Capítulo XV – Batalha Aérea

Saphira rugia, furiosa, ao mesmo tempo que se debatia com os guerreiros inimigos. Tinha de se apressar, pois os seus amigos precisavam da sua ajuda! Com um golpe de cauda, derrubou alguns homens, apanhados desprevenidos.

Lutou durante alguns minutos, até descobrir uma brecha na formação adversária. Sem perder tempo, elevou-se nos ares e voou dali para fora.

Sobrevoou a zona circundante, tentando detectar a presença do seu Cavaleiro, mas foi em vão. Provavelmente, estavam embrenhados nalgum bosque.

Decidida a encontrá-los rapidamente, Saphira preparou-se para falar com o rapaz através da mente, quando ouviu algo que a gelou por dentro: o rugido de um dragão!

Eragon, Maraya! Onde estão? Murtagh não está só. Trouxe consigo o seu dragão e dezenas de guardas!

Não obteve outra resposta, que não um Eu sei, por parte do rapaz.

Não vos consigo ver!

Nós estamos a sair de um bosque…

Utilizando a sua boa visão de dragão, a criatura conseguiu encontrá-los. Sem perder tempo, aterrou diante deles, ordenando-lhes que montassem.

Imediatamente, levantaram voo, não obstante os gritos dos cavaleiros que os perseguiam.

Poucos segundos passaram antes de avistarem um outro dragão, desta feita vermelho, que reconheceram como sendo Thorn, com Murtagh montado.

De imediato, tudo o que os rodeava desapareceu, pelo menos, para eles. Já nada interessava, a não ser destruir o oponente.

Foi com estes pensamentos que Murtagh atacou o irmão. Saphira desviou-se agilmente, com uma graciosa pirueta.

Ele está a tentar cansar-nos!

Eu sei! Temos de pôr a Maraya a salvo e, depois, ele que se prepare. Hoje, não o vou deixar escapar com vida.

Nem penses! Eu não vos vou deixar! Juntos, teremos mais hipóteses. E, se for necessário, transferirei a minha energia para ti!

Não há tempo para discutirmos! Vamos ao ataque, pequenos, rugiu a dragão, ao mesmo tempo que se esquivava de mais uma investida de Thorn.

Eragon ergueu-se da sela e desembainhou a espada, pronto para lutar. Simultaneamente, a jovem concentrou-se na lâmina de Za'roc e proferiu um feitiço.

Os adversários conseguiram esquivar-se, sem qualquer consequência. Contudo, não tiveram a mesma sorte quando, logo a seguir, o Cavaleiro atacou. Murtagh deixou cair a espada, para se agarrar à cabeça, que latejava de dores.

Com esforço, Maraya conseguiu apanhar a espada do inimigo e empunhou-a.

Entretanto, o outro Cavaleiro conseguira livrar-se da magia de Eragon e atacava, agora, a mente da rapariga. Indefesa perante tal atitude, não teve outro remédio se não prostrar-se ao lado do namorado, tentando repelir o ataque.

Aproveitando a situação, Saphira atacou a outra criatura, tentando derrubar o seu cavaleiro. No entanto, este conseguiu manter-se na sua sela, sem se magoar nem esforçar muito.

Não contava que a jovem conseguisse expulsá-lo da sua mente e virar o feitiço contra o feiticeiro! Nesse momento, era senhora da mente dele.

Agora, Eragon! Tenho a mente dele sob o meu poder, mas ele está a debater-se e não vou aguentar muito mais!

Maraya tentou subjugar a vontade de Murtagh, forçando-o a movimentar-se involuntariamente. Contudo, não era forte o suficiente, conseguindo apenas imobilizá-lo.

Eragon atacou, sem piedade, o irmão, conseguindo derrubá-lo no momento exacto em que a rapariga perdia o controlo da mente dele.

Prestes a desmaiar, a jovem viu apenas o vulto do seu inimigo a cair em direcção às copas das árvores.

De súbito, sentiu-se mais forte. Só percebeu o que se passava quando olhou para o namorado, que lhe estava a transmitir um pouco da sua energia.

Conseguimos, Maraya!

Mataste-o?

Duvido, mas penso que o feri o suficiente para este combate acabar.

Abraçaram-se, sobre a sela de Saphira, que voava em círculos, procurando o outro dragão. Abrandou o ritmo, ficando a pairar, ao mesmo tempo que olhava em volta.

Eragon, olha para a tua direita!

Graças ao aviso da dragão, o jovem conseguiu atirar Maraya para o lado e desviar o ataque de Murtagh, numa fracção de segundos.

Thorn investiu contra Saphira, que teve de executar uma arrojada pirueta para fugir. Os dois jovens desequilibraram-se, estatelando-se ao comprido sobre o corpo da criatura. Entretanto, Murtagh aproveitou para se aproximar, até ter o irmão ao alcance da sua nova espada que, sem dúvida, devia ter encontrado na sequência da sua vertiginosa queda.

Preparou-se para atacar, tentando ferir o oponente, mas não matá-lo. Foi esse pormenor que o atrasou por alguns segundos, enquanto escolhia o local ideal para desferir o golpe. No entanto, foi o bastante para Maraya o impedir, ao fazer algo simultaneamente estúpido e corajoso: colocar-se entre os dois irmãos e lançar a sua espada para a frente.

Conseguiu ferir o outro no braço, mas também sofreu com o seu súbito ataque de coragem: a sua perna esquerda foi trespassada pela arma do inimigo. Perdendo o equilíbrio, só conseguiu gritar de dor.

Não caiu, pois foi apanhada por um par de mãos, no momento certo. Virou-se para encarar o namorado. Não conteve um grito de horror quando se apercebeu de que estava nos braços de Murtagh. Este riu-se maliciosamente e arrastou-a para a sua sela, onde a prendeu.

– Quando eu capturar aquele idiota, trato de ti, minha linda, antes de te matar! – cuspiu ele, antes de voltar à luta.

Cheia de dores e mais lívida do que um fantasma, Maraya assistiu, horrorizada e impotente, às tentativas do namorado para a salvar. No entanto, depressa se apercebeu de que ele não conseguiria fazê-lo, antes que ela se esvaísse em sangue, ou pior, que o irmão o capturasse. Decidiu fazer a única coisa que lhe restava.

Com um esforço monumental, voltou a utilizar a sua magia para atingir a pequena faca que tinha escondida na bota. Agarrou-a com a boca e, dobrando-se sobre si, começou a cortar as amarras que a prendiam à sela de Thorn.

Concluído aquele penoso trabalho, arrastou-se até à extremidade da sela e ergueu-se, fitando o vazio.

Eragon, não te preocupes mais comigo. Mata-o quando eu disser… Vou distraí-lo durante uns segundos; é o suficiente para o matares.

Qual é a tua ideia? Não faças nenhum disparate.

Enchendo o peito de ar e coragem, Maraya gritou para Murtagh, que estava de costas para ela:

– Hei, palerma. Julgavas que me podias capturar assim tão facilmente? Nunca me terás! É preferível morrer!

As suas palavras tiveram o efeito desejado: o cavaleiro negro virou-se para a encarar, surpreendido por ela se ter libertado.

Amo-te, Eragon.

E saltou, não sem antes fazer uma careta para o adversário.