Luthier – A Melody to Dream.

(Uma Melodia para Sonhar)

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Juliana é uma criação minha, como um presente especial para uma grande Ficwriter, a Kaliope, autora da fic Galácticas na Grécia.

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Capitulo 3: Voando sem asas.

Todos procuram por alguma coisa

Algo que faz tudo se completar

Isso se mostra em lugares estranhos

Lugares onde você nunca soube que estariam...

.I.

Desviou o olhar do dele, sentindo-o intenso demais para que pudesse encará-lo, haviam acabado de sentar-se naquele modesto café parisiense e as palavras simplesmente morreram, era como se houvessem entrado numa batalha de olhares e silêncio.

Ele parecia um lobo, estudando-lhe os movimentos, respiração e pensamentos com aquele par de orbes azuis, num tom quase acinzentado.

-Então, você confecciona violinos; Aiácos começou, chamando-lhe a atenção.

-Não, outros instrumentos de corta também se necessário; Juliana o corrigiu, mesmo porque, a profissão de lutheria não resumia-se apenas ao violino, o profissional dessa arte tinha de ser capacitado a desenvolver qualquer instrumento de cordas, sem que o mesmo perdesse sua essência.

-Mas você prefere os violinos, não? –ele perguntou.

-...; a jovem assentiu, voltando-se para trás instintivamente ao sentir algo estranho no ar, como se estivessem sendo observados.

-Algum problema? –Aiácos perguntou, um tanto quanto inquieto.

-Não, nada; ela respondeu prontamente, deveria ser só impressão.

-Pardon, desejam pedir algo? – um rapaz perguntou aproximando-se.

-...; o espectro assentiu.

-Como vai, Ju? –Francis perguntou sorrindo, enquanto tirava um bloquinho de anotações do bolso do avental que usava.

-Bem e você? –Juliana respondeu voltando-se para o jovem de melenas douradas e incríveis orbes verdes.

-...; ele assentiu diante do cumprimento, sem notar o olhar envenenado do cavaleiro sobre si. –Então, o que vão querer? –Francis perguntou.

-Um café e você? –Aiácos falou, voltando-se para ela.

-O mesmo; ela respondeu calmamente.

-Certo; o rapaz balbuciou, enquanto anotava. –Ouvi dizer que o teatro vai abrir inscrição esse mês, deveria entrar; ele falou, voltando-se para a garota.

-Não sei; Juliana falou um pouco incerta, uma coisa era tocar para si, outra bem diferente era competir com uma legião de pessoas especializadas na mesma coisa, dispostas a tudo para vencer.

-Ju, você é a melhor, esta na hora de Paris conhecer uma musicista de verdade e mandar pro museu aqueles velhos estagnados; Francis brincou, porém o tom que completou a ultima parte demonstrava o quanto ele falava serio.

-É; ela balbuciou sentindo a face aquecer-se levemente, não que não gostasse de elogios, apenas ouvir alguém afirmando veementemente sobre seus dotes é que causava-lhe esse efeito. –Vou pensar nisso;

-Pense mesmo; Francis afirmou. –Bem, com licença, já traga o pedido de vocês; ele completou.

-...; os dois assentiram, ao vê-lo se afastar.

-Vocês se conhecem? –Aiácos perguntou um tanto quanto incomodado com o olhar que aquele rapaz lançara a garota.

-Sim, eu sempre venho tomar café aqui; Juliana respondeu com simplicidade. –Como é perto do ateliê fica mais fácil;

-Você tem um ateliê, então? –ele perguntou surpreso.

Sabia que a arte de Lutherismo era muito tradicional e não era nada fácil ter um ateliê próprio quando cidades tradicionais como Paris, haviam competições ferrenhas entre mestres na área.

-Tenho, quando cheguei a Paris, Frei Louis me deu grande apoio e me emprestou um pequeno prédio, mas assim que consegui me estabilizar, eu pude comprá-lo; Juliana explicou, apontando a loja fechada que haviam parado em frente há poucos minutos atrás. –Ele não quis aceitar, mas acabei insistindo e ficou uma troca, na época eu confeccionei algumas peças para Notre Dame e isso chamou a atenção de interessados na arte, então, sempre aparece alguma encomenda;

-Entendo; Aiácos balbuciou, fitando-a interessado. –Mas você disse que chegou, acaso não é francesa? –ele perguntou casualmente, como se não já houvesse reparado nisso.

