Capítulo 3 (final) - Pensieve

Assumiram um para o outro o incomensurável amor recíproco. Jamais, não obstante, imaginaram ter de lidar com a opinião alheia tão subitamente. Encarar Colin não parecia tão difícil quanto encarar Ginny, encarar Hermione, encarar Dumbledore... Não! Definitivamente, aquilo tinha de ser uma coisa só deles. Nunca seriam capazes de encara-los. Não destruiria a máquina de Colin ou usaria algum feitiço contra o garoto, mas definitivamente, o que mais apavorava Harry era a possibilidade de ter de esquecer o romance com Ron por conta da opinião alheia. Ron parecia ainda mais confuso e desnorteado que seu amado.

Colin partia dali com uma expressão difícil de se distinguir. Não parecia feliz ou triste, mas um brilho de satisfação certamente passava por seu olhar. Mesmo Ron tendo dito algo ao garoto, ele não parecia disposto a esperar. Foi em pouco tempo, menos do que gostariam, que os amantes se recompuseram e novamente se viram em uma noite tensa que parecia longe de acabar. Harry jamais permitiria que o incidente diminuísse seus sentimentos, mas não podia ter certeza quanto à Ron. Logo provava-se mais uma vez equivocado em desconfiar da intensidade dos sentimentos do ruivo. Não saiu imediatamente atrás de Colin, ao invés disso parou e disse que eles precisavam pensar no que fazer. Mais. Debruçou-se sobre Harry como que buscando apoio, dizendo ter medo.

Ambos tinham medo, muito a se perder. Decidiram por falar abertamente com Colin. Eles, afinal, estavam errados em estarem em um lugar onde qualquer um poderia entrar, mas também errado estava Colin de capturar tão intimo momento entre dois amantes. Encontraram Colin na Sala Comunal de Gryffindor. O garoto parecia esperar por eles, ainda em sua indescritível superioridade e satisfação. Crescera ao longo dos anos, não era mais um mero fã do "garoto que sobreviveu". Em seu ano tornara-se o melhor aluno em fútil esperança de chamar a atenção de Harry. Parecia disposto a se destacar por seus atos e seu esforço nos estudos. Mais do que fã, Colin tornara-se fanático por Harry Potter. Conseguira, enfim, algo que poderia usar em seu favor.

E que favor? Não sabia ao certo o que queria. Há tempos sentia uma atração por Harry Potter que atribuíra à sua idolatria. Seguiria os passos dele e tentaria o destaque. De repente pegou-se presenciando seu ídolo despido demonstrando emoções que antes Colin nem ousava mentalizar, ao menos não com ele. Não acreditava na mera coincidência de ter presenciado aquela cena e a partir daquilo acreditou ter descoberto o que realmente sentia. Sentiu-se vibrar e excitar com aquele momento e atribuiu a tal desejo o nome de amor.

Visivelmente envergonhados por terem de encarar Colin, Harry e Ron sentaram-se nas suntuosas poltronas vermelhas da Sala Comunal de Gryffindor, banhada pela bruxuleante iluminação advinda dos candelabros afixados às paredes. Mais algumas horas e amanheceria um dia muito diferente do anterior. As nuvens se dissipavam rapidamente exibindo uma lua crescente a invadir as torres de Hogwarts pelas janelas elevadas, banhando os rostos dos três com luz opaca e fria. Silenciosos por minutos que se arrastavam por horas; estáticos como se atingidos por um feitiço de paralisação, Harry e Ron sabiam que teriam de agir.

Quebrou o silêncio, enfim, Harry. Tentando parecer descontraído e casual, falhando enormemente, o garoto tentava explicar a Colin o recém-descoberto sentimento recíproco que desenvolvera por Ron. Colin parecia interessado em ouvir Harry, mas nem um pouco abalado. Como se tivesse um ponto e o mantivesse, o jovem loiro de 15 anos olhava profundamente nos oculares verdes de Harry como se não estivesse prestando atenção a alguma palavra do garoto sobre seu verdadeiro amor pelo ruivo. Convicções...

Quando Harry, enfim, acabou de contar a verdade sobre Ron a Colin, o loiro pareceu colocar em prática um discurso de palavras feitas que gastara tempo planejando durante a noite. Resumindo uma longa história de sentimentos desde que leu sobre Harry em livros, Colin contou ao garoto, enfim, do sentimento que passou a sentir pelo mesmo. Por anos acreditou que via em Harry um exemplo, um ídolo, um deus, mas era mais do que isso. Ao ver aquela cena explícita no banheiro suas entranhas pareceram gritar-lhe a verdade. Mais do que admiração, Colin estava apaixonado por Harry, de uma maneira que Harry não poderia imaginar. Em uma mesma noite quando Harry descobrira com Ron o sentimento não corrompido de amor, estava descobrindo um sentimento diferente que aquele loiro manifestava por ele. Não era o mesmo amor.

