Autora: Naomi

título original: A One Night Without a Stars

Tradutora: Tina-chan

Revisoras: Illy-chan Himura Wakai e Cris Kanaschiro.

Gênero: Yaoi, Romance.

Censura: Nenhuma.

Casal: 2+1

Advertências: Um pouco de Angústia, Suspense, Mistério e Assombração em geral.

Retratações: Os personagens de Gundan Wing e todos os relatos depois da colonização não me pertencem, mas aos seus criadores (Bandai, Sunrise, Sotsu Agency & TV Asahi). Eu estou simplesmente me divertindo um pouco com eles, sem nenhum propósito lucrativo.

Nota da Tradutora – Tina-chan

Eu dedico todo o esforço e incentivo para esta tradução a uma pessoa muito especial...

Eu dedico esta tradução a Você, minha querida amiga Illyana, por todo apoio que recebi!!!! Linda, agradeço, de coração, toda a gentileza que recebi de você para que este trabalho saísse... Portanto, este trabalho é tão meu, quanto seu, espero que te agrade...

Há! E não menos importante:

Agradeço também, à Naomi pela autorização, e incentivo para o trabalho – bem como a paciência em responder minhas dúvidas...

Muito obrigada pelas reviews e pelo carinho...

Muito obrigada pelas revisoras que me ajudaram com muito carinho...

tornado a fic mais agradável de se ler e apreciar...

capítulo 02

"Você imagina isto acontecendo comigo OUTRA VEZ?!" Wufei reclamou, seus olhos de ônix faiscando com uma raiva irracional.

Quatre suspirou, alinhando os vincos das suas calças pretas. Eles estavam todos sentados ao redor da mesa de jantar, após Duo ter contado sobre as condições de Heero. Eles deixaram os equipamentos de lado, por hora, tendo algo muito mais urgente com que lidar. Missão ou não missão, eles não poderiam seguir como se nada estivesse acontecendo. O amigo, piloto e companheiro deles estava deitado no andar de cima, mortalmente doente, possivelmente morrendo. Não havia nada que eles pudessem fazer sobre isso! Simplesmente nada! Eles estavam à milhas de distancia de LUGAR NENHUM, e exceto pela base, não havia nada capaz de ajudá-los. Eles não possuíam medicamentos suficientes para cuidar de alguém doente, e eles estavam completamente despreparados. Exceto para uma ocasional gripe, NENHUM deles ficava doente. Especialmente Heero. Ele sempre era o único a brilhar no lugar deles, por parecerem tão fracos e patéticos enquanto doentes. Ele era sempre o único quem os estimulava a sararem logo, não importando o QUANTO ele tentasse parecer indiferente.

Agora, parecia que a mesa estava virada. Agora eles que tinham que cuidar de Heero. A questão era - como?

Finalmente, Quatre levantou o olhar encontrando os olhos do piloto chinês com seu olhar fixo e angustiado. "Você escutou isto corretamente Wufei. Heero tem menos de uma semana de vida, a menos que consigamos pegar a vacina... de alguma maneira".

"Quatre está certo". Trowa falou pela primeira vez desde que eles entraram na cozinha. "Nós não podemos nos dar ao luxo de esperar até J enviá-la. Ela pode ser detida pela OZ".

"Ou pior. Ela pode nunca chegar aqui". Duo adicionou amargamente falando mais para si mesmo. Ele estava sentado próximo ao canto da mesa, jogado na cadeira, seus ombros caídos e a cabeça baixada. Suas feições pálidas, seus olhos violetas assombrados. Ele estava muito silencioso durante todo o entardecer. Sua voz soava pesarosamente calma e fria enquanto explicava para seus amigos. Alguma coisa estava aborrecendo o piloto do Deathscythe, mas ele não dizia coisa alguma. Ele continuava brincando com a ponta de sua trança enquanto estava sentado lá, afogando-se em sua própria tristeza.

"Maldição!" Wufei gritou, irritado socando a mesa. Sua preocupação era traduzida em raiva, e ele tinha que se esforçar para manter a calma. Respirando profundamente, ele se jogou de volta em sua cadeira.

A cozinha escura caiu em silêncio, os únicos ruídos eram do vento batendo contra as janelas sombrias e escuras. Sombras alaranjadas tremulavam sobre todos os cantos, e o silêncio crescente se prolongava.