-Não, sou brasileira graças a Deus; ela brincou com um sorriso cristalino.

-Ahn?

-Nasci no Brasil, mas assim que pude vim pra cá me especializar, já que a Europa da mais condições para lutherismo devido ao tradicionalismo e culto ao clássico que ainda perdura aqui, mas adoro meu país, embora a França tenha um lugar especial no meu coração; Juliana completou em meio a um suspiro.

-Com licença; Francis falou retornando com uma bandeja e as xícaras de café.

-Obrigado; os dois falaram antes dele se afastar.

-A França ou os franceses? –Aiácos perguntou enfezado com o sorrisinho do garçom.

-Como? –Juliana perguntou distraída, enquanto assoprava o café, antes de levar a xícara aos lábios.

-Nada; ele balbuciou bebendo o café quente mesmo para conter aquela sensação estranha.

Alias, não estava sendo ele mesmo desde que a chamara para tomar café, essa não era sua natureza, envolver-se com alguém ainda mais em missão, mas desde que a ouvira tocar naquele café no dia anterior, não sabia explicar, mas algo mudara, agora não sabia se isso queria dizer algo bom, ou não...

-E você? –a voz de Juliana trouxe-lhe de volta a realidade.

-O que? –Aiácos perguntou piscando confuso ao deparar-se com o olhar curioso dela sobre si.

-Você não é francês, então suponho que esteja a trabalho? –ela perguntou.

-...; ele assentiu, de tudo ela não estava errada.

-Mas você trabalha com o que? –Juliana perguntou, fitando-o com um olhar clinico, como se assim pudesse descobrir o que ele fazia.

-Bem...; o espectro falou engolindo em seco, não pensara em uma desculpa antes e falar a verdade estava fora de cogitação.

-Aiácos querido, você por aqui; uma voz doce 'doce demais por sinal' falou atrás da jovem.

Automaticamente os dois viraram-se na direção da voz, deparando-se com uma jovem de melenas azuladas se aproximando sorrindo.

-"Hékates"; Aiácos pensou surpreso ao ver à divindade lunar ali, o que não queria dizer algo bom se pensar que fora Hades a enviá-la.

Juliana virou-se para ele em busca de uma resposta para aquilo, mas antes que ele pudesse dizer algo, Hékates precipitou-se sobre o mesmo, parando a seu lado e dando-lhe um beijo de fazer inveja a qualquer Brad Pitt e Angelina Jolie da vida.

-Hékates; ele falou tentando afastá-la.

-É um idiota mesmo; Juliana falou, levantando-se em um rompante, quase virando a mesa nisso.

-Juliana; Aiácos falou empurrando Hékates e levantou-se para segui-la.

-Calma lá, Casa Nova; a jovem falou num tom frio o segurando. Os orbes acinzentados da divindade lunar, que antes pareciam tão doces aos poucos ganharam um degrade mais intenso, tornando-se negros.

-Me solta; ele mandou ao ver a jovem de melenas avermelhadas se afastar cada vez mais.

-Aiácos. Aiácos. Hades vai ficar tão contente ao saber que você fica se divertindo com ninfetas, quando tem uma missão a cumprir; ela falou em tom de provocação.

Virou-se para a divindade com um olhar que faria até mesmo Thanatos recuar, afastou a mão dela que lhe detinha com um tapa seco, sem um pingo de delicadeza.

-Jamais repita isso novamente ou terei o imenso prazer de matar você; Aiácos falou com um olhar tipicamente assassino, sentindo o sangue correr mais rápido em suas veias devido à irritação que sentia mediante ao que ela falara.

-Não me interessa o que pensa Aiácos, Hades me mandou aqui porque você é um incompetente, então, terá que conviver comigo até o fim da missão; Hékates falou como se pouco se importasse com os problemas dele.

-Pouco me importa sua presença aqui, Hékates, só não se meta aonde não é chamada; ele avisou dando-lhe as costas.

-Hei! Aonde vai? E a conta? –ela falou apontando as xícaras sobre a mesa.

Ele deu de ombros, afastando-se, ignorando os gritos de protesto dela.

.II.

