Autora: Naomi

Título original: A One Night Without a Stars

Tradutora: Tina-chan

RevisoraMarlon Kalango

Gênero: Yaoi, Romance.

Censura: Nenhuma.

Casal: 2+1

Advertências: Um pouco de Angústia, Suspense, Mistério e Assombração em geral.

Retratações: Os personagens de Gundan Wing e todos os relatos depois da colonização não me pertencem, mas aos seus criadores (Bandai, Sunrise, Sotsu Agency & TV Asahi). Eu estou simplesmente me divertindo um pouco com eles, sem nenhum propósito lucrativo.

Nota da Tradutora – Tina-chan

Eu dedico todo o esforço e incentivo para esta tradução a uma pessoa muito especial...

Eu dedico esta tradução a você, minha querida amiga Illyana, por todo apoio que recebi!!!! Linda, agradeço, de coração, toda a gentileza que recebi de você para que este trabalho saísse... Portanto, este trabalho é tão meu, quanto seu, espero que te agrade...

Ru agradeço também a todos os que tiveram paciência em aguardar a finalização deste trabalho e todo o apoio que recebi dos meus leitores que gentilmente me deixaram reviews e também aos anônimos muito obrigada pelo carinho

Há! E não menos importante: Agradeço também, à Naomi pela autorização, e incentivo para o trabalho – bem como a paciência em responder minhas dúvidas...

capítulo 08 - Epílogo

Os cálidos raios de luz banhavam os parques gramados e as ruas claras. O ar estava morno e carregado da doce fragrância das flores. Tudo era brilhante e calmo, o canto dos pássaros ecoando por entre as paredes dos edifícios.

Ele correu rua abaixo tão rápido quanto uma bala. Deixava-se ser acariciado pelo vento cálido enquanto corria, seu cabelo selvagem despenteando-se pela brisa leve. A centelha de uma risada dançava em seus profundos olhos azuis enquanto ele se lançava no ar, pulando sobre uma cerca de arame alta.

Aterrissando sobre o gramado fofo, continuou correndo. Sorrindo para si mesmo, envolto pelo ar doce e a cálida luz. A brisa e a luz acariciacam-lhe a pele, fazendo com que e ele inspirasse profundamente, desfrutando da sensação de pureza nos pulmões. A queimação que alí estivera há pouco tempo atrás se fora; e ele mal podia lembrar de que aquilo existira. Ele correu colina a cima, ofegando levemente com o esforço, porém ele se sentia refrescado apesar de tudo.

Alcançando o topo da colina, ele curvou seu corpo para frente e rolou a ladeira de grama, rindo como se o mundo encenasse uma dança feliz ao redor dele. Aterrissou no final da colina, atordoado, porém feliz. Deitou-se de costas com as pernas esparramadas, sobre a campina verde e suave, seus dedos brincando com a grama macia. Olhou para o céu, seus olhos azuis brilhando. Sorriu para si com um sentimento de felicidade.

Ele gostava de estar naquele lugar. Aquele lugar era o seu refugio. Nada o aborrecia quando ele estava deitado lá, os suaves raios de sol banhando sua pele, o vento brando acariciando-o, desordenando seu cabelo alegremente, como uma mãe acalentando seu filho para dormir. Não havia nada que perturbasse o silêncio além do som dos pássaros, e ele se deixou ser inundado pela paz e felicidade.

Ali era o seu lugar favorito de todos os lugares no universo. Se ele pudesse evitar, ele nunca o deixaria. Aquele era o lugar onde ele se sentia bem, amado e sua mente livre. Depois de tudo, este era o seu lar. Ele deveria se sentir seguro lá. Ele sentia como se morasse entre os altos e brilhantes edifícios, o parque verde e as árvores altas. Ele sabia que nenhum mal poderia jamais alcançá-lo ali. Sabia que a uns poucos passos para a direita, dois pavimentos e três portas abaixo, estava o seu lar. Ele tinha ciência que no minuto em que ele abrisse a porta, seria acolhido pela doce fragrância perfumada e sua sorridente face.

"Ne, Onii-san, você está perdido?".

Porém mais uma vez, aquele lugar era a fonte de muitos de seus pesadelos.

Aquele lugar era origem de muitas memórias e experiências ruins. A pacífica atmosfera nunca duraria muito tempo. Os minutos se esvairiam e ele se esqueceria sobre tudo, sobre o lar a poucos passos a para a direita. Ele esqueceria sobre a face sorridente e o luminoso vestido azul. Lá existiria somente dor e tristeza, então, a lembrança daquilo que ele havia destruído.

Seu lar.

"Ne, você está perdido?".

Ele abriu os olhos surpreso, piscando contra a luz brilhante ao seu redor. Uma grande sombra subitamente caiu sobre seu rosto. Ele não estava surpreso em ver a face da garotinha; os grandes olhos azuis olhando-o gentilmente. Ele retribuiu-lhe o olhar tranqüilamente; afinal de contas, ele a havia visto MUITAS vezes.

