Capítulo XI

Operação de Devolução – Fase 3

O grito de Maraya ecoou dentro da cabeça de Eragon. Notando o tom apreensivo da namorada, acelerou o passo. Finalmente, encontrou o que procurava.

Encontrei! Agora, vou arranjar uma maneira de entrar e trazer o ovo. Já está quase, meu amor.

Precisas de quanto tempo? Pensou Maraya, enquanto que era levada por Murtagh.

Dez minutos. Aguentas?

Claro.

A jovem cortou a ligação, deixando o Cavaleiro sozinho com os seus pensamentos. Estes estavam dirigidos para a missão que tinha pela frente, evitando pensar no que a namorada estaria a passar.

– Não te preocupes. Eu vou despachar-me! – murmurou para o vazio.

Maraya sorriu para o homem que estava diante de si, contrariada. Até agora, tudo tinha corrido como planeara. Tudo o que fizera fora relativamente fácil de executar, contudo, naquele momento, estava perante uma situação que nunca experimentara, sem saber o que fazer.

Entretanto, Murtagh tentava controlar-se. Suavemente, sentou-se em frente a Sahrah, em cima da cama. Percorreu o corpo dela com o olhar, antes de a beijar lentamente. Ao ver que ela não correspondia, inquiriu:

– Que se passa, querida?

Pensando numa rápida desculpa, Maraya afastou-se ligeiramente. Por fim, declarou, muito segura de si:

– Eu disse que irá ser uma experiência nova para si. Não vai fazer o que faz com as outras mulheres.

A sua mente trabalhava velozmente, elaborando um plano que, prontamente, ficou concluído.

– Preciso de me preparar. Esperai aí um pouco.

Dirigindo-se aos aposentos de banho do quarto, procurou algumas toalhas, que atou, até formar duas cordas bem resistentes.

Ouviu barulho no quarto e assomou à porta, com curiosidade. No entanto, assim que viu Murtagh a preparar a cama, sentiu um vómito. Encostou-se à parede e, quando se sentiu recuperada, disse-lhe:

– Murtagh, querido, tomai providências para que não sejamos interrompidos!

Com alívio, ouviu o rapaz sair do quarto e falar com um guarda, dizendo:

– Oiças o que ouvires, não entres no quarto, entendido? E não comentes esta situação com ninguém!

– Sim, senhor. – foi a resposta do guerreiro.

Pronta para o seu novo desafio, Maraya voltou ao quarto, onde encontrou o outro seminu, deitado em cima da cama. Aproximou-se dele e, com a sua voz de mel, anunciou:

– Vamos começar.

Saltou para cima dele, trazendo as cordas consigo. Ele agarrou-lhe o vestido, pronto para lho tirar, mas ela impediu-o. Começou a amarrar-lhe um pulso, usando a primeira corda.

– Hum, não sabia que a Sahrah era daquelas damas atrevidas! – atirou Murtagh. – Eu gosto. – acrescentou, desnecessária e estupidamente.

– Nem sabe o quanto sou atrevida. – respondeu, alheia a tudo menos ao seu trabalho.

Aproveitando o estado de profunda concentração da rapariga, o Cavaleiro do Mal rasgou-lhe o vestido, usando a mão livre.

– Estais a ir demasiado depressa, senhor. – resmungou Maraya, verdadeiramente aborrecida e assustada.

Acabou de lhe amarrar o segundo pulso e verificou quais os estragos no vestido. Com desagrado, verificou que este estava rasgado de cima a baixo. Felizmente, usava uma túnica interior!

Já conseguiste roubar o ovo?

Estou dentro da sala. Vou fazer levitar o ovo até mim. Só preciso de mais dois minutos.

Exasperada, a jovem suspirou. Tinha de continuar com aquele teatro ridículo. Já não sabia o que mais fazer. Aflita, percorreu a sala com o olhar, procurando uma solução.

Murtagh, por seu lado, estava a ficar impaciente. Perante a demora da jovem, decidiu agir: com as pernas, empurrou Sahrah para cima de si e beijou-a.

Blah! Que nojo! Ainda demoras muito?

Estou pronto. Vai ter comigo ao pátio principal.

Aliviada pelo eminente fim do pesadelo, a Dama do Dragão separou-se do homem que a beijava e declarou:

– Eis a sua surpresa.

Precipitou-se, mais uma vez, para ele e beijou-o, tentando distrai-lo. Entretanto, pegara numa jarra, com que bateu em Murtagh, deixando-o sem sentidos.

– Eu avisei-te de que ia ser inesquecível.

Rapidamente, afastou-se dele e correu em direcção ao seu xaile, com que se cobriu. Sem mais demoras, saiu. Foi vista por um guarda, que, ingenuamente, não contestou a sua atitude.

Percorreu a fortaleza, chegando ao local combinado. Eragon já lá estava, disfarçado de criado. Juntos, abandonaram Gil'ead.