Capítulo Seis: Ciúmes?
A resposta de Hinata era tudo que ele precisava. E agora que a tinha, sabia que não sairia machucado daquilo tudo, e agradeceu por isso. Mas não teve tempo de sentir alívio, já que estava envolvido num beijo apaixonado. Seus braços envolviam sua namorada, fazendo-a recostar-se em seu peitoral definido e forte. Só naquele momento percebeu que ele era um tanto maior do que ela, o que criou o aspecto de fragilidade na mente do jovem Uchiha. Fragilidade essa que o fez jurar a si mesmo de protege-la e ama-la até quando pudesse. "Que seja eterno, enquanto durar", repentinamente, os dois desconectaram seus lábios um do outro.
Ele a abraçou, querendo apenas sentir-se próximo dela, ter o vazio de seu peito preenchido. Sua vida solitária e fria acabava de ganhar um sentido, e ao perceber que talvez estivesse abraçando a mulher de sua vida, maior foi a felicidade que preencheu seus olhos com as mais puras lágrimas de alegria. Por mais que pensasse que não fosse algo digno de um homem, Sasuke chorava todo o tempo de solidão e agonia para fora de seu corpo. Enfim sua alma ferida poderia encontrar a cura, nos beijos e carícias daquela garota tão simples que encontrara no bosque. Arrependendo-se de quando deu as costas a ela, o rapaz apenas pensava em estar com ela. Em fazer aquele momento ser eterno. Mal ele sabia que já o fizera.
O sol se pôs, levando com ele toda a luz natural que antes preenchia alegremente o parque onde estavam. Olhou para o horizonte, a procura de mais alguma coisa que pudesse tornar aquele dia inesquecível. Até que achou o que procurava. Estava olhando para um ponto fixo no fim do parque, pensando, quando voltou a realidade por um momento, e acabou percebendo para onde olhava: o bosque.
Levantou-se, estendendo sua mão para que Hinata também ficasse de pé. Antes, porém, precisava de mais alguns beijos para prosseguir. A pôs de costas para a árvore, fazendo com que ela se apoiasse nela para não cair, e então a beijou calorosamente, um beijo tão inflamado que não pôde deixar de ter impulsos mais maliciosos. Mas lembrou-se de que não estavam em casa, e se conteve, buscando mentalmente não extrapolar. Ao término de seu fôlego, afastou-se um pouco e apenas ficou ali, admirando a beleza da jovem que minutos atrás aceitara namora-lo. Ela se sentia extremamente encabulada de ser o alvo daqueles dois olhos que tanto a atraíam, mas nunca reclamou, amava quando ele parava tudo por ela.
- Vamos – disse Sasuke pegando sua mão – tive uma idéia de um lugar que podemos ir.
- A-aonde? – Hinata parecia curiosa, por isso Sasuke resolveu manter segredo.
Os dois foram seguindo em linha reta, passando pelos campos verdes do terreno do parque de Konoha, até se aproximarem do bosque. Fora ali que trocaram o primeiro olhar, se tocaram pela primeira vez, e ali que Sasuke começou a mudar. Voltavam ao palco de onde toda essa história de amor teve início. Adentraram no bosque, caminhando juntos e de mãos dadas pelas árvores e arbustos que ali estavam até acha-la.
Lá estava a grande árvore onde tudo teve início. Uma onda de nostalgia invadiu a mente dos dois, pensando em tudo que passaram até ali. A forma esquisita com que começaram a falar um com o outro. O jeito com que Sasuke consolo Hinata pela perda de um amor, mal sabiam eles na hora que um novo amor nasceria daquilo. Sasuke mediu bem as distâncias, calculou um pouco, e virou seu olhar para Hinata. Ela estava ali, parada, a contemplar a árvore onde tudo começara. Sem qualquer tipo de aviso, o Uchiha a pegou no colo, e deu um salto, fazendo os dois alcançarem rapidamente o galho onde se falaram pela primeira vez.
- Hina... – parou, respirou, até que resolveu esquecer as formalidades. "Se eu não puder falar assim com a minha namorada, com quem irei falar?" – chan.
- C-como é? – respondeu Hinata, segurando um risinho – Você me chamou de que?
- Nada – talvez não fosse o momento certo, julgou o garoto.
- Não, é sério Sasuke-kun! Eu quero que você repita! – por mais que tentasse falar alto, sua timidez ainda não a permitia falar tão alto assim como queria.
- Certo... – corou violentamente ao dizer – Hina-chan.
