Luthier – A Melody to Dream.
(Uma Melodia para Sonhar)
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Juliana é uma criação minha, como um presente especial para uma grande Ficwriter, a Kaliope, autora da fic Galácticas na Grécia.
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Capitulo 12: Amazed.
Toda vez que nossos olhos se encontram
Esse sentimento dentro de mim
É quase mais do que posso agüentar.
(Duncan James)
.I.
Sua última semana estava acabando, agora só faltava o banho de laca sobre o violino e ele estaria pronto; ela pensou sorrindo ao levantar-se da bancada. Precisava se arrumar, logo Sheila e Leandro iriam passar para lhe buscar.
Ainda se perguntava como fora persuadida pela amiga a ir assistir Alegria, mas quando ela falava que já estava com os convites e que não aceitava recusas, ponderou sobre o quanto seria perigoso contrariá-la.
Depois daquele dia, nunca mais tocaram no assunto sobre cavaleiros, deuses ou mitologia grega, a amiga comentara uma ou duas vezes sobre uma exposição que estava querendo montar sobre isso, mas nada alem.
Correu para o quarto e meia hora depois já saia arrumada e justamente nesse momento, ouvia a campainha tocar.
-o-o-o-o-o-o-
Bufou irritada, como diria sua mãe 'Quando a esmola é de mais, o santo desconfia', porque será que Sheila não havia avisado logo que os lugares não eram marcados? –Juliana se perguntou, vendo que do outro lado do auditório estava Sheila e o marido, enquanto ela, estava a quase trinta metros de distancia no lado oposto.
Passou a mão pela franja recém alisada, remexeu-se incomodada no acento, até virar-se para o lado. A mão que jazia em seus cabelos parou no ar e até mesmo uma senhora a seu lado perguntou se estava bem, pois parecia que havia visto um fantasma. E vira...
-Aiácos; Juliana murmurou, vendo uma farta cabeleira azulada no meio da multidão que se acomodava em seus lugares, pouco acima da fileira que estava.
Impossível, mas... Aqueles cabelos eram inconfundíveis.
.II.
Ia morrer, claro que ia, mas aquilo era confuso demais; ele pensou sentindo uma gotinha de suor frio escorrer de sua testa e o pânico voltar a lhe assolar. De repente a perspectiva de morrer não era tão ruim, se levar em consideração que seria rápido, mas isso... Era o contrario do que esperava.
A seu lado, Emmus permanecia silencioso e com a face inexpressiva, parecia olhar para algum ponto distante, como se estivesse sozinho ali.
Temeu se mexer e cair realmente, mas segundos depois seus pés tocavam a segurança do chão como se fosse carregado por mãos invisíveis, reprimiu um suspiro aliviado, mas estava confuso, ele lhe jogara, sentira o momento que a mão que apertava seu pescoço soltou-se e a queda começou.
-Quero que vá buscar uma coisa para mim no Brasil; Emmus começou, com ar sério, sem mais aquele sorriso petulante nos lábios. –Em troca, estou disposto a lhe dar dizer como encontrá-la;
-O que? –ele perguntou confuso.
-Ou você pode preferir servir de lenda urbana pra Paris, se tornando um enfeite das escadarias de Notre Dame; Emmus falou de maneira sádica, dando a entender que não pensaria duas vezes antes de jogá-lo lá de cima novamente, dessa vez pra valer.
-O que eu tenho que buscar? –Aiácos perguntou prontamente.
Retirou de dentro do sobretudo um cartão onde um endereço havia sido escrito, antes mesmo de pegá-lo das mãos do jovem, Aiácos pode notar que a caligrafia era feminina, tentou não pensar no que isso significava. Era obvio que muitas mulheres poderiam se sentir atraídas por ele.
Alias, ouvira isso da boca da própria Hekátes mais da metade da missão em Visby, a divindade não poupara elogios ao definir o cavaleiro negro e seus feitos que viraram lendas, mas no momento queria ignorar o simples fato de como ele poderia saber onde encontrar Juliana, assim tão facilmente?
Estancou com o cartão em mãos, ao surpreender-se com o pensamento de quão irado ficaria ao ver a jovem de melenas avermelhadas seduzida pela presença marcante do famoso 'Olhos Vermelhos' e que ele era toda a manifestação do porto seguro, que ele estava longe de ser.
-Então? –Emmus chamou-lhe a atenção.
-Que seja; ele resmungou, tentando afastar os pensamentos e a vontade de ser ele a jogar Emmus dali de cima.
-Ainda está tarde você receberá as passagens e o necessário para permanecer lá o tempo necessário; o cavaleiro falou calmamente.
-Como? Pensei que fosse só pegar e voltar; Aiácos falou com ar desconfiado.
-Não, ele só ficara pronto daqui uma semana, mas é imprescindível que você chegue antes e garanta que ele ficara pronto no tempo certo; Emmus respondeu.
