CAPITULO 3 – ALMOÇO INDIGESTO
Pela pequena janela do quarto apertado, Harry, embaralhado entre cobertas e travesseiros, avistava o sol apontar no céu. Sua mente borbulhava e trabalhava a todo o vapor, como um motor a óleo de uma antiga locomotiva.
A verdade é que nem se quer conseguira pregar os olhos naquele curto espaço de tempo entre as quatro da madrugada e as nove da manhã. Não havia nada de racional. Era o filho de Amos Diggory e convidado do Sr. e da Sra. Weasley, não havia desculpas e muito menos explicações. Sentia-se embriagado de sono e envergonhado com a situação e com o fato de não poder desligar-se dela. Como pode ousar em se aproximar de Cedrico? As férias de natal estavam completamente arruinadas agora. Sabia que o clima não seria de longe o mesmo clima alegre que até então destacava-se na Toca.
Enfiou a cabeça no travesseiro e deu leves murros na cama.
- Idiota... idiota - murmurou.
Tentando de uma vez por todas apagar, Harry virou-se na cama, o rosto ainda enterrado no travesseiro.Foi quando a sombra da Sra. Weasley perpassou a janela e o fez fechar os olhos rapidamente. Molly, colocando a cabeça pela porta entreaberta, averiguou se tudo estava como deveria estar, e ainda arrumando o roupão no corpo fechou a porta cuidadosamente ao passar.
Harry suspirou ainda de olhos fechados. Adormeceu finalmente logo depois.
O barulho e toda a agitação na casa pela manhã do dia vinte e cinco já eram esperados. A Sra. Weasley parecia radiante, sorrindo para todos com a expectativa de um belo natal tradicional em família. Caixas e louças eram movimentadas de um lado para outro na cozinha com simples acenos de varinhas, assim como os últimos enfeites para a decoração na sala de jantar.
Sabendo que ainda era espetacularmente cedo para acordar devido a madrugada que passara praticamente toda em claro, Harry despertou de uma vez. A neve espessa deslizava levemente pela janela como se o desafiasse a estragar um dia de comemorações como aquele. O clima natalino perfeito só o fazia sentir-se pior.
Saiu de baixo das cobertas sonolento e percebeu uma pequena pilha de embrulhos ao lado da cama. Era como uma espécie de castigo, ele pensava. Como tudo continuava completamente normal depois daquele beijo? Pôs os pés descalços no chão e pegou o primeiro presente.
Vinha de Hermione. Uma coleção atualizada dos mais nobres aurores e seus feitos na comunidade bruxa. Eram três grossos livros encapados a couro verde que lembravam muito claramente pele grossa de dragão.
O segundo pacote era menor e seu embrulho era bem menos caprichado. Harry sabia a quem ele deveria pertencer. Hagrid o presenteava com uma grande caixa de diabinhos de pimenta, um bilhete fragilmente anexado ao pacote desejava-lhe um feliz natal na conhecida caligrafia do guarda caças.
O tradicional suéter dos Weasley, um jogo completo de xadrez de bruxo dado por Neville e Luna, caixas de sapo de chocolate e de feijãozinhos de todos os sabores, respectivamente vindos de Rony e Gina completavam a pilha de presentes.
Harry deixou os embrulhos a um canto da cama e preparou-se para descer. Seu coração disparou quando cruzou a porta do quarto. Desceu um lance de escadas devagar pensando em se conseguiria agir normalmente na presença de Cedrico após terem-se aproximado na noite passada.
Não sabia como realmente acontecera ou o porque, apenas lembrava-se nitidamente da grande aproximação do garoto e de como seus olhos absurdamente claros pareceram-no perturbar. O resto acontecera naturalmente. Um encontro suave e carinhoso dos lábios, um toque na cintura de Harry e por um breve momento, uma sensação de descoberta. Um baque seco e estilhaços de uma caneca quebrada no carpete. Cedrico acidentalmente esbarrara no chocolate quente posto à mesa, fazendo Harry afastar-se e correr em direção as escadas que levavam aos quartos nos andares superiores.