Hinata não teve o que dizer, presenciou o final da mudança de Uchiha Sasuke. Estava esquecendo do trabalho, sorrindo e agora... Agia de forma informal. Beijou-o, mesmo ainda estando em seu colo. Sentia-se como uma mocinha dos filmes, que no final, estando no colo do mocinho, diz "Meu herói", e beija o personagem principal. Bem, se vivessem felizes para sempre, talvez não se incomodasse em ser a mocinha de um filme. Sasuke a pôs em pé, novamente. Não era questão de esforço, pois Hinata era muito leve para a força do Uchiha. Mas preferia sentar-se ao lado dela, e conversar um pouco. E foi isso que ele fez, sentou-se. Hinata, ao ver o que seu namorado pretendia, acompanhou-o, ficando ao seu lado.
- Hina-chan, naquele dia – começou Sasuke – eu não sei o que deu em mim.
- Como assim, Sasu-chan? – ao ouvir a forma com que era referido, o garoto corou. Nunca imaginou que fosse ser tratado por um apelido assim, tão... Carinhoso. A garota não pôde evitar, senão por rir, mesmo que num tom muito baixo, da reação de seu amado.
- Bem – prosseguiu, tentando controlar suas emoções – eu ia fazer como eu fazia com todas as outras, ia virar as costas e ir embora.
- Você... Seria capaz disso, Sasu-chan? – Hinata agora fez intencionalmente. Seu namorado novamente corou. Era divertido ver como Sasuke ficava sem jeito apenas com um apelido. Após um longo silêncio onde a jovem Hyuuga abraçada ao rapaz Uchiha procurou não atrapalhar os pensamentos dele, Sasuke continuou.
- Pensei ser, Hina-chan. Mas não fui. Tanto é, que eu cheguei a dar as costas, mas voltei atrás. Não compreendi o que houve comigo na hora, e nem depois na realidade. Agora eu entendo. Desde o primeiro momento eu te amei, desejei sua felicidade. Existe algo que você ainda não sabe. – agora quem parecia confusa era Hinata – Depois que eu te deixei em casa, eu corri de volta ao centro. Fui comprovar o que você tinha me dito, e realmente era verdade. Os dois estão juntos até agora.
- Sasu-chan...
- Mas eu não consegui me conter, arrastei o Naruto pra um beco, e disse a ele que se te magoasse novamente, eu ia arrancar os braços dele e mata-lo usando eles. Depois, quando eu me acalmei, dois dias depois, ele veio me contar que eu cheguei até a ativa-los. – Hinata sabia exatamente do que ele estava falando. Seus olhos. Eram armas mortais assim que ativados, e ele sabia disso. Estava disposto a matar por ela, e foi tirar satisfações com quem lhe causou tanto sofrimento. Era demais. Merecia um beijo.
Beijou-o novamente. Seus beijos eram carinhosos e cheios de ternura. Enchiam o coração do rapaz de alegria, e o faziam sentir-se em paz consigo mesmo. Após longos beijos e carícias trocadas, enfim, era chegada a hora de ir para casa. Mas dessa vez a tristeza não existia entre os dois. Tinham um laço agora, um compromisso que juraram manter enquanto pudessem, cuja única testemunha era o amor que agora dominava a mente dos dois.
Não estava realmente tarde naquela hora, na verdade, estava próxima ao horário em que o jantar era servido na mansão Hyuuga. Só que tiveram de voltar, pois o clã Hyuuga cultivava vários hábitos e tradições, entre eles o de jantarem todos juntos, unidos como a família que eram. Iam se aproximando de onde se separariam, quando notaram uma silhueta os observando da janela. Era pequeno demais para ser Neji ou o pai de Hinata, Hyuuga Hiashi, logo, a garota concluiu que só poderia ser uma pessoa: Hanabi. Mal se aproximaram da porta, a irmã caçula de Hinata já estava à espera deles. Se parecia com ela, na realidade, mas tinha um semblante muito mais descontraído, além de se vestir ao estilo contrário de sua irmã, usando roupas mais casuais e menos formais. Tinha os mesmos olhos penetrantes e perolados, mas seus cabelos não eram negro-azulados. Eram castanhos. Lembravam os de Neji, com a exceção de que eram mais longos.
- Hinata-neechan! – exclamou Hanabi com um largo sorriso no rosto – Adivinha?
- O que houve dessa vez, Hanabi? – a julgar pela forma com que Hinata respondeu, poderia apostar que não era boa coisa. E realmente, para os dois, não era.
- Papai convidou seu namorado pra jantar com a gente! – ouviu-se um engasgo assim que Hanabi terminou de falar. Mas não era Hinata, e sim Sasuke. Mal começara o namoro e já teria de conhecer a família dela! Sorte dela ele não possuir família. Engoliu em seco. O que será que o pai dela pensará?