De vez em quando, a madeira rangia ou os canos velhos da casa chacoalhavam com um barulho estranho, mas fora aquilo, era somente o vento e os estalos das pequenas chamas.

O silêncio foi quebrado então por uma série de tosses abafadas, vindas do andar superior.

Os quatros rapazes levantaram o olhar para o teto, os olhares fixos e preocupados. O quarto de Heero era localizado EXATAMENTE sobre a cozinha e eles podiam ouvir a cama ranger contra o velho assoalho de madeira enquanto se movia sob o ataque de tosse do corpo de Heero.

"O que vamos fazer?" Quatre sussurrou tristemente, voltando seu olhar atento e aflito do teto.

Trowa respirou profundamente, baixando o olhar também. "Primeiramente, nós precisamos encontrar tudo o que pudermos sobre esta doença". Ele comentou e Wufei concordou com a cabeça.

"O que há para saber?" Duo murmurou amargamente. "Seu corpo se deteriora por dentro e por fora até você se tornar nada mais que uma maldita geléia por dentro. Você tosse com sangue, e seu corpo queima com a febre. Você fica delirando um pouco e então morre!" A sua voz estava calma e amarga, porém seus olhos estavam faiscando. Ódio, medo, desespero e agressividade, estavam todos fervendo dentro de si.

Os outros três pilotos podiam perceber, mas apenas piscaram por alguns momentos, chocados com a explosão de Duo.

O garoto trançado estava ofegante agora, olhando para eles, com raiva nos olhos. Finalmente farto com os olhares fixos que estava recebendo, Duo empurrou sua cadeira para trás tempestuosamente saindo da sala, correndo para fora da casa, entrando no lusco fusco do entardecer.

A porta bateu atrás dele.

Os três pilotos ficaram pasmados e confusos.

"É melhor eu ir falar com ele..." Quatre murmurou e então saiu suspirando.

Lá em cima no quarto rosa, Heero agitou-se em sua cama, os lençóis ensopados de suor enrolados ao longo dos membros. Tossindo fracamente, deu umas poucas e profundas respirações tentando controlar sua respiração. Gemendo silenciosa e miseravelmente, e virou-se novamente, ainda tentando encontrar uma posição confortável. Então se virou encarando a porta, os vidrados olhos azuis piscando contra a escuridão de seu quarto. A porta estava totalmente aberta, deixando entrar um pouco do ar frio do corredor. Fechou seus olhos, inalando profundamente, tolerando o sentimento de frio de si mesmo.

Ele estava tão quente... Ele sentia que seu corpo estava em chamas. Todos os músculos doíam e pulsavam dolorosamente, aqueles que não sentia, pareciam geléias inúteis. Ele estava coberto de suor, sua camiseta sobre a pele ardente fazia sua respiração difícil. A cabeça martelava duramente, suas têmporas pulsavam. Porém, mais que tudo era a sua respiração. Era tão difícil respirar, qualquer mínimo movimento fazia sua respiração trabalhosa.

Suspirando profundamente, Heero levantou uma trêmula mão, tentando empurrar as franjas ensopadas de suor fora de seus olhos. O cabelo de aparência densa grudava em sua face suada, fazendo-o desconfortável e quente. Ele olhou de suas franjas desarrumadas, isto o fez sentir-se um pouco melhor. Deixando sua mão cair sem energia sobre o travesseiro, ele deixou escapar uma pequena tosse e suspirou.

Doente em uma missão... Quanta humilhação. Totalmente fora de hora de ficar doente! Ele tinha que repousar aqui enquanto os outros faziam seu trabalho?! Aquilo era INACEITÁVEL! Ele deveria ser o único forte. Ele NÃO podia adoecer! O jeito que J olhara para ele... Ele não pudera ver o homem, porém ele sabia como era aquele olhar. Ele não gostava daquele olhar. Nem um pouco. Aquilo sempre significava problemas.

"Merda!" Heero bufou suavemente fechando os olhos. Como se aquele velho esquisito lhe pudesse causar algum problema agora... Ele é a MENOR de suas preocupações! Bem, agora ele tinha que se concentrar em ficar melhor. Quatro dias... Talvez um pouco mais... Ele não tinha certeza se poderia agüentar. Descobriu que conseguira isto na primeira vez que tinha adoecido... Se não fosse por Odin conseguir para ele o remédio... Sem duvida ele teria morrido.

