Autora: Naomi
Site: duoxheero . com
título original: A One Night Without a Stars
Link Imagens "Laila – A One Night Without a Stars":
Tradutora: Tina-chan
Revisoras: Illy-chan Himura Wakai e Cris Kanaschiro.
Gênero: Yaoi, Romance.
Censura: Nenhuma.
Casal: 2+1
Advertências: Um pouco de Angústia, Suspense, Mistério e Assombração em geral.
Retratações: Os personagens de Gundan Wing e todos os relatos depois da colonização não me pertencem, mas aos seus criadores (Bandai, Sunrise, Sotsu Agency & TV Asahi). Eu estou simplesmente me divertindo um pouco com eles, sem nenhum propósito lucrativo.Nota da Tradutora – Tina-chan
Eu agradeço todo o esforço e incentivo para esta tradução a uma pessoa muito especial...
Eu dedico esta tradução a Você, minha querida amiga Illyana, por todo apoio que recebi!!!! E continuo recebendo Flor, um abração de panda, no coração, por toda a gentileza que tenho recebido de você para que este trabalho saía, e também por toda a paciência que tem tido comigo... Portanto, este trabalho é tão meu, quanto seu, espero que te agrade...
Há! E não menos importante:
Agradeço também, à Naomi pela autorização, e incentivo para o trabalho – bem como a minha irmã querida Xú que tem me ajudado muito em todos os sentidos...
E também quero agradecer a todas as reviews que tenho recebido bem como os e-mails eles são muito valiosos para mim...
capítulo 04
Algumas horas depois que Heero adormecer, Duo saiu para fazer seu turno noturno. Ele estava relutante em deixar seu amigo, mas Quatre assegurou-o de que se alguma coisa acontecesse eles o chamariam. Então, com um olhar preocupado para com seu amigo, Duo deixou a casa e marchou para o pequeno pomar apossando-se do turno de Trowa.
Ele se jogou sobre o chão úmido, deitando de barriga para baixo, escondido atrás de alguns arbustos. Os monitores de vigilância estavam bem em frente a ele, sobre a vista da base. Um vento forte brincava com o topo das árvores fazendo um leve ruído, enquanto as folhas e os ramos lutavam contra as fortes correntes. A tensão antes da tempestade estava no ar, escuras e espessas nuvens reuniam-se no céu noturno. De vez em quando uma grande e morna gota de chuva caia e um suave ressoar de trovão vinha de longe.
Suspirando, Duo pegou suas lentes de visão noturna, xingando silenciosamente o amaldiçoado tempo. Primavera era legal, mas calor e poeirentas tempestades de verão, aquilo NÃO era legal. Especialmente quando você tinha que ficar a noite toda do lado de fora, encharcado com lama e chuva quente.
Olhando através de suas lentes, Duo fixou seu olhar na pequena base, ampliando um pouco a visão para ter uma vista melhor. Pouca coisa havia acontecido na última vez que ficara de vigia, e ele esperava que pelo menos hoje, ALGUMA COISA acontecesse para aliviar sua monotonia. E o ajudasse a manter-se acordado. Ele não havia dormido muito bem pelos últimos dois dias, preocupando-se com Heero o tempo todo, enquanto tentava escapar de seus pesadelos.
Duo suspirou outra vez, baixando o olhar para a pequena data que piscava no canto da tela de visão noturna. Era o quinto dia do mês. Mais dois dias para a terrível data. Mais dois dias para Heero viver...
"Maldição!." Duo xingou a si mesmo, chacoalhando a cabeça violentamente. "Pare de pensar nisso!" Ele falou para si mesmo e forçou sua mente a concentrar-se no andamento da missão.
Mas isto não ajudou muito. Sua mente continuava vaguando de volta para o garoto doente em sua cama, lutando por cada respiração.
A condição de Heero estava piorando a cada minuto. Sua febre estava tão alta que era quase um milagre seu cérebro ainda funcionar. Ele estava tão quente ao toque; Duo podia jurar que poderia fritar um ovo em sua testa. E toda aquela merda que ele estava murmurando sobre...
Ver alguém? Falando com alguém? Ele estava delirando e aquilo NÃO era bom.
Solo delirou também, mas ele não falava ou clamava ver alguém. Ele não agia loucamente. Não como Heero fazia, de jeito nenhum. Ele ficou fraco demais para agir daquele jeito. Ele apenas deitara lá pacificamente, no pequeno abrigo deles, atrás de um velho pedaço de quintal e lutara silenciosamente por cada respiração. De vez em quando ele murmurava alguma coisa, porém nunca fazia muito sentido.
Duo suspirou e fechou os olhos pesarosamente. A única vez que Solo estava coerente o bastante para falar foi quando ele morreu, murmurando aquelas últimas palavras para ele... Dizendo que desejava que eles pudessem passar mais algum tempo juntos. Porém eles nunca tiveram a chance. Solo morrera naquele momento, bem em frente de seus jovens olhos.
Ele havia prometido para seu amigo então, que eles estariam juntos para sempre. Segurando o corpo sem vida de Solo, ele havia dado a si mesmo o nome de Duo. Nunca só; sempre dois. Jamais sozinho.
Ele quis morrer naquele momento, sem razão ou vontade de viver, mas sua vida fora poupada da praga. Ele nunca entendeu por quê, porém em seu coração, ele esperava que fosse Solo, olhando por ele. Jamais sozinho.
Ele tinha que viver. Ele tinha que continuar vivendo por eles dois. Ele vinha atravessando a vida, vivendo cada momento na totalidade, tentando viver por duas pessoas. E procurando. Sempre procurando por aquela única pessoa... Aquela única pessoa que ele poderia finalmente estar com... Dividir todas as coisas... Estarem juntos. Nunca sozinho...
Com toda sua investigação e procura, ele se tornara cego. Cego para ver que aquela pessoa que ele estava procurando, aquela única pessoa almejada, estava lá o tempo todo. Ele estava lá na forma de um garoto com uma face severa, e profundos olhos azuis que sempre traiam seu exterior frio. O conforto que ele estava procurando, poderia ser encontrado facilmente, se ele apenas olhasse de perto. Mas agora... Agora era tarde demais... Não haveria nenhum ombro para chorar. Ele estava perdendo aquele ombro exatamente quando descobrira que ele estava lá. Ele partiria logo. Deixando-o para trás, como todos haviam feito. Sozinho.
