Capítulo 5 – Voltando Para Casa

E lá estava eu, descendo o avião e procurando pelas minhas bagagens, quando encontro com Collin esperando por mim. Eu sorri para ele e corri:

"Nossa, o que você tá fazendo aqui?", perguntei, enquanto ele pegava a minha mala de mão "Não tinha uma reunião?"

"Bom, sim... mas você é mais importante do que uma reunião qualquer", disse Collin, me dando um beijo de leve nos lábios "Além do mais, eu estive pensando em nós dois... muito... ultimamente", diz ele, corando violentamente.

Oh, não.

Por favor, por favor, Collin, não me peça em casamento!

Ou melhor, me peça, sim!

Quero dizer, eu tenho quase 30 anos – tá, não quase mas estou por aí – e ainda estou solteira, seria bom casar. Além do mais, o Collin é o namorado perfeito: loiro, olhos claros, inteligente, carinhoso, sabe tudo o que eu gosto... e, bem... é por isso que, ás vezes, eu duvido que ele é gay... ele é simplesmente perfeito demais!

E é uma lei: cara perfeito, gay.

Não me leve a mal, tem cara bonito que é heterossexual, mas, simplesmente, os homens não nos entendem! Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus. É a lei! Não podemos nos entender, é isso que dá equilíbrio ao mundo!

Quero dizer, quantas vezes você já viu um homem dizer:

"Eu quero seu cartão de crédito para dar uma voltinha no shopping e comprar alguns sapatos?"

Ou uma mulher sentar no sofá e ficar o dia inteiro assistindo quadriboll e coçando o saco – que não tem, a propósito – enquanto arrota e segura uma latinha de cerveja na mão?

Acho que não.

POR QUE ESSA É A ORDEM NATURAL DAS COISAS!

"Então, o que acha?", perguntou ele, olhando-me ansiosamente.

"Quê? Acho do quê?", pergunto, distraidamente.

O rosto dele formou-se em uma careta incrédula.

"Você ouviu o que eu disse?", perguntou ele, claramente magoado.

"Oh, sinto muito, Col...", digo, rapidamente "Eu estava pensando em outras coisas, você poderia repetir, por favor?"

Vi quando ele ficou meio desconcertado e as bochechas começaram a queimar, então, com alguma dificuldade, ele fez a mais improvável das perguntas:

"O... o q-que você acha... de... você... você sabe... nós morarmos juntos?", perguntou ele, engolindo em seco, depois da pergunta.

Tive que morder com força a língua para evitar que uma gargalhada viesse à tona. Eu percebi, naquele momento, que aquilo era quase como um casamento para Collin e, por tanto, era importante para ele.

"Eu acho..." e percebi o olhar apreensivo do tipo 'não parta meu coração em pedacinhos, por favor' e dei um sorrisinho falso "...perfeito! Na verdade, me perguntava quando você me pediria isso?"

Casamento.

Pff...

Quem precisa de casamento quando seu namorado gay – aparentemente – está te convidando para morar com ele?

Sinceramente, por que as mulheres casam?

Sim, estou sendo irônica.

XxXxX

Cheguei no apartamento que divida com Luna e Cher arrasada.

"Então, como foi o desastre?", perguntou Cher, sem se importar se eu estava chateada ou não "De 1 a 10, dê uma nota", disse, chutando uma cadeira em minha direção, convidando-me a sentar-me para a tortura da sessão de contos, a qual eu seria a atração principal.

"11, Cher... 11!", exclamei, desanimada.

"Foi tão ruim assim?", perguntou Luna, docemente, enquanto vinha com uma garrafa de suco orgânico e três copos.

"Foi pior que 'ruim', se tivesse sido 'ruim' eu estaria feliz, amiga! Foi péssimo!", resmunguei, virando o copo de suco como se lá tivesse a resolução para todos os problemas que eu teria de encarar.

Claro que, normalmente, seria natural que eu fizesse isso com uma boa dose de uísque, no entanto, o mesmo acabar uma semana antes e ninguém quis ir comprar mais.

Nhai... Se eu soubesse o quanto eu o estaria apreciando agora, teria comprado quando acabou. Suspirando, ergui os olhos e encontrei um par de olhos verdes e um par de olhos azuis me fitando com interesse.

"O quê?", perguntei, olhando-as, confusa.

"Então...?", fizeram as duas em uníssono.

"Então, o quê?"

"Querida, nós queremos de-ta-lhes", disse Cher, sibilando a última palavra.

"Bom..." e relatei novamente a história inteirinha, dando todos os detalhes, excluindo, claro o fato de ter contado todos os meus segredos mais íntimos para um total estranho.

"E quem sentou do seu lado no avião?"

"Ah, um cara..."

"Bonito?", perguntou Cher, interessada.

Me recordei do cara com a barba por fazer, aqueles olhos azuis frios que eu jurava conhecer de algum lugar...

"Charmoso, eu diria"

"E falou com ele?", perguntou Luna, empolgada.

"Ahn...", eu escolhi cuidadosamente as palavras "Digamos que sim..."

"Hum... E ele era simpático?", perguntou Luna.

"Era... ahn... educado", eu disse, lentamente.

"Hum... E o Collin?"

"O que tem ele?", perguntei, tirada dos meu devaneios sobre o loiro incrivelmente charmoso com quem eu havia tido um monólogo por quase uma hora.

"Ele me disse que ia te fazer uma proposta muito importante hoje!", disse Luna, em tom óbvio.

Eu fiquei em um silêncio culpado.

Cher inclinou-se na mesa.

"Ele pôs um anel de brilhantes na sua mão?"

"Não!", eu explodi, surpresa "Claro que não!"

"Ah, então não deve ser tão importante", disse ela, com desdém.

"Ele me chamou para morar com ele", disse, dando de ombros.

Cher engasgou com o suco de laranja, enquanto os olhos de Luna brilharam absurdos, como se tivessem vida própria.

"Isso é...", começou Luna, sonhadora.

"A maior furada!", exclamou Cher, cortando-a e fitando-me, como se eu fosse louca "Você não aceitou, aceitou?"

"Bem... não tive coragem de dizer 'não' se é isso o que você quer saber", eu disse, num tom pouco decidido.

"Você é uma desmiolada! Como você aceitar ir morar com aquele idiota? Querida, nunca more com um homem, a não ser que ele te dê um anel de brilhantes!"

"Por quê?", perguntou Luna, levantando-se, irritada, e botando as duas mãos na cintura "Eu acho bem romântico!"

"E o engraçado, é que você nunca conseguiu ter um relacionamento que durasse mais do que suas semanas, não é, Luvegood?"

Eu vi os olhos da Luna marejando e ela saiu andando rápido, em direção ao seu quarto, onde ela fechou a porta com força.

Cher também ficou de mau humor, por causa da discussão e recolheu-se para o seu quarto.

Tá, eu sei que isso é terrivelmente errado, mas eu tinha ficado feliz que a minha sessão de tortura tivesse acabado, porque, normalmente, duraria horas...

Levantei-me, com um sorrisinho no rosto, e fui dormir.

Continua...

N/A: Nhá... Gostei mesmo de escrever esse capítulo...

Bom, espero por reviews, para vocês me dizerem o que estão achando!

Um beijo imenso e passem nas outras fics, OK?

Gii