Capítulo 07

Em território inimigo

- O que eu faço com os mapas, Harry?

- Queima! Queimem tudo! – gritou Harry, enquanto recolhia coisas pela casa, explodia algumas, encolhia outras e jogava nos bolsos. Virou-se para a biblioteca e gritou – Incendium! Queimem a casa inteira. Bellatrix não pisa aqui!

- Mas Harry! A casa não é localizável!

- Ela é uma Black, Hermione! Ela já esteve aqui antes que jogássemos qualquer feitiço. Ela conhece a casa! E depois que Dumbledore morreu, perdemos o fiel. Além do que, qualquer outra coisa que nos proteja, Voldemort saberá dar um jeito depois que nos acharem.

- Estão aqui! – Draco alertou. Estava parado próximo à janela do segundo andar, vigiando o largo enquanto os outros três revistavam a casa.

- Quantos? – perguntou Harry.

- Mais de dez, todos do primeiro escalão. Tia Bella à frente.

- Merda! Desça!

Draco pulou os últimos degraus, em seguida Harry apontou a varinha para a escada e repetiu o feitiço, fazendo as chamas se espalharem pelo andar de cima.

- Harry... – Hermione chamou com ar de choro.

- Eu não vou ficar aqui esperando eles me encurralarem, Mione! Se vocês quiserem ir, eu dou cobertura para aparatarem, não se preocupem. Se nos separarmos, nos encontramos em Hogwarts, em até dois dias.

- Não fala merda, vamos com você! – Ron confirmou.

Harry se virou para Draco.

- Você está com a sua varinha?

O loiro confirmou com a cabeça.

- Você não é meu prisioneiro, Draco. Lá fora você terá dois caminhos, siga o que você achar melhor.

E se posicionou ao lado da porta, olhando para dentro, com a varinha em punho.

- Saiam da linha de tiro!

Draco se colocou ao lado dele, do outro lado da porta, a varinha erguida e uma expressão voraz no rosto. Por dentro, ele tremia. Ron ficou na mesma direção que ele, encolhido contra a parede, Hermione no lado oposto, ao lado de Harry.

- Prontos? – o moreno perguntou ofegante, como todos ali, olhando pela última vez para a casa do seu padrinho que ardia alaranjada do fogo.

- Espera! – Ron pediu e puxou Hermione para um beijo profundo. Draco e Harry se entreolharam, incomodados. Os dois ainda demoraram para se separar – Vamos! – confirmou o ruivo depois de um tempo, voltando a sua posição, assim como uma Hermione corada.

Harry confirmou com a cabeça e murmurou um feitiço que desintegrou a porta.

Dezenas de feitiços adentraram a casa, ricocheteando nas paredes, indo se perder no fogo que crescia, devorando tudo à volta. Quando pararam, Harry e Draco pularam para fora, berrando respostas à altura, seguidos por Ron e Hermione.

Espalharam-se pelo largo. A batalha foi longa, cada um lutava com dois ou mais encapuzados. Maldições imperdoáveis voavam a toda volta e Harry não sabia como os vizinhos ainda não tinham chamado a polícia, pois umas duas casas já tinham sido atingidas, desmoronando em parte.

Harry não se preocupava com o nome de quem estava lutando, deu tudo de si, a raiva o queimando por dentro. Mal via onde estavam os companheiros, de tão concentrado na luta. E tentava particularmente não saber quem Malfoy estava atacando ou onde ele estava.

Hermione lutava com dois comensais, começava a ficar cansada, o esforço de resgatar Harry aparecendo. Via Ron lutando com mais dois, do outro lado do largo. Seu coração estava apertado de medo. Só havia passado por situação parecida no dia que invadiram o Ministério, o que foi desastroso. Um raio de luz passou raspando pelo braço de Ron, fazendo-o sangrar. Hermione se desconcentrou na luta e foi atingida em cheio por um raio vermelho no peito. A dor se espalhou pelo seu corpo e ela desmaiou.

Draco havia entrado na luta ao lado de Harry, mas logo se separaram. Ele chegou a duelar contra quatro comensais de uma vez. Aparentemente, o objetivo deles deixara de ser Potter e passara a ser ele, "o traidor", como lhe diziam os gritos de surpresa daqueles que o atacavam.

Draco não teve dúvidas ao usar o sectumsempra contra dois, que jaziam no chão. Não conseguia usar o avada, tinha medo, insegurança, mas não permitiria ser acusado de traidor. Ele nunca jurou lealdade para ninguém. Ele só, finalmente, fez uma escolha.

Draco escutou um grito fraco ao seu lado direito. Hermione caíra no chão, desacordada, e dois comensais se aproximavam dela. Um deles, Draco reconheceu pelo jeito de andar, era sua tia.

- Bella! – chamou antes que a mulher pudesse dar o golpe em Hermione.

Sua tia se voltou para a voz conhecida e desabou para trás com a força do feitiço que levou no peito. Draco assumiu a briga, se colocando entre o corpo inconsciente de Hermione e seus adversários. Mas eles se concentraram, avançando sobre o garoto. Estava novamente duelando com três e, pouco tempo depois, caiu no chão, gritando em dor, com um cruccio vindo de algum lugar que ele não conseguiu prever.

Harry ouviu um grito contínuo que lhe chamou a atenção. Estuporou o comensal com quem estava lutando e se voltou para ver Draco se contorcendo de dor no chão sob a mira de dois comensais, caído perto do corpo de Hermione.