-Mas...;
-Com o que você receberá, haverá uma carta com instruções que lhe explicarão como deve proceder; ele o cortou.
Aiácos assentiu, dando-se por vencido, não conseguira resposta alguma se tentasse mesmo.
-Você já pode ir; Emmus falou tirando-o de seus pensamentos.
Afastou-se em silêncio em direção saída, mas deteve-se a um passo de alcançar as escadas.
-Olhos Vermelhos!
Moveu com suavidade o pescoço, virando-se de lado para encarar o espectro, a franja levemente arrepiada pelo vento que já se intensificava lá em cima, fez alguns fios caírem graciosamente sobre os olhos.
-Porque esta fazendo isso? –Aiácos perguntou intrigado.
Viu-o virar-se novamente para frente, fitando com um olhar perdido as ruas de Paris, longos minutos se passaram e não houve resposta. Deixou a torre, sabendo que aquele era mais um dos mistérios a envolver aquele personagem que até os deuses hesitavam em desafiar.
-o-o-o-o-o-
Jogou as malas em um canto do quarto, ainda se perguntando o que estava fazendo ali? Claro, aquela era a única forma de encontrar Juliana, só esperava não se arrepender por confiar em Olhos Vermelhos; ele pensou dando um suspiro cansado.
Apesar de tudo não tinha do que reclamar, ele poderia ter realmente lhe jogado de lá, mas porque não fez isso? –Aiácos perguntou intrigado, encaminhando-se para uma mesinha no canto da sala onde estava um envelope de papel pardo, com seu nome escrito.
Emmus poderia ter lhe matado, esperava realmente que ele tivesse feito isso, mas alguma coisa estava diferente. Agora que estava analisando tudo que acontecera, alias, como vinha fazendo nas últimas horas desde que deixara Paris e pousara em São Paulo.
Ele não poderia ter feito tudo àquilo de propósito, poderia? –indagou-se, para em seguida, balançar a cabeça nervosamente para os lados.
-Detestável; Aiácos resmungou entre dentes concluindo por fim que tudo aquilo fora armado.
Há essas horas Emmus devia estar em algum canto do mundo, dando boas gargalhadas a suas custas, caira que nem um patinho no jogo dele. Se bem que, se as coisas houvessem acontecido de outra forma, jamais ira dar certo; ele concluiu assentindo em pensamentos.
Era horrível admitir, mas ele não era tão ruim quanto imaginava; ele concluiu, abrindo o envelope.
Viu um pequeno tíquete cair de dentro e arqueou a sobrancelha ao ver a notinha escrita no canto do tíquete.
► Cortesia da Casa ◄
Será mais alguma armação de Emmus? –Aiácos se perguntou, enquanto pegava o tíquete, mas surpreendeu-se ao ver o nome ali estampado em dourado. 'Alegria'.
Ou era coincidência demais, ou não? –ele pensou, procurando ignorar esse 'ou não'.
Seria naquela noite, teria tempo de ir e depois ver a tal encomenda dali três dias; ele concluiu.
.III.
Inglaterra/ Londres...
Recostou-se na cadeira calmamente, vendo o movimento em frente ao Tyller´s aumentar, quando a tarde chegava, muitas pessoas, principalmente turistas paravam no famoso café londrino, apenas para confirmar se Issac Newton ou Nicholas Flamel estiveram realmente ali um dia, falando sobre alquimia e as verdades da vida, quando o país era um completo caos e em Roma, a caça as bruxas começava com a famosa 'Santa Inquisição'.
-Em que está pensando? –a jovem de melenas negras perguntou calmamente, enquanto colocava um pouco de creme sobre os cafés recém trazidos.
-Ele já deve ter chegado; Emmus comentou pegando a xícara que ela lhe estendera. –Obrigado;
-Disponha...; ela respondeu com um calmo sorriso. –Mas não se preocupe, nada pod-...; parou ao vê-lo estreitar os orbes. –Tudo bem, existem 'n' fatores que podem ir contra, mas acho que as Deusas do Destino não seriam tão cruéis assim;
-Nunca se sabe; ele resmungou, ao levar a xícara aos lábios. –Precauções nunca são demais;
-É verdade; a jovem concordou sabendo bem sobre o que ele se referia. –Ficou um pouquinho aqui; ela falou com um guardanapo na mão, inclinando-se na mesa e passando de forma suave sobre o canto dos lábios do cavaleiro.
-Você sabe...; Emmus falou fitando-lhe diretamente, enquanto a mão firme, pousava com cuidado sobre a da jovem, ainda em sua face. -Só não quero cometer o erro e ser auto-confiante demais, novamente; ele completou.
-...; a jovem assentiu, ao afastar-se. –Não deveria se preocupar com o que já passou; ela comentou, vendo-o com um olhar perdido para as pessoas que transitavam por ali.
