Capítulo 2: Aventuras e Desventuras na Espanha

O clima era denso e constrangedor no Gryffindor. Rony e Hermione mal se conheceram e já haviam brigado, para infelicidade de Harry. Tudo começou pela manhã...

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Pela manhã, Harry e Hermione acordaram famintos, mas como não acharam comida abordo, acabaram se alimentando de biscoitos de marinheiro e cerveja amanteigada. Depois, Hermione sugeriu a Harry que limpassem as poças de sangue do navio. Conseguiram limpar boa parte do convés, e Rony só roncava a um canto.

– Fica de olho nele, que eu vou fazer um reconhecimento no andar de baixo... – disse Harry, e Hermione ficou sozinha com Rony no convés. Ela passava o esfregão pelo chão quando ele acordou.

– Êêêêêêêita! Dormi bem pra caralho! – diz ele se espreguiçando. – Que foi que aconteceu? Acho que eu tava preso...

Ele se levanta, como sempre cambaleando, olhou pra lá e pra cá tentando analisar onde estava. Por fim, conclui que era um navio. Continua olhando ao redor e seus olhos recaem sobre a incauta Hermione, que continuava a esfregar o convés e não reparou que Rony tinha acordado. Ele a observava com interesse, de cima a baixo, do decote largo em sua camisa até os pés descalços, mais precisamente.

– Hummm... O que temos aqui? – disse Rony.

Hermione estava agora de costas para Rony, ainda sem perceber que ele estava de pé. O rapaz caminha suavemente até Hermione, aperta-lhe as nádegas e ela solta uma exclamação.

– Hm... O que uma mocinha tão gostosinha faz em um navio pirata? – sussurra Rony suavemente ao ouvido de Hermione, que percebe o rosto arder ao sentir a mão de Rony acariciar levemente suas nádegas.

No instante seguinte, Rony estava deitado no chão, soltando ganidos de dor e palavrões enquanto Hermione o chutava em todos os lugares ao seu alcance, e quando seus pés começaram a doer, apelou pro esfregão.

– Hermione, tem comida pra dedéio num armário secreto lá embaixo, mas vamos ter que recarregar em Tor... – Harry voltava da dispensa abocanhando um pedaço enorme de queijo, mas engasgou ao presenciar a luta no meio do convés. Para interromper, berrou:

– MAS QUE PORRA É ESSA?!

Hermione não dava trégua. Ela parecia determinada a estourar cada osso, cada pedacinho mínimo do corpo de Rony.

– Esse... idiota... bebum... pervertido... cachorro... safado... cretino... sem-vergonha... devasso...! – ofegava Hermione furiosa.

– AI!!! AIAI!!! – berra Rony desesperado. – PELOAMORDEDEUS, PÁRA! PÁRA! Ô SEU JUIZ! ÓIA A FALTA AQUI! SEU JUIZ!!!

Harry agarra Hermione e a puxa para longe do amigo para que ele se levante.

– Nunca... Mas NUNCA, mesmo – disse Rony se levantando e encarando Hermione cara-a-cara, um olho muito roxo, uns três dentes lhe faltando á boca e rosto inchado de tão vermelho. – Nunca maltrate um bêbado... encaminhe-o ao bar mais próximo! Ouviu bem, sua megera! Maltratadora de bêbados...!

– Ah, seu...! – exclama Hermione tentando se desvencilhar de Harry para avançar em Rony.

– Rony, não provoca! – implorava Harry desesperado. – Essa é Hermione Granger, ela é nossa primeira tripulante. Desculpe, Hermione, eu devia ter te avisado; nunca vire as costas para um bêbado, principalmente se for o Rony! Nunca se sabe quando e como vão atacar!

– Tá, valeu pelo aviso, quem sabe isso não evite futuros eventos constrangedores... – disse Hermione um pouco mais calma.

– E, sr. Ronald Weasley... – disse Harry virando-se para o outro. – Que bom que resolveu se juntar a nós! E muito obrigado por cochilar enquanto eu e a Hermione limpávamos o cais...