Harry correu até eles, estuporando um pelas costas e assumindo o duelo com o outro. Segundos depois seu adversário caiu estuporado por Ron, que correu até Hermione.

Harry deu a mão para ajudar o loiro, que ainda arfava no chão. Ron reanimou Hermione.

- Você está bem? – a pergunta veio do menos provável ali: Draco.

Hermione sorriu e concordou com a cabeça.

Harry começou a examinar os corpos no chão, que coalhavam o largo, amarrando os vivos e separando os mortos.

- O que vamos fazer? – perguntou Ron.

Harry não respondeu, olhou para o céu e murmurou o feitiço que era mais improvável sair de sua boca.

- Morsmordre - a caveira verde pairou sobre a mansão em chamas. Harry se voltou para eles – Isso vai trazer o Ministério até aqui e afastar outros Comensais. – jogou algumas faíscas vermelhas para o alto – Isso vai trazer a Ordem. – olhou para o chão e murmurou outro feitiço - Roseum - uma rosa vermelha surgiu - Isso vai dizer a Remus que estamos bem. Agora precisamos dar o fora daqui.

- Hogwarts? – sugeriu Ron.

- Não, acho que não. – ponderou Harry – Muita gente sabendo que estamos lá, e o colégio já mostrou que está vulnerável uma vez.

- A Ordem?

- Lá é seguro, mas não vamos ter paz nem para descansar nem para trabalhar.

- Ok, e aí? Ficamos aqui?

Harry ficou quieto um tempo, pensando. Deixou-se cair no chão.

- Ah, estou cansado! Queria um lugar para ficar quieto um pouco... Ron, sua casa está vazia?

- Bem, minha mãe e meu pai passam por lá de vez em quando, mas ficam mais tempo na Ordem. – Ron começou a contar nos dedos - Charlie está trabalhando, Bill está morando com Fleur...

- Eles foram para a França? - Hermine perguntou.

- Minha mãe morreria! – ele reforçou a afirmação negando com a cabeça para a namorada - E ele está na Ordem. Estão no centro de Londres. Mas bem... Os gêmeos estão na loja, Ginny no colégio... É, acho que temos chance. – disse, ignorando que pulara Percy em sua contagem - Além do que, eles chamaram a gente para passar o natal lá.

Harry não respondeu, ele olhava preocupado para o loiro.

- Bem... – Draco começou, entendendo o olhar do outro, a questão passava por sua cabeça também: um Malfoy na casa dos Weasley? – Ah... Vocês sabem de um lugar onde eu possa ir? – perguntou sem jeito.

- Quê? – Ron perguntou, alertando a todos – Claro que você vai para minha casa!

O loiro o olhou surpreso por aquela obviedade em sua voz, assim como os outros dois.

- Cara, – o ruivo continuou – depois de ver você defendendo a Mione daquele jeito, eu não admito que ninguém diga que você não é bem vindo na minha casa.

O loiro sorriu, embaraçado. Ron estendeu a mão para ele, e ele aceitou.

Uma coruja pairou sobre o largo destruído até Harry, que pegou o pergaminho que ela trazia e o abriu, lendo rápido. Amassou a carta e enfiou no bolso.

- Snape. – explicou – Falando do ataque. Chegou tarde dessa vez.

- Bem, vamos? Não quero ficar mais aqui. – pediu Hermione.

Ron e Hermione desapareceram em um "crack". Harry foi até o loiro e pegou sua mão. Aparataram no limite da propriedade Weasley.

- Não era para chegarmos mais perto? – perguntou Harry.

- Hum... Acho que as normas de segurança que instalaram desde a última vez que você esteve aqui ainda estão valendo. Ei!

Hermione desmaiara ao seu lado. O ruivo a segurou e abriu o portão antes de suspendê-la nos braços. Os outros dois o seguiram até a casa, vazia.

- Harry, você conhece a casa, se vira! Vou levar Mione para o quarto da Ginny para cuidar dela. Vai no meu quarto e pegue toalhas e roupas para vocês dois. Podem ficar no quarto dos gêmeos. Procura descansar.

- Não precisa de ajuda?

- Não.

Ron sumiu escada acima, levando Hermione.

- Vem, preciso comer alguma coisa. - o moreno resmungou.

Harry levou Draco até a cozinha e revirou os armários atrás de algo para comer. Achou chocolate, leite e algumas bolachas, era o suficiente. Sentia-se fraco, precisava dormir, mas sabia que não podia. O loiro não quis comer, somente observava tudo com atenção.

- Se você falar alguma merda eu juro que te bato.

Draco sorriu cinicamente.

- Acho que já passei dessa fase, mas agradeço por não ter a penca de ruivos por perto... Relógio legal.

Harry olhou para o relógio sobre a mesa, os nove ponteiros indicando os Weasley apontando para "perigo mortal".

- Eu preferia quando ele se movia mais. Vem, vou mostrar o quarto.

Subiram até o quarto de Ron para pegar roupas limpas e toalhas.

- Cara, ele torce pelo Chudley Channons! – foi o único comentário de Draco.

- Psiu! Você não vai querer acordar o vampiro do sótão. – foi a única resposta de Harry, que sorriu ao ver os olhos do loiro se arregalarem.

Os dois seguiram para o quarto dos gêmeos, no caminho Harry indicou o banheiro.

- Fique à vontade, Draco. Acho que você está bem, não está?

