Luthier – A Melody to Dream.
(Uma Melodia para Sonhar)
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Juliana é uma criação minha, como um presente especial para uma grande Ficwriter, a Kaliope, autora da fic Galácticas na Grécia.
O
OXO
OXXXO
OXO
O
Capitulo 4: Love never fails.
♥
Haverá momentos que lutaremos contra as lágrimas
E outros que ficaremos com medo
Contanto que fiquemos juntos
Nós chegaremos lá...
♥
.I.
Respirou fundo, sentando-se em frente à Leda, uma das mais belas obras de Da Vinci, onde uma bela jovem de melenas onduladas era abraçada atrevidamente por um cisne branco.
Tal obra já havia mexido com a curiosidade de muitos historiadores, mesmo porque, dizem por ai que aquela jovem era a grande paixão do artista, alem da sua própria criatividade.
Leda, a jovem ninfa seduzida pelo poderoso onipotente que transformara-se em um belo cisne para conquista-la com graça e beleza, mas antes de partir, retornando a morada celeste, deixou-lhe dois ovos de ouro, que mil anos mais tarde originou a lenda do ganso dos ovos de ouro, uma versão infantil de uma paixão dissimulada.
Mas a verdade é que aqueles ovos eram nada mais nada menos, do que o invólucro que protegia personagens que marcariam a idade de Bronze da Grécia Antiga, o período Helênico.
Castor e Pólux, Clitenmestra e Helena, os gêmeos que marcaram a história. Principalmente por Helena que evidentemente herdara a beleza divina do pai despertando amores avassaladores e invejas inexoráveis a diversas pessoas, anos mais tarde também tornou-se o pivô de uma guerra que Homero teve o prazer de contar ao mundo pelos versos de Ilíada.
Suspirou pesadamente, todos os grandes artistas tinham suas paixões secretas, Da Vinci tinha a Lenda de sua vida, a mesma jovem a aparecer ao lado de Jesus na Ultima Ceia, apenas com os cabelos mais vermelhos e a mesma também, a representar a Virgem dos Rochedos, numa versão mais morena.
Porém sua preferida ainda era aquela jovem abraçada pelo cisne que mostrava-se tão ingênua e inocente que era difícil acreditar que existissem pessoas assim nos tempos de hoje; Juliana pensou, passando a mão levemente pelos cabelos.
Não conseguia tirar aquela conversa da cabeça, Aramis literalmente lhe quebrara as pernas com aquilo que pedira, alias, estava se sentindo tão atordoada com aquela conversa, que se perguntava como ele conseguira lhe convencer a aceitar.
Ele sempre consegue o que quer...; essa foi à única resposta que pode justificar os acontecimentos da ultima hora.
Fechou os olhos por um momento, vendo a imagem da jovem de melenas onduladas e as asas brancas do cisne desaparecerem da sua mente, aos poucos tragando-lhe para as lembranças do ocorrido a pouco.
-Você já ouvi falar sobre os cavaleiros de Athena? –Aramis perguntou, cruzando os longos e aristocráticos dedos, enquanto a fitava imponentemente.
-Só em Ilíada; ela respondeu com um sorriso mais sóbrio do que desejava.
-Digo, algo mais recente; ele falou, descruzando os dedos e fazendo um leve menear com uma das mãos.
-Só o que algum maluco anda comentando de vez em quando, sobre cavaleiros salvando o mundo de alguma divindade perversa que não tem mais nada pra fazer, do que atazanar a vida alheia; Juliana falou, cruzando as pernas elegantemente e mantendo a mesma postura de desafio imposta pelo francês ao recostar-se melhor na cadeira estofada de couro.
-Uhn! Finalmente esse povo esta deixando de ser cego; Aramis murmurou, de forma que ela pudesse ouvir perfeitamente o que ele disse.
-O que disse? –ela perguntou como quem não quer nada.
-Juliana. Juliana. É uma pena que seja ainda tão jovem, me pergunto o que alguém com sua astúcia e inteligência poderia fazer com os séculos de vida que tenho; ele comentou com um olhar clinico sobre a garota que a deixou deveras incomodada.
