Capítulo XXI – Tempo de Guerra
Sinto que vêm aí problemas.
Galandy nunca se sentiu tão mal por ter razão.
– Estou pronta.
Ergueu-se, com uma mochila às costas e uma espada no cinto. Observou os seus companheiros, também prestes a partir.
Maraya envergava uma cota de malha espessa, por baixo das suas roupas largas. O conjunto era completado por uma espada de aspecto frio e afiado. O cabelo ruivo estava apanhado num rabo-de-cavalo e, nos seus olhos verdes, reinava um brilho feroz, mas saudável. Se não ostentasse uma barriga de sete meses, dir-se-ia que era uma guerreira destemida e muito poderosa.
Tygryve, por seu lado, transportava, além da sua espada, um arco e setas a tiracolo. Os seus longos cabelos loiros esvoaçavam livremente, ao sabor do vento. Ostentava, à semelhança da jovem, um olhar duro e decidido.
– Vamos. – disse Maraya, numa voz de comando.
O trio encaminhou-se em direcção a Du Weldenvarden. Alguns metros adiante, encontrar-se-iam com muitos outros elfos que, como eles, se dirigiam a Gil'ead, para combater contra as forças do Império.
Há cerca de dois dias, Islanzadí recebera a notícia de que os Varden se dirigiam para aquela localidade, a fim de enfrentar as tropas de Galbatorix. O mensageiro encarregue de comunicar à Rainha o sucedido informou, também, que os Varden pediam a ajuda dos Elfos.
Após uma curta reunião com Arya e os seus conselheiros, a soberana decidiu enviar os seus soldados para a guerra. Entre eles, seguiam a própria Arya e o trio.
A princípio, todos estavam relutantes em concordar com a ida de Maraya. Opinavam que o melhor para ela e para o seu filho era permanecer em Ellesméra, até ao fim da guerra; contudo, a jovem estava inflexível.
– Se vai haver uma guerra, eu tenho todo o direito de participar! – argumentara. – Eu sou, como todos vocês insistem em recordar-me, a Dama do Dragão. Posso não ser tão forte como os Cavaleiros, mas, mesmo assim, tenho algum poder. Eu posso ajudar.
– Eu continuo a achar que não é uma boa ideia. – volveu Arya, preocupada.
– Eu já estou bem. Tenho força mais do que suficiente para erguer esta espada e sei utilizar razoavelmente bem o arco. Se não quiserem que eu entre directamente na batalha, ao menos permiti que eu esteja entre os arqueiros! Além disso, possuo magia; posso ajudar a tratar dos feridos.
A sua insistência acabou por dar frutos e, finalmente, a jovem foi autorizada a viajar com o resto do grupo.
Agora, a caminho de Gil'ead, em cujas pradarias se iria desenrolar a batalha, o pensamento de Maraya prendia-se em Eragon. Ia voltar a vê-lo. Combateria a seu lado. Sorriu, contrastando com as expressões compenetradas de todos os outros elfos.
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Alguns dias depois, o exército élfico entrou no acampamento dos Varden. Por todo o lado se viam soldados humanos, mas também Feiticeiros e Anões, entre outros. Apesar das notórias diferenças entre eles, estavam a trabalhar em conjunto, muito atarefados.
Os elfos instalaram-se e, após algumas horas de repouso, juntaram-se aos restantes. Apenas Maraya pôde continuar na sua tenda, a descansar. No entanto, não era isso que ela fazia. Nunca lhe passara pela cabeça descansar, enquanto os outros se preparavam para lutar. Não. Ela estava a preparar um veneno mortal, em que embeberia algumas setas.
Sentiu movimento nas suas costas. O seu coração falhou um batimento. Seria…?
Voltou-se, dando de caras com uma mulher de pele escura.
– Desculpe entrar assim, mas procuro Maraya, a Dama do Dragão.
– Sou eu. Em que posso ajudá-la?
– Eu sou Nasuada, líder dos Varden.
As duas mulheres apertaram as mãos.
– Desculpe, mais uma vez, interromper o seu descanso. Ah, parabéns. – disse, ao reparar na barriga da jovem.
A rapariga de pele clara sorriu tristemente, agradecendo. Seguidamente indagou em que poderia ser útil, erguendo uma sobrancelha, simultaneamente.
– Bem, eu fui informada de que tem alguma prática com o arco. Por essa razão, pedia-lhe que, assim que fosse necessário, se juntasse aos arqueiros.
– Com muito gosto. Por minha vontade, juntar-me ia ao resto do exército, mas não me deixam. – volveu, com um sorriso ténue.
– É normal. A sua gravidez parece muito avançada, Maraya. – replicou, também sorrindo.
Tinha-se estabelecido uma certa empatia entre as duas jovens. Conversaram durante alguns minutos, optando por um tratamento menos formal. A certa altura, Nasuada, antes de se despedir, não se conseguiu conter mais e perguntou:
– Pareces ser muito jovem. Que idade tens?
– Dezassete anos.
– Desculpa estar a ser indelicada, mas… o pai da criança… ele é muito mais velho do que tu? – perguntou, um tanto envergonhada.
– Não. – replicou, baixando os olhos. – Tu conhece-lo…
Uma suspeita plantou-se em Nasuada, contudo, antes de poder confirmá-la, tocou uma trombeta.
– Vamos! A batalha vai começar! – gritou a mais jovem, com um certo alívio por acabar com aquela conversa.
As duas mulheres abandonaram a tenda, dirigindo-se cada uma para o seu posto. Despediram-se com um rápido: "Até logo", antes de se separarem.
Maraya juntou-se a um grupo de elfos armados com arcos. Juntamente com eles, testou a sua arma e colocou uma seta, pronta a disparar. Entretanto, chamou a atenção de Galandy, que se encontrava a seu lado.