- Você não vai ficar?

- Não. Preciso dar umas voltas. – Harry disse vagamente, fechando a porta.

Draco não pode deixar de pensar que o outro continuava evitando ficar com ele, e isso o incomodou. Mas tomou banho e deitou na cama de solteiro. Acordou perto do meio dia, sentindo fome. Foi até a cozinha, onde encontrou Ron lavando a louça e uma Hermione sorridente sentada à mesa.

- Oi.

- Oi. Você está bem?

- Estou. Obrigada, Malfoy. Estou ficando mal acostumada com vocês três me paparicando desse jeito.

- Onde está o Harry? Ainda dormindo? – perguntou Ron, se voltando para o loiro.

- Não, ele não dormiu. Pelo menos não comigo.

Ron e Hermione trocaram olhares preocupados.

- Eu vou dar umas voltas por aí. Ver se eu acho ele.

O ruivo já estava quase na porta quando esta se abriu e algo parecido com uma pessoa entrou.

- Harry! – Ron se assustou.

- Ah... Oi. Vocês já acordaram.

Harry estava sujo, com gravetos e folhas enroscados nos cabelos e roupas, tinha o rosto cansado, mas feliz.

- Cara, onde você estava?

- Voando. Lembrei que minha firebolt estava aqui, fui dar umas voltas.

- Harry, você voou a noite toda? – perguntou Hermione preocupada.

- Bem, amanheceu logo que eu saí. - ele deu de ombros - Mas eu fiquei voando enquanto vocês dormiam, se é o que quer saber, Mione. – Harry bocejou - Mas não se preocupe, só fiquei entre as árvores, indo até o monte Stoatshead e voltando. Nossa... Preciso comer alguma coisa.

- Cara, você não está bem.

- Acho que agora eu estou melhor do que estive por um longo tempo, Ron. – Harry respondeu, se servindo do que os outros comeram e se sentando à mesa - Desde quando eu não voava? Desde o casamento do Bill, não é? A gente jogou quadribol no dia anterior, lembra? Depois não deu mais.

Ron ficou quieto um tempo, depois olhou Draco de um jeito estranho.

- Ron? – perguntou Mione, percebendo o jeito do namorado.

- A gente podia jogar uma partida de quadribol. Você topa, Malfoy?

- Claro!

- Ron, não! Podemos chamar atenção! – Hermione exclamou.

- Nada que alguns feitiços não resolva. Eu vou! – Harry se propos.

- Harry!

- Ah, joga também, Mione! Daí podemos formar dois times. – pediu Harry.

- Não!

- Vai!

- Não!

- Por favor!

- Não!

- Deixa de ser chata, Granger!

Os outros dois garotos riram da cara indignada de Hermione.

- Até você, Malfoy?

- Vai, amor. – disse Ron beijando o pescoço da namorada e sussurrando algo em seu ouvido, que fez a garota sorrir – Você joga comigo e o Draco com o Harry.

- Não! – Ron fez uma cara indignada com a negativa da namorada – Eu jogo com o Harry. Ele joga bem, eu não sei jogar. Você e o Draco jogam mais ou menos, daí fica equilibrado.

- Quê? – protestou o Draco ao "mais ou menos".

Ron riu.

- Tudo bem.

Hermione teve a melhor visão do jogo. Ron e Draco jogavam razoavelmente bem quando sozinhos, mas parecia que tinham uma enorme resistência a passar a goles para o outro. Do outro lado do campo, parecia um milagre que Hermione conseguisse ficar em cima da vassoura, e Harry demonstrou muita paciência com ela, por isso os dois chegaram poucas vezes aos aros.

Não jogaram com pomo, visto que tinham um apanhador em cada time e se eles saíssem atrás da bolinha não teria como continuarem. O jogo acabou empatado, sessenta a sessenta, quando começou a escurecer.

Tomaram banho e foram para a sala. Começara a chover. Ligaram o rádio e ficaram conversando durante um tempo, tomando chocolate quente. Ron estava deitado sobre as pernas de Mione, que se se encostou ao sofá, onde Harry estava deitado. Draco se jogou em uma poltrona.

Falaram sobre quadribol, sobre os irmãos de Ron, sobre a passagem de Mione e Draco na França, sobre quando estavam no colégio, rindo das brigas do passado.

- Ah! – Harry se sentou bruscamente no sofá, acordando assustado.

Harry cabeceava há quase meia hora. Quando ele começou a dormir, Mione desligou o rádio para não atrapalhar. O garoto mergulhou em sono profundo e voltou a ouvir a voz que lhe atordoava, acordando e assustando a todos. Hermione pegou sua mão e a beijou, ele se deitou novamente, levando as mãos ao rosto.

- Maldito! Por que ele não vai cuidar da vida? Fica azucrinando os outros... Me deixa dormir! Eu estou cansado, porra! Ele não dorme? Fica aí... Harry Potter, Harry Potter - falou na língua das cobras, balançando a cabeça e imitando a voz chiada de seus sonhos com deboche – Cala a boca! Vai tomar no cu, mestiço nojento!

- Harry! – chamou Hermione, o reprimindo.

Ron começou a rir.

- Cara, parece o Malfoy falando, xingando a gente. - ele se jutificou - Nunca que Harry Potter xingaria Você sabe quem de mestiço!

- É verdade, Potter. Isso não é coisa do "Eleito" falar? Assim vai acabar sendo acusado de ser Comensal! – Draco disse em falso tom de reprimenda, sorrindo para o moreno.