– Cara, então eu perdi toda a diversão?! – exclama Rony decepcionado. – Maldita embriaguez! Juro solenemente que nunca mais vou beber... aquilo é cerveja amanteigada?!

Ignorando o que acabara de dizer, Rony corre para um monte de barris, tira uma machadinha do cinto e golpeia a superfície de um dos barris. Em seguida tira o cantil da cordinha que o prendia ao cinto, mergulha a mão dentro do barril e ergue o cantil transbordante de um líquido espumante.

– Quando terminar de beber pode pegar no esfregão também, viu seu vagabundo! – disse Harry ao ver o amigo beber a cerveja de um só gole. Mas ao ouvir essas palavras, o ruivo engasga e cospe tudo no chão.

– Pra quê?! – exclama ele indignado.

– Pra ajudar a limpar o convés, vê como está imundo? – respondeu Harry.

– Faxina?! Moi?! É ruim, hein! – exclama o ruivo sentando-se no chão, pegando mais cerveja e pondo-se a beber.

– E por que não, posso saber?! – indaga Harry.

– Porque mania de limpeza é coisa de mulher, e eu não sou mulher! – retruca Rony. – E depois, limpeza vai contra tudo que me ensinaram! Vai contra minha política, crença, religião (dizia ele contando nos dedos)... Eu é que não tomo parte nesse... nesse... ritual satânico de vocês!

– Não ferva tua mufa, que Deus te perdoa depois! – disse Hermione arrancando o cantil das mãos de Rony e entregando a ele uma esponja e um balde d'água. – Você só vai beber de novo depois que eu ver esse navio brilhando, savvy?!

– Mulheres: só servem para os olhos, nunca pros ouvidos...! – retruca Rony furioso, ficando de quatro e começando a esfregar o chão.

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Depois desses acontecimentos, os três já estavam quase terminando a faxina no Gryffindor.

– Hermione... – disse Harry enquanto passava cera na murada do bombordo. – Você ainda não me contou por que resolveu virar pirata. Você só disse que fugiu para não se casar...

– E foi por isso mesmo – disse Hermione. – Vocês devem ter reparado que tinha uma festa no forte da Marinha ontem cedo, não? Pois bem. Era a cerimônia de promoção do Capitão McLaggen, ou Comodoro, como ele foi nomeado. Ele é um oficial tão, mas tão arrogante que eu precisei me conter para não voar no pescoço dele igual eu fiz com esse outro aí – ela indica Rony com a cabeça, que limpava as escotilhas. – Acreditam que ele teve a cara-de-pau de vir me pedir minha mão em casamento dois minutos após ser promovido?! E o pior é que meu pai gostou dele, disse que era o melhor partido de toda a vila! Ele é um belo de um puxa-saco, isso sim...

– Nisso eu sou obrigado a concordar com você – disse Rony inesperadamente. – Ainda na semana passada ele tentou me prender por ficar batendo de porta em porta quando estava bêbado...

– Quem pode culpá-lo ¬¬'... – disse Hermione.

– Canalha autoritário corrupto filho duma p#$ e arrogante! – praguejava Rony como se não tivesse ouvido Hermione comentar. – Garota, eu te dou os parabéns por ter dado um toco naquele cara, ele merecia! Pelos meus princípios, sou forçado a respeitar qualquer um que faça um desacato desses a um palhaço da marinha.

– Obrigada. Mas não pense que só por isso vou perdoar tão fácil a sua mãozinha boba, viu?

– Não me lembro de ter te pedido isso... – disse Rony com descaso, voltando sua atenção para as escotilhas.

– E, aliás... por que você bebe tanto, hein? – perguntou Hermione curiosa.

– Porque eu tenho uma meta de vida... viva a vida, beba o máximo que puder e galanteie as mulheres! – respondeu Rony alegremente.

– Galantear as mulheres? Por um acaso é assim que você chama o que você fez comigo?! – indaga ela.

– É sim, por quê?

– E ainda pergunta?! Minha bunda tá doendo até agora! Não é assim que se galanteia uma mulher, sabia! – exclama Hermione alisando as próprias nádegas.

– Ah, vai te foder... – retrucou Rony.

