Capítulo 05

Promessas cumpridas

- Bom dia. – Draco entrou na cozinha, deu um beijo na boca de Harry e tomou a xícara de café da sua mão.

- Bom dia. Tem café no bule. – respondeu Harry, tirando a xícara da mão do loiro, mas este não se importou, a expressão de surpresa na cara do ruivo a sua frente foi o melhor.

- Bom dia para você também, Weasley.

Ron não respondeu, somente ficou olhando o loiro como se fosse a coisa mais estranha que vira até então, para em seguida olhar para Harry, que tomava o seu café descansadamente.

- Granger ainda está dormindo?

- Não, está trancada na biblioteca. E quer um conselho? Não interrompa, ela pode ser muito mal educada.

- E violenta. – completou o ruivo, finalmente falando – Especialmente considerando que ela está lá há horas, sem resultado.

- Controle essa língua grande, Ron Weasley. – Hermione entrava na cozinha, trazendo a taça, uma xícara vazia e uma cara feliz. – Acho que tenho uma ideia que podemos considerar.

Harry se sentou ao lado dela, ouvindo atento.

- Bem, eu pensei muito, examinei bem a taça e não posso falar que tenho certeza, mas segundo os três casos que a gente tem em mãos, parece que o que pode destruir os objetos tem ligação com eles. Mais exatamente, tem alguma coisa daquilo que antes servia de proteção.

- Não, espera! O diário eu até entendo, o veneno do basilisco veio do basilisco. Mas o que o fadicida tem a ver...

- Foi feito com resíduos de pele humana. Um dos componentes do fadicida é tecido humano morto. – Ron fez uma careta - Eu sei, é muito pouco, mas é um indício de ligação com o inferi.

- Então, você sugere...

- Veneno de aranha, dos bons.

Harry ficou pensativo um tempo.

- Bem, pior não pode ficar... Eu vou na Ordem, preciso falar com Remus pessoalmente, posso passar depois no Beco Diagonal e ver se consigo um pouco de veneno de acromântula. Vocês querem alguma coisa de lá? Vou comprar umas coisas para você, Draco, acho que sua estada aqui vai se prolongar um pouco.

- O que a gente pode ir adiantando?

- Quero uma revisão dos objetos que estão faltando e onde podem estar. Precisamos definir nosso próximo passo. Mas eu posso demorar um pouco, então tirem um tempo de folga, Ron.

o0o

"Posso demorar um pouco"... Hunf!

Duas semanas!

Duas semanas e Potter não voltou para casa. Se é que se pode chamar aquilo de casa! Um buraco escuro onde não há absolutamente nada para fazer e nem o dono fica tempo suficiente!

Weasley e Granger às vezes saiam, e voltavam rápido, em algumas horas, mas duas semanas!

Draco não se arriscava a sair, sabia que seria perigoso, mas já não aguentava mais ficar ali dentro. Era sufocante!

Granger ficava a maior parte do tempo dentro da biblioteca ou enfiada em algum livro. Draco conseguia conversar mais com ela, mas isso não significava muito, a menina parecia pouco disposta a falar.

Weasley passava o dia inteiro debruçado em mapas, desenhos e maquetes de três prédios, pelo que Draco pode ver, mas não falava muito. Um dia ele saiu de manhã e voltou de madrugada com alguns pacotes e um grave ferimento no ombro.

- Encontrei o Harry no Caldeirão Furado, ele está com Remus, fomos atacados pelos Comensais próximo ao metrô trouxa. É o terceiro trem que eles explodem no último mês.

- Harry está bem? – Draco perguntou afoito.

- Bem, acho que está... Ele mandou umas coisas, mas disse que não volta tão cedo.

Dentro das sacolas havia o veneno da aranha, que de fato destruiu a taça, e algumas roupas e objetos pessoais para Draco. Nenhum bilhete, nem uma palavra. E isso havia sido há quatro dias!