- Ah, cala a boca vocês também. – Harry respondeu, atirando uma almofada no loiro.

Draco e Harry acompanharam Ron nas risadas. Hermione parecia dividida, preocupada demais.

Uma porta bateu, quebrando o clima. Harry se sentou rápido e acenou para Ron com a cabeça. Os dois pegaram as varinhas e se aproximaram da cozinha devagar. Draco e Mione levantaram também, se armando. Escutaram vozes na cozinha.

- Molly, pode preparar um chá para mim? Estou com uma dor de cabeça terrível...

- Pai? Mãe? – chamou Ron, incerto.

- Ron! – a senhora Weasley o abraçou logo que entrou na cozinha, entre surpresa e feliz – Céus, você está bem! Ah, Hermione, que bom... E você também, Harry, querido. Como está abatido e... Oh, Merlin! Arthur!

Draco acabara de entrar na cozinha e o senhor e a senhora Weasley o olhavam assustados.

- Ah... Mãe... Acho que vocês conhecem Draco Malfoy... Bem... Achei que vocês não se incomodariam se ele ficasse um tempo aqui com a gente.

O senhor e a senhora Weasley se entreolharam. O senhor Weasley parecia estar com alguma coisa atravessada na garganta.

- Eu... Bem... Claro, seja bem vindo. Por favor, sente-se, querido. Aceita uma xícara de chá? Acho que faria bem a todos nós.

- Sim, obrigado. – Draco respondeu tímido, mas não sentou, se encolheu contra a parede, atrás de Harry.

O silêncio tomou conta da cozinha. O senhor Weasley depositou um jornal e alguns papéis sobre a mesa e se sentou. Depois se dirigiu ao loiro.

- Bem... Eu sinceramente lamento, Malfoy.

- Pelo quê? – Draco perguntou emburrado. A última coisa que queria era pena daqueles seres.

- Seu pai. Eu só soube hoje à tarde.

- Quê? – Draco perguntou assustado.

- Nós não recebemos notícias há muito tempo, senhor Weasley. – alertou Harry.

- Então você não sabe? Eu... Eu realmente lamento muito, Malfoy...

E o senhor Weasley ofereceu o Profeta Vespertino para Draco, que o desdobrou temeroso. Seus olhos bateram na primeira página e se arregalaram por um momento. Ele ficou mortalmente pálido e suas mãos começaram a tremer. Ele olhou a todos à volta, apavorado, andando para trás até bater na porta, que se abriu. Então o loiro correu para fora, deixando o jornal cair no chão.

- Draco! – Harry gritou e correu atrás do loiro. Mas seu olhar caiu sobre a folha no chão, o fazendo nausear antes de sair.

Na manchete, a ameaça: fuga em massa de Azkaban logo após prisão histórica. Mas isso não abalaria Draco. O pior era a foto. Abaixo havia duas fotos lado a lado, uma da mansão Black pegando fogo com os corpos em primeiro plano. A outra era terrível. Um corpo jogado no chão pedregoso na ilha de Azkaban. Os cabelos muito loiros esvoaçando. O ângulo estranho dos membros e do tórax não permitia que se visse o rosto, mas era um homem. E ao lado do corpo, escrito na terra com, provavelmente, o sangue do próprio homem, sete letras sentenciais: Traidor.

- Draco!

Draco corria pelo jardim lamacento, sem se importar com o frio ou com a chuva forte.

- Draco! – Harry correu para alcançá-lo, pegando-o pelo braço – Draco!

- Me solta! – Draco gritou, ele vagava pelos jardins sem saber aonde ia, as mãos correndo pelos cabelos loiros molhados, os olhos perdidos.

- Draco!

- Eu vou matar aqueles desgraçados! – ele começou a gritar febrilmente - Eu vou MATAR! Devia ter matado quando tive chance... Eles... Eles... MALDITOS! Meu pai! Meu pai!

- Draco!

- Ele morreu por minha causa! EU o matei! Eu matei meu pai! Ele nunca foi traidor! Nunca! Eu fui... Eu...

- Não! – Harry tentou alcançá-lo, mas Draco correu – Draco!

O loiro caiu de joelhos, abraçando o corpo, e gritou, alto, com todas as forças que tinha, gritou até acabar o fôlego, baixando a cabeça até o chão. Então ficou abaixado, o corpo se balançando com seus soluços.

Harry se aproximou com cuidado e puxou seus ombros para cima. Para sua surpresa, Draco o abraçou com força, chorando descontrolado. Harry não sabia o que dizer, não sabia o que fazer. Levantou as mãos, sem jeito, e passou de leve nos cabelos do loiro. Os soluços aumentaram. Simplesmente apertou o corpo do outro com força contra o seu, deixando que chorasse.

- Meu pai... Meu pai... Pai... – Draco resmungava no choro.

Quando seus joelhos começaram a doer, Harry ergueu o corpo, levando o loiro junto, que se deixou conduzir, o corpo mole, sem parar de chorar, sem soltar o moreno.

Harry o conduziu de volta para a casa. Ao entrar na cozinha, percebeu os olhares de todos ali. Simplesmente acenou com a cabeça e subiu com o outro para o quarto dos gêmeos.

Draco continuava chorando. Harry fechou a porta com o pé e o envolveu novamente com os braços. Draco o abraçou, mas com menos força, parecia fraco. Harry começou a tirar a camisa do loiro. Draco se afastou e olhou o moreno.