Hermione soltou uma exclamação indignada e abriu a boca para falar algo, mas fechou-a rapidamente e voltou a esfregar o chão. Harry riu pelo nariz.

Três horas depois, o Gryffindor estava um brinco. Hermione devolvera o cantil de Rony, que bebia com gosto, apesar dos avisos constantes de Harry que se ele bebesse muito, morreriam de sede na metade do caminho até Tortuga.

Rony cochilava encostado em algumas caixas, Harry cuidava do timão e Hermione admirava a paisagem debruçada sobre a murada, quando de repente...

– Um navio! – disse Hermione apontando o horizonte. Harry largou o timão e correu ao encontro da garota carregando uma luneta.

– Galeão – disse Harry observando o horizonte com a luneta colada ao olho e avistando um enorme navio hasteando a bandeira da Espanha e soltando botes que vinham em direção ao Gryffindor. – Da Marinha Espanhola. Carrega prisioneiros para trabalhos forçados. Como elfos domésticos, negros e etc... Que será que eles querem?

A pergunta de Harry foi respondida por uma bala de canhão maciça disparada do galeão, que cortou o ar e errou por muito pouco a cabeça de Harry, indo cair a uns dois centímetros a bombordo, fora do navio.

– Entendi... – disse Harry catando do chão o chapéu que a corrente de vento causada pela bala derrubou. – Hermione, acorde o Rony, baixe as âncoras e recolha as velas. Isso vai ser bem interessante...

Momentos depois, estavam os três com as mãos na cabeça e sob a mira de cinco carabinas a bordo do galeão, o Gryffindor ancorado bem ao lado e seguro por ganchos. Um homem gorducho em trajes nobres de cor vermelha e azul bordado de ouro, peruca de caracóis brancos, uma barba respeitável e sapatos de fivela com salto alto veio ao encontro deles minutos depois. Ao passar por um de seus guardas, deu-lhe um tapa na cara sabe-lá-por-quê.

– Eu sou Don Carrera de La Vega – apresentou-se o homem com um leve sotaque castelhano. – Por que viajam em águas espanholas hasteando cores britânicas?

Agora que ouviram isso, os três olharam para o topo do mastro central do Gryffindor. Haviam esquecido de substituir a bandeira britânica pela bandeira espanhola ou mesmo pelo Jolly Roger.

– Bom... é uma bandeira roubada – disse Harry tentando empurrar o cano da arma apontada para sua cabeça para outra direção com um gesto da mão erguida, mas o guarda a apontou de volta para sua cabeça. – Nós ficamos com remorso e resolvemos devolver...

Don Carrera disse alguma coisa em espanhol para seus homens e pelo que eles entenderam, era algo como:

Esto és aún mejor que una enbarcación briánica! Capturemos piratas!

E no momento seguinte, o gorducho começa a apertar a barriga, curvado para frente.

– Urgh...! Com licença, cavalheiros e milady, eu solicito um momento – disse ele correndo para a cabine.

– Humpf! Vingança de Montezuma... – sussurrou um dos soldados para o colega.

– Agora? – indagou Rony.

– Agora! – respondeu Harry, e os três puxaram as espadas e pularam em cima dos soldados.

Logo vários soldados vieram lutar também. Rony e Harry estavam animadíssimos, mas Hermione parecia tensa frente á idéia de matar mais gente. Mas isso era inevitável, era matar ou ser morto. Rony desamarrou o lenço verde que trazia amarrado á perna e o amarrou na cabeça como uma bandana, atacava com gosto, Harry cruzava espadas com três homens de uma vez, e Hermione os nocauteava com o punho do sabre para atirá-los ao mar.

Depois de muita briga, restavam apenas eles no convés.

– Vamos fugir! Podemos fazer isso! – disse Hermione.

– Possível, porém improvável – disse Harry. – Ainda restam alguns soldados abaixo de nós, fora Vossa Real Diarréia... precisamos chegar ao Gryffindor e garantir que não possam nos seguir.

