Classificação: Yaoi, Lemon, Darkfic
Par: AyaxOmi
Nota: Porque deu na telha de escrever uma fic em homenagem a minha chefinha, Evil. Letras aleatórias pertencen ao grupo A Perfect Circle
Contando Corpos – Terceira parte
Tokyo, 1 de novembro de 2006. Koneko no Sumu Ie, 18 horas.
- Achou alguma coisa?
- Estou quase. – respondeu a jovem, digitando rapidamente no pc, parecendo-se muito com o loirinho.
Aya tamborilava os dedos na escrivaninha, impaciente. Eles haviam virado a noite anterior tentando descobrir a localização de Kanayami e seus homens, pois eles não se encontravam mais na corporação. Kihara dissera que o poderoso executivo sempre falara a ela do local sagrado onde ela seria sacrificada na noite dos mortos. Foi a partir daí que começaram a procurar qual seria o provável lugar.
Ken observava a interação entre o ruivo e a loira com uma curiosidade séria nos olhos. Desde que haviam voltado da fracassada missão, algo estava lhe incomodando. Principalmente depois de ver a garota de cabelos cortados, parecendo ainda mais Omi. Algo estava errado, muito errado. E ele pretendia descobrir o que era, o mais rápido possível, de preferência.
- Acho que encontrei algo. – exclamou Kihara de repente.
- Onde? – disse Yoji, inclinando-se no ombro dela.
- Aqui, nas proximidades de Tokyo, existe um espaço dedicado a templos religiosos, mas...veja. – ela deu um zoom na foto – Um deles, o maior que tem, está abandonado há décadas. Mas autoridades locais, que ficam monitorando a presença de vândalos, relataram a presença de atividades nele. Logo depois o caso foi arquivado sem razão aparente. Pode ser que...
- Tenho certeza que é lá.
- Como pode dizer Aya?
- É um pressentimento.
- Eu acho que deveríamos no basear em mais do que pressentimentos. – comentou o playboy.
- Vocês vão investigar isso. – exclamou Ken de repente – Eu fico aqui e se achar algo novo eu lhes aviso pelo intercomunicador.
- Eu vou junto! – disse a loira, erguendo-se da cadeira.
- Nada disso, você fica aqui.
- Nada do que me disser vai me impedir, Aya-kun. – disse a loira, firme.
Ken estranhou aquela atitude da jovem, tão diferente dos últimos dias, onde ela ainda parecia estar em estado de choque. E aquilo só aumentou seu mau pressentimento. Ele sentou-se no lugar da jovem e pronunciou-se.
- Eu fico aqui. Vão logo antes que seja tarde. Precisamos achar o Omi.
Aquela frase pareceu acordar o espadachim. Dando um aceno em consentimento, ele, Yoji e Kihara saíram da sala de missões, decididos a ir para o local suspeito.
Tokyo, 1 de novembro de 2006. Koneko no Sumu Ie, 21 horas.
Três horas. Três horas e nada. O jogador já estava quase se descabelando na frente do computador. O que ele esperava encontrar da jovem afinal? Ele passou os dedos pelos fios castanhos em frustração, enquanto mirava a ficha de Kihara no computador.
Kihara. Sem sobrenome. Pais desconhecidos. Nascida em 2 de novembro de...
Peraí. Ken endireitou-se na cadeira, esfregando os olhos. O aniversário da Kihara era no dia seguinte? Por alguma razão, aquilo lhe pareceu muito sério. Ele adentrou na rede da Kanayami Corp. graças ao vírus do arqueiro e procurou pela ficha que com certeza o executivo deveria ter sobre a garota. Estava curioso agora porque ele escolhera justamente a loira para ser o sacrifício.
Quase meia hora depois ele achou a ficha e respirando fundo, abriu-a. Seu queixo quase foi ao chão. Ele foi lendo o conteúdo cada vez mais chocado.
- Isso é impossível...
