AVISO: Esse cap é Ron/Hermione, certo? x)
N/A: Bom, eu quis dar uma visão dos pensamentos do Ron e a interação dele com o pessoal na casa ( nossa, isso aqui tá parecendo Big Brother UAHAAIUHAUIHAIUAH ) porque até agora ele tava meio apagadinho na fic ( o mesmo acontece com Harry, mas não se preocupem que daqui há pouco ele aparece tá? xD). E bom, é isso mesmo.
Adorei o comentário de todas no cap passado e obrigado tb a quem tá lendo e não tá comentando qe eu sei qe tem gente. xD Qm colocou a fic nos favoritos ou nos alerts. Obrigada mesmo, isso significa MUITO pra mim. Sério mesmo. E bom, aos anônimos aí, se quiserem comentar... nem qe seja pra dizer um oi, fiquem a vontade. Ou se quiserem dar uma opinião, melhor ainda. Eu adoro saber se vcs estão gostando ou odiando, me ajuda MUITO. Bom, é isso. xD
Ana Raquel: Ah, qe bom q vc gostou! Tipo, eu não sei porque, mas eu simplesmente tive que fazer a Luna falando com Draco, Draco falando com a Luna. Porque aparentemente eles não tem nd a ver um com o outro, mas a realidade é qe tem muito mais do que imaginam. xD Bom, agora vc vai descobrir oq a Luna estava olhando. A coisa vai pegar um foguinho leve... AHUAHUAHIAUHAUIHA beeijos, querida! xD
Thai: Também te ADORO, thai! xD Mas, não me mate tá? É preciso criar um pouco de suspense, afinal. AHUAHAIUHAIUHAUIH E sinto muito, mas esse cap não tem Gin e Draco não... Agora mesmo qe tu me mata! HUAHAIUHAAUIHAIU beeijos, flor! xD
Dessinha Mcguiller: Eu também gosto da minha Pansy nessa fic. Seilá, ela é meio femme fatale mas mesmo assim um pouco vulnerável. Ela aparece bastantinho até nesse cap, vamos ver se vc gosta dela nesse cap. xD E sim, eu sou do RS. Eu sou de Porto Alegre. xD (INTER CAMPEÃO MUNDIAAAAAAAAAAAAAAAAAL) Mas, eu moro em Floripa há alguns anos já... xD É isso, espero qe vc goste desse cap. beijos, moça! xD
Karen: qe bom q vc gostou! isso sim é qe é DEMAIS! E sim, eu sou meio maldosa mesmo. AHUAHAIUHAIUH DESCULPA! xP Mas, aí está o qe ela viu... muahahaha HUAHAIHAUH Espero que você goste, hein? E viu, nem demorei tanto assim pra postar! xD
Dani Sly: Nem preciso dizer nada do seu review, né? xD Eu nem tenho palavras pra dizer aqui o qnto gostei dele e o qnto valeu esperar acordada. Tu já sabe, né? Poxa, seus reviews são maravilhosos MEEEEEEEEEEEEEEESMO! E espero qe vc continue acompanhando essa fic, porque isso me deixa muito feliz mesmo. E como sempre, eu não vou fazer uma reply gigante porque não importa o qe eu diga não vai conseguir expressar o qnto eu gostei do seu review. Então só digo isso: continue lendo, comentando e sendo minha mais nova amiga. beeijos, dani! xD
Myla Malfoy Meyer: aaah, qe bom q vc tá gostando e qe vai continuar acompanhando! xD Vamos ver se vc gosta desse cap. xDD beeijos, flor! xD
Feng Ingo: É qe o Draco é tão maravilhosa qe até sentimental ele continua completamente slytherin. É, eu sei qe o Harry tá meio apagadinho ainda, mas espere e verá. É porque tipo, a Luna tá meio brava com Harry ainda, tá um clima estranho entre os dois, por isso que não rola um action deles. Mas, espera qe no cap oito vai ter action entre eles, tá? Eu sei qe parece uma eternidade mas eu prometo qe aí tu vai até enjoar da cara dos dois. AHUAHAUIHAUIHA beijos, querida! xD
Ly W: O Oliver não é TUDO DE BOM? Eu acho ele maravilhoso e mto pouco explorado pelas ficwrites.. Ele é tão... FOFO e mesmo assim MASCULINO! Eu adoro ele, mesmo. E qe bom q tais gostando e virou uma fã. Eu me sinto honrada. Sério mesmo. E sim, a Gina é realmente maluquinha... E quem não iria querer estar no lugar da Pansy? ehuehiuehiuehieh Eu realmente espero qe vc continue acompanhando a fic e qe goste. beeijo, menina! xD
Capítulo seis
Eu não deveria estar me sentindo assim. Não deveria mesmo. E a realidade é, que não há nenhum motivo para eu estar me sentindo assim, na realidade. E a realidade é muita realidade para a minha realidade. E nem eu me entendo mais.