Lentamente, sentou-se e olhou ao redor. O parque ainda era bonito e pacífico, porém sabia que isto não duraria muito. E ao contrário das muitas outras vezes; desta vez, isto não importava. Ele não se importava mais. A destruição viria e ele tinha certeza daquilo. Estava preparado para aquilo. Agora, aquilo não seria tão ruim, porque desta vez, ele não a enfrentaria sozinho. Ele não estava mais sozinho.

Ele olhou para sua mão, sorrindo, quando de súbito notou que ela estava segurando uma pequena cruz prateada.

Ele não estava mais sozinho.

"Ne, Onii-san?" A vozinha chamou-o novamente e ele voltou a olhar para a garota, sorrindo ternamente para ela.

"Não. Eu não estou perdido". Ele respondeu suavemente, seus olhos brilhando com a luz suave. "Não mais".

A menininha sorriu e sentou-se a sua frente. Ele olhou para baixo e viu um cachorrinho branco balançando a calda alegremente, correndo em pequenos círculos, como se executasse uma pequena dança. Ele sorriu para o animalzinho e estendeu uma mão para o pelo fofo do bichinho.

A garotinha riu. "Você nunca acariciou Mary, antes". Ela comentou olhando para o cãozinho.

Ele assentiu concordando. "Sim. Eu gostaria de saber o por quê disto. Ela é realmente engraçadinha". Ele acariciou os pêlos da cabeça e a cadelinha latiu alegremente. Ele riu, feliz, alegrando-se.

A garotinha sorriu.

"Isto é um sonho?" Ele finalmente perguntou, repentinamente inseguro. "Ou alguma coisa mais?".

A garota deu de ombros. "Se eu lhe contasse que isto não é um sonho, como você poderia ter certeza que não é?".

Ele pensou por um momento, vendo que ela estava certa. Um sonho simbólico poderia dizer que aquilo não era um sonho, mas aquilo necessariamente não significaria que era real. Apesar de tudo, fazer parte de um sonho era o que ele queria para ela. Então, havia apenas um jeito de descobrir. Ele olhou para ela, sorrindo alegremente. "Então, me conte alguma coisa que eu não sei".

A garota sorriu e concordou com a cabeça. "Eu sou Annie".

Os profundos olhos azuis se arregalaram surpresos. "A-Ann... ie?"

A garota sorriu e concordou. "Sim. E você já conhece Mary". Ela apontou para a cachorrinha.

Ele sorriu, sentindo como se uma grande carga fosse levantada de seu coração. "Annie..." Ele saboreou o nome em sua boca mais uma vez, e então de repente o sorriso esmoreceu e seu rosto empalideceu. Ele virou-se e olhou para ela, novamente: "Eu matei você, Annie?".

A garota assentiu, mas o sorriso dela não vacilou. Não havia um sinal de tristeza nos alegres olhos azuis dela.

"E Mary também..." Ele murmurou tranqüilamente, olhando para a pequena cadela. "Eu matei todos..." Ele disse tristemente, uma única lágrima prateada rolando pelo seu rosto. Ele segurou a pequena cruz mais forte, e voltou a encarar a garotinha mais uma vez. "Então por que você está... Por que você está... aqui comigo?".

Annie encolheu os ombros. "Assim você não seria tão triste". Ela sorriu timidamente. "E eu gosto muito de você".

Ele sorriu de volta.

"Além do que uma eternidade é um looooooooooongo tempo".

"E a sua família?". Ele perguntou com uma voz espantada. "Eu os matei também?".

A garotinha assentiu os olhos subitamente tristes. "Sim...".

"E você não quer estar com eles?".

Mais uma vez, a garota balançou os ombros. "Eles irão esperar. Como eu disse; nós temos todo o tempo do mundo". Ela estendeu a mão e acariciou a cachorrinha, brincando com ela e rindo para si mesma.

Um pequeno sorriso tocou os lábios dele e a luz retornou aos seus olhos. Ele observou-a brincar com a cachorrinha branca, até que a compreensão subitamente iluminou-o. Seu sorriso desapareceu e uma careta preocupada apareceu em seu rosto. "Por que você está aqui? Por que agora? É por que eu morri?".

A garota olhou-o com surpresa, como se ela não esperasse que ele falasse tão rapidamente. Ela observou a expressão triste dele e seus olhos encheram-se de compaixão.

"Eu morri, certo? Eu não posso estar aqui com..." Ele suspirou, e uma outra lágrima prateada escapou de seus olhos. Ele olhou para a cruz de Duo, e lentamente acariciou-a com seu dedo. "Eu não vou poder estar com o Duo nunca mais...".

Ele sentiu alguma coisa tocá-lo gentilmente e levantou o olhar surpreso. Ele viu a menina colocando uma mão confortadora sobre seu ombro. Ele sentiu seu coração falhar uma batida quando olhou dentro das duas piscinas azuis de compaixão, e a garotinha sorriu para ele.

"Não se preocupe, Onii-san. Eu estou aqui apenas para entregar uma mensagem".

Ele piscou confuso. "Uma mensagem?".

"Hai". A garota concordou com a cabeça, ainda sorrindo. "Ela disse que quer te agradecer".

"Me... Agradecer?!"

"Sim, por levá-la de volta para casa".

Os olhos dele arregalaram-se quando as memórias correram de volta para ele. "A outra garotinha! Ela está... ela está bem? Onde ela está?" Ele olhou ao redor, assustado.

