Luthier – A Melody to Dream.

(Uma Melodia para Sonhar)

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Juliana é uma criação minha, como um presente especial para uma grande Ficwriter, a Kaliope, autora da fic Galácticas na Grécia.

Juliana como a Sheila, pertencem a ONG – FAFE e só podem aparecer em historias pertencentes a Kaliope e Margarida, em outras é claro, se assim elas permitirem.

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Capitulo 6: Chute certeiro.

Eu to na corrida, mas eu já ganhei

Começar por lá pode ter metade do divertimento

Então não me pare até que eu seja boa e alcance meu objetivo.

(Perfect Day – Hoku)

.I.

Fechou os olhos por um momento, respirando fundo, era hora de parar; ela pensou deixando o copo vazio sobre a mesa, ao lado de mais cinco, seis ou seriam quinze que pertenciam a si; a jovem pensou dando-se conta de que nem a quantidade de copos sobre a mesa conseguia calcular agora.

-Esta na hora de ir; Juliana falou.

-Vem, eu te dou uma carona; Aiácos prontificou-se, afinal, nenhum dos dois estava em condições de andar sozinho por ai.

Com passos meio incertos deixaram à danceteria, pegando um táxi em frente à mesma. Disse ao motorista para seguir até a casa da jovem primeiro e depois que o levasse ao hotel.

-Não foi tão ruim assim quanto imaginou, não é? –Aiácos perguntou recostando-se no banco, vendo-a retirar os saltos e suspirar aliviada.

-Não, não foi; Juliana respondeu acomodando-se melhor. Apoiou a cabeça sobre o ombro dele, fechando os olhos por um momento, sentindo o sono aos poucos tomar conta de si.

Minutos depois o carro parava em frente à casa da jovem, virou-se para chamá-la, mas surpreendeu-se ao ouvir o ressonar suave da jovem que dormia tranqüilamente. Ergueu os olhos vendo o motorista fitar-lhe pelo retrovisor esperando-os descer.

-Pode seguir para o hotel; Aiácos mandou.

-Mas...;

-Você não ouviu por acaso? –ele perguntou serrando os orbes de maneira perigosa, enfezando-se com a forma com que ele fitava a jovem pelo espelho.

-Sim senhor, como quiser senhor; o motorista balbuciou contrariado.

-o-o-o-o-o-

O elevador subia lento até a cobertura, acomodou-a melhor entre seus braços e assim que as portas se abriram, encaminhou-se para o quarto. Retirou o cartão do bolso, passando-o na fechadura, ouvindo o clique de destrave.

Automaticamente as luzes se acenderam, enquanto fechava a porta com o pé e caminhava pelo quarto. Colocou-a delicadamente sobre a cama, jogando os sapatos em um canto qualquer.

Sentou-se na beira, fitando-a com um olhar calmo, ouviu-a suspirar e remexer-se um pouco, até encontrar uma posição confortável e cair num sono profundo. Afastou alguns fios vermelhos que caiam sobre a testa da jovem e ouviu um novo suspiro.

-"O que está acontecendo?"; Aiácos se perguntou confuso.

Nunca fora de se importar muito com as pessoas, mas porque com ela tudo parecia diferente, era como se de alguma forma, ela lhe forçasse a mostrar um outro lado que até mesmo ele desconhecia a existência.

Afastou-se indo até o banheiro, era melhor esfriar a cabeça antes que seus pensamentos lhe trouxessem conclusões que realmente não desejava ter naquele momento.

.II.

Ouviu a ultima badalada da Grand Marie soar por toda Notre Dame e Paris ser embalada pelos braços de Morpheu. Do alto das torres, fitava o nada com os orbes azuis perdidos como seus pensamentos.

Apoiou um dos braços no joelho, para que lhe servisse de apoio, apoiou o queixo sobre a palma da mão e um baixo suspiro saiu de seus lábios.

Passos suaves soaram atrás de si, mas não virou-se, permaneceu imóvel, tão parado quanto as gárgulas a seu lado, que pareciam tão agradáveis companhias agora.