E agora eu pareço um panaca sentado aqui no sofá, enquanto as garotas terminam de preparar o jantar com a ajuda de Wood que desistiu de usar o banheiro que minha querida irmã conseguiu deixar encharcado, e acho que ele também desistiu de seu isolamento por causa de Pansy.
Na realidade (é a palavra nova do dia, só pode) eu não entendo esses dois. Aparentemente existe uma forte tensãos sexual entre esses dois, o máximo que Wood poderia fazer é ir lá e agarrá-la de uma vez e foi o que eu sugeri, antes de ele entrar todo revoltado em um dos quartos para voltar quinze minutos depois.
Mas, a vida amorosa dele não me interessa. Ou talvez interesse. Ainda não sei bem.
NÃO! Não, que eu seja gay ou qualquer coisa parecida... Merlin me livre e guarde, meu negócio mesmo é mulher. O problema... é que talvez seja uma em especial e...Não, não fala. Eu não me entendo às vezes, eu juro que não. Só que eu não consigo tirar a cena de hoje cedo da cabeça.
Porque talvez esse seja todo o motivo pelo qual Wood não agarra Pansy. Talvez ele...
É como se eu tivesse visto aquilo e simplesmente ficasse cravado em mim de um jeito que não quer mais sair. E não é como se eu realmente me importasse com o que Hermione e Wood fazem juntos falando de verões passados e ele fazendo piadinhas que provavelmente é só dos dois e eu me sinto completamente excluído da vida dela e isso vai meu estômago se contorcer e ... Eu só preciso respirar.
Acho que é isso. Respirar um pouco é tudo que eu preciso.
Eu me sinto frustrado, porque é como se ela nem notasse a minha presença. Não, pior que isso. Ela nota minha presença. Ela me conhece. Ela me olha. Mas, ela não me vê.
Porque Mione não percebe o quanto é incrivelmente sexy e consegue me deixar totalmente... louco? Não, não é nada disso que possa parecer. Bem, você sabe. É claro que isso também. Mas, eu gosto dela de um jeito diferente também. De um jeito que é certo um garoto gostar de uma garota, sabe? Não, eu não sei explicar... Eu só sei que gosto do jeito como ela mexe no cabelo quando está nervosa e a maneira como ela me olha quando está explicando alguma coisa incrivelmente fácil mas que o estúpido aqui não consegue entender.
Eu gosto do sorriso dela e do modo como aperta uma mão contra a outra quando está nervosa. E só de olhar pra ela eu é que fico nervoso e sinto até um pouco de falta de ar. Não sei porque eu sou assim. Tão incerto, inseguro, sem saber o que falar ou onde por as mãos.
Eu bem que gostaria de por as minhas mãos nela. Mas não, não desse jeito. Eu gostaria de poder tocar o rosto dela ou então colocar minhas mãos no meio de suas costas e guiá-la pelos lugares. Eu sei que parece meio bobo e incrivelmente idiota... Mas, eu não sei. Quando eu olho para ela, eu sinto que pode ser pra vida toda.
Eu olho para ela e simplesmente parece que ela poderia ser aquela. Ela poderia ser a mulher da minha vida.
Harry está me olhando de um jeito esquisito e talvez seja porque eu não estou dando a mínima pro que tá me dizendo. Aliás, eu não faço idéia do que sequer ele está me dizendo.
- Ãhn? - pergunto, ainda meio desnorteado pelos meus pensamentos.
- Onde é que você tava agora? - pergunta ele, me olhando esquisito novamente e sentando no sofá em frente ao meu.
