Diagnóstico: Amor

Disclaimer: As personagens da série Dr House, M.D. não me pertencem apenas tomei a liberdade de as utilizar para me divertir um bocado. :)

Aviso: É uma fic Slash o que significa que existe uma relação entre personagens do mesmo sexo.


O dia não estava a começar nada bem. A chuva constante não parecia querer abrandar e o trânsito podia ser traduzido em uma só palavra: Infernal. Wilson suspirou e desviou o olhar da janela para observar o condutor que nesse momento apertava com força a buzina, talvez na esperança que assim o carro da frente andasse. O que não resultou.

Chegaria atrasado ao hospital, ele quer era considerado um médico exemplar e tudo por culpa de House. Por que motivo lhe tinha mesmo emprestado o carro? Faria uma nota mental para não voltar a cometer o mesmo erro. Agora estava ali num táxi com um cheiro muito suspeito e a ouvir uma música que possuía tudo para ser radioactiva.

No dia anterior House passara o tempo todo a chateá-lo até que ele cedesse e lhe desse a chave do carro para a mão. Nunca o deveria ter feito! Devido a isso este encontrava-se parado na berma da auto-estrada aparentemente avariado. Tinha de começar a seguir os seus instintos, era o melhor.

Como conseguia o seu amigo ser tão insuportável? Por mais que tentasse não conseguia fazer com que a parte humana de House tomasse o controlo. Era um caso perdido... O melhor seria chamar um exorcista. Sorriu com o pensamento. Ultimamente House tinha de aparecer até nos seus pensamentos. Será que não podia ficar um instante em paz?

Foi resgatado das suas reflexões pelo som do seu telemóvel. Pelo visto a sua ausência não tinha passado despercebida a alguém. O mais provável é que esse alguém fosse Cuddy... Abriu o telemóvel e leu o nome. Devia ter escolhido uma carreira de vidente em vez da de médico.

-Olá Cuddy. – disse.

-Onde estás? Aconteceu alguma coisa? Estive à tua procura pelo hospital inteiro e nem sinal de ti. – a voz de Cuddy surgiu preocupada.

Wilson sorriu, era bom saber que pelo menos uma pessoa se preocupava com ele, uma vez, que para House poderia morrer que este só se apercebia disso uns longos anos depois. Está bem, talvez estivesse a exagerar... mas o que acabava de pensar não se afastava muito da realidade.

-Estou preso no trânsito, parece que com toda esta chuva ocorreram algumas inundações. – explicou.

-Ah, fico mais tranquila. Como nunca chegas atrasado e não te encontrava... Bem, vou transferir as tuas consultas da manhã para o Dr. Richards.

-Obrigado, o Dr. Richards não se deverá importar. – declarou. Conhecia bem Charles Richards, de vez em quando discutiam casos juntos por isso não haveria qualquer problema. - Espero não demorar muito para...

-Desculpa Wilson mas vou ter de desligar, aquela assombração sarcástica acaba de entrar no meu escritório. Até já. – interrompeu Cuddy para segundos depois desligar.

Wilson ainda ficou a olhar para o telemóvel antes de o colocar no bolso das calças. Sabia perfeitamente a quem se referia a directora. O que quereria House daquela vez?

HWHWHW

-É melhor fechares o hospital, os fantasmas não são muito bem vistos. Coitados...

House fechou a porta, e sentou-se na cadeira em frente à secretária esticando a perna. Cuddy revirou os olhos e deixou escapar um suspiro o que fez House dar um dos seus típicos sorrisos. Era tão bom irritá-la e apenas tinha de aparecer à frente dela para isso!

-Não é necessário, basta te despedir. – Cuddy deu um sorriso de vitória.

-E perderiam o vosso melhor médico, ou melhor, a vossa assombração sarcástica mas unicamente competente. Não creio, seria mais fácil fechar mesmo o hospital pois o que seria dele sem mim?

House: 1. Cuddy: 0.

- Não devias estar a dar consultas?

Pronto, Cuddy tinha-se lembrado. Odiava aquelas consultas, eram uma completa perda de tempo. Qual era a graça de atender pessoas com uma simples constipação? Ainda se estivessem a morrer de uma constipação rara mas isso era muito improvável de acontecer por isso realmente não queria por os pé no consultório.

-Hum... – fingiu meditar enquanto batia com a bengala levemente no chão. – devia mas seria um desperdício gastar a minha inteligência com doentes sem importância.

-Cada vez mais egocêntrico. – observou Cuddy desviando os olhos de uns papéis até ao homem à sua frente.