Annie riu, a risada dela ecoando pelo parque silencioso. "Não se preocupe, ela voltou para onde ela pertence. E ela queria agradecer você, dando a você a mesma coisa".

"O que você... O que você quer dizer?" Ele perguntou, descobrindo que de repente perdera a sua voz.

O vento ganhou força, um quente sopro de ar passou por ele bagunçando seus cabelos de um lado a outro. Ele levantou os olhos confusos, quando o parque verde tornou-se brilhante e radiante. Ele olhou de volta para a garota com olhos temerosos. "O que está acontecendo?" Ele perguntou aumentando a voz à cima do forte vento.

A garotinha sorriu, e ele percebeu que ela estava lentamente desaparecendo de sua vista. "Eu verei você por aí, Onii-san". Ela sussurrou, antes de finalmente desaparecer. Mary latiu uma vez e correu atrás dela, balançando a calda para ele e enviando-lhe em último olhar antes de finalmente desaparecer dentro da luz.

Ele permaneceu sentado lá sobre a grama, confuso, assustado e muito só. Enquanto o vento soprava forte, ele se obrigou a levantar olhando para a esquerda e para a direita, cego pela a luz. Ele podia ver seus edifícios sendo engolidos pela luz forte, e girando sua cabeça para trás ele pode ver as árvores, a cerca e o parque desaparecerem também.

E então o vento parou e houve somente silêncio.

Ele prendeu a respiração.

E esperou.

O silêncio estendeu-se por uma eternidade, e somente os batimentos de seu coração eram ouvidos dentro da cegante luz branca.

Uma batida. Duas. Três.

Alguma coisa se moveu dentro da luz, e ele girou ao redor com os sentidos alerta.

Uma risada melodiosa preencheu o branco e infinito vazio, ecoando como o som de uma dúzia de sinos de prata. Alguma coisa moveu-se em sua direção e uma sensação de paz de repente veio até ele. Ele não se sentiu mais ameaçado, nem sentiu o desejo de correr. Ele ficou lá, completamente calmo, seus olhos azuis observando silenciosamente enquanto uma figura caminhava da luz. Aquilo se aproximou lentamente, os movimentos dela graciosos. O brilhante vestido azul flutuando delicadamente apesar de não existir vento.

Sua boca se escancarou completamente, seus olhos azuis atordoados.

A figura riu mais uma vez, sua risada rica envolvendo-o como um cobertor suave. E então os cálidos braços dela; longos, suaves e elegantes, se enrolaram ao redor dele, puxando-o para dentro do caloroso abraço.

Ele sorriu inalando a doce e suave fragrância, profunda, incapaz de fazer mais do que isto. Ele virou sua cabeça; os ansiosos olhos azuis brilhando com as lágrimas não derramadas, brilhando sobre a luz celestial. Ele olhou para a face dela vendo o cabelo comprido e negro flutuando suavemente no "vento". Brilhantes cortinas de ébano revelavam a sua adorável face.

Ele sorriu e sentiu-se mergulhar na visão do sorriso dela e seus profundos olhos. Ele enrolou seus braços ao redor dela fortemente e escondeu seu rosto em seu peito, chorando como uma criancinha no colo de sua mãe.

"Oka-Chan..."

O vento soprou e os suaves dedos dela o acariciaram ternamente. Ele chorou nos braços dela, derramando as lágrimas que havia segurado dentro de si por incontáveis anos. Ele agora era uma simples criança chorando no abraço dela, grudado nela como se fosse para salvar a própria vida. A presença dela engolfou-o e ele se permitiu ficar e mergulhar profunda e intimamente dentro do espírito confortante dela, absorvendo a doce essência e o som da adorável voz dela.

"Calma agora, meu pequeno anjo, calma...".

Os raios da luz da manhã, então, encontraram Heero Yuy dormindo profundamente em sua cama, um alegre sorriso brincando em seus traços felizes.

Quando ele acordou, havia somente escuridão, um cortante contraste com a luz celestial que o havia envolvido há pouco tempo atrás. Ele se sentiu quente e agradável, o toque dos suaves cobertores acariciando seu corpo. Franziu as sobrancelhas, sem conseguir lembrar-se de ter ido para cama. Ele piscou umas poucas vezes, deixando sua visão lentamente se ajustar à luz escura. Ele podia dizer que o sol estava quase se levantando, sentindo o alvorecer no ar. Virou sua cabeça lentamente para olhar para a janela, e viu o céu escuro começar lentamente iluminar-se com o sol arrastando-se de seu esconderijo para saudar um novo dia. O suave som dos pássaros acordando vagarosamente começou a encher o ar e o orvalho que cobria a campina verde cintilando na pálida luz da manhã.

Heero suspirou e respirou fundo. Aquele sentimento de cansaço e doença havia terminado e sentiu seus pulmões como se eles estivessem purificados de todo a sujeira ruim. Ele sorriu e fechou os olhos, satisfeito apenas em respirar o ar fresco. Sua mente entorpecida lentamente começou a flutuar novamente para o sono, e o cálido e indistinto sentimento de dormir caiu sobre o seu corpo.