Pousou a mão sobre a dele que ainda estava na mesa, chamando-lhe a atenção. A muito o silêncio entre eles deixara de ser constrangedor, agora eram capazes de saber o que pensavam, sem que palavras fossem ditas para isso.
Graças a isso, sabia o que o estava preocupando, porque essa necessidade de garantir que o 'destino' não fosse ser inconveniente dessa vez.
-Lembra... Não é a flecha que muda o destino, e sim... A força de vontade daquele que atira; ela falou citando-lhe uma frase que haviam ouvido a muito tempo e que ainda lhes traziam varias lembranças.
-...; Emmus assentiu. –Você tem razão, estou me preocupando a toa; ele murmurou dando-se por vencido.
-Mesmo que eu dissesse você não deixaria de se preocupar; ela brincou com um doce sorriso nos lábios. –Mas agora vamos tomar logo esse café antes que esfrie;
-...; ele assentiu silenciosamente.
.IV.
Dizer que estava em pânico era pouco, estava aterrorizada com a simples perspectiva de encontrá-lo. Maldita hora que Sheila fora parar do outro lado da arquibancada.
Ouvia as músicas e nem mesmo a agitação e euforia coletiva conseguiam lhe acalmar os nervosos. Olhou de soslaio para algumas fileiras mais distantes de onde estava e o viu ainda ali.
Será só coincidência, quem sabe ele não tivesse algum irmão muito parecido? Pois não era possível que aquele fosse o mesmo Aiácos que conhecera em Paris; ela pensou desviando o olhar rapidamente e quase se escondendo atrás do libreto de Alegria para não ser vista.
Ouviu os aplausos e deixou-se levar pelos demais, ao levantar-se e aplaudir. Fim do primeiro ato, agora vinham aqueles quinze minutos aterrorizantes do intervalo; Juliana pensou enquanto seguia para fora do corredor.
Era melhor ir tomar uma água, respirar um pouco de ar puro antes de voltar. Quem sabe fosse só alguém parecido e estava entrando em pânico à toa. Por quê? Ainda não fazia a mínima idéia, mas também, não queria descobrir.
-Com licença; ela falou tentando passar pela porta abarrotada de pessoas que estavam conversando e atrapalhando seu caminho.
Suspirou irritada, alem de bloquearem a passagem fingiam que não estavam ouvindo, com um forte empurrão afastou algumas pessoas e passou, mas não contava que algum distinto inconveniente fosse colocar o pé justamente no local onde iria pisar. Conclusão...
Apenas fechou os olhos esperando pelo baque seco, mas para sua total surpresa isso não aconteceu. Sentiu um par de braços envolver-lhe o corpo impedindo que a queda acontecesse.
Abriu os olhos cautelosamente até encontrar um par de orbes azuis lhe fitando com surpresa.
-Juliana; ouviu-o sussurrar.
Não era um irmão gêmeo, muito menos coisa da sua imaginação. Era ele; ela pensou sentindo um turbilhão de pensamentos invadir-lhe a mente.
-Aiácos; ela falou com a voz tremula.
-O segundo ato já vai começar; alguém gritou no meio da multidão, fazendo com que todas as pessoas decidissem entrar correndo ao mesmo tempo, de volta a seus lugares.
-Eu preciso ir; a jovem murmurou aflita afastando-se dele.
-Juliana, espera;
Mal teve tempo de alcançá-la, quando varias pessoas entraram em sua frente, fazendo-o perde-la de vista.
-Droga; Aiácos praguejou, tomando uma segunda entrada, que lhe levava de volta ao seu lugar.
Será que as deusas do destino eram tão sádicas a esse ponto? Fazer com que se encontrassem justamente no lugar mais improvável, para depois, se separarem, sem poderem ao menos conversar; ele pensou frustrado.
Quem sabe Olhos Vermelhos tivesse mesmo alguma pista concreta sobre como encontrá-la, no meio daquela multidão seria impossível vê-la novamente. Então, só lhe restava esperar pelos próximos três dias, ir buscar a encomenda que Emmus lhe mandara e por fim... Encontra-la novamente; Aiácos pensou tentando prestar atenção novamente na peça, embora fosse impossível depois do que acontecera.
.V.
Três dias, exatamente três dias já haviam se passado; ela pensou jogando o vigésimo quarto pote ao chão.
O apartamento estava na mais completa escuridão se não fosse pela televisão ligada num filme, pelo que conseguira entender desde que começara era 'Doce Novembro' ou algo assim, já que poderia ser de dia, à noite, ou de madrugada iria chorar sempre na mesma parte; ela pensou vendo alguns lencinhos de papel quase pendendo para fora de um cesto próximo ao sofá.