Heero fez uma careta, bravo consigo mesmo. Por que ele estava pensando sobre aquele homem agora? Totalmente fora de hora estar pensando sobre ele... Chk! Devia parar com isto! Ele odiava ficar doente! Sua mente ficava divagando, e isto NÃO era bom. Isto o fazia se sentir fora de controle. E estar fora de controle significava que ele esta---

TAP. TAP. TAP.

Subitamente, Heero ficou alerta para um certo ruído. Ele não estava certo do que era aquilo, então ele repentinamente arregalou os olhos, tremendo na escuridão.

Tap.Tap.Tap.

Aquilo soava como batidas contra a madeira. Ou era conta o assoalho? Era alguém subindo as escadas?

Tap... Tap... Tap...

Heero virou o olhar fixo na porta, e esperou. Porém, ninguém passou pelo corredor.

Tap... Tap... Tap...

Franzindo as sobrancelhas, Heero estreitou os olhos, tentando ver melhor no escuro.

Tap. Tap. Tap. Tap.

Ele podia ouvir as batidas se aproximando, mas ainda não via nada. Com esforço, levantou-se num dos cotovelos e limpou o suor da testa. Os sentidos alertas, tanto quanto suas condições permitiam, Heero olhava a porta de perto.

Tap.Tap.Tap.Tap...

Suas sobrancelhas juntaram-se, e os sons de batidas aproximavam-se da porta. Ele descobriu que estava prendendo a respiração, e repreendeu-se por isto. Sacudindo a cabeça debilmente, blasfemou contra a vertigem olhando para a porta e esperando.

Taptaptaptaptaptap...

Seu corpo inteiro estava tenso, e ele prometeu a si mesmo que se havia alguém lhe pregando uma peça, eles estavam mortos! Entretanto sabia que este não era o caso. Tinha certeza. Muita certeza porque tinha ouvido aquele som antes. Na noite anterior, enquanto eles estavam jantando. Ele podia jurar que escutara alguma coisa batendo contra o teto. Como batidas na madeira...

As batidas cessaram repentinamente, e Heero voltou o olhar fixo para a porta.

Seus olhos arregalaram-se surpresos, então repentinamente estreitaram-se.

Rolando pelo corredor, lentamente passando pela porta de seu quarto, estava uma simples bola rosa.

"Duo?" A voz de Quatre veio suavemente e hesitante enquanto andava cuidadosamente até o garoto mal humorado. Ele encontrou Duo sentado, no pequeno pomar, ocupando-se com a 'fiscalização do equipamento'.

"Duo, está tudo bem?" Ele perguntou timidamente, chegando e sentando ao lado de Duo. O vento estava ganhando força e os topos das árvores chacoalhavam como se lutassem contra a forte brisa. As longas franjas de Duo também voavam violentamente sob o morno e empoeirado vento, uns poucos fios que escaparam de sua trança também estavam voando em todas as direções.

"Duo?" Quatre tentou novamente, estendendo a mão até seu amigo, que estava agachado em frente de alguns monitores, segurando uma peça dos transmissores deles em frente a sua face, checando-a sob a luz do luar.

Quatre suspirou e olhou a diante. "Duo, por favor, diga alguma coisa".

"Não há nada para dizer". Duo falou friamente, olhando direto por lentes de visão noturna. Ele olhou para a impressão de calor de Quatre, sorrindo amargamente para si mesmo. "Melhor eles começarem a procurar por um novo piloto, só isso".

"Duo!" Quatre exclamou, uma mão sobre o coração. "Como você se atreve a dizer uma coisa dessas!".

"Encare isso, Q-man, alguém terá que pilotar o Wing". Duo discutiu jogando a peça de lado. Ela bateu sobre uma pilha de outros equipamentos, fazendo um barulho alto no contato.

"Duo..." Quatre murmurou suavemente, colocando gentilmente a mão sobre o ombro do garoto. "Duo, não adianta nada pensar assim também".

"O que mais eu deveria pensar...?" Duo resmungou jogando o olhar para baixo. E jogou-se repentinamente no chão, puxando os joelhos até o peito e abraçando-os. Descansou o queixo sobre os joelhos olhando as luzes da base abaixo, brilhando no vale.

Quatre suspirou, tentando pensar numa resposta apropriada. Não havia nenhuma.

Ele chegou mais perto de seu amigo sentando-se ao seu lado. Descansando um braço sobre o ombro do garoto trançado, respirando profundamente antes de falar. "Duo".