-Que cara é essa Hermes? –um rapaz aparentemente da mesma idade do ruivo, perguntou.

Os cabelos dourados caiam ondulados pelos ombros e um pouco abaixo deles, ele possuía olhos dourados e uma pele tão alva quanto mármore.

-Nada; o jovem respondeu ainda mantendo os olhos perdidos em meio à noite iluminada de Paris.

-Uhn! Conheço esse olhar; o outro murmurou com um sorriso matreiro.

-O que quer aqui Eros? –Hermes perguntou.

-Nix me pediu para que viesse dar uma olhada nas coisas por aqui. Ela me disse que o imperador mandou um dos espectros para cá em missão e o vovô mandou uma ninfa para vigiá-lo, entre outras coisas; ele respondeu gesticulando displicente.

-...; ele assentiu.

-Mas me diga, quem é a ninfa? –Eros perguntou como quem não quer nada.

-Carite, a ninfa dos vales, uma marina; Hermes respondeu, dando um baixo suspiro.

-Uhn! E suponho que essa sua cara seja culpa dela? –o Deus do Amor arriscou-se.

-Não tem nada a ver; ele apressou-se em responder.

-Sei, então porque parece tão nervoso só de falar nela? –Eros provocou.

-Você é detestável; Hermes resmungou com os orbes azuis estreitos.

-Só falo a verdade; o jovem de melenas douradas se defendeu. –Vamos lá Hermes, confesse, é por causa dela que esta assim; ele insistiu em saber.

-Sabe, às vezes eu queria que você sentisse a dor de cada flecha que atira em alguém, assim você iria parar de ser inconseqüente; Hermes reclamou num tom frio e vago.

-Hei!

-Isso mesmo; repetiu veemente.

-Nossa, porque toda essa revolta? –Eros perguntou surpreso.

-Onde esta seu irmão? –Hermes perguntou.

-Qual deles? –o jovem perguntou confuso com a forma que ele estava agindo.

-Anteros;

-Em Asgard eu acho, foi para lá depois do casamento de Ariel e Sorento, por quê? –ele perguntou confuso.

-Porque ele é outro idiota; Hermes resmungou enfezado.

-Uhn? –Eros murmurou, mas parou compreendendo o porque dele estar tão irritado, mas dessa vez a culpa não era sua. –Juro que não tenho nada a ver com isso; tentou se justificar.

-Não sei se posso acreditar nisso; o mensageiro dos céus falou num tom frio.

-Você sabe que não uso minhas flechas contra imortais sem que seja um caso extremo; ele explicou vendo que a irritação dele provinha da possibilidade de ter sido flechado.

-Então como explica-...;

-Eu não te flechei Hermes; Eros falou em tom sério. –Se você se apaixonou por ela eu não tenho nada a ver com isso; ele falou mal notando que alterara o tom de voz, elevando-o consideravelmente.

-Hei! Eu não-...;

-Você esta com ciúmes do Anteros; Eros o cortou com um olhar calmo, como se isso já fosse previsível. –Se não estava, agora já está e eu não tenho nada a ver com isso; ele completou vendo-o resmungar algo e voltar-se para frente, o ignorando.

As Deusas do Destino eram realmente estranhas; Eros pensou debruçando-se no alpendre, tão estranhas...

Agora o irmão estava em Asgard, fazendo sabe-se lá o que, mas fora bom ele afastar-se da Grécia e por a vida em ordem, mas algo ainda lhe intrigava quanto a essa viajem, só não comentara nada com a irmã, porque sabia o quanto ela poderia se tornar perigosa quando irritada, mas essa agora com Hermes era nova.

Já fazia algum tempo que não usava suas flechas em alguém, a ultima vez fora por acidente naquele cavaleiro de Câncer, que no final, era para ser no de Leão, o que acabou por originar toda aquela confusão, mas se não fora ele a flechar Hermes, porque as Deusas do Destino decidiram mudar algumas coisas? –ele se perguntou.

Onde Caos estava querendo chegar ao interferir diretamente com o destino das divindades agora?

.III.