Draco estava na sala de estar, olhando o Largo pela janela, mergulhado em pensamentos, quando sentiu uma respiração próxima ao seu pescoço e duas mãos pousando em sua cintura.

- Potter! Seu desgraçado!

O outro riu rouco perto de seu ouvido, começado a beijar seu pescoço.

- Não! Você não toca em mim enquanto eu não ouvir o que você andou fazen...

Draco se virou de frente para o outro e parou de falar instantaneamente. Levou sua mão ao rosto do moreno, a descendo para o pescoço e tórax. No rosto havia um corte da têmpora ao queixo, pegando todo o lado esquerdo. No pescoço havia uma marca do que fora algo semelhante a uma queimadura, e sob as mangas da camiseta podia-se ver as bandagens que envolviam o braço direito.

- Sério, se você continuar assim, vai ficar pior que aquele nojento do Moody.

- As cicatrizes vão sumir. A maioria foi de ferimentos trouxas. Eu sou meio descuidado em batalhas em campo aberto. Você se importa?

- Afinal, onde você esteve?

- Em campo aberto.

- Harry!

- Dá um tempo, Draco! Estou cansado de falar de problemas. – Harry o abraçou de novo e sussurrou em seu ouvido - E estou morrendo de saudades do meu loiro.

Draco teve sua boca arrebatada em um beijo sufocante. Assim que teve fôlego suficiente, passou a retribuir com intensidade, ao que o moreno entendeu como um incentivo para tocá-lo com mais calor.

- Você sabe que merece ser castigado por isso, não? – perguntou baixinho ao ouvido do moreno quando este libertou sua boca, mesmo que o apertasse mais próximo ao seu corpo.

- E eu sei o quanto você pode ser mau comigo. - o moreno riu – Eu deixo você fazer o que quiser, só não quero que me amarre.

- Você é um pervertido, Harry. – o loiro mordeu seu pescoço com força – Um pervertido gostoso demais. E vai se arrepender disso.

O loiro voltou a beijá-lo, empurrando-o para trás. Andaram toda a escada e o corredor assim, se agarrando e se escorando pelos cantos, as duas camisas abertas, até que chegaram ao quarto de Harry. Draco o soltou, trancando a porta e lançando um feitiço silencioso no cômodo.

Tirou a camisa de Harry e o empurrou contra a porta, o beijando intensamente, enquanto sua camisa era arrancada também. Ele mordeu o lábio de Harry, chupando até parar de sangrar, e então o olhou. Ele estava lindo, todo desalinhado e encurralado daquele jeito. Atacou seu pescoço, do lado que não estava machucado, sentindo seu cheiro, beijando, chupando e lambendo toda a área entre o ombro e a nuca. Harry gemia baixinho e jogava a cabeça para o outro lado, dando mais espaço para o loiro. Suas mãos trabalhavam no cós da calça do moreno, as mãos dele passeavam por suas costas e ventre.

Draco voltou a beijá-lo enquanto sua mão entrava pela calça desabotoada do moreno, que gemia com sofreguidão em sua boca, remexendo os quadris enquanto tirava a calça do loiro. Este, já nu, terminou de despir o outro e se ajoelhou à sua frente, colocando a língua para fora e roçando na ponta do membro de Harry.

- Ah! Draco...

O loiro, sem tirar os olhos do rosto do moreno, abocanhou o membro até a metade, ouvindo mais um gemido, e deu uma chupada, recuando a boca até tirá-lo. Harry jogou a cabeça para trás e fechou os olhos, respirando com dificuldade.

- De quatro. – Draco sussurrou, sorrindo ao ver o moreno piscar, confuso, olhando-o antes de se deixar cair de joelhos a sua frente.

O loiro pegou a varinha e murmurou alguma coisa, sobressaltando o moreno, que se voltou para olhá-lo, encontrando o outro esfregando um gel transparente no próprio corpo.

- Onde você aprendeu isso? – o moreno perguntou enquanto se posicionava melhor.