Por fim, Harry mandou Rony soltar as âncoras, Hermione cortar as cordas dos botes, e ele, Harry, atearia fogo nos mastros. Alguns guardas apareceram, mas não foram problema. Para incendiar os mastros, Harry utilizava uma espécie de Coquetel Molotov, uma garrafa cheia de álcool com um pedaço de pano incandescente, e jogava contra os mastros. Quando restava apenas o mastro central, eles notaram que este era coberto por uma grossa camada de chapas de ferro. Seria impossível quebrá-las em um dia. De repente, aparecia Don Carrera apertando o cinto e com a espada na mão, muito assustado ao presenciar seu galeão em chamas.

– Ma-ma-ma-ma-ma-ma-mas o QUE É ISTO?! – exclamou ele. – Podem três meros adolescentes terem vencido o orgulho da Armada Espanhola?! Espetacular! Não se encontram oponentes valorosos todos os dias! Que Deus lhes dê a paz, nobres cavalheiros e gentil senhora! Mas agora vão enfrentar a mim, o mestre do Tufão das Mil Lâminas!

Os três trocaram olhares, depois foram para cima do gorducho. Harry e Rony desferiram alguns golpes contra ele, mas Carrera executou um giro espetacular brandindo a espada em todas as direções, e jogou os dois amigos longe.

– Harry, Rony! – berrou Hermione. – Esse golpe é forte o bastante para partir as chapas em poucos minutos!

– Tá beleza! – disse Harry. – Vai daí, Ronald!

Rony pegou seu cantil, bebeu todo seu conteúdo e imediatamente, começou a soluçar e a cambalear de um lado para outro.

– O que ele tá fazendo? – indagou Hermione.

– Esse é o golpe especial do Rony; o Sui-Ken – explicou Harry. – Em uma viagem que fizemos ao oriente quando éramos mais novos, o Rony foi treinado por um mestre em técnicas de combate que por acaso bebia pra caralho também, daí o Rony aprendeu essa técnica com ele... mas essa é outra história. Sui-Ken significa "Golpe do Bêbado", e consiste em beber pra caramba, o suficiente para a pessoa ficar embriagada, daí a pessoa passa agir como um bêbado, cambaleando para se esquivar dos golpes, atacando o inimigo de surpresa e debochando, para fazer o inimigo se enfurecer e baixar a guarda.

– Bem apropriado, é a cara do Rony... – disse Hermione observando Rony cambalear e tropeçar em seus próprios passos, fazendo Carrera acertar seu Tufão das Mil Lâminas nas chapas de ferro que cobriam a parte inferior do mastro central. O oficial tentava a todo custo acertar Rony, mas o ruivo era muito mais rápido.

E a história se repetia, Rony se esquivava, atacava, debochava e Carrera continuava a acertar as chapas ao invés do rapaz, até que as chapas finalmente quebraram. Harry pegou um dos coquetéis e lançou contra o mastro, incendiando-o.

Quando o mastro principal caiu, formou uma ponte até o convés do Gryffindor. Hermione e Rony lutavam contra Carrera, derrubaram-no ao chão e ordenaram que ele partisse. Este voltou a falar em espanhol.

– Harry, cê fala espanhol? – indaga Rony, mas não houve resposta. – Harry?

Quando os dois olharam para trás, constataram que Harry já chegara até o Gryffindor caminhando sobre o mastro caído.

– Foi mal, galera. Mas eu tenho uma moça para salvar e muito pouco tempo para argumentar com espanhóis. – disse Harry.

– Filho da... – exclamou Rony, mas antes que completasse a frase, estava no chão com Hermione, desarmados e sob a mira das carabinas. Carrera e seus homens aproveitaram a distração de ambos para cercá-los.

– É muita ousadia querer me dar ordens! – diz Carrera se levantando e apontando a espada para Rony. – Serão açoitados, e quando pararmos em Portugal para pegar provisões, por Deus, serão açoitados de novo! Serão escravos nas minas de prata pelo resto de suas vidas miseráveis! Nunca mais verão a luz do dia!

– Malditos espanhóis! – praguejou Rony.

– Malditos piratas! – praguejou Hermione.

Nesse meio tempo, no Basilisk, os homens se preparavam para uma grande batalha.

– Capitão, três navios da marinha se aproximam! – berrou Greyback do alto da gávea no mastro central.