Sempre sozinho.
Duo fungou, limpando as lágrimas antes que elas tivessem a chance de derramar-se de seus olhos. Ele respirou profundamente e levantou o olhar para a base novamente. Não havia nada a ser considerado agora. Ele tinha uma missão para executar. Além disto, se ele pensasse menos sobre isto, aquilo machucaria menos quando Heero morresse. Ele não deveria apegar-se demais agora, não logo no final. Era tarde demais de qualquer modo, então isto realmente não deveria importar. Apenas um companheiro morrendo, nada mais.
"Apenas um companheiro..." Duo murmurou tristemente, pegando suas lentes, baixando o olhar para a base. "Apenas um companheiro."
Tap. Tap. Tap.
Suspirando, Heero se agitou em sua cama, os lençóis sussurrantes na escuridão.
Tap. Tap. Tap...
Ele abriu os olhos lentamente e piscou algumas vezes. O quarto estava escuro e a vela extinta há muito tempo; mas a porta estava ligeiramente aberta, deixando entrar um pouco da luz do corredor. Suspirando profundamente, Heero virou-se para encarar a porta, seus olhos procurando pela bola familiar.
Ele não demonstrou nenhuma resposta em particular quando viu a bola rolar pelo corredor, passando pela porta de seu quarto, parando justamente lá. Levantou o olhar calmamente quando a porta que foi lentamente empurrada, segurada por uma mãozinha. Quando a garotinha espiou para dentro do quarto, Heero apenas piscou e retornando ao olhar fixo e calmo dela.
A garotinha sorriu para ele, acenando-lhe um pequeno oi.
Os lábios de Heero levantaram-se levemente em resposta, e ele se levantou um pouco, sustentado sobre um cotovelo. Ele observou tranqüilamente quando a garotinha desapareceu atrás da porta, longe de sua linha de visão. Ele se inclinou para frente um pouco tentando procurar por ela, mas aquilo não ajudou em nada. Tossindo baixinho, Heero inclinou o corpo na direção da porta, porém ele ainda não podia vê-la.
A bola começou a se mover no corredor.
Carrancudo, Heero esperou a garota seguir a bola, mas enquanto os segundos passavam, ele não a viu. Ele censurou-se, um pouco confuso, observando a porta por um pouco mais de tempo. Ele podia escutar a bola rolando pelo corredor, raspando silenciosamente contra o rústico piso de madeira.
Então ele podia ouvir a bola pulando as escadas, fazendo um leve ruído enquanto ela pulava cada degrau.
Curioso, Heero jogou os cobertores para o lado, e levou as duas pernas trêmulas para o chão. Assobiando levemente com o toque frio do chão contra seus pés, Heero lentamente levantou-se, tentando estabilizar-se sobre seus pés. Tossindo, ele respirou fundo algumas vezes e então levantou o olhar para a porta outra vez.
A bola ainda estava pulando escada abaixo, o som ecoando na escuridão.
Um pouco tonto, Heero andou lentamente até a porta, inclinando-se pesadamente contra o batente quando finalmente chegou lá. Prendendo a respiração, ele espiou o corredor, olhando para esquerda e para direita.
A garota não estava em nenhum lugar que ele pudesse ver.
Suspirando, Heero virou o olhar na direção das escadas, os olhos estreitando-se na escuridão do corredor. Somente uma vela estava queimando, sua pequena chama lutando contra as trevas do corredor. Aquilo dava uma pequena luz e mais sombras, porém era o suficiente para ver.
Respirando profundamente mais uma vez, Heero empurrou-se do batente, dando um pequeno passo para o corredor. Ele caminhou silenciosamente pelo corredor, seus pés descalços não faziam som algum enquanto eles pisavam sobre o tapete. Ele estava inclinado contra a parede como suporte, com sua respiração difícil enquanto ele caminhava.
Finalmente, ele alcançou a escadaria e levou alguns minutos para recuperar o fôlego. Escutava bem, ele podia ouvir a bola fazer seu caminho para baixo, batendo contra os degraus de madeira enquanto ela caia.
Ofegante, Heero piscou algumas vezes, secando o suor de sua testa e lutando para manter-se acordado. Parecia um longo caminho até lá embaixo, mas ele tinha que fazer aquilo. Ele queria saber.
Lenta e cuidadosamente, ele desceu as escadas, segurando no fino corrimão de madeira como se fosse para salvar a sua vida. Quando ele chegou ao andar térreo, a bola ficou silenciosa mais uma vez. Ele supôs que aquela bola rolara á diante sem esperar por ele (quanta grosseria!), e agora ele tinha que procurar por ela.
Infelizmente para ele, o andar térreo estava completamente escuro. Bem, aquilo não deveria ser tão difícil de corrigir.
Olhando para a esquerda e para a direita, com a respiração um pouco instável, Heero estendeu a mão para cima e sentiu as paredes ao redor. Ele sorriu levemente para si quando seus dedos encontraram o que ele procurava, e sem pensar Heero levantou o interruptor.
O andar inteiro iluminou-se num brilhante show de luzes.
Heero assentiu com satisfação, feliz por ter encontrado uma solução tão simples para seu problema, e começou a procurar pela bola.
"Tédio... Tédio... Tédio..." Duo murmurava baixinho para si, observando a base através de suas lentes noturnas. "Ainda lá... hm hmm... definitivamente ainda lá... Yep! A base não se moveu nem uma polegada." Ele suspirou fortemente para si, seus olhos cansados observando a troca regular de turnos na base abaixo. Novos guardas substituíram os guardas sonolentos, e aquela era a única coisa que tinha acontecido em HORAS.
Bocejando tão alto quanto ele pode, Duo trocou de posição mais uma vez, porque seu corpo estava ficando entorpecido. Ele ainda estava sobre o chão, que estava agora molhado com a chuva, suas roupas ensopadas e sujas. Ele piscou algumas vezes, tentando manter-se acordado; uma coisa que era fácil quando a chuva estava caindo.
Ele olhou fixo no pequeno mostrador ao lado da tela de visão noturna, e viu que havia passado apenas três horas do seu turno.
Quanto aborrecimento.
Ele levantou o olhar rapidamente quando observou um movimento no portão que dava para a base. Um veículo pequeno estava justamente estacionando em frente ao portão.