Remexeu-se na cama com graciosidade, suspirou... Fazia tempo que não dormia tão tranqüila.

Sentiu um lençol de cetim deslizar por seu corpo, detendo-se próximo ao colo, logo acomodou-se melhor entregando-se de vez ao sono.

-o-o-o-o-o-

Fitou-a atentamente, enquanto delicadas gotículas de água escorriam pelos fios azulados caindo displicentes por suas costas.

Ainda sentia a mente enevoada, mas decidira não buscar por respostas das quais, nem as perguntas sabia fazer.

Cobriu-a com o lençol de cetim, quando viu-a remexer-se e a pele acetinada aos poucos se arrepiar.

Com suavidade afastou os fios ruivos que caiam sobre os olhos dela, antes de se afastar e ir sentar-se em uma poltrona próximo a cama velando-lhe o sono.

.IV.

Andava de um lado para outro preocupada, ela ainda não chegara e isso não era uma coisa boa.

Atrás de si, todos os funcionários do teatro organizavam as coisas, pois dali a alguns minutos seria anunciado os selecionados, mas ela ainda não chegara; Carite pensou sentindo-se cada vez mais nervosa.

A vira com Aiácos a noite anterior, mas com a repentina aparição de Hermes, não pudera fica tempo integral de olho na garota e poderia jurar que essa aparição dele fora justamente para lhe atrapalhar. Sabia que Aramis cercava-se de todas as maneiras para fazer com que tudo saísse como planejava, mas existiam outros que não pareciam dispostos a cooperar com o 'Onipotente'; ela pensou com escárnio.

-Carite;

Virou-se com um olhar mortal para o individuou que lhe cortara os pensamentos. Falou no diabo; ela pensou sentindo na mesma hora, como por mágica, sua expressão suavizar ao encontrar aquele par de orbes azuis sobre si.

-Hermes!

-Algum problema? –Hermes perguntou fitando-a atentamente, notando-a nervosa com algo.

-Não, nada não; Carite respondeu com a voz tremula, sentindo a face aquecer-se levemente diante do olhar dele.

-Não é o que parece; o mensageiro dos deuses falou descrente e para a surpresa dela, tomou-lhe uma das mãos delicadamente entre as duas. –Esta fria! –ele falou voltando o olhar para ela, como se buscasse uma justificativa para isso.

-Ahn! Bem...; ela balbuciou tentando recuar, mas ele não parecia disposto a permitir isso, tanto que apenas com um olhar, ela sentiu todo o corpo travar, impedindo-a de se afastar.

-Você não sabe mentir; Hermes falou fitando-lhe com um olhar profundo, enquanto aproximava-se dela.

Os orbes azuis tinham um brilho cada vez mais intenso, como se fosse capaz de enxergar o mais fundo de sua alma. Céus, o que estava acontecendo? –ela se perguntou.

-Tem algo que lhe preocupa e eu realmente gostaria de saber o que é; ele falou sorrindo de maneira acolhedora.

-Me solte Hermes; Carite falou com os obres cerrados de maneira perigosa.

Se havia algo que não admitia era um homem querendo limitar seus passos e dizer o que deveria ou não fazer. Desde que o mundo é mundo aprendera a repudiar essa corja de seres pouco pensantes e não seria uma divindadezinha qualquer a mudar seus conceitos mesmo depois de tantos milênios...

Mesmo que fosse uma divindadezinha de cabelos ruivos, divinamente belo, com aquele par de olhos azuis hipnotizantes e com aquele sorriso que não tinha nada de inocente quase beirando ao cafajeste, mas nem isso era motivo; ela pensou tentando ser veemente pelo menos em seus pensamentos.

-Porque esta tão nervosa? –Hermes perguntou deixando a ponta dos dedos roçar com suavidade a face dela, vendo-a corar ainda mais. –Jamais faria algo para lhe magoar, por isso só quero saber o que esta lhe preocupando; ele falou sério.

Respirou fundo, tentando fazer ao menos seu subconsciente ignorar o que aquelas palavras implicavam.

