Epílogo
Um ano depois…
Maraya entrou na cozinha, envergando um vestido branco, de aparência simples e leve. Os seus cabelos ruivos caíam em cascata sobre os seus ombros e, no seu rosto, bailava um sorriso maroto.
Silenciosamente, aproximou-se da mesa, tentando não se dar a conhecer ao jovem loiro que estava de costas para si. Mordeu o lábio, evitando rir. Ergueu-se na ponta dos pés, de modo a conseguir alcançar a orelha do rapaz. Resistiu à tentação de a mordiscar, optando por sussurrar:
– Cheguei.
E abraçou Eragon, pelas costas. Este virou-se, radiante e, após beijar a sua esposa repetida e sofregamente, pegou-a ao colo, começando a rodar pela cozinha.
– Pára, Eragon! – gritava ela, agarrando-se o mais que podia.
O rapaz obedeceu, pousando-a no chão. Beijou-a na face, carinhosamente, antes de anunciar:
– Tive saudades tuas.
Ela anuiu, confirmando que também ela sentira a falta do jovem.
Sorrindo, o casal sentou-se num sofá, já na sala. Esta estava decorada de um modo simples, tal como o resto da casa de dois andares, onde ambos viviam, juntamente com o seu filho Brian e Saphira. Uma enorme estante continha uma imensidão de livros de magia, bem como obras sobre os Elfos, os Dragões e os Cavaleiros. Algumas cadeiras de aspecto confortável povoavam a sala, convidando um possível leitor a recostar-se nelas. E, bem no meio, encontrava-se o sofá onde o par estava sentado.
– Onde está Brian? – inquiriu Maraya, sentindo uma grande preocupação maternal. – Ele está bem?
– Não te preocupes, ele está perfeitamente bem. Agora, Saphira está a adormecê-lo. Sabes bem que ele gosta muito dela. – respondeu, divertido, o rapaz.
– Eu sei. Vou vê-lo… – anunciou a Dama do Dragão, levantando-se.
– Não. – disse Eragon, segurando-lhe o pulso. – Ainda o acordas! Nem penses nisso! Agora, vais ficar aqui quietinha ao pé de mim! – acrescentou, puxando-a para si.
A jovem sorriu, deixando-se cair nos braços do marido. Correspondeu ao beijo que ele iniciou, com igual intensidade. Depois, suspendeu o beijo, ao desviar, ligeiramente, a sua face.
– De certeza que queres que fique quietinha? – perguntou, provocantemente.
Sentiu a respiração acelerada do Cavaleiro, junto ao seu pescoço, antes de ouvir a resposta:
– Não. – retorquiu ele, numa voz rouca.
Maraya deitou-lhe a língua de fora, numa careta que não durou mais do que dois segundos, após dos quais as suas bocas se fundiram, provocando sensações muito diversas no casal.
---------------------------------------------------------------
A Dama do Dragão mirava o tecto do seu quarto, pensando em tudo o que lhe acontecera naquele último ano. Ela e Eragon (naquele momento, profundamente adormecido, a seu lado) tinham-se casado e estabelecido naquela casa, e, um mês depois, nascera Brian. Resumidamente, foram belos momentos, de pura felicidade.
Mesmo estando cansada, não conseguia pregar olho. Fora visitar Galandy, a Ellesméra. O marido não fora com ela, com muita pena sua, já que estava muito ocupado com uns Urgals problemáticos. Desde que Roran se tornara no novo dirigente de Alagaësia que não davam descanso ao Cavaleiro, nem tão pouco à população local.
Estava preocupada com a amiga. Nunca mais fora a mesma, a partir do dia em que Tygryve morrera. Estava pálida e abatida, tendo perdido uma parte da sua própria personalidade. Por isso, Maraya aplicara todos os seus conhecimentos e poderes para resgatar a elfo daquele estado, à semelhança do que tinham feito com ela própria, meses antes.
Actualmente, a elfo já melhorara bastante e, nesta última visita, mostrara-se muito mais alegre, apesar de os seus olhos ainda estarem mortiços.
Ela vai recuperar totalmente. Tenho a certeza.
Virou-se para Eragon, que dormia descansadamente. De certa forma, parecia-se bastante com o filho: eram ambos loiros, teimosos e ágeis. E, sobretudo, inocentes. Por outro lado, Brian herdara, da mãe, a cor dos olhos, um espírito travesso e uma grande vontade de rir.
Ao pensar no filho, relembrou-se da outra razão que a levara à terra dos elfos: trazer o ovo que, anteriormente, ela própria transportara para lá, por motivos de segurança.
Um grito de criança interrompeu os pensamentos da jovem. De um salto, levantou-se da cama e, em pijama, precipitou-se para o jardim, donde provinha o som. Alcançou, rapidamente, a porta da rua, onde permaneceu, completamente espantada.
– O que se passa? – perguntou um Eragon ainda ensonado que, entretanto, acordara e seguira a esposa.
Maraya não respondeu, contudo apontou para Brian.
– Não pode ser! – disse ele, também incrédulo.
De mãos dadas, o casal transpôs a soleira da porta e encaminhou-se, lentamente, na direcção do filho. Saphira estava deitada a seu lado, com uma expressão enternecida. Cascas do que fora um ovo enorme estavam espalhadas à volta da criança, que ria, abraçando algo.
– Isto é fantástico! – conseguiu articular a mãe.
O pai de Brian acenou em concordância. Baixou-se e beijou o filho na cabeça, aproveitando para observar melhor o dragão bebé que estava nos seus braços. Era de cor verde e, pelo aspecto, poder-se-ia dizer que era um macho saudável. Reparou, também, numa marca invulgar, presente na mão do filho.
Brian continuava a rir e, no meio de todas aquelas gargalhadas, gritou a sua primeira palavra, para delírio dos pais:
– Bulbaise!
Maraya ficou surpreendida. Tinha a certeza de que aquilo era uma palavra, e não uma mistura de sons sem nexo. Só não percebia o que é que o filho queria dizer. Foi então que ligou os acontecimentos, concluindo:
– É esse o nome do teu dragão?
A criança riu, novamente, concordando com a mãe.
Eragon beijou a esposa e abraçou o filho, enquanto Bulbaise travava conhecimento com Saphira. Juntos, olharam para o firmamento no momento exacto em que um cometa cruzava o céu.
Sem saber muito bem porquê, os dois Cavaleiros e a Dama do Dragão tiveram a certeza de que, doravante, o seu futuro, bem como o de Alagaësia, seria muito melhor.
Fim
Nota da Autora: Bem, eis o final da fic. Espero que tenham gostado tanto como eu (ou mais). Pedia-vos, apenas, que fizessem uma analíse não só do capítulo, mas também da globalidade da fic. Reviews!
Jokas
