AVISO: Esse cap é Rony/Hermione, ok? (x

Capítulo dois.

E é o que eu continuo me perguntando

toda vez que o seu olhar encontra o meu.

Como você consegue?

Pousar. Que raio de palavra é essa? É estranho, ridícula, tem uma sonoridade medonha e é extremamente patético.

De qualquer jeito, eu acabei de pousar com a minha vassourar aqui nesse lugar que de acordo com Luna promete ser o palco das melhores férias de todos os tempos.

Bom, realmente eu espero que seja desse estilo mesmo. Eu realmente preciso de distrações e coisas boas na minha vida no momento.

E quem vê pensa que eu sou uma pobre coitada. E eu admito, não sou. Eu tenho até muita sorte.

Mas, cá entre nós. Eu sou uma adolescente. E mesmo com mínimas coisas como essa que tá acontecendo comigo são consideradas horríveis. Na atual idade em que me encontro tenho total direito de achar que é o fim do mundo e que a vida não é justa comigo.

Luna está sorrindo para mim com os cabelos loiros e extremamente lisos balançando contra o vento. Eu a adoro. Ela sempre está lá pra mim. É uma das minhas melhores amigas e com certeza a pessoa que mais me entende nesse mundo (nem minha mãe consegue ser tão compreensiva quanto Luna). Eu me sinto até mal, mas não posso deixar de ter inveja de Luna.

E é tenebroso eu sentir inveja de minha melhor amiga, mas não é uma inveja ruim. Ao menos eu não desejo nad de ruim a ela. Eu tenho inveja da maneira como Luna vive a vida, do sorriso dela, das mãos delicadas e do jeito carinhoso com que trata todos a sua volta. É sempre bondosa e vive em seu próprio mundo. Eu queria ser assim e não ter esse rosto cansado e os ombros caídos de quem leva o mundo nas costas.

Eu sou tão confortável na minha vidinha e é tão mais fácil pra mim simplesmente me esconder atrás dos livros e dos meus poemas inúteis que eu não sei o que fazer quando a vida bate na minha porta. O caso é que a vida tá correndo nesse exato instante e no fundo, no fundo, eu sei que os sentimentos que eu uso quanto eu escrevo ou até mesmo fico inventando na minha mente, eu esqueço de usar na vida real.

Eu simplesmente esqueço de viver. E pode até ser algo extremamente dramático e exagerado da minha parte, mas é assim que eu me sinto. Me sinto como o ovo de chocolate delicioso que ficou na prateleira simplesmente porque não tinha um embrulho bonito.

Será que é assim mesmo que as pessoas me vêem? Como uma garota extremamente inteligente, mas que é apenas uma boa companhia na sala de aula? E os garotos? Será que eles me vêem apenas como a amiguinha que irá ajudar a conhecer outras garotas ou eles realmente olham para mim como um homem olha para uma mulher?

Os garotos desceram das vassouras também. Estão brincando uns com os outros. Gina está com uma cara emburrada e chega até a ser engraçado. Pansy está numa conversa extremamente empolgante com Draco. E eu estou aqui, com Luna ao meu lado.

Olho para Ron e ele está realmente muito empolgado com suas brincadeirinhas com Oliver e Harry. Decidi não me importar com isso, não mesmo.

E é realmente muito bom ter Luna ao meu lado agora, porque eu sinto meus olhos arderem e sei que é só ela que percebe isso.

Como você consegue me tirar do sério

e me fazer te amar ao mesmo tempo?

Eu nem sei se é amor

ou apenas um contratempo.

Gina acabou de sair completamente emburrada de perto de mim e Luna para ir até o deque. Eu sei que ela não está muito feliz em ter que dividir seu quarto com Draco, mas essa opinião vai mudar. Um dia ela ainda vai me agradecer, é simplesmente ridícula ela ficar com essa rixa antiga de Weasleys e Malfoys. Todo mundo sabe que Draco não é mais o mesmo idiota de antes. Ele, na realidade, é um cara muito legal. Muito legal mesmo.

- Vamos olhar o resto da casa? - pergunta Luna, olhando-me apreensiva. Eu sei que ela está fazendo de tudo para tentar me animar e agradar, mas é uma coisa que só depende de mim.

- Vai indo na frente, que eu já vou. - digo, sorrindo amarelo.

Ron está lá, rindo. Rindo. Rindo. Rindo. E esse riso faz com que eu me doa toda por dentro. Como ele pode rir quando o motivo pelo qual meu coração dói é ele? Porque ele não consegue me enxergar? Será que é pedir demais?