Fitou-a atentamente, os orbes azuis, aos poucos tornavam-se acinzentados, sinal de que ela estava realmente se irritando; ele pensou com um fino sorriso a moldar-lhe os lábios. Há muitos séculos a conhecia, porém infelizmente foram raras as vezes que estiveram tão perto, mas agora... Só podia dizer que a missão que seu pai lhe incumbira, fora realmente conveniente com Eros ou sem Eros envolvido na historia toda.

-Hermes, por favor; Carite pediu vendo algumas pessoas passarem por eles com olhares nada discretos.

-Você ainda não me respondeu; ele falou de maneira casual.

Serrou o punho, tendo que fazer um extremo esforço para isso, mas quando sentiu pelo menos sua mão voltar a obedecer, teve a completa certeza de que ou ele lhe soltava ou teria sérios problemas.

-Você tem um segundo para se afastar de mim; ela avisou com um olhar entrecortado.

-Co-mo...; ele mal pode terminar de falar ouviu um estralo e apenas fechou os olhos instintivamente quando os dedos delicados da jovem moldaram-se em sua face.

Carite afastou-se bruscamente, desvencilhando-se da mão dele que ainda segurava a sua e a outra que sem haver notado, circundava sua cintura. Os orbes antes azuis estavam passando do acinzentado ao vermelho agora.

-Se atreva a usar seus poderes em mim novamente e vou exterminar pelo menos vinte gerações suas; a ninfa avisou em tom ferino.

-Carite; Hermes falou surpreso ainda sentindo a face arder, tornando-se a cada segundo mais vermelha devido a força do tapa.

Deu-lhe as costas e afastou-se extremamente irritada. Quem aquele idiota pensava que era para achar que podia lhe controlar com telecinese ainda das mais baratas. Se fosse uma do tipo do guardião de Áries, ele poderia até conseguir, mas aquela não; ela pensou bufando.

-o-o-o-o-o-

Acordou sentindo os cálidos raios solares caindo sobre si, esfregou os olhos emitindo um baixo ronronar. Sabia que estava se esquecendo de alguma coisa, mas acordar tão tranqüila daquele jeito não era sempre que acontecia.

Sentiu algo correr com suavidade por seus cabelos e suspirou. Aquilo era tão bom;

Foi quando algumas lembranças bastante interessantes voltaram a sua mente. A danceteria, o cavaleiro, as doses excessivas de high-fie, Cuba Libre e Red Bull com Wisk e o black out que veio a seguir.

Tentou se levantar rapidamente, mas um par de braços fortes estreitou-se em sua cintura.

-Bom dia; Aiácos falou calmamente apoiando o queixo sobre a curva de seu pescoço.

Sentiu o corpo ficar tenso, enquanto a respiração suave dele chocava-se contra a lateral de sua face. Tentou raciocinar direito e lembrar o que acontecera após sair da danceteria, mas nada vinha; ela pensou entrando em pânico.

-O que foi Ju, parece nervosa? –ele falou casualmente, tocando-lhe a face de maneira delicada, porém o suficiente para fazê-la se retrair.

Fez uma rápida varredura com os olhos pelo local, constatando que não estava em sua casa. A julgar pela presente situação fizera uma grande besteira e nem se lembrava de tudo.

-Não esta se sentindo bem? –Aiácos perguntou remexendo-se um pouco na cama e abraçando-a melhor.

Um sorriso matreiro surgiu em seus lábios ao imaginar que toda aquela tensão vinda dela, só tinha uma explicação, ela não fazia a mínima idéia de como haviam terminado a noite. Seria interessante fazer um certo 'terrorismo' em cima dela por causa disso; ele pensou.

-Es-tou; ela respondeu num sussurro, tencionando se afastar, porém ele a impediu, abraçando-a de maneira terna, tirando-lhe um suspiro dos lábios.

-Pensei que sua opinião sobre mim houvesse mudado; Aiácos comentou casual e ambiguamente.

-Ahn! Bem...; Juliana balbuciou com a face em chamas.

-Ou você já se esqueceu da ótima noite que tivemos? –ele falou de maneira provocante em seu ouvido.