Suspirando, Duo virou-se olhando para ele, os olhos violetas brilhavam com as lágrimas não derramadas, cintilantes com a luz do luar.

"Duo tenha fé nele. Eu sei que tenho. Ele já superou tanto... Eu tenho certeza que ele pode vencer isto".

"E se não puder?" Duo perguntou, a voz rouca provinda das lágrimas. "Se ele morrer, bem aqui debaixo de nossos narizes?! Huh?! E se eu tiver que vê-lo morrer novamente?! E se ele... Se eu ficar sozinho outra vez?!

"Duo..." Quatre murmurou o nome dele apertando o braço ao redor do garoto. Era muito estranho, não era sobre Heero que o garoto estava falando. Não mesmo, de jeito nenhum era sobre Heero.

"Você quer falar sobre isto?" Ele perguntou, depois que se acalmou um pouco.

"Não". Duo respondeu afastando-se do toque do loiro. Ele levantou-se, sorrindo tristemente para seu amigo. "Obrigado Q-man".

Quatre sorriu de volta. "De nada".

Duo assentiu em agradecimento e ele voltou o olhar para a casa cerca de metros adiante. Ele não podia ver luz alguma, o que era uma coisa boa com certeza, seus olhos imediatamente levantaram-se para o segundo andar na janela de Heero. Mais lágrimas empoçou-se em seus olhos, mas ele não as deixou escorrer. Respirando profundamente, olhando à diante, começou a retornar para casa.

Quatre rapidamente o seguiu.

Heero seguiu a pequena e estranha bola com seus olhos, a curiosidade brilhando naquelas profundezas azul escuro. Sua respiração acelerou-se quando tentou se sentar, esperando ter uma visão melhor, quando a bola rosa vagarosamente rolou dentro do quarto, fazendo um ruído calmo enquanto roçava sobre o rústico assoalho.

Seduzido pela estranha bola, Heero observou-a enquanto ela rolava para o canto do quarto, parando ao lado de uma pequena cômoda que estava no canto, perto da janela. Fazendo uma parada silenciosa, e apenas ficou lá, imóvel.

Mas Heero ainda não podia tirar os olhos dela. Lentamente virou-se para a porta, os olhos azuis estreitando-se em suspeita.

"Duo?" Heero resmungou rouco. Virando-se um pouco na pequena cama e ela rangeu quando ele se inclinou á diante, tentando ver se alguém estava escondido no corredor, além da sua linha de visão. Havia um movimento, estava certo disso, e seus olhos estreitaram-se mais uma vez. "Duo? Isso não tem graça".

Novamente capturou um movimento, mas estava além de sua linha de visão.

Virando seus olhos apesar da vertigem, Heero caiu sobre a montanha de cobertores. "Continue aí Duo". Disse fracamente, sem divertimento. "Eu estou certo de que você está aproveitando a sua vida". Grunhiu cruzando os braços sobre o peito.

Não se preocupou quando viu o movimento pelo canto dos olhos, e alguém agora estava parado na sua porta. Mas, a imagem não se movia, e Heero sorriu maliciosamente consigo mesmo, fechando os olhos; satisfeito.

"Hn. Baka. Cansou do seu jogo?" Ele rosnou, mas não veio nem uma resposta. Aquilo era estranho, considerando que Duo NÃO deixaria aquela coisa passar. Abrindo seus olhos, Heero deu uma olhadinha furtiva, por sua franja bagunçada, olhando para a porta.

Ele ofegou.

Em pé no vão de sua porta, grandes olhos de avelã se levantaram para ele, era uma garotinha loira. Ela estava vestindo um bonito vestidinho, que era quase todo branco, mas com algumas coisas rosa nele. Ou então ele achou que estava escuro demais para realmente dizer. Seus olhos arregalaram-se quando olhou para ela de cima a baixo, a boca abrindo-se um pouco em choque, enquanto ele examinava o cabelo loiro escuro dela preso para trás em um pequeno rabo de cavalo, atado por um simples laço azul.

Ele teve que se forçar a respirar, porque tinha segurado sua respiração o tempo todo, boquiaberto com a garotinha. Ele levantou uma mão tremula e esfregou seus olhos tão forte quanto conseguiu. Mas a garota ainda estava lá, olhando para ele com divertimento.

Heero engoliu silenciosamente e bateu na cabeça, tentando socar algum bom senso em si mesmo.

