Capítulo 3: Todos a bordo! A Intrépida e Louca Tripulação do Gryffindor!

Rony não mentiu, com o tempo, Draco se mostrou bem chatinho. Harry, pelo que lembrava de Dobby ter falado do pai de Draco, ficou pasmo ao ver que Draco não tratava o elfo lá com muito respeito. Harry lembrava de ter ouvido o elfo contar que Draco era bem melhor que o pai, então presumiu que o Malfoy pai era sem dúvida um amo muito cruel. Pelo que o rapaz contava, era muito bem-nascido, sempre teve tudo que queria, e quase nunca via o pai pelo fato de o mesmo estar sempre em alto-mar. Mas quando pegara a mulher de sua vida o traindo com o melhor amigo, Draco abandonou sua cidade na Inglaterra se juntou a um grupo de corsários para procurar o pai e recomeçar sua vida, mas acabou capturado pelos espanhóis e enviado ás minas de prata.

– Em outras palavras, você é um corno que ficou com medo de descobrirem a galhada que você carrega na testa e fugiu da sua cidade antes que a fofoca começasse a circular, não é não? – indagou Rony, bebendo pra variar.

– Grrr...! Nunca mais me chame disso, seu bêbado desgraçado! – urrou Draco muito irritado lançando um balde contra a nuca de Rony.

– Não dê atenção a ele, Draco – disse Hermione. – O Rony é assim mesmo, ele acha que o que ele fez com você e comigo é galantear uma mulher...

– Como é?! – indagou Draco voltando-se para o ruivo, surpreso. – O que você é, algum idiota?! Se isso é galantear mulher, então eu devo ser Jesus!

– Que é que foi? Gostou? Além de corno, tu é viado? – escarnou Rony encarando o louro. – Porque se for esse o caso, acho bom cê ir caçar a tua turma, que eu aqui sou de outro time, viu? E, aliás, já que você sabe tanto como tratar uma mulher, como foi que ganhou um par de chifres na cabeça, hein seu viado?!

– REPITA ISSO SE FOR HOMEM! – berrou Draco.

– Corno viado! – retrucou Rony em resposta.

Draco pulou em cima de Rony e começou a estrangulá-lo. Harry e Hermione imediatamente os separaram.

– AÍ! VIRAM SÓ?! ESSE VIADO TÁ CARENTE, CARALHO! NUM VEM QUERER DAR PRA MIM, NÃO QUE TU SE LASCA, RAPÁ! CÊ NUNCA MAIS ANDA RETO NA TUA VIDA, ENTENDESTE?! – berrava Rony soltando jatos de cuspe, o rosto muito vermelho e tentando se desvencilhar de Harry.

– FILHO DUMA PUTA, EU VOU TE ESGANAR! – urrava Draco tentando se livrar de Hermione e Dobby.

– CHEGA! SE CONTINUAREM COM ISSO, VOCÊS VÃO É FAZER O TRAJETO ATÉ TORTUGA JUNTO COM OS PEIXES! OUVIRAM?! – berrou Harry para fazer-se ouvir em meio aquela gritaria. Aos poucos, Draco e Rony foram se acalmando.

Um pouco mais tarde, Draco revelou ter motivos pessoais para aceitar o convite de Harry á pirataria.

– É mesmo? – indagou Harry distraído.

– É. E esse motivo é o meu pai... – disse Draco ajudando a carregar os caixotes pelo convés. – Lúcio Malfoy.

Harry se sobressaltara ao ouvir essa revelação. O rapaz já constatara antes que Draco era a cara do navegador do Basilisk, um dos servos mais fiéis de Voldemort, e um dos piratas mais cruéis e frios que já passaram pelo Caribe ou qualquer outro lugar. Sempre que o louro mencionava qualquer coisa sobre o pai, Harry tratava imediatamente de pigarrear alto e mudar o rumo da conversa. Ele não tinha muita certeza do fato e por isso não comentou nada, mas agora tinha plena certeza que Lúcio e Draco eram pai e filho.

– O que foi, Harry? – pergunta Draco. – Você tá branco!

– Não foi nada – disse Harry caminhando pelo convés em direção ao timão.

– Você fica estranho quando menciono meu pai – disse Draco astutamente. – E agora ficou assustado quando eu disse o nome dele. Eu não sou simplório, Harry... Você conhece meu pai.

Harry fez uma pausa, tomou fôlego e respondeu:

– Conheço... Talvez você não saiba, já que esteve tanto tempo nas minas, mas seu pai é conhecido atualmente como um dos piratas mais cruéis e sanguinários do Caribe inteiro. Palavra, tu é a cara dele...

– Seu mentiroso! – exclama Draco. – Meu pai é da Marinha mercante! Um homem que obedece às leis, respeitável!

– Ele é um maldito pirata, um mandrião! – retrucou Harry.

– Meu... pai... não... é... um... pirata! – disse Draco arquejando de raiva e puxando a espada.

– Guarda isso, oxigenado – disse Harry tranquilamente, sem dar muita atenção á espada que Draco apontava para sua pessoa. – Não vale a pena ser vencido de novo...

– Você não me venceu! Ignorou todas as regras de combate! Numa luta justa eu o mataria! – retrucou Draco referindo-se á prática de esgrima entre ele e Harry que acontecera mais cedo. Embora meio enferrujado, Draco levava uma bela dianteira sobre Harry. Mas este atirara uma maçã em cheio na testa do louro, que tonteou e foi desarmado. "Foi trapaça!" exclamou Draco. "Ah, pirata...!" riu Harry apontando a espada para o coração de Draco.

– Não é um incentivo para que eu lute justo, ou é? – perguntou Harry virando-se para encarar Draco após o flashback.

Com um movimento ágil, Harry virou o timão e fez o navio dar uma virada brusca, que jogou todos a estibordo, inclusive Rony, Hermione e Dobby. Uma das hastes de suporte da vela veio ao encontro de Draco, que no segundo seguinte estava agarrado á haste quase caindo no mar.