-Ossos do ofício. – deu de ombros enquanto fingia estar resignado.

-Lamento dizer isto mas vais ter de atender TODOS os pacientes que estão na sala de espera.

-Todos? Mas são muitos! Estás cada vez mais cruel Cuddy, não tens pena de um pobre coxo?

-Desiste House, esse género comentário só resulta nas primeiras vezes.

- De mau humor? Espera não me digas... as tuas roupas estão a ficar cada vez mais apertadas.

-Hous...

-Vá lá, não precisas de ficar assim tão chateada, é normal que estejas a ficar gord...

-HOUSE eu não estou grávida! Tenho de dizer o mesmo todos os dias? – indagou Cuddy irritada.

-Estou a ver que continuas na fase da negação... está a demorar mais tempo do que eu pensava.

-O que queres desta vez House? Não vieste aqui só para começares a dizer parvoíces, ou sim?

Realmente o motivo que o fazia estar ali era o seu amigo e psicólogo privado. Wilson costumava encontrar-se no seu consultório e precisamente no dia em que mais precisava falar com ele este lá não estava. Que mal tinha feito para merecer um dia assim? Era tão caridoso... pelo menos o mais caridoso que conseguia o que não era muito mas enfim ele era médico não padre.

-Au essa doeu, eu nunca digo parvoíces. – disse ao mesmo tempo que colocava a mão no peito e balançava a cadeira para trás dramaticamente. - Falo sempre muito a sério, depois de todos estes anos já devias de saber isso.

-House se não queres pedir nada ou saber alguma coisa, faz-me um favor, vai para o consultório que tens muita gente para atender.

-Está bem, está bem, ganhas-te eu só queria perguntar se tinhas visto o Wilson, ainda não pude tomar o pequeno-almoço, sabes? – disse com a cara mais inocente possível.

-Quando vais deixar de lhe roubar as refeições? – inquiriu Cuddy erguendo uma sobrancelha.

-No dia em que não me obrigues a fazer as consultas. – respondeu House.

-O Wilson vai chegar atrasado, ficou retido no trânsito. – revelou Cuddy voltando a analisar o monte de papéis.

-Acreditas-te nisso? – perguntou. – A desculpa do trânsito não é muito originar, de certeza que está de ressaca... quem diria, logo o Jimmy.

Sabia que Wilson tinha dito a verdade, era demasiado perfeito para não ir trabalhar por causa de uma ressaca. Ele poderia estar quase a morrer que viria na mesma, levava a sua profissão demasiado a sério e era agradável com toda a gente, irritantemente agradável. Poderia fazer uma competição com Cameron...

-Quero que atendas no mínimo nove pessoas até à hora do almoço.

-Quatro.

-Não querias mais nada...

-Pois não. – interrompeu House.

-Sete pessoas, nem mais uma nem menos uma. – negociou Cuddy.

-Combinado. – Bem, sempre ouviria menos dois idiotas.

HWHWHW

Uma ambulância abriu caminho por entre os carros parando alguns metros mais à frente e Wilson viu a luz vermelha dos faróis contrastar com o dia cinzento. Afinal não havia nenhuma inundação mas um muito provável acidente.

-Estamos parados à horas e só agora aparecem os bombeiros, são uns incompetentes, eles e os médicos. Não se pode confiar neles... – comentou o condutor esticando o pescoço para conseguir ver alguma coisa.

Wilson não disse nada sobre o comentário. O condutor não era o primeiro que pensava assim e muito menos seria o último. Por vezes as pessoas esqueciam-se que eles não eram deuses, que também faziam parte da espécie humana e, como tal, cometiam erros como qualquer outro. O único que parecia não errar era House... Porque estava de novo a pensar nele?

Fazia já quase uma hora e a ambulância ainda continuava ali. O que se estaria a passar? O normal seria encontrarem-se nessa altura a caminho do hospital senão já dentro dele. Teria de saber o que estava a acontecer, poderia haver algum problema.

-Quanto tenho de lhe pagar? – perguntou.

O condutor olhou para ele confuso.

-Mas ainda não chegámos ao seu destino...

-Sim mas vou ver se precisam da minha ajuda lá à frente. – explicou e entretanto retirou a carteira do casaco.

-Deixe isso para os bombeiros é para isso que lhes pagam.

-Eu sou médico e podem necessitar de um. – concluiu Wilson.

O condutor abriu os olhos ao extremo, embaraçado talvez por ter falado mal dos médicos a ninguém mais ninguém menos do que a um próprio médico.