Apesar de tudo que já vira e fizera na vida, aquilo certamente chocara Ken. Se fosse realmente verdade...
- Eu preciso ir atrás deles!
Ele levantou-se correndo, indo para sua moto, saindo a Koneko na velocidade máxima. Esperava chegar a tempo.
Tokyo, 1 de novembro de 2006. Templo de Yoshihime, 23 horas.
Vozes baixas e ritmadas, como numa reza, podiam ser ouvidas vindas de dentro do templo. Um tambor acompanhava aquele som, dando um toque quase macabro ao ritual. E era exatamente essa a intenção de Kanayami com aqueles preparativos. Ele vestia um robe cerimonial da escarlate, que lembrava muito sangue.
Logo os tambores pararam, deixando que as vozes preenchessem o local. A fila de sacerdotes abriu caminho para que o empresário passasse. Ele carregava uma tocha na mão e na outra uma adaga prateada, com pedras preciosas incrustadas no cabo. Atrás dele, quatro homens carregavam Omi, que estava desacordado e machucado. O loirinho fora vestido com um manto de cor branca, e seu rosto apresentava alguns hematomas.
Eles logo alcançaram o altar e com um gesto do homem, seus empregados colocaram o jovem em cima de uma mesa de pedra. Eles amarraram as pernas e as mãos do loirinho, para que esse não escapasse. Pois todos tentavam escapar. Kanayami parou ao lado da cabeça de Omi e com delicadeza afastou as mechas loiras dos olhos fechados.
- Acorde meu querido...
O hacker franziu o cenho e seus olhos azuis abriram levemente, desnorteados. Ao ver o rosto do homem entrar em foco, ele assustou-se, tentando se afastar, mas logo se descobrindo preso. Kanayami sorriu cruelmente e endireitou-se, encarando todos os presentes. Ele ergueu os braços.
- Irmãos! Nesta véspera do dia dos mortos, estamos aqui reunidos novamente para celebrar nosso grande deus Hades e oferecer mais um sacrifício em seu nome!
Os gritos ecoaram por todo o local, e o hacker sentiu seu sangue gelar. Sacrifício?
- Temos aqui um jovem de 17 anos, ainda puro e intocado, com uma alma forte, que já passou por vários sofrimentos terrenos. Ele será recompensado por sua força ao ser entregue para Cérbero como alimento dos deuses!
No pânico cada vez mais crescente em seu interior, o jovem arqueiro não percebeu a movimentação que ocorria nos arbustos ao redor do altar. Nem os olhares conhecidos do time Weiss.
Aya estreitou os olhos furiosamente ante as palavras ditas pelo empresário, conforme se aproximavam para a emboscada. Ele o aniquilaria antes que fizesse qualquer coisa com Omi. Kihara observava tudo com uma aparente calma. Ela voltou seu olhar para Yoji.
- Que horas são?
O loiro piscou, confuso com a pergunta, antes de responder.
- Onze e cinquenta. Porque?
Ela voltou seu olhar azul para a frente, encarando o empresário que ainda proferia seu discurso.
- Ele vai matar o Omi ao badalar da meia-noite. Temos que ataca-lo exatamente nessa hora.
O espadachim concordou, sem pronunciar uma palavra. Eles foram se aproximando mais do local.
Enquanto isso, na entrada do templo, Ken estacionava a sua moto de qualquer maneira, iniciando uma corrida desenfreada até o local onde podia enxergar a iluminação feita pelos archotes e ouvir as vozes. Ele quebrara todas as regras de trânsito indo até lá e não seria por nada. Chegaria a tempo.
Conforme o jogador se aproximava mais do local, sua corrida foi ficando mais cautelosa, os passos silenciosos, como o assassino que era. Ele viu um brilho vermelho na noite e soube se tratar de Aya. Ele se aproximou mais rapidamente. Conseguira chegar a tempo, Graças a Deus.