– Enquanto fica aí pendurado, vou te dar um tema pra refletir... – disse Harry apanhando a espada de Draco do chão. – O que um homem pode fazer, e o que ele não pode.

"Por exemplo; você pode aceitar o fato de seu pai ser um pirata, ou não. Mas é um pirata e está no seu sangue cara, e vai ter que aceitar isso uma hora ou outra. Já eu, por outro lado, posso deixar que se afogue... mas não posso levar esse navio até Tortuga apenas com três tripulantes, savvy? Então...".

Puxando o timão de volta, Harry inclinou o navio para o outro lado. Desta vez, Hermione, Dobby e Rony, que já estavam preparados, se agarraram ás cordas do mastro e Draco foi atirado de volta ao convés.

– Pode velejar sob os comandos de um pirata... – disse Harry devolvendo-lhe a espada. – Ou não pode?

Draco apanhou a espada que Harry lhe estendia e se levanta, conformado.

– Tortuga? – indaga ele.

– Tortuga! – consentem Harry, Rony e Hermione em coro.


Tortuga era uma ilhazinha situada no leste da Escócia. Um lugar bem acolhedor e convidativo, para quem gosta de cachaça, mulher e porrada, claro (e quem não gosta ?!).

– Puta, que porra é essa...? – indaga Draco pasmo com a visão que seus olhos lhe proporcionavam. Homens se esfregavam nas prostitutas em plena rua, bêbados se afogavam nos barris de uísque de fogo e cerveja amanteigada, e muitos piratas se estapeavam e se matavam por toda parte.

– Acho que nós acabamos foi morrendo durante o sono e viemos de barco até o inferno... – disse Hermione horrorizada, observando boquiaberta, um grupo de bêbados que caminhava pela rua entoando altos e desafinados brados de "Yo-ho! Yo-ho! A pirate's life for me!".

– Inferno é uma ova! – disse Rony ligeiramente tonto e, como sempre, segurando seu estimadíssimo cantil de cerveja amanteigada. – Isso aqui é o melhor pedaço do céu que despencou lá de cima e caiu no meio do oceano!

– É muito triste morrer sem jamais ter aspirado o doce e prolífero buquê que é Tortuga – disse Harry poeticamente ao observar uma carroça passar arrastando pelo pescoço um velhote que se debatia pelo chão tentando se livrar da corda que o prendia á traseira da carroça. – E aí, o que acharam?

Draco e Hermione não tinham palavras para descrever o horror e a aversão que aquela paisagem lhes induzia. Um homem muito eufórico, com a barba grisalha aparentando séculos desde a última vez que vira uma navalha, trajando nada além de um barril com suspensórios agarrou-se á fronha de Dobby e começou a berrar descontrolado:

– O FIM TÁ PRÓXIMO! CUIDADO, MINHA GENTE! O APOCALIPSE VEM AÍ!

– Tá, tá, valeu a informação... é, vamos pensar no que disse! – disse Draco dando um sorrisinho amarelo ao homem, embora não tivesse sido bem-sucedido em esconder seu terror.

– EU ESTOU AVISANDO! VOCÊS NÃO OUVEM?! OS CASCOS DOS SETE CAVALOS QUE RELINCHAM E BUFAM FEITO O CAPETA?! – exclamou o homem largando Dobby e agarrando a manga do casaco de Draco. – NÃO DEMORA MUITO, AGORA! EU POSSO SENTI-LOS! VALEI-ME MEU DEUS!

– SAI DE PERTO DE MIM, SEU DESGRAÇADO IMUNDO! – gritou Draco muito assustado apontando a pistola para o homem. E assim que este saiu correndo, o louro espanou a manga do casaco euforicamente, como se tivesse medo de apanhar alguma doença contagiosa e grave, murmurando enfurecido algo que lembrava "Pobres malditos, sarnentos, imundos, miseráveis...".

– É... tem um cheiro agradável... – mentiu Hermione descaradamente em resposta á pergunta de Harry.

Rony bebeu um gole exageradamente grande de cerveja amanteigada, e algumas gotas caíram no chão, mas logo foram lambidas por um cachorro de rua muito peludo próximo a Rony.

– Cachorrinho! – disse Rony observando o cão lamber a cerveja amanteigada feliz. Ele despejou mais algumas gotinhas ao chão e cachorro tornou a lamber. – Hehe... Que bonitinho! Podemos ficar com ele, Harry? Ele pode ser a mascote do navio?

– Ah, tá, claro – disse Harry distraído. Rony abraçou o novo amigo, feliz. O cachorro latiu e abanou o rabo peludo.

– Vou te chamar de Ressaca! Agora, eu vou contar pra vocês – disse Rony tonteando e se apoiando sob o ombro de Hermione, que voltou a corar. – Se todas as cidades do mundo fossem como essa, não existiria homem nessa Terra de Deus que saberia o que é se sentir só ou indesejado...

– Parvati! – exclamou Harry ao ver uma moça muito bonita, pele morena, cabelos negros até a cintura, indiana a julgar pelos seus trajes (um longo vestido rosa com um manto azul-escuro), caminhar decidida até ele, quando...

PAFT! Harry levara um baita dum tapa na face esquerda que o fez desequilibrar, com uma expressão de profunda dor e os cinco dedos estampados em vermelho-vivo na face.

– Cara, não sei se você merecia isso... – disse Rony observando o amigo com pena, ainda abraçado á Hermione para manter o equilíbrio, sem perceber que uma moça vinha em sua direção também. Esta tinha cabelos meio cacheados, usava um vestido amarelo não muito comprido e um espartilho tão apertado que suas belas curvas estavam muito bem distinguíveis. – Lilá?!

– Quem é ela? – indaga Lilá apontando Hermione.