-No-noi-te? –ela balbuciou com a voz tremula.

-Isso mesmo; Aiácos continuou veemente, vendo a expressão da jovem tornar-se a do puro desespero.

-Eu não...;

-Se lembra; ele a cortou, virando-a para si de forma que pudesse ficar parcialmente sobre a jovem, fitando-lhe de frente.

Engoliu em seco, diante do olhar indecifrável dele, estava completamente em pânico agora.

-Assim você me magoa, nunca pensei que a noite que tivemos tivesse sido tão insignificante para você; o cavaleiro comentou com um olhar desolado.

-Do que você esta falando exatamente? –Juliana perguntou tentando ser o mais sutil possível.

-Não acredito que você esqueceu; Aiácos falou indignado, soltando parcialmente seu peso sobre ela, apoiando o queixo sobre o ombro da jovem e estreitando ainda mais o abraço em torno dela.

-Aiácos; ela murmurou tentando afasta-lo, mas só encontrou como única alternativa abraçá-lo, já que não havia como sair dali se ele não se afastasse primeiro.

O sorriso em seus lábios aumentou ainda mais diante do tom quase suplicante da jovem para que lhe esclarecesse o que estava acontecendo, jamais se aproveitaria de uma situação daquelas, queria ficar com ela, mas não a base daquilo.

Haviam bebido demais, mas ao contrario da jovem, não conseguira dormir o resto da noite e ficara acordado ali, de maneira quase inconsciente velando-lhe o sono, porém não iria contar essa parte a ela. Fora logo depois do sol nascer que a vira despertando e resolvera tirar uma pequena 'lasquinha' da situação.

Sabia que ela iria provavelmente entrar em pânico ao ver que não estava em casa e que depois de entrar no táxi não lembrava-se de mais nada, já que dormira no caminho pra casa.

-Não acredito que você se esqueceu; ele falou num sussurro decepcionado em seu ouvido, fazendo um breve tremor correr pelo corpo da jovem.

-Do que? –ela balbuciou hesitante.

-Dos beijos; Aiácos falou num sussurro rouco, que a fez prender a respiração ao sentir os lábios dele roçarem com suavidade sobre seu ombro. –Das caricias; ele continuou, deixando uma das mãos subir pelas costas da jovem, fazendo-a arquear-se subitamente.

Corou furiosamente a cada palavra dele. Mas que droga, se era para literalmente

'Enfiar o pé na jaca' que pelo menos se lembrasse disso depois; Juliana pensou desapontada consigo mesma.

-Da forma com que dançamos; ouviu a voz dele continuar a soar de maneira inebriante em seu ouvido.

Franziu o cenho, até ai se lembrava, mas e depois? –ela se perguntou aos poucos sentindo seu cérebro voltar a funcionar normalmente.

-E depois...; Aiácos falou mantendo a expectativa.

-E depois? –Juliana perguntou querendo saber o que havia realmente acontecido, por mais difícil que fosse.

-Você dormiu; ele respondeu afastando-se parcialmente dela.

-O QUE? –ela berrou vendo-o com um sorriso sádico nos lábios.

-Isso mesmo, dormiu como um anjinho a noite toda; Aiácos falou casualmente, mas estranhou ao ver os orbes castanhos enegrecerem completamente.

-IDIOTA; Juliana berrou acertando-lhe uma bela joelhada num ponto que fez toda sua anatomia reagir instintivamente, enquanto o mesmo tombava para o lado caindo no chão.

-MALDIÇAO; ele berrou, sentindo o ar faltar-lhe os pulmões e o coração bater em lugares que jamais pensou que existissem.

-Puff! –ela resmungou, vendo-se enrolada em um lençol.

Deu uma rápida olhada por baixo do mesmo constatando que ainda estava com o vestido da noite e levantou-se.

-Aonde vai? –Aiácos perguntou vendo-a colocar os sapatos.

-Embora; Juliana falou seca lançando-lhe um olhar envenenado. Aproximou-se do cavaleiro ainda caído no chão, tocando-lhe o queixo com suavidade, erguendo-o parcialmente, para lhe encarar. –Eu deveria ter bebido muito, para dizer que minha opinião sobre você poderia mudar; ela falou num tom frio antes de solta-lo e levantar-se.

