Diagnóstico: Amor

Disclaimer: As personagens da série Dr House, M.D. não me pertencem apenas tomei a liberdade de as utilizar para me divertir um bocado. :)

Aviso: É uma fic Slash o que significa que existe uma relação entre personagens do mesmo sexo.


Esfregou os olhos pela enésima vez naquele dia. Precisaria de outro café se queria ficar acordado durante toda o noite. E convinha que conseguisse ficar. A festa de angariação começava dentro de poucas horas e ele ainda não tinha vestido o seu fato formal nem sequer tinha pensado em vesti-lo.

Encontrava-se sentado em cima da cama a analisar o historial médico de alguns dos seus doentes terminais. Ainda não sabia como aguentava lidar diariamente com pessoas que poderiam morrer a qualquer momento. Sorrir para eles e tranquiliza-los... Um lema que nem sempre era possível concretizar. Por vezes sentia inveja de House, queria encarar os seus doentes como se se tratassem de meros puzzles, mas não era capaz. Não conseguia esquecer que aquelas pessoas deitadas nas camas à espera que a morte as viesse buscar, eram seres humanos como ele próprio e mereciam todo o respeito possível da sua parte. Talvez, só talvez, fosse mais fácil ser frio perante as coisas e não pensar nelas com base em sentimentos mas sim apenas com a Razão. Porque não podia ele ser também assim?

Wilson largou as folhas que até aí estava a ler com atenção e levantou-se. Um café... teria de buscar outro café... o problema é que para isso teria de ir à cafetaria do hotel e não lhe apetecia. O serviço de quartos não estava disponível, infelizmente.

Suspirou. Apesar de saber que lhe traria consequências, deixaria o café para depois. Abriu o armário e retirou o smoking que costumava usar sempre que a ocasião assim o ditava. Estava em perfeitas condições, como todas as suas roupas: impecavelmente limpo e sem qualquer vinco...

HWHWHW

-Mais nenhuma ideia? – perguntou.

House tirou a tampa do marcador da boca e cruzou os braços para observar os seus três médicos: Chance rodou a caneta por entre os dedos e Foreman trocou um olhar com Cameron.

-Deixaram as línguas em casa ou estão tão roucos que não conseguem falar?

Já estava com o traje vestido e pronto para ir à festa da hipocrisia. Ao principio tinha realmente decidido não comparecer mas como não havia nada mais para fazer naquele sábado... O tennis e todas as outras actividades não tinham interesse sem o Wilson. Como poderia se divertir sem ter o Wilson para chatear? Pelo menos na festa sempre havia muita diversão.

Deu as costas à sua equipa e analisou os nomes de possíveis doenças, escritas no tão familiar quadro. Sorriu. O motivo de estarem tão silenciosos foi por ter quebrado o "suposta" promessa que lhes fez. Havia lhes dito que poderiam ficar em casa nesse sábado e só teriam de aparecer no hospital no caso de alguma emergência. E agora ali estavam eles sem que, no entanto, houvesse uma emergência.

Tinha de admitir, chamara-os de propósito. Gostava de os enfurecer e revoltar, era a sua razão de viver!

-De acordo com os sintomas de Matt poderá ser Síndrome de Zollinger-Ellison. – disse por fim Cameron pensativamente.

Poderia ser… mas também poderia não ser. Hum… Se fosse realmente aquilo, tinha sido o caso menos interessante que passou pelas suas mãos. Tornava-o muito desumano desejar que fosse outra coisa qualquer? Bah, e o que importava ser era ou não desumano? A sociedade já o considerava assim porque não aproveitar?

-Não havia sinais de sangue nos vómitos. – comentou Chase.

-Pode ainda não se ter manifestado. – defendeu Cameron.

-Também não se queixa de nenhumas dores

-Ainda…

-Vá lá meninos, nada de brigas, caso contrário ficarão de castigo. Não querem isso, pois não?

Tanto o loiro como a jovem médica lançaram um olhar fulminante a House, que não se abalou… é claro.

-Que idade tem Mark? – perguntou.

-Matt tem 7 anos. Sei que geralmente esta síndrome se desenvolve em pessoas entre os 20 e 50 anos mas, de acordo com o que aprendi aqui, há sempre excepções à regra. – disse Cameron sustentando o olhar do seu chefe.

-Quero um exame ao ácido estomacal e um TC abdominal. Se for mesmo Síndrome de Zollinger-Ellison quase de certeza que tem de ter um tumor no pâncreas.

Cameron, Chase e Foreman se prepararam para abandonar a sala com cara de poucos amigos.