– Quem...?! – PAFT! Antes que o ruivo pudesse responder, também levou um tapa colossal, deu uma pirueta em pleno ar e caiu no chão em seguida. Ressaca latiu para Lilá e depois foi ajudar o novo dono a se levantar.

– Nhé... talvez você merecesse... – disse Harry esfregando a mão contra o carimbo que Parvati lhe fizera no rosto e observando o amigo se levantar com alguma dificuldade, ajudado pelo cachorro.

– Peguem eles, rapazes! – ordena Parvati, e inúmeros piratas vêm para cima do grupo, e outra luta se segue.

Harry, Draco e Rony puxaram as espadas, Hermione e Dobby agarraram caixotes e barris para lançar contra os piratas, e Ressaca mordia os calcanhares de quem chegasse perto de Rony. Alguns usavam mosquetes e atiravam do alto das sacadas das casas, mas Rony lançava machados contra eles e os derrubava para que fossem terminados. Depois de muita algazarra, Harry sai com um braço machucado e Rony com o joelho cortado. Do nada, um porco apareceu na frente deles.

– Olha só isso – disse Rony admirando o porco.

Draco tentou dizer algo mas espirrou, proferindo algo como "Squíha!".

– Não seja ridículo! – censurou-o Harry. – Isso não é uma esquila, é um...

– Esquiva! – berrou Draco, e eles perceberam que o louro apontava para uma sacada atrás deles, onde havia um canhão manejado por um pirata corpulento. Quando o canhão disparou, cada um pulou para um lado. A bala acertou um portão, quase o levando ao chão. Ressaca latia enlouquecido.

– Potter e Weasley! – disse o pirata com uma voz áspera e trovejante. Ele era um homem enorme, com uma juba de cabelos negros e uma barba desgrenhada, tatuagens por todo o corpo, usava um tapa-olho e trajava uma calça com botas, sem camisa e com um cinto de couro preso do ombro á cintura, do qual pendia uma grande espada.

– Capitão Potter, por gentileza – ponderou Harry parecendo irritado.

– Tirrenos! É muita coragem da parte de vocês voltarem aqui depois do que me fizeram! – berrou o gigante furioso.

– É... Absolutamente! Sem comentários! – disse Rony concordando. – Mas, vem cá... uma vez que nós dois estejamos no sujeito, será que você poderia refrescar nossa memória e nos dizer exatamente o que nós...

Houve outro disparo do canhão, que mais uma vez foi evitado pelo grupo e mais uma vez foi acertar o portão, que terminou de vir abaixo, e no instante seguinte, o porco saiu desembestado pela passagem.

– Sigam aquele suíno! – ordenou Harry.

O quinteto perseguiu o porco por uma ruazinha lateral, e ambos saem na praça do povoado, na qual havia uma forca, muitas casas, barris de cerveja amanteigada e milhares de piratas esperando o grupo.

Enquanto Rony, Hermione e Dobby cuidavam dos encarregados da artilharia, Harry e Draco lutavam contra o carrasco, um gorilão que brandia um machado bastante afiado.

Rony, utilizando mais uma vez seu Sui-Ken, ficava impossível de ser abatido, esquivava dos tiros e ainda ria e xingava os inimigos, que baixavam a guarda com a pressa de revidar os xingamentos e eram nocauteados por Hermione e Dobby. A garota continuava tentando não matar ninguém, mas nocauteava os piratas atirando tudo que estivesse ao alcance da mão. Dobby não fazia muita coisa, apenas corria e berrava feito louco, mas como era muito rápido, conseguia deixar os outros confusos. Ressaca pulava sobre os atacantes de seu novo dono e mordia-lhes as nádegas. Harry e Draco – que eram bastante esguios – eram rápidos e difíceis de acertar, e mantendo a vantagem de o adversário ser maior do que eles, mais pesado e manejar uma arma maior ainda.

Draco conseguiu enroscar a corda da forca no pescoço do carrasco e Harry puxou a alavanca do alçapão sobre o qual se encontrava o inimigo, fazendo-o se enforcar. Hermione gritou e virou o rosto para o outro lado ao ver o carrasco espumar pela boca e se debater violentamente quando a corda apertou-lhe a garganta, mas logo se silenciou.

– Piratas, recebem pelo que pagam – disse Harry tirando o chapéu em respeito ao homem que acabara de matar.

– Isso á abominável! – disse Hermione horrorizada. Agora, mais que nunca, ela se perguntava se fugir do casamento para tornar-se pirata fora a melhor decisão para sua vida. Pela primeira vez ela se imaginou ali, naquela forca, pendurada no lugar daquele carrasco, acusada de pirataria, furto e outras atrocidades contra a coroa. Mas ela notou que mais nenhum deles se importava muito com essa idéia. Rony pareceu ter captado o que se passava na cabeça da moça.

– Com o tempo você se acostuma... OLHA O PORCO! – berrou o ruivo ao ver o porco sair debaixo de uma escada e correr para o beco seguinte.

Seguiram o porco até um cantinho mais afastado da cidade.

– Conheço esse cheiro – disse Harry parando de chofre e procurando algo com as narinas abertas.

– É de porco... – respondeu Draco.

– Não. Pior... – disse Harry farejando o ar, até que comprimiu as feições em uma careta e disse. – Neville.

– Quem é Neville? – pergunta Draco tampando o nariz ao sentir um fedor perturbador invadir suas narinas.

– Nosso médico de bordo – respondeu Rony também captando o cheiro, mas assim como Harry, não tampou as narinas como os outros três. – Abençoado com um altíssimo percentual de odor politicamente incorreto, portanto facilmente localizável.

– Meu Deus, o ser vivente que se atreveu a portar um fedor maior que esse consigo foi aprisionado pra sempre! – disse Hermione abanando o ar com a mão e virando o rosto, com uma expressão de total repugnância.

– POTTER! WEASLEY! – berra alguém de cima de um telhado; o pirata gigante que tentara atirar neles.