Aumentando o campo de visão das lentes um pouco, Duo podia ver que era uma motocicleta. Ele se levantou um pouco, inclinando-se o máximo que pode, e observou cuidadosamente quando o motoqueiro desceu da moto e andou até o portão. Ele estava segurando algo nas mãos. Os olhos de Duo estreitaram-se e aproximou ainda mais, mas ele não poderia dizer o que havia no pacote.
Dois guardas saudaram o homem, aparentemente casuais e frios. Eles trocaram algumas palavras enquanto um dos guardas examinava o pacote.
Duo inclinou-se mais à frente, ansioso ver o que era aquilo. Ele segurou sua respiração antecipadamente, enquanto ele observava o guarda abrir o pacote vagarosamente.
"Peguei vocês agora..." Ele sussurrou com um sorriso malicioso, ajustando as lentes para poder ver melhor a caixa. Agora ele podia ver que a caixa continha...
Pizza.
"Uma caixa de pizza!?" Duo lamentou, jogando suas lentes de lado. "Ah qual é!" Ele rosnou, virando os olhos. Amaldiçoando toda aquela situação, ele esticou-se e deitou de costas, com as duas mãos atrás da cabeça. "Pizza!" Ele exclamou, incapaz de acreditar naquilo.
Ele suspirou forçosamente e fechou os olhos. "Bem, é bom saber que eu não perdi meu tempo aqui..." Ele murmurou sarcasticamente. "Quando eu podia estar fazendo alguma coisa tão inútil como dormir..." Ele bocejou, abrindo os olhos novamente. Duo levantou o olhar sonolento para a casa a frente e subitamente arregalou os olhos.
As luzes do primeiro andar estavam acesas.
"Que merda!" Duo xingou, pulando em pé.
Começou a correr na direção da casa.
"Olá?" Heero chamou roucamente, olhando atrás do sofá. Não havia nada lá, e Heero levantou o olhar novamente, desapontado. Ele observou a grande sala de estar, tentando pensar onde ele não procurara ainda.
"Garotinha!?" Ele chamou outra vez, dando alguns passos até o centro da sala de estar. "Onde você está?" Ele perguntou e então tossiu baixinho, cobrindo a boca com sua mão para abafar o som. "Olá?" Ele procurou ao redor com um olhar confuso. Estava certo de que escutara a bola cair aqui! Onde ela estava?
A luz brilhante estava começando a ferir seus olhos, e Heero levantou uma mão para protegê-los da luz, ofegante pelo esforço que ele estava sujeitando todo seu corpo. O suor pingava de suas têmporas, e sua franja estava grudada em sua face outra vez. Ele deu um passo trêmulo à diante, olhando ao redor desesperadamente.
Eventualmente, ele viu a bola parada ao lado da porta.
Suspirando aliviado, Heero lentamente começou a andar até a bola, segurando no sofá por um momento quando a vertigem o atacou. Ele respirou fundo algumas vezes, esforçando-se para se equilibrar, incapaz também de andar em uma linha reta, ele traçou seu caminho para a porta. Estava ofegando com dificuldade, uma mão ainda sobre sua testa, os olhos fechados dolorosamente enquanto ele lutava para manter-se andando. Balançava de um lado para o outro, sua mão procurando algo para segurar. E quando ele estava prestes a alcançar a porta, a dois meros passos da bola, a vertigem foi demais e o corpo de Heero tombou para frente.
Naquele momento, a porta abriu e Duo entrou.
"Heero!" Ele chamou surpreso, segurando o garoto antes que ele caísse. "Oh Deus! Heero!"
Tossindo alto, Heero tentou empurrar-se para longe do garoto, porém seus braços trêmulos tinham pouca força, então os soltou.
"Que Diabos você está fazendo?!" Duo perguntou severamente, chutando a porta com seu pé, enquanto puxava Heero para cima e o ajudava a ficar em pé.
"Bo...La..." Heero disse asperamente, sua mão trêmula alcançando a bola.
"Huh?!" Duo falou baixando o olhar para a mão de Heero. Ele franziu as sobrancelhas quando viu que Heero estava esforçando-se por uma estúpida bolinha que estava ao lado da porta. "É por causa DISTO que você desceu aqui? Jesus, Heero! Realmente!"
"O que está acontecendo?!" A voz de Wufei veio das escadas, enquanto o resto dos pilotos vinha correndo para baixo.
"Oh Deus! Quem acendeu as luzes!?" Quatre exclamou, olhando ao redor cautelosamente.
"Heero acendeu." Duo falou com um suspiro, enquanto Trowa apagava as luzes.
A escuridão caiu sobre a casa uma vez mais. Somente a respiração ofegante de Heero podia ser ouvida.
"Heero? Você veio até aqui em baixo sem ajuda?" Quatre perguntou atônito. "Como ele conseguiu isso?"
Heero não respondeu, apenas continuou olhando para a bola. Ele estava inclinado pesadamente sobre Duo, seu queixo sobre o ombro de dele; e se as mãos de Duo não estivessem ao redor de sua cintura, ele não seria capaz de manter-se em pé.
"Eu não sei." Duo respondeu solenemente, baixando o olhar para a cabeça escura de Heero."Mas eu vi que as luzes estavam acesas, então vim direto para cá."
"O que você estava procurando?" A voz de Trowa finalmente foi ouvida. Ele estava segurando uma vela, agora trazendo um pouco de luz para dentro da casa.
Heero manteve silêncio, ainda lutando para recuperar o fôlego.
"Vamos por você de volta na cama." Duo falou com um suspiro, puxando Heero um pouco para cima, mas o garoto continuava escorregando.
Piscando, Heero virou seu olhar fixo da bola. Ele levantou o olhar silenciosamente para o restante dos pilotos, parados na escadaria iluminada pela vela de Trowa. Seus olhos vidrados olhavam para cada um deles entorpecidamente, e então ele pode sentir Duo levantá-lo cuidadosamente. Incapaz de resistir, deixou Duo carregá-lo nos braços, sua cabeça vindo a descansar em seu ombro. Ele não seria capaz de olhar para os outros pilotos de novo; fraco demais para mover sua cabeça, então apenas olhou entorpecido para frente, para grande janela na sala de estar.
Um relâmpago cortou dos céus escuros, e os olhos de Heero arregalaram-se. Ele enrijeceu-se no abraço de Duo, jogando sua cabeça para cima, olhando intensamente para a janela.
Um outro flash de uma luz azul brilhante e a boca de Heero abriu em surpreso silêncio.