- Eu não faço idéia. - murmuro, colocando os pés em cima da mesinha de centro e tentando me concentrar em algo que não seja a risada dela vindo da cozinha.
Droga, desse jeito eu vou ficar maluco, isso sim. Porque Merlin não pode ter um pouco de piedade de mim e me colocar num quarto diferente do dela? Eu realmente não compreeendo isso. Não dá. Não dá. Não dá.
- Em quê ou em quem você tava pensando? - pergunta Harry, olhando-me curioso.
Harry não é assim, normalmente, se querem saber. Ele é mais na dele e nunca é de fazer muitas perguntas. Eu diria que ele é uma pessoa egocêntrica, se não fosse por ele ser tão desligado. Bom, talvez seja por isso que ele não perceba as coisas bem diante do nariz dele. (N/A: Olha qm fala né gente:x)
- Porque você tá pergutando isso? - pergunto, na defensiva. Eu não quero responder esse tipo de pergunta, não quero mesmo porque... melhor eu nem dizer.
- Você estava com uma expressão brilhante no rosto, por assim dizer, maninho. - e uma voz conhecida como a minha irmã caçula entra na conversa.
- Para de ser metida. - rosno.
- Eu não sou metida, Ron. - diz ela, dando de ombros e jogando os cabelos para trás, sorrindo. Talvez se eu não fosse seu irmão eu até acharia que isso faz parte do charme dela. Mas, eu sou seu irmão e não, definitivamente não. Não. Não. E não. Essa é a única palavra.
Eu não entendo como Gina pode ser tão irritante às vezes. Bom, o fato é que ela é irritante apenas comigo e com Draco (o que me preocupa um pouco, se querem saber, mas isso já é outra história a qual eu não estou muito disposto a lidar no momento), só que eu não tenho paciência para os ataques de histerias dela.
- Você não foi chamada a conversa, ruiva. - acrescenta Draco que acabou de entrar pela porta da frente logo após a minha irmã. - Será que não entendeu ainda? - acrescenta, e percebo que ele está muito perto dela. Muito perto mesmo.
- Vai catar coquinho, doninha. - rosna ela e é aí que vejo que ela é realmente minha irmã e não uma criança adotada que foi achada na lata do lixo (como se os cabelos ruivos pudessem negar a nossa origem).
- É só isso que você consegue fazer? - pergunta ele, olhando-a firme, de frente. É, o cara é corajoso, não é qualquer um que consegue quase insultar a minha irmã e sair quase ileso da história.
- Não enche. - é tudo o que ela diz e senta do lado de Harry, atirando uma almofada em Pansy que está no braço do sofá lançando olhares mortais a Wood que está no balcão da cozinha cortando as últimas alfaces para a salada. Será que ele tem que fazer tudo perfeito sempre?
- Isso aqui é muita hiperatividade para eu acompanhar, gente. - murmura Hermione sentando do meu lado no sofá e mal sabe ela o que isso causa em mim.
- Nem me fala, eu sou hiperativa e mal consigo acompanhar toda essa energia. - sibila Pansy, lançando olhares furtivos na direção de Wood.
- Você não consegue acompanhar nada além do seu ego, Pansy. - rosna Wood olhando-a mais raivoso ainda. Eu não sabia que grifinórios conseguiam ser tão raivosos, e olha que eu sou um deles. Afinal, se minha irmã não pegou todo, eu tenho um pouco do fogo Weasley.
- Wood, você me irrita profundamente e a conversa ainda não chegou na cozinha. - dá de ombros com um de seus sorrisos tentatores. E eu tenho que admitir que são mesmo, por mais que Pansy não faça meu estilo. - Literalmente falando. Consegue entender o que eu estou dizendo ou quer que eu desenhe? - e sorri. Aquele sorriso cínico que eu aposto que ela aprendeu com Draco.
Wood bufa e cruza os braços.
- Eu não entendo vocês dois. - diz Hermione, entrando na conversa. - Porque vocês não conseguem simplesmente ser amigos?
Sorrio, meio que pra mim mesmo. Wood e Pansy amigos? Eles até podem chegar a se agarrar... Mas, amigos? Não, acho que não.