– É Capitão! – Harry rosnou com raiva. – Capitão Potter!

– Então, vocês e esses seus lacaios de orelha molhada querem uma briga, hein? Pois já encontraram! – vociferou o pirata sacando a espada.

– Lacaios?! – exclamaram Hermione, Draco e Dobby, indignados.

Todos se prepararam para o ataque, mas o grandalhão concentrava-se apenas em acertar Harry e Rony. Draco e Dobby distraíam os demais piratas, Harry e Rony estavam entretidos na briga contra o gigante, e Hermione lançava dinamites do barril onde se escondera.

– Olha, nós sentimos muito por aquilo lá... mas, cara, será que você pode ao menos nos dizer a causa, motivo, razão ou circunstância de termos recebido essa sentença de morte, que eu juro que não me lembro de você?! – tentava argumentar Harry. Em vão, pois o pirata não estava para argumentos.

Ele subia nos telhados e atirava bombas a torto e a direito, sem se importar se acertava seus próprios homens ou o grupo. Uma das bombas fora parar dentro do barril de dinamites onde Hermione estava escondida. A garota imediatamente correra para longe, mas fora arremessada a uns quinze metros de distância ao receber o impacto da explosão, mas felizmente escapara ilesa, exceto por um corte no calcanhar. Rony agarrou uma machadinha e lançou contra a telha sob o pé esquerdo do pirata, que escorregou e caiu para o chão. Ele levantou-se de um salto e avançou para Harry, que já enfezado, golpeou a espada do homem com um corte ascendente, e com um movimento ágil, deu um giro para o lado direito do adversário, agachou-se e golpeou a perna do gigante com o lado não-afiado do sabre. A perna do homem deu um forte e nauseante estalo e entortou em um ângulo muito estranho.

– AAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRGGGGGGHHH!!! – urrou o gigante largando a espada de lado e agarrando a perna torta, tombando no chão. – SEU FRANGO DEPENADO! VOCÊ QUEBROU MINHA PERNA!

– Lamento pela deselegância – desculpou-se Harry embainhando a espada. – Permita que eu lhe indique um excelente fazedor de muletas. Ele fica bem próximo daqui e seu preço é bem razoável. Ele usa osso de baleia, o melhor de Tortuga.

– Harry! Acho que encontrei o seu homem – disse Draco apontando um chiqueiro, onde dormia um rapaz gorducho com cabelos despenteados, roupas esfarrapadas e barba sem fazer, que roncava em meio a uma vara de porcos.

– Excelente trabalho, sr. Malfoy – disse Harry caminhando até uma fonte próxima e enchendo um balde, e logo em seguida despejando todo o conteúdo do balde sobre Neville, que acordou assustado.

– EU TE AMALDIÇÔO POR RESPIRAR, SEU MALUCO IDIOTA! – exclama o rapaz furioso, puxando uma pistola do cinto e apontando-a a esmo. Harry simplesmente ergueu uma sobrancelha.

– Eu não acredito... Harry e Rony! – disse Neville ao focalizar os dois amigos. – Vocês deviam saber que não se acorda homem que dorme! Dá má sorte!

– Ah, mas felizmente eu sei como anular isso – disse Harry curvando-se para Neville e prendendo a respiração. – O homem que o acordou convida o que dormia para um drinque. O homem que dormia bebe enquanto ouve uma proposta do homem que o fez acordar.

Neville pensou um pouco, coçou o queixo mal-barbeado e disse:

– É... isso já resolve.

Harry e Rony o puxam pelas mãos para ajudá-lo a se levantar, mas Hermione aparece com outro balde transbordando e joga mais água em Neville. Em seguida, Draco e Dobby também vêm cada um carregando um balde, e também jogam água em Neville.

– PORRA, EU JÁ TÔ ACORDADO! – berrou Neville, tremendo de frio e raiva.

– Mas continua cheirando mal – respondeu Hermione, no que foi concordado por Draco e Dobby.


Na taverna local, os seis se sentavam ao canto, longe da melodia desafinada tocada por um grupo de menestréis bêbados e da bagunça criada pelos bêbados que brigavam entre si, logo Rony foi correndo juntar-se a eles.

– E então, chefe? Qual a natureza desta aventura? – pergunta Neville tomando um gole de seu copo de cerveja amanteigada.

Harry lançou olhares para os lados a ver se alguém os escutava. Mais da metade da taverna estava entretida demais com a pancadaria dos bêbados e com as prostitutas para ouvir o que diziam.

– Eu vou atrás do Voldemort – sussurrou Harry. O rapaz esperava alguma reação bastante escandalosa dos amigos, e não se decepcionou. Neville, Draco, Dobby e Hermione se engasgaram em seus canecos e cuspiram tudo no chão.

– Tais doido, acaso?! – sussurrou Neville apavorado com a notícia. – Pra que ir atrás dele, seu grande matusquela?! Devia é sentir-se feliz por ter fugido dele, ninguém jamais entrou para os Comensais da Morte e saiu vivo para contar a história...

– Claro, porque todos nós, abençoados com uma grandessíssima inteligência que somos, sabemos que mortos não contam histórias, e eu, como podem ver, estou bem o oposto de estar morto... – disse Harry. – E depois, tenho lá meus motivos...

– Que seriam...? – indagou Draco.

Harry hesitou por um momento, mas disse baixando os olhos, envergonhado:

– Uma garota.

Draco soltou uma risadinha de deboche, Neville o encarou como se sentisse pena e susto ao mesmo tempo, enquanto Hermione suspirou e disse alegre:

– Ai, que lindo! Harry, você tá amando!

– É, é... Pois é – disse Harry começando a corar.