Ele ouviu os lençóis farfalharem e abriu metade de um olho, espiando de trás das espessas e longas pestanas. Ele viu alguma coisa se mover na cabeceira da cama, e suas sobrancelhas juntaram-se quando uma massa de cabelos castanhos embaraçados se moveu sobre os cobertores, como se acomodando entre a pilha de cobertores quentes. Heero forçou seus olhos a agitarem-se e abrirem outra vez, e gentilmente levantou-se um pouco.

Ele sorriu quando viu Duo, meio sentado na cadeira ao lado de sua cama e meio deitado sobre a cama, profundamente adormecido. Seu rosto estava virado para o outro lado, então ele não podia olhar para as suas feições. Ele mergulhou de volta na cama, jogando-se de costas no travesseiro. Olhou ao redor do quarto, examinando-o com a mente limpa pela primeira vez.

Ele fez uma careta.

Era rosa. O quarto era rosa. Por que rosa? Com tantas cores para escolher! Rosa?!

Heero riu silenciosamente de si mesmo e balançou a cabeça subitamente, percebendo alguma coisa. Levantou o olhar e sorriu. Colocada sobre uma pequena cadeira branca no fundo do quarto, estava uma bolinha rosa. Ele sorriu com a lembrança da garotinha, de repente imaginando onde ela estava.

"Ah... humm..." Um sonolento gemido foi ouvido de algum lugar abaixo e Heero voltou o olhar para seu amigo. Duo estava acordando vagarosamente, virando sua cabeça e então agora estava de frente para Heero, esfregando seus olhos sonolentos. As orbes violetas agitaram-se, abrindo-se lentamente, olhando entorpecidas para Heero. O garoto japonês sorriu ternamente para Duo, o outro rapaz piscou confuso. Ele continuou olhado fixamente para Heero, até seus olhos repentinamente arregalaram-se e ele pulou da cama.

"Heero! Você está acordado!".

Heero riu. "E você também".

"E você está bem!" O rapaz de trança estava com um sorriso largo como um completo idiota. "Deus! Eu não posso acreditar nisso! Cara, eu pensei que você não iria acordar NUNCA MAIS!!"

Heero franziu as sobrancelhas. "Quanto tempo eu estive dormindo?".

"Quatro dias". Duo respondeu com um suspiro, lentamente se sentando na cama. "Quatro malditos e longos dias...".

Heero suspirou e assentiu com a cabeça, parecendo distante.

O silêncio caiu sobre o quarto enquanto os ambos os garotos sentavam na cama, evitando o contato visual. Eventualmente, Duo olhou para Heero.

"Você está se sentindo bem?".

"...Aa." Heero respondeu tranqüilamente. Ele sentiu Duo pegar a sua mão e voltou a olhar para o outro adolescente. Ele foi saudado por um cálido sorriso e os brilhantes olhos violetas dele.

"Eu estou feliz".

Heero sorriu levemente e concordou com a cabeça. Os dois apenas continuaram olhando um para o outro, até Heero finalmente quebrar o contato visual; escorregando sua mão do aperto gentil de Duo. Duo o observou, confuso, enquanto o rapaz japonês levou as mãos para trás de seu próprio pescoço e lentamente preparou-se para retirar o colar.

"Não Heero, não". Duo parou-o, pegando a mão dele. Heero olhou para ele surpreso. Ele estava quase protestando quando Duo sorriu ternamente para ele, apertando a sua mão. "Isto é seu".

Um outro pequeno sorriso apareceu nos lábios de Heero e ele soltou o colar. Ele abaixou a cabeça timidamente mexendo os dedos um pouco, brincando com os cobertores. "Obrigado".

"Não há de quê". Duo respondeu suavemente, ainda segurando a mão de Heero.

O som de uma explosão distante sacudiu a casa e Heero levantou o olhar, com os sentidos alertas. Ele olhou na direção da janela, e viu fumaça enchendo os céus da manhã. Ela estava vindo do vale abaixo.

"Os rapazes devem terminar logo". Duo informou-o, olhando para a janela também. Ele voltou a olhar para o adolescente na cama. "Quatre pegou o carro, ele tinha que fazer alguns arranjos. Ele deve estar de volta logo para nos pegar".

Heero concordou silenciosamente, ainda evitando o contato visual.

Duo suspirou, olhando para a janela. "Trowa e Wufei devem ser a atração do dia, com o que eles estão fazendo com a base". [1 Ele virou-se e colocou a mão no braço de Heero. "Você pode se levantar?".

Heero testou sua força e tentou levantar-se. Isto custou um pouco de esforço, mas foi capaz de conseguir. "Hai". Ele respondeu, sentando-se e colocando os pés descalços no chão. "Só um pouquinho tonto". Ele murmurou quando o mundo começou a girar. Ele levantou a mão para segurar sua cabeça rodando, tentando recuperar o equilíbrio permanecendo sentado na cama.

Duo assentiu e colocou um braço ao redor dos ombros de Heero. "Vamos". Ele disse, ajudando Heero a levantar.

"Tem uma coisa que eu preciso fazer primeiro". Heero murmurou, tentando ficar em pé.