Ainda descendo os degraus do último lance de escadas, Harry espiou a sala de estar. Aparentemente estava vazia. Cruzou a sala e na entrada da cozinha passou os olhos pelo aposento. Cedrico não se encontrava lá.
- Ah Feliz Natal Harry querido! - saudou-o a Sra Weasley do fogão. A Sra. Diggory logo ao lado - Teve uma boa noite de sono?
- Ah sim, claro - mentiu Harry sentando-se junto a Gina e Hermione a mesa do café enquanto Molly saudava animada as meninas com sorrisos.
Um breve momento de saudações e"Feliz Natal!" e os três já estavam postos a mesa, a Sra. Weasley trazendo uma enorme bandeja com ovos e bacon fritos. Certamente as garotas também haviam acordado há pouco.
- Aqui esta, vocês três - ela disse pondo a bandeja na mesa - O almoço sai daqui a duas horas. Eu sei que esta frio lá fora, mas realmente gostaria que vocês circulassem por lá e deixassem a casa vazia após o café. Amos, Arthur e os garotos já estão lá, então assim que terminarem, por favor queridos.
Harry e as garotas concordaram começando a se servir dos ovos e bacon. Harry comia sem pressa, enfiava garfadas de ovo goela abaixo sem nenhuma motivação aparente. Logo as garotas terminaram o café enquanto apressaram o garoto a comer o dele. Após algum tempo relutando com os minutos, Harry terminou os ovos com bacon e rumou para o jardim junto de Gina e Hermione.
Um leve vento soprava enquanto a neve caia teatralmente no quintal dos Weasley. Rony e os outros estavam a um canto, em frente ao velho barraco apinhando de artefatos trouxas recolhidos pelo Sr. Weasley ao longo de sua carreira no Ministério. Conversavam absortos em um pequeno circulo.
- Ah Harry! Meninas! Feliz Natal! Cheguem, cheguem! - disse o Sr. Weasley ao avistar os três a porta da cozinha. Encaminhou-os com os braços até o grupo.
Os gêmeos Weasley, vendo Harry, logo aproximaram-se e cercaram o garoto.
- Harry, Harry, Harry! Aqui esta você! Feliz Natal - disse Jorge estendendo a mão
- Você claro, deve ter percebido a ausência de nosso presente de natal - aproximou-se Fred esbarrando no irmão propositalmente - mas você sabe, estivemos muito ocupados com a loja e queriamos um presente digno de... Harry Potter! A propósito, Feliz Natal Harry!
Harry sorriu. Sabia do que os gêmeos estavam se referindo. A loja de logros e brincadeiras no Beco Diagonal era um sucesso e Harry fora o responsável pelo seu capital inicial. Pensou que os gêmeos não precisavam de tanta formalidade e muito menos precisavam retribuir a sua contribuição. Felizmente não era o momento adequado para aquele tipo de situação já que a doação do prêmio do Torneio Tribruxo aos gêmeos era um segredo e até o momento nem mesmo Rony e Hermione sabiam do acontecido.
- Que tanto assunto vocês têm para tratar com o Harry? - perguntou Rony esticando-se e cutucando um dos gêmeos - que história é essa de presente digno de Harry Potter?
Fred e Jorge assumiram uma postura seria e penetrante antes de se virarem para o irmão.
- Não se meta onde não é chamado meu caro - disse Fred com ar de formalidade.
Desde o sucesso repentino de seus negócios, os gêmeos pareciam ter adotado uma postura mais madura e mais condizente a de jovens bem sucedidos empresários.
- Exatamente Roniquinho - disse Jorge dando ênfase ao adjetivo e apertando as bochechas de Rony.
Rony enrubesceu instantaneamente, virou os olhos para Hermione cujo rosto passou de pálido para um tom corado surpreendentemente rápido.
