Diagnóstico: Amor
Disclaimer: As personagens da série Dr House, M.D. não me pertencem apenas tomei a liberdade de as utilizar para me divertir um bocado. :)
Aviso: É uma fic Slash o que significa que existe uma relação entre personagens do mesmo sexo.
Wilson não respondeu, apenas ficou a observar o homem que ria às gargalhadas enquanto lhe estendia o tão conhecido frasco de comprimidos. House comportava-se, na maior parte do tempo, como um completo adolescente rebelde que tem por maior passatempo infringir tudo o que começa pelas palavras "Não podes...". Era revoltado e não demonstrava o que realmente pensava, o que sentia... todo ele era formado por armaduras de desprezo perante o que acontecia à sua volta, não dava qualquer sinal de se importar com algo, mas Wilson sabia que apesar de escassos esses sinais existiam, erguiam-se disfarçados de comentários sarcásticos com o objectivo de ferir os que tomavam coragem para lhe falar, mas, mesmo assim, eles realmente estavam lá.
Apesar de conhecer House há já algum tempo ainda não conseguia descodificar o que se passava dentro daquela cabeça geniosa que possuía a capacidade de ter quase sempre razão. Como era possível? Como funcionava aquele cérebro? Como via ele as coisas? Como era ser House? Sempre frio, arrogante, irónico e possuidor de um controlo tal, que tornava todas as suas reacções imprevisíveis perante qualquer acontecimento. Nunca se sabia o que esperar dele... Uma caixa de surpresas, esse era House.
-Podes voltar a guardar o frasco. – disse enquanto passava uma mão pelos cabelos completamente molhados.
House encolheu os ombros e colocou o dito frasco dentro do casaco.
-Eu tentei... – concluiu.
Não era todos os dias que via o seu amigo como o via nesse momento. Estava com curiosidade em saber o que havia destruído o estilo perfeitamente perfeito que costumava ter Wilson. Teria caído dentro de uma piscina? Não, era muito improvável, o hotel onde este se hospedava era medíocre e a menos que a referida piscina fosse de plástico, a causa de todo aquele espectáculo era outro. Hum... talvez o dia não fosse tão mau como esperava...
-Não se costumava praticar natação vestido dessa maneira. – comentou House voltando a atenção ao seu Game Boy.
Wilson suspirou e abanou a cabeça em negação. Lá estava House com os seus comentários tão característicos. Olhou para a janela e observou as numerosas gotas de água a baterem contra o vidro numa tentativa falhada de o conseguirem derrubar.
-Está a chover, é por isso que me encontro assim. – explicou.
House seguiu o olhar do amigo até à janela. Realmente sim, agora que reparava, estava a mesmo chover... Como é que não tinha dado por nada? Precisava de dormir mais, já nem tinha a noção do estado do tempo e tinha vindo de mota! Teria de aumentar as horas de sono até depois do meio-dia.
-Vou trocar de roupa. – avisou Wilson preparando-se para abandonar a sala.
House levantou-se, guardou o Game Boy e aproximou-se de Wilson. Teria de continuar a jogar mais tarde... depois de ver a sua série favorita, claro. Agora era hora de...
-Okay, mas primeiro vamos comer, estou à séculos à espera de um pequeno-almoço, tem misericórdia!
Até quando teria de sustentar House? O salário do seu amigo era tão bom quanto o seu, porque continuava a ter de lhe pagar o pequeno-almoço?
-Podes ir comer mas eu vou primeiro aos balneários.- disse.
-Não posso ir sozinho! – House olhou para todos os lados como se verificasse se estavam mesmo só eles dois dentro do consultório e continuou. – Tu sabes que planeiam fazer um complô contra mim, podem misturar veneno para baratas no meu comer. Mas, se fores comigo, eles sentir-se-ão intimidados e não farão isso.
Wilson riu.
-Tinhas mesmo de inventar uma história tão longa? – inquiriu.
-Sim. – anuiu House com fingida seriedade.
-Eu conservaria a minha criatividade para outras coisas. – declarou Wilson.