A casa estava uma desordem, como alguns amigos diriam estava uma verdadeira 'casa do Drácula', agora só faltavam os morcegos e o vampiro. Se bem que, sendo um do tipo Drácula 2000 com sobretudo preto e tudo, até encarava;
Suspirou pesadamente, pelo menos ainda conseguia ter alguns pensamentos mais animadores. Tinha de trabalhar, mas não tinha nem um pouco de animo para isso.
Tudo bem que tivera uma reação exagerada demais quando vira Aiácos. Sair correndo na multidão não era inteligente, mas alguma coisa lhe deixou em pânico. Tinha medo do que iria acontecer se falasse com ele novamente.
O que acontecera em Paris ainda era muito vivo. Ele fora embora sem mais nem menos, não confira o suficiente em si para dizer o que estava acontecendo. E ainda tinha aquela história mal contada dele com Hekátes;
Bufou arremessando no cesto mais um papel de trufa, enquanto a caixa quase completamente fazia integrava o chão, junto dos potes de sorvete.
-Deprimente; Juliana resmungou, porém não fazia a mínima questão de sair dali.
Remexeu-se um pouco no sofá, deitando-se de lado, vendo o momento mais dramático do filme, quando aquela coisa fofa do Keanu Reaves ficava a ver navios depois que a Charliese Theron ia embora.
Enrolou-se na manta de lã, reprimindo um soluço, detestava finais tristes. Poderia ser forte e racional na maior parte do tempo, mas nem o coração mais gelado ficava imune àquela cena; a jovem pensou, tendo seu momento 'fossinha' interrompido por fortes batidas na porta.
Desligou rapidamente a televisão, tentando não fazer barulho, mas as batidas continuaram ainda mais fortes.
-Que merda; Juliana praguejou, jogando a manta no chão e com ela, algumas caixas de chocolate ainda para serem consumidas.
Caminhou a passos pesados até a porta, pronta para matar quem quer que estivesse do outro lado. Aonde já se viu? Nem curtir uma fossinha particular não podia? –ela pensou indignada, nem ao menos olhando pelo olho mágico na porta, abriu-a.
-O que q-...? –perguntou aborrecida, mas parou no exato momento que vislumbrou a pessoa que estava ali.
Sentiu que o chão sumira a seus pés e que cairia se ele não houvesse se adiantado e lhe segurado.
-Juliana; Aiácos falou, enlaçando-a pela cintura, impedindo-a de cair.
-Você; ela murmurou antes de simplesmente desmaiar.
Chamou-a seguidas vezes, mas não houve resposta. Suspendeu-a do chão, aninhando-a entre seus braços, para que pudesse entrar no apartamento. Na completa escuridão, como pode tateou as paredes até encontrar o interruptor.
As luzes acenderam-se ofuscando-lhe a visão por alguns segundos, mas o que viu a seguir lhe fez arquear a sobrancelha. O que ela estava tentando fazer? Ficar com diabetes ou morrer por alta quantidade de glicose no sangue? –ele se perguntou ao ver à quantidade de doces, caixas de chocolates, potes de sorvetes e outras coisas mais que não conseguiu identificar no meio daquela bagunça.
Fechou a porta com o pé, enquanto entrava na sala, olhou para todos os lados procurando um lugar menos abarrotado de tranqueiras onde pudesse levá-la. Até que avistou um corredor, seguiu por ele, encontrando rapidamente uma porta entreaberta e logo concluiu que fosse aquele o quarto da jovem.
Suspirou preocupado, Juliana estava muito pálida, não sabia se aquilo era por falta de sol, ou porque não andava se alimentando direito e ficar trancada naquela caverna não deveria estar fazendo muito bem a ela; ele concluiu ao pousar a jovem com suavidade sobre a cama.
Afastou-se indo em direção a janela, abriu-a um pouco para que o ar pudesse circular melhor ali dentro. Voltou a sentar-se na beira da cama.
Balançou a cabeça levemente para os lados, não conseguia acreditar que Emmus armadura tudo aquilo; Aiácos pensou, lembrando-se do convite para Alegria no hotel, depois as instruções para que fosse três dias antes do prazo final, que coincidiam com três dias depois da apresentação.
Como ele poderia saber? –Aiácos se perguntou, para em seguida dar de ombros, talvez nunca fosse conseguir entender o que se passava pela cabeça daquele cavaleiro, muito menos o que lhe movera a lhe ajudar daquela forma, afinal, compartilhavam de um passado nem um pouco agradável; ele pensou.
Mas agora nada disso importava, finalmente estava com ela e não iria deixar que ninguém os separasse novamente; ele pensou.
.VI.
Remexeu-se na cama, sentindo a cabeça latejar antes mesmo de acordar completamente, sabia que não devia ter ingerido tanta Amarula junto com aquelas trufas, mas estava tão bom e a situação também não estava lhe favorecendo para parar; ela pensou levando a mão a cabeça.