– Ai, ai... Isso só comprova minha teoria de que o coração é o maior flagelo que um humano pode sofrer... – disse Draco observando seu reflexo na superfície da cerveja amanteigada enquanto girava o caneco na mão. –Putz, eu não acredito que entrei nessa roubada! Juntar-me a um louco ensandecido que quer ir atrás do pirata mais perigoso e mortal de todos os infernos por conta de umazinha que eu nem conheço...

Harry irritou-se muito com o que ouvira.

– Pra começar, foi o senhor quem aceitou vir conosco, caso não se lembre – rebateu o rapaz virando para o louro. – Foi você quem disse que qualquer lugar era melhor que aquela maldita mina de prata na costa sul da Espanha. Foi você que me jurou pelos seus parentes mortos, e até pelos que estavam vivos, mas que não estavam bem de saúde que me seria fiel pela eternidade. Lembra-se? Pois bem! Se você não quer, tudo bem, não vou obrigá-lo a vir comigo neste suicídio coletivo. Mas espero que tenha pelo menos um rumo para seguir, sr. Malfoy. Pode ir atrás do seu pai e ser capturado pelos espanhóis novamente. Mas só digo duas coisas. Primeira; você agora é um homem procurado, não tem direção, nada além de um nome e suas roupas do corpo, e não tem outra opção senão vir comigo. Mas a vida é sua, você tem que levá-la como bem entender e eu não vou me meter nisso. E segunda: se quer tanto achar seu pai, posso providenciar isso se vier comigo. Sei onde ele está. Agora avalie suas chances, Draco Malfoy... o que vai ser?

Sentindo a verdade nas palavras de Harry, Draco baixou a cabeça por um momento, e por fim concordou.

– Sábia decisão, sr. Malfoy. Excelente! – disse Harry sorrindo vitorioso.

– Tá, mas ainda assim Harry, pelo que ouço falar do... Dito-cujo... ele não é homem de fazer trato com qualquer retardado, mesmo que seja por uma moça... – disse Draco.

– Mas é bom que não, porque eu não pretendo resolver isso na base da diplomacia. Então é muito bom que eu não seja qualquer retardado, não é? – disse Harry tomando um gole do seu caneco.

– Prove isso! – exclamou Malfoy. – Por que acha que Você-Sabe-Quem será derrotado por você quando homens mais valentes já sucumbiram perante ele?

– Porque o amor move montanhas, Draco! – disse Hermione com uma expressão romancista no rosto. – Você que já foi apaixonado devia saber disso.

– Ele foi chifrado, cê num lembra, não?! A última coisa que esse corno quer ouvir falar é em mulher... só lamento, né?! – ouviu-se a voz de Rony lá do fundão do salão, onde se sentava sobre um banco de canto junto a Ressaca, que se juntava a Rony para beber cerveja amanteigada em uma tigela, e algumas prostitutas. Enlouquecido pela raiva, Draco levantou-se em meio a uma explosão de risos e atirou uma garrafa contra Rony com toda sua força, mas o ruivo a apanhou feliz, abriu-a e disse "Opa! Valeu hein cornão!". Houve mais risos.

– Bom, Neville, voltando à nossa conversa – disse Harry voltando-se para o outro –... Eu não nego que me sinto bem feliz por estar livre dele, mas estaria melhor se o Vol... desculpem... ele tivesse jogado a Gina na prancha comigo...

– E a Gina é...? – indagou Draco.

– Em português claro? É simplesmente a criatura mais perfeita do mundo inteiro – responde Harry sonhador. – Ela é esperta, divertida...

– Bonita? – pergunta Draco interessado.

– Maravilhosa! Mais bela do que a rainha de todas as sereias! – responde Harry sorrindo. Draco, Neville e Hermione trocam olhares e sorrisinhos de "Ele tá gamado...". – Ela tem uns olhos que parecem safiras... Safiras não, diamantes... E-e o cabelo, putz, tão sedoso, vermelho como o sol poente, a pele branca, tão macia quanto a neve e um sorriso...

Harry descrevia sua amada com entusiasmo apaixonado em cada sílaba, ouvido atentamente pelos quatro amigos. Mas não conseguiu ir além da descrição do sorriso de Gina, pois antes que percebesse já derramava lágrimas. Draco ofereceu-lhe um lenço.

– Valeu, Draco – disse Harry aceitando o lenço e enxugando o rosto e continuando a falar em um tom exageradamente alto. – Mas me dá raiva só de imaginar os tormentos que ela deve estar passando naquele navio, imaginar o que Voldemort possa estar fazendo a ela... Ela é tão tenra e frágil...

Agora Harry já não era o único a derramar lágrimas. Neville estava debruçado sobre a mesa soluçando muito, Dobby assoava o nariz na barra da fronha que usava, Draco escondia o rosto nas mãos Hermione observava Harry de olhos marejados e até algumas pessoas sentadas próximas a eles também berravam e choravam ao ouvir a conversa do grupo.

– D-Dobby traz mais bebida para o Capitão Harry Potter – gaguejou Dobby com a voz fina tremida, levantou-se e encaminhou-se ao balcão onde até o barman enxugava os olhos no avental.

"Que sentimento mais nobre, Deus o abençoe!", "Pobre moça, que destino infeliz estar a mercê de tal monstro!", "Espero que ele consiga alcança-la!". Era o que se ouvia agora pelo bar inteiro. Os bêbados haviam dado um intervalo para chorarem abraçados uns aos outros, e a orquestra agora tocava uma sinfonia melancólica de violino. Harry continuava a chorar desconsolado, Neville dando-lhe tapinhas no ombro, Dobby voltava carregando um canecão transbordante de cerveja amanteigada.

– Este é por conta da casa, Capitão – disse Dobby entregando o canecão nas mãos de Harry, que o pegou e bebeu a metade de seu conteúdo num só gole. Já estava muito vermelho.

– É isso aí! Não posso ficar aqui chorando e bebendo feito um corno acabado – sem ofensas, Draco... –! A mulher da minha vida me espera, e nem que seja no inferno eu vou desistir dela!!! – exclama Harry em alto e bom som, levantando-se e erguendo a caneca.