Abriu a porta lateral do ateliê e subiu as escadas com passos pesados, estava irritada, extremamente irritada. Não com Aiácos, porque aquele sorriso cafajeste não lhe enganou, mas estava irritada consigo mesma por ter achado que dando uma segunda chance, poderia estar errada.

Mas não, estava certa e essa era a parte irritante de tudo...

Em cima do ateliê ficava um apartamento modesto que vivia, gostava dali porque tinha uma bela visão de Notre Dame ao pôr-do-sol e ficava mais fácil, quando tinha surtos de inspiração durante a madrugada era só descer e trabalhar.

Jogou o casaco sobre o sofá, enquanto prendia os cabelos em um coque de fios soltos, iria dar uma arrumada na casa antes de ir abrir o ateliê. Sem contar que havia algo para fazer ainda no final da tarde; ela pensou dando um baixo suspiro.

Estava começando a se sentir sozinha com aquela casa vazia, acostumara-se tanto com os sobrinhos correndo pela casa naquele período de férias que estiveram consigo que a falta de barulho lhe incomodava.

Isso fora exatamente um dos motivos que a fizera parar o trabalho mais cedo no dia anterior, como as sete eles iriam pegar o avião, levou-os para uma ultima volta na Torre Eiffel e os acompanhou até o aeroporto, mas na hora de seguir para a casa, desistiu, optando por ir assistir Alegria e se distrair um pouco.

Entrou na cozinha, logo envolvendo a cintura com um avental e colocando ordem na bagunça, mas logo teve de parar ao ouvir alguém batendo palmas na frente do ateliê.

Pediu aos céus que quem estivesse lá embaixo, fosse e não fosse quem estava pensando; ela pensou.

Novamente seus pensamentos lhe traíram para sua irritação e ela aumentou ao lembrar-se daquela garota beijando-o como se fossem mais do que amigos, ou pior, conheciam-se de longas datas.

Rumou para a sacada da sala, não iria descer, era melhor se garantir. Abriu as portas e saiu sacada afora, mas serrou os orbes ao olhar para baixo.

-Juliana! –Aiácos falou erguendo a cabeça e encontrando o olhar nada amigável dela sobre si.

-Vá embora; ela mandou.

-Eu posso explicar; ele adiantou-se aflito.

E realmente estava, a simples perspectiva de que Hékates destruirá qualquer possível 'relação' que eles pudessem vir a ter, lhe deu um desespero incomum a sua personalidade.

-Não vai conquistar nenhuma Julieta assim, Romeu; uma voz sarcástica chamou-lhe a atenção.

-Pierre, não se meta na vida dos outros; uma senhora falou para o homem da loja de conveniências do outro lado da rua.

-Isso mesmo; Aiácos vociferou com os orbes serrados, antes de voltar-se para cima. –Juliana, por favor; ele pediu.

-Já disse, vá embora; Juliana falou tentando não ceder aquele olhar suplicante.

-O Romeu se ferrou; Pierre cantarolou.

-Cuida da sua vida; o espectro mandou ameaçando atravessar a rua e quebrar a cara daquele inconveniente.

-Não temos nada para conversar Aiácos, por isso pare com essa cena; ela mandou ficando envergonhada diante do que estava acontecendo.

-Você não pode ignorar o que está acontecendo; ele apelou ao ver que algumas pessoas viam a cena interessados e essa era a melhor oportunidade de convencê-la a descer para que conversassem.

-O que? –ela quase gritou.

-Nossos encontros inesquecíveis; Aiácos continuou de maneira sedutora, fazendo-a corar furiosamente.

As pessoas paravam de andar gradativamente ao ver que a situação estava ficando mais interessante, principalmente aqueles que conheciam a jovem e viviam na expectativa de vê-la acompanhada de um belo espécime francês, que realmente falasse fazendo biquinho e soubesse cozinhar de verdade.

-Do que esta falando? –Juliana perguntou incrédula. Isso foi golpe baixo; ela pensou enfezada.

-Quer mesmo que eu fale? –Aiácos continuou com um sorriso nada inocente.

Juliana serrou os orbes de maneira perigosa e ele jurou que se ela pudesse, saltaria a sacada só para matar-lhe naquele momento, mas o que ela fez lhe surpreendeu. A jovem apenas afastou-se da sacada entrando novamente na casa.

-"Ela vai descer"; ele pensou satisfeito.