Os dois se entreolharam, nervosos. Isso foi uma pequena bomba que caiu bem no colo dos dois, mas com certeza seria algo que não teriam tempo de pensar com calma antes de fazer. E realmente, Sasuke estava com fome, pois a última refeição que fez foi uma tigela de Ramen, o que não era exatamente aquilo que o deixa satisfeito apenas numa porção. Sem ter outra opção, os três entraram pelo portão da mansão Hyuuga. O jardim interno era bem decorado, com um pequeno lago ao fundo, e bonitos ornamentos, que tornavam o ambiente agradável. Hanabi conduziu os dois, chegando até a porta rapidamente.
A Hyuuga caçula abriu a porta, indo avisar seu pai da visita, enquanto Hinata e Sasuke estavam parados na entrada da casa. Sasuke nunca tinha passado por um aperto tão grande, e sabia que uma pessoa que o aguardava lá dentro o queria fora dali. Esse alguém era Neji. Ao pensar em Neji, lembrou-se de que não gostava que ele ficasse perto de sua prima, e foi o que deu forças ao Uchiha para prosseguir. Hinata parecia preocupada com o destino de sua relação com Sasuke. Tinha consciência que seu pai poderia achar seu namorado uma boa companhia, mas também sabia que seu primo ia tentar atrapalhar tudo, afinal, os dois nunca foram amigos.
Pé ante pé, seguiram até a sala de jantar, onde Hyuuga Neji, Hyuuga Hanabi e Hyuuga Hiashi estavam os aguardando. Os três pares de olhos perolados miravam o jovem de olhos e cabelos negros, que adentrava o cômodo, porém cada um com um semblante diferente. Neji o observava com visível irritação, Hanabi apenas o admirava, afinal, ele era bonitão. Hiashi o analisava, cada parte de seu corpo, sua forma de andar, de agir, de se sentar. Seus olhos analíticos lhes davam a vantagem de conhecer a pessoa apenas por observa-la por um momento.
Logo que se sentaram, o jantar foi servido. Comeram, os quatro totalmente em silêncio. Um silêncio desconfortável na realidade. O jovem Uchiha se firmava na idéia de que estava disposto a encarar tudo para que pudesse fazer sua Hinata feliz. A determinação para prosseguir vinha dali. Finalmente terminaram de comer, e mesmo que a refeição estivesse deliciosa, Sasuke não pôde aproveita-la direito em razão de seu nervosismo. Sabia que uma hora ou outra uma conversa ia começar, mas não sabia se estava pronto.
- Uchiha, não precisa se preocupar – disse Hiashi repentinamente, quebrando o silêncio – Já sei quem você é. Tem um semblante sério e compenetrado, mas por dentro está nervoso. Acalme-se, sei que não é capaz de fazer mal à minha filha. Pelo jeito que a observa, posso concluir que a ama, e se não tem a capacidade de ferir minha filha, já temos um bom começo, rapaz.
- Mas, Hiashi-san... – Neji ia começar a interrupção, provavelmente numa tentativa de manchar a imagem de Sasuke.
- Neji-niisan, eu não interromperia se fosse você – disse Hanabi, ao notar a forma com que sua irmã fuzilava Neji com o olhar. E até o próprio Sasuke se amedrontou com a forma com que sua namorada encarava seu primo. Ela o amava, e tinha a maior prova disso bem ali, na sua frente.
- Se não vai dizer nada, Neji, preferia que ficasse quieto e parasse de me interromper – repreendeu Hiashi. Naquele momento, Hinata soube que seu pai gostara de Sasuke, e que não permitiria que Neji o atrapalhasse em sua relação com ela. Uma onda de alívio atingiu o peito da jovem, que suspirou aliviada.
O resto da noite correu bem, após Neji ser repreendido, Sasuke sentiu que era capaz de ganhar a simpatia de seu sogro, e foi isso que aconteceu. Saiu da mansão Hyuuga duas horas depois, mentalmente cansado, mas feliz. Hinata o acompanhou até o lado de fora, para poder se despedir dele no fim daquele dia tão especial. Os dois pararam ao chegarem na rua. Sasuke a passava um olhar triunfante, de quem superara uma grande adversidade sem muitos problemas. Hinata parecia feliz que tudo acabara dando certo.
- Amanhã, me encontre na hora do almoço, certo, Hina-chan? – disse o jovem, dando um beijo rápido, mas carinhoso, nos lábios de sua amada.
- Ta legal, Sasu-chan. – abraçou o rapaz e continuou – Achei ótimo que você e papai tenham se entendido. Amo você!
- Ah... – Sasuke estava corando com as palavras de Hinata, quando ela continuou.