- O-o o que vo-você ta fazen-zendo? – perguntou entre soluços.

- Não quero que você fique doente. – Harry respondeu simplesmente - Estou tirando sua roupa molhada... Vem.

Harry o empurrou para trás, tirando os sapatos do loiro com os próprios pés enquanto andavam, e o levou para a cama. O loiro deitou, encolhido. Harry tirou sua camisa e sapatos também e voltou a abraçá-lo.

- Chora, Draco. Chora o quanto você quiser... Eu vou ficar aqui, do seu lado, ok?

Draco se aconchegou nos braços do moreno e voltou a chorar.

Quanto tempo o loiro chorou? Harry não saberia dizer. Ele chorou até dormir. Harry o olhava com ternura, enxugando suas lágrimas e fazendo carinhos pelo seu rosto.

Algumas horas depois que Draco dormiu, a porta do quarto se abriu com cuidado e alguém depositou algo sobre as caixas perto da porta.

- Oi? – perguntou Harry, baixinho.

- Sou eu, querido. Durma. – respondeu Molly com a voz trêmula em um sussurro. Ela sabia que os dois garotos estavam dormindo no mesmo quarto, mas foi um choque encontrá-los seminus e abraçados daquela forma.

- Não. Eu não consigo dormir. Queria falar com a senhora. Espere...

Harry começou a se mexer devagar, tentando sair do abraço do loiro sem incomodá-lo, tirando a mão de sua cintura com cuidado e puxando um travesseiro para substituir seu braço sob a cabeça do outro.

Quando levantou, sacudiu os cabelos molhados e esticou o corpo.

- Ah, a senhora trouxe cobertas! Obrigado.

- E um lanche também.

Ele apanhou um cobertor e o jogou sobre o corpo do loiro, que se virou na cama, resmungando, depois saiu do quarto com a bandeja na mão, se sentando nos degraus da escada. Molly se sentou ao lado dele.

- Como ele está?

- Péssimo. Mas vai ficar bem, ele é forte.

- Vocês... hum... O que há entre vocês, querido?

- Bem, nada no momento. Mas... Bem...

- Tudo bem. Eu entendo. – Molly tentou mudar de assunto, constrangida – Foi bom você estar acordado. Ron e Hermione também já se recolheram. Eles estão namorando, não? – Harry confirmou com a cabeça, sorrindo de leve, a senhora Weasley continuou - Eu precisava avisar alguém que eu e Arthur vamos voltar para a Ordem daqui a algumas horas. Ele tem plantão esta noite.

- Tudo bem. É provável que quando vocês voltarem, nós também não estejamos mais aqui.

- Aonde vocês vão, querido?

- Eu preciso cuidar de algumas coisas, senhora Weasley. Preciso terminar o que comecei.

- A sua casa...

- Ah, sobre isso. Senhora Weasley, eu não vou ter tempo de, bem, procurar outro lugar para ficar por enquanto, será que posso deixar algumas coisas minhas aqui?

- Tudo bem, querido. Deixe o que quiser no quarto do Ron, saberemos que é seu.

- Ok. – Harry parecia tenso, demorou um pouco para continuar – Senhora Weasley, eu não quero colocar ninguém em risco. Vocês da Ordem já devem ter percebido que o que eu estou fazendo não é algo simples. Bem, Ron e Hermione teimam em me acompanhar. Mas Draco... Eu não gostaria que ele... Bem, ele não tem para onde ir... Será que ele pode ficar aqui?

- Claro, querido. – Molly respirou fundo – Se você confia nele para isso, eu também confio. Mas acha que ele aceitaria ficar aqui, sozinho?

Harry respirou e começou a comer devagar.

- Senhora Weasley, o que aconteceu exatamente? Eu não pude ler o jornal...

- Bem, o jornal contou que os aurores encontraram o largo destruído e os Comensais reunidos sob a marca negra em frente à casa dos Black. O que aconteceu antes disso você deve saber melhor do que eu. Mas, bem, eles foram levados para Azkaban. Horas depois, antes de amanhecer, um grupo de comensais acompanhados por dementadores e lobisomens invadiu a prisão e libertaram todos que estavam lá. Aparentemente houve um... Um conflito entre os Comensais que haviam sido presos na madrugada e um dos prisioneiros antigos, Lucius Malfoy, que acabou assassinado de maneira bárbara. Todos os outros fugiram, os guardas foram mortos, somente dois sobreviveram, por terem se jogado no mar logo no começo do ataque. Foi um massacre.

Harry tentava engolir o lanche, mas sua garganta estava fechada, o estômago se diluindo em raiva. Deixou o resto do sanduíche na bandeja e passou as mãos no rosto nervosamente.

- Harry...

- Eu estou bem. Se importa de levar a bandeja de volta? Eu mesmo não levo pois não gostaria de deixá-lo sozinho. E é melhor ele não comer, mais um incentivo para que desça quando acordar. – pediu angustiado, tateando os bolsos até achar o maço de cigarros.

Harry sacou um cigarro e ia levando-o à boca quando se deparou com o olhar triste de Molly. Ele o pegou na mão novamente e ficou girando entre os dedos.

- Pode me fazer mais um favor? Jogue isto fora para mim? – perguntou, colocando o maço e o cigarro solto sobre a bandeja.

- Com muito prazer, querido. – Molly respondeu sorrindo.