Todos os presentes também ergueram as canecas, berrando sua aprovação. Ao sentir que Harry se animara um pouco mais, o astral geral entrou em alta também, e os bêbados voltaram a se estapear, a orquestra voltou a tocar sua música desafinada e o bar inteiro voltou a ficar cheio de berros, letras desafinadas de músicas e gritos.

– Falou bonito, Harry! Pode contar comigo! – disse Draco também erguendo a caneca.

– E comigo! – berrou Dobby erguendo a caneca.

– Comigo também! – Hermione também erguia a caneca.

– E comigo de brinde! – berrou Rony alegremente lá do fundão, onde estava abraçado ás raparigas e erguendo a garrafa acima da cabeça. Ressaca latiu. – E o Ressaca também vai!

– Bom, então é isso... Eu também vou! – disse Neville determinado.

– Então vai nos arranjar uma tripulação? – pergunta Harry sentando e enxugando o rosto.

– Não será difícil, agora que ganhou a simpatia do pessoal... – disse Neville. – Deve haver alguns marinheiros nessa rocha tão loucos quanto você.

– Ah, é o que nós esperamos! – concluiu Harry se animando e pegando o caneco, o que foi imitado pelos demais. – Pegue o que puder...

–... sem nada devolver! – responderam os outros quatro em coro. Ambos, Harry, Hermione, Dobby, Neville e Draco, brindaram colidindo seus canecos, beberam tudo de um só gole e depois bateram os canecos na superfície da mesa com estrondo.


Enquanto isso, no Basilisk, Gina sentava-se à janela de sua cabine para admirar o mar, sonhadora. Estava tão distraída devaneando onde estaria seu amado Harry, se continuava preso àquela ilha, se já morrera de fome ou se já desperdiçara a única bala de que dispunha em sua pistola, que nem percebeu a noite chegar. Gina enxugou as lágrimas nas costas das mãos e contemplou a lua, mãe acolhedora dos apaixonados, a musa dos poetas românticos que tanto apreciara aconchegada aos braços do amado, quando abriram a porta da cabine.

– Se importam de bater quando quiserem entrar?! – retrucou Gina irritada, voltando-se para encarar Lúcio e Snape. – Sei que isso é um navio pirata, mas vocês bem que podiam aprender a respeitar uma presença feminina...

– Está na hora do seu jantar com o capitão – disse Snape ignorando o que a jovem havia acabado de dizer. – Ele pede que use seu melhor vestido.

– Diga ao vosso capitão que estou desinclinada a aquiescer vossa solicitação... mas em linguagem simples e direta para que vocês, piratas retardados e com um dicionário absurdamente limitado, me entendam... Não vou a porcaria de jantar nenhum – respondeu Gina em tom atrevido.

Os dois homens deram risinhos zombeteiros.

– Ele disse que diria isso – disse Lúcio. – E disse que se fosse este o caso, a senhorita jantaria com a tripulação... sem vestido nenhum.

Gina não pestanejou em aceitar a ordem. Lúcio e Snape saíram do aposento e entraram dois elfos domésticos de aparência feminina. Fecharam a porta da cabine e começaram a ajudar Gina a se despir. Gina sabia que para Voldemort, o seu melhor vestido era o que ele lhe dera, preto com detalhes em verde e prata e uma gola um tanto escandalosa, que permitia uma boa visão de pouco mais da metade de seus seios. E era justamente esse vestido que uma das elfas tirava de um guarda-roupa no canto da sala. O capitão sempre mandava que ela usasse aquele mesmo vestido sempre que estivesse em sua companhia. Gina ainda se perguntava por que fazia as vontades daquele homem cruel e sem escrúpulos que a afastara de sua única razão de viver naquele inferno. Após terminar de abotoar o vestido, Gina foi encaminhada pelas mucamas até a cabine do capitão, uma sala grande o bastante para acomodar um órgão prateado gigantesco com símbolos por toda sua extensão que lembravam cobras que Voldemort tocava todas as noites, quadros, alguns tesouros e pratarias cravejadas que o capitão guardava sobre o peitoril da janela, uma grande mesa de centro, que em lugar de estar lotada de papéis amassados, mapas, compassos, tinteiros, penas, bússolas e uma porção outras coisas, esta estava sendo preparada por Rabicho para acomodar um enorme leitão recheado sobre uma travessa de prata no centro, junto com um caldeirão de sopa e pães. Dois pratos e guardanapos foram finamente adicionados ao cenário. Gina sentou-se na cadeira á direita do capitão, que lhe lançou um olhar de admiração. Rabicho terminou de acender as velas do candelabro e retirou-se do aposento com uma reverência. Gina pegou um garfo e uma faca e começou a cutucar o leitão, tirando pedacinhos e mastigando-os vagarosamente.

– Pra que a cerimônia?! Não tem ninguém aqui para impressionar – disse Voldemort enfiando um pedaço particularmente grande de coxa na boca, em seguida a um pão inteiro e duas colheres de sopa. – Deve estar com fome, ficou enfurnada na sua cabine o dia inteiro...

Gina varejou longe os talheres, agarrou uma das coxas do leitão e abocanhou com selvageria. Depois encheu o prato de sopa e virou-o na boca, logo em seguida agarrando dois pães. Voldemort a observava, pasmo. Como uma dama tão refinada conseguia comer com tamanha violência?

– Beba um pouco de vinho pra fazer descer – disse Voldemort enchendo um cálice e entregando a Gina, que o pegou e virou garganta abaixo imediatamente.

Depois de devorar sozinha mais da metade do leitão, Gina já estava pronta para se retirar, quando...

– Pegue um cacho de uvas – ordenou Voldemort apontando um cesto cheio de maçãs e uvas sobre a mesa. Ela repara que tanto as uvas como as maçãs tinham o mesmo tom esverdeado.