Levantando o olhar novamente, ele viu a garota rir em resposta.

Heero sentiu sua face ser drenada de toda a cor quando a garotinha saltou dentro do quarto sorrindo alegremente. Ela pulou até o canto do quarto, os olhos azuis atordoados de Heero olhavam-na o tempo todo. Ele viu quando ela abaixou-se e pegou a sua bola, arremessando no ar apenas para pegá-la quando ela caiu de volta.

Forçando-se a respirar novamente, Heero piscou, sentindo o suor escorrer de suas têmporas e sobre a face.

Uma alucinação...Só pode ser...Pensou consigo mesmo, levantando a mão trêmula até a sua testa. Ele estava queimando. Deve ser isso. A... A febre... Só pode ser... Heero pensou desesperadamente, olhando quando a garota se sentou na cômoda, com as pernas estendidas.

Ele jogou-se na cama, olhando a garota com olhos estarrecidos quando ela arremessou a bola no ar, para pegá-la novamente.

Ele fechou os olhos, respirando profundamente.

Uma alucinação...Só pode ser...Uma alucinação...

"Nós não podemos nos dar ao luxo de ficarmos doentes". Wufei começou cortante, uma vez que Duo e Quatre voltaram para a cozinha. "Nós temos uma missão para completar acima de tudo. Então eu acho que a primeira coisa que devemos descobrir é se isto é contagioso".

"Extremamente". Duo falou amargamente, sentado no mesmo lugar em que estava sentado antes de sair, brincando com sua trança. "Esta é maldita RAZÃO que chamaram isso de maldita praga!".

"Duo". Quatre tentou acalmá-lo, lançando-lhe um olhar de conforto.

"Desculpe". O garoto trançado murmurou, jogando-se mais uma vez em sua cadeira. Ele suspirou profundamente antes de olhar para Wufei. "É uma doença altamente contagiosa. Ninguém estava imune de pegá-la. Somente aqueles que eram 'importantes' o bastante para a Federação receberam vacina". Ele levantou o olhar para a direção do quarto de Heero, e seu olhar tornou-se alguns graus mais frios. "Isto não ajuda muito né?" Murmurou amargamente lançando um olhar para baixo novamente.

Todos ficaram em silêncio uns momentos, até Trowa finalmente se atrever a falar. "Eu me lembro que, uns anos atrás, alguns soldados vieram para nós na fundação Barton, eles deram vacina em todos nós. Eu não me lembro por quê, mas eu tenho uma certeza razoável".

"O mesmo comigo". Quatre falou calmamente abaixando sua cabeça com pesar. "Eu lembro de ter reclamado com minhas irmãs sobre ter que ir tomar, um, banais vacinas..." Ele admitiu corando levemente.

"O mesmo foi em nossa colônia". Wufei falou numa voz calma. "Eu me lembro, eles nos levaram para fora da sala de aula, e Meri--" Ele parou suspirando profundamente. "Alguns de nós pensaram que tomando a vacina, estariam admitindo suas fraquezas. Ela--Eles tiveram que ser persuasivos com as regras para tomar a vacina...".

Duo olhou para o fim de sua trança mantendo silêncio. Ninguém se atreveu nem em PENSAR sobre vacinar crianças de rua... Eles não eram importantes, e foram deixados para morrer de forma horrível nas ruas. Isto ainda era confuso para ele por que ele havia sobrevivido, mas quem era ele para dizer que ia sobreviver desta vez? Chk! Seria convincente. Morrer da mesma doença, no mesmo dia que Solo morreu... Ele apenas sorriu com ironia.

"Duo?" Quatre falou numa voz suave, e Duo sentiu todos olhando para ele. Ele olhou apenas para encontrar três pares de olhos preocupados.

Rosnando suavemente, jogou sua trança para trás e olhou para eles cortantemente. "Ninguém se preocupou conosco, ratos de rua" Disse numa voz fria e amarga.

O silêncio retornou depois disto, quando todos os três pilotos baixaram o olhar para suas mãos inquietas. Duo apenas dobrou seus braços sobre o peito, olhando zangado para a parede à frente.

Finalmente, Wufei falou. "Então seria sensato se você ficasse longe de Yuy".

A cabeça de Duo virou-se rapidamente, e ele olhou desafiador para Wufei.

"Duo, pense nisso". Trowa adicionou calmamente, os severos olhos verdes olhando para o garoto teimoso. "Não iria ser nem um pouco bom se outro piloto adoecesse".