E mais do que tudo quero pensar que pode haver algo entre os dois. Que Merlin faça com que haja algo entre os dois. Só que eu não consigo esquecer da cena. Eu simplesmente NÃO CONSIGO. Toda aquela cumplicidade dos dois, e a maneira íntima com que conversavam, o jeito que ele tratava ela e... eu senti ciúmes.
Não tem como negar. Não tem como eu me conter. Eu só... eu senti. Senti sim e é tarde demais para fugir disso. Tarde demais mesmo. Porque é impossível não ser tarde demais quando os pêlos da minha nuca ficam todos arrepiados só de sentir a presença dela perto de mim num sofá.
Logo tudo se torna uma mistura de cores e sons perto de mim. Tudo o que eu sinto é a presença de Mione do meu lado. É estranho ficar quieto numa sala cheia de gente só escutando-os falar.
Gina e Draco não param de discurtir um segundo e Harry parece estar assistindo a um jogo de ping-pong (um quase esporte - acho - trouxa muito interessante, se querem saber) porque ela não para de virar da minha irmã para Draco e vice-versa. Pansy não para de lançar olhares raivosos - ou seja lá o que isso significa - para Wood mas continua conversando com Mione e isso faz eu ter tantos pensamentos que minha cabeça chega a dar um nó. E é só então que eu percebo que está faltando alguém.
Luna.
Onde é que Luna se meteu esse tempo todo? Ela só trouxe as compras e se mandou. E eu percebi que ela só está falando com Draco direito. Será que Luna consegue falar direito com alguém. Não que eu a ache umA Di-lua nem nada do tipo, mas é que ela se esconde tanto por detrás dessa...sei lá... personalidade que ela criou para ela, que é mais uma caricatura de quem ela realmente é, que... sei lá... a gente acaba não compreendo muitas vezes o que ela tá pensando e/ou sentindo.
E parece psicologia barata o que eu to falando, e é claro, o que eu posso saber das coisas, certo? Certíssimo. Mas, sei lá, as vezes eu sou meio errado e gosto de dizer o que penso, nem que seja para mim mesmo.
Ela está ali parada na porta com os cabelos loiros um pouco jogados na frente do rosto. A expressão dela não é uma das melhores. Seus olhos estão mais arregalados que o normal (bom, Luna não tem olhos arregalados, então eles realmente estão arregalados, se é que me entendem), sua boca está meio trêmula e olhar meio negro, se é que pode-se dizer isso. E por uma fração de segundo vejo-a me olhar com um certo desespero, talvez buscando uma certa ajuda. Não sei.
E eu não entendo o porquê de ela estar assim até ouvir Harry se pronunciar, completamente gago e mais panaca do que eu no início da noite, sentando sozinho no sofá.
- Cho...
- Porque você não está lá na sala com todo mundo? - olho para trás e vejo Pansy ao meu encalço.
O olhar dela está totalmente fixado em mim e isso me dá medo. Mas, ahcho que isso é uma reação normal. Eu não conheço nenhum garoto que não tenha medo das roupas justas de Pansy, de suas unhas vermelhas e do jeito que seus lábios se curvam em um sorriso. É tão sensual que chega...a dar medo. Exatamente. Medo.
- Porque eu não estou muito no clima, na verdade. - respondo, dando de ombros.
Bastou Cho Chang chegar para o clima na casa mudar totalmente. Ficou um clima pesado e só o trouxa do Harry não percebeu isso. Ela é meu melhor amigo, sem dúvida nenhuma, mas as vezes ele consegue ser incrivelmente trouxa. E não é brincadeira!
Gina foi para o quarto, Draco e Luna foram jogar xadrez bruxo no quarto dela (será que Harry não percebe o porque de ela ter saído dali?), Harry ficou babando com a Cho na sala e Hermione e Wood estão lavando a louça. Merlin, como isso me dá raiva! E Wood é um cara legal, eu não quero ter raiva dele. Esse nem é o meu feitio... Mas só de pensar...
- Você tá assim porque... - começa Pansy, apoiando-se na cerca da casa.
- Não, não fala. - peço, olhando para a direção oposta a ela.
Sinto os olhos dela em cima de mim, novamente.
- Sabe, você não deveria encarar os outros dessa forma. - digo, olhando-a de frente, dessa vez.