– Estão envenenadas – disse Gina. Voldemort riu.

– Não faria sentido matá-la... – respondeu ele.

– E por que não? – indagou a garota.

– Primeiro porque seria uma burrice enorme excluir do cenário uma paisagem tão linda como você – respondeu o capitão malevolamente. – E segundo porque muito em breve você passará a ter muito mais importância para mim do que pensa. Já ouviu falar em Horcrux?

– Não – respondeu Gina.

– É, achei que não. É uma magia negra muito antiga desenvolvida pelos povos pagãos, que consiste em fragmentar a alma de uma pessoa – explica Voldemort. – Para fragmentar a alma, é preciso cometer um ato muito hediondo, matar alguém, por exemplo. Daí a pessoa pode retirar esse fragmento do próprio corpo, levá-lo ao Pátio das Almas Perdidas, uma caverna perdida em algum lugar do mar, e guardar em um objeto. Isso é bastante útil, pois torna a pessoa imortal, uma vez que a alma esteja dividida a pessoa não pode morrer totalmente até que todos os fragmentos de alma sejam destruídos. Mas há muito a prática desse método foi banido, pois muitos povos consideravam uma coisa bárbara e terrível fragmentar a alma. Por isso um poderoso sacerdote lançou uma maldição terrível contra o Pátio das Almas Pedidas... O mortal que ousasse criar uma única Horcrux naquele altar seria castigado pela eternidade!

– Eu já não creio em histórias assombradas, capitão – disse Gina com um sorrisinho incrédulo.

– Pois é, foi o que eu próprio pensei quando ouvi a história pela primeira vez... – disse Voldemort levantando-se e caminhando até a janela para admirar o mar. – Bom, por fim minha curiosidade falou mais alto e me levou á exata localização da caverna... Lá estava o Pátio das Almas Perdidas em todo seu esplendor, eu não pude me conter e decidi retomar o projeto logo após aprender tudo que precisava para separar minha alma de mim. Eu até agora já criei sete ao todo, mas adoraria produzir mais...

Temendo o pior, Gina pegou uma faca á sua frente e a escondeu no decote.

– Sei, mas... Onde eu entro nisso, se me permite a pergunta? – ela perguntou.

– Por isso não faz sentido matá-la... – disse Voldemort com um olhar perverso. – Eu vou transformá-la em minha oitava peça.

Gina horrorizou-se com essa notícia. Voldemort avançou contra a moça, que agarrou a faca e a cravou no coração do capitão. Voldemort simplesmente a encarou, inexpressivo, depois olhou para a faca e a puxou toda ensangüentada do peito.

– Estou curioso... – disse ele calmamente e com um leve tom de quem está educadamente interessado, enqüanto observava a faca ensangüentada em suas mãos. – Depois de me matar, o que planejava em seguida?

Gina gritou e precipitou-se para a porta. Estava trancada. Tudo que ela podia fazer era correr pelo aposento, mas tropeçou na barra do vestido. Voldemort atirou à mesa o chapéu e o casaco, depois as armas e o cinto. E ao passar pela janela, o homem bonito desapareceu. Em seu lugar, havia alguma coisa entre homem e cobra, com a pele de um tom branco-giz, rosto viperino, o nariz eram duas fendas, dedos longos e magros que terminavam em garras, olhos vermelhos e pupilas dilatadas como as de um gato. Gina berrou horrorizada.

– Veja! – disse ele num sussurro agudo que lembrava um silvo de cobra. – Isso é o que eu sou agora! O luar mostra como a maldição do sacerdote marcou minha pessoa. Não estou entre os vivos e por isso, não posso morrer. Mas também não estou morto. Sou um homem amaldiçoado! Não sinto nada! Nem o vento em minha face, nem os salpicos das águas do mar... nem o calor do corpo de uma mulher... É melhor começar a acreditar em histórias assombradas, senhorita Weasley... Sua vida tornou-se uma!

Voldemort agarrou-a e lançou-a na cama, desta vez desabotoando a camisa, desamarrando a faixa da cintura e descalçando as botas. Pulou sobre a garota segurando-a pelos pulsos e beijando-lhe o pescoço. Gina gritava, esperneava e chorava de ódio. Os gritos de desespero e dor de Gina eram ouvidos por todo o Basilisk, mas logo foram abafados pelas gargalhadas da tripulação.


– Deleite seus olhos, capitão! – disse Neville quando Harry e os outros chegaram para conhecer os marinheiros. – Todos leais servidores do mestre! Um bando inteirinho de marinheiros sagazes, todos muito eficientes e loucos... pra dizer o mínimo.

O médico de bordo não faltara com sua palavra. Em apenas uma noite, ele havia arranjado um bom número de tripulantes para o Gryffindor. Era verdade que todos não aparentavam ter mais do que uns dezessete, dezoito anos no máximo, mas ainda assim já pareciam entender de navegação. Neville passou a Harry a lista de candidatos que havia preparado.

Tripulação:

Harry Potter

Rony Weasley

Hermione Granger

Draco Malfoy

Dobby

Neville Longbottom

Luna Lovegood

Dino Thomas

Lilá Brown

Parvati Patil

Padma Patil

Cátia Bell

Angelina Johnson

Alícia Spinnet

Cólin Creevey

Dênis Creevey

Ernesto Macmillan

Justino Finch-Flechley

Ana Abbot

Suzana Bones

Cho Chang

Zacarias Smith

Antônio Goldstein

Miguel Corner

Terêncio Boot

Fred Weasley

Jorge Weasley

Lino Jordan

Simas Finnigan

Cedrico Diggory

Muitos dos candidatos eram conhecidos de Harry, como era o caso de Luna, uma garota com cabelos louros e sujos, olhos grandes e sonhadores. A garota era estranha em vários aspectos; trajava roupas masculinas, uma camisa cinza e colete de couro, com uma calça que chegava até seus joelhos e botas, brincos que lembravam rabanetes e um colar feito do que pareciam ser rolhas de garrafas de cerveja amanteigada. Em resumo, era uma pessoa que se destacava na multidão. Era mais que óbvio que Harry também conhecia os gêmeos Fred e Jorge, uma vez que ambos eram irmãos mais velhos de Rony. Cedrico já era velho conhecido, outrora um grande corsário, mas se rebelou e aderiu à vida de pirata. E quanto a Lilá, Parvati e a irmã desta, Padma, sem comentários. Como já era de se esperar, boa parte dos candidatos estava ali porque eram conhecidos de Harry, Rony e Neville, e outra parte estava ali porque se sensibilizara com a história de Harry na noite anterior, já que agora Tortuga inteira só falava nisso. Era o caso de Lilá e Parvati, que pediram desculpas pelos tapas.