Droga, nunca mais iria beber daquele jeito, muito menos se afogar em chocolate e sorvete; Juliana pensou abrindo os olhos lentamente, viu as cortinas esvoaçarem com o vento.
Não lembrava-se de ter ido parar no quarto, alias, só se lembrava de ter ido atender a porta e mais nada. Ah sim, tinha tido um sonho estranho com Aiácos. Algo envolvendo muita água, um chuveiro e aquele corpo de deus grego dele; ela pensou sentindo a face aquecer-se levemente.
Era melhor parar de beber de vez; Juliana concluiu levantando-se e sentando-se na cama. Alongou os braços para cima, espreguiçando-se manhosamente, pelo menos a dor de cabeça já estava passando.
Precisava agora tomar coragem, fazer um café bem forte e começar a trabalhar. Não podia ficar curtindo aquela fossa por mais tempo, tinha menos de quatro dias agora para entregar aquela encomenda; ela pensou seguindo em direção ao banheiro.
Entrou no cômodo, mal notando algumas peças de roupa jogadas no chão, lavou o rosto e arrumou-se, deixando o banheiro a passos arrastados, iria colocar o café pra fazer na cafeteira e iria se trocar; ela pensou.
Parou alguns passos no corredor ao ouvir um barulho estranho vindo da cozinha. Será que Sheila andara aparecendo em sua casa sem avisar, já que a amiga era a única a ter a chave do lugar alem de si; Juliana pensou dando um baixo gemido agoniado ao pensar no sermão que levaria.
Aproximou-se a passos sorrateiros temendo o pior, porém o que viu, fez com que se escorasse no batente da porta para não cair novamente. Alias, era melhor andar com amortecedores, porque se fosse contar a quantidade de vezes que quase já caira por causa dele, ia entrar pro Guiness.
Abriu e fechou os olhos seguidas vezes tentando ver se aquela 'miragem' sumia da sua frente ou os efeitos da amarula ainda perduravam alem da dor de cabeça.
Deixou os olhos correrem sobre aquela visão do paraíso que tinha a sua frente, tentando se convencer de que aquilo sim, era só um efeito da amarula, porque era perfeito de mais para ser verdadeiro; Juliana pensou, vendo os longos cabelos azulados, quase violeta caírem levemente úmidos pelas costas do cavaleiro enquanto apenas uma toalha branca que mal lhe chega aos joelhos, envolvia-lhe a cintura.
Por um momento alguns flash voltaram a sua mente e lembrou-se novamente de um chuveiro, muita água e aquele corpo. E que corpo; ela pensou quase escorregando do batente ao tentar enxergar mais 'plenamente' tudo aquilo que era exposto.
-Ah! Já acordou; Aiácos falou calmamente ao virar-se e encontra-la parada na porta da cozinha.
Viu-a assentir silenciosamente, pelo menos não estava mais pálida; ele pensou vendo o leve rubor a tingir a face da jovem, enquanto lembrava-se que já estava anoitecendo quando ela acordou um pouco, apenas tendo tempo de correr para o banheiro e colocar o que 'não tinha' no estomago para fora.
Ainda se perguntava como alguém conseguia sobreviver a amarula, chocolate e sorvete por três dias, porque a quantidade de coisas que estavam na sala, lhe sugeria muita coisa a respeito sobre os últimos dias.
-Como se sente? –ele perguntou aproximando-se dela, mas Juliana recuou um passo com cautela.
-O que esta fazendo aqui? –ela perguntou quase num sussurro, embora seus sentidos ainda estivessem um pouco 'debilitados' não deixava de desconfiar das coisas, e coisas certinhas demais, eram as que mais mereciam desconfiança.
-Isso não importa agora; Aiácos falou de maneira taxativa.
-É claro q-...; Juliana foi interrompida ao sentir o toque suave dos dedos dele sobre seus lábios, voltou-se para ele, confusa.
-Sua saúde é mais importante agora; o cavaleiro falou em tom sério.
Tomou-lhe as mãos, puxando-a consigo, fazendo-a sentar-se numa cadeira em frente à mesa.
-É melhor tomar alguma coisa leve, se não seu estomago vai reclamar; ele falou aproximando-se da pia.
Observou-o silenciosamente, ele andava pelo cômodo calmamente, sem se importar com nada, como se já fosse tão intimido daquele lugar; ela pensou balançando a cabeça levemente para os lados.
Definitivamente, nunca mais iria beber. Agora que descobrira que amarula tinha propriedades alucinógenas, era melhor se cuidar; ela pensou, concluindo que aquilo tudo não passava de mais uma coisa criada por sua imaginação.
-Tome, beba com calma; Aiácos falou entregando-lhe um copo de suco de laranja.
Hesitante, pegou o mesmo e sorveu um pequeno gole. Fez uma leve careta ao sentir o estomago reclamar de imediato. Não conseguia mesmo se lembrar de ter levantando antes, mas algo lhe dizia que se tivesse ar lá dentro era muito; ela pensou lembrando-se que nos últimos três dias passara mesmo só a chocolate, amarula e sorvete.