- Hermione me ensinou. – disse com um sorriso malicioso no rosto enquanto penetrava o moreno devagar, escutando os seus gemidos – Gostou?

- Ah! Sim! Ah!

Draco começou devagar, mas cada vez mais profundo e mais rápido, conforme os gemidos do outro aumentaram. Agarrou o moreno pelos cabelos, o puxando em sua direção, mas mantendo o quadril no lugar, o forçando a curvar as costas e o pescoço, se movimentando com mais força enquanto chupava a nuca do moreno, que arfava, respirando com dificuldade, a traquéia estendida ao máximo. Draco se sentiu estremecer, e soltou Harry, pressionando mais seu quadril contra o dele, ouvindo-o gemer mais alto enquanto suas unhas fincavam seu quadril, deixando-se levar pelo êxtase.

Usou o corpo do outro como apoio, respirando com dificuldade, e rompeu o contato com o moreno, engatinhando para seu lado, olhando-o se apoiar no chão com as mãos, tremendo e tentando respirar. Draco se deitou no chão e só então reparou que Harry não havia gozado e temeu que tivesse machucado o outro, apesar dele se mostrar extremamente excitado ainda.

- Harry...

Mas o moreno sorriu de um modo estranho, o olhando com aquelas profundezas verdes, e o beijou, colocando seu corpo sobre o do loiro. Mordeu o lóbulo da sua orelha e sussurrou de um jeito ferino.

- Eu quero mais.

Beijou o pescoço do loiro, chupando em pontos estratégicos, guiado pelos seus gemidos, depois o peito, se deliciando com as curvas do outro, brincando com seus mamilos. Desceu mais um pouco, beijando o seu ventre, rodando a língua dentro do seu umbigo, e desceu mais...

Draco estirou todo o corpo para trás. Se seu membro perdera a excitação após o êxtase recente, agora todo o seu corpo gritava de tesão novamente. Harry o sugava como se sua vida dependesse disso, sua cabeça subindo e descendo sobre o corpo do loiro, que gemia desesperado, se agarrando aos seus cabelos. Harry parou e o olhou firme ao sentir as primeiras gotas na boca. Havia tanta malícia em meio ao verde que Draco mal conseguia respirar, o puxou e o derrubou ao seu lado, subindo por cima dele. Beijou sua boca, sentindo o seu próprio gosto, e depois lambeu todo o contorno onde estava sujo, até o queixo, para voltar a beijá-lo, remexendo os quadris contra o dele. As mãos de Harry desceram para apertar sua bunda, mas ele as pegou e levou acima da cabeça do moreno, as prendendo contra o chão.

- Ainda não... – sussurrou no ouvido do moreno, que gemeu por antecipação.

As mãos do loiro correram toda a lateral do corpo do outro até os seus joelhos, e os flexionou, se remexendo um pouco até se posicionar para penetrá-lo novamente. Harry gemia baixinho agora, com os movimentos mais delicados. Draco envolveu seu membro com a mão e começou a masturbá-lo enquanto beijava seu pescoço, sentindo o outro o abraçar com mais força e os gemidos aumentarem. Draco aumentou a velocidade dos movimentos, sentindo o moreno estremecer e ofegar, contraindo todo o corpo em busca de prazer, pressionando o corpo do loiro dentro do seu, fazendo-o gemer e gozar antes do que pretendera, mas para o seu alívio, em seguida o moreno se derramou entre eles.

Draco se desencaixou, mas continuou deitado sobre o moreno enquanto recuperava a capacidade de respirar.

- Você está com pressa hoje. – comentou Harry, ainda ofegante.

- Você me deixou esperando muito tempo.

O moreno o beijou de forma lenta e carinhosa, e passou os dedos pelo contorno de seu rosto, sorrindo. Draco voltou a tomar sua boca, rindo em meio ao beijo quando o moreno começou a mexer os quadris, atritando os corpos dos dois. Quando Draco sentiu a excitação do moreno aumentar interrompeu o beijo, o olhando com ar de riso.