É, acho que sim.

Eu fui realmente muito burra pensando que se eu enfeitiçasse o sorteio e eu e Ron ficássemos no mesmo quarto mudaria alguma coisa. Na realidade, não mudará nada. Não mesmo.

- Mi, o que você está fazendo aí sozinha? - pergunta Ron, sorrindo para mim, com o rosto suado por causa do sol.

E eu me derreto. Derreto completamente. Por dentro, é claro. E os olhos dele são tão doces direcionados aos meus. E eu fico ali, perdida. Sem saber o que falar.

- Nada em especial. - respondo, apertando uma mão contra a outra. Estou sem graça e ele é tão desligado que nem percebe. Ele não ME percebe, e essa é a realidade.

A realidade que nunca vai mudar, porque eu sou Hermione Granger e Ron Weasley não tem olhos para mim e nunca vai ter. Não quando eu não pareço com nenhuma daquelas garotas que passam horas e horas no espelho se arrumando ao invés de ficar com a cara enfiada no meio de livros durante três horas seguidas dentro de uma biblioteca.

- Tem certeza? - pergunta ele, aproximando-se mais de mim, parecendo sinceramente preocupado.

Aceno que sim com a cabeça, olhando-o demoradamente.

- Você sabe que pode falar comigo, certo? - insiste ele, colocando as mãos uma de cada lado do meu corpo, apoiada nos meus ombros. E é como se uma corrente elétrica transpassasse por todos os meus ossos. É uma sensação boa. Boa demais e é isso que machuca porque não é uma sensação real. Não é real quando vem de apenas um dos lados. Apenas não é.

- Eu sei disso, Ron. - digo, baixinho. Forço um sorriso e encaro-o nos olhos. - Não precisa se preocupar. Estou apenas cansada, é isso.

Sei que não o convenci. Depois de Luna, ele é a pessoa que mais me conhece. E Luna só me conhece mais do que ele, porque Ron não sabe dos meus sentimentos. Apenas por isso.

- Eu vou entrar. - murmurou, soltando-me dos seus braços. - Luna está me esperando.

- Cer-certo. - diz ele, meio incerto e eu não entendo o porquê. Mas, Ron tem umas atitudes que eu nunca entendo mesmo.

Viro-me e caminho em direção a casa. Sinto meu coração ainda mais pesado do que antes. E desejo ainda mais forte que essas férias façam milagres com meu coração, corpo e alma.

Como você consegue?

Estar sempre longe

mas se deixando ficar em meu pensamento?

Eu nem sei se é amor

ou apenas um contratempo.

Remexendo-se ao som da voz de Pansy porque no mundo bruxo não existem rádios ( e minha varinha está em algum lugar da minha mala). O que é uma pena, se querem saber. Eu adoro música. Gosto mesmo. Músicas me acalmam e ao contrário do que muitos possam pensar, eu odeio música clássica. Um bom rock é muito mais meu estilo. Eu não sou sempre tão certinha. Mas, rótulos são rótulos.

A voz de Pansy é maravilhosa. Ela não canta muito, mas quando suas cordas vocais decidem dar o ar da graça e eu, Gina e Luna ficamos maravilhadas e de queixo caído.

- Pansy, você tem futuro. - digo, olhando-a feliz. - Você deveria pensar nisso.

- Eu já pensei. - responde ela, olhando-me séria.

- E? - pergunto, com um olhar de espectativa.

- E a cada dia que passa fico mais certa de que eu pareço uma gralha cantando e que você e as gurias tem sérios problemas de gosto.

- Gosto não se discute. - murmura Luna, que até agora está fazendo desenhos imaginários na mesa de marmóre da cozinha.

Eu e Pansy apenas nos entreolhamos.

- Di-Lua, você é estranha. - murmura Pansy, dando de ombros. - Eu vou até o meu quarto, antes que Wood tome posse dele antes de mim.

Sorrio só de imaginar Oliver e Pansy dividindo o mesmo quarto. Mas, foi o único garoto que sobrou para ela.

- E eu apenas concordei com isso porque eu sou muito sua amiga. Você sabe disso certo? - rosna ela, olhando-me com falso ressentimento. - Você sabe que eu não concordaria com isso se...

- Não, não fala. - peço, olhando para os lados, nervosa.

- Ok. Ok. - diz ela, dando de ombros novamente. - To fora daqui. - e mandando um beijo no ar sumiu pelo corredor.