Foram alguns minutos, cinco ou seis talvez, mas logo ouviu os passos dela desceram à escada de madeira, pareciam mais pesados que o comum, mas julgou que fosse devido à contrariedade do momento.

Abriu um largo sorriso ao ouvir o clique da fechadura e logo uma fresta abrir na porta.

-Juliana; Aiácos falou, porém qualquer outra palavra que pretendia falar foi literalmente afogada em sua boca.

Fechou os olhos sentindo o baque de algo relativamente gelado contra seu corpo que agora jazia completamente encharcado. Afastou alguns fios azulados que caiam sobre seus olhos e deparou-se com a jovem encostada no batente da porta, segurando nas mãos um balde.

-Aprenda uma coisa Aiácos, não sou o tipo de pessoa que se intimida por um comentário malicioso, estou pouco me lixando para o que essas alcoviteiras da rua falam, então, se ousar me importunar novamente, acredite, não será apenas um balde de água fria que vou jogar na sua cabeça; ela avisou, dando-lhe as costas e batendo a porta em seguida.

Abriu a boca para retrucar, porém só ouviu um novo clique da fechadura, indicando que a porta fora trancada novamente e os passos dela logo distanciaram-se ao longo da escada de madeira.

Respirou fundo, contendo um rosnado em sua garganta, aquela garota realmente não tinha noção do perigo, nem ele...; o cavaleiro concluiu afastando-se a passos rápidos e irritados pela rua, ouvindo comentários nem um pouco agradáveis sobre o que acontecera.

.III.

O museu do Louvre localiza-se em Paris e atualmente é um dos mais famosos museus no mundo todo, o edifício foi construído por Napoleão, no centro de Paris, entre o Senna e a Rue Rivoli.

Seu pátio principal, ocupado agora pela pirâmide de vidro do Louvre, encontra-se na linha central da Champs Élysées.

E era exatamente ali que ela estava agora, fechou melhor a gola do sobretudo, aquela temporada estava mostrando-se mais fria que as demais, andou calmamente pelo pátio principal, rumando para a entrada da pirâmide.

A tarde já caia e aproveitara o horário para fazer uma visita ao lugar, enquanto o movimento estava fraco e não tinha nenhuma encomenda 'especial' para fazer.

O Louvre era a sede do governo monárquico francês desde a época dos Capetos medievais, tendo sido abandonado por Luis XVI em favor do Palácio de Versalhes.

Parte do palácio real do Louvre foi aberta primeiramente ao publico como um museu em oito de novembro de 1793, durante a Revolução Francesa. Mesmo após a restauração dos Bourbons, permaneceu como museu.

Atualmente o Louvre contem o maior acervo de obras de arte renascentistas da Europa, lá dentro estão guardadas a famosa madona do sorriso enigmático, chamada de Mona Lisa, a Vênus de Milo e uma coleção espetacular de peças egípcias, levando em consideração também as coleções de Renoir e outros grandes mestres de sua época.

Continuou a andar, descendo pela escada principal, tinha uma sala em especial que desejava ir, muitas pessoas ainda transitavam pelos corredores impecavelmente limpos, para que assim, a integridade das obras ali guardadas continuasse intacta.

O Louvre era composto por varias galerias, talvez isso se devesse ao fato de um dia o 'Castelo do Louvre' ter sido transformado em fortaleza, por Philippe II em 1190, para defender Paris em seu oeste de encontro aos ataques vikings.

No século seguinte, Carlos V o transformou em museu, porém com a chegada do reinado de François I e Henri II rasgou-o para baixo, construindo as primeiras fundações do palácio real, as fundações da fortaleza original, estão sob a Saille dês Cariatides (Sala das Caridades) ai sim, em 1793 voltou a ser definitivamente um museu.

-Mademoselle; ouviu alguém lhe chamar, tirando-lhe de seus devaneios.

Era completamente impossível estar ali, sem sentir-se contagiada por todo o passado que transpirada de cada parede do Louvre, as historias contadas desde sua criação, até mesmo sobre o momento que a coleção do Barão Ermond tornaram-se o maior sucesso do Louvre, abrindo sua estréia como museu, com chave de ouro.

-Sim; ela falou virando-se e encontrando um segurança de olhar gentil, lhe observando.

-Monsieus Aramis pediu que fosse vê-lo; o rapaz avisou.

-...; Juliana assentiu, respirando fundo.