-Como se sente? –Aiácos perguntou puxando uma cadeira e sentando-se a sua frente.
Voltou-se para ele, indagando-se como aquela toalha ainda não caira? Ou melhor, como não a derrubara só com seu olhar.
-Melhor; Juliana murmurou.
-Não deveria ter bebido tanto com o estomago vazio; ele a repreendeu.
-Não estava vazio; ela reclamou, tomando mais um gole de suco, sentindo o estomago reclamar menos.
-Chocolate e sorvete não contam como alimentos saudáveis quando o estomago está completamente vazio; Aiácos falou com ar sério, embora um brilho divertido tremeluzisse em seus olhos.
Limitou-se a fuzilá-lo com o olhar e voltar a beber o suco de laranja. Se fosse um sonho, era só ignora-lo que uma hora ou outra iria acordar; ela concluiu.
-Você não me parece bem; ele comentou, chamando-lhe a atenção, enquanto levava uma das mãos até a testa da jovem.
-Uhn!
-Ainda esta pálida; Aiácos comentou. –Pensei que depois do banho você fosse ficar melhor;
-Banho? –Juliana indagou e parou ao vê-lo abaixar os olhos e seguiu-o. Levantou-se rapidamente, quase jogando o copo no chão ao ver-se com um roupão. –Seu tarado; ela berrou sentando a mão na cara dele.
-Hei! –Aiácos reclamou indignado.
-"Até em sonhos ele era um atrevido"; Juliana pensou exasperada. -Nunca mais bebo amarula, é alucinógeno demais para uma pessoa só; ela resmungou saindo da cozinha, voltando para o quarto.
Era melhor não trabalhar e ficar mais um tempo na cama, quem sabe toda aquela alucinação acabasse. Primeiro Aiácos batia na porta de sua casa, depois aquela droga de amarula envenenava seu estomago, alias, fora só uma garrafa. Uma depois da outra é claro. Mas o importante era que aquilo tudo precisava parar.
Sonhar um dia com ele, tudo bem. Dois, é compreensível, mas daquela forma que estava acontecendo agora, era prejudicial à saúde; ela concluiu entrando no quarto. Principalmente porque não se lembrava de nada, seria uma lastima se aquilo houvesse ido alem de um sonho.
-Juliana; Aiácos chamou, seguindo-a, porém a jovem não parou.
-Isso é só uma alucinação. Uma coisa da sua cabeça Juliana; a jovem falou para si mesma, enquanto sentava-se na cama massageando as temporas.
Estremeceu ao sentir um toque delicado em seu joelho e ao abaixar a cabeça assustou-se ao vê-lo apoiado sobre os mesmos e ajoelhar-se a sua frente, ficando na direção de seus olhos.
Sentiu-o entrelaçar os dedos nos seus, num toque tão quente e despropositado que viu seus olhos presos aos dele.
Toda vez que nossos olhos se encontram
Esse sentimento dentro de mim
É quase mais do que posso agüentar
Baby, quando você me toca
Eu posso sentir o quanto você me ama
E isso me desorienta
-Pareço uma alucinação pra você? –ele perguntou num sussurro, levando a mão dela até seu peito.
Fitou-o longamente, sentindo a mão subir e descer, acompanhando a respiração tranqüila dele. Sua cabeça ainda latejava, mas algum resquício de racionalidade parecia sobrepujar os efeitos da amarula.
Eu nunca fui tão perto de algo ou alguém assim
Eu posso ouvir seus pensamentos
Eu posso ver seus sonhos
-Pensei que nunca mais fosse te ver; Aiácos falou tocando-lhe a face com a mão livre. –Até que aquele idiota me mandou pra cá, com a chance de te encontrar; ele falou com um fino sorriso nos lábios.
Eu não sei como você faz o que faz
Eu estou tão apaixonado por você, e isso só melhora
Eu quero passar o resto da minha vida com você ao meu
lado
Pra sempre e sempre
Cada coisa que você faz
Baby, estou maravilhado por você
-Quando você sumiu no teatro, achei que tinha te perdido de novo; ele continuou serrando os orbes por um momento e dando um pesado suspiro. –Como quando Alegra te atacou e eu não estava lá;
O cheiro da sua pele
O gosto do seu beijo
O jeito que você suspira no escuro
Seu cabelo em minha volta, baby você me cerca
Nunca pensou que fosse dizer isso há alguém algum dia, mas tudo que era relacionado com aquela garota era uma quebra total de seus paradigmas, começando por aquele feitiço que recairá sobre si desde que a vira pela primeira vez em Paris.