– Homens, tragam minha camisa vermelha! – ordenou Voldemort aos subordinados.

– Hã... Capitão, por que todas as vezes que vamos lutar o senhor pede essa camisa? – indaga Lúcio.

– Para que vocês não vejam meu sangue e não se borrem no meio da luta – respondeu Voldemort.

Os piratas se comoveram com a resposta do capitão. De repente, Greyback torna a berrar:

– Capitão, mais quinze navios da marinha se aproximam!

– Homens, aproveitem e tragam minha calça marrom! – berrou Voldemort com uma nota de pânico na voz.

– Pra quê a calça marrom, capitão?! – indagou Snape.

– Nem me pergunta que você não vai gostar da resposta! Agora anda logo antes que eu termine de largar! – berrou Voldemort apavorado.

Duas semanas se prosseguiram desde a captura de Rony e Hermione. Suas costas estavam cortadas pelos chicotes, e agora garimpavam, aos trapos, uma enorme mina de prata na costa sul da Espanha com pás e picaretas nas mãos e enormes bolas de ferro acorrentadas aos tornozelos. Mas não era isso que os atormentava. Harry, a quem julgaram ser um rapaz bom, um amigo leal que jamais os deixariam na mão, os abandonara para ir atrás de Voldemort sozinho. Até agora não conseguiam acreditar nessa atitude dele. Parecia o fim para Rony e Hermione, até que...

– Rápido, escória! Mais rápido! – ordenou alguém ás suas costas. – E aí, sentiram minha falta?

– Harry! – exclamou Hermione olhando para trás e avistando o rapaz em pé, olhando para ambos.

– Puta que pariu, vocês estão um caco! – espanta-se Harry, vendo os amigos com os cabelos em pé de tão desgrenhados, as roupas rasgadas, rotas e sujas, as caras pretas de sujeira, Hermione segurando uma pá e Rony segurando uma picareta. – Deviam ter algum orgulho ao tratar da aparência de vocês, não?

– Seu hipócrita! Você nos deixou pra morrer! – exclamou Rony rangendo os dentes, furioso. – Por sua culpa, eu tô aqui há duas semanas bebendo água! Olha só como eu tô falando! Perdi todo o charme do meu sotaque grogue! Devíamos era enrolar essas correntes no teu pescoço e apertar até você ficar bem roxinho...!

– Isso só dificultaria meu ato de destrancá-las – responde Harry, tirando um molho de chaves do bolso interno da calça (Harry não levara o casaco nem o chapéu para a mina, pois lá dentro já era quente demais).

Destrancadas as correntes, Rony e Hermione largaram as pás e as picaretas e pegaram seus pertences em cima de um barril.

– Desculpem por tê-los abandonado – disse Harry enquanto caminhavam pela mina. – Fazia parte da minha estratégia para encontrar mais gente para a tripulação. Acharam alguém interessante?

– Um carinha marrento e um elfo doméstico... – disse Rony sacudindo os ombros. – Cara, tô no maior baixo astral sem minha fórmula especial...

– Tó – disse Harry jogando um cantil cheio para Rony. – É o bastante pra você se recuperar?

– Claro que é! – Rony destampou o cantil, virou-o na boca e tencionou os músculos do braço. – Ahh... bem melhor!

Depois de muita caminhada, chegaram a um ponto da mina onde havia um rapaz que também aparentava ter 19 anos, longos cabelos louro-prateados, pele descorada e castigada pelos chicotes. Usava apenas uma calça dobrada até os joelhos, golpeava a parede coberta por pedras de prata com uma picareta e suava muito. Ao seu lado, um pequeno elfo doméstico, nariz comprido e fino, olhos verdes do tamanho de bolas de tênis e orelhas de morcego, usando uma espécie de fronha com rasgos para passarem os bracinhos e as perninhas finas.

Quando o rapaz se virou para encará-los, Harry o achou vagamente familiar.

– O que vocês querem aqui, de novo?! – retrucou o rapaz com a voz rouca ao ver Rony e Hermione. – É bom manter distância de mim, hein seu porco de cabelo ruivo!