O relógio do Templo deu o soar da meia-noite. Kanayami ergueu a adaga acima da cabeça e sorriu cruel. Omi entrou em desespero, tentando se soltar das algemas que o prendiam. Os sacerdotes a sua volta voltaram a reza, de forma alta e ritmada, hipnotizantes.
- Aprecie nosso sacrifício em seu nome, grande Hades! – exclamou o moreno, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, um grito de dor cortou a noite, interrompendo os sacerdotes do seu cântico.
Um dos homens caiu no chão, morto. Nas costas dele, uma katana estava enfiada até a metada. Aya apareceu contra a luz, retirando a katana do corpo e limpando o sangue dela. Sua voz era mortal.
- Vocês todos irão morrer.
Kanayami encarou-os com ódio mortal. Ele ergueu a adaga rapidamente, disposto a acabar com o loirinho e terminar o ritual de qualquer maneira. Um outro grito cortou a noite.
Dessa vez, um sacerdote caiu no chão, seu corpo dividido em dois, os órgãos se espalhando pelo piso de pedra. Uma risada baixa, quase infantil ecoou no local, mas por algum motivo, aquele som pareceu fazer um arrepio aperecer em suas espinhas. Kihara saiu das sombras. Era ela quem ria. Seu rosto estava manchado do sangue do sacerdote que fora cortado ao meio.
- Gostaria de agradece-los Weiss...por me protegerem até este momento. – disse e sua voz parecia ter adquirido um tom de quem tinha muitos anos de vida.
Ken paralisou onde estava ao ouvir a garota falando e então soubera que chegara tarde demais.
Kanayami parecia o mais surpreso de todos. Ele ergueu a adaga e jogou na direção de Kihara com um grito de ódio. Mas ela ergueu a mão e pegou-a no ar, o sangue escorrendo da sua mão do corte que fizera ao agarrar a adagas pela lâmina.
- Você não tem mais poder algum aqui Kanayami. – ela estreitou os olhos – Todas as almas que você matou, todos os jovens que você sacrificou...hoje eles terão sua vingança.
A um gesto dela um outro sacerdote caiu ao chão, com a cabeça decepada. Ela sorriu para Aya, docemente.
- Vá soltar o Omi...e depois...quero que vocês quatro saiam daqui.
O espadachim nem disse nada, apenas se aproximou do altar e foi soltar o hacker, que parecia ainda em pânico. Kanayami se afastou conforme a garota subia no altar. Ao se ver solto, o loirinho se jogou nos braços do ruivo, tremendo, murmurando coisas desconexas. Aya abraçou-o e murmurou.
- Porque se revelou só agora Kihara?
- Eu precisava de proteção até os meus 18 anos. Só quando eu despertasse por completo é que eu teria este poder. – disse apenas, sem emoção alguma na voz – Vocês foram convenientes para mim.
O líder da Weiss estreitou os olhos ao ouvir isso. Ela voltou seu olhar frio para Aya.
- Vão embora. Eu decidi poupa-los, mas posso mudar de idéia. E vocês não vão poder me impedir se eu decidir que vocês devem morrer.
- Vamos embora.
O ruivo voltou seu olhar para Ken, que subia ao altar junto com Yoji. Os sacerdotes corriam desesperados, tentando fugir do templo.
- O que está fazendo aqui?
- Vamos sair daqui logo, está bem? Depois nós discutimos isso! – disse o jogador afobado.
O ruivo ergueu o loirinho no colo e este se encolheu contra ele. Sem dizer mais nada eles saíram do local as pressas. Kihara deu um sorriso cruelmente doce.
- Agora...vocês vão pagar pelo que fizeram.
Muito sangue foi derramado naquela noite.
Go back just sleep…
(Volte a dormir…)
I must isolate you, isolate and save you from yourself.
(Eu devo te isolar, te isolar e sava-lo de você mesmo.)
CONTINUA.