Luna ainda está quieta. Merlin, como eu tenho inveja disso! Como ela consegue sumir dentro de um mundo só dela? Eu realmente não entendo isso. Ou ela é muito especial ou é mesmo Di-lua, como todos dizem. Mas, eu acho isso uma coisa muito cruel para se dizer, só que ela não se importa. Ela simplesmente não se importa.

A porta da entrada da casa se abre com força. Uma ruiva tempestuosa entra. Gina, é claro. Ruiva, tempestuosa... não há ninguém melhor que Gina para interpretar esse papel.

- Gina, onde você está indo? – pergunta Luna, saindo de seu casulo solitário e extremamente pessoal.

Gina para no meio do caminho e se vira para nós. Seu rosto está extremamente vermelho e seu olhar está faiscando.

- Eu tenho uma batalha a vencer. – e então continua seu caminho pelo corredor.

Olho para Luna e vejo que ela está tão confusa quanto eu.

- Do que, diabos, ela estava falando? – pergunto, encostando-me na parede ao lado da geladeira.

Gina realmente consegue ser uma caixinha cheia de surpresas. E surpresas tempestuosas, devo dizer.

- Não sei, mas pra mim parece sério. – murmura Luna, com uma cara assustada.

- Luna. – digo, olhando-a exasperada. - Qualquer coisa que envolva batalha e o fogo Weasley em prática é sério. – acrescento, em tom de riso.

- Não esquecendo de mencionar a doninha loira. –rebate ela, sorrindo marota.

Nos entreolhamos, pensativas.

- A coisa é pior do que eu imaginava. – digo, começando a rir seguida por Luna.

Draco e Gina no mesmo quarto sendo que a ruiva tem um plano maligno em mente? Aquilo com certeza não daria em boa coisa.

- Bom, eu vou tomar um banho e relaxar. – disse Luna, olhando pela janela para alguma coisa. – Qualquer coisa me chama, ok? – acrescentou, sorrindo para mim.

- Certo. – digo, sorrindo também.

Sinto-me mais feliz. Sei lá, talvez Luna realmente estivesse certa e ficar na presença dos amigos (por mais que isto envolvesse ficar perto de Ron também) faria com que eu me distraísse um pouco. E está certo que eu havia tido a ridícula idéia de fazer o sorteio enfeitiçado mas...Ninguém é perfeito, né?

Eu queria poder dizer

que já chega de você e das suas conversas;

E é o que eu continuo me perguntando

toda vez que o seu olhar encontro o meu.

Sento na cerca que tem ao redor da varanda. A brisa fresca vindo de encontro aos meus cabelos. Está muito calor e o vento é realmente um alívio. Não tem mais ninguém no quintal ou em qualquer outra parte do lado de fora da casa. A não ser por Draco, que está sentado no deque ainda. Acho que essa foi a razão pela qual Gina fez toda aquela cena na cozinha.

Rio sozinha. Esses dois são realmente uma peça.

- Você deu pra ficar sozinha pelos cantos agora, é? – olho para a direção e o dono da voz.

É Oliver, encostado na parede da casa, olhando-me com aquele olhar amigo que ele sempre tem. Eu realmente gosto dele, ele me passa uma calma que é difícil achar nas pessoas, não sei explicar. É difícil.

- Não mesmo. – respondo, sorrindo. – Estou apenas pensando na vida.

- E escrevendo no seu caderno inseparável, como sempre. – acrescenta ele, apontando com os olhos para o meu diário no meu colo.

- O que posso dizer? – rebato, sorrindo. – Eu sou uma garota que gosta de mexer com as palavras.

Há algo nele que faz com que eu me sinta bem. Eu consigo conversar com ele normalmente. É diferente dos outros garotos. Até mesmo com Ron eu não sou assim tão sincera e espontânea. Acho que o que sinto por ele muitas vezes me impede de ser eu mesma. Eu tenho medo de dizer algo ou fazer algo realmente estúpida.

Mas, não é assim com Oliver. Com Oliver eu sou apenas Hermione e me sinto feliz de ser Hermione. Talvez por ele ser tão parecido comigo. Os dois são os 'certinhos' sempre. A diferença que ele é o capitão do time de Quadribol e por isso faz parte dos populares, enquanto eu sou do time dos nerds e excluídos, mas sou amiga de Harry Potter, o que me dá algum status. Mas, não me importo muito com isso.

