Classificação: Yaoi, Lemon, Darkfic

Par: AyaxOmi

Nota: Porque deu na telha de escrever uma fic em homenagem a minha chefinha, Evil. Letras aleatórias pertencen ao grupo A Perfect Circle


Contando Corpos - Segunda parte

Tokyo, 29 de outubro de 2006. Koneko no Sumu Ie

- E com esse laço o arranjo está pronto!

Kihara sorriu levemente para o loirinho, enquanto ouvia as explicações do outro sobre como fazer um arranjo especial de Frésias. Já fazia alguns dias que ela estava vivendo naquela floricultura e agora, aos poucos, começava a falar novamente, conversar com outros. Mas ainda se escondia por trás da proteção de Omi.

No começo Aya ficara com ciúmes e sentia muita vergonha de si mesmo por ter pensado assim, mesmo que não tivesse relatado a ninguém. Depois de dois dias, percebera que a menina, apesar de ter uma idade aproximada do hacker, aparentava ter muito menos com aqueles longos cabelos loiros. Sua voz tímida também lhe dava a impressão de ser alguém com 10, 11 anos.

Uma coisa que ela se recusou terminantemente foi relatar o que ocorrera na noite que a salvaram de Hanatsuya. Ou sobre sua vida dentro da Kanayami Corp. Aliás, cada vez que citavam aquele nome ela tinha um ataque de pânico, e começava a chorar, e tentar se auto-flagelar. Omi era o único que conseguia acalma-la depois.

- Quer tentar Kihara-chan?

- Claro.

O ruivo acordou do seu devaneio ao ouvir a voz da menina, que havia trocado de lugar com o loirinho e agora começava o seu próprio arranjo de Frésias. Seus cabelos dourados estavam presos numa trança e ela usava um vestido da cor creme, que haviam providenciado através de Manx.

Manx. O líder da Weiss suspirou com o outro probleminha que tinham que resolver. A ruiva não ficara nada contente ao saber que haviam salvado a garota, trazendo-a para a Koneko e pretendiam hospeda-la até resolverem sua missão contra Kanayami. Sim, porque os quatro assassinos tinham tornado o poderoso empresário sua missão pessoal. A Kritiker não ficara nem um pouco feliz também.

Mas depois da conversa que Omi tivera com eles, a organização não pudera fazer nada. Desde que Shuiichi morrera, o jovem arqueiro era seu herdeiro direto e sua palavra era lei. Mas isso não queria dizer que eles deveriam mostrar-se felizes com essa decisão.

- Menos força.

- Ahn?

- Não precisa usar tanta força. – disse o espadachim, agora próximo dos dois – Assim, as flores se quebram.

Kihara sorriu e continuou o arranjo, agora delicadamente, quase que lentamente. Omi sorriu para o namorado e tocou na sua mão debaixo do balcão, fazendo um 'obrigado' com os lábios.


Tokyo, 30 de outubro de 2006. Kanayami Corp.

- Kanayami-san?

- Espero que tenha boas notícias Kuroi.

- Eu encontrei a garota.

O homem sorriu abertamente, girando a cadeira e observando a cidade aos seus pés através da enorme janela de vidro.

- Onde?

- Numa floricultura a vinte minutos da sua empresa, se chama Koneko no Sumu Ie.

- E os habitantes de lá?

- Quatro garotos, aparentemente inofensivos.

- Aparentemente não me satisfaz, Kuroi. – disse numa voz gelada e cortante.

- Eles não serão problema algum.

Kanayami sorriu.

- Ótimo. Quando poderá me traze-la?

- Amanhã à noite.

- Não admito falhas desta vez Kuroi.

- Sim senhor.

O homem desligou o telefone, lambendo os lábios. Aquele seria o ritual mais fantástico de todos!

Por todos aqueles anos, Kanayami sempre tivera a mesma rotina nos dias que se seguiam ao 31 de outubro e 2 de novembro. Aquela data já era muito especial para si. Era a data do ritual ao Deus Hades, oferecendo como sacrifício um garoto ou garota, de tenra idade, ainda virgens.

Só de lembrar dos rituais passados seu corpo tremia num prazer mórbido. O sangue, os gritos, as orgias...tudo era de um carinho especial para o homem. Ele passou a mão nos cabelos, sorrindo ao pensar que aquele ano seria diferente.

Aquela garota, Kihara, era diferente de todos os jovens que havia sacrificado. Quando a encontrara através de Hanatsuya, ele quase gritara de prazer. Te-la como sacrifício seria a maior oferenda que poderia entregar a Hades!