- E... a senhora tem pena e pergaminho aí?

Ela remexeu os bolsos das vestes, tirando uma pena amassada e um pedaço de pergaminho pequeno.

- Edwiges já chegou? – Harry perguntou enquanto escrevia.

- Sim. Ela veio do largo?

- Acho que sim. Quando saímos, ela estava caçando. Mas acho que ela já sabe que pode me encontrar aqui. Olhe, peça para ela entregar isso, sim? É urgente.

Harry entregou o pergaminho rasgado em dois e se levantou. Já estava com a mão na maçaneta da porta do quarto, quando parou.

- Senhora Weasley...

- Sim, querido.

- Eu... Você tem notícias da Ginny?

- Ela está bem. – a mulher respondeu sorrindo. – Ela me contou que vocês namoraram durante um período no ano passado. Ela ficou triste por um tempo, mas já está melhor. Ela te entendeu.

- Senhora Weasley, eu... Eu... Eu acho que eu não vou poder vê-la por muito tempo e... Será que você poderia dar um recado para ela?

- Claro, querido.

- Diga que eu sinto muita, muita falta dela, mas que eu estou bem. Pode falar que eu estou me envolvendo com outra pessoa, mas que eu não me esqueço dela por nem um minuto. Diga que eu quero que ela seja feliz... Não importa o que aconteça.

- Você não vai voltar com ela, mesmo que tudo acabe, não, Harry?

- Não... Acho que não.

- Eu falo, fique tranquilo. Agora vá, que tem alguém que precisa muito de você.

E Molly desceu as escadas devagar.

Harry levou a mão à boca e correu ao banheiro. Vomitou compulsivamente pela quarta vez desde que chegara à Toca. Olhou-se no espelho nervoso e preocupado, antes de entrar no quarto e se acomodar novamente na cama apertada, abraçando o loiro por trás carinhosamente.

o0o

Draco acordou e demorou um tempo para se lembrar de onde estava. O quarto ainda estava escuro, mas raios de sol passavam pelas venezianas e caiam sobre as caixas empilhadas a um canto, mostrando que o dia já ia longe. A visão das caixas com o símbolo das Gemialidades Weasley fez com que as lembranças o atingissem com força total, não só de onde estava, mas também do porque se sentia tão mal.

Quis se levantar, mas uma mão caía pesadamente sobre sua cintura. Draco tentou afastá-la, mas ela se recolheu sozinha ao sentir seu movimento. O loiro girou o corpo no abraço do moreno, se virando de frente para ele. Harry tinha o rosto cansado, obviamente não dormira a noite toda, novamente.

- Oi.

- Oi. Como você está se sentindo?

Draco suspirou e respondeu simplesmente.

- Vazio.

Harry o beijou na testa com carinho.

- Eu sei como é... Mas saiba que você não está sozinho.

Draco se acomodou melhor junto ao corpo do moreno, pensando em tudo o que havia passado, na raiva que sentia, na tristeza. E então percebeu que o moreno passou pelo mesmo, senão por coisas piores que ele.

- Como você aguenta tudo isso? – perguntou, amargurado.

Harry tivera a noite inteira para pensar sobre a situação, sobre o que acontecera, sobre como Draco estaria se sentindo e o que ele mesmo sentia. Não foi difícil responder àquilo.

- Você é mais forte que eu, Draco. Eu tive tempo de me acostumar. Quando eu perdi meus pais, eu era muito pequeno. Quando eu fui sentir falta, já tinha aceitado o fato. Tudo o que aconteceu comigo, eu meio que tive um tempo para respirar antes que algo pior viesse. Você viu o chão sumir de uma vez só, e está de pé. Eu te admiro muito.

Harry precisava falar algo que o perturbou durante a noite toda, mas sentia medo de tocar no assunto, tinha medo dos sentimentos do loiro, sabia que a ferida era muito recente ainda, mas tinha que falar.

- Draco, sobre o que você falou ontem... Sobre você ser o culpado pela morte do seu pai... Draco, você sabe que isso não é verdade, não sabe?

Draco sentiu a dor o afligir de novo e desviou o olhar com uma careta, fazendo força para não chorar. Harry passou a mão por sua face, o forçando a olhá-lo de novo. As lágrimas manchavam o rosto do loiro mais uma vez, mas ele respondeu muito racionalmente.

- Eu fiz minhas escolhas, Harry. Não finja que isso não interferiu... Que o fato de eu ter lutado contra os comensais na sua casa não teve nada a ver com o fato de meu pai ser encontrado morto com a acusação de traidor. – Draco suspirou, engolindo um soluço, e continuou – Por favor, Harry, não me cobre uma posição agora. Você tem sorte, você sabe o que fazer. Quando eu achei que sabia, a coisa que eu mais temia aconteceu como consequência. Quando eu escolhi ser Comensal, mataram minha mãe. Quando eu escolhi não ser, matam o meu pai. – as lágrimas caíam pelo seu rosto – Eu tenho escolhas, Harry? Ou sou só um brinquedo na mão dos outros?

- Ei! – Harry o acalmou, limpando suas lágrimas – Calma...

Harry esperou o loiro normalizar a respiração para voltar a falar.