- E porque não, possa saber? - pede ela, marota, sentando-se na cerca e tenho uma visão privilegiada de suas pernas. E em outras circunstâncias talvez eu pudesse tentar aproveitar isso (qual é, eu sou quase tão tapado quando Harry!) mas eu estou com os nervos muito à flor da pele para isso.
- Eu não te entendo, sabe. - murmuro, e me apoio na cerca também.
- Qual é a da Chang, afinal? - pergunta Pansy, olhando-me curiosa.
Eu ainda não a entendi direito. No começo, ela mal falava comigo. E mesmo agora, nunca fomos muito chegados. Eu não sei dizer, mas é como se mesmo ela estando lá, ela não estivesse realmente.
- O namorado dela tem uma casa aqui perto, acho. - murmuro, dando de ombros. Chang não é uma das pessoas as quais eu mais admiro no mundo.
- E porque ela não tá com o namorado? - pergunta Pansy, erguendo uma sombrancelha.
- É complicado. - digo.
E talvez seja mesmo. É complicado o porque de Cho e Harry terem namorado quando Cedrico viajou para outro país, e é complicado o fato de ele ter voltado e Cho ter dado um pé na bunda de Harry, e é complicado o fato de mesmo assim ela continuar não deixando Harry seguir em frente. Não, não é complicado.
- As pessoas complicam as coisas demais, sabe. - diz ela, após alguns momentos de silêncio. - Ao menos é o que eu acho.
- Então, na realidade, as pessoas tem uma visão...complicada de você? - pergunto, sem rodeios. Não sei o que deu em mim. Há algo nos olhos de Pansy que me fazem acreditar que há um grande mistério (que talvez nem seja tão misterioso assim) dentro dela.
- O que você quer dizer? - pergunta ela, meio que na defensiva, com o cenho franzido.
- Bom... - começo, meio que procurando as palavras, com as maõs nos bolsos. - Você dá medo...
Pansy ri. Uma risada alta e gostosa de ouvir. Não é sempre que eu a vejo assim. Não é uma risada das que eu estou acostumado a ouvir, entende? Não é aquela risada irônica ou meio que maléfica de sempre. É uma risada... humana.
- Novamente: o que você quer dizer? - pergunta, mais relaxada e olhando-me atentamente.
- Nos garotos, eu digo. Você dá medo neles. - respondo, olhando-a sério. - E pode não parecer, mas você dá medo em Oliver. - acrescento, a espera de uma resposta.
Ela parece pensar por alguns segundos e mexe nos fios negros do cabelo enquanto isso. Suas unhas reluzem a luz da lua e assim... ela parece uma garota como outra qualquer.
- Eu... - começa, meio incerta. - Eu não sei o que dizer. - ela baixa a cabeça, mas logo após levanta de novo: - Você tem medo de mim? - e me olha. Me olha mesmo, mas não um de seus olhares matreiros e sim um olhar... vulnerável e perdido.
- Eu tinha... até alguns minutos atrás, admito. - sorrio e escuto ela rir baixinho.
- E o que fez você mudar de idéia?
- Você é uma garota. - respondo, sorrindo. - Pode ser uma garota muito bonita e cheia dos truques de sedução, mas não deixa de ser uma garota como outra qualquer, sem ofensas.
- Não me ofendi. - respondeu ela, sorrindo também. - Acho que você é o primeiro garoto que consegue me ver apenas como isso... uma garota.
- E isso é ruim? - pergunto, incerto. Eu tenho uma incrível habilidade para falar besteiras.
- Não, de modo algum. - responde ela, baixinho. - Sabe, a minha vida toda eu cresci ouvindo as pessoas dizerem o quanto eu sou bonita e... o quanto eu sou bonita... E eu não sei, em algum momento disso tudo eu acho que eu apenas comecei a ver só isso em mim... Eu não sei... é como se...
- Você não tivesse mais nada para oferecer? - pergunto e ela assente com a cabeça. E não sei de onde veio isso. Não sei mesmo. As palavras simplesmente tomaram vida em minha boca. - Eu me sinto assim também, sabe? Mas, acho que nunca parei muito pra pensar... Eu não sei. É como se todos me vissem como o bobo, entende? Eu sei que não sou tão inteligente como Hermione e eu só não me sinto...