Os fortes ventos estavam alisando o gramado, fazendo-o parecer como ondas gigantes em uma tempestade de chuva no oceano. As árvores eram ameaçadas de tombar sob os fortes ventos, lutando contra a tempestade. E no meio de tudo aquilo, estava uma garotinha, olhando para Heero com seus grandes olhos de avelã.
Heero ofegou e olhou para frente, de repente amedrontado pela visão.
"Calma Heero, é apenas uma tempestade." A voz de Duo tranqüilizou-o, e o garoto trançado começou a andar na direção das escadas.
Outro relâmpago; e Heero levantou os olhos, vendo a garota num breve flash de luz. Ela estava esperando pela chegada dele.
"N... Não..." Heero protestou debilmente, tentando libertar-se dos braços de Duo.
"Heero, sou eu, Duo. Está tudo bem."
"Não!" Heero gritou alto desta vez, tentando empurrar Duo longe, pressionando duas mãos trêmulas contra o peito dele. "Eu tenho... que ir para fora... Eu tenho que..."
"Heero, não há nada além de uma tempestade lá fora!" A voz de Wufei veio até seus ouvidos, mas ele a ignorou, tentando se libertar.
Outro choque elétrico cortou através dos céus da noite, e Heero pode ver a garota olhando para ele ansiosamente.
"Eu tenho que ir! Ela está esperando!" Ele gritou desesperadamente, estendendo as mãos na direção da janela.
"Heero, ninguém está esperando!" Duo gritou, agora tendo dificuldades para andar com Heero se debatendo em seus braços.
"Não! Não! Ela está lá! Ela está lá! Me solta!" Heero gritou, quase chorando. Ele estava ofegando exausto agora, seu corpo fervente tremendo sob o esforço.
"Heero, por favor, calma." Trowa pediu tranqüilamente, indo ajudar Duo a conter o piloto delirante. "Não há ninguém aqui além de nós."
"Não... Eu tenho..." Heero sussurrou exausto, incapaz de gritar ou lutar mais. Ele mergulhou dentro do abraço de Duo, inclinando-se pesadamente contra o ombro dele. Seus vidrados olhos azuis mantinham-se olhando para fora da janela, a boca levemente aberta enquanto seus pulmões lutavam para respirar. "Ela está esperando pela minha chegada..."
Levantando o olhar preocupadamente para Trowa, Duo apertou seu abraço em torno do corpo ardente do garoto. Ele virou o olhar para a janela, justamente quando um relâmpago caia, mas ele não viu nada lá. Ele sentiu a mão de Quatre tocar em seu ombro atenciosamente e forçou-se a olhar para frente.
"Vamos Duo, vamos levá-lo para a cama."
"Está ficando pior." A voz de Trowa declarou o óbvio, observando Duo enquanto ele colocava o amigo japonês deles na cama.
"O que nós podemos fazer?" Wufei perguntou impotente, também baixando o olhar para o garoto na cama.
As feições fatigadas e suadas de Heero, a boca levemente aberta enquanto ele lutava para respirar. Seu peito movia-se lentamente para cima e para baixo, seus membros imóveis sobre a pequena cama, contraindo-se de dor de tempos em tempos.
"Não há nada que possamos fazer além de esperar." Trowa respondeu calmamente, virando seu olhar para Duo. O garoto trançado estava sentado no canto da cama segurando a mão de Heero, olhando silenciosamente para o garoto. Ele franziu as sobrancelhas e então suspirou. "Eu posso cobri-lo se você quiser."
"Obrigado." Duo respondeu sem levantar o olhar.
Trowa assentiu e deixou o quarto.
Quatre observou-o deixar o quarto, e então se virou para encarar os dois garotos na cama. "Nós devemos acordá-lo." Ele disse silenciosamente com uma mão pressionada sobre seu coração. "Com uma febre alta deste jeito, será melhor mantê-lo acordado."
Duo assentiu lentamente, ainda sem levantar o olhar das feições adormecidas de Heero.
"Tenha certeza de que ele beba alguma coisa". Wufei adicionou, virado para a porta.
Duo não respondeu, e Quatre suspirou. Ele sentiu Wufei colocar uma mão sobre seu ombro e levantou o olhar, encontrando os olhos do piloto chinês. Ele viu Wufei apontar para a porta com a cabeça, e assentiu. Os dois deixaram o quarto, fechando a porta silenciosamente atrás deles.
Com o som da porta se fechando, Duo levantou o olhar um pouco surpreso. Suspirando, ele baixou o olhar outra vez, olhando para seu amigo com atormentados olhos violetas. Ele esticou a mão, empurrando um pouco a franja ensopada longe dos olhos de Heero. Ele observou Heero por um momento, enquanto o suave tremular das chamas dançavam sobre suas feições úmidas, pequenas gotas de transpiração cintilando sob a suave luz da vela. Seus dedos hesitaram sobre a pele quente por pouco tempo, lentamente acariciando as feições avermelhadas de Heero.
Ele sorriu melancolicamente para o garoto quando Heero gemeu baixinho, inclinando-se para o toque frio. Ele virou e pegou o pano do criado mudo, e mergulhou-o dentro de um pouco de água. Torcendo o pano suavemente, virou-se mais uma vez para Heero, vagarosamente começando a banhar a face fervente dele.
Outra vez Heero gemeu com o toque frio e respirando profundamente, virou sua cabeça na direção de Duo. Seus olhos agitaram-se abertos, e Duo não pode evitar sorrir para aquele turbilhão azul oceano.
"E aí." Ele sussurrou, recusando-se a quebrar o agradável silêncio com uma voz alta.
Heero piscou algumas vezes, olhando para Duo com uma expressão confusa.
"Aqui." Duo sussurrou outra vez, entregando para Heero um copo de água. "Beba isto."
Ele ajudou Heero a se levantar, sustentando sua cabeça, e lentamente levou o copo para seus lábios. Ele observou atentamente enquanto Heero bebia, seus olhos estreitaram-se angustiados quando ele viu um pouco do líquido escapar da boca de Heero, deslizar para seu queixo e sobre a cama. Ele estava tão fraco que mal podia engolir.
Sorrindo ternamente para o garoto, Duo estendeu uma mão e gentilmente secou a água do queixo de Heero. Heero enviou-lhe um olhar confuso outra vez, surpreso pelo ato gentil, mas deixou-o fazer isso.