- No fundo você sabe o que fazer, Draco. Você tem seus valores, tem seus guias. Eu também tive escolhas, Draco, e as minhas eram muito mais extremas que as suas. Eu podia ter me negado a entrar no mundo da magia. Podia ter escolhido ser da Slytherin e ter a mesma formação que você, o chapéu seletor me ofereceu isso. Você me ofereceu isso. Eu podia ter me unido ao Lord. Ele não chegou a me oferecer essa chance, mas eu tive oportunidade de me interessar pelo mesmo que ele, ele mesmo chegou a me mostrar o quanto somos parecidos. Tem até uma profecia que fala sobre isso, tentando me dizer o que fazer, você já deve ter ouvido falar. A cada passo que eu dou, mesmo que seja com a intenção de destruí-lo, ainda tenho a opção de me tornar um novo Lord, Draco. Mas eu faço meu caminho. Todo o mundo bruxo espera algo de mim, mas somente eu vivo a minha vida, entende? E já perdi e ganhei muito com isso. É o mesmo com você. Você é inteligente, Draco. Você sai dessa.

O loiro o olhou nos olhos, se perguntando quando a opinião que um tinha do outro mudou tanto assim. Harry o olhava com reverência.

- Você parece um anjo de mármore chorando. – ele disse, afastando os cabelos loiros dos olhos do outro – Tão perfeito... Uma tristeza tão simples que parece que não há nada mais bonito.

Draco sorriu, plenamente consciente de que devia estar com olheiras, olhos inchados e o nariz vermelho, sem falar do resto, acabara de acordar. Mas sorriu, e isso bastou para que Harry sentisse um peso cair de seus ombros.

- Harry... O que está acontecendo entre a gente?

Harry se assustou com a pergunta. Não saberia responder, mesmo que seu silêncio se arrastasse por muitas horas a mais que os minutos que se seguiram.

- Eu não sei, Draco. Eu não sei. – mas o abraçou com mais força.

Os dois ficaram assim, deitados abraçados, se olhando durante muito tempo.

- Vamos descer? Você deve estar com fome. – Harry sugeriu com cuidado. Como o loiro não respondeu, ele achou bom comentar – O senhor e a senhora Weasley saíram durante a noite, só estamos nós quatro novamente.

Draco concordou com a cabeça e se levantou.

Quando os dois entraram na cozinha, Ron e Hermione estavam sentados conversando.

- Ah, Draco... – Hermione pareceu se conter para não abraçá-lo.

- Eu estou bem. – disse sorrindo.

Os dois se sentaram à mesa. Harry tirou algumas miniaturas do bolso e se voltou para Ron.

- Ron, sua mãe permitiu que eu deixasse umas coisas aqui. Você pode levar isso para o seu quarto?

- Claro.

O ruivo pegou as coisas e subiu as escadas. Enquanto isso Hermione separou alguma coisa para os dois comerem, Draco se serviu, Harry ficou olhando, com medo.

Ela esperou o ruivo voltar para falar.

- Nós já vamos, Harry?

- Estou só esperando uma resposta, Mione. Mas não vai demorar.

- E o que você está pensando em fazer?

- Espera.

A cozinha caiu em silêncio. Somente Draco comia, os outros três estavam tensos.

Uma coruja castanha entrou pela janela quase uma hora depois. Harry a apanhou e leu. Dobrou a carta e não falou nada. Uns quinze minutos depois, outra coruja entrou. Harry leu e passou as duas cartas para que o ruivo e a amiga lessem enquanto escrevia e mandava uma terceira, que Hermione leu antes que Edwiges partisse.

- Harry, o que significa isso? – Hermione perguntou, rígida.

- Significa, Mione, que eu tomei uma decisão.

- Significa que você está se precipitando, isso sim. – Ron reagiu.

- Eu só estou fazendo o que eu tenho que fazer.

- Convocar a Ordem e Snape para uma reunião em Hogwarts hoje à noite? É isso o que você tem que fazer?

- Eu pedi que Snape levasse Nagine como prova de sua lealdade à Ordem.

- Quê? – Hermione perguntou assustada – Harry, se Voldemort souber...

- Se ele souber, Snape vai do mesmo jeito, porque ele vai tentar descobrir o que a gente quer com ele e a cobra, e é isso que importa. Voldemort vai perder sua última horcrux hoje. Nessa reunião, o Snape sendo fiel à gente ou não, eu vou montar o ataque a Voldemort.

- Harry, ainda falta uma! Ainda falta uma horcrux que a gente nem sabe onde está e muito menos o que é.

- A gente vai buscar agora. Eu tenho quase certeza que está na Borgin&Burkes.

- Quase! – exclamou Hermione, exasperada.

- Eu estou fazendo minhas apostas, Mione! Está na hora de arriscar!

- Para quê, Harry? Não estávamos trabalhando bem daquele jeito? Só invadindo quando tínhamos mais dados em mãos! É em uma loja de artigo das trevas na Travessa do Tranco em que nós vamos entrar!

- E você não acha que já sabe o suficiente, Mione? O que você quer mais? Uma semana plantada em algum ponto do Beco Diagonal, olhando o movimento? O movimento é composto por dezenas de bruxos com comensais infiltrados. Eu não preciso saber mais nada além do que já sei. Eu, você, Ron, a gente pode fazer isso. E eu quero acabar com isso o mais cedo possível.

- Isso é suicídio! – exclamou Hermione, exasperada.

- Harry, você não precisa fazer isso. Cara, não é por causa daquela merda de profecia que...