Harry não sabia exatamente o motivo dos risos discretos que se seguiram à piada de Jorge e os rostos aterrorizados de Rony e Hermione, mas pareceu uma situação e tanto, não conseguindo também deixar de rir.
Hermione sorriu timidamente, pegou Gina pelos braços e desandou em uma caminhada pelo vasto jardim até o pomar superaquecido na lateral da Toca. O Sr. Weasley voltou sua conversa com o Sr. Diggory deixando os gêmeos agora gargalhando, apertando as bochechas de Rony enquanto o irmão mais novo, emburrado, tentando se desvencilhar dos dois se distanciava em direção a porta da cozinha.
Harry paralisou, o coração batendo violentamente. Alguma coisa dentro de seu estômago o fazia querer vomitar enquanto seus pés, cabeça e braços pareciam-lhe anormalmente grandes para o restante de seu corpo. De cabeça baixa conseguiu visualizar a apreensão de Cedrico de também ser deixado ali em uma situação desconfortável.
Alguém precisava dizer algo já que Amos e Arthur entretinham-se em assuntos ministeriais sem ao menos perceber a falta de assunto ou o ar se sobrecarregar entre os dois garotos ali parados.
- Harry - começou Cedrico, as mãos no bolso - Oi Harry.
Um crescente calor pareceu perpassar todo o corpo de Harry. O coração, que já batia violento no peito, pareceu apertar e diminuir continuamente, como se em algum momento dali para frente fosse desaparecer. A sensação de que seus pés e mãos eram magnificamente maiores e destoantes do seu corpo triplicou e Harry tinha plena consciência de sua cara de sono e de seus cabelos rebeldes espetados e apontando em todas as direções.
- Hey - respondeu sem ao menos levantar a cabeça.
Acontecera bastante rápido. Cedrico passou o braço pelas costas do garoto e firmemente o conduziu para longe do pai e do Sr. Weasley.
Harry, ainda de olhos pregados no chão, se sobressaltou. Sentiu o braço de Cedrico o envolver de um modo rápido e forte e levantou a cabeça. Não acreditava no que estava acontecendo.
- O que é que você esta fazendo? - perguntou, a cabeça grudada no pescoço de Cedrico.
Cedrico não respondeu. Continuou caminhando com Harry preso entre os braços em direção ao pequeno morro a um canto do jardim dos Weasley, o mesmo morro que há uns anos em férias passadas servira de campo para práticas de quadribol. Havia árvores ali que bloqueavam a vista da casa e da estrada.
Harry silenciou. Empurrou Cedrico com uma cotovelada nas costelas.
- Posso subir sozinho, obrigado - disse.
Cedrico, alarmado, concordou com um aceno de cabeça, as mãos massageando o local onde Harry o acotovelara.
Caminharam pela subida em silêncio, Harry, com os olhos vidrados nas árvores a diante, sentia o olhar ocasional do outro. Estava mais tranqüilo agora embora o calor em seu corpo parecia ter aumentado. As mãos estavam suadas e levemente trêmulas. A respiração falhava um pouco.
Harry sentou-se diante de um pinheiro, apoiando as costas em outro, sentado com as pernas flexionadas entre os braços. Estavam em uma clareira, ele pode vagamente perceber. Ali o chão era verde, com poucos vestígios da leve neve que caia.
Cedrico não se sentou. Enfiou as mãos no bolso da jaqueta em um gesto nervoso.
Tentando não parecer apreensivo, Harry esperou que o outro começasse, sentindo suas pernas fracas entre o enlaço dos braços. Pareceu uma eternidade até que Cedrico decidisse se aproximar e em um movimento cauteloso se sentar.
- Harry - começou - eu sei que provavelmente você quer me acertar um soco na cara agora, ou talvez não, não sei, mas...
- Cedrico!