- Mais?

Como resposta, o moreno pegou seus joelhos e abriu suas pernas, colocando uma de cada lado do seu corpo. Voltou a beijá-lo enquanto suas mãos corriam pelo corpo do loiro, atritando os seus corpos até voltarem ao nível de excitação de pouco tempo atrás.

- Adoro te ver assim... Insano. – Draco falou, dando um beijo em Harry – Bem debaixo de mim. – novo beijo – Insaciável. – novo beijo.

- Então lança aquele feitiço em mim que eu quero te ver do mesmo jeito, pedindo por mim.

Harry agarrou o outro pelo pescoço e o beijou com violência, sentindo gosto de sangue na boca. Logo algo gelado deslizou pelo seu corpo, sendo espalhado pelas mãos suaves e macias do loiro, que ergueu o quadril sem parar de beijá-lo, se posicionando.

Draco soltou um grito e esticou o corpo para trás quando deixou o peso cair sobre o de Harry, os unindo de forma brusca demais.

- Draco! – Harry segurou a cabeça do loiro, preocupado.

- Eu... Ah! Espera...

O loiro se remexeu um pouco sobre o quadril do moreno, fazendo-o gemer, apesar da preocupação. Draco sorriu.

- Você gosta disso?

Harry gemeu e o trouxe para perto, o beijando, sentindo as mãos do outro se apoiarem pesadamente em seu peito para permitir o vai e vem vertical do corpo do loiro, que gemia em sua boca. Harry segurou em sua cintura, ajudando e aumentando a velocidade dos movimentos, ofegando com as sensações que o movimento e o calor do corpo do loiro lhe proporcionavam. Draco jogou a cabeça para trás quando Harry forçou o quadril contra o dele, seus dedos deixando marcas em suas coxas, em um grito rouco. O loiro não parou, até que, sem forças, tremendo, sujando todo o peito do moreno, e se deitou sobre ele.

- Estou exausto.

Declarou, quando conseguiu falar. Harry riu, passando as mãos nos fios molhados que lhe cobriam a testa.

- Você não foi muito mau comigo. Acho que depois vamos ter que fazer outra sessão dessas para você poder me castigar devidamente.

O loiro riu e lambeu a sua orelha.

- Acho que da próxima vez vou te amarrar mesmo sem você deixar... – disse baixo contra seu ouvido e mordeu seu pescoço – e vou acabar o que comecei ali no chão, quando eu me ajoelhei. – sua mão desceu pelo ventre do moreno, parando pouco abaixo do umbigo e beijou a sua boca – O que você acha? Ah! – o loiro gemeu e Harry segurou com força seu corpo no lugar – Ah... Aaah! Ha-Harry!

O que Harry achava estava explícito nas reações de seu corpo, claras demais para Draco devido à conexão íntima que ainda mantinham. O loiro empurrou Harry e se virou, desencaixando e deitando ao seu lado, mas o moreno se virou por cima dele, segurando suas mãos com força sobre sua cabeça, e voltou a penetrá-lo, com força e sem parar, fazendo o loiro gritar coisas ininteligíveis e se debater sob o seu peso. Quando a surpresa e a dor deram lugar às sensações boas que aquilo lhe trazia, Draco o abraçou com força, tremendo, e o mordeu sem força, entre gemidos. Harry se deixou envolver, em uma cadência mais suave, aproveitando aquele abraço e a dormência no corpo com o prazer contínuo, sentindo Draco completamente em seus braços, conduzindo os dois, juntos, a um mesmo fim.

- Não... faça mais... isso. – pediu Draco, sem ar, quando Harry se virou, deitando ao seu lado.

- Pode deixar... Não aguento... – o outro respondeu, tentando respirar.

A risada baixa do loiro soou, e ele ainda respirou fundo algumas vezes antes de voltar a falar.

- Você sabe que merece ser castigado por isso, não? – Draco provocou, depois de lançar um feitiço limpando os dois.