- Foda-se a profecia! – Harry gritou, assustando os outros - Eu não estou fazendo isso porque aquela vaca ou outra pessoa qualquer me falou para fazer! Eu não vou atrás de Voldemort porque ele é o cara mau da história! Eu não estou destruindo as horcruxes porque Dumbledore quis! Eu quero matar aquele desgraçado porque eu ouvi ele matando meus pais às gargalhadas! Porque eu ouvi ele ordenar friamente a morte do Cedric! Porque eu vi Sirius morrendo por causa dele! Porque eu vi os pais do Neville ignorarem o filho por causa dele! E tantos outros que eu vi chorando e sofrendo por causa dele! E eu vou matar ele, porque eu acredito que eu posso fazer isso! Ou pelo menos, eu posso enfraquecê-lo o suficiente para que outro o mate! Não é suicídio, Mione! Suicídio é continuar nessa vida, lutando na rua, sem poder viver em paz! E vou fazer isso AGORA, PORQUE EU NÃO TENHO TEMPO! Porque esse maldito está me enfraquecendo, está me destruindo! EU VOU MATAR ELE, HERMIONE, ANTES QUE ELE ME MATE!

Um silêncio seguiu aos gritos de Harry. Ele debruçou a cabeça sobre a mesa, tentando respirar.

- O que está acontecendo, Harry? - Hermione perguntou, sua voz tensa.

Harry passou a mão no rosto, nervoso.

- Nada. – respondeu seco.

Ron e Hermione o encararam, a descrença estampada no rosto de cada um. O silêncio se seguiu, como um espaço para que Harry voltasse atrás, mas ele olhava para o outro lado da cozinha.

- Fala, merda! – gritou Ron, batendo a mão fechada no tampo da mesa.

Harry o encarou firme.

- Eu não sei o que está acontecendo, ok? Eu estou... estranho... Desde... Desde que a Mione me... Ah, cara! – Harry passou a mão nos cabelos.

- Harry. – Mione chamou baixinho, o incentivando a continuar.

- Ele não me deixa dormir há quatro meses. Eu tenho medo de dormir! Acho que não prego os olhos por mais de 15 minutos consecutivos há semanas. E agora eu não consigo comer. Nada. Tudo o que eu ponho na boca, meu corpo devolve. Eu não posso controlar. Desde que...

Ele voltou a baixar a cabeça. O silêncio pesou.

- Harry... Você... Você... MAS QUE MERDA, VOCÊ NÃO FALA NADA!

- E o que você queria que eu falasse, Hermione? – Harry perguntou, cansado.

- Você pode estar doente... Uma virose, sei lá!

- Mione, desde que eu acordei, lá no largo, meu estômago joga para fora tudo o que eu ponho na boca! Você acha mesmo que é uma virose? Eu não sei o que ele fez comigo, só sei que a cada minuto que passa, eu me sinto mais fraco. Mas não importa.

- É claro que importa! Você precisa ir para o Saint Mungus agora!

- Não! Você acha que eles vão conseguir fazer alguma coisa, Ron? E eles não vão me deixar sair de lá.

O silêncio seguiu novamente, Hermione andando de um lado para o outro, nervosa, Ron batendo a mão fechada sobre a mesa de modo ritmado, pensando.

- E aí, vocês vão comigo?

Ron olhou com raiva para o amigo.

- Mas é claro!

Hermione concordou com a cabeça. Harry se voltou ao loiro, que estava observando a cena mudo.

- Você fica. – decretou Harry.

Draco ergueu uma sobrancelha e assumiu seu ar arrogante, falando arrastado.

- Mas é claro que não. Quem você pensa que é para me dar ordens, Potter? Eu vou com você!

Harry cruzou os braços sobre o peito e encarou o loiro, que estreitara os olhos e o encarava em resposta, medindo forças.

De repente, Draco se levantou e seguiu em direção à lareira, apanhando um punhado de pó de flu do vaso que ficava ao lado e sumindo nas chamas verdes antes que Harry pudesse impedi-lo.

- Draco, não!

- Borgin e Burkes!

Porém, a quantidade de pó fora grande demais, mantendo a ligação entre as lareiras abertas. Harry, Ron e Hermione, se alinharam, esperando ouvir a explosão do outro lado.

- Bom dia, Borgin! – a voz do loiro soou fria e autoritária do outro lado do fogo.

- Senhor... Senhor Malfoy! Eu não esperava vê-lo tão cedo. – a voz do lojista soou insegura.

- Mas você não me viu, meu caro! Estupore! Obliviate!

Um estrondo e o barulho de algo caindo do outro lado. Houve um momento de silêncio, então a voz do Draco voltou a soar.

- É melhor vir logo, Potter. Eu não vou fazer o seu trabalho!

- Slytherin arrogante filho da puta! Você é foda, Draco! – disse Harry mal humorado, sinalizando para os outros dois e entrando na lareira.

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NA: Oi, pessoas! Espero que tenham gostado do capítulo depois de tanta demora, desculpem! Desde que eu comecei a escrever a fic, eu pretendia levá-los para a Toca em algum momento, como um suspiro, um capítulo mais ameno. Mas acho que as ações do Draco não poderiam ficar sem consequências, sem mais. Mesmo assim, eu gostei do rumo que as coisas tomaram. O oitavo capítulo está quase na metade, mas como vou viajar agora na páscoa não sei quando vou poder postar. Mas, surpresa: ele virá acompanhado por uma capa, pra fic ficar mais bonitinha.

Continuem lendo e comentando, por favor! Preciso muito de vocês! Huahuahua

Beijos