Mas aquela fuga o irritara demais. Achava que ela ainda não havia despertado, mas poderia estar errado.

Não...se ela já tivesse acordado, ele não estaria aqui para contar história alguma, muito mais fazer o ritual. Não, ela ainda estava em suas mãos. E na noite do outro dia, voltaria para sua empresa para ser sacrificada. Como deveria ser.


Tokyo, 31 de outubro de 2006. Koneko no Sumu Ie, 16 horas.

- Dessa vez eu ficarei aqui, tenho que monitorar as ações do grupo Aya-kun. – disse o loirinho, com o rosto encostado no peito másculo do outro.

- Eu me preocupo em deixa-lo aqui sozinho, ainda mais com a Kihara.

- Por que?

- Eu não sei, mas... – o ruivo suspirou – Sei lá, essa menina...ela ainda me causa arrepios. É um mau pressentimento.

- Um mau pressentimento bobo, sabia? – disse o jovem, rindo – Ela mal consegue se proteger, ainda está muito chocada com tudo que houve. Eu que terei que protege-la, não o contrário.

- Mas...toma cuidado, ta bom? – disse Aya, encarando-o e tomando seus lábios num beijo delicado.

Omi se ergueu mais, na ponta dos pés, aprofundando o beijo, seus dedos pequenos enrolando-se nos fios ruivos da nuca do mais velho. Nenhum dos dois perceber alguém que os observava.

Kihara se afastou da porta, seus olhos azuis pensativos. Ela caminhou até o banheiro, trancando a porta atrás de si quando entrou. Foi até a pia, olhando-se no espelho, passando a mão pelos cabelos soltos. Chegando a um consenso na sua mente, ela abriu o armário atrás do espelho e pegou a tesoura que vira lá dias antes.

Os cachos loiros foram caindo um por um, sua mão ágil cortando-os de forma irregular.

Quase vinte minutos depois ela se olhou no espelho e sorriu. Uma cópia feminina perfeita de Omi Tsukiyono.


Tokyo, 31 de outubro de 2006. Koneko no Sumu Ie, 22 horas.

- Na escuta Abyssinian?

- Sim Bombay. – disse a voz grave do outro lado do comunicador.

- Ótimo. Eu irei guia-los pelos corredores da empresa, tomem cuidado, pois os seguranças da Kanayami atiram para matar.

- Pode deixar.

- Abyssinian? – o loirinho suspirou – Se cuida ta?

- Você também.

Omi sorriu, começando a digitar rapidamente no teclado, abrindo a planta da corporação, mapeando novamente o caminho mais curto até a sala do presidente. Ele ouviu o barulho de Kihara sentando-se ao seu lado no sofá da sala de missões, então nem olhou, se concentrando em guia-los pelo caminho certo.

Do lado de fora da floricultura, três homens estavam a postos no telhado, eficientes e silenciosos. Kuroi deu o sinal de invasão a eles. Eles adentraram a casa de forma quieta, como sombras, percorrendo o local, captando uma energia elétrica vinda do porão.

Kihara ergueu-se do sofá, silenciosamente e subiu as escadas, até ficar na porta de entrada. Ela viu os três homens aparecendo e sorriu, antes de sumir porta adentro novamente.

Os homens desceram rapidamente, dando de cara com a menina, que apontava uma besta para eles. A um comando de Kuroi, eles avançaram, um sendo atingido pela flecha e caindo, mas outro chutando a arma longe. A menina afastou-se apenas o suficiente para revidar com um chute. Ela ofegou mas então a flecha de Kuroi atingiu-a, derrubando-a no chão com o poderoso calmante que estava embebido na arma. O homem se aproximou e pegou a menina no colo, saindo de lá com seus homens, estranhamente recuperados dos ferimentos.

Kihara saiu do seu esconderijo e então pegou o comunicador, dizendo numa voz aflita.

- Aya-kun, Aya-kun!! O Omi-kun...eles o pegaram, estão levando ele embora!!

O ruivo, ao ouvir a voz aflita da menina, paralisou. Ele logo disparou a ordem pelo comunicador.

- A missão foi cancelada. Omi está em perigo.

Eles deram meia volta e voltaram para a Koneko o mais rápido que puderam.

Don't fret precious I'm here
(Não se assuste querido, estou aqui)

Step away from the window
(Se afaste da janela)

Go back to sleep…
(Volte a dormir…)

CONTINUA.