Depois de ter certeza que Heero bebera o suficiente, Duo gentilmente tornou a deitá-lo no travesseiro e pôs o copo de lado. Ele viu Heero preparar-se para voltar a dormir e então se lembrou das palavras de Quatre. Ele estendeu a mão e cutucou o garoto levemente.
"Heero, você não pode voltar a dormir." Duo sussurrou para ele, chacoalhando-o gentilmente. "Você tem que se manter acordado."
"...Cansado." Heero sussurrou com os olhos ainda fechados.
"Eu sei, mas não é bom dormir agora. Você está com a febre alta demais."
Heero não respondeu nem abriu os olhos, então Duo o cutucou outra vez. "Heero, vamos amigo. Acorde."
Tossindo fraquinho, Heero abriu os olhos, cansadas piscinas de cobalto olhando para Duo, entorpecidas. "D-Duo ?" Ele perguntou num mero murmúrio. "Você está aqui?"
Pasmado, Duo não pode fazer nada além de tentar acalmá-lo. Ele estendeu uma mão, empurrando a franja de Heero para o lado e sorriu ternamente para ele. "Sim, Heero. Eu estou aqui."
"N- Na- Não bom..." Heero murmurou, esforçando-se para manter os olhos abertos. "Quatre disse... ficar... doente..."
Duo suspirou triste, e gentilmente acariciou a testa fervente de Heero. "Não se preocupe com isso, Heero. Eu ficarei bem."
Ele ficou surpreso ao ver Heero sorrir levemente em retorno. "A-Ari...ga...tou..."
Duo forçou-se a sorrir de volta. "De nada Hee-amigo."
Heero assentiu e fechou os olhos outra vez. Mas ele não se permitiu voltar a dormir.
Deslocando-se desconfortavelmente no seu lugar sobre a cama, Duo tentou pensar em um jeito de manter Heero acordado. Eventualmente, ele resolveu pela única coisa que sabia fazer melhor: conversar.
"Sabe Heero, todo este tempo em que estamos juntos, eu acho que mal conheço você."
Os olhos azul cobalto lentamente piscaram para Duo em confusão.
Duo forçou uma risadinha, encolhendo os ombros, impotente. "Bem, é verdade. Você nunca conversa." Ele fez uma careta, baixando o olhar para seu amigo. "Por que isto?"
Heero suspirou, olhando para frente. "Eu não tenho... Nada... Para falar..."
Duo virou os olhos, sentando-se mais confortavelmente na cama. "Claro que você tem! Porque tudo o que você tem que fazer é tentar. Como nós fazemos, sente-se e fale. Inferno, até o TROWA faz isto. Mas, você... você nunca se junta..."
Mais uma vez Heero suspirou, fechando os olhos, parecendo distante. "Vocês estão se divertindo, eu não quero interromper."
"Não é interromper, é interACÃO. Apenas junte-se a nós e converse!"
"O que eu deveria dizer?" Heero perguntou roucamente, virando sua cabeça para encarar Duo, os olhos cobalto brilhando na luz da vela.
Duo fez uma careta, pensando. "Bem, você pode falar sobre você mesmo, então nós iríamos conhecer você melhor."
Heero rosnou suavemente, virando a cabeça para frente outra vez. "Não há nada para saber."
Neste momento, Duo levou alguns minutos pensando em uma resposta apropriada. Ele mordeu seu lábio inferior pensando, até que seus olhos subitamente iluminaram-se com uma idéia. Ele pulou da cama alegremente, e tornou a pegar na mão de Heero entre as suas. Ele baixou o olhar, sorrindo para si mesmo vendo a expressão surpresa de Heero.
"Nós podemos começar com os fatos." Ele finalmente disse, recebendo outro olhar confuso de seu amigo.
"Fatos?" Heero resmungou, levantando uma sobrancelha.
"Sim, você é bom nisso, certo?"
Heero apenas piscou confuso.
Duo sorriu. "Agora, eu começarei." Ele respirou profundamente, ainda segurando a mão de Heero e olhou diretamente nos olhos do garoto, seus próprios olhos calorosos e gentis. "Eu sou Duo Maxwell, e tenho quinze anos."
Novamente Heero piscou, ofegando para Duo. Ele sentiu Duo pegar o pano da tigela e colocá-lo gentilmente sobre sua testa ardente. O garoto trançado então sorriu ternamente, esperando que ele falasse. Depois de alguns minutos, ele conseguiu reunir suas habilidades, e piscou confuso. "Uh... Eu-Eu sou Heero Yuy e tenho quinze anos."
O sorriso de Duo alargou-se, feliz que Heero estava indo em frente. Ele respirou profundamente outra vez e então continuou. "Eu sou Duo Maxwell, e tenho quinze anos. Duo não é meu verdadeiro nome."
Arregalando os olhos brevemente, Heero olhou pasmo para Duo um pouco mais de tempo, antes de compreender seu pequeno jogo. "Eu sou... Heero Yuy e tenho quinze anos." Ele tossiu baixinho, respirando profundamente antes de continuar. "Heero não é meu nome verdadeiro também."
Duo assentiu, seu sorriso lentamente desaparecendo. Ele olhou para longe por um segundo, antes de voltar-se para Heero, seus olhos violetas perdendo um pouco de sua luz. "Eu sou Duo Maxwell, e tenho quinze anos. Duo não é meu nome verdadeiro. Eu dei meu próprio nome."
Atordoado, Heero não podia fazer nada além de olhar fixo para Duo por um longo tempo. Duo apenas encolheu os ombros e sorriu melancolicamente para ele. Ele apertou a mão de Heero gentilmente, olhando ternamente para ele. "Sua vez."
O corpo entorpecido, Heero mal conseguiu concordar com a cabeça. Ele respirou fundo, tossindo antes de finalmente falar. "Eu sou Heero Yuy e tenho quinze anos. Heero não é meu verdadeiro nome também. J deu-o para mim porque eu precisava de um nome para a guerra."
Sentindo seu coração apertar dolorosamente, Duo assentiu compreendendo, mais uma vez olhando para longe antes de voltar-se para Heero.
"Eu me dei meu próprio nome por causa das pessoas que eu amava e me importava."
