Capítulo VIII – A Dama do Dragão

– Deves estar a brincar. – replicou Maraya, sem pinga de sangue. – Isso tudo do poder, é fácil de confiar. Agora, a não-sei-quantas do Dragão? Desculpa, Saphira, mas é difícil de acreditar.

Distraidamente, levou uma mão ao peito e tocou na sua mais recente marca. Deu-se conta do que estava a fazer e, com um estremecimento, retirou a mão. Iniciou um percurso circular. Simultaneamente, o cérebro de Saphira trabalhava a mil à hora.

– A Dama do Dragão, segundo sei, é a equivalente a um Cavaleiro do Dragão, sendo sua companheira. No entanto, e tal como já referi, não tem a força dele, nem a sua capacidade de suportar dor. Resumindo, é mais frágil que ele.

– Disseste que isto já aconteceu. Quando? – perguntou Eragon, também ele atordoado, tentando encontrar a resposta para as suas dúvidas.

– Hum, sim, uma vez. E foi, curiosamente, durante o "reinado" do primeiro Cavaleiro. A mulher em questão, Philipa, ficou conhecida por ter utilizado o seu dom para curar os outros. Contudo, morreu cedo, no mesmo instante em que o seu amado soltou o último suspiro, apesar de estar de boa saúde. – suspirou. – Já percebeste, não já? Se Eragon morrer, nós as duas estamos condenadas. Por outro lado, estarão mais ligados do que nunca. Compreensão total e comunicação sem fronteiras, diz-vos algo?

Eragon chutou uma pedra contra a parede. Parecia zangado. Furiosamente, pensou: Isto é mais uma maldição do que uma bênção!

E esmurrou a parede, com ainda mais raiva. Maraya aproximou-se das suas costas, um pouco a medo. Colocou uma mão num dos ombros dele e, lenta mas decididamente, virou-o.

Não é uma maldição… Mesmo que isto não tivesse acontecido, se te sucedesse algo, eu não quereria continuar a viver. Tu sabes que tenho razão.

Não bastava ter a vida de Saphira sobre os meus ombros. E agora, também tu estás em perigo!

Começando a ficar aflita com o comportamento de Eragon, a jovem fez a única coisa de que se lembrou para esvaziar a mente do rapaz: beijou-o.

– Nunca mais digas isso, ou serei obrigada a tomar medidas drásticas. – ameaçou ela, apesar de estar a sorrir.

O sorriso de Maraya contagiou-o e, sem se aperceber, foi-se esquecendo do assunto.

Alguns dias depois, Maraya desapareceu durante algumas horas. O Cavaleiro do Dragão começava a ficar preocupado. Será que tinha sido capturada? Estaria ferida?

Saphira, que entretanto voltara da caça, afirmou, muito segura de si: Ela está bem. Sinto-o. Mas, se continuas impaciente, podes perguntar-lhe.

Passaste-te? Como é que eu posso fazê-lo? Ela está longe…

Não ouviste nada do que eu disse, pois não? Eu contei que vocês tinham uma relação de comunicação sem fronteiras!

Perante a cara de espanto do rapaz, a criatura soltou uma série de rugidos que se assemelhavam a gargalhadas.

Após recompor-se, Eragon sentou-se e fechou os olhos. Limpou a mente e procurou a da sua namorada. Com espanto, constatou que conseguia encontrá-la. Optou por perguntar:

Onde estás?

Estou bem. E, sinceramente, não escolheste a melhor altura para invadires a minha mente. Estou ocupada…

Com quê?

Deverias perguntar: com quem? É que estou metida, até à cintura, num mar de tubarões.

Onde te foste meter?

Oh, eu depois conto. Agora tenho de fugir. Fui descoberta. Até já.

E quebrou a ligação.

Eragon ficou ainda menos descansado. Quem estaria a persegui-la?

Nota: Este capítulo ficou mini… mas eu prometo que vos recompenso no próximo!