-Uhn?
-Mas falemos desses por menores em outro momento, tenho assuntos mais importantes a tratar agora; Aramis desconversou. –Como disse, tenho um trabalho que precisa ser feito, mas que requer uma certa sensibilidade;
-Estamos falando exatamente de que? –Juliana perguntou.
-Eu quero que entre no concurso para músicos da orquestra municipal; Aramis falou.
-Como? –ela perguntou quase pulando da cadeira.
-Tem alguém lá, que quero que fique de olho para mim; ele continuou passando as mãos suavemente pelas longas melenas douradas.
-Mas...;
-Com licença; alguém falou, chamando-lhes a atenção.
-Carite, obrigado por ter vindo; Aramis falou, enquanto a jovem de melenas esverdeadas se aproximava. –Juliana, Carite ira lhe ajudar em sua missão;
-Mas...;
-Não a escolha; ela foi taxativa, fitando-a intensamente.
Serrou os orbes de maneira perigosa, quem aquelazinha estava pensando que era para lhe tratar assim, mal notou um brilho incandescente tomar conta de seus olhos que passaram do castanho com finos riscos amendoados, para um dourado cintilante.
-É, parece que é ela; a ninfa dos vales falou dando de ombros e voltando-se para Aramis. –Vai servir;
-Do que está falando? –Juliana perguntou com um olhar envenenado.
-Não se preocupe, tudo há seu tempo; Aramis falou lançando um olhar de aviso a ninfa. –Agora vou lhe explicar o que terá exatamente de fazer.
-Mademouselle;
Ergueu a cabeça ao ouvir alguém lhe chamar, encontrou um segurança parado a seu lado com olhar preocupado.
-Sim?
-Está se sentindo bem? –o rapaz perguntou preocupado, desde que começara seu turno ali a mais de uma hora, viu que a jovem não saia dali, sempre com o olhar vago e preso entre o afresco do cisne.
-Estou sim, obrigada; Juliana agradeceu, levantando-se. –Hora de ir pra casa; ela balbuciou, antes de voltar-se para o rapaz. –Boa noite.
-Boa noite; ele respondeu vendo-a se distanciar. Estranho, não era qualquer um que via passar tantas horas em frente a uma tela sem nada dizer ou fazer, apenas a observando; ele pensou confuso.
.II.
Andou calmamente pelas ruas parisienses, não sabia o que era pior, que seus pensamentos o levassem até ali, ou simplesmente não ter vontade de impedi-los; Aiácos pensou, parando em frente ao ateliê da luthier.
As cortinas da janela de vidro estavam fechadas, o que indicava que ela não estava trabalhando e a sacada estava igualmente fechada. Será que ela não estava em casa? -ele pensou passando a mão levemente pelos cabelos.
Droga! Maldita hora que Hékates resolvera aparecer apenas para lhe dar trabalho; o espectro pensou seguindo reto, quem sabe no dia seguinte conseguira conversar com a jovem sem interrupções e pelo menos, ter a chance de descontar aquele balde d´agua na cabeça.
-"Aonde será que ela está?"; ele se perguntou lançando um ultimo olhar de soslaio ao ateliê, sem ver que alguém vinha em sua direção.
-AI; os dois falaram ao chocarem-se um contra o outro.
-Desculpe; Aiácos apressou-se em falar ao levantar-se do chão. –Não a vi; ele falou, estendendo a mão a jovem que trombara, cordialmente.
-Puff! Olhe por onde anda idiota; a garota rebateu, dando-lhe um tapa na mão e levantando-se sozinha.
-Hei! Educação é bom; o espectro falou irritado para a garota de melenas acinzentadas e orbes azuis.
-Como se eu fosse perder tempo com um idiota como você; ela ressaltou empinando o nariz arrebitado e dando-lhe as costas.
-Digo o mesmo, fedelha petulante; Aiácos rebateu afastando-se a passos irritados, quem aquela idiota pensava que era, deveria tê-la jogado no meio de uma poça de água ai sim ela iria aprender a ser menos ignorante; ele pensou aproximando-se da esquina, quando algo lhe chamou a atenção.
