si. Os dois fitaram a porta fechada, ambos absortos em seus pensamentos, até que compreenderam o que esse tal "compromisso" era, na verdade. Ia se encontrar com o cara por quem tinha se apaixonado. Curiosos, os dois decidiram ali mesmo que iam descobrir quem era o rapaz misterioso que roubara o coração de sua parceira.

Sasuke tinha finalmente concluído aquela tradução importantíssima para a segurança da vila. Olhou para seu relógio de pulso e constatou que faltava pouco mais de meia hora para o início do horário de almoço. Mas algo o incomodava. Não podia aparecer sorrindo assim na frente de todos. Isso poderia causar o caos total entre os habitantes do vilarejo. Dera sorte de só ter sido visto sorrindo pela Hokage em pessoa, e não necessitava que ninguém mais visse seu sorriso, exceto por ela. Só a simples lembrança de seu nome já o fazia sorrir. Seria difícil não sorrir em público, por mais que se esforçasse.

Segurando, a muito custo, um sorriso muito intenso que exibiu na sala de Tsunade, causando o espanto total da mulher, o Uchiha desceu as escadas, lentamente, numa tentativa de resistir ao impulso de sorrir. Ao fim das escadarias já estava com seu semblante sério novamente, apesar da imensa felicidade que sentia no momento. Foi andando até chegar à recepção do edifício, onde, para sua surpresa, a encontrou sentada num dos sofás que foram convenientemente postos ali para acomodar aqueles que aguardam por algo ou alguém. Não se conteve, e ainda nas sombras do corredor das escadarias, recostou-se na parede e passou a admira-la um pouco mais.

Foi só então que notou que Hinata não era linda apenas de costas. Tinha seios fartos, e um porte de uma princesa. Sabia muito bem que ele era o melhor em todos os aspectos, mas não conseguiu deixar de pensar que talvez não fosse digno de tal beleza. Começou a duvidar se as mãos que já tiraram tantas vidas seriam capazes de entregar amor. A euforia transformava-se rapidamente em insegurança. Sua vontade de sorrir desapareceu, dando lugar a uma inquietude e incerteza. Nada o fazia melhorar, até que ficou trêmulo. Era ridículo tudo aquilo que estava passando. Ele, que sempre fora o mais frio, agora se deixava perturbar pela perspectiva de um encontro. Tomou coragem e foi caminhando até ela.

Sentada num dos sofás, perdida em pensamentos, Hinata foi acordada ao notar Sasuke andando em sua direção. Admirou-o por alguns instantes, o cabelo negro, de tamanho médio, jogado ligeiramente para trás. Os olhos negros que a faziam se perder dentro de si novamente focados nela, os ombros largos, o peitoral definido, as pernas másculas. Tudo nele, segundo ela, era perfeito. E sabia que algo ia acontecer, podia pressentir.

- Olá, Hinata-san – disse Sasuke, corando ligeiramente.

- Ah, olá, Sasuke-san – respondeu a jovem, levantando-se, já corada.

- Bem, vamos? – indagou o Uchiha, e logo os dois foram.

Mal sabiam os dois que detrás de uma planta particularmente grande, estavam Kiba e Shino, ambos boquiabertos com a cena que acabaram de presenciar. O queridinho de Hinata era nada mais, nada menos, que Uchiha Sasuke. Mas algo nele os fazia acreditar que pudesse dar certo. Ele tinha um semblante diferente, um jeito mais tenso e menos apático do que geralmente era. Já tinham descoberto o que queriam, não fazia mais sentido ficar ali, apertados. Shino saiu dali, seguido de Kiba, os dois ainda incrédulos com o que viram. Olharam em volta, apenas uma pessoa compartilhava do que pensavam, essa pessoa era Shizune, que estava na recepção, tão boquiaberta e sem ações quanto os dois rapazes que ali estavam. Shino, por se preocupar com Hinata, resolveu fazer um trato com os dois que tinham visto aquela cena junto com ele, de manter em segredo até que os dois decidissem expor tudo, afinal, não cabia a eles decidir se aquilo ia a público ou não e sim ao casal.