-Hum... mais precisamente para quê Jimmy? – perguntou maliciosamente House.
Wilson sentiu o rosto a ficar quente a uma velocidade espantosa. Não... não era possível... estava a CORAR! Desde quando ficava assim por qualquer insinuação maliciosa que fazia House? Devia ser do stress do dia... sim, certamente era isso a causa de reagir daquela maneira.
House estava dividido entre acreditar ou não no que acabava de perceber. James Wilson tinha mesmo corado? Pelo tom rosado das suas bochechas poderia deduzir que era exactamente isso. Mas por que motivo o seu amigo ficara daquela maneira? Não era a primeira vez que fazia um comentário do género... Além de molhado, Wilson não se encontrava nos seus cinco sentidos.
-E vou ficar com estava roupa molhada enquanto comemos? – Wilson baixou o rosto e decidiu mudar de assunto.
-Claro, ficas sexy assim.
Pronto, agora sim não havia a menor dúvida de que estava totalmente vermelho. E tudo porque House o chamara sexy... Um momento. Aquilo não era normal. House a dizer que estava sexy e ele a corar violentamente?
House riu e piscou o olho direito sedutoramente. Estava a resultar divertido provocar Wilson.
-Idiota. – proferiu o oncologista.
-Hei! Eu elogio-te e tu chamas-me isso?
-House, se não trocar de roupa "apanho" uma gripe e não convém.
-Oh, se for apenas por causa disso não te preocupes, eu estou aqui e é de conhecimento geral que sou um médico extremamente excelente!
Wilson não disse mais nada, às vezes era melhor ficar calado. Se continuava com aquela conversa só teria oportunidade de vestir uma roupa seca quando chegasse ao hotel por volta das 23:30. Deu as costas a House e saiu, por fim, da sala.
-Espera eu acompanho-te! – exclamou House apressando o passo para alcançar Wilson. Apesar de coxear conseguia andar rápido... ter uma bengala tinha as suas vantagens.
Manteria os olhos atentos, ainda não tinha atendido sete pessoas e não era uma boa ideia ser apanhado por Cuddy fora do consultório. Por outro lado, ele também precisava de se alimentar, por isso era compreensível que fosse com o seu amigo até aos balneários e depois ao bar, não é?
-Não tens guarda-chuva? – indagou de súbito.
Wilson parou de andar e virou-se para House.
-Tenho, mas adivinha... o meu carro AVARIOU depois que o devolveste e com a pressa e a fúria do momento esqueci-me do guarda-chuva dentro dele.
O oncologista voltou a andar.
House não sabia o que poderia ter feito para avariar o carro, a sua especialidade era outra coisa... motos. Então era por isso que Wilson estava tão chateado com ele. Na verdade já começava a achar estranho o humor de Wilson naquele dia. Ele costumava ser compreensivo, simpático, paciente...
-Lamento isso do carro, tens a certeza que ele já não se encontrava mal antes de me o emprestares?
-Tenho.
-House! – gritou alguém atrás de si.
Este fechou os olhos e e virou-se para trás ao mesmo tempo que os tornava a abrir.
-Será que não podem viver sem mim? – perguntou House à rapariga que trazia uma prancheta nas mãos e mantinha uma expressão séria.
-Uma criança de sete anos com náuseas, vómitos e diarreia é o nosso novo caso. – informou Cameron ignorando o que House dissera.
-E o que têm esses sintomas de especial? – inquiriu sem interesse desviando o olhar para Wilson que também tinha parado e observava a conversa dos dois.
-Já visitou vários médicos que lhe diagnosticaram a mesma coisa: gastroenterite, mas nenhum dos vários tratamentos resultou.
-Hum… - House ergueu uma sobrancelha pensativamente. – Façam-lhe análises, incluindo uma endoscopia para excluir uma possível dispepsia.
House começou a andar deixando uma indignada Cameron parada no meio do corredor a olhar para ele.
-Não deverias ser tão duro para eles. – aconselhou Wilson ao seu lado.
-A palavra duro não se adequa muito bem a esse tema, digamos que alguém tem de ensinar os pintainhos a voar... Oops, os pintainhos não voam por natureza.