Virou-se rapidamente para trás a ponto de ver a mesma agora se afastando, porém uma aura violeta a envolvia, fazendo com que sua sombra fosse projetada no chão, porém ela não era a mesma das formas esguias da jovem, a sombra possuía não só asas como garras muito bem visíveis a qualquer um.
-É ela; Aiácos falou desatando a correr na direção da jovem, como se sentindo a aproximação, com extrema velocidade ela desapareceu. –De novo; ele praguejou parando no lugar onde ela estava anteriormente.
-Precisara de muito mais que isso para me pegar, espectro patético;a voz dela ecoou por toda parte, ou seria apenas em sua mente, ele não soube dizer, porém ouviu em seguida uma risada descontrolada.
Aquilo era um desafio, que a caçada começasse então, em breve teria a cabeça daquela erinia em uma bandeja de prata onde a entregaria pessoalmente ao imperador, que tinha ótimos planos reservados para aqueles seres repugnantes.
-o-o-o-o-o-
Fechou o casaco com força sobre o corpo, desde que saira do Louvre sentia-se atordoada, a conversa com Aramis e aquela tal de Carite lhe confundiam. Primeiro Aramis queria um espião dentro do municipal, agora essa Carite aparecia como uma agente que lhe auxiliaria.
Já ouvira falar sobre ela, era uma famosa pianista grega que vez ou outra executava algumas peças em Londres, mas nunca ouvira falar de sua estada em Paris, porém o que lhe intrigada era a forma com que ela e Aramis conversavam.
Embora ele por vezes tenha uma aparecia opressora, ela não parecia se intimidar, pelo contrario, Aramis era duplamente cauteloso na presença dela, o que lhe intrigada mais ainda. Quem era ela realmente para intimidar Aramis Dumont?
Respirou fundo, não sabia se não ir ao Louvre teria sido melhor, não seria nada fácil ter de bancar a Ton Cruise de saias numa versão atualizada e menos machista do Missão Impossível e ficar de olho em sabe-se lá quem e ainda, vencer a seleção. Uma das exigências de Aramis.
-Confio em sua capacidade e sei que vencera sem ajuda, por isso você tem duas obrigações, ser meus olhos dentro do municipal e vencer a seleção;
As palavras dele ecoaram em sua mente, não seria nada fácil embora soubesse de suas capacidades, porém queria saber de que forma Carite lhe ajudaria nessa louca missão.
-Amanhã começa seu treinamento; ela falara.
-Que treinamento?
-Tudo há seu tempo Juliana, não queria atropelar as coisas, sim; Aramis falou como se estivesse a tratar com uma criança. –Carite sabe o que esta fazendo e ao contrario de uns e outros por ai, você pode confiar sua vida a ela, que Carite já mais lhe desapontaria; ele falou de maneira enigmática, que não serviu nem ao menos para acalma-la.
-Tudo há seu tempo, Puff; Juliana resmungou, enfiando as mãos nos bolsos e continuando a andar em direção a sua casa.
.III.
Serrou os orbes dando um baixo suspiro ao sentir os lábios quentes dele correrem com suavidade pela curva do pescoço e os braços fortes estreitarem-se ainda mais em sua cintura.
-Lavanda; ele sussurrou aspirando o perfume emanado pelas madeixas avermelhadas, que caiam em fartos cachos sobre os ombros.
-Uhn? –ela murmurou, sentindo a mente turva e liberta de qualquer preocupação.
Sentiu o corpo ser suspenso do chão como se flutuasse, até as costas tocarem algo realmente macio e seus lábios entreabertos pelo ultimo suspiro serem tomados com ímpeto pelos do cavaleiro.
Deixou as mãos prenderem-se de maneira firme entre as madeixas azuladas, num tom quase de violeta. Ouviu um baixo gemido entre seus lábios, enquanto a outra mão subia levemente pelas costas, levando consigo a camisa de linho, deixando marcas suaves sobre as costas do cavaleiro.
-Juliana; Aiácos ofegou ao afastar-se milímetricamente da jovem.