– Qual é o problema dele? – indaga Harry, confuso.

– O Rony pegou ele pelas costas ainda ontem... – sussurrou Hermione.

– Ui! – disparou Harry.

– Aí, eu já pedi desculpas, viu seu almofadinha! – disse Rony. – Se não quer ser confundido com mulher por pobres bêbados como eu, vê se corta esse cabelinho escroto, certo?!

– Cala tua boca, se eu deixo meu cabelo crescer ou não, não é da sua conta! – berrou o rapaz, furioso.

– Calma, Draco! – disse Hermione. – Nós viemos perguntar se vocês não querem fugir com a gente...

– É claro que queremos! – respondeu ele. – Qualquer lugar é melhor que essa mina. Estou aqui já faz um ano respirando esse ar rarefeito, já nem me lembro mais de como é a luz do sol...

– Está com sorte, amigo – disse Harry soltando Draco e o elfo da bola de ferro. – De hoje em diante, eu vos consagro piratas!

– Maravilha! – disse Draco. – Vamos sair logo daqui! E a propósito, meu nome é Draco Malfoy. Este é meu criado, Dobby.

– Harry Potter – apresentou-se Harry.

Os cinco saíram desembestados pelas minas, até que surgiram os carcereiros. Draco agarrou uma pá e começou a golpear os soldados que apareciam pelo caminho, ajudado por Harry, Rony e Hermione. Um pouco mais adiante encontram um carrinho de carregar pedras, dão impulso para o carrinho andar, correm para ele e pulam para dentro, saindo a toda velocidade pelos trilhos. Os guardas os perseguiam pelos carrinhos também, atirando com os mosquetes. O quinteto agarra as pedras que tinham no carrinho onde se encontravam e as atiram contra os guardas. Acertavam quando vinha um carrinho pela frente para desbloquear os trilhos ou quando aparecia um por trás quase os alcançando.

Depois de muitos sacolejos e solavancos, alcançaram a saída. Rony, Hermione, Draco e Dobby começaram a berrar de alegria e pular pra lá e pra cá ao descer do carrinho e depararem com um porto.

– Eu juro a você pelo cadáver dos meus parentes, até pelos que ainda estão vivos mas que não estão bem... eu lhe serei fiel pela eternidade! – disse Draco agarrando Harry pelos ombros e chorando de felicidade.

– Claro que vai... – disse Harry sorrindo e dando tapinhas nas costas de Draco.

– Dobby também lhe é muito grato, meu senhor! – disse Dobby abraçando os tornozelos de Harry. – O senhor é muito bondoso, meu senhor, se é! Dobby vai servi-lo com a lealdade a que Dobby serve ao jovem senhor!

– Ah, pára com isso – disse Harry sorrindo.

Alcançando a cidade, Rony e Hermione resolveram ir ao alfaiate.

– Com que dinheiro? – indaga Harry.

– Não achou que sairíamos de uma mina de prata de mãos abanando, não é? – pergunta Draco retirando do bolso três barras de prata, o que foi imitado por Rony, Hermione e Dobby.

Enquanto Rony, Hermione e Draco estavam no alfaiate, Harry e Dobby ficaram andando pela cidade.

– E então... o Draco te trata bem? – perguntou Harry a Dobby, sentando-se em um banco da praça.

– Bem, senhor... O jovem senhor é bem mais agradável do que o senhor pai dele, meu senhor... – disse Dobby parecendo amedrontado ao tocar no assunto.

– Pode parar de me chamar de senhor, Dobby – disse Harry gentilmente. – Não sou seu dono, portanto você não precisa me chamar assim...

– Ah, mas Dobby precisa, sim! – exclamou Dobby. – Dobby deve ao senhor a vida dele, e por isso Dobby vai tratá-lo com o respeito que o senhor merece!

– Mas não precisa, pode me chamar só de Harry, ou de capitão – disse Harry.

– Já que o senhor insiste, Capitão Harry Potter... – disse Dobby fazendo uma reverência.

– Melhorou – disse Harry sorrindo. – Mas e aí... o pai do Draco não parece ser o melhor amo do mundo, não é mesmo?