"UM PILOTO DOENTE!?" Duo socou a mesa. "Nossa, Trowa isso foi tão doce! Lembre-me de enviar-lhe um'cartão de agradecimentos' depois!".

"Duo!" Quatre chamou, tentando acalmar os espíritos ao redor da mesa. "Por favor, Duo. Gritar não ajudaria!".

"E o que irá, hein!" Duo gritou novamente, pulando fora de sua cadeira, fazendo-a cair para trás. "É sempre a missão, não é?! Nada mais! É sempre pela MALDITA CAUSA! BEM DESCULPE-ME POR ME IMPORTAR! SINCERAMENTE!" Ele gritou, e em seus olhos lágrimas brilhantes e acusadoras para seus amigos. "Se vocês me querem, eu estarei no andar de cima tentando não COMPROMETER a PRECIOSA MISSÃO!!"

E com aquilo dito, Duo tempestuosamente saiu da cozinha e subiu as escadas.

Quatre inclinou um pouco a cabeça quando ele escutou a porta de Duo bater, então o silêncio caiu novamente sobre a casa.

Do lado de fora, o vento continuou soprando abundante, gordas e mornas gotas de chuva caindo contra as janelas.

Muito tarde daquela noite, depois da lua ter surgido há muito tempo sobre as montanhas gramadas, a porta do quarto de Duo rangeu aberta. A casa estava silenciosa, exceto pelo som irritante do vento, e uns poucos ramos de árvores arranhando-se sobre as janelas. O corredor estava um pouco frio, arrepiando a espinha de Duo, quando ele lentamente caminhou na ponta dos pés pelo corredor escuro, seus passos eram silenciosos, enquanto o velho e empoeirado carpete, que decorava o piso de madeira absorvia-os.

Ele tinha gastado as últimas horas em seu quarto, deitado, curvado em sua cama, com o olhar fixo nas paredes ou olhando fora da janela. Lágrimas brilharam em seus olhos enquanto ele repousava lá, assistindo as escuras nuvens de tempestade que corriam lentamente próximo à lua cheia. Mas ele não derramou nenhuma lágrima. Ele não chora. Meninos não choram. As últimas palavras de Solo para ele, ele havia prometido não chorar. Meninos não choram.

Depois de algumas horas, fome e sede fizeram-no sair de sua tristeza e andar fora do seu pequeno santuário. Ele havia pulado o jantar, almoço E café da manhã, então ele naturalmente estava MUITO faminto. Ele esperava poder ir até a cozinha sem cair das escadas e quebrar um osso. Afinal, a última coisa que eles precisavam era outro piloto caído...

Enquanto ele cruzava o largo corredor, ele podia sentir o ar gelado causar-lhe arrepios sobre toda a pele exposta dos braços. Seu quarto estava quente o suficiente, e tinha vestido uma camiseta o dia todo. Talvez a tempestade tivesse trazido algum ar frio com ela, ele pensou, esfregando a parte superior dos braços, e tentando sufocar um espirro. Não seria bom acordar os outros nesta hora impiedosa. Ele se perguntava quem estava de vigia esta hora lá fora na tempestade, mas encolheu os ombros e saiu rapidamente. Bem, agora ele REALMENTE não se importava.

Ele parou um minuto quando alcançou a porta de Heero. Ela estava fechada, mas Duo ainda podia sentir a presença de Heero vindo de traz da porta. Isto era estranho e assustador.

Suspirando profundamente, Duo preparou-se para andar a diante, relembrando a si mesmo que ele NÃO era permitido naquele quarto. Ele deu uns poucos passos para frente, mas eles rapidamente pararam. Ele tinha certeza de ter ouvido alguma coisa...

Virando-se lentamente, Duo deu uma boa olhada para a porta de madeira, e franziu as sobrancelhas. Lá estava ele novamente... apenas um pequeno som... Heero?

Ele rapidamente voltou para frente da porta alcançando-a com uma mão hesitante a redonda maçaneta. Ele respirou profunda e lentamente, silenciosamente, abriu a porta. Segurando a respiração e então finalmente ele se atreveu a entrar.

Seus olhos fitaram o quarto escuro, a luz pálida vinda da janela iluminando a pequena cama como um fraco projetor de luz, mirando diretamente a cama. Deitado sobre a cama, lençóis úmidos enrolados ao redor de seu corpo, estava Heero. Ele estava deitado de costas, o cobertor um pouco caído, expondo sua camiseta ensopada de suor e uma pálida perna.