Fitaram-se intensamente e foi como se o tempo simplesmente houvesse parado, a única coisa predominante ali eram as respirações descompassadas e os corações que batiam num ritmo desenfreado.
Serrou os orbes sentindo a língua quente contornar seus lábios, para em seguida, numa doce invasão toma-los completamente, num beijo sedutor e inebriante.
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Quase deu um pulo da cama ao ouvir a campainha tocando...
-"Merda"; Juliana praguejou levantando-se irritada.
Estava tendo um sonho tão agradável, com aquele petulante, mas ainda sim; ela pensou bufando irritada enquanto descia as escadas com os cabelos completamente desalinhados e o pijama bagunçado.
-O que quer? –Juliana perguntou abrindo a porta contudo, encontrando a jovem de melenas esverdeadas que apenas arqueou a sobrancelha.
-Espero que não pretenda começar a treinar nesse estado? –Carite falou em tom de deboche, deixando-a ainda mais mau-humorada do que antes.
-Uhn?
-Suba se arrumar, nós vamos sair se demorar mais de dez minutos você ira se explicar com Aramis; a ninfa avisou dando-lhe as costas. –Estou lhe esperando no café da esquina; ela completou.
-Grrrrrrrr; Juliana resmungou serrando os punhos nervosamente para não sucumbir ao desejo de pular do pescoço da outra.
-o-o-o-o-o-
Sentou-se em uma das mesas mais afastadas, a maioria dos hospedes já desciam para tomar café, mas não queria conversa com ninguém, nem com algum casal de idosos que se aproximava amigavelmente querendo saber se era turista.
Assoprou a franja arrepiada nervosamente, enquanto colocava um saquinho de mate na xícara a sua frente.
-Nossa, de onde vem esse mau humor? –uma voz debochada perguntou, enquanto alguém sentava-se a sua frente.
-Sonhei com você; Aiácos respondeu, enquanto passava um pouco de geléia em uma torrada.
Os olhos de Hékates faiscaram diante da resposta entrecortada, mas um sorriso jocoso formou-se em seus lábios.
-Levou outro fora da ninfeta? –ela perguntou sarcástica, mas sentiu a cor abandonar-lhe a face quando uma faca de ponta bem fina foi cravada agilmente na mesa entre seus dedos, se passasse um milímetro faria um estrago relativamente grande os cortando de ponta a ponta.
-Você é surda ou o que? –o espectro perguntou erguendo os orbes na direção dela, que engoliu em seco. –Fale assim de Juliana novamente e terei imenso prazer em lhe enviar para o Tártaro, definitivamente, não mais como visitante; ele completou, puxando a faca de volta e dedicando total atenção agora a suas torradas.
-Eu hein! Que humor; Hékates resmungou, pegando uma xícara para si, ignorando o aviso dele.
-O que está fazendo aqui? –Aiácos perguntou, incomodado com a presença dela.
-Já lhe disse ontem à noite; Hékates falou. –Encontrou com ela? –ela perguntou casualmente.
-...; o espectro assentiu, levando a xícara de chá aos lábios. –Fugiu novamente;
-O problema é que ela sabe que estamos aqui; ela falou recostando-se melhor na cadeira. –Precisamos ser rápidos;
-Eu sei; ele avisou.
-Pardon mesie; um garçom falou aproximando-se.
-Sim!
-O jornal que pediu; o rapaz falou entregando-lhe uma amostra do jornal da cidade.
-Obrigado; Aiácos agradeceu, vendo-o fazer uma breve mesura antes de se afastar.
-Para que quer isso? –Hékates perguntou confusa.
-Você já vai ver; o espectro avisou, retirando uma caneta vermelha de dentro do bolso interno da jaqueta, enquanto abria o jornal em cima de uma parte da mesa em uma pagina determinada. –Uhn! Como pensei; ele murmurou, fazendo alguns riscos na pagina que apenas aumentou a curiosidade dela.
-O que é? –ela insistiu em saber.
Aiácos fechou o resto do jornal, retirando apenas aquela pagina em questão e jogou-a para que Hékates pudesse ver.