- Esse foi o melhor dia em toda a minha vida! Eu nunca vou esquece-lo, nem em um milhão de anos! – tinha conseguido o que queria. Marcou a memória de Hinata, assim como também marcara sua própria vida. Mal sabia ele o que futuramente isso ia significar. Beijaram-se longamente, até que finalmente disseram adeus, Hinata voltando para dentro de seu lar, e Sasuke seguindo para casa, exausto. Tinha passado por um dia desgastante, mas se saíra particularmente bem, no fim das contas.
Chegou em casa, trocou de roupa rapidamente e caiu na cama. Dormiria por algumas horas, e depois acordaria para mais séries dos seus exercícios diários, que naquele dia teve que postergar por motivos de força maior. Entretanto, tudo o que aconteceu naquele dia, se sucedeu sem o conhecimento de uma pessoa. Um personagem que também seria de vital importância na relação entre Sasuke e Hinata.
No dia seguinte, Sasuke trabalhava alegremente em seu escritório. Seu bom humor era aparente. Analisava alguns dos dados concluídos pelo serviço de informação sobre o criptograma traduzido por ele mesmo, quando ouviu sua porta abrir. Talvez fosse Hinata, que ansiava cada vez mais por ver. Ergueu seus olhos ansiosamente, apenas para encontrar outra pessoa ali parada. Alguém que certamente não gostaria de ter ali naquele momento. Ela veio se aproximando, no seu andar continha um rebolado sensual, mas o Uchiha nunca ligou para isso, e não era agora que ia ligar. Ela sentou-se em sua escrivaninha, atrapalhando todo o trabalho do jovem que ao notar as intenções de sua visita inconveniente, voltou a suas feições frias de sempre, mesmo se tratando dela. Uma garota loira, alta, olhos azuis e pele clara. Usava roupas roxas curtas, provocantes, uma saia justa, na altura da metade das coxas, uma camisa com um grande decote, e botas que iam até os joelhos.
- O que você ta fazendo aqui? – indagou Sasuke – Sabe que eu quero você longe daqui, Ino.
- Ah, Sasuke-kun! Não fale assim comigo! – respondeu Ino, de uma forma a parecer sexy. Para ele, só parecia algum tipo de criancinha pedindo um doce – Serei sua esposa um dia! Não me trate tão mal. – Pronto. Era a gota que faltava para o copo transbordar. Estava farto de toda aquela insinuação para cima dele.
- Vá embora! – disse friamente o Uchiha.
- Nem por um decreto, gatinho. – A garota loira gradativamente aproximava seu rosto do dele, como se fosse beija-lo ali mesmo.
Bem naquele momento Hinata entrava no mesmo escritório onde tudo aquilo ocorria. A cena cortou seu coração, mas algo disse a ela que ficasse. Ela assistia a tudo aquilo com sangue frio, as lágrimas acumuladas nos cantos de seus olhos perolados, a vontade de chorar subia a sua garganta, mas ela foi forte e segurou. Sasuke, quando sentiu que o rosto de Ino estava muito próximo ao seu, pôs a mão bem no meio da face da garota, e empurrando-a para longe, levantou-se.
- Já disse, e repito. Vá embora, antes que eu perca a paciência – agora o tom de Sasuke não era frio. Era ameaçador. Ino sentiu medo.
- Por que me trata tão mal? Vai ser meu um dia ou outro! Por que adiar? – o tom provocante de Ino irritava Hinata, mas assim mesmo ela preferiu manter-se quieta, passiva.
- Você e eu nunca teremos nada! Será que não compreende isso? Principalmente agora que... – parou. Repentinamente começou a corar. Notou que sua amada assistia a tudo aquilo com a dor de quem é traído. Sabia que ela tinha visto o momento em que quase fora beijado por aquela oferecida. Mas teve uma idéia de como tudo aquilo ia se resolver. Calado, passou por Ino, indo em direção a Hinata. Chegando em frente a garota de olhos perolados, sorriu, passando segurança para sua namorada.
- Espera! Eu andei perdendo alguma coisa? – indagou Ino, ao ver Sasuke tão próximo de Hinata.
- Perdeu sim, Ino – respondeu Sasuke – Perdeu mais do que imagina – e assim que terminou de falar, beijou Hinata, na frente da garota loira. O choque de ver seu amado beijando outra garota percorreu a jovem, que com um semblante furioso, saiu da sala, em silêncio. Sasuke ainda a chamou novamente – Ino!
- Sim, Sasuke-kun?
- Ela é minha namorada! – finalizara qualquer esperança da loira ao terminar as apresentações.
Ino saiu, as lágrimas saltando aos olhos. Pode ter sido cruel o que Sasuke fez com ela, mas era necessário. O que o garoto não sabia, é que desistir não estava nos planos da jovem loira. "Ele ainda será meu! Custe o que custar".