-Foreman. – chamou antes deste ultrapassar a porta.

-Sim?

-Tu vens comigo, temos uma angariação de fundos para assistir.

O neurocirurgião fez uma expressão confundida e ergueu uma sobrancelha agilmente.

-Não entendi. – disse.

-Não esperei outra coisa. Agora vamos que estou, ou melhor, estamos atrasados.

House apoiou-se na bengala e fez questão de começar a andar. "Fez questão" porque na verdade não conseguiu andar um centímetro, uma vez, que Foreman colocou-se à sua frente impedindo-lhe a passagem.

-Não disse que aceitava o seu pedido!

-Isto não foi um pedido. – esclareceu House impaciente.

Wilson devia estar à sua espera no mínimo à meia hora, o que não era muito bom. Quer dizer, se calhar até era... sempre disseram que era elegante chegar atrasado a um encontro, mostrava alguma classe. Não é que aquilo fosse propriamente um encontro mas quem se importava realmente?

-Não tenho traje. – argumentou Foreman veemente.

House, por sua vez, "revirou" os olhos e respirou fundo pedindo paciência. Pensou em muitos motivos para que Foreman não quisesse ir mas aquele não tinha mesmo passado pela sua cabeça.

-Esperava isso de Chase mas de ti... desiludiste-me! – fez a sua melhor cara de desolado. – Trazes traje todos os dias! Agora se não te importares podemos ir?

-Fui contratado como médico não como acompanhante! – exclamou Foreman com irritação.

Mudara o problema do traje para outro problema... House teve vontade de rir, quando começavam a aprender que não conseguiriam ir em seu contra? Pelo visto demoraria, o que era até divertido. Mas bem, parecia que a única hipótese de fezer Foreman ir com ele à angariação desse dia e não à que se realizaria num futuro bem distante era fazer o que fazia frequentemente, ou seja, "incomodar" o oponente. E foi o que resolveu por em prática.

-Isso soou estranho. – disse simplesmente, dando outro sentido ao argumento de Foreman e abrindo os olhos ao extremo em fingido choque.

O neurocirurgião apenas suspirou, retirando a bata e mandando-a rudemente para uma das cadeiras mais perto de si.

House deu um sorriso cheio de dentes. Resultou! Ninguém poderia ganhar-lhe uma batalha... Bem, nem uma guerra mas enfim...

HWHWHW

Wilson andava de um lado para o outro. De minuto a minuto olhava para o relógio e em seguida para a porta. Quando chegaria o seu amigo era um completo mistério para si. Só esperava que não se tivesse esquecido de o ir buscar ou mesmo de comparecer na festa. Tinha pensado ir de táxi já que o seu carro ainda não estava arranjado mas House com a sua "boa" vontade fez questão de ir com ele. Se House pensava que se sentaria naquele moto assassina estava muito enganado, oh sim... muito mesmo.

Olhou para o telemóvel em cima da cama mas reprimiu o impulso de lhe telefonar. Não se rebaixaria a esse ponto, esperaria um pouco mais, só isso. Passou outra vez pelo espelho e alisou novamente os fios de cabelo, mais por uma questão de hábito do que por verdadeira necessidade.

Ainda não sabia se tinha agido bem em persuadir House a comparecer na festa. Conhecendo-o como ele o conhecia sabia que era mesmo muito provável que ele montasse um "show" gratuito. Tal coisa não poderia acontecer, teria de controlar muito bem os movimentos do seu amigo.

Talvez fosse o destino ou mesmo uma coincidência, a verdade é que no instante em que abriu a porta para sair finalmente do quarto de hotel deparou-se com uns olhos azuis eléctricos.

-House?

Este revirou os olhos e entrou na habitação seguido por Foreman que mantinha uma posição firme e os braços cruzados.

-Quem mais poderia ser? – inquiriu House burlonamente.

-Sabes quanto tempo é que estive à tua esp... – começou Wilson. Estava chateado o que era completamente compreensível visto ter passado quase 1 hora a andar de um lado para o outro e a ponto de bater com a cabeça na parede. Okay, a última parte foi um exagero mas mesmo assim... Deu então conta de que não era apenas House que estava ali à sua frente... – Foreman? O que fazes aqui?

-Fui tecnicamente obriga... – iniciou Foreman.

-Ah, o Foreman fez questão de vir connosco! Não é simpático? Além do mais ele tem carro, já não precisas de fazer o sacrifício de "montar" na minha moto. – interrompeu House o que resultou num olhar fulminante por parte de Foreman.