Duo engoliu, voltando a examinar a face de Heero. O garoto estava obviamente dormindo, suas feições abatidas sobre a dor e a transpiração, franjas desajeitadas do cabelo escuro, grudando em sua face. Sua respiração difícil, seu peito subindo e descendo a cada respiração, enquanto seu corpo lutava por oxigênio. Na soma geral, ele NÃO parecia bem.

Duo engoliu e preparou-se para fechar a porta. Heero estava dormindo, então possivelmente ele não poderia ter feito aquele som. Suspirando profundamente, Duo já se virava para sair.

Quando ele ouviu novamente, apenas um murmúrio, mas agora, com a porta aberta, ele pode ouvir claramente como um sino no silêncio da noite.

"... Á... gua...".

Ele inclinou sua cabeça firme e dolorosamente.

"Por... F... avor...".

Lentamente ele virou-se de volta; os olhos ametistas brilhando com lágrimas não vertidas. Aquela voz tão fraca e apelando, rouca com sede e doente. Exatamente como Solo antes dele...

"Ahhh..."

O suave gemido fez Duo olhar novamente, e ele ofegou silenciosamente quando viu Heero lamber os lábios secos com sede, impulsionando sua cabeça de lado, a face contraída de dor. "P...Por favor..."

Engolindo com dificuldade, Duo abriu a porta completamente, e lentamente de modo incerto, andou dentro do quarto. Caminhando silenciosamente até a cama de Heero, segurando a respiração o tempo todo. Indo rapidamente até o pequeno criado mudo da cama, onde uma tigela de água, um pedaço de pano, uns outros potes e entre eles um jarro e um copo.

Os pulmões queimando por oxigênio, Duo precipitado e confuso com a jarra e o copo, colocou um pouco de água para Heero. Em sua pressa acidentalmente derramou um pouco de água, mas pensou que isto não era importante. Virou para olhar com desagrado para as feições adormecidas de Heero.

Ele então se estendeu desajeitado para as mãos de Heero e empurrou o copo em suas mãos, esforçando-se para curvar os dedos hesitantes ao redor do copo, assim ele não cairia. Ele estava desesperado para sair e respirar. No minuto que Heero deu um pequeno aperto no copo, que agora estava posicionado sobre a cama perto dele; Duo bateu rapidamente em seu ombro e preparou-se para sair do quarto.

Mas o copo escorregou e caiu, quebrando-se em um milhão de pedaços.

Duo deu uma rápida parada, com a face tornando-se vermelha por precisar de oxigênio. Ele olhou ao redor, com uma expressão atormentada. Viu a mão de Heero estremecer um pouco e seus dedos procurando pelo copo, ainda em seu sono.

"P...P... Por favor...".

Mas obviamente não pôde encontrá-lo, e deixou escapar um lamento desesperado.

Depois disto, Duo aproximou-se da cama, respirando profundamente no caminho. Ajoelhou-se ao lado do criado mudo procurando por outro copo, mas não havia nenhum. Suspirando para si mesmo Duo pegou a jarra do criado mudo e cuidadosamente sentou-se na cama perto do corpo ardente de Heero.

Cuidadosa e gentilmente, ele levantou a cabeça de Heero, sustentando-a com alguns travesseiros. E então verteu água na palma que estava em concha perto dos lábios secos de Heero. E então, cautelosamente, serviu o líquido fresco para Heero, olhando-o carinhosamente enquanto ele bebia.

Heero engoliu a água, agradecido e gemendo silenciosamente enquanto sua garganta dolorida era lavada com o líquido frio. Seus olhos cobalto lentamente tremulavam abertos, e ele piscou contra as trevas, tentando ver onde estava e quem estava com ele. Ele somente teve uma visão borrada de uma imagem, uma silhueta, iluminada por trás pela luz pálida da lua, fazendo-a parecer como a sombra de uma aura mágica ao redor dele.

Esforçando-se para manter as pálpebras abertas, Heero continuou bebendo mais do abençoado líquido que estava sendo servido em seus lábios. Ele engolia a água, faminto enviando rápidos olhares para o canto do quarto. Mas não havia nada lá. Nada, exceto a pequena cômoda, e a simples e pequena bola rosa.