Colin acreditava cegamente no que dizia sentir por Harry, mas o garoto de olhos verdes bem sabia como era diferente o que o loiro sentia por ele e o que ele sentia pelo ruivo. Colin não estava errado em seus sentimentos, apenas era diferente de Harry. Seu desejo por ele foi despertado ao ver uma cena muito íntima. Admitia que queria sentir Harry em si do modo como vira Harry sentir Ron. Queria ter Harry por uma noite, sentir todo o prazer que aquele garoto podia lhe oferecer. Harry sentia-se constrangido com a facilidade com que Colin falava do que viu e o que queria em detalhes vulgares. Tanta naturalidade sobre um assunto que a ele era tão difícil para expressar. De fato, Harry não precisava se expressar, a linguagem dele com seu amado era silenciosa, coisa que só a reciprocidade de um sentimento permitia.

Harry tinha certeza de que aquilo que Colin sentia não era amor de verdade. Como se fosse "amor" um sentimento por seu corpo ao invés de sua pessoa. Dizia se importar com o garoto e conhece-lo há tempos, mas não era capaz de entender verdadeiramente os sentimentos de Harry. Era volúvel, pouco depois de Harry explicar que não poderia satisfazer aquele desejo de Colin; explicar de seu sentimento por Ron; Colin apenas aceitou com uma expressão de desapontamento momentâneo. Um suspiro e parecia ter superado! Aquilo era seu amor? Tão fácil de falar e tão veloz para se dissipar?

Definitivamente, o loiro de 15 anos tinha ainda muito a aprender, muito a viver antes de saber o verdadeiro significado de se amar alguém. Admiração e simpatia não significavam "quase amor". Harry gostaria de pensar que suas palavras fossem entrar na mente de Colin, mas pelo modo como ele simplesmente concordava, Harry sabia que não precisava se preocupar, em uma semana o loiro estaria numa nova etapa com um novo "amante". Amor? De jeito nenhum. Paixão? Pouco intenso para ser. Difícil definir aquele tipo de sentimento em uma palavra, mas talvez houvesse uma, ideal para ele: sexo.

Pareciam ter terminado o assunto e se levantavam para irem a seus respectivos dormitórios, quando Ron lembrou-se oportunamente da fotografia que gerara tudo aquilo. Parecendo já completamente renovado, Colin disse para não se preocuparem. Afirmou que apenas se divertiria por algum tempo e jamais deixaria ninguém vê-la, era uma promessa em devoção ao que acreditava ter sentido por Harry. Não estragaria a felicidade alheia apenas por sua frustração. Sem muitas escolhas, Harry e Ron se viram forçados a aceitar aquela estranha e, mesmo, pervertida decisão. Se fosse, afinal, verdade, estaria tudo tranqüilo. Se havia algo de positivo era o fato de terem uma pessoa para quem contarem sobre seu recém-instaurado romance. Poderia ser útil no futuro, uma opinião de fora acerca deles.

O céu já se tornava azul, ainda que escuro, quando Harry e Ron subiram para seu dormitório. Nunca uma noite em Hogwarts fora tão longa e cheia de eventos. Sentiam-se como se tivessem vivido um ano inteiro em uma noite e seus membros estavam exaustos. No quarto todos dormiam sem suspeitar de algo e os dois amantes se permitiram um "boa noite" extremamente carinhoso e cálido antes de irem para suas camas ficarem se observando até o peso das pálpebras se tornar mais forte e eles literalmente desmaiarem de sono.

Não fora uma linda manhã pois quando finalmente abriram os olhos era tarde. Não foi um lindo despertar pois Hermione viera chacoalhar os dois após todos os intentos anteriores fracassarem. Acordaram, enfim, grogues de sono. Parecia que haviam acabado de se deitar e o corpo recusava veementemente obedecer a necessidade de se levantar. Harry parecia ter se esquecido de que naquela tarde teria a desagradável companhia de Snape em suas inesgotáveis detenções. Finalmente o corpo de Harry cedeu lugar àquele incômodo calafrio que a lembrança provocou. Chegara a odiar Hermione por perturbar seu sono tão perfeito marcado com imagens de Ron e no momento seguinte sentia-se feliz por ter alguém como ela para lembra-lo de que ainda era aluno em Hogwarts e ainda tinha obrigações.