Não era de se intimidar com facilidade, mas conhecia Aramis a um bom tempo para saber que ele não era um homem de fazer jogos psicológicos ou olhares significativos, ele sempre ia direto ao ponto, sabia o que queria e não media esforços para consegui-lo. Por isso estava no cargo que estava hoje em dia; ela pensou seguindo com o rapaz por uma das entradas laterais da galeria, que a levasse até a sala da diretoria.

Muitas galerias do Louvre estavam em reforma aquele ano devido às fundações, que possivelmente logo seriam abertas ao publico e a diretoria queria mantê-las intactas até isso.

Passaram por varias portas das quais, haviam outros seguranças igualmente bem vestidos e equipados, barrando a entrada de qualquer visitante. Estar ali dentro era como se sentir um X-man, só faltavam às roupas em tom de preto, que pareciam ser vestidas a vácuo nos personagens, principalmente no Wolverine; ela pensou sem conter um meio sorriso com pensamento tão agradável.

Ai estava um homem que não se importava nem um pouco que tivesse um sorriso sacana, porém certamente outras partes eram muito bem compensadas.

Mais alguns passos e entraram em um elevador, respirou fundo, não tinha nenhuma fobia de lugares fechados, mas normalmente quando ai ao Louvre só como visitante, não como convocada pelo poderoso chefão.

Sentiu o solavanco do elevador que parou e pelo marcador digital acima de sua cabeça, haviam decido dois andares, as portas metálicas abriram-se.

-Por aqui, mademouselle; o segurança falou indicando-lhe educadamente que fosse na frente.

Mal deu três passos para fora do elevador, deparou-se com duas frondosas portas de mogno a sua frente, que abriram-se sem rangido algum.

-Entre! –ouviu uma voz grave e imponente vindo lá de dentro.

Por um momento hesitou em continuar, mas balançou a cabeça levemente para os lados, não tinha porque se sentir aterrorizada por Aramis Dumont.

Entrou na sala muito bem ornada, ainda se perguntava se aquelas obras que via ali não deveriam estar sendo exibidas ao publico, em vez de ficarem alimentando o ego excêntrico de Aramis, mas cada louco com suas manias; ela pensou, lembrando-se de sua pequena queda por caixas de musica, tinha pelo menos três na sala, quatro no quarto, que ao mesmo tempo eram porta jóias e porta anéis.

Enfim, como aquela frase celebre dizia 'De médico e louco, todo mundo tem um pouco', não podia recriminá-lo.

-Boa tarde; ela falou cumprimentando a figura imponente sentada atrás de uma escrivaninha de cedro.

-Boa tarde; Aramis falou fitando-a atentamente. –Sente-se, por favor;

Ouviu as portas fecharem-se as suas costas, por sabe-se lá quem, por que não vira ninguém perto delas quando entrara, provavelmente aquela deveria ser mais alguma inovação da tecnologia que nem em uma vida inteira iria conhecer completamente.

-Obrigado por ter vindo Juliana; Aramis falou.

Ela estava certa, ele sempre ia direto ao ponto quando desejava algo, mas nunca perdia o ar aristocrático, nem permitia-se atropelar as coisas quando desejava abordar um único ponto. Um interesse em comum.

Relacionar-se profissionalmente com Aramis era o mesmo que jogar xadres, ele movia as peças e fazia com que reis e bispos andassem de mãos dadas pelo tabuleiro, se isso fosse necessário para ganhar.

-Então, o que deseja? –Juliana perguntou, fitando o homem de longos cabelos dourados e orbes azuis a sua frente.

-Preciso que faça um trabalho pra mim; Aramis falou recostando-se elegantemente na cadeira de couro, cruzando as pernas e apoiando as mãos de dedos cruzados sobre o colo. –Você terá todo o suporte que precisar, mas ele precisa de uma sensibilidade que tenho certeza, você a tem;

Ela o fitou atentamente, confeccionar violinos era uma coisa, atacar de agente para Aramis Dumont era outra bem mais complicada.

-Acredite, será interessante; Aramis falou como se lesse seus pensamentos.

-O que eu tenho que fazer? –ela perguntou, recostando-se na cadeira.

Sempre ao ponto, sem hesitações, era assim que se jogava com ele.

-Sabias palavras...; ele balbuciou com um sorriso enigmático. –Vamos ao que interessa;

.IV.