"Primeiro vamos ver se podemos tirar você deste quarto". Duo murmurou quando colocou seu braço ao redor da cintura esbelta dele, feliz por sentir o calor do garoto mais uma vez. Ele não estava queimando com uma febre alta, apenas um pouco acima do normal. Ele estava fora de perigo e Duo estava feliz por aquilo. Ambos começaram a andar lentamente para fora do quarto.

Os passos de Heero eram lentos e cuidadosos enquanto ele estava se concentrando em andar em linha reta. "Aonde... Quatre foi?" Ele sussurrou ofegante com o pequeno esforço. Ele ainda estava muito fraco e seus pulmões não haviam se curado completamente, mas isto era muito melhor do que ha alguns dias atrás.

"Ele tinha algumas coisas para cuidar".

"A garotinha?" Heero perguntou olhando para Duo por entre a franja bagunçada.

O adolescente de trança parou a sua caminhada, olhando intensamente para seu amigo. Depois de alguns momentos, ele assentiu. "Ela merece um enterro apropriado, e como que nós somos os únicos que sabemos sobre isto..." Ele suspirou empurrando a franja da frente dos olhos, e voltou a olhar para Heero. "Isto me lembra..." Ele estendeu uma mão para seu bolso e tirou alguma coisa dele. "Nós encontramos isto no corpo". Ele disse entregando o item para Heero. "Eu achei que você gostaria de ver isto".

Heero estendeu uma mão hesitante, e gentilmente pegou o delicado item da mão de Duo. Era um pequeno pedaço de tecido, sua cor muito desbotada, mas ele podia dizer que aquilo costumava ser rosa. Não havia nenhuma sujeira nele, e Heero presumiu que Duo havia o havia lavado. Ele examinou-o de todos os lados até chegar à conclusão que aquilo era uma bolsinha, feita a mão. A costura estava um pouco mal feita e aquilo não era perfeito, provavelmente costurado pelas mãos de uma garota de seis anos de idade. Ele passou a ponta do dedo indicador sobre o material suave, seus dedos abaixo roçando contra alguma coisa.

Ele olhou cuidadosamente e os olhos azuis se arregalaram. Gravado sobre a bolsinha esfarrapada, com letras grandes e mal feitas bordadas no tecido, havia um nome. Heero deu uma pequena risada, ou um lamento, aquilo não ficou claro, e passou sua mão sobre o pequeno nome, seus olhos azuis brilharam com as lágrimas.

"Samantha..." Ele sussurrou, falando o nome dela pela primeira vez. Ele olhou para Duo, os olhos azuis cintilando com a luz do sol matutino. "O nome dela era Samantha". Ele sussurrou sorrindo tristemente. Ele olhou de volta a bolsinha, segurando-a apertado. Fechou os olhos tentando conter as lágrimas, mas uma pequena trilha de diamantes prateados escapou e deslizou pela suas bochechas. "Ela finalmente me contou o nome dela...".

Duo observou atordoado e maravilhado a demonstração das emoções de Heero. Ele parecia estar realmente afetado por aquele incidente, e Duo ponderou se aquilo era uma coisa boa.

"Como você sabia sobre ela deste jeito?" Ele decidiu perguntar, tentando soar calmo quando olhou para seu amigo.

Heero continuou em silêncio, olhando para a bolsa, recusando-se a encontrar os olhos de Duo.

Duo suspirou e balançou a cabeça. "Eu acho que já sinto falta do Heero febril-tagarela..." Ele murmurou e continuou a andar, ainda sustentando seu amigo.

Heero ignorou a alfinetada e continuou a andar cuidadosamente para fora do quarto, com ele. Haveria outra hora para dar a Duo suas respostas. Por hora, ele estava esforçando-se para compreendê-las.

O ar fresco da primavera foi uma benção bem vinda para os pulmões de Heero, quando ele caminhou para fora da grande casa. Levou alguns momentos para que ele se habituasse à luminosidade do dia; e ele teve que parar na soleira da porta, piscando e segurando a mão para cima para proteger os olhos da luz. Quando a visão se ajustou ele olhou para fora da casa, sem poder evitar olhou fixo em contemplação.

O sol estava quase nascendo por trás do horizonte, a grande esfera dourada banhando as montanhas verdes com sua luz celestial, tornando o orvalho sobre o alto gramado e verde cintilante. Os céus estavam pintados num divino espetáculo de cores, uma mistura de rosa amarelo e azul claro. A campina verde que cobria a montanha parecia mais verde do que nunca, a grama rica e cheia de vida. As arvores rústicas, com folhas oscilando suavemente sob a brisa leve e o melodioso canto dos pássaros ecoando no ar agradável. Pequenas nuvens brancas e fofas abrindo caminho preguiçosamente através dos céus, e alguns pássaros voavam sobre o vale. Tudo parecia estar mais verde e vivo do que nunca e a tranqüilidade matutina deu a Heero um senso de paz, enquanto seus olhos estudavam o cenário ao redor dele.

Heero sorriu secretamente para si e deu um pequeno passo para frente, os degraus de madeira que levavam para fora da casa rangendo sob seu peso. Duo estava andando bem atrás dele, observando-o como um falcão, tendo certeza de que ele não iria cair ou algo do tipo. Eles fizeram seu caminho lentamente montanha abaixo, Heero os guiando na direção do pequeno pomar atrás da casa.