Tentou impedi-la de sair, porém foi em vão, a mesma esquivou-se de qualquer tentativa sua e deixou o quarto, batendo a porta em seguida.

-Droga; ele resmungou dando um soco no chão.

-Tsc. Tsc. Tsc; ouviu um barulho vindo de algum canto do quarto.

Virou-se e só para piorar seu dia encontrou o sorriso matreiro de Hékates sobre si, a jovem lhe fitava sentada confortavelmente em uma das poltronas no quarto.

-Olha, ela sim conseguiu mudar a minha opinião sobre algumas mortais; Hékates falou cruzando as pernas elegantemente enquanto o assistia tentar se levantar do chão. –Essa garota daria uma ótima amazona, até exterminar a espécie ruim ela já sabe;

-Você não tem nada melhor para fazer não? –ele perguntou irritado.

-Melhor do que lhe ver prostrado no chão, depois de uma joelhada sensacional dessas, definitivamente não; Hékates rebateu vendo o olhar assassino dele. –Mas sabe o que é melhor nisso tudo;

-Não vejo nada; Aiácos resmungou.

-Pelo contrario meu caro, Aiácos; ela falou com um olhar enigmático. –Essa garota é perfeita;

-Uhn! –ele murmurou confuso.

Ignorando a indagação dele desapareceu, aquilo estava ficando interessante, sabia que as energias que sentira durante a noite eram bem conhecidas, o que tornava muitas coisas claras agora.

.IV.

Um a um, os artistas tomavam seus acentos no teatro. Sobre o palco havia uma bancada onde cada um dos jurados se posicionava.

-Onde ela esta? –Carite murmurou vendo de um canto dos bastidores o teatro começar a encher e a garota não aparecer.

-Senhorita Carite, tem uma garota que disse lhe conhecer e que precisa entrar pela entrada dos fundos; um funcionário avisou.

-Pode deixar, traga-a até mim, por favor; a ninfa pediu serrando os punhos irritada. Primeiro Hermes, agora ela. Será que não terá um pouco de tranqüilidade ali; ela pensou.

-Desculpe o atraso; Juliana falou aproximando-se com o funcionário.

-Onde esteve? –Carite perguntou irritada, mal o esperando sair para falar.

-Olha, se você dormiu mal, eu acordei, então segura a onda e fala direito comigo; ela exigiu lançando olhares entrecortados a qualquer um que encontrava pelo caminho ao ver a jovem com os cabelos 'levemente' desarrumados e o vestido vermelho da noite passada.

Carite parou reparando nesses detalhes, pensou em perguntar o que havia acontecido, mas mudou de idéia.

-Ali atrás tem um banheiro, vá se arrumar e depois conversamos; Carite falou.

-Mas...;

-Não quer aparecer para os jurados toda descabelada, não é? –ela perguntou.

Bufando irritada com os deuses e o resto do mundo, principalmente com homens machistas e convencidos, como Aiácos, seguiu até o local onde Carite havia lhe indicado.

Seria um longo dia, e elas mal faziam idéia do quanto isso estava certo...

Continua...

Domo pessoal

Mais um capitulo chega ao fim e a historia só esta começando a pegar fogo. Espero sinceramente que tenham gostado, mas por favor, não me deixem curiosa, contem-me tudo e não me escondam nada.

O que acharam do Aiácos? E a pontaria da Ju? Ah, e como não poderia deixar de perguntar, Carite e Hermes?

Para aqueles que já acompanham as demais historias, vocês sabem que ela tem um lance com o Anteros, o que responde muitas perguntas sobre a conversa entre Hermes e Eros, mas se algumas ainda ficarem pendentes, não deixem de ler 'Only Time II – O Shinigami e a Sereia'.

No mais, um abraço a todos e um super obrigada a todos que vem acompanhando essa fic e ainda perdem um pouquinho de tempo comentando.

Até mais...

Já ne...