- Não Harry, não! Preciso falar. Preciso explicar o porque daquilo ontem. Foi eu, entende? Eu me aproximei de você! Percebi que você estava vulnerável e sensível com toda a novidade do namoro do Ronald e da Hermione. Eu não consegui...
- Não! - interrompeu Harry - Não, a culpa foi minha. Eu não sei... não sei o que aconteceu, me desculpe - suas mãos tremiam visivelmente enquanto levou-as a cabeça, passando-as instintivamente pela testa e pelos cabelos - realmente não sei o que aconteceu comigo. Você passou todos esses dias aqui sendo tão simpático e amigo que... Não sei! Deus! Não sei!
Cedrico parecia prestes a chorar, com uma expressão pesarosa no rosto, mas foi Harry que abaixando a cabeça entre as pernas soluçou baixinho. Sentiu as lágrimas desceram pelo rosto e pingarem na grama seca. Sentiu também as mãos de Cedrico tocar um de seus braços e sua cabeça.
- Harry - ele realmente parecia prestes a chorar, acariciava os cabelos do outro enquanto falava - você não teve culpa de nada. Eu quis aquilo. Fui eu quem decidiu se aproximar de você. Fui eu quem passou todos esses dias querendo te agradar, desejando que você se sentisse menos preocupado com toda essa novidade do namoro dos dois. Quis suprir a falta que seus amigos lhe fazem. Eu quis o beijo. Era o que eu mais queria desde que percebi você naquela mesa, seus olhos deslocados, sua determinação em parecer neutro a toda uma situação que tanto te afetava. Eu desejei você Harry. Eu quis você pra mim.
Harry escutava aquilo como se estivesse entorpecido. De modo algum esperava ouvir o que ouviu. Era desconcertante embora de certa forma bem no fundo um tanto confortante. Esperava gritos e pedidos de explicação, esperava que Cedrico pulasse em seu pescoço e perguntasse o porque de tê-lo beijado, afinal, para Harry, ele tomara a iniciativa do beijo, não o outro.
A leve sensação inconsciente de conforto bem no fundo de seu peito pareceu extinguir-se quando o choque da possibilidade do que poderia estar acontecendo naquele momento o engolfou por completo, deixando-o momentaneamente fraco
Aquilo não podia estar acontecendo. De maneira alguma. Ele não iria escutar toda aquela baboseira. Não queria. Não podia. Pensou em livrar-se das mãos de Cedrico que ainda descansavam em sua cabeça e correr para longe, onde pudesse talvez se livrar do gosto amargo que agora invadia sua boca, mas percebeu quase instantaneamente que no momento, lugar algum seria capaz de afastar tal gosto.
Procurou os olhos de Cedrico e tentou pedir piedosamente com os seus que o garoto se afastasse.
- Você não quis nada Cedrico – ele disse finalmente, abaixando a cabeça mais uma vez. Agora evitava os olhos do outro – as coisas não são assim. Estávamos no meio da madrugada e com sono e nada...
- Harry, não tente! Por favor não tente! Não tente achar motivos para isso!
- Não há motivos, não há nada! – Harry cortou.
Cedrico retirou as mãos de Harry em automático. Havia confusão agora em seu olhar.
- Harry, por tudo que é mais sagrado – ele começou – você... você não esta tentando dizer que... não sentiu nada com aquele beijo, não é? Você de maneira alguma quer inventar qualquer desculpa esfarrapada para dizer que não sentiu o mesmo que eu senti, não é mesmo? Harry...
As mãos trêmulas de Harry apertaram com força a cabeça. Lágrimas brotaram mais uma vez enquanto Cedrico ajoelhou-se novamente.
- Harry... qual é o problema?
- EU NÃO POSSO! – Harry esbravejou de repente. Levantou a cabeça e ficou de pé, Cedrico ainda sentado logo ao lado do local onde ele estivera encolhido – NÃO POSSO E NÃO QUERO! FOI UM ERRO! UM ERRO CEDRICO! EU NÃO GOSTO DISSO E VOCÊ TAMBÉM NÃO! AFASTE-SE DE MIM, OKAY?