-Obituário; a deusa falou surpresa. –O que quer com um obituário Aiácos? –ela exasperou, como se dissesse 'isso é completamente inútil'.
-Veja você mesma; ele falou se levantando e deixando-a sozinha ali.
Tinha muitas coisas a fazer, principalmente agora que descobrira o necessário para pega-la. Aquela erinia não estava jogando com amadores e estava muito encrencada agora que descobrira seu pequeno segredo; ele pensou deixando o hotel.
Próxima parada, Arco do Triunfo...
-o-o-o-o-o-
Bufou irritada ao sair de casa ouvindo os comentários dos fofoqueiros do outro lado, ainda comentando sobre o showzinho do dia anterior, isso pouco lhe importava, mas seu humor piorou ainda mais ao ver que a garota de melenas esverdeadas estava realmente no café da esquina lhe esperando.
Ela conversava animadamente com Francis, que estava parado na frente de sua mesa. O rapaz sempre fora bastante despojado e não era difícil fazer amizades com outras pessoas, mas aquela, causava irritação só de pensar.
-Bom dia; Juliana falou parando ao lado do rapaz.
-Bom dia Ju; ele a cumprimentou com um largo sorriso, como em todas as manhãs.
-Bom dia; Carite limitou-se a responder de maneira sóbria.
-Então, o que vão pedir? –Francis perguntou retirando do avental o bloquinho de notas.
-Café simples; a ninfa falou.
-Com leite pra mim; Juliana completou.
-Já os trago; Francis respondeu fazendo uma breve reverencia antes de se afastar.
-Está atrasada; Carite falou antes que abrisse a boca. –É melhor se acostumar com pontualidade, é deselegante deixar as pessoas esperando; ela completou.
-Não mandei você bater na porta de casa de madrugada; a jovem rebateu áspera.
-Já são oito horas da manhã, pessoas normais e trabalhadoras normalmente estão de pé às seis; ela rebateu sarcástica.
-Minha rotina não lhe diz respeito;
-Agora diz; Carite rebateu com ar de superioridade. –Enquanto estiver sobre a minha supervisão, você jogara com as minhas regras;
-Pra que tudo isso afinal? –Juliana exasperou. –Porque Aramis não manda você mesma fazer isso e não me enche;
-Deveria dizer isso a ele; Carite falou complacente, diante do olhar horrorizado da garota. –Você não tem que ter medo dele, mas ele, têm que ter de você, isso se você quiser ter algum respeito por parte dele; ela completou de maneira enigmática.
-Como? –a jovem perguntou confusa.
-Acredite, detesto ter que supervisionar alguém, já passei dessa fase há muitos séculos; a ninfa falou com um olhar vago. –Mas como dizia um velho amigo, o mar não esta mais para peixe, e agora, os peões precisam dar as mãos para que saia uma boa estratégia; ela completou.
-Porque eu, não entendo? –Juliana balbuciou com ar cansado.
-Aprenda uma coisa Juliana, as Deusas do Destino são muito sádicas, ou você joga com as regras delas, ou você cai sobre elas. Como dizia Shakespeare, a mais coisas entre o céu e a terra, do que supõe nossa vã filosofia. Acredite, ele não estava brincando quando disse isso; ela explicou.
-Com licença; Francis falou aproximando-se com os café.
-Obrigada; as duas responderam quando o mesmo colocou as xícaras sobre a mesa e logo saiu.
-Isso é confuso; a jovem balbuciou, assoprando a fumaça acinzentada da xícara.
-Tudo há seu tempo, não queria pular as etapas; Carite falou pacientemente. –Primeiro, quero lhe mostrar algumas coisas, ai sim, você vai começar a entender melhor o que esta acontecendo;
-Mas...;
-Vou ser sincera com você Juliana, não gosto dos métodos de Aramis, alias, detesto ele, apenas aceitei ajuda-lo porque algumas coisas nessa historia me interessam, fora isso, eu quero mesmo é que ele se ferre, porém... Por esses motivos particulares que estou aqui e vou lhe ajudar, então, vamos por partes...;
-Jack Estripador; Juliana completou antes mesmo que ela falasse.