Os olhos de Heero arregalaram-se e quase se sufocou com água, quando ele ficou alerta. Ele começou a tossir alto, de modo trêmulo buscando ar, com seus olhos sobre a bola o tempo todo.

"Ei... devagar..." A voz murmurou calmamente, mas Heero não conseguia fazer-se calmo. Seus pulmões queimavam e a tosse continuou até ele cair na cama exausto.

Longos e frios dedos assentaram-se cuidadosamente em sua fronte, e Heero suspirou, sua tosse diminuindo. As pesadas pálpebras ameaçaram fechar enquanto ele olhava para a criatura etérea pairando sobre ele gentilmente, afastando uma franja ensopada dos olhos. Heero piscou tentando ajustar sua visão embaçada, o sono já estava arrebatando-o, avançando em sua consciência.

"Shhh... volte a dormir..." A voz murmurou suavemente, e Heero suspirou penosamente, incapaz de resistir muito mais. "Shhh... Heero... Shhh…" A voz continuou, e Heero abriu totalmente os olhos por um segundo olhando surpreso.

Duo? Ele piscou, incerto, mas depois de umas poucas tentativas, seus olhos apenas permaneceram fechados e Heero vagou dentro do sono sem sonhos.

Duo... Era Duo? Era ele... Ele era real?

Quatre torceu o pano sobre a tigela de água da cama de Heero, suspirando para si mesmo. Ele virou a face do garoto adormecido sobre a cama, gentilmente limpando o suor de sua face quente. Ele sorriu levemente para si mesmo quando notou que o garoto estava lentamente acordando, e logo se encontrou olhando dentro de um par de olhos azuis confusos.

"Hey". Ele sussurrou com um sorriso, terminando de secar a fronte ensopada de Heero. "Bom vê-lo acordado, dorminhoco".

O garoto sobre a cama piscou algumas vezes tentando ficar acordado. Ele lutou para levantar sua cabeça e olhar o quarto, mas a mão gentil e diligente de Quatre o empurrou de volta. Ele estava fraco demais para resistir.

"Apenas fique deitado, ok. A missão está indo bem. Nós apenas fizemos uma pequena mudança nos turnos".

Heero virou os olhos. NÃO era isto que ele queria saber!

Ele soprou algumas franjas de seus olhos irritados, e voltou a olhar para Quatre. "D-Duo?" Ele perguntou rouco e quase estridente. Ele fez uma careta para a sua própria voz.

"Oh, ele pegou os turnos noturnos". Quatre informou-o vagamente.

Heero lutou com ansiedade virando seus olhos novamente. Ele suspirou olhando para a porta. Ele tentou abrir a boca para explicar para Quatre que ele simplesmente queria saber onde estava o baka, mas então pensou melhor sobre isso. Por quê deveria preocupar-se onde o baka estava? Ele não estava aqui noite passada, não é mesmo? Ele estava no seu turno noturno. Então a criatura em seu sonho... Ele era apenas isso, um sonho. Outra alucinação causada pela febre.

Heero suspirou tristemente e fechou seus olhos. O baka provavelmente estava em seu quarto, roncando e babando sobre seu travesseiro!

"Nós adicionamos umas poucas horas a mais em cada turno para cobrir o seu". Quatre contou a ele carinhosamente, colocando água num copo de plástico. Ele havia limpado o copo quebrado mais cedo, contando que Heero havia deixado o copo cair durante o sono.

Ele virou-se colocando a água nos lábios de Heero, sorrindo gentilmente enquanto ele ajudava o piloto Wing levantar sua cabeça.

"Nós faremos turnos para cuidar de você, eu espero que você não se importe com a nossa ajuda Heero, mas isto é para o seu bem." Ele disse suspirando tranqüilamente. "Duo não está apto a vir aqui porque ele não é imune a esta doença. Mas o resto de nós é, e nós iremos fazer o melhor por você!"

Não imune para a doença? Heero refletiu tristemente fechando seus olhos, Duo não pode vir aqui... Então ele era uma alucinação apesar de tudo... Ele não sabia por quê, mas por alguma razão isso o fez sentir-se... Bem, ele não estava certo, mas ele não gostava disso.

Heero fechou seus olhos e virou o olhar para longe de Quatre, querendo voltar a dormir. Ele notou que permaneceria acordado.

Por quê ele se sentia frustrado? O que era a visão da garotinha? Ou era porque ele... Aquele... Aquele baka que provavelmente estava babando sobre o travesseiro?