Eles riram e se abraçaram, ficando um tempo trocando carinhos, mesmo no chão, até adormecerem.

Harry mergulhou na escuridão. O corpo cansado, o calor do loiro ao seu lado. Seus sentidos se entorpeceram e ele dormiu mais profundamente do que arriscava dormir em meses.

Harry Potter

Harry abriu os olhos assustado quando ouviu seu nome ser chamado com aquele tom chiado, mas não pode ver nada, estava imerso na escuridão.

O que você está fazendo, Harry Potter?

Onde você está?

O que você quer?

As mesmas perguntas se repetiam na mesma voz, a voz que perturbava o menino quase todas as noites, há quase dois meses.

- Não... – resmungou dormindo.

Ele sabia o que aquilo significava, sabia que devia lutar. Fechou os olhos, tentando fugir da escuridão, as palavras se repetindo, e sua cabeça explodiu em dor.

Ele gritou e se sentou, ofegante.

- NÃO!

- Harry!

O loiro estava sentado ao seu lado, segurando seu rosto e o olhando assustado. Harry passou a mão pelos olhos, pegou a mão do loiro e beijou a palma, a mantendo entre as suas. Depois voltou a deitar o levando junto. Draco o observava, ainda ofegante.

- Eu estou bem, não se preocupe, foi só um pesadelo.

Mas Draco ainda o olhava preocupado, acariciando o seu rosto.

- Harry, onde você esteve? – perguntou sério, depois do silêncio do moreno.

- Resolvendo uns problemas.

- Você não vai me falar? Tem a ver com esses objetos que vocês estão procurando?

- É... – Harry meneou a cabeça – Bem, tem.

- Sabia que nós conseguimos destruir aquela taça?

- Nós?

- Eu ajudei. – era verdade, o loiro viu o medalhão ser destruído, então orientou os outros dois sobre o que fazer – Isso era importante, não era?

- Muito. – o moreno se virou de costas no chão, permitindo que o outro continuasse deitado em seu braço, e ficou encarando o teto.

- Em que você está pensando? – perguntou o loiro depois de alguns minutos.

- Em muita coisa.

- Em mim?

- Também. – disse o outro sorrindo.

- Você acha que eu posso sair daqui? Queria te ajudar. – isso não era verdade. Queria sim estar mais perto do moreno, mas para colher informações e sair dali.

Harry o olhou e demorou para responder.

- Acho que ainda é cedo, Draco. Eu consegui apoio da Ordem para te proteger, mas, pelo que você pode ver, eles estão com um pouco de problemas. Remus realmente me aconselhou a mantê-lo por perto, disse que no momento eu teria mais condições de te proteger do que eles. Mas como eu ando circulando pela cidade, acho melhor você ficar aqui. Enquanto eu tiver que me esconder, você terá que se esconder também.

- Eu me sinto um inútil aqui dentro, Potter! – Draco disse com a voz amargurada. Era a mais profunda verdade.

Harry o olhou com aflição e o beijou na testa. Aquilo era exatamente pelo que Sirius passava, naquele mesmo lugar, naquela mesma situação. Ouvir aquelas palavras da boca de Draco o angustiava de uma forma indescritível, mas ele não tinha o que fazer no momento.

- Eu juro, Draco, eu não vou deixar você definhar aqui.

Draco ficou um tempo em silêncio, imerso nos próprios pensamentos, depois se levantou e começou a se vestir. Estava cansado de tudo aquilo.

- Você faz promessas demais, Potter.

O outro acompanhou o loiro abotoar a camisa e procurar os sapatos.

- Aonde você vai?

- Para campo aberto. – disse com desdém - Não vou ficar preso nessa casa, esperando a vida passar enquanto os outros resolvem os meus problemas.

Harry se levantou do chão e sentou na cama, acompanhando o outro sair do quarto.

- Você está blefando! – gritou para que o loiro pudesse ouvir - Não está levando nada! E você não é louco!

- Eu não quero nada seu! – ouviu um grito de volta, carregado de rancor.