Estremecendo silenciosamente, Heero engoliu o nó em sua garganta, fechando seus olhos tristemente. "Eu... Eu também tinha pessoas que eu a--amava e... me--... Importava." Ele sussurrou tristemente, incapaz de olhar para Duo. Ele sentiu o garoto trançado apertar sua mão suavemente. Levantou o olhar para Duo, e ele ficou atordoado quando encontrou-se olhando diretamente dentro de um par de brilhantes olhos violetas. Os olhos de Duo estavam brilhando com lágrimas, cintilando sob a fraca luz da vela. Porém, apesar das lágrimas, Duo estava sorrindo para ele, seu sorriso caloroso e compassivo.
Heero ofegou quando ele sentiu os dedos frios de Duo lentamente afastarem um pouco de sua franja de seus olhos, piscou confuso com as ações de Duo.
"Solo costumava tomar conta de mim nas ruas... Padre Maxwell e a irmã Helen tomaram conta de mim quando eu estava na igreja."
Heero achou que tivesse perdido a capacidade de falar sob o caloroso olhar violeta. "Eu... Minha... minha mãe cuidava de mim quando eu era pequeno... depois disso eu tinha Odin."
Duo baixou o olhar para Heero demoradamente, antes de assentir compreendendo. Ele respirou fundo, fechando os olhos tristemente. "Solo morreu da praga. Padre Maxwell e a irmã Helen foram assassinados". Ele manteve seus olhos fechados depois disto, num esforço inútil de parar as lágrimas. Ele não podia acreditar que ele tinha contado para Heero sobre isto. Era uma coisa que ele não falava alto. Nunca. Não para alguém. Mas... Mas ele sentiu que poderia contar a verdade para Heero.
De repente ele sentiu Heero segurar sua mão com mais força, e voltou o olhar para o piloto doente.
Heero sorriu triste para ele, tossindo fracamente. Ele respirou fundo algumas vezes antes de sua voz rouca falar outra vez. "Minha mãe morreu porque Odin assassinou-a." Ele falou com a voz mais ou menos imparcial. Mas então um outro pequeno sorriso apareceu nas feições pálidas de Heero, os olhos subitamente vivazes. "Odin costumava me contar estórias quando eu estava doente."
Duo sorriu debilmente, alguma luz retornando para seus olhos violetas. "Irmã Helen costumava ler para mim a Bíblia quando eu ficava doente. Aquilo fazia QUALQUER UM desejar ficar melhor MAIS RÁPIDO." Ele riu de sua pequena piada, então sorriu e viu Heero rindo também. Era apenas um triste e pequeno sorriso, mas este sorriso valia muito nas feições pálidas de Heero.
Ele reforçou o aperto na mão quente de Heero, sorrindo para ele. "Viu? Não é tão difícil."
Heero concordou com sua cabeça, corando levemente quando sentiu a ponta do polegar de Duo acariciar sua mão.
"Então," Duo começou numa voz mais disposta. "Devemos dar a isto um outro começo?"
Pensando sobre isto por uns poucos segundos, Heero finalmente concordou.
Duo sorriu e segurou sua mão com mais força. Pelo restante da noite, ele se permitiu esquecer das condições trágicas de Heero e apenas ficar ao seu lado conversando. Ele não se permitiu pensar sobre a inutilidade da conversação, sobre o quão idiota era estar conhecendo Heero quando ele estava em seu leito de morte. Ele apenas queria desfrutar daquelas horas preciosas, talvez fazer Heero sentir-se um pouco melhor. Porém, mais que tudo, era isto o que ele queria sentir. Ele queria estar com Heero. Ele queria estar com ele e conversar com ele. Ele queria sentir o que ele tinha compreendido recentemente. Ele queria uma vez mais, ter um melhor amigo. Alguém com quem pudesse falar sobre QUALQUER COISA. Alguém para dividir a alegria e a tristeza. Suas lágrimas e suas risadas. Suas memórias sombrias do passado e suas esperanças por um brilhante futuro. Alguém que escutaria e entenderia.
Alguém como Heero.
Na manhã seguinte, Duo desceu as escadas bocejando e esticando as mãos no ar. Ele balançava sonolento para a cozinha, enviando um sorriso cansado de 'Olá' para Quatre, que estava sentado na cozinha. Wufei estava fora em seu turno e Trowa provavelmente dormindo depois de cobrir Duo a noite passada.
Bocejando alto, Duo serviu-se de um pouco de café forte.
Quatre riu. "Você deveria dormir um pouco mais, Duo. Não é nem meio dia ainda. Você dormiu bem, pelo menos?"
Levantando os ombros, Duo jogou-se na cadeira ao lado de Quatre. "Um pouco." Ele bocejou mais uma vez.
O piloto loiro balançou sua cabeça, sorrindo divertido. "Eu ouvi Heero e você falando a noite toda. Você está se sentindo um pouco melhor?"
Ainda no meio de um bocejo, Duo assentiu com a cabeça. E voltou a beber seu café, encolhendo os ombros. "Um pouco. Eu não posso dizer nada por Heero, penso. Ele começou a vomitar cada vez que eu dava algo para beber. Ele não consegue engolir nada."
Não tendo nada a dizer sobre aquilo, Quatre apenas abaixou a cabeça tristemente.
A cozinha caiu no silêncio, e Duo retornou a beber seu café. Ele arqueou uma sobrancelha quando viu que Quatre estava lendo atentamente um maço grosso de papéis velhos. Ele abaixou sua caneca, e alcançou um dos papéis. "O que é isto? Relatório de missões?"
"Huh? Ah, não." Quatre respondeu, levantando o olhar. "São apenas alguns artigos velhos que eu encontrei na Internet."
"Artigos?" Duo perguntou, observando o papel que estava segurando. Depois de ler algumas linhas ele levantou o olhar para Quatre, confuso. "Você está lendo sobre casos de assassinato? Eu não sabia que você estava interessado em romances de mistério e coisas assim..."
Quatre riu. "Eu não estou, mas esta coisa prendeu minha atenção. Eu apenas estou fazendo uma pesquisa."
"Pesquisa?" Duo falou, pegando um outro papel da grande pilha que estava sobre a mesa. Seus olhos arregalaram-se quando ele observou uma foto em um dos artigos. "Sobre esta casa?" Ele mostrou para seu amigo a foto que havia descoberto, uma foto antiga da grande casa da fazenda, que atualmente eles estavam vivendo.
Os olhos de Quatre arregalaram-se e ele esticou-se para o papel. "Oh! Eu estava procurando por este! Eu pensei que tivesse derrubado..." Ele murmurou, pegando o papel de Duo e rapidamente lendo-o por inteiro.