Quando saiu do táxi a chuva caiu sobre ele como pequenas pedras e a sua roupa ficou encharcada em um minuto. Deixara o chapéu-de-chuva no seu carro... Sinceramente aquele não era, de longe, o seu melhor dia.

Avançou até à ambulância. Muitas pessoas formavam um círculo quase perfeito em redor do suposto acidente de viação e comentavam uns com os outros sobre o que observavam. Wilson forçou passagem até encontrar-se frente a frente com o que tinha ocorrido. Ficou algum tempo estático perante o que se apresentava no seu campo de visão. Havia destroços por todo o lado e dois carros, ou o que restava deles eram serrados pelos bombeiros no intuito de conseguirem retirar as vítimas do seu interior.

-Preparem uma maca, eu e o David vamos tirar a criança pela janela! – gritou um dos bombeiros.

Wilson aproximou-se dele e olhou para a pequena criança coberta de sangue deitada no assento de trás. Precisava de cuidados médicos imediatos.

-Sou médico... – declarou como se isso respondesse a todas as questões que lhe poderiam colocar.

-Óptimo, ajude-me.

HWHWHW

Abriu a porta da sala, espreitou lá para dentro, respirou fundo pedindo paciência e entrou. Uma rapariga de aproximadamente 16 anos, sentada na maca balançava as pernas para a frente e para trás.

-Sei que a escola não é das coisas mais divertidas que pode haver mas daí a preferir um hospital a elas. Que estou eu a dizer, um hospital é muito melhor do que ouvir velhas desdentadas a falar de assuntos soponíferos.

-Eu não faltei às aulas de propósito. – defendeu-se a rapariga indignada.

-Oh, claro que não. – concordou House ironicamente.

A mandaria embora o mais depressa possível... Sabia o que tinha e isso não lhe provocava o mínimo interesse, além disso, estava com uma fome enorme. Se Wilson não aparecesse depressa teria de recorrer ao almoço de Chase e correria o risco de ser contaminado pelas bactérias loiras dele. Estimava demasiado os seus neurónios recorreria antes ao almoço de Cameron.

-Ultimamente não consigo comer nada de manhã sem vomitar, ando mais cansada do que o normal...

-Atraso da menstruação. – interrompeu House.

-Sim. – anuiu a rapariga dando ênfase com um assento de cabeça.

House aproximou-se da rapariga, baixou a voz num sussurro e disse:

-Vou contar-te um segredo. Eu vejo... não pessoas mortas mas sim que vais ter um grandeeee problema.

-O que... o que é que tenho?

House sorriu e afastou-se da rapariga sentando-se na cadeira. Escreveu alguma coisa numa folha de papel e deu à paciente ainda com o mesmo sorriso de burla.

-Preservativos? – perguntou, completamente corada, depois de ter lido o papel.

-Daqui a nove meses começa a pensar neles. – aconselho House retirando o seu Game Boy do bolso do casaco. Tinha um nível para passar...

-Ainda não me disse o que tenho.

Concentrado no jogo particularmente difícil, House suspirou.

-Estás a desconcentrar-me, perdi uma vida. – disse. – As gravidezes estão a ficar cada vez mais perigosas, agora até afectam o cérebro.

-Eu to... tou grávida? – indagou a rapariga com uma voz rouca e surpresa.

-Oh yeah.

-Mas não pode ser...

-Claro que pode.

-E agora?

-Sou médico não conselheiro.

-Os meus pais vão me matar. – confessou com uma voz sufocada.

-Boa sorte na escolha do caixão.

-Estou a falar a sério.

-Ora, eu também. – declarou num tom sério. – Bem, agora que já sabe o que tem pode ir embora.

A rapariga saiu da sala e passado uns minutos bateram à porta.

O que teria o próximo idiota? Será que não podia estar sozinho com o seu querido Game Boy?

A porta abriu-se e House esqueceu o seu aborrecimento momentâneo. Estalou à gargalhadas, não pensou viver o suficiente para assistir a algo daquela magnitude. Wilson acabava de entrar na sala completamente molhado e sujo com manchas nitidamente de sangue. Mas esse facto não o fez cessar o riso, se o seu amigo conseguia estar completamente erguido e sem uma expressão de dor na cara então é porque não era nada de grave.

-Queres um Vicodin? – perguntou mostrando um frasco cor-de-laranja.


Vai ser a minha primeira fic Slash por isso todos os conselhos serão mesmo muito bem vindos!!!

Bem, espero que não esteja assim tão péssima...

Obrigada por terem lido!! Beijinhos