O loiro se virou e viu o moreno sair do quarto com um lençol enrolado na cintura, em seu encalço.

- Draco, para onde você vai? – perguntou com mais urgência na voz.

- Procurar respostas, Potter! – respondeu com raiva, quase gritando.

- Você vai morrer, seu idiota! Vem cá! – e o pegou pelo braço – Por favor, Draco! Fica comigo!

- Me solta! – o loiro saiu de seu abraço e começou a descer as escadas.

- Não faz isso! Eu gosto de você...

- Gosta porra nenhuma!

- Você é um idiota!

- Você não confia em mim!

- Você não me escuta!

- Você não me fala merda nenhuma!

- Não me cobre atenção!

- Eu não sou sua puta, Potter!

- Você não tem para onde ir!

- Então eu vou dar na esquina que pelo menos eu ganho alguma coisa! – gritou batendo a porta.

Harry chutou a parede com raiva e subiu de volta para o quarto, a casa estremeceu ao mesmo tempo em que uma vidraça se quebrava.

- Cara, eu pensei que só garotas dessem esse tipo de trabalho. – comentou Ron com Hermione, baixo, da cozinha.

o0o

- Certo. Ao trabalho... Hermione?

Harry entrou na cozinha andando em passos firmes e rápidos algumas horas depois que Draco saiu. Pelos cabelos molhados, ele havia tomado um banho bem demorado. Pelo cigarro na mão, tragado com velocidade, ele estava agitado demais.

- Sete horcruxes. Diário, anel, medalhão e taça destruídos. Faltam o objeto desconhecido, a cobra e Voldemort. – enumerou a menina, reunindo rapidamente seus papéis sobre a mesa.

- Bem, a cobra será a última, antes de Voldemort, é claro, mas de qualquer forma... - Harry interrompeu sua fala para acender outro cigarro - Eles estão no mesmo lugar, falta saber onde, mas já estou pensando nisso. O que temos, Ron?

- Harry, pare de fumar. – exigiu Hermione em um tom que não permitia ser contrariado.

Harry apagou o cigarro na água acumulada na pia e o jogou no lixo.

- E aí?

- Bem, – Ron assumiu a conversa – nós temos três locais prováveis. Hogwarts, a Borgin&Burkes e o orfanato, segundo o que a gente já tinha conversado antes.

Conforme Ron citara os lugares, conjurou a maquete de cada um deles. Harry se abaixou até ficar na altura da mesa, observando os prédios.

- Cara, se essa horcrux estiver em Hogwarts, a gente vai morrer para achar. Na Borgin também não vai ser fácil. Espero que ela esteja no orfanato...

- Acho pouco provável. Voldemort não tinha afeto nenhum pelo lugar, ao contrário. Além disso, um lugar totalmente trouxa não seria muito digno de uma horcrux do Lord das Trevas.

- E por isso o esconderijo perfeito, Mione. Acho que pode ser nossa primeira parada. Como é lá, Ron?

- Pelas plantas que você conseguiu no Ministério, o prédio é simples e totalmente trouxa...

- Então por que sua planta está registrada no Ministério da Magia?

- Pedido especial do Dumbledore, Mione. – respondeu Harry, e, voltando-se para Ron – Continue.

- Dois andares, no de baixo hall, três salas pequenas, um grande salão, copa e cozinha. No de cima, sete aposentos, sendo um bem maior, duas suítes e um banheiro no fim do corredor. O prédio foi convento, orfanato, café, hotel e casa de shows. Está abandonado há dois anos.

- Por quê? O prédio é bem localizado, espaçoso... – Harry buscou a imagem na memória, que recordava como um lugar habitável, apesar de sombrio.

- Velho demais. – Ron deu de ombros – E fica à beira de uma avenida movimentada hoje. Não é bom nem para residência, nem para o comércio que ocupa esse tipo de prédio. Hoje ele é do Governo, foi tomado em troca de dívidas tributárias.