- Você não se sente capaz? - ela diz e eu me sinto compreendido em muito tempo. - Como se sem as máscaras e as barreiras que você mesmo cria é como se você não fosse muita coisa? É, eu também. Eu gostaria de saber o quanto as pessoas gostam de mim por eu ser eu e o quanto gostam de mim por eu ser bonita.
Fico em silêncio por alguns momentos e sei que ela ainda tem mais algo o que falar. É bom, porque eu não sou um cara de muitas palavras mesmo.
- Eu acabo ficando sempre na defensiva e não é porque eu quero... No começo eu fazia isso porque realmente queria. A gente se acostuma a fazer isso depois de levar um fora - no meu caso - ou porque aconteceu algo muito ruim... Mas, com o tempo... É como se tudo fosse...
- Automático. - acrescento.
E não é preciso dizer mais nada. Eu e Pansy apenas ficamos ali calados, conversando no silêncio. E eu agradeço o momento que Chang entrou por aquela porta, porque senão eu não teria feito uma nova amiga. E eu não teria descoberto tantas coisas sobre mim.
Fico deitado, no escuro. Pensando na vida. As coisas que Pansy disse ainda estão muito fortes na minha mente.
- Achei que você já estivesse dormindo. - diz Hermione, entrando no quarto e procurando-me cegamente com as mãos.
- Aqui. - digo, levantando-me e puxando-a para junto de mim.
Sinto seu corpo estremecer entre meus braços. E me sinto fora de mim, com o toque macio da pele dela em mim, que estou só de bermudas. Não sei o que deu em mim, talvez seja o tanto de cerveja que eu tomei no jantar e depois quando vim para o quarto. Talvez elas finalmente estejam fazendo efeito, afinal.
O fato é que Mione se deixa levar e eu deito na cama com ela no meio das minhas pernas. Fico fazendo carinho em seus cabelos e sinto sua respiração ficar pesada, assim com a minha.
- Há algum tempo que a gente não ficava assim. - digo, baixinho.
- Assim como? - pergunta ela, e sinto um certo tremor em sua voz.
- Só eu e você. - respondo, calmamente, e eu realmente devo estar bêbado para conseguir falar essas coisas sem falhar. - Eu senti falta disso.
- Sentiu falta da sua melhor amiga? - ela pergunta, levantando-se abruptamente e minha cabeça gira.
- Não exatamente. - respondo, meio incerto. O que ela espera que eu diga? Que na realidade ela faz o meu mundo gerar e causa as mais diferentes reações no meu corpo que eu até me envergonho de dizer? Caramba, ela não me vê com esses olhos. Por Merlin, como eu adoro tê-la em meus braços! Chega a ser doloroso.
- Você está bêbado? - ela pergunta, de repente.
- Um pouco. - respondo, sincero.
- Por Merlin, Ron! - exclama ela, irritada. - Não diga essas coisas a menos que esteja falando sério.
- Porque eu não pareço sério pra você? - pergunto, aproximando-me dela.
Estamos ambos sentados com os rostos muito próximos, no escuro. Ela bufa e não me responde.
- Você não entende. Eu pareço bobo, mas não sou tão bobo assim, sabe? - digo, deixando a conversa com Pansy passear pela minha mente e alguma parte dela tomar vida na minha boca.
- Eu nunca disse que você era. - Mione rebate, com os braços cruzados um pouco abaixo dos seios. E reparar nisso só faz com que eu olhe para seu decote e que bem... minha boca fique seca e outras coisas mais.
- Mas, age como se eu fosse. - digo, cansado demais de tudo isso. Cansado de fingir.
- Bom, talvez você seja, mas não da maneira como está pensando. - ela diz, calmamente. E a minha vontade é de dar um murro na parede, mas não faço isso.
- O que você quer dizer com isso? - pergunto, na defensiva.
- Que eu te amo e você é muito estúpido para perceber isso, Ronald. - diz ela, entredentes, com um tom de fúria na voz.
E eu estou muito pasmo para dizer alguma coisa. É como se eu realmente tivesse ficado mudo. Mione bufa e caminha em direção a porta.
- E a próxima vez que você estiver a fim de brincar com meus sentimentos, ao menos faça isso sóbrio porque aí vou poder ficar com ódio de você. - rosna, girando a maçaneta e um pouco antes de ir embora, ela apenas acrescenta: - Quer saber? Vai pro inferno!