Eles andaram entre as grandes árvores que mantinham as sombras frescas no chão, brincando sobre seus corpos enquanto eles caminhavam. A luz do sol nascente infiltrava-se entre os ramos viçosos quando o topo das arvores balançavam preguiçosamente de lado a lado, e alguns poucos pássaros eram ouvidos aqui e ali. Não havia mais o equipamento espalhado ao redor do pequeno pomar, e a pequena floresta verde parecia calma e pacifica mais uma vez.

Duo olhou para Heero quando o garoto parou, e este foi ficar ao lado dele. Ambos estavam agora parados na beirada da montanha, bem acima do grande rochedo. Duo olhou para as feições de Heero com os olhos ametistas preocupados. "Heero?" Ele perguntou, colocando uma mão hesitante sobre o ombro de garoto. "Está tudo bem?".

"...hai". Heero murmurou calmamente, e então deu um outro passo a frente, na direção dos rochedos.

"Heero!" Duo exclamou quando o rapaz japonês abaixou-se, e se preparou para escalar dentro do abismo. "Heero, não". Ele rapidamente se aproximou, abaixando-se. "Você ainda não recuperou a saúde totalmente, lembra?".

"Será apenas por um momento". Heero grunhiu enquanto pulava, aterrissando na superfície rochosa. Ele olhou para Duo. "Você pode juntar-se a mim, se você quiser".

Duo revirou os olhos, balançou a cabeça e pulou também. "É claro que eu vou me juntar a você..." Ele murmurou enquanto ambos escalavam. "Alguém tem que ter certeza de que você não vai fazer nenhuma coisa ESTÚPIDA...".

Heero riu suavemente e balançou a cabeça, ainda escalando o declive rochoso. Ele estava carregando sua mochila sobre o ombro, e o saco balançava de lado a lado quando Heero cuidadosamente abaixou-se nos rochedos, movimentando-se lenta e cuidadosamente. Duo estava em algum lugar a cima de sua cabeça, olhando para baixo preocupadamente enquanto eles desciam nas profundezas do abismo.

O som das explosões ecoava no vale abaixo, batendo nas paredes rochosas do precipício e desaparecendo no ar rarefeito. Heero lançou um olhar por cima de seu ombro, e olhou para o vale abaixo. Ele podia ver a pequena base, logo abaixo, o fogo queimando por todo edifício, uma fumaça escura e espessa elevando-se para manchar os céus perfeitos. Estreitando os olhos, ele conseguia enxergar à distância, dois enormes Gundans – o armamento do Shenlong cintilando sob a fraca luz solar e o fogo, e os cegantes flashes das armas reluzentes do Heavyarms dentro da fumaça. O som dos alarmes, tiros e gritos de batalha enchiam o ar e Heero virou a cabeça para frente, suspirando. Ele fechou os olhos brevemente e respirou fundo algumas vezes.

"Heero?" A voz hesitante de Duo veio do lado dele, e Heero pode sentir uma mão calorosa em seu ombro. "Está tudo bem?".

Os olhos azuis abriram-se vagarosamente, olhando para a montanha verde, observando o gramado alto as arvores verdes balançarem sob o vento. Ele sorriu suavemente, tirando conforto daquilo. "Hai". Ele finalmente respondeu, e então continuou a frente.

Duo o observou confuso, mas não disse nada. Ele suspirou e continuou a seguir seu amigo enquanto o som alto das explosões continuava enchendo o ar.

Levou algum tempo, mas eventualmente, eles alcançaram seu destino. Duo olhou ao redor com admiração, incapaz de acreditar em seus olhos. Eles estavam parados em frente da caverna, a qual, há quatro dias atrás, parecia-se como uma escura e agourenta tumba. Porém, agora não mais.

Ele podia ver agora que a caverna estava verdadeiramente situada fora da montanha. Os salões principais formavam dois domos, que se expunham altos e orgulhosos fora da superfície íngreme da montanha. Ambos os domos estavam cobertos por um gramado muito verde, as ervas altas balançando gentilmente sob o vento. E flores. Muitas flores... Ele não se lembrava de ter ALGUMA VEZ visto tantas flores em um único lugar. Pequenas flores brancas cobriam a caverna inteira, espiando por cada fenda e entre a grama verde. Havia tantas delas que parecia como um viçoso carpete branco, cobrindo a caverna. Seu cheiro suave e delicada aparência fizeram Duo perder o fôlego, e tudo o que ele pode fazer foi ficar parado lá e olhar com admiração.

Os movimentos no canto de seus olhos fizeram-no virar seu olhar à diante, e ele voltou a olhar para sua esquerda, vendo que Heero estava andando na direção da caverna. Ele observou-o, curioso, quando o rapaz japonês alcançou uma florzinha branca que parecia estar crescendo fora das paredes de pedra da caverna, e então gentilmente colheu-a. Duo continuou observando-o atônito, quando ele viu o garoto ajoelhar-se, e cuidadosamente colocar a flor na entrada da caverna.