Mentira. Me importo. Mas, não faz muita diferença porque nunca farei o que é necessário para atingir o auge da popularidade. É ridículo e não faz meu estilo. Nem um pouco.

- E mexe muito bem, devo dizer. – sorri ele, malicioso.

- Você nunca vai me deixar esquecer disso, certo? – suspiro, rolando os olhos.

- Do quê? – pergunta ele, com cara de inocente.

- Você sabe. – resmungo, olhando-o emburrada.

- Não, não sei. – insiste ele, e quem não conhece até pensaria que ele é um anjo.

- Sabe, sim. – resmungo novamente.

- Ah, você está falando daquela vez que passou o verão com seus pais na minha casa de praia e bebeu um pouco mais da conta e dançou muito bem, diga-se de passagem, em cima da mesa na casa daquela garoto, como era mesmo o nome? Ah, não lembro, mas sei que você era caidinha por ele.

Bom, esse é o preço que se paga por ter um amigo de infância no mesmo ciclo de amizades e com pais trouxas que por acaso são bem amigo dos meus.

- É, você nunca vai me deixar esquecer desse memorável verão de minha vida. – sorrio, um sorriso assassino.

- E ainda há quem diga que Hermione Granger é uma garota 'certinha'. – diz ele, olhando-me com riso nos olhos.

Tenho vontade de esganá-lo, mas não faço isso porque então perderia uma boa companhia para conversas estranhas e divertidas.

- E por acaso ela não é? – pergunta uma voz atrás de nós dois.

Congelo. É Ron. Eu reconheceria a voz dele em qualquer lugar dentre milhões de outras vozes. Eu reconheceria porque essa é a única voz que faz meu coração acelerar e minhas mãos suarem frio. E eu me sinto completamente piegas falando assim, mas é a mais pura verdade. Não adianta.

Oliver se vira para Ron, sorrindo.

- Bom, digamos que a Hermione que você conhece e a Hermione que eu conheço não são a mesma garota. – e dizendo isso, vira-se para mim e dá uma piscadinha.

Acho que no momento estou de queixo caído porque esse não é o Oliver que eu conheço. Piscadinhas e comentários com duplo sentido? Não, este definitivamente não é o Oliver que eu conheço.

- Bom, eu vou lá desfazer as malas. – fala ele, colocando as mãos nos bolsos. – Mais tarde dá uma passada no meu quarto, Grangie. – e dizendo isso saiu, deixando um Ron com uma expressão indecifrável no rosto e uma Hermione muito, mas muito vermelha para trás.

- Então... – começou Ron, esfregando uma mão contra a outra. – Você e Oliver estão bem íntimos, certo?

Olhei-o vermelha. Aquilo era um assunto extremamente constrangedor, quando na realidade não existia assunto nenhum. Eu e Oliver íntimos? Com certeza não no sentido que Ron estava pensando. Se é que ele estava pensando em algo do tipo.

- Eu... ãhn... – não que houvesse algo para se falar, mas a simples presença de Ron me faz ficar nervosa e de repente eu não sei o que falar direito. Não são todos os momentos assim, apenas os momentos em que eu me encontro pensando mais do que o normal nele (o que atualmente, acontece direto). Será que ele não percebeu que há exatamente seis meses eu já não sou mais a mesma com ele?

- Tudo bem, você não precisa me contar. – disse ele, me cortando, com uma voz mais fria do que o normal.

- Mas não há nada pra...

- Eu vou até o deque chamar o Draco que eu preciso da ajuda dele pra uma coisa. – resmuga Ron, olhando-me de um jeito estranho.

- Certo. – e é tudo que eu sou capaz de dizer ao vê-lo ir até Draco que ainda estava sentado perto do lado.

Eu até me levantaria da cerca se minhas pernas não tivessem virado gelatina ao simples fato de conversar com Ron.

Meu mundo de pernas pro ar.

Afinal, como demonstrar para um garoto (que te considera a sua melhor amiga) que está irremediavelmente apaixonada por ele?

Sinceramente eu não esperava tantos reviews assim. xD

OBRIGADA MEEESMO! XD

adoorei tooodos!

e como ainda to com tendinite etc e tal não vou responder um a um, ok? sorry. x(

Gente, espero q continuem acompanhando a fic q infelizmente vai demorar pra sair, pq eu só tenho o próximo cap pronto. To sem tempo algum, mas assim q der prometo recompensar.

Beeeijos!

E espero mais 10 reviews, quem sabe. xD