Você toca todos os lugares do meu coração
Oh, parece que é tudo pela primeira vez
Eu quero passar a noite toda em seus olhos
Nunca fora de acreditar em destino, ou naquela utopia de almas gêmeas e coisas que só mortais comuns podiam se dar ao luxo de acreditar, mas algo naqueles encontros já havia sido premeditado por uma força maior, para provar algo? Mas o que?
Eu não sei como você faz o que faz
Eu estou tão apaixonado por você, e isso só melhora
-Jamais me perdoaria se saísse da minha novamente; Aiácos sussurrou com os lábios a milímetros de distancia do da jovem, que agora sabia perfeitamente que aquilo não era efeito da amarula.
-Nem eu...; ela respondeu num sussurro.
Eu quero passar o resto da minha vida com você ao meu
lado
Pra sempre e sempre
Cada coisa que você faz
Baby, estou maravilhado por você
-Amo você; ele sussurrou antes de tomar-lhe os lábios num beijo intenso.
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Epílogo.
Já estavam a algum tempo caminhando calmamente no parque do Ibirapuera. Quem poderia dizer algum dia que seria capaz de viver um momento em sua total plenitude como agora; ele pensou estreitando o braço em torno da cintura da jovem, enquanto indicava-lhe um local gramado, onde poderiam se sentar e observar o movimento.
O caminho para a verdade nunca é uma estrada lisa, sem pedras ou obstáculos. Nesse meio tempo aprendera que nunca deveria pedir a confiança de alguém e sim, conquistá-la, merecê-la, mesmo que corresse riscos para isso.
Quando contou a Juliana a verdade sobre sua vida, ela pareceu entrar em choque, não porque isso parecia algo tão extraordinário, mas porque descobrira que a amiga não estava mentindo quando lhe contara sobre a existência de forças vivas e opostas no universo que a cada duzentos anos entravam em batalhas épicas pelo poder da Terra.
Às vezes achava que isso não passava de algum episodio de 'Alem da Imaginação' ou de alguma possível continuação para 'O Senhor dos Anéis' ou 'Liga Extraordinária'; ele pensou, dando um baixo suspiro.
-Em que está pensando? –Juliana perguntou enquanto ele acomodava-lhe entre suas pernas e recostava-se sobre o peito do cavaleiro.
-Que agora posso lhe beijar, sem correr o risco de levar um chute no... Bem, você sabe; ele brincou com um sorriso sacana nos lábios. –Afinal, você não iria querer comprometer nossos futuros herdeiros, não?
-Aiácos; Juliana falou serrando os orbes de maneira perigosa, vendo-o rir alto, fazendo algumas senhoras de idade que passavam por ali fitarem-nos horrorizadas por ouvirem o que ele falara.
-O que foi Ju? Falei alguma cosia errada? –ele indagou com seu olhar mais inocente.
-Certas coisas não mudam; ela falou suspirando antes de acomodar-se entre os braços dele, que enlaçavam-lhe a cintura.
-Mudam sim; Aiácos sussurrou em seu ouvido, fazendo-a estremecer. –Se não, não estaríamos aqui?
-...; Juliana assentiu. –Ainda acho um pouco difícil de acreditar;
-Entre pro clube; o cavaleiro brincou. –Eu ainda não entendo porque Emmus fez isso, mas... Sei lá, duvido muito que se ele dissesse o motivo, eu iria acreditar; ele concluiu dando de ombros.
-Porque você simplesmente não admite que não esperava por isso; Juliana provocou. –E bem, eu não me lembro direito, mas esse Emmus deve ser um homem bem atraente, daqueles dados a salvar donzelas indefesas de um perigo eminente; ela continuou fazendo um ar de tragédia típico de 'Édipo', antes de alfinetar. –Mesmo porque, a julgar pelo cheiro;
-Do que esta falando? –ele perguntou com um olhar envenenado.
-Bem... Com aquele cheiro muitooooo gostoso; Juliana falou ressaltando com ar veemente o adjetivo. –É de se supor que o resto seja-...;
-Já chega Juliana; Aiácos ralhou visivelmente irritado com o que ela iria falar.
-Só estou brincando, lindinho; ela falou com um sorriso provocante nos lábios.
-Uhn! Só brincando, sei...; ele falou abrindo um sorriso maior que o dela.
-Aiácos, o que esta pensando? –Juliana indagou vendo que iria acabar levando a pior naquela.
-Leia meus pensamentos se for capaz; o cavaleiro rebateu, antes que a jovem pudesse falar algo, já tinha os lábios dele sobre os seus num beijo avassalador.
Eh, ainda bem as coisas sempre mudam...
-o-o-o-o-o-
Jogou as sandálias perto da árvore para sentar-se na grama, os longos cabelos negros esvoaçavam com o vento, enquanto a pele alva ganhava um leve rubor devido ao calor intenso daquele país tropical.
-Vamos, desfaça essa cara emburrada Emmus; a jovem falou, enquanto ele estendia uma toalha na grama e colocava a cesta de piqueniques perto.