- Harry...
As lágrimas de Harry continuavam a cair por seu rosto com uma cortina de água quente que fazia suas feições destorcerem-se em algo confuso e atordoante. Ele queria sair dali, mas simples e inexplicavelmente não conseguia. Estava em pé, uma das mãos tentava secar inutilmente as lagrimas que agora corriam em fluxo maior. Os soluços o davam um ar desesperador, como um maníaco que acabara de perder algo precioso, ou uma mãe que acabara de perder um filho.
Precisava ser tão complicado assim? Cedrico não sabia como agir e muito menos o que dizer agora. Se tentasse abrir a boca não conseguiria expressar tudo o que realmente precisava falar. Queria abraçar Harry e dizer-lhe que nada mais o afligiria na vida, dizer-lhe que se ele quisesse os dois nunca se afastariam. Fora o destino que o trouxera ali. Um natal com os Weasley era a última coisa que ele desejava e toda aquela coisa tradicional não o deixava confortável, talvez pelo fato dos pais nunca terem sido pais tradicionais. Mas a simples visão de Harry remuendo-se pelos cantos, com um ar desolado e abandonado o atingiu em cheio. A única coisa em sua mente agora era cuidar de Harry nesse natal e pelo resto da vida se este permitisse. Não seria fácil, mas ele não desistiria.
Levantou-se e ajustou o casaco no corpo. O frio da manha parecera desaparecer durantes aqueles poucos minutos. Harry estava de costas agora, mirando a toca por entre alguns pinheiros cobertos por neve. Aproximando-se lentamente, Cedrico pôs uma mão em seu ombro, aproximou seu corpo do de Harry e sentiu-o todo tremer.
- Não existe coisa pior Harry, do que o que você esta fazendo agora.
Harry tentou desvencilhar-se do outro, mas estava abalado e trêmulo demais para qualquer coisa. Fechou os olhos e continuou a ouvir Cedrico.
- Por que? – ele continuou baixinho em seu ouvido – você não gostou do que aconteceu ontem?
Harry nada respondeu. Continuou de olhos fechados, o fluxo de lágrimas era mais manso agora. Cedrico passou um braço pelo tronco de Harry, pousou o queixo em seu ombro.
Harry? – ele perguntou delicadamente.
Harry estava longe. Pensava na cara de incredulidade de Hermione e na amiga tentando achar alguma razão que explicasse tudo aquilo em algum de seus livros. Pensou na cara de horror de Fred, Jorge, na cara de horror e pena do Sr. Weasley e na cara de horror e raiva de Rony. Rony não suportaria aquilo. Pensou na angustia da Sra. Weasley e na infelicidade que ele causaria para toda a família. Pensou em Hagrid, Lino, Simas e suas reações desconcertantes. O que Sirius diria se estivesse vivo? E seus pais? Seria um desgosto terrível. Ele não agüentaria tudo aquilo.
Com um empurrão violento afastou-se de Cedrico. Secou as lágrimas de forma bruta e fungou.
- Não quero que se aproxime de mim e muito menos comente isso com ninguém – ele disse, as lágrimas recomeçando a cair – sabe Cedrico, afinal eu sou o garotinho mimado e egocêntrico que todos esperam que eu seja. O babaquinha mimado e filhinho de mamãe que você esperou que eu fosse. Esse sou eu Cedrico. Tenho nojo de mim e de você pela noite de ontem e não quero se quer comentar isso com você.
As lágrimas silenciosas que escorriam seu rosto deram lugar a soluços e um choro forte de tristeza quando virou-se, dando as costas a Cedrico e descendo o morro até o quintal dos Weasley, a espera de um almoço de natal que não tinha a mínima vontade de participar. Um almoço um pouco diferente do que esperava com os Weasley, um almoço de natal um tanto indigesto.