Wilson olhou de House a Foreman e de Foreman a House e assentiu com a cabeça resignadamente. Não estava com disposição suficiente para psicanalisar o seu amigo nesse momento. Não acreditava muito na explicação dada por House e sabia que este fizera Foreman ir com eles por alguma razão, nem que fosse apenas para servir de motorista. Quando se tratava de House os outros eram sempre meios para alcançar os fins que ele tanto queria.

Saíram do Hotel e entraram num dos carros estacionados no parque de estacionamento. Não era uma viagem muito longa mas era uma viagem tensa. A causa eram os três homens que ocupavam o interior do automóvel e cujo humor não era dos melhores, quer dizer, House estava com um humor pelos céus mas este era "esmagado" pelo dos outros dois.

-Como está a decorrer o vosso novo caso? – perguntou Wilson depois de alguns minutos de silêncio.

House apoiou a cabeça na mão esquerda e observou Wilson que estava ao seu lado. Para chegar a um consenso ambos tinham decidido tomar os assentos de trás. House havia preferido sentar-se à frente mas agora dava graças por isso não ter acontecido. Assim conseguia ver melhor as reacções do seu amigo.

-Depende. – respondeu simplesmente.

Wilson ergueu as sobrancelhas com confusão.

-Depende?

-Sim, se eu confiar na minha equipa já temos um diagnóstico mas como não confio... bem, não faço a mínima ideia do que o miúdo tem.

Viu como Foreman olhava para ele através do retrovisor e abanava a cabeça. Deu um sorriso de lado e voltou a atenção para o seu querido amigo.

-Adoras que te odeiem. – afirmou Wilson.

-Claro que não! Muito pelo contrário, só quero que me amem! Ama-me Wilson só tu podes ser capaz disso. – House piscou os olhos exageradamente para Wilson e reparou que Foreman voltava a abanar a cabeça ao mesmo tempo que girava o volante para a direita.

Por sua vez, o oncologista ficou com a garganta seca e sentiu a temperatura subir alguns graus. Ultimamente House costumava dizer coisas do género só para o envergonhar, o que ele realmente odiava. Sabia que era apenas na brincadeira mas e se alguém o ouvisse e pensasse que aquilo era verdade? Nem queria imaginar! Sabia que a sua vida amorosa não era das melhores mas ele gostava de mulheres! Não era gay nem queria que os outros achassem isso. Não que tivesse algo contra os homossexuais mas uma coisa era aceitar e outra, completamente diferente, era ser. E, pelo que sabia, o seu amigo nunca dera o mínimo sinal de o ser... ou sim? Não, nunca dera. House era hetero e ele também, tão simples quanto isso. Sendo assim porque tinha ele, logo ele, de corar violentamente quando House dizia aquelas coisas? Ora, porque... porque... porque sim.

Corar não provava nada. Era uma reacção normal quer fosse uma mulher ou um homem a causa disso, certo? Nunca se sentiu atraído por um homem e não era agora que ia começar, ainda por cima se tratando de House, o seu melhor amigo sarcástico que não conhecia outra coisa do que "ferir" as pessoas que tentavam se aproximar dele.

Mulheres. Morenas, loiras, ruivas... o que quer que fossem, ia passar essa noite na companhia delas! Já chegava daqueles pensamentos estranhos e perturbadores.

-A pensar na minha proposta?

Uma respiração quente perto do seu ouvido fez Wilson quase saltar de susto.

-Podes parar com essas coisas? – perguntou com aburricimento.

-Porquê? Deixa-te nervoso?

House sorriu encantadoramente. Sinceramente estava a adorar ver Wilson assim... sem saber onde se enfiar.

-Não se trata disso House, simplesmente estou a ficar farto dessas insinuações. Ouvir-te dizer isso já é estranho, agora imagina quando não só dizes coisas desse género como te referes a mim!

-Não queria incomodar a vossa... interessante... conversa mas de acordo com as instruções que deram, já chegamos. – anunciou Foreman.

Homens de smoking e mulheres com vestidos elegantes e caros conversavam alegremente enquanto começavam a entrar no Hotel onde seria a respectiva festa de angariação de fundos. Todo o ambiente era muito luminoso e agradável.

House suspirou e enterrou a cabeça nas mãos. Seria muito tarde para desistir de entrar na festa e voltar para casa?


DESCULPEM O ATRASO!! Sei que demorei séculos, não, milénios para postar o novo capítulo mas prometo tentar ser mais rápida para a próxima vez.

Muito obrigada pelos REVIEWS fico muito feliz ao recebê-los pois permite-me saber se estão ou não a gostar da estória. Mais uma vez lamento o tempo que tiveram de esperar... Beijinhos