– Então essa é a sua... "experiente" tripulação?! – indagou Draco ao bater o olho na fila de candidatos.

Harry correu os olhos de uma ponta á outra da fila, e seus olhos recaíram sobre um rapaz franzino com uma bandana azul na cabeça e carregando um papagaio ao ombro.

– Você aí, marujo – chamou Harry.

– Finnigan, senhor – disse Neville. Harry olhou para a lista arrumando os óculos na ponta do nariz.

– Sr. Finnigan – disse ele. – Tem a coragem e a determinação necessárias para manter-se firme frente ao perigo e a morte quase certa?

Finnigan não respondeu. Apenas ficou fitando Harry.

– Finnigan! – insistiu Harry alteando um pouco a voz. – Responda, homem!

– Ah, ele é mudo, senhor! – lembrou-se Neville. – O pobre diabo teve a língua arrancada, por isso treinou o papagaio para falar por ele, só não me pergunte como.

Finnigan abriu a boca, mostrando uma tira de carne mutilada que parecia um dia ter sido sua língua. Harry afastou-se um pouco com uma expressão de nojo e passou a própria língua entre os dentes. Rony, que para começar o dia, tinha a boca entupida de cerveja amanteigada, inclinou a cabeça para frente e apertou os olhos para ver melhor. Hermione cobriu a boca com as mãos e virou o rosto para outro lado e Draco contorceu as feições em uma expressão de profundo nojo.

– É por isso que ás vezes falar demais não é nada bom... – disse Luna de repente com uma voz distante, atraindo a atenção de todos os presentes. Harry baixou a cabeça, fez uma breve pausa e continuou:

– Papagaio do sr. Finnigan... – diz o capitão á ave empoleirada no ombro do rapaz. – A mesma pergunta.

– Currupaco! Vento nas velas! Vento nas velas! Prrróóóóóc! – exclama o papagaio alegremente.

– A gente acha que isso quer dizer "sim"... – disse Neville.

– É o bastante pra vocês? – indagou Harry voltando-se para o grupo atrás de si.

– Provou que são malucos! – disse Hermione em um sussurro baixo.

– E os nossos benefícios?! – indaga alguém lá no finzinho da fila. Harry e os outros vêem o que parecia ser uma moça em trajes masculinos com um chapéu ocultando o seu rosto. Harry e Rony fazem uma cara horrorizada, e quando Draco puxa o chapéu, descobrem uma bela garota chinesa com cabelos negros e longos, que encarava Harry com desprezo.

– He, he... Oi, Cho – disse Harry com um sorrisinho amarelo. A moça virou-lhe a mão na cara. O capitão sentiu o pescoço estalar com a virada brusca.

– Eu suponho que também não mereceu essa... – disse Hermione.

– Não, o pior é que essa eu mereci... – disse Harry.

– Então você tinha outra e nem ao menos me escreveu para terminar a relação, seu cachorro! – disse Cho com raiva. – Você e o seu amiguinho ruivo roubaram meu barco, há cinco anos, lembram?!

– Na verdade, nós... – antes que Rony pudesse se explicar, também levara uma senhora pifa na cara. Ele gemeu apalpando o local atingido enquanto Cho recuara dois passos ao se assustar com os latidos agressivos de Ressaca. – Tomamos emprestado, emprestado sem seu bom consentimento, claro. Mas com total intenção de devolvê-lo a você.

– MAS NÃO DEVOLVERAM! – berrou ela.

– Você terá outro! – disse Harry, e Cho apontou-lhe o dedo na fuça.

– Aye, eu terei... – disse ela entre os dentes.

– Um melhor – disse Draco metendo-se na conversa.

– É, um melhor! – disse Harry.

– Aquele! – disse Hermione sorrindo e apontando o cais.

– Aquele? – indaga Harry confuso. Ao entender que Hermione apontava o Gryffindor, quase teve um troço. – AQUELE?!

Harry ouviu claramente o ruído de Cho estalando as juntas às suas costas. Ao perceber uma gota de suor frio escorrer pela sua testa, virou-se imediatamente para a chinesa.

– Ah, é... Aquele! – diz ele depressa, abrindo um largo sorriso. – O que me diz?

Cho pensou um instante e depois berrou "Aye!". O resto dos marujos saiu berrando alegremente em direção ao Gryffindor.

– Err... Senhor? – chamou Neville num sussurro apavorado. – Não dá azar ter tanta mulher á bordo?

– Será pior se não tivermos... – respondeu Harry pegando a bússola e olhando desta para o céu cheio de nuvens. Em seguida, tomou rumo para o Gryffindor também. Rony, Neville, Dobby, Draco e Hermione juntaram as cabeças para observar as nuvens também.

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Comentários do autor: Capítulo 3 taí... Nada a declarar! Tripulação de Tortuga, Neville no papel de Gibbs, Draco no papel de Will... realmente, minha criatividade anda uma tranqueira ¬¬. Mas acho que nem tá tão ruim assim, o q vocês acharam?

Aliás, obrigado pelos reviews, meninas. Vlw o/!