Ao mesmo tempo Ron acordava também inebriado pelo sono e exaustão. Agradecia aos céus por não ter uma detenção com o Snape e voltava a cair na cama. Hermione, entretanto, teve de lembra-lo de que ele era monitor e tinha suas próprias obrigações aos sábados. Naquele, em específico, uma das invenções de Fred e George havia se descontrolado nas mãos de segundanistas e causado alguns "problemas" na Sala Comunal de Gryffindor. Se McGonagall chegasse e descobrisse, provavelmente alunos e monitores de Gryffindor estariam com problemas e muitos pontos poderiam ser tirados da casa. Hermione desceu na frente para a Sala Comunal, deixando por um momento Harry e Ron sozinhos no quarto.

Despertar naquela tarde era despertar de um sonho, literalmente. Lembrava do que acontecera e ainda era difícil assimilar como sendo real. Olhou para seu ruivo e foi correspondido. Sorriram cordialmente como excelentes amigos, como intensos amantes. Um sorriso gentil, uma situação surreal. O sentimento, a intensidade, a coragem, o perigo... Um gentil inclinar de corpos entre ambos para sentirem-se preparados para mais um dia. O sigilo, o risco, o medo... O perigo! Foi só nesse momento, enfim, que Harry Potter se lembrou de Fenrir Greyback e seu último flashback. Estivera tão inebriado por um sentimento mais forte na hora que esquecera do flashback. Depois houve toda a confusão com Colin e seu sono intenso, mas enfim se lembrara de ter lido no Marauder's Map o nome de Fenrir Greyback.

Ron percebeu a brusca alteração em Harry e o questionou do que estava acontecendo. Harry não precisava preocupar Ron naquele momento. Decidiu que contaria quando voltasse da detenção com Snape. Ron chegou a questiona-lo, mas Harry preferia contar aquilo à Ron e Hermione quando tivesse mais tempo para poderem pensar no que poderia ser aquilo. Greyback, a lareira, a Sala do Requerimento, Malfoy... Mesmo não tendo contado de seu flashback, Harry não podia ignora-lo e montar em sua mente uma história que ficava cada vez mais sombria.

Ron e Harry desceram as escadarias para encontrarem um ambiente muito diferente do da noite anterior. A Sala Comunal estava uma verdadeira zona. Livros abertos de cara para o chão; poltronas viradas; alunos "fundidos" à paredes e mobílias; objetos grudados de uma forma muito estranha uns aos outros e dois irmãos que pareciam ter se tornado gêmeos siameses. Ron não pôde conter um suspiro de desânimo enquanto ia para o lado de Hermione ajuda-la em quaisquer que fossem os feitiços necessários para desfazer aquilo. Harry deixou seus amigos e rumou para a sala de Severus nas masmorras. Terceira de suas infinitas detenções pós-Sectumsempra. A simples presença de Snape fazia Harry sentir saudades de Dolores Umbridge; o simples pensamento em Snape fazia Harry sentir saudades dos Dursleys... Ou talvez isso fosse exagero...

Uma fração de momento, menos do que o suficiente. Harry notou na atmosfera das masmorras algo estranho. Adentrou na Sala de Snape e imediatamente sentiu-se ameaçado. Fosse o que fosse, não agiu cedo o bastante para se salvar. Acabara de entrar quando a porta atrás de si se trancou. Percebeu tarde demais que estava capturado em uma armadilha. Snape jazia de pé atrás de sua mesa encarando Harry Potter com seu habitual ar de desprezo. Olhos se encararam com o mesmo desafeto habitual, mas era a única coisa habitual ali. Estava ainda mais escuro do que de costume, mais sombrio e mais silencioso. Harry não havia percebido nada além de Snape e controlava seus instintos que diziam para poupar palavras e simplesmente atacar o professor. Compenetrado demais em Severus, não percebeu que os dois não estavam à sós na sala.

- O que você quer Snape?

- Vinte pontos de Gryffindor por seus modos, Potter...

- Meus modos? E o que você pensa que está fazendo?

- Silêncio, Potter...

- ...

- Não há menor resquício de dúvida sobre você ser filho legítimo de James... claro, alguém poderia duvidar da legitimidade, em se tratando de Evans... – Snape colocava um desprezo notável ao pronunciar o sobrenome muggle de Lilly e certamente conseguiu irritar profundamente Harry insinuando sua promiscuidade. Harry segurou-se extremamente. Sabia que não suportaria mais tempo. Seria aquilo a detenção daquele sábado? Snape passaria a tarde fazendo-o perder a cabeça e arrancando pontos de Gryffindor?

- ...

- Andando à noite com aquela capa...

- !