-Uhn?
-Essa frase é dele; a jovem completou com um meio sorriso.
-...; Carite assentiu com um sorriso enigmático, ela estava aprendendo a jogar, tudo era uma questão de tempo até conseguirem aquilo que realmente queriam.
-o-o-o-o-o-
A fila estava bem longa se comparado à quantidade de pessoas que seriam escolhidas, muitos eram renomados artistas regionais, outros vinham de fora com o intuito de realizar um sonho infantil, mas para falar a verdade, todos estavam ali por um único objetivo. Vencer!
Andou pelas pessoas na filha, vendo algumas olharem-lhe de maneira entrecortada, como se temendo que fosse se esquivar e entrar sem autorização por alguma brecha, mas estava longe de querer aquilo.
Passou entre os pilares se perguntando o que o secretario da cultura daquela cidade tinha na cabeça para escolher aquele lugar para fazer a primeira classificação dos inscritos para o municipal.
Estava agora em baixo do Arco do Triunfo, mas uma bela obra feita a mando de Napoleão em seus tempos de glória, não era novidade para os franceses da paixão que Napoleão tinha sobre historia antiga e principalmente a mitologia.
Dizem alguns que as maiores paixões do imperador eram apenas três, o Egito, a Grécia e Alexandre Dumas pai. O Egito, porque conhecera os mistérios dessa cultura em uma de suas ultimas empreitadas pelo oriente, a Grécia, obviamente que não só por seu período de exílio, mas pela cultura que o inspirou a justamente querer a representação do Paraíso e do Inferno no meio da Champs Élysées, chamado de Arco do Triunfo.
De um lado viam-se anjos e querubins cantando, dançando e sagrando uma divindade poderosa a esperar as almas em um plano superior e benevolente de amor e caridade. Do outro, os demônios infernais que levavam as almas impuras para um mundo de dor e sofrimentos eternos.
Extremos...
-Desculpe o atraso; ouviu uma voz conhecida a poucos passos de onde estava.
Virou-se rapidamente vendo a jovem de melenas avermelhadas chegar ofegante com o estojo do violino nas mãos, sentiu-se inquieto ao vê-la ali, quando ouvira o rapaz da cafeteria perguntar se ela iria participar do concurso e a resposta ficara vaga, ficou tranqüilo, mas agora muitas coisas mudavam; ele pensou, ocultando-se entre as pessoas que amontoavam-se ali para não ser visto.
-Juliana; ouviu alguém chamar pela jovem e a mesma aproximar-se de uma mesa composta por cinco pessoas, dos quais três eram mulheres elegantes e dois homens de aparência idosa e austera.
-Sim!
-Comece quando quiser; um dos homens falou, fazendo uma leve mesura com as mãos.
Viu a jovem colocar sobre uma mesa improvisada o estojo e retirar o violino, não a viu afina-lo, ou ao menos se preocupar com a tensão das cortas era como se tudo estivesse friamente calculado.
Segundos depois a doce melodia extraída das costas escoou por todo o arco, como se ele fosse o necessário para propagar aquela melodia e incendiar o coração daqueles que estavam ali.
Encostou-se em um pilar sentindo-se novamente atordoado. Raios! O que era aqui? –ele se perguntou passando a mão pela testa. Será que era o único a sentir-se daquela forma toda vez que ela tocava? –ele se questionou confuso.
-Puff! E eles chamam isso de musica; ouviu uma voz debochada falar próximo a um grupo de pessoas que formava um semi-circulo para ver a jovem de melenas avermelhadas.
Franziu o cenho, tendo suas atenções voltadas para ela. Surpreendeu-se ao vê-la ali, um meio sorriso formou-se em seus lábios, ela mordera a isca; ele pensou, afastando-se na multidão. Agora sabia como encontra-la e tudo ficara mais fácil. Só pedia aos deuses que Juliana não passasse naquele teste, não queria que algo acontecesse a ela, que não estivesse nas suas mãos impedir; o espectro pensou, ignorando os motivos que o levavam a estar tão preocupado com a jovem.
Continua...