Andavam lado a lado, com uma certa distância um do outro. Os dois compartilhavam da mesma insegurança, tão característica de Hinata e tão esquisita a Sasuke. Por sorte, os dois sempre almoçavam no mesmo restaurante, o que facilitou muito a escolha. Logo que avistaram a casa pintada de marrom, com a porta coberta por uma pequena cortina branca escrita "Restaurante dos Irmãos Akamichi", os dois se entreolharam. Sabiam que era o melhor restaurante de Konoha, e entraram juntos no recinto. Por sorte tudo estava vazio ali, então pegaram uma mesa mais escondida num dos cantos, e logo o garçom vinha pegar seus pedidos.

Tendo sido os pedidos devidamente anotados, o garçom saiu, deixando os dois a sós. Inicialmente, cada um estava aflito, esperando que o outro começasse a conversa, afinal, sabiam que mesmo que tivesse sido bem inusitado aquilo ali era um encontro. Tanto Sasuke como Hinata coravam, cada vez mais ao olharem um para o rosto do outro. Até que Sasuke não resistiu. Estando ali, completamente sozinho com a garota por quem estava apaixonado, esqueceu-se da tensão inicial, mostrando um sorriso excepcionalmente feliz.

- S-Sasuke-kun... Você ta… - o sorriso do jovem era motivo de espanto até para a garota em sua frente. Mas, por algum motivo, o espanto foi apenas momentâneo, dando lugar a um sentimento de segurança. A partir daquele sorriso, ela compreendeu o que se passava na mente daquele que a olhava com aqueles olhos negros tão desejosos. Nunca pensou que viveria para ver seu momento de felicidade chegar, mas agora sabia. Era ele.

- Eu sei, não faz muito o meu feitio, mas... O que se pode fazer? – respondeu o Uchiha. Dali em diante, os dois começaram a descontrair e conversar sobre assuntos banais da vida de cada um, porém ambos tinham na cabeça o que sentiam pelo outro. E, sem saber, compartilhavam isso. Aquele momento marcou a vida dos dois, que mal sabiam que estavam sendo correspondidos em cada olhar, cada sorriso, cada rubor. Mesmo após a comida ser servida, continuaram a conversar enquanto comiam. Hinata, que tinha o hábito de comer em silêncio, agora escutava mais do que falava, mas ainda assim prosseguia em sua tentativa de conhecer melhor o jovem misterioso de nome Uchiha Sasuke.

Ao fim do almoço, ambos pareciam satisfeitos de corpo e alma. Sasuke explicara minuciosamente a localização de sua casa, para que assim Hinata pudesse ir visitá-lo naquela noite, e preparar para ele a canja que agora esperava ansiosamente. Voltaram juntos para o trabalho, tentando disfarçar o que houve. O resto do dia de trabalho dos dois foi monótono e passou rapidamente, já que ambos sonhavam acordados, imaginando o que aconteceria mais tarde.

Terminava o expediente, e assim, a espera dos dois pelo fim de suas obrigações. Partiram separados, sem sequer se esbarrarem na saída, pois Hinata, ao notar que finalmente seu horário de trabalho terminara, saiu correndo, deixando seus parceiros abismados com a repentina mudança de comportamentos da garota.

Já tinha planejado todo o seu dia. Ia fazer compras para obter os ingredientes, depois voltaria para casa e ia se arrumar, pois provavelmente já estaria na hora de ir para a casa de seu amado. E tudo correu bem, na verdade. Comprou todos os ingredientes frescos, afinal, muitos diziam que um homem se fisga pelo estômago, e ela queria comprovar essa teoria. Ia dar o melhor de si, sem dúvida.

Chegou em casa e rapidamente foi tomar um belo banho. Estava com tempo de sobra, graças ao costume de fazer as compras sempre que possível, e isso a ajudou na hora de escolher bem os ingredientes. Arrumou-se em seu melhor estado, pôs um suave perfume, um vestido branco, justo em seu busto, largo abaixo da cintura, que combinava perfeitamente com seus olhos perolados, que brilhavam com a expectativa de algo mudar em sua vida. Avisou rapidamente a sua família que chegaria tarde e partiu.