- Dumbledore é muito fraco para proibir qualquer coisa que Harry Potter faça. – por um segundo Snape falava consigo mesmo antes de voltar a encarar intimidadoramente Harry. Harry sabia que aquele olhar frio e auspicioso significava Legilimens. Harry nunca fora um bom Occlumens. – E você já viu coisas demais em suas escapadas...

- Não sei do que está falando!!

- Poupe saliva, Potter. Já arranquei de Malfoy tudo o que eu precisava saber... – Harry nesse momento temia pelo que Snape tivesse descoberto. - Muito embora com ele seja muito mais difícil arrancar alguma coisa, já que diferente de você, ele é um ótimo Occlumens...

- Se leu a mente de Draco deve saber que ele me atingiu com um Obliviate!

- Não se lê a mente de um bom Occlumens, Potter, quem dera fosse tão simples... – Harry instintivamente começava a recuar na direção da saída trancada. – E, sim, sei que ele usou um patético e mal-executado Obliviate... mas ainda mais ridículo é você ter sido atingido...

- ... – a vontade de Harry era de enfiar a varinha pelo nariz de Snape até atravessar-lhe o cérebro, mas rangendo os dentes e forçando seu braço a não erguer a varinha, ele se mantinha quieto.

- É uma pena, entretanto, que o jovem Malfoy tenha fracassado em seu intento... teria poupado muitos problemas...

- Do que está falando?

- Não se faça de idiota, Potter! Eu sei o que se passa em sua mente... eu sei o que você sabe... eu vejo o que você vê...

- ...

- E você tem visto coisas demais... coisas que precisam... deixar a sua mente... Coisas que eu faço questão de arrancar pessoalmente...

Nesse momento Harry soube que estava em perigo e bradou sua varinha. Chegou a começar a dizer "Expelliarmus" quando um silencioso feitiço o atingiu primeiro, vindo de um canto escuro na masmorra. Draco surgia de varinha em punho, com um olhar tão inexpressivo quanto um zumbi sem emoções ou sentimentos. Por um segundo Harry se esquecera de Snape e do perigo. Tudo que conseguia pensar era como Draco fora capaz de atingi-lo daquela maneira, depois de tudo. Seus pensamentos não escaparam de Snape, se sentindo muito satisfeito em afirmar que Draco "talvez" estivesse sob efeito de Imperius. Zombava dizendo que não conseguia imaginar que terrível alma usaria Imperius em um aluno de Hogwarts enquanto Harry sentia seu ódio por ele aumentar infinitamente. Sem varinha, com Snape à frente e Malfoy ao lado, Harry não tinha opções.

- Agora me diga, Potter... será que devo também fazer uma visita a seu amigo "Roonil Wazlib"?

- Não! Ele não sabe de nada, eu juro!

- Veremos... – Snape novamente buscava a verdade através da mente de Harry – Sim... tanto sentimento... igual à mudblood Evans...

- ...

- De fato... sua mente não o deixa mentir... Diferente de Malfoy, não precisei usar Veritaserum para arrancar suas verdades... talvez você não confie mesmo tanto assim em seus... amigos... para contar-lhes da terrível ameaça à Hogwarts...

- Mentira!!! – Harry não sabia o que fazer, mas queria adiar ao máximo o inevitável, na esperança que algo ou alguém interviessem por ele. E, de fato, sentia-se aliviado por não ter contado nada que pudesse por em risco Ron, Hermione ou Ginny. – Você não sabe o que são amigos! Não tem nem idéia do que seja isso!!

- Não foi preciso ter isso para cair nas graças de Dumbledore... quem você acha que ele ouvirá, Potter? Dumbledore poderia acabar fazendo... um gesto de auto-sacrifício para me poupar...

- Seu traidor sujo!! Dumbledore nunca irá cair em uma armadilha sua!!

- Não se preocupe, Potter, em pouco tempo sua mente estará livre desse seu sentimento de... insignificância... e você voltará a ser "O garoto que sobreviveu".

Harry gostaria de continuar e dizer muitas coisas entaladas ao longo dos anos, mas Draco, sob efeito da Maldição Imperdoável Imperius, lançou sobre ele um Impedimenta. Harry apenas pôde observar enquanto Snape aproximava-se silenciosamente com uma expressão não outra além de puro desprezo. Empunhando sua varinha, encostou-a na cabeça do garoto. Seus pensamentos foram um a um sendo arrancados de sua mente e colocados em uma Pensieve que Snape preparara especialmente para ele. Desacostumado a sofrer aquilo, Harry sentiu-se enjoado e fraco. Sua última visão foi Draco parado próximo a ele tão sem expressão como antes e Snape dizendo para ele não se preocupar, pois Draco também não se lembraria de nada. Pouco depois perdeu a consciência.