"Quatre, por que você está interessado neste assassinato?" Duo perguntou, muito confuso. "Existem cerca de um bilhão deles nesta região. Por que este?"
"Oh, não é sobre o assassinato que eu estou curioso. É sobre o fato de que eles nunca encontraram um dos corpos." Quatre explicou solenemente. Ele levantou o olhar para seu amigo, sorrindo levemente. "Além do que, não há nada melhor para fazer."
Duo forçou um sorriso. "Sim, você está certo. Esperar é meio chato..." Ele pegou alguns papéis e bebeu um outro gole de café. "Então você está tentando imaginar onde o corpo está?"
Quatre corou levemente. "É bobagem, não é? Eu pensei que em praticar minhas habilidades de detetive um pouco..."
Duo riu. "Hm, Quatre Sherlock Winner... Soa bem legal." Ele enviou uma rápida olhada sobre seu ombro, e então voltou-se para encarar o loiro. "Então você vai investigar todos os armários?"
Quatre riu e negou com a cabeça. Ele retornou a ler novamente o papel.
Duo sorriu amargamente. Ele inclinou-se de volta para a sua cadeira, colocando os dois braços atrás de sua cabeça, levantando o olhar para o teto, para o andar de Heero e suspirou pesarosamente para si. Eu admito que esta é uma boa hora como qualquer outra para tirar alguns esqueletos fora do armário... Ne, Heero?
Meio dia em ponto, os fortes raios solares filtraram através da cortina rosa do quarto de Heero. O dito garoto estava deitado em sua pequena cama, curvado para si, deitado de lado, de frente para a janela. Seus olhos estavam fechados, com a respiração regular, profundamente adormecido.
Os brilhantes raios de sol banhavam suas pálidas feições, fazendo seu cabelo parecer como se estivesse brilhando sob a luz branca.
BANG!
Os olhos de Heero estalaram abertos e ele ofegou. Ele imediatamente fechou seus olhos quando a luz brilhante atingiu-o diretamente na face e gemeu miseravelmente por causa de seu corpo dolorido.
BANG!
Outra vez o som alto, e Heero suspirou com dificuldade. Ele empurrou-se para cima, voltando a se deitar do outro lado olhando, esquecendo da janela.
BANG! BANG! BANG!
O som furioso continuou, ressoando muito alto nos ouvidos de Heero. Ele encolheu-se por causa do barulho alto, esfregando seus olhos para clarear a visão. Quando finalmente abriu os olhos, ele estava encarando o olhar infeliz e zangado da garota.
BANG!
Ela estava jogando a bola com força no chão, seus olhos de avelã brilhando raivosamente para Heero.
Piscando, Heero levantou o olhar confuso.
BANG!
A bola batia com força no chão, junto aos pés da garota enquanto ela os batia no chão também. Os olhos dela mantinham-se o encarando acusadoramente.
Grunhindo, Heero levantou-se, encostando sobre os travesseiros. Ele secou um pouco de suor de sua testa e voltou a olhar para a garota.
BANG!
Heero suspirou e balançou a sua cabeça. "Isto é muito para conseguir atenção." Ele falou para ela com a voz rouca, apontando para a bola. "Qual é o problema?"
BANG!
Heero virou os olhos e suspirou outra vez. "Você está brava comigo?"
BANG!
"Está mesmo, huh?" Heero concluiu, coçando sua cabeça impotente. "É alguma coisa que eu fiz?"
Desta vez a garota pegou a bola, mantendo-a segura em sua mão e ainda olhando fixo para Heero.
"É porque eu não saí?"
Os olhos de avelã continuaram fixos.
Heero suspirou e abaixou a cabeça, entristecido. "Me perdoe. Você esperou por mim, huh?"
Subitamente a bola foi jogada na sua direção.
Surpreso, Heero pegou a bola e baixou o olhar para ela, confuso. Se ela estava zangada, por que ela ainda queria brincar?
A garota suspirou tristemente, e então apontou para ele jogar a bola para ela.
Apesar de estar cansado daquele jogo, Heero concordou. Ele jogou a bola para ela, e como de costume, a bola passou direto por ela.
Heero suspirou e olhou para frente.
A garota bateu o pé e pegou a bola. Ela olhou fixo para Heero por alguns momentos, e então jogou a bola com força e raiva para ele.
Mais uma vez Heero pegou a bola, e levantou o olhar para ela, desanimado. "É inútil, você não pode pegá-la." Ele falou objetivamente, levantando a bola para sua face. Ele examinou-a por um momento e então olhou de volta para a garota. Ela ainda parecia brava com ele, a mão sobre os quadris, esperando para que ele jogasse para ela a bola. Mas, qual era o objetivo do jogo?! Ela não podia pegá-la! Por que ela estava insistindo em jogar com ele?! Por que ela não ia embora? Que tipo de alucinação ela era, afinal?!
Heero ofegou e seus olhos arregalaram-se. Ele levantou os olhos para a garota com a bola segura em suas mãos.
A garota levantou os olhos para ele, suas feições suavizadas quando ela viu a aparência aturdida na face dele.
E então, lentamente atordoado, as mãos de Heero trabalharam por conta própria, e ele jogou a bola.
A cabeça da garota levantou, olhando para a bola em antecipação.
"Você não é uma ilusão."
A bola caiu direto nas mãos da garota, e ela pegou-a.
Ela sorriu, olhando alegremente para Heero. Negou com a cabeça, jogando para ele a bola.
Heero pegou-a, ainda um pouco confuso. Ele baixou o olhar para a bola e então para a garota. Fazendo uma careta, ele jogou a bola de volta para ela.
"Você é um fantasma?"
Mais uma vez a bola deslizou para as mãos da garota. E ela pulou no ar, batendo as mãos alegremente.
Heero sorriu levemente, sua confusão crescendo dez vezes mais. "Eu matei você?" Ele perguntou com uma voz calma e incerta.
A garota negou com a cabeça.
Heero suspirou aliviado, e então levantou o olhar para ela outra vez, seus olhos cobalto brilhando com compaixão. "Você morreu aqui? Nesta casa?"
A garota abaixou a cabeça tristemente, e então negou lentamente.
Heero fez uma careta; aborrecido com a resposta confusa. Ele olhou para a garota outra vez, percebendo a conduta triste dela. "Por que eu não posso ouvi-la?"
A garota apenas encolheu os ombros.