-Figuras de estilo não resultam contigo. E além disso o que tem a ver "os pintainhos" com o que eu disse?
-Meu caro Jimmy, acho que ainda é cedo para saberes, quando estiveres preparado eu digo.
Wilson foi o primeiro a entrar nos balneários, abriu o cacifo e retirou umas calças cinzentas, uma camisa azul escura e uma gravata com riscas negras e azuis claras. Era a sua roupa de reserva, deixava sempre alguma no hospital para o caso de uma emergência e aquilo era uma emergência.
Viu como House se sentava num dos bancos e batia com a bengala no chão enquanto observava com extrema atenção algum ponto no cacifo em frente. Devia estar a reflectir sobre alguma coisa pois não havia nada de interessante num simples cacifo.
-Andar de táxi continua muito caro? – perguntou House ainda com o olhar perdido.
-Sim. – anuiu Wilson. – Mas podia ter sido mais caro se fizesse a viagem completa.
House observou finalmente o seu amigo com curiosidade.
-Para economizar preferiste fazer o resto do caminho a pé! Precisas de me pagar o pequeno-almoço por isso é compreensível.
-Houve um acidente grave entre dois carros similares e eu ofereci a minha ajuda aos bombeiros... regressei aqui de ambulância.
-És o meu herói! – exclamou sarcasticamente.
Wilson suspirou e começou a despir-se, já se encontrava há bastante tempo com a roupa encharcada.
-Qualquer médico teria tomado a mesma atitude do que eu. – declarou.
-Eu não.
-Mas tu não és qualquer médico.
O seu amigo estava em excelente forma física. House sentiu vontade de ajuda-lo a livrar-se da roupa e aproveitar para sentir a textura da pele que se demonstrava em toda a sua glória frente aos seus olhos. Querer tocar na pele de Wilson não significava nada de estranho, certo?
Abanou a cabeça com força para assassinar os neurónios que o fizeram pensar numa coisa daquelas e voltou a fixar os olhos no cacifo. Precisava mesmo de umas férias, de preferência bem longe dali e sem hospitais por perto.
-O que vais fazer neste fim-de-semana? – perguntou.
-Vai haver uma festa de angariação de fundos para a área de transplantes. – informou Wilson ao mesmo tempo que abotoava a nova camisa. – Não vens?
A verdade é que não, por acaso esquecera-se totalmente da "boa" ideia do novo amigo de Wilson... um tal de Dr. Rickman... não, Dr. Richards, isso Dr. Richards. Um médico imbecil que era ignorante ao ponto de se achar um bom especialista em oncologia. Ainda não entendia porque motivo Cuddy o tinha contratado. A diferença entre ele e um palhaço era mínima. Se bem que um palhaço era capaz de possuir uma melhor inteligência. O pior é que esse idiota tornara-se demasiado próximo de Wilson para o seu gosto.
-Vou, adoro esse género de festas. – disse com ironia. – Bem, a partida de tennis terá de ficar para outro dia então pois essas festas começam demasiado cedo. Necessitam do dia inteiro para conseguirem convencer alguém suficientemente estúpido ao ponto de entregar dinheiro...
-É uma causa nobre, sem essas "estúpidas pessoas", como tu dizes, não era possível salvar tantos doentes como os que se salva.
-Sim, sim como tu digas. – declarou House despreocupadamente.
Wilson acabou de ajeitar a gravata em frente a um espelho e vestiu a sua bata branca.
-Já podemos ir tomar o pequeno-almoço? – inquiriu House fazendo o seu melhor tom de súplica fingida mas que Wilson não era capaz de resistir.
-Sim, já podemos.
-Aleluia, começo a acreditar em milagres! – exclamou House. Levantou-se e dirigiu-se até à porta de saída.
Wilson abanou a cabeça com resignação. House nunca mudaria.
Obrigada pelos Reviews!!
Para os que queriam uma fic de House com outro par que não Wilson, peço muitas desculpas mas a maioria escolheu este par Slash e quem sou eu para ir contra a maioria né :P
Beijinhos!!
