CAPITULO II

Cinco anos atrás

Era um lindo dia de primavera na Austrália quando Hermione atravessou correndo o padoque vazio de sua casa e foi na direção da cerca que separava a propriedade de seu pai da de Harry Potter. Estava corada de emoção e seus longos cabelos cacheados esvoaçavam em volta do rosto de traços delicados enquanto ela corria. Os olhos verdes brilhavam.

— Harry! — ela chamou. — Harry, estou aqui!

O homem alto e de cabelos negros, montado num enorme cavalo preto, franziu a testa à vista de Hermione arriscando a vida naquela cor­reria. Descalça, Santo Deus, com um vestido branco, curto e trans­parente, ela elevaria a temperatura de qualquer jovem.

— Cuidado onde pisa! — Harry gritou.

Mas Hermione continuou correndo com muita graça, como uma dançarina de balet. Ria, sacudindo uma carta na mão.

— Continuem em frente, eu alcanço vocês — Harry disse a seus homens, fingindo não perceber o olhar divertido dos em­pregados enquanto ele ia ao encontro da moça.

Hermione observava-o enquanto se aproximava, com a mesma ado­ração que lhe proporcionara sem restrições durante dois anos. Sabia que Harry estava consciente de seu amor.

Ele era tão forte, Hermione pensava, sonhadora. Grande, de om­bros largos, mãos com o dobro do tamanho das suas, vestindo uma camisa de cambraia branca, estava irresistível. Mas era quase feio. O nariz grande demais, e sobrancelhas exageradamente gros­sas sombreavam olhos muito verdes. A boca era grande e sexy, o queixo forte. Os cabelos talvez não fossem na verdade pretos, mas castanho escuros, muito escuros, que pareciam estar sempre em guerra com seu dono, como as sobrancelhas e os pelos do tórax. Apesar da falta de sofisticação dele, Hermione o apreciava. Harry era um solteirão de vinte e oito anos, procurado pelas mulheres. Tinha bom gênio, embora explodisse quando contrariado.

— Descalça outra vez. - ele censurou-a, olhando para os pezinhos agora presos na grade. — Que vou fazer com você?

— Posso dar várias sugestões. — Hermione murmurou com um sorriso malicioso.

Harry acendeu um cigarro e perguntou:

— Afinal, menina, quais são as novidades?

— Ganhei a bolsa de estudos — ela respondeu prontamente, os olhos cintilantes.

— Que bom!

— Mamãe está orgulhosa de mim. E papai está feliz porque ele é professor e eu vou me diplomar como professora.

Harry examinou-a. Ninguém se parecia menos a uma professora que Hermione. Ele sorriu. Com os cabelos longos esvoaçantes, Hermione era tal qual uma visão. E não passava de uma criança, tinha apenas dezenove anos. Os olhos de Harry percorreram vagarosa­mente o corpo dela, dos seios à cintura fina, às pernas longas e bem feitas, aos pés descalços.

Hermione examinava-o também, excitada pelo modo como ele a fitava. Não podia se lembrar do dia em que Harry a olhara assim, como se fosse uma mulher e não uma criança peralta.

— Você vai ter saudades de mim quando eu for embora? — ela perguntou.

— Oh, como ter saudades de uma praga? — John respondeu, sorrindo. — Quem vai me telefonar no meio de meu trabalho para perguntar se estou ocupado? Ou nadar em meu lago na época da desova dos peixes? Ou me convidar para cavalgar na floresta quando tenho apenas alguns minutos de descanso?

— Acho que sou mesmo uma peste. — Hermione baixou a cabeça. — Desculpe.

— Não se desculpe. Vou sentir saudades de você, sim.

— E eu de você, Harry. — ela confessou. — Havaí é tão longe!

— Foi sua escolha.

— Encantei-me com o local quando estive lá passando férias na casa de tia Margaret. Além disso, tendo uma tia perto, as coisas ficam mais fáceis. Sabe como são meus pais, jamais con­sentiriam que eu morasse no campus da universidade. Mas agora acho que seria melhor ficar em Brisbane.

— Você é americana e em Honolulu estará em seu país.

— Mas moro na Austrália há dois anos já. É meu lar agora.

— É muito jovem, Mione. Mais jovem do que pensa. Muita coisa pode mudar em pouco tempo.