Mordendo seus lábios em reflexão, Heero olhou ao redor, como se procurando por respostas. Ele olhou para a garota novamente e seus olhos estreitaram-se. "O que você quer de mim?"
A garota lançou a cabeça para cima e seus grandes olhos de avelã repentinamente brilharam com esperança. Ela sorriu tristemente para ele, e então abriu sua boca para falar.
Heero concentrou-se, tentando ler os lábios dela. Os lábios da garota começaram a se mover, mas então a porta de repente se abriu e Duo andou direto através da garota.
Heero retraiu-se assustado com a visão, seus atentos olhos azuis lançaram-se para olhar o intruso.
Duo sorriu-lhe luminosamente enquanto andava na direção da cama, com uma bandeja de comida em suas mãos.
"Bom dia Hee-Chan! Trouxe um pouco de comida para você!"
Heero virou os olhos para o baka, e inclinou-se para o lado um pouco, tentando espiar atrás de Duo para ver a garota. Mas Duo continuou no caminho, movendo-se para o lado justamente quando Heero inclinou-se para baixo. Heero rosnou e virou os olhos. Por que aquele baka não saia?!
Duo estava inclinado sobre a pequena mesa ao lado da cama de Heero, colocando a bandeja com um pouco de sopa e pão sobre ela. Quando ele endireitou-se, ficou surpreso em ver Heero fazendo o mesmo, ele estava inclinado de lado para procurar alguma coisa. Duo fez uma careta e enviou um olhar sobre seu ombro. Como de hábito, não havia nada lá.
Ele virou os olhos e suspirou tranqüilamente para si. Então pegou a tigela de sopa e foi sentar-se sobre a cama. O garoto japonês ainda estava olhando para alguma coisa, firmemente concentrado na direção da porta.
"Ei, Heero." Duo falou para ganhar sua atenção. Heero lentamente voltou-se a olhar para ele. Duo sorriu, colocando uma colher de sopa em sua boca. "Quatre disse para você tentar comer alguma coisa. Acha que consegue?"
Suspirando cansado, Heero assentiu. Ele enviou um olhar rápido para a porta vendo a garota abaixar os ombros tristemente.
"Aqui, eu trouxe para você um pouco de pão também." Duo anunciou com orgulho, colocando um pedaço de pão na boca de Heero.
Heero olhou fixo para ele. Ele odiava ser alimentado!
"Oh! Você está certo! Melhor embebedar com um pouco de sopa!" Duo exclamou quando ele viu aquele olhar penetrante, achando que sabia que não era esta a razão. Ele mergulhou o pão na canja de galinha, sussurrando para si mesmo.
Heero virou os olhos e tossiu.
"Lá vamos nós! Todo empapado e pronto para comer!" Ele disse, dando o pão para Heero, o qual estava pingando sopa, parecendo uma coisa muito desagradável de pensar.
Heero suspirou e olhou para o pequeno pedaço de pão. Levando-o para sua boca, exatamente quando uma outra tosse saiu de seus pulmões.
"Wow, cuidado aí, Hee-chan! Você não quer engasgar agora, não é?" Duo provocou, enviando para Heero uma piscadela.
Mas Heero não respondeu. Ao invés, ele tossiu outra vez sem fôlego, angustiado.
"Heero?" Duo chamou preocupado. "Heero, o que foi?"
Mais uma vez o garoto tossiu, mas a tosse saiu toda abafada e sufocada.
Os olhos de Duo arregalaram-se quando ele entendeu que Heero não estava respirando. "Heero!" Ele exclamou em pânico, pulando sobre a cama. "Oh Deus! Heero!"
Mais uma vez o garoto japonês tentou tossir para limpar as vias aéreas, mas isto não o estava ajudando. Ele levou uma mão para sua garganta, sinalizando para Duo que ele estava sufocando. Sua face estava tornando-se vermelha, sua pele jorrando suor quando ele tentava forçar seus pulmões a respirar. Ele socou seu peito algumas vezes, desesperado por oxigênio, mas o caroço em sua garganta não se movia.
"Oh Deus! Oh Deus!" Duo estava aterrorizado quando ele correu para Heero, batendo fortemente sobre suas costas, tentando ajudá-lo a respirar. Ele posicionou-se atrás de Heero, envolvendo as mãos rapidamente ao redor do peito do garoto e fez a manobra Heimlich.
Tossindo, Heero cuspiu fora o pedaço de pão, engolindo enormes quantidades de ar. Ele jogou-se de costas no corpo de Duo, ofegando com dificuldade.
Duo respirou aliviado.
E então Heero começou a tossir outra vez. Muito alto e profundo, que soava como se ele estivesse sufocando novamente. Os olhos de Duo arregalaram-se quando sentiu o corpo pular no seu abraço, a respiração alta do garoto japonês encheu o quarto.
"Heero?"
"D-D—ah--ek!!!" Heero gaguejou, levantando a sua mão no ar pedindo ajuda. Ele pode sentir seus pulmões queimarem, suplicando por fluxo de oxigênio, porém não podia fazer nada além de tossir para fora o ar, esforçando-se para inalar, mas incapaz de fazê-lo. Sentia seu peito pesado, impedindo-o de se mover, queimando de dor.
Um ofego e então a tosse. Seu corpo queimava dolorosamente pela falta de oxigênio. Outro pequeno ofego e então mais tosses. Estava ficando cada vez mais e mais difícil tentar regular a respiração. Sua boca abriu-se totalmente, os olhos azuis arregalados olhando para o teto em choque.
"Heero! Oh Deus! Merda! QUATRE!!!!!!!!!!!!!!!!!!"
Lágrimas começaram a encher os olhos fixos de Heero, e ele deu uns suspiros curtos e rasos, sentindo as trevas deslizarem para as bordas de sua mente.
"HEERO!"
A voz de Duo soava como um eco de muito longe, quando a vida de Heero começou lentamente a deslizar para longe. Seu corpo tinha se esforçado, seus pulmões vazios sem ar e recusando-se a funcionar.
Ele podia ouvir seu próprio coração bater, alto e o esmagador silêncio de repente rodeou-o.
Ele sentiu-se cair, fraco e suavemente dentro de um abismo de trevas, quando seu corpo bateu contra a cama.
Duo estava pairando em algum lugar sobre ele, os olhos violetas arregalados em pânico.
E em algum lugar distante, ele pode ouvir a voz da garota.
"Venha até mim..."