– Não, senhor, muito pelo contrário, Capitão Harry Potter... O pai do jovem senhor é um dono terrível... que coisa mais feia para se falar! – disse Dobby pondo as mãos na boca, horrorizado. Imediatamente, Dobby se precipitou para a fonte defronte a eles e meteu a cabeça na água com violência na tentativa de se afogar, bradando "Dobby mau! Dobby mau!". Harry correu atrás dele e agarrou-o pelo colarinho da fronha, puxando-o para fora d'água. O elfo gritava e se debatia com violência sendo segurado por Harry, e atraindo a atenção de algumas pessoas próximas.

– Dobby, pára com isso! – disse Harry desesperado, tentando conter a criaturinha.

– Dobby sente muito, senhor... – disse Dobby se acalmando. – Mas Dobby tinha que fazer isso! Falar mal dos próprios donos é um crime terrível entre nós elfos domésticos!

– Tá, tá, foi culpa minha, desculpa... – disse Harry.

– Não precisa se desculpar, Capitão Harry Potter! Acontece que o patrão de Dobby é mesmo um grande filho da p... – Dobby começou, mas logo se desvencilhou de Harry e correu para uma árvore próxima, onde bateu de cabeça. Dobby recuou um pouco, meio tonto, e correu de novo até a árvore, de novo batendo a cabeça na mesma. Perdendo a paciência, Harry correu até o elfo que continuava a se chocar de cabeça contra a árvore e ainda berrando "Dobby mau! Dobby muito mau!". Agora todas as pessoas na praça observavam Dobby se castigar.

– DOBBY, QUER PARAR COM ISSO?! – berrou Harry mais uma vez agarrando Dobby para não deixá-lo continuar com seu masoquismo.

– Mamãe, eu não quero ir pra escola, nããããããããum... – dizia Dobby ligeiramente tonto e com a voz embargada. Nesse meio tempo, chegavam Rony, Hermione e Draco.

– Mas o que é que tá acontecendo? – indaga Rony ao observar Harry segurando um Dobby muito tonto.

Rony e Hermione apenas remendaram os rasgos de suas roupas antigas, enquanto Draco gastara sabiamente suas barras de prata em um belo traje negro, verde e prata, com um lenço branco ao pescoço, meias altas de cor cinza e sapatos de fivela e salto-alto, e com o dinheiro que lhe sobrou, comprou uma espada.

Minutos depois, ambos barganhavam com um homem sobre as provisões para a viagem até Tortuga, quando um guarda com o uniforme um tanto sujo e rasgado, chegou e os viu. O guarda imediatamente convocou os outros soldados que vieram ao encontro deles. Aproveitando o alvoroço que se seguiu, Harry e Rony apontaram as pistolas para o vendedor enquanto Draco, Dobby e Hermione pulavam para dentro da vendinha e rapidamente voltavam sobrecarregados de caixas de maçãs e barris de água. Ao perceberem que os guardas avançavam mais e mais em meio á correria das pessoas, o grupo correu em disparada até o porto, onde foram barrados pelos soldados que guardavam a entrada. Rony, sem paciência, chuta os lados baixos de um dos guardas, que desmonta no chão urrando de dor, enquanto que Harry empurra o outro para a água. Os cinco então retomam a correria até o Gryffindor, ancorado justamente no finzinho do cais. Um batalhão inteiro da Marinha os seguia, mas o grupo conseguira alcançar o navio, e Hermione e Dobby imediatamente levantavam as âncoras, Rony e Draco içavam as velas, e Harry agarrou o timão, guiando o Gryffindor para o mais longe possível do cais. Quando o navio já estava fora de alcance, os soldados apontaram os mosquetes e desataram a atirar contra o Gryffindor, enquanto alguns já haviam pulado para os navios da Marinha e já iam ao encalço do Gryffindor. Mas já era tarde demais. O imponente navio já adentrara o mar aberto, em direção a Tortuga.

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Comentários do autor: Taí o 2º capítulo, a introdução do Draco e do Dobby. Particularmente, eu não planejava por o Draco como um aliado do Harry nessa fic, mas enfim, até que tá ficando bom, né? O que vocês acharam?

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