— Acha que sou uma menina? Bem, cavalheiro, estou cre­scendo depressa, por isso tome cuidado. Quando eu voltar defi­nitivamente, você ficará em dificuldade.

— Eu? — Harry ergueu as sobrancelhas, com expressão divertida.

— Terei aprendido tudo sobre como ser mulher. Vou roubar seu coração, vou tirá-lo da rocha onde ele está encravado.

— E será bem-vinda por isso. Muito bem-vinda.

Hermione suspirou. E lá vinha Harry outra vez caçoando dela. Será que não percebia que seu coração estava em frangalhos?

— É melhor que eu volte para casa. Preciso ajudar mamãe a preparar o jantar. — ela disse. Fitou Harry, na esperança de que ele a convidasse a subir na garupa do cavalo. Seria tão bom sentar bem junto daquele corpo viril e sentir seu calor e força, Isso acontecia tão raramente; e cada ocasião consistiu numa lembrança preciosa a ser guardada. Seu coração começou a bater mais forte. Talvez agora.

— Cuidado onde pisa. — Harry recomendou. — Cuidado com as cobras. E vá embora que eu preciso trabalhar.

— Sim, Majestade! — Hermione riu e saudou-o, inclinando a cabeça com exagero.

— Cuidado! — Harry disse de novo e, dando meia volta à montaria, partiu.

Hermione ficou observando-o até ele sumir de vista por entre as seringueiras, e suspirou. Bem, faltava ainda uma semana para sua viagem. E se Harry a beijasse? Ela corou e mordeu o lábio inferior, emocionada. Harry nunca a tocara, exceto quando a se­gurava pela mão para ajudá-la a subir ou descer em lugares pe­rigosos. E uma vez, apenas uma vez, carregara-a como se carrega uma criança, para atravessar uma poça d'água após a chuva. Hermione agarrara-se a ele, tentando mergulhar naquele contato sensual. Mas esses episódios raros alimentavam seus sonhos, como tam­bém uma fotografia de Harry que conservava na carteira.

Desanimada, voltou para casa bem devagar. Quem sabe uma cobra a mordesse deixando-a às portas da morte, e quem sabe Harry aparecesse em seu leito, chorando... Ela comoveu-se com a história imaginária,

Subiu os degraus da entrada da casa onde gostava de sentar-se na esperança de ver Harry passando a cavalo.

Ficou muito triste ao se dar conta de que, muito breve, estaria longe desse cenário familiar. Universidade. Vários anos de uni­versidade no Havaí, longe da vista, do contato de Harry Potter! E ele pareceu não se incomodar com a separação! Nem um pouco!

Renée Johnson ergueu a cabeça quando a filha entrou em casa. Sorriu e depois voltou ao seu bordado. Era uma mulher de quase cinqüenta anos, mas ainda bonita.

— Alô, querida. Já de volta? — caçoou.

— Harry estava muito ocupado. — Hermione atirou-se numa poltrona. — Ele está contente com minha partida, sabe? Parece feliz por se ver livre de mim.

— Oh, não acredito. Amizades agüentam separações, não de­saparecem com ausências, querida.

Amizade! Hermione quase gritou. Ela queria amor, não amizade.

— Papai já devia ter chegado, não? — perguntou.

— Ele teve de parar em Providence para apanhar o novo terno, na volta de Brisbane. E Brisbane é bem longe daqui.

— E essa viagem até Brisbane foi só para levar um aluno ao aeroporto, e um aluno que ele mal conhece. Papai é só bondade, não?

— É verdade. — Renée concordou. — Por isso me casei com ele.

Hermione levantou-se, e começou a andar pela sala.

— Não sei se estou agindo bem. Havaí é tão distante! — ela comentou,

— Mas a universidade de lá e uma das melhores — a mãe a fez lembrar. — E sua tia vai adorar hospedar você na casa dela. É a irmã preferida de seu pai.

— Eu sei.

Hermione olhava na janela agora, para a nuvem branca de carneiros se movimentando. Harry possuía gado também, mas tinha predileção pelos carneiros. Ela adorava ver os meninos aprendizes conduzindo os animais de um padoque para o outro, e gostava de apreciar os cachorros que os acompanhavam, tão hábeis e tão ligeiros! Mas, acima de tudo, amava Harry. Harry!

— Arrume a mesa, sim, querida? — Renée pediu. — Vou servir o jantar daqui a pouco.

Capítulo pqueno, mas o prox promete!!

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