Capítulo XVI – Não te quero perder…

Murtagh viu a jovem saltar, sem acreditar no que estava a ver, tal como Eragon. Contudo, este último foi o primeiro a reagir, ao ordenar ao seu dragão que voasse na direcção dela.

Saphira desviou-se do inimigo e seguiu a instruções do seu Cavaleiro, assustada com a súbita atitude da jovem.

Eragon, Saphira, o que é que estão a fazer? Matem-no agora, antes que ele reaja! A rapariga gritava, em plena queda livre. No entanto, parecia estar a ganhar cada vez mais velocidade, sem abrandar.

– Maraya! – gritaram o cavaleiro e o dragão, em uníssono.

Mas era tarde demais: Murtagh recuperou do choque e voltou à carga. O dragão de Eragon teve de se desviar, para evitar um choque com Thorn. Tentou voar, novamente, na direcção de Maraya, mas foi impedida pelo adversário.

Percebendo que o tempo se estava a esgotar, o Cavaleiro levantou-se. Murmurou um pedido de desculpas a Saphira e, enquanto que lhe pedia para lutar até ao fim, saltou também.

Eragon!

Faz o que te mando, Saphira! Não me tentes deter!

Usou a sua magia para avançar mais rapidamente, de modo a acercar-se da namorada. Quando esta se apercebeu da sua presença, pensou, furiosamente: O que estás a fazer? Queres morrer? Tu és doido! Volta para a batalha, para junto de Saphira e destrói aquele canalha!

Sabes bem que não posso. Mesmo que pudesse, nunca te abandonaria!

És tão parvo! Eu sacrifiquei-me para que tu o matasses e tu deitas tudo a perder!

Eu não te quero perder!

Não percebes, Eragon? Eu já estou condenada! Se não fosse desta forma, morreria na mesma!

Com grande esforço para contrariar as forças que o ar exercia sobre ela, virou-se e mostrou o ferimento da perna. Fluxos de sangue fluíam de um corte largo, que ia de um lado ao outro.

Já perdi demasiado sangue… não sobreviverei.

Eragon, abraçou-a, tentando reconfortá-la. Juntos, encararam o chão, calculando o tempo de vida que lhes restava, antes de se estatelarem no solo.

– Maraya… se, por acaso, sobrevivêssemos, casavas comigo?

Surpreendida com o pedido, a jovem não conseguiu fazer outra coisa que não acenar em concordância. Sofregamente, beijaram-se, de olhos fechados, esperando o embate final… que foi pouco doloroso.

Eragon foi o primeiro a abrir os olhos. Sem soltar a jovem, que permanecia de olhos cerrados, observou a superfície que lhes tinha amparado a queda. Pouco surpreendido, constatou que era Saphira.

Eu sabia que conseguias, Saphira!

É melhor não repetires esta gracinha, nem tu, nem ela. Eu não vos quero perder, pequenos!

Como…?

Por mais incrível que pareça, foi graças a Murtagh.

O quê?

Nesse instante, a jovem reuniu força (e coragem) para abrir os olhos. Ficou sem fôlego, ao constatar que estavam vivos.

O que aconteceu?

Estava agora mesmo a explicar aqui ao menino que foi graças a Murtagh. Ele, ao ver-te saltar, simplesmente, parou de lutar. Foi-se embora. Acho que pensou que não valia a pena combater só com um dragão sem cavaleiro…

Arreganhou os dentes, um pouco furiosa.

Ainda bem que conseguiste salvar o Eragon, Saphira. Agradeço-te do fundo do coração. Arrastou-se até ao pescoço da criatura e abraçou-a. Agora, vais-me prometer que vais tomar conta dele e impedi-lo de fazer mais cenas destas!

O que queres dizer com isso?

Que o meu tempo está a acabar. Promete!

Nesse momento, Eragon decidiu agir e iniciou um feitiço de cura. Vinda do nada, uma torrente de sangue surgiu, jorrando para o interior da perna da jovem. Logo a seguir, a ferida foi-se fechando, até desaparecer completamente, deixando a pele de Maraya lisa e sem marcas.

Incrédula, a rapariga observou a perna, tentando encontrar algum vestígio do ferimento. Como não obteve qualquer resultado, olhou para o namorado, agradecida e muda de espanto.

Lentamente, ia recuperando as forças e, com isso, a segurança. Já não estava pálida; o sangue que perdera fora reposto.

– Eu não sabia que podias… Pensei que não tinha salvação! Eu… eu nem sei o que dizer. Como é que te poderei agradecer? – murmurou ela, confusa.

– Não digas nada…

Eragon abraçou-a com força. Estivera tão perto de a perder… e de enviar Saphira para a morte, com eles.

Parece que nos safámos… O Cavaleiro largou Maraya e suspirou, cansado.

Resta saber: por quanto tempo?

Nota da Autora: Bem, quero pedir desculpa pela desactualização… estava mesmo difícil!

Capítulo pequeno, porque teve mesmo de ser sorry O próximo será maior, agora que a fic já está numa fase mais avançada.

Jks