Nota da autora: Certas partes podem ferir as susceptibilidades! Por causa deste capítulo e do seguinte, mudei a classificação para T (maiores de 13). Atenção! Não me responsabilizo por eventuais danos morais…

Capítulo X

Operação de Devolução – Fase 2

Eragon encarou a fortaleza de Gil'ead, recortada pelo pôr-do-sol. Envergando umas vestes velhas e rasgadas, fizera-se passar por escravo da bela senhora que o acompanhava.

Maraya estava irreconhecível: o seu cabelo, que outrora fora ruivo e liso, estava completamente negro e frisado; os seus olhos também tinham mudado de cor, passando de verdes para castanhos. Usava roupas ricamente decoradas, dignas de uma princesa. Tudo isto fora possível graças à magia de Eragon.

A suposta princesa avançou, juntamente com o seu alegado criado, até a um guarda. Com um porte tão altivo como convencido, dirigiu-se-lhe:

– Sou Sahrah de Belatona e vim até aqui com o objectivo de falar com o responsável destacado por Galbatorix.

O homem, que parecia ser pouco inteligente, coçou a cabeça, intrigado.

– Oh, homem, quero falar com o seu superior! – repetiu, de forma lenta, mas exasperada, Maraya.

O guarda apressou-se a cumprir a ordem daquela bela senhora. Voltou, passados alguns minutos, trazendo consigo um outro guarda.

– Que deseja, senhora…?

– Sahrah de Belatona. Quero falar com o senhor Murtagh, o mais depressa possível. Trago uma mensagem urgente para ele.

Imediatamente, o segundo guarda entrou na fortaleza, deixando os outros três à espera. Finalmente, anunciou, do cimo de uma ameia:

– Baixem a ponte levadiça!

Assim que entraram, foram recebidos por um outro militar, que declarou, com exagerada cortesia:

– Vinde comigo, senhora. O meu mestre está à sua espera.

– Um momento, caro senhor. Mandai servir algo ao meu escravo. – ordenou Maraya, numa voz doce.

– Com certeza, cara dama. – replicou o homem, impressionado.

És boa nisto! Eragon, de cabeça baixa, seguiu o primeiro guarda que tinham encontrado, ao mesmo tempo que estabelecia uma conversa telepática com a jovem. Boa sorte. Assim que puder, vou buscar o ovo. Tem cuidado.

Maraya acenou, imperceptivelmente, e seguiu o guerreiro, através de inúmeros corredores. Pararam, ao fim de um longo período de caminhada, durante o qual o homem tentara cortejar a rapariga, sem sucesso.

– É aqui, senhora. Pode entrar. – despediu-se ele, com verdadeiro pesar.

– Obrigada. – agradeceu "Sahrah".

E entrou, sem abandonar o seu porte de princesa.

Foi recebida por Murtagh que, embora disfarçasse, estava deveras curioso. Após o cumprimento de todos os rituais de saudação obrigatórios, ele inquiriu:

– Senhora Sahrah, a que devo esta, digamos, inesperada visita?

– Trago uma mensagem urgente de meu pai, o conde de Belatona. Ele afirma que os seus guerreiros detectaram movimentos suspeitos, talvez dos Varden. Além disso, os seus informadores garantiram que foi descoberto um túnel secreto, ligado a Surda.

Murtagh afagou o queixo, pensativo. Permaneceu assim, durante alguns instantes, que culminaram com um longo suspiro. Ao dar-se conta que a jovem estava em pé, desculpou-se pela sua desatenção e indicou-lhe uma confortável cadeira.

– Boas notícias me trazeis, dama Sahrah. Atrevo-me a perguntar porque é que o seu pai não me informou pessoalmente… Nos tempos que correm, é perigoso para uma jovem de tão delicada beleza viajar só.

Bingo. Eragon, ele está a morder o isco! Já conseguiste?

Estou à procura… Vou tentar despachar-me.

– O meu pai roga-lhe que o desculpe. Encontra-se, actualmente, deveras doente, estando impossibilitado de viajar. No entanto, não nos devemos inquietar: em breve, estará recuperado.

Fingindo não dar conta, deixou que o seu belo xaile escorregasse, deixando a nu os seus ombros. Procurou os olhos do seu ouvinte e, com agrado, constatou que estavam presos no sítio certo.

– Desejo, sinceramente, que o seu pai melhore. – disse o outro, com os olhos ainda presos nos ombros da jovem. Forçando-se a despregar o olhar, inquiriu: – De certo, não realizastes uma tão longa viagem para me dar, apenas, essas preciosas afirmações. Qual o seu outro propósito?

– Vejo que sois perspicaz, nobre senhor Murtagh.

– Por favor, senhora, trate-me por Murtagh, apenas.

A jovem deixou escapar um sorrisinho de triunfo, que o outro interpretou de forma diferente.

– De acordo. Murtagh, meu pai quer firmar uma aliança consigo e com Galbatorix. – declarou, ao mesmo tempo que, despercebidamente, puxava um pouco a saia do vestido, deixando ver parte das suas pernas.

– Isso seria agradável. – respondeu o rapaz, cujos olhos estavam presos nas pernas dela. – Diga-me, Sahrah, o que pode o seu pai oferecer ao Império?

– Cinco mil homens armados e bem treinados, além da mais moderna artilharia de guerra. Claro está que os túneis até Surda estão incluídos no contrato.

Calma e, aparentemente, distraída, sorriu, ao mesmo tempo que retirava uma madeixa de cabelo da cara.

– Parece uma proposta aliciante. – admitiu Murtagh, completamente embevecido.

– Exactamente. E, como prova da sua vontade em aliar-se a vós, trago-vos um presente da sua parte.

Mal acabou de falar, levantou-se, fazendo com que o outro a imitasse. Aproximou-se dele suavemente, enquanto que atirava o seu xaile, para longe de si.

– Eu estou à sua disposição.

Tremendo como um louco, Murtagh eliminou a distância que ainda os separava e, sem qualquer receio, agarrou Maraya pela cintura. Esta, disfarçando um esgar de nojo, envolveu-o com os seus braços e segredou-lhe:

– Estais à espera de quê? Levai-me para o vosso quarto, onde tereis a melhor experiência da vossa vida!

Estas palavras tiveram o efeito desejado. O rapaz, enlouquecido, pegou na jovem ao colo e levou-a para o quarto do lado.

Eragon, despacha-te!