-Que cara? –ele resmungou, sentando-se por fim ao lado dela.
As roupas normalmente pretas, haviam sido substituídas por uma bermuda azulada e uma regada branca, que expunha com perfeição os braços fortes e bem definidos por anos de treinamentos, porém, os cabelos antes de um negro-esmeralda agora tinham um tom mais claro, um loiro esverdeado.
-Vamos, de o braço a torcer pelo menos uma vez; ela provocou, enquanto arrumava a barra do vestido branco com leves nuances alaranjadas.
-Está certo, se você quer assim; Emmus resmungou dando de ombros.
-É tão bom ver um casal se entendendo; a jovem falou em meio a um suspiro. –Não agüentava mais ver eles sofrendo tanto; ela murmurou.
-Você tem razão, mas nem sempre podemos ficar interferindo; ele falou com ar sério.
-Está cansado de brigar com o destino, querido? –ela perguntou com um fino sorriso nos lábios.
-Não; Emmus respondeu sabendo bem aonde ela queria chegar com isso.
-Ai Emmus; a jovem falou em meio a um intenso suspiro. -Mal posso esperar pelo dia que você vai admitir que não existem coincidências e sim-...;
-Destino? Não... Definitivamente não acredito nisso; ele respondeu prontamente. –Pensei que depois de tanto tempo você já houvesse aceitado isso? –ele comentou, enquanto jogava-se na grama sobre a sombra da árvore e relaxava o corpo antes tenso.
-Uma vez um amigo muito querido me disse que, tudo que eu quisesse eu poderia conseguir, contanto que lutasse com minhas próprias mãos para alcançar; a jovem falou voltando-se para ele com um olhar enigmático. –Então, isso quer dizer, que eu ainda não desisti de você; ela completou.
-Você é quem sabe; Emmus murmurou fechando os olhos antes vermelhos, mas que agora tinham um tom mais rosado, quase violeta, dando um suspiro.
Balançou a cabeça levemente para os lados, Emmus era tão teimoso quanto ela e era exatamente por isso que se davam tão bem.
Ergueu a cabeça vendo que do outro lado do lago um casal parecia se divertir muito. Um fino sorriso surgiu em seus lábios, ele poderia não admitir, mas jamais deixaria até mesmo um espectro a mercê daquelas três senhoras sádicas; ela pensou retirando da sacola que trazia consigo uma bela flauta dourada, onde algumas letras antigas surgiam num ressalto delicado na peça.
Levou-a aos lábios e logo, uma suave melodia invadiu o ambiente, cisnes que nadavam com tranqüilidade pelo meio do lago aproximaram-se primeiro com cautela, depois agruparam-se na margem, como muitas pessoas que caminhavam por ali e reduziam a marcha para ouvi-la.
-"Apenas fechem os olhos e sonhem"; ela pensou serrando as pálpebras, quando uma nota mais alta soou através do instrumento dourado, fazendo almas e corações vibrarem.
Sonhar...
Estar acordado e deixar a mente voar
Sentir asas macias envolver-lhe o corpo e flutuar
Abraçar o vento e fechar os olhos
♥
Sonhar...
Num momento
Num instante
♥
Apenas fechem os olhos e
Sonhem...
.::Fim::.
Continua em "De volta ao Vale das Flores" / "Blood Lust" e "O Senhor dos Dragões".
♥
Domo pessoal
Aqui me despeço de mais uma fic, não, Luthier não é mais uma e sim, a fic. Foi uma experiência incrível pra mim escrever essa historia. A muito sou apaixonada por musica clássica, mas sempre tive louca paixão pela profissão de um Luthier.
Imaginar que aqueles sons extraídos dos instrumentos de cordas só existem graças às mãos abençoadas dessas pessoas, é sensacional. Como disse antes, Luthier era um projeto antigo, mas que só há pouco tempo criou asas e voou. O resultado vocês puderam acompanhar aqui.
Essa fic foi um presente para uma nina super fofa, que me conquistou com suas fics que apenas vem pra mostrar seu grande talento, como também com sei jeitinho. Então, não podia deixar de celebrar pelas grandes amizades, com um dos meus projetos mais especiais.
Enfim, espero sinceramente que todos tenham gostado.
Da fic, me despeço com aquele pequeno poeminha ali em cima, acho que ainda estou meio enferrujada com relação a escrever poesia, não me sinto uma pessoa muito romântica nos últimos dias, mas esse casal super fofo me inspirou.
Em breve, o trailler da fic, com edição especial. Aguardem.
Um forte abraço e até a próxima.
Dama 9
n/a: O Tyller´s é um café londrino que realmente existe. Antigamente, Issac Newton e outrs genios de sua época costumavam se reunir lá, para conversarem de trivialidades até, alquimia e as famosas espectulações sobre a origem do universo.