- É acessível? – Hermione perguntou.

- É. Não tem nenhum sistema de segurança trouxa ou bruxo. Fácil de aparatar nos becos próximos, e todas as casas em volta possuem sótão. É um bairro trouxa, é fácil montar bases de observação neles sem incomodar ninguém. À noite a avenida fica vazia e pouco iluminada, é mais fácil de agir.

- Certo. Então a partir de amanhã, vamos fazer turnos de vigia em diferentes horários e locais. Quero ter uma ideia mais clara da movimentação do lugar antes de invadirmos. Mione, já sabemos o que estamos procurando?

- Eu não faço ideia, Harry.

- Eu estive em Hogwarts, conversando com o chapéu seletor. Ele me descreveu longamente os quatro fundadores, e, acredite, pode ser qualquer coisa. Mas acho que é algo de Ravenclaw. O chapéu deixou bem claro que a maioria das coisas que pertenceu a Gryffindor está guardada com ele, como a espada, uma vez que ele próprio pertencia ao bruxo. Além disso, por mais que ele gostasse de Hogwarts, acho que Voldemort não iria querer um pedaço de sua alma confinado dentro de algo que representava exatamente o contrário de seus ideais e do que pregavam seus ancestrais, sendo o próprio Gryffindor rival de Slytherin.

Passaram um tempo discutindo possibilidades e definindo turnos para vigiarem o prédio. Logo Ron e Mione se retiraram, deixando Harry estudando a maquete.

- Harry?

Algumas horas depois, quando a lua já ia alta no céu, Hermione se aproximou devagar do menino, que estava deitado sobre o telhado da casa, fumando e olhando o céu.

- Como você está? – disse, se sentando ao lado, quando o garoto sorriu para ela.

Ele suspirou fundo e tragou antes de responder.

- Cansado.

- A gente ouviu o Malfoy saindo hoje à tarde.

Harry não respondeu, só tragou.

- Você gosta dele, não gosta?

- Ele é um idiota, vai acabar morrendo. – respondeu com displicência.

- Sabe, ele até que foi civilizado enquanto você esteve fora. Não me xingou, ajudou a cozinhar, não criou problemas com o Ron...

- Eu não quero falar sobre isso, ok, Mione?

- Você vai deixar por isso mesmo?

Harry não respondeu, só continuou a fumar.

- Harry, isso faz mal. – a garota repetiu pela milésima vez.

O garoto sorriu e tragou o cigarro até o fim, atirando a bituca longe. Segurou a fumaça por um tempo, e depois soltou devagar.

- Sabe, eu sinto falta de voar.

- Isso não substitui.

- Não, nem de longe. Mas evita que eu quebre as coisas por aí.

A garota respirou fundo e ficou olhando o moreno por um tempo.

- O que está te perturbando tanto, Harry, que não te deixa mais dormir?

O garoto riu amargurado.

- Você não faz ideia?

- Dormir, talvez?

O garoto riu com vontade.

- Se até você lê minha mente com tanta facilidade, porque eu acreditei que Voldemort ia abrir mão dessa arma tão facilmente?

- Então... – começou a menina, assustada com a confirmação dos seus medos – Mas ele não está te sugerindo coisas, como da última vez, ou está?

- Não, eu acho que ele só anda pensando demais em mim. Ele quer descobrir onde eu estou. Acho que está perturbado com meu sumiço. E direcionando os pensamentos a mim com tanta intensidade acho que eu acabo sentindo os ecos. Nossos treinos de oclumência estão sendo postos a prova, finalmente. Mas espero que ele ainda não tenha percebido isso.

- Então você fica fugindo dele evitando dormir.

Harry estava sério, tenso.

- Será por pouco tempo, Mione. Muito pouco.

Ficaram em silêncio por um longo tempo, deitados lado a lado, olhando o céu.

- Harry. - ela chamou em um tom tenso, como se precisasse dizer aquilo há muito tempo.

- Hum?

- Acharam o Draco.

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