Enrolou uma toalha branca na cintura, enquanto saia do banheiro. Estava irritado, muito irritado mesmo com o que acontecera. Quem aquela garota pensava que era para lhe jogar um balde de água fria daquele jeito? –ele se perguntou, enquanto rumava em direção a uma cômoda, onde deixara a mala.

-Que saúde, hein; ouviu uma voz conhecia atrás de si falar em meio a um suspiro.

Apenas serrou ainda mais os orbes, sem virar-se, abriu bruscamente a mala, revirando-a para encontrar as peças de roupa que queria.

-Vá embora; Aiácos mandou.

-Sinto lhe lembrar novamente disso querido Aiácos, mas estou em missão; Hékates falou, sentando-se confortavelmente em uma poltrona no canto do quarto. –Por culpa sua, Minos estava surtando;

-Aquele idiota; o espectro rosnou ao encontrar a camisa que procurava.

-Já tem alguma pista dela por acaso? –a jovem perguntou, nem um pouco incomodada com o que estava acontecendo.

-Já, a encontrei ontem; Aiácos avisou, passando os dedos entre os fios azulados de cabelo, deixando-os arrepiados com isso, porém da forma que desejava.

-Porque não a pegou? –Hékates perguntou arqueando a sobrancelha.

-Ela deu um jeito de fugir; ele respondeu, pegando as outras peças. Virou-se para a garota. –Saia;

-Por quê? –ela perguntou, cruzando as pernas elegantemente e sentando-se melhor na poltrona.

-Se não percebeu, quero trocar de roupa; Aiácos falou visivelmente aborrecido.

-Ah só isso, fique a vontade; Hékates respondeu, gesticulando displicente, mas viu-o serrar os orbes ainda mais, dando a entender que não estava brincando. –Ah está bem; ela falou rolando os olhos. –Quem vê pensa você é muito tímido; a jovem completou sarcástica, desaparecendo em seguida.

Respirou fundo para simplesmente não manda-la realmente para o inferno, precisaria de paciência redobrada agora, mas mataria Minos se ele mandasse mais alguém para ficar no seu pé.

Hékates sabia ser uma pedra no sapato quando queria e ela também não parecia feliz com aquela missão o que só tornaria a convivência dos dois em Paris, ainda mais detestável do que em conversas de dias comuns.

Jogou a toalha na beira da cama, rapidamente se vestindo, tinha algumas coisas para fazer, dentre elas, algo inadiável.

Continua...


Domo pessoal

Mais um capitulo chegando ao fim, nossa, deu um choque de inspiração que escrevi esse capitulo hoje mesmo, acordei com muita vontade de falar sobre historia e acho que vocês perceberam isso nesse capitulo ao falar sobre o Louvre.

Eu realmente pretendo fazer de Luthier uma aula de história, falando sobre curiosidades e coisas interessantes sobre os principais pontos de Paris, onde direta ou indiretamente os personagens irão interagir.

Começando por Notre Dame e o conto de Quasimodo, agora estamos no Louvre e a misteriosa missão de Juliana, agora o próximo capitulo será igualmente interessante, com revelações que vocês mal podem imaginar.

Para aqueles que começaram a acompanhar a pouco Luthier, Hékates é a deusa da lua, porém muitas vezes associada com a alquimia e na idade media foi classificada como deusa celta da bruxaria, ela representa a Lua Nova em sua totalidade, seguida por Luna (Selene) e Ártemis (Diana), que juntas formam uma trintade da era helade, já que Febe a avó de Ártemis e Apolo representa a primeira geração de deuses da lua na idade de ouro.

Hékates como outras divindades aparecem em minhas historias desde Troca Equivalente e atualmente aparece com Aiácos em 'De Volta ao Vale das Flores', continuação de Luthier. Ao longo da história vocês vão conhecer melhor ela.

No mais, agradeço de todo coração a todos que estão acompanhando essa história, fico muito feliz a receber todos os coments que me enviam sobre Luthier e as demais.

Obrigada novamente e nos vemos na próxima...

Já ne...


Musica tema do capitulo: Flying Whithout Wings ( Voando sem Asas) Westlife.

Capitulo 1: Musica tema do capitulo – You are one in a million – Bosson.

Capitulo 2: Avassaladoras – Paulo Ricardo.