Sasuke foi para casa, caminhando tranqüilo. Por ser uma pessoa sem muitos afazeres fora do trabalho, sempre mantinha tudo em ordem, logo não precisava se preocupar com o estado de sua casa para que recebesse visitas. Apenas voltou para seu lar, esperou algum tempo, ansioso sem dúvida, e foi se arrumar, tomando um banho e pondo as mesmas roupas neutras de sempre, com exceção que sua camisa era mais justa ao corpo, o que realçava sua musculatura.

Agora era questão de tempo. O resfriado, motivo pelo qual Hinata vinha visitá-lo, já estava curado, e ela sabia disso, pois esteve com ele na hora do almoço. Mesmo assim, decidiu por vir até ele. Sabia que era sua chance e não podia desperdiçar. Tentou preparar-se psicologicamente, em vão. Passou a curtir a ansiedade de cada segundo, até que seu coração quase parou ao toque da campainha. Era ela, e estava linda, radiante como o próprio sol, invadindo a noite na vila de Konoha.

Corados, os dois se cumprimentaram e logo Hinata estava na cozinha, já preparando a comida. Trazia consigo uma bolsa, com vários ingredientes que Sasuke julgou serem necessários para a comida, mais um avental, que ela pôs assim que ligou o fogo. Ele estava na sala, aguardando ansiosamente, mas sabia que não ia agüentar. Era algo que sempre foi mais forte do que ele, bastava agora saber se render a isso.

Foi até a cozinha, parando na porta. Ficou por ali mesmo, quieto, apenas admirando aquela figura de pura caridade e completa pureza, preparando uma refeição provavelmente apetitosa para ele. Notou o uso do avental. E também percebeu que aquilo a fazia ficar muito sexy, mais do que já a achava até o momento. O cheiro que a panela exalava era delicioso, e Sasuke arquitetava um plano malicioso em sua cabeça.

Sem dizer nada, se aproximou, ainda em silêncio, até ser notado por sua convidada.

Ela perguntava se havia algo errado, ele respondia que gostara do cheiro. Ela corou ao ouvir o elogio, como sempre fez. Ao passar dos anos foi vencendo sua habitual timidez, mas ele a fazia ter uma recaída. Sabia que era seu coração que tinha trocado de dono, fazendo-a esquecer o sofrimento da perda de uma paixão infantil, para viver uma paixão atual, por alguém maduro.

- Sasuke-san – disse Hinata – Quer uma prova?

- Hmmm... – "Ótimo, tudo indo como o planejado" – Eu bem que gostaria.

Pegando uma colher, Hinata abriu a panela. Mergulhou o talher, pegando apenas uma pequena porção do caldo suave e vermelho que estava ali, ainda sendo preparado com o maior amor e carinho que podia ter. Passou a colher para Sasuke, tocando sua mão, inevitavelmente no processo, o que fez os dois corarem. Ele pôs a colher na boca, exclamando de prazer assim que sentiu o gosto tenro e suave daquilo que Hinata preparava apenas para ele. Especialmente para ele.

O garoto se aproximou, seus corpos quase colados. "Ta uma delícia", falou, até que seus olhos se encontraram. Sasuke viu tudo o que precisava no olhar de Hinata, o amor estava tão transparente como a água que cai de uma cachoeira. Ao mesmo tempo, a jovem Hyuuga deixou-se perder novamente nos olhos negros que agora a fitavam, com um semblante amoroso, muito incomum para o dono daquele olhar tão penetrante. Era agora, e sabia disso.

Lentamente os rostos dos dois foram se aproximando, suas respirações numa mescla tão aguardada, seus lábios se encontraram. Tudo começou com um beijo simples, mas que rapidamente foi inflamando, quando Sasuke foi com sua língua tocando os lábios doces e carnudos de sua amada, pedindo passagem para que explorasse a boca que tanto desejara beijar. Logo os dois estavam ali, em pé, enroscados num beijo longo e apaixonado, que por dias sonharam, até que finalmente interromperam tudo, em busca de fôlego. Seus olhares se encontraram, seus rostos coraram violentamente. Sasuke sabia que era a hora da verdade.

- Desde aquele dia, soube que você era diferente, mas nunca soube a razão de te tratar de maneira tão diferenciada. Agora eu sei! Hinata – e fez uma pausa, esperando que ela mostrasse que desejava ouvir o resto. Pôde ver tudo em seu olhar – E-eu... Eu amo você!