Acordou de um sono leve na noite de sábado em uma cadeira de frente à mesa de Snape. Uma pilha de pergaminhos encantados jazia preenchida por ele à sua frente e Snape lançava-lhe um olhar de reprovação. Não pôde conter um espasmo de susto ao acordar e dar de cara com Snape.

- Trinta pontos de Gryffindor, Potter!

Que despertar horrível. Harry não lembrava de como dormira ali, sua última memória era ele chegando às masmorras mais cedo naquele sábado. Sentia como se tivesse de fazer algo importante ao sair dali, mas quando enfim acabou a detenção não conseguia lembrar de nada. Sentia como se houvessem sugado um pedaço de sua mente, mas tal pensamento era por demais ridículo. Decidiu pensar em coisas que o faziam sorrir. Lembrou-se do sonho com Draco; lembrou-se que o encontrou na Sala do Requerimento e lutaram; lembrou-se da noite que se seguira após isso; lembrou do beijo em Ginny; lembrou-se de Colin Creevey. Nem suspeitou algum dia ter visto Death Eaters surgindo em Hogwarts; nem suspeitou da "traição" de Snape; nem suspeitou que poderia haver uma Pensieve em Hogwarts guardando seus segredos e preocupações. Não se lembrava e, por conseguinte, não se importava, mas sentia um aperto estranho ao pensar em Dumbledore.

Na mesa de jantar de Gryffindor, Ron perguntou a ele sobre o assunto importante que queria tratar, mas sem conseguir se lembrar, Harry insistiu que não era nada importante. Ron desistiu facilmente e eles jantaram como em uma noite normal, contando sobre os ocorridos na Sala Comunal de Gryffindor e do modo como McGonagall aparecera bem no momento em que Hermione e Ron acabavam de desgrudar os "gêmeos siameses". De fato, não existia a palavra normal com eles. Os últimos ocorridos eram apenas a confirmação da não-nornalidade daqueles quatro: Harry, Ron, Ginny e Hermione. Entre eles sempre uma troca de olhares entre amantes declarados, amantes ocultos, amigos-amantesHarry e apenas amigos. Vez por outra o olhar era de ódio ou desprezo, atitudes contra o verdadeiro sentimento, o amor.

Na mesa de Slytherin, Draco tratava de esquecer os acontecidos da noite anterior na Sala do Requerimento. Não poderia pensar no que viveu com Harry, apenas se concentrar em sua missão, que naquela noite finalmente avançaria um último importante passo antes do Gran Finale. E na mesa dos professores Snape estava também muito distraído com algum assunto enfadonho que Slughorn fazia questão de comentar com ele. Não se preocupava com as memórias de Draco ou Harry, confiava em suas habilidades e seguia seus planos como se nada nunca houvesse acontecido.

O que Harry desenvolvera com Ron não iria morrer. Continuariam melhores amigos, continuariam seus relacionamentos com Ginny e Hermione, continuariam tentando descobrir o que acontecia naquela Sala quando Malfoy desaparecia nela. Ninguém sairia ferido daquilo, não estavam ofendendo ninguém ou passando por cima de nada e tinham algo saudável e extremamente extasiante com o que passar os momentos a dois. Ficariam juntos por quanto tempo fosse possível e estavam prontos para usarem a Capa da Invisibilidade e descobrirem possíveis novos "cantinhos" em Hogwarts. Harry não podia deixar de lembrar do quão estranha fora a decisão de Ron ao sair daquele banho e dar uma chance a seus sentimentos ocultos. Ron, por sua vez, sentia-se enrubescer com a simples lembrança do que fizera, tomando uma coragem anormal, provavelmente a maior de sua vida. Era justo. Não era para o "um" a coragem, mas para os "dois".

E naquela mesma noite, Harry recebeu um recado de Dumbledore para ir encontra-lo imediatamente. Passando pelos corredores do 7° andar não pode deixar de ouvir o grito da Professora Trelawney, seguido por um estrondo no corredor da Sala do Requerimento...

Legenda:

Gryffindor – Grifinória
Slytherin – Sonserina
Ravenclaw – Corvinal
Hufflepuff – Lufa-Lufa
Quidditch – Quadribol
Death Eater – Comensal da Morte
Marauder's Map – Mapa do Maroto
Mudblood – Sangue-ruim
Muggle - Trouxa
Moaning Myrtle – Murta que geme
Jinx – Feitiço
Triwizard Tournament – Torneio Tribruxo
Pensieve – Penseira