– Embebe algumas das tuas setas neste veneno. – sussurrou, passando-lhe um recipiente que continha um líquido esverdeado.
A elfo assim o fez, antes de passar o recipiente aos outros arqueiros.
De súbito, ouviu-se uma voz de comando:
– Arqueiros, aos seus lugares!
O grupo colocou-se em posição.
– Prontos? Disparar!!!
Um zumbido de setas cortou o ar. Alguns elementos do exército inimigo caíram, envenenados ou feridos mortalmente. No entanto, continuavam a avançar, destemidamente.
Foram lançadas sucessivas salvas de setas, derrubando grande parte da primeira ala adversária. No outro lado do campo de batalha, os arqueiros do Império também atacavam a primeira ala dos rebeldes, constituída por Anões e Vardens.
Minutos depois, as pradarias de Gil'ead já estavam apinhadas de mortos, de ambos os lados. Os arqueiros tinham recuado, dando espaço para os cavaleiros e os outros guerreiros combaterem. Alguns feiticeiros também estavam envolvidos na batalha, contudo, a maior parte ainda não tinha entrado em acção.
Os homens do Império conseguiram encontrar uma falha na barreira dos Varden e, agora, avançavam, sem piedade, em direcção à linha defensiva. Ao ver tal desgraça, Maraya decidiu agir: chamou um punhado de arqueiros, entre eles Galandy, e, juntos, subiram às árvores.
– Em posição! – gritou Maraya. – Disparar!
Os guerreiros do Império foram apanhados desprevenidos e muitos não se levantaram mais.
– Rápido, antes que descubram a nossa posição! Disparem quantas setas puderem e, à minha voz, abandonem o posto! – ordenou a jovem.
Salvas e salvas de setas voaram furiosamente. Os elfos arremessavam setas o mais depressa que conseguiam, sem descurar a pontaria. No entanto, Maraya apercebeu-se de que a sua posição já tinha sido detectada e, numa voz aguda, ordenou a retirada.
Os elfos obedeceram, prontamente. Pelo caminho, alguns ainda arriscaram disparar sobre o inimigo, tendo tido um certo sucesso.
A jovem humana e a amiga encaminharam-se em direcção à tenda dos feridos, onde lhes prestaram ajuda. A rapariga usava a sua magia apenas nos casos mais graves, evitando perder muita energia. Ainda poderia precisar dela, mais tarde.
Enquanto cuidava dos doentes, o seu pensamento recaiu em Eragon, pela primeira vez desde que chegara ao campo de batalha. Perguntou-se, repetidamente, onde e como estaria ele.
Espero que ele esteja bem.
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Eragon e Saphira sobrevoavam as pradarias de Gil'ead, em círculos. O Cavaleiro atacava as mentes dos seus inimigos, ao mesmo tempo que a sua companheira expelia torrentes de fogo.
De repente, ouviram o rugido de Thorn, o dragão de Murtagh. Trocaram algumas palavras pouco simpáticas, após das quais os dois Cavaleiros se enfrentaram, sendo imitados pelas suas montadas.
Os ataques sucediam-se, sem causar danos graves. O Cavaleiro do Mal ostentava um corte pouco profundo num braço, enquanto o outro possuía apenas um golpe na face. Quanto aos dragões, tinham sofrido algumas queimaduras pouco preocupantes.
– Então, onde está agora a tua queridinha? – perguntou Murtagh, com um sorriso irónico.
– Sabes muito bem que ela não está aqui! – volveu o outro, com uma calma fria.
– Pois, ouvi dizer que ela te abandonou. Deve ter visto outro melhor…
Eragon não respondeu, indignado. Em vez disso, Saphira investiu sobre ele, também furiosa.
– Toquei na ferida? Pobre maninho! Escusas de te virar contra mim; não fui eu que te traí.
Desta feita, foi Eragon que riu sarcasticamente.
– Não foste tu que me traíste? Deixa-me rir! Tu é que te aliaste a Galbatorix! – atirou-lhe.
– Sabes bem que não tive escolha. – retorquiu o inimigo, num tom baixo. – Ele fez-me jurar na língua antiga!
Saphira sentiu uma ligeira mudança na postura de Murtagh. Prontamente, comunicou ao seu Cavaleiro que o outro estava mais fragilizado e inseguro.
Eu acho que ele está arrependido.
O Cavaleiro não concordava totalmente com o seu dragão, no entanto, decidiu tirar a prova dos noves.
– Se pudesses, nunca terias feito aquele juramento?
O outro Cavaleiro pareceu hesitar, antes de responder:
– O que está feito está feito. Não se pode alterar o passado. Nem mesmo nós, Cavaleiros, podemos. – fez uma pausa. – Galbatorix, mesmo mantendo-me como um prisioneiro e possível inimigo, ensinou-me muitas coisas. Coisas de que tu nunca ouviste falar! Não, não me arrependo de me ter juntado a ele. Só desejava que tu não fosses meu inimigo… Vel eïnradhin iet ai Shurt'gal.
– Não nos resta outra alternativa senão lutarmos um contra o outro. – concluiu Eragon, com um sorriso forçado.
– Parece que sim. – concordou o irmão.
Os dois Cavaleiros voltaram a enfrentar-se; desta vez, com mais ferocidade.
– Lutaremos, então, mas, ao pôr-do-sol, só um de nós continuará de pé. E esse, sim, será o vencedor. – profetizou Murtagh.
– Por outras palavras, eu! – concluiu Eragon, antes de se lançar em direcção ao outro.
Nota da Autora: Eu quero reviews!!! Quero mtos! Se não me mandarem mais, eu n posto o próximo capitulo!
Aproveitem bem, pois a fic está mesmo a acabar.
Divirtam-se!