Sentindo como se estivesse interrompendo um momento muito sagrado, Duo ajoelhou-se também, observando Heero intensamente enquanto ele continuava sentado lá, olhando para a caverna, seus olhos azuis cheios de mistério e alguma coisa mais que Duo não podia decifrar.

O vento soprou mais forte bagunçando os selvagens cabelos de Heero alegremente. Um pequeno sorriso tocou os lábios de Heero e ele se virou para alcançar sua mochila. Duo olhou-o confuso quando o outro adolescente tirou alguma coisa da mochila. Uma bolinha rosa.

Duo fez uma careta e olhou para Heero, sem entender. Ele estava quase para abrir a boca e perguntar que diabos era tudo aquilo, mas descobriu que a sua voz se recusava a sair. Aquela não era hora para palavras.

Ele observou silenciosamente quando Heero removeu um pouco de terra da superfície rochosa em que eles estavam sentados, fazendo um pequeno buraco no chão. Ele seguiu os longos dedos de Heero quando o garoto gentilmente colocou a bolinha no buraco, e então o cobriu novamente, enterrando a pequena esfera bem em frente à entrada da caverna. Seus olhos encheram-se de admiração quando ele observou Heero pegar a florzinha branca de onde ele a havia colocado antes, e gentilmente colocá-la sobre a pequena montanha de solo úmido. Ele prendeu a flor na 'cova' provisória para ter certeza que ela não iria cair. Uma vez terminado, ele levantou seu olhar mais uma vez, para os céus.

Duo estava chocado demais para falar ou fazer qualquer coisa. Tudo o que ele podia fazer era continuar sentado lá e fitar seu amigo enquanto o vento alegremente agitava os cabelos cor de chocolate. Ele estava... Sem fala. Não havia modo algum de descrever o que ele estava sentindo agora, depois de presenciar o estranho ritual de enterro de Heero. Ele parecia tão pensativo, tão carinhoso, tão... Triste, mas ainda feliz ao mesmo tempo. Ele JAMAIS havia visto Heero daquele jeito, antes. Inferno, ele jamais imaginaria que seu parceiro japonês fosse capaz de semelhante ato. Seu coração estava batendo muito rápido e ele sentiu que testemunhara alguma coisa que não era para presenciar. Alguma coisa muito particular, muito sagrada, para Heero.

Mas então lembrou-se... Heero dissera que ele poderia juntar-se a ele, se quisesse. Heero não falou nada sobre a sua presença ali. Ele parecia não se importar. Duo sorriu para si, sentindo-se mais relaxado. Heero o queria ali, com ele, enquanto realizava aquele pequeno ritual. Ele confiava nele o suficiente para ter pedido para se juntar a ele. Ele havia oferecido a Duo uma chance de estar com ele naquele momento precioso, e Duo ficou profundamente tocado. Heero com certeza mudara. Aquela experiência aparentemente o tinha afetado muito mais do que ele inicialmente havia pensado.

Ele virou o olhar novamente para olhar para Heero. Seu amigo. O melhor de seus amigos estava sentado bem ali, ao lado dele, compartilhando um pedaço de sua vida com ele. Duo sorriu, estudando as feições de Heero. A pele do outro rapaz ainda estava muito pálida, mas não numa cor doentia. Suas bochechas estavam levemente coradas com a pequena febre, e mais que tudo... Os olhos dele. Aquelas profundas piscinas azuis pareciam mais suaves que o habitual. Cálidas. Compassivas. Ele jamais havia visto os olhos de Heero tão gentis e carinhosos. Tão expostos e honestos. Aquilo tocou seu coração e ele pegou a mão do rapaz, cobrindo a mão de Heero com a sua.

O outro rapaz não se afastou, ao contrário; ele virou a sua mão, retribuindo o apoio de Duo. Ele virou para olhar para seu amigo, e Duo simplesmente ofegou, quando ambos ficaram face a face. Seus olhos se arregalaram quando ele percebeu que Heero estava sorrindo muito ternamente, olhando para ele com aqueles olhos inacreditavelmente gentis. Ele teve que se esforçar para respirar e engolir quando ele percebeu que não podia fazer seu cérebro funcionar sob o suave olhar azul.

Heero riu suavemente e balançou a cabeça, murmurando um suave 'baka' enquanto ele voltava a olhar para a caverna.

Duo relaxou e suspirou satisfeito. Ele voltou seu olhar para observar a caverna também, com uma expressão pensativa.

Esta semana não havia sido uma semana tão ruim, apesar de tudo. Claro, fora uma longa e assustadora semana para ele, emocionalmente falando, entretanto com tudo incluído, essa não havia se tornado tão ruim. Ele sempre soubera que esta semana seria a mais infeliz das todas as semanas, ele estava preparado. O dia sete de abril sempre marcava a aproximação de uma semana infernal. Mas desta vez não fora tão ruim. Esta semana tinha trazido de volta para ele alguma coisa que ele imaginara que nunca teria outra vez.

Um amigo. Ele podia ter perdido seu melhor amigo nove anos atrás na data daquela semana, mas desta vez, ele também havia ganhado um novo amigo nesta mesma semana. Ele não estava mais sozinho, nunca mais. Não estava sozinho. Ele agora tinha Heero. E Heero sobrevivera à praga. Heero estava bem. Ele estava sentado aqui, perto dele, segurando sua mão. Ele podia sentir seu calor, seu cheiro e aroma, e ouvir sua suave e difícil respiração. Heero estava vivo, e estava com ele.

Nunca mais sozinho. Nunca mais, aquilo era uma promessa.

Esta semana trouxera de volta sua esperança, sua fé e Heero. Em uma única semana, ele havia recuperado aquilo que tinha perdido aproximadamente há uma década atrás, e não fora capaz de encontrar desde então. Ele havia encontrado sozinho alguém para compartilhar suas alegrias e lágrimas, alguém que ele confiava e se importava. Ele havia encontrado o companheirismo pelo qual estava procurando. Ele havia descoberto que ele se importava com seu amigo japonês mais do que qualquer coisa no mundo; e ele ficara surpreso ao entender que talvez o sentimento fosse mútuo. Heero o queria como amigo também e talvez, com um pouco de esforço, eles poderiam passar por todos os obstáculos e construir uma boa e profunda amizade.

E quem sabe, talvez algum dia, o sentimento iria além daquilo. Ele tinha aprendido que tudo era possível. Especialmente quando aquilo vinha de Heero. Mas por agora, ele decidiu que seria melhor levar aquilo devagar e ver o quão longe eles poderiam chegar. O futuro sempre era uma coisa incerta, mas por hora, ele estava certo sobre uma coisa: ele não estava mais sozinho, e por isto, ele era grato.

Lentamente, Duo abaixou a cabeça e fechou os olhos. Ele estreitou seu toque sobre mão de Heero enquanto seus lábios começaram lentamente a se mover, nenhum som saindo de sua boca. Quando terminou, levantou a mão e rapidamente fez um sinal da cruz sobre seu coração. Ele podia sentir o olhar fixo de Heero sobre si, porém ainda ele levou alguns momentos antes de finalmente abrir os olhos.

Vagarosamente ele olhou para cima, somente para encontrar um par de brilhantes olhos azul-cobalto. Heero sorriu ternamente para ele, apenas um pequeno sorriso, quase invisível, e assentiu com a cabeça em apreciação. Duo sorriu de volta quando sentiu Heero apertar sua mão gentilmente.

Ambos os rapazes continuaram sentados lá, sobre o rochedo, enquanto o vento soprava suavemente ao redor deles. Os sons das explosões ecoavam vindos de baixo. Atrás deles, a fumaça se elevava para os céus, indicando que a destruição crescia, logo abaixo. Em frente deles, a montanha mantinha-se elevada e orgulhosa, verde e cheia de vida. As flores brancas pareciam indiferentes ao fato que eles estavam contemplando a destruição da base, e elas balançavam alegremente de lado a lado enquanto um pássaro cortava os céus.

Os dois continuaram sentados lá, em um pequeno rochedo, enquanto o sol lentamente traçava seu caminho para os céus. E uma grande sombra escura caiu sobre eles quando o sol subiu mais alto, se escondendo atrás da montanha e colorindo os rochedos com um contrastante show de luz e sombra. Ambos estavam suspensos entre o desenvolvimento da natureza e a destruição da base.

Entre a luz e a escuridão. Vida e morte.

Enquanto a fumaça ascendia para aos céus, ela clareou se espalhando ao redor do infinito azul até finalmente desaparecer. Somente as nuvens brancas estavam autorizadas para viajar através do suave azul dos céus, abrindo o caminho delas através da vastidão dos céus. Duas nuvens se separaram lentamente, suaves e brancas, com um beijo de adeus para visão do vale ardente e da montanha verde que agora podia ser vista abaixo. Uma pálida mãozinha estendeu-se para baixo, uma luz brilhante e dourada podia ser vista irradiando da pequena palma como se alcançasse a Terra. Os dedinhos soltaram uma simples florzinha branca e um par de grandes olhos de avelã a observava descer lentamente para o chão, gingando de lado a lado enquanto o vento a impulsionava, mas nunca balançando fora de seu curso enquanto abria seu caminho para baixo.

Um par de pequenos lábios se elevou num pequeno sorriso e a melodia angelical de uma risada encheu os céus.

"Arigatou, Onii-chan...".

Fim

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Às leitoras...

Vocês são o motivo real, principal e verdadeiro de todo este projeto existir...

Continuem dando apoio, lendo, comentando, mandando opiniões, críticas cosntrutivas, suspiros apaixonados...( sábias palavras da minha amiga Illy)

Pois estes são os principais incentivos que tenho para continuar e com certeza são o melhor combustível !!!

Abraços carinhosos para todas e todos que acompanharam cada linha deste trabalho maravilhosamente bem feito...

Nota : desculpem a demora porém o meu atraso de deve a problemas de saúde mas não desanimem tenho outros projetos em andamento e não vou deixá-los inacabados...

Beijos no coração de todos vocês e até a próxima...

Muito obrigado a aqules que me ajudaram, a minha irmã Xú, as minhas amigas Illy, Dhandara..., e a todas as pessoas que se dispuseram a doar seu tempo e carinho para revisar esta fic para todos nós tornado-a muito mais agradável de se ler